Porque nos deixais, Senhor, desviar dos vossos caminhos e endurecer os corações...? todos nós caímos como folhas e as nossas faltas nos levavam como o vento... ( ISAÍAS ) Deus do universo olhai... e vede,visitai a vossa vinha, protegei-a, já que a vossa mão a plantou ! ( Salmo 79/80)... fostes enriqecidos em tudo, em toda a palavra e em todo o conhecimento ( São PauloAOS CORÍNTIOS )... Acautelai-vos pois e estai alerta .É o que vos digo a todos:VIGIAI ! ! ! (( de JESUS aos discípulos, segundo São Marcos )
Todas as leituras da liturgia de hoje nos trazem eloquentes conselhos expressos de maneira .que parecem consequentes da nossa vida de agora.
Irão eles ser o leitmotiv deste ADVENTO que começa agora ?
27 novembro 2011
26 novembro 2011
Passeio Outonal
Mata da Margaraça -Arganil Entro dentro do Outono
pela floresta
que se enrola na bruma
e, túmida de vida,
vai macerando musgos e bolores
opaca, densa,
quase adormecida...
Pelo chão, as velhas folhas desmaiadas.
E, ao passo dos meus passos silenciosos,
escuto estalidos breves
e crispados
de coisas que não esperavam ser pisadas-
Bagas vermejhas, cachos entre espinhos
flamejam, capciosas,defensivas,
a proteger nas sebes os espaços...
Mas são os cogumelos insidiosos
quem se esconde pelos cantos mais discretos.
Os tons de verde todos se matizam
sob a abóbada fulva e acobreada
dos plátanos antigos como catedrais !
Adormece a floresta a aquietar-se
pra espessas, longas, noites invernais...
Cumprem-se os ritos, místicos, secretos,
de donzela a guardar-se
para as festivas bodas estivais ! ! !...
pela floresta
que se enrola na bruma
e, túmida de vida,
vai macerando musgos e bolores
opaca, densa,
quase adormecida...
Pelo chão, as velhas folhas desmaiadas.
E, ao passo dos meus passos silenciosos,
escuto estalidos breves
e crispados
de coisas que não esperavam ser pisadas-
Bagas vermejhas, cachos entre espinhos
flamejam, capciosas,defensivas,
a proteger nas sebes os espaços...
Mas são os cogumelos insidiosos
quem se esconde pelos cantos mais discretos.
Os tons de verde todos se matizam
sob a abóbada fulva e acobreada
dos plátanos antigos como catedrais !
Adormece a floresta a aquietar-se
pra espessas, longas, noites invernais...
Cumprem-se os ritos, místicos, secretos,
de donzela a guardar-se
para as festivas bodas estivais ! ! !...
do meu livro SINESTESIAS
20 novembro 2011
Fim do Ano Comum
Digamos que o ano litúrgico também tem as suas estações que se vão sobrepondo às estações meteorológicas, existindo aliás entre umas e outras umas relações e interdependências bastante curiosas.Hoje, este domingo, celebra-se o fim deste ano litúrgico com a costumada homenagem a Cristo-Rei, e, no domingo próximo iniciamos um novo ano com acelebração do Advento.Esta será uma fase de quatro semanas em que os católicos nos prepararemos para festejar o nascimento de Jesus com todas as inerências que lhe são próprias, seguindo-se as épocas do Natal e Epifânia . E, quando o inverno já ameaça deixar-nos, começa a Quaresma que longamente nos vai aproximando da Páscoa. Já muitas vezes cheira a verão quando celebramos o Pentecostes e logo depois começa a numerosa série de Domingos Comuns cujo termo,por este ano, foi hoje.
E em boa hora .porque o "comum" destes últimos tempos foi uma tal dureza de relações no seio do comum dos homens que os fez quase descrer da misericórdia divina...
Dizia o salmo 22 cantado hoje :O Senhor é meu pastor... ... fez-me descansar nos prados verdejantes, conduziu-me às fontes mais puras e lá restaurou as minhas forças... ... Apenas quero recolher-me na crença de que todas as orações que por mim possam ter chegado aonde me guarda o meu pastor me tivessem mesmo assim "restaurado" porque nem quero imaginar o que me estaria destinado, sem essa refrescante condução. Que poderemos todos nós neste mundo de agora mesmo, se só contarmos com a nossa tão desencorajada humana condição ?
É pois ainda com esperança que partimos para o Novo Ano que para nós começa agora.
E em boa hora .porque o "comum" destes últimos tempos foi uma tal dureza de relações no seio do comum dos homens que os fez quase descrer da misericórdia divina...
Dizia o salmo 22 cantado hoje :O Senhor é meu pastor... ... fez-me descansar nos prados verdejantes, conduziu-me às fontes mais puras e lá restaurou as minhas forças... ... Apenas quero recolher-me na crença de que todas as orações que por mim possam ter chegado aonde me guarda o meu pastor me tivessem mesmo assim "restaurado" porque nem quero imaginar o que me estaria destinado, sem essa refrescante condução. Que poderemos todos nós neste mundo de agora mesmo, se só contarmos com a nossa tão desencorajada humana condição ?
É pois ainda com esperança que partimos para o Novo Ano que para nós começa agora.
13 novembro 2011
Os talentos e a preguiça
Logo agora que não deve haver nenhum português consciente que não esteja a pôr a si próprio a vontade de resolver o problema"" o capital versus o social, ""todos com a cabeça a latejar pelo extenuante ruido das respectiva demonstrações valorizadoras que nos assediam e pretendem assustar, logo agora, dizia eu, traz-nos a liturgia uma parábola contada por São Mateus cuja "moralidade" é, nem mais, nem menos : a todo aquele que tem dar-se-á de sobejo e àquele que não tem até o que tem lhe será tirado. Ao servo inútil lançai-o às trevas...... aí haverá pranto e ranger de dentes .Uma vez mais me choca a dureza que os evangelistas colocam nas atitudes e nas falas de Jesus . Como diria alguém noutros a-propósitos, este não é o meu Jesus.Contudo foi-me feito entender que o que na verdade é aqui posto em destaque é o quanto somos obrigados a não "adormecer" sobre os talentos que nos foram atribuidos pelo Senhor nosso Deus, como qualidades inatas, capacidades úteis, não as enterrando para não se perderem, como fez o desgraçado da parábola. Entendo, mas fico-me numa atitude de discordãncia quanto ao não se cuidar zelosamente em explicar muito, em profundidade e em extensão, o que a nossa amorosa compreensão de Jesus nos permite colher desta "moralidade", pois com tanto ressentimento à flor da pele como agora a época política está estimulando, torna-se perigosíssima a não compreensão do« pranto e ranger de dentes» daqueles que não souberem fazer render as excelsas qualidades que Deus lhes deu...Será bom que todos os cristãos COMPREENDAM que não é próprio da sua fé ser preguiçoso...
07 novembro 2011
Revisão
01 novembro 2011
1 de Novembro
30 outubro 2011
...nem vos deixeis tratar como doutores...
Estamos habituados a dizer «...como São Tomás, ouve o que ele diz e não faças o que ele faz»
Ora hoje ,São Mateus vem dizer-nos mais ou menos isso a alturas do capítulo 23 do seu Evangelho :«...não procedais segundo as suas obras,pois eles dizem e não fazem.Ligam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles próprios nem com um dedo os querem deslocar... ... ...gostam do primeiro lugar nos banqu etes e dos primeiros assentos nas sinagogas, das saudações nas praças públicas e que os homens os tratem por Mestres...» relatando palavras de Jesus referidas aos fariseus e aos escribas e proferidas num incisivo apelo e conselho de humildade à multidão que o seguia. Ecoam estas palavras pelos infindos espaços de tempo e de lugar! Parecia-me ouvi~las sair da sua boca,hoje mesmo a invectivar todos esses descendentes dos fariseus de então e ,com vergonha ,teci uma oração só a pedir uma antiquíssima luz que ainda possa iluminar toda a opacidade de todos os nossos densos pecados de presunção...
Ora hoje ,São Mateus vem dizer-nos mais ou menos isso a alturas do capítulo 23 do seu Evangelho :«...não procedais segundo as suas obras,pois eles dizem e não fazem.Ligam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles próprios nem com um dedo os querem deslocar... ... ...gostam do primeiro lugar nos banqu etes e dos primeiros assentos nas sinagogas, das saudações nas praças públicas e que os homens os tratem por Mestres...» relatando palavras de Jesus referidas aos fariseus e aos escribas e proferidas num incisivo apelo e conselho de humildade à multidão que o seguia. Ecoam estas palavras pelos infindos espaços de tempo e de lugar! Parecia-me ouvi~las sair da sua boca,hoje mesmo a invectivar todos esses descendentes dos fariseus de então e ,com vergonha ,teci uma oração só a pedir uma antiquíssima luz que ainda possa iluminar toda a opacidade de todos os nossos densos pecados de presunção...
28 outubro 2011
outubro
Foi-se escoando este OUTUBRO, como não me lembro de nenhum outro assim na minha vida. Enganador, disfarçado, surpreendente, traiçoeiro mesmo, ouso dizê-lo... Na minha sede da frescura que o violento verão sempre nos rouba, abri a minha janela matinal do primeiro dia deste outubro e deparei com a minha árvore, a minha rua, envolvidas naquele nevoeiro com que sonho o ano todo!... Oh como Deus é bom, como Ele é meu amigo que logo,logo assim que pôde me mandou o "meu" outubro na forma em que eu nele me delicio e me revejo ! ! ! Mas como me iludi ! Nessa mesma tarde levantou-se o véu... E, a partir daí, houve sol de novo ardente, houve calor destroçante, secura e fogos nas matas, praias onde incautos se deixaram levar sem vigilantes, um arremedo de dureza sobre homens e animais como nunca se esperaria... E os dias a passarem neste tom até que, quase no MEU dia, desabaram chuvadas súbitas a porem o povo agredido, sem telhados, sem mobílias,tudo levado por ventanias uivantes, sem ninguém entender o como e o porquê do que se estava a passar... Oh meu Deus como há-de o Homem pôr-se de acordo com um Mundo sem as doçuras do meu velho OUTUBRO ? Foi então que se abriu uma cortina a tapar toda a meteorológica confusão e decepção e ,oh meu Deus,toda a ternura de que é capaz o coração dos Homens teceu para mim um carinhoso casulo rodeando-me, envolvendo-me e fazendo pelas suas acções para comigo com que eu já não soubesse mais sequer pensar no meu fofo manto de nevoeiros ideais ! ! ! Que grande Graça ,que decerto nunca mereci, é ter AMIGOS!!!Oh meu Deus, que belo OUTUBRO!
25 outubro 2011
25 de outubro de 1147
Porque será que os bairristas fanáticos do Porto teimam em chamar MOUROS á gente de LISBOA, se os lembrados ( ou não?) mouros foram corridos da Lisboa que queriam para si, precisamente nesta data que ficou na História e até em lendas... Quem não sabe a do MARTIM MONIZ ?
22 outubro 2011
Leitura da imprensa
Está a ser cada dia mais difícil, mais dura, direi mesmo mais dolorosa, a leitura da imprensa diária de que ainda não desisti ´malgré aquele fascínio pelos noticiários televisivos ou mesmo de rádio. Culpa da minha queridíssima professora que está prestes a festejar os seus 93 anos límpidos nos seus raciocínios, memórias e projectos( ! ! !)... Culpa dela, dizia eu, porque ,professora de português, história e geografia em simultãneo no colégio de meninos e meninas que frequentei logo que saí da 4ª classe da chamada Instrução Primária,ela exigia que nos habtuássemos a ler os jornais dos nossos pais, pelo menos uma vez por semana e depois soubéssemos "contar" o que tínhamos lido... Isto, por cerca da época da Guerra de Espanha.
Adquirem- se hábitos, assim . Mas com o que se cresce, o que se vive, com o que tudo se vai formando e desformando , ler os jornais hoje é muito diferente de então. Acontece que agora me está ficando em cada dia uma sensação de boca seca, de garganta apertada e aquela insegurança de não ter a certeza de coisa nenhuma, pelo diz e contradiz quanta vez em duas páginas seguidas... Como poderia eu fazer agora um relato do que li à minha antiga professora para ela fazer dali uma aula ? ... É mesmo aí que está o mérito do "nosso tempo" dir-me -ão :a liberdade da imprensa. E lembro-me de Fernão Lopes e o seu escrúpulo...
Mas todo este "discorrer", porque hoje no meu jornal surgiu algo que adoçou a minha boca (às vezes há horas felizes, como na lotaria). Páginas ou separatas culturais todos eles acham que têm e ao lê-las as sensações não se descrevem facil ou desapaixonadamente. É uma outra história... O meu jornal , ao sábado, insere e assim lança alguns novos poetas, sem barulhos, sem alardes, sem pretensões, e eu gosto deste jeito simples de se nos oferecer...E precisamente estou aqui a chamar a nova poetisa ao convívio dos meus leitores, porque me caíu tão bem lê-la no meio de tanta"desgraceira" que me sufoca. Ora leiam :
LAPINHA -PARA LORENA
Às 21h25a ilha fecha~
o último pássaro metálico
deixando para trás os portões
encerrados das lagoas.
É um tempo de aranhas
esquecidas das teias, aves
suspensas no voo,amigos
que invocam em silêncio as estações
e recrdam ainda a Criação,
camada por camada.
Sobre os homens desce então
uma redoma de nuvens,que a estrela
única vem selar.Cada um risca
as fronteiras do sonho com as sebes
de hortênsias ou muros de basalto,
esperando depois que as três
voltas do milhafre não o surpreendam
entre as espigas altas do mundo.
E o medo torna-se subitamente
navegável, mar de minúsculas
e carnudas conchas estendido
a nossos pés, para que possamos
sempre caminhar sobre
as águas.
INÊS DIAS DO JORNAL PÚBLICO
Adquirem- se hábitos, assim . Mas com o que se cresce, o que se vive, com o que tudo se vai formando e desformando , ler os jornais hoje é muito diferente de então. Acontece que agora me está ficando em cada dia uma sensação de boca seca, de garganta apertada e aquela insegurança de não ter a certeza de coisa nenhuma, pelo diz e contradiz quanta vez em duas páginas seguidas... Como poderia eu fazer agora um relato do que li à minha antiga professora para ela fazer dali uma aula ? ... É mesmo aí que está o mérito do "nosso tempo" dir-me -ão :a liberdade da imprensa. E lembro-me de Fernão Lopes e o seu escrúpulo...
Mas todo este "discorrer", porque hoje no meu jornal surgiu algo que adoçou a minha boca (às vezes há horas felizes, como na lotaria). Páginas ou separatas culturais todos eles acham que têm e ao lê-las as sensações não se descrevem facil ou desapaixonadamente. É uma outra história... O meu jornal , ao sábado, insere e assim lança alguns novos poetas, sem barulhos, sem alardes, sem pretensões, e eu gosto deste jeito simples de se nos oferecer...E precisamente estou aqui a chamar a nova poetisa ao convívio dos meus leitores, porque me caíu tão bem lê-la no meio de tanta"desgraceira" que me sufoca. Ora leiam :
LAPINHA -PARA LORENA
Às 21h25a ilha fecha~
o último pássaro metálico
deixando para trás os portões
encerrados das lagoas.
É um tempo de aranhas
esquecidas das teias, aves
suspensas no voo,amigos
que invocam em silêncio as estações
e recrdam ainda a Criação,
camada por camada.
Sobre os homens desce então
uma redoma de nuvens,que a estrela
única vem selar.Cada um risca
as fronteiras do sonho com as sebes
de hortênsias ou muros de basalto,
esperando depois que as três
voltas do milhafre não o surpreendam
entre as espigas altas do mundo.
E o medo torna-se subitamente
navegável, mar de minúsculas
e carnudas conchas estendido
a nossos pés, para que possamos
sempre caminhar sobre
as águas.
INÊS DIAS DO JORNAL PÚBLICO
15 outubro 2011
António Lobo Antunes
Em 1980 conheci António Lobo Antunes. Não sei se foi coincidente com a sua estreia, mas dele dizia João de Melo em 1979 « emerge num repente... ... a firme crença nos valores sensíveis da amizade, a paredes meias com outros seres sem destino certo à sua volta. ... dá-nos de estreia um dos romances mais importantes desta escrita entre nós ainda escassa do após-abril e da liberdade criadora que daí para cá se perspectivou »Era isto a propósito do Memória de elefante.Ponto de partida para a minha admiração pelo autor, de tal forma confirmada com posteriores leituras que muito me ouviram os amigos protestar pela nunca atribuição do Nobel a ele no lugar de outros...
E fomos vivendo.Tanta, tanta coisa foi acontecendo e nos surpreendendo !... Quanta vez fui à minha estante tirar o Memória de elefante só para reler, a propósito de coisas acontecidas, aquela frase com que Lobo Antunes "apadrinha" o livro e que é da sabedoria do DÉDÉ quando foge da cadeia «Há sempre uma abébia para dar o frosque, por isso aguentem-se à bronca »...A nossa forma de sermos os seres sociais dos anos 80 levou impulsos que nos arrastaram por onde nunca pensáramos ir. Mas provavelmente não nos "educámos" para uma outra era.. Todos temos algo de DÉDÉ..E algumas décadas de vida ajudam muito a arranjarmos a nossa pópria maneira de nos "aguentarmos à bronca". Lobo Antunes foi ontem entrevistado pela TV nos a-propósitos que a estação arranja e consegue.E o que vimos e ouvimos foi talvez um dos melhores e mais trabalhados personagens que o autor alguma vez construiu. Do homem polido pela vida, desapareceu a essência pura e ficou uma elaboradíssima construção, entre o "blasé" e o humilde- superior ou superior-humilde que fiquei a pensar talvez sejam a abébia para ele dar o frosque...Aquela sua cabeça é bem capaz de imaginar isto...
E fomos vivendo.Tanta, tanta coisa foi acontecendo e nos surpreendendo !... Quanta vez fui à minha estante tirar o Memória de elefante só para reler, a propósito de coisas acontecidas, aquela frase com que Lobo Antunes "apadrinha" o livro e que é da sabedoria do DÉDÉ quando foge da cadeia «Há sempre uma abébia para dar o frosque, por isso aguentem-se à bronca »...A nossa forma de sermos os seres sociais dos anos 80 levou impulsos que nos arrastaram por onde nunca pensáramos ir. Mas provavelmente não nos "educámos" para uma outra era.. Todos temos algo de DÉDÉ..E algumas décadas de vida ajudam muito a arranjarmos a nossa pópria maneira de nos "aguentarmos à bronca". Lobo Antunes foi ontem entrevistado pela TV nos a-propósitos que a estação arranja e consegue.E o que vimos e ouvimos foi talvez um dos melhores e mais trabalhados personagens que o autor alguma vez construiu. Do homem polido pela vida, desapareceu a essência pura e ficou uma elaboradíssima construção, entre o "blasé" e o humilde- superior ou superior-humilde que fiquei a pensar talvez sejam a abébia para ele dar o frosque...Aquela sua cabeça é bem capaz de imaginar isto...
09 outubro 2011
Metáforas
As metáforas desconcertantes da liturgia de hoje : Deus põe à nossa disposição um maravilhoso banquete do tipo banquete nupcial para tomar parte no qual apenas nos é exigido um traje adequado à festa, e nós, criaturas ocas e inconscientes inventamos razões e pretextos para não aceitar o convite... E então ?...
Os meus alunos de Português, já no 8º ano se entendem bastante bem com a desconstrução de metáforas...
Os meus alunos de Português, já no 8º ano se entendem bastante bem com a desconstrução de metáforas...
05 outubro 2011
Toda a doçura de um amor que ama..

De como me sinto roubada, enganada, agredida, com este ,único em minha vida ,início do MEU mês de Outubro com todas as fogueiras do universo a vomitarem labaredas para cima de nós, é a única conversa que actualmente consigo desenvolver... Todas as doçuras calmantes de todos os desesperos do Verão que o Outubro me costuma oferecer me foram este ano violentamente arrebatadas e suspeito de que em jeito de penitência prévia... Por isso rebusquei até agora em todos os "dias de..." na febre de encontrar premonições suaves ou consolaçõees tranquilizantes. E não é que encontrei na net em dia de São Francisco e dos seus "irmãos lobos, pássaros e todos mais" esta espantosa expressão de doçura e encantamento que aqui quero deixar...? E que eu invejo não poder também arvorar...
01 outubro 2011
Dia da Música
Deixo entrar pela casa
a grande música.
Bach, Orff, Vivaldi ,
Beethoven e Rodrigo
Dvorak ou Falla...
E Tchaikovsky !...
E Grieg !...
Entram em catadupas,
são cascatas
e despenham-se
e enrolam-se em espirais
como tornados !
Envolvem
e revolvem,
como um alagamento
ou uma convulsão...
Quando,subitamente,
se desdobram e espraiam,
e toda a cachoeira se desfaz,
são, borbulhando em espuma,
um mar manso e aberto
um remanso de rias
ou represas
ou lagos...
E o que fica no ar
é parecido co'a paz
que vem depois
dos prazeres saciados...
Do meu livro Sinestesias
a grande música.
Bach, Orff, Vivaldi ,
Beethoven e Rodrigo
Dvorak ou Falla...
E Tchaikovsky !...
E Grieg !...
Entram em catadupas,
são cascatas
e despenham-se
e enrolam-se em espirais
como tornados !
Envolvem
e revolvem,
como um alagamento
ou uma convulsão...
Quando,subitamente,
se desdobram e espraiam,
e toda a cachoeira se desfaz,
são, borbulhando em espuma,
um mar manso e aberto
um remanso de rias
ou represas
ou lagos...
E o que fica no ar
é parecido co'a paz
que vem depois
dos prazeres saciados...
Do meu livro Sinestesias
25 setembro 2011
...às vezes, só orando !
SALMO 24
Fazei- me, Senhor conhecer os vossos mandamentos´
ensinai-me os vossos caminhos
dirigi-me na vossa verdade.
Vós sois o meu Deus e salvador,
eu vos espero.
Recordai, Senhor, a vossa ternura
e a vossa bondade que são eternas.
Não vos lembreis dos meus pecados,
do mal da minha juventude.
Recordai-vos de mim com misericórdia
porque vós sois bom.
Sois bom, Senhor, e justo,
reconduzi ao caminho os pecadores,
orientai os humildes na justiça
e ensinai aos pobres o caminho a seguir...
ensinai-me os vossos caminhos
dirigi-me na vossa verdade.
Vós sois o meu Deus e salvador,
eu vos espero.
Recordai, Senhor, a vossa ternura
e a vossa bondade que são eternas.
Não vos lembreis dos meus pecados,
do mal da minha juventude.
Recordai-vos de mim com misericórdia
porque vós sois bom.
Sois bom, Senhor, e justo,
reconduzi ao caminho os pecadores,
orientai os humildes na justiça
e ensinai aos pobres o caminho a seguir...
Palavras da liturgia de hoje, as mesmas que andaram nos meus cuidados e nas minhas orações de toda esta semana tão densa de cuidados...
17 setembro 2011
Fonte de vida
Éramos todos jovens, a começar vidas de gente crescida. O meu marido e o meu cunhado tinham nos genes os sonhos de voar e com eles modularam as suas vidas. A minha cunhada e eu éramos meninas cultas, eu pela Universidade, ela por algumas "mademoiselles" e "frauleins" que lhe deram para completar o que aprendera nas "freiras". Vestíamos bem, "recebíamos" bem, fizeramos cursos de culinária especiais e também de Decoração Floral. Tinhamos casas bonitas e, cada uma, suas amizades e as dos nossos maridos. A minha cunhada foi mãe e foi sendo uma alegria para a qual eu não estava destinada. Quando nasceram os gémeos, eram uns bébés grandes, loiros e carequinhas e já vieram encontrar duas manas. Nunca vi uma barriga de grávida tão grande como a que gerara os gémeos! Pois se eles eram enormes e perfeitos... E mais tarde ainda veio outra mana... E cresceram e a Vida foi vida... Houve casamentos, houve diferentes acontecimentos e os rapazes lá foram chamados para a Guerra que era daquele tempo, em África. Um deles nunca chegou a ir.Teve um brutal acidente de moto nas vésperas da partida e seguiram-se três meses em coma profundo com a Mãe à cabeceira. Com a Mãe à cabeceira, houve viagens, houve peregrinações (Lourdes e a sua piscina !), houve toda a espécie
de tratamentos possíveis na época. Um dia a Mãe deu conta de que havia um dedo de um dos pés que mexia... Pronto ! Veio o renascer... E uma fé inabalável deu forças a toda a família para acreditar. Foi possível, sim, uma nova vida. Com tantos cuidados, medos, paciências, desculpas e perdões, mas houve de novo um par de gémeos ,que a vida tornara agora tão diferentes, mas em que sempre o mais forte procurou proteger o outro... Meio século de vida. De novo o transporte veloz que pode matar... Uma ravina, umsalto para a morte ! ! ! A MÃE... Dolorosa fonte de Vida... E a Vida que nós vivemos, como começou radiosa, promissora, fútil... Como imaginar, então, que "isto" ia ter que ser assim ?...
de tratamentos possíveis na época. Um dia a Mãe deu conta de que havia um dedo de um dos pés que mexia... Pronto ! Veio o renascer... E uma fé inabalável deu forças a toda a família para acreditar. Foi possível, sim, uma nova vida. Com tantos cuidados, medos, paciências, desculpas e perdões, mas houve de novo um par de gémeos ,que a vida tornara agora tão diferentes, mas em que sempre o mais forte procurou proteger o outro... Meio século de vida. De novo o transporte veloz que pode matar... Uma ravina, umsalto para a morte ! ! ! A MÃE... Dolorosa fonte de Vida... E a Vida que nós vivemos, como começou radiosa, promissora, fútil... Como imaginar, então, que "isto" ia ter que ser assim ?...
11 setembro 2011
11de Setembro
Pois é ! Fui ver.
Faz hoje um ano, neste meu modestíssimo repositório de pensamentos que se chama blog, havia umas lindíssimas fotos que obtive a tentar guardar para mim, como é costume, uma paisagem adorável da Quinta dasTorres em Azeitão,tomadas numa tarde setembrina como este ano, por enquanto, ainda não houve nenhuma. E,quase colado a esse post, lá está aquele que foi escrito já noutro mundo, num mundo virado do avesso, ali mesmo, juntinho àquele em que eu gostava de poder sempre viver... Dera-se há tanto ano aquele inacreditável 11 de Setembro e ainda nos fazia tanta dor !!! E ainda nos vai doendo este ano e eu creio que vai ficar assim esta chaga sem cura, para um sempre que não somos capazes de tirar das nossas vidas... Estranho,não é ? Nem tenho americanos como amigos especiais, nem deles conheço mais que o que me tem mostrado o cinema e a literatura, regozijei-me com o advento do Obama e com o regresso a Portugal de uma pseudo-prima que pelas Américas se fez gente e gira mesmo...Mas o que me dói vai mais fundo e não tem nacionalidade... Como somos realmente nós HOMENS ? capazes de quê, de quanto ? É tudo ódio cá dentro de nós ? E este MUNDO lindo que por aí está á nossa disposição, que faremos com ele de degrau em degrau até um último que poderemos encontrar sem esperar, sem nunca podermos acreditar se será ou não possível parar ? ...
Faz hoje um ano, neste meu modestíssimo repositório de pensamentos que se chama blog, havia umas lindíssimas fotos que obtive a tentar guardar para mim, como é costume, uma paisagem adorável da Quinta dasTorres em Azeitão,tomadas numa tarde setembrina como este ano, por enquanto, ainda não houve nenhuma. E,quase colado a esse post, lá está aquele que foi escrito já noutro mundo, num mundo virado do avesso, ali mesmo, juntinho àquele em que eu gostava de poder sempre viver... Dera-se há tanto ano aquele inacreditável 11 de Setembro e ainda nos fazia tanta dor !!! E ainda nos vai doendo este ano e eu creio que vai ficar assim esta chaga sem cura, para um sempre que não somos capazes de tirar das nossas vidas... Estranho,não é ? Nem tenho americanos como amigos especiais, nem deles conheço mais que o que me tem mostrado o cinema e a literatura, regozijei-me com o advento do Obama e com o regresso a Portugal de uma pseudo-prima que pelas Américas se fez gente e gira mesmo...Mas o que me dói vai mais fundo e não tem nacionalidade... Como somos realmente nós HOMENS ? capazes de quê, de quanto ? É tudo ódio cá dentro de nós ? E este MUNDO lindo que por aí está á nossa disposição, que faremos com ele de degrau em degrau até um último que poderemos encontrar sem esperar, sem nunca podermos acreditar se será ou não possível parar ? ...
02 setembro 2011
ma "chanson" de Septembre
VERS UN SEPTEMBRE
GRIS
QUE PERSONNE N'ATTENDAIT
OUVRE GRAND LES VOLETS.
LAISSE, LAISSE
GLISSER
TON REGARD FATIGUÉ
DES EXCÈS
DE LUMIÈRE
ET DE TOUS LES EXCÈS-
SI TON REGARD SE BRISE
CONTRE UN NUAGE ÉPAIS,
LA DOUCEUR DE LA PLUIE
DONT TON ÂME AVAIT SOIF
LAISSE-LA T'EMBRASSER.
QUE TON ÂME
ET TON CORPS
TOUS LES DEUX ILS SE GRISENT...
GRIS
QUE PERSONNE N'ATTENDAIT
OUVRE GRAND LES VOLETS.
LAISSE, LAISSE
GLISSER
TON REGARD FATIGUÉ
DES EXCÈS
DE LUMIÈRE
ET DE TOUS LES EXCÈS-
SI TON REGARD SE BRISE
CONTRE UN NUAGE ÉPAIS,
LA DOUCEUR DE LA PLUIE
DONT TON ÂME AVAIT SOIF
LAISSE-LA T'EMBRASSER.
QUE TON ÂME
ET TON CORPS
TOUS LES DEUX ILS SE GRISENT...
31 agosto 2011
...túnica flutuante de sombras
O MEDO, QUANDO NOS EMPECE, VEM DE LONGE, TRAZ UMA POEIRA DA VIA LÁCTEA,NA TÚNICA FLUTUANTE DE SOMBRAS... - Teixeira de Pascoais.
29 agosto 2011
um jogo?
Não gosto de AGOSTO. Ainda bem que estamos a vermo-nos livres dele pelo menos por um ano.
Para mim não é um mês A gosto. Quando ele se aproxima, já há na minha alma umANTEgosto de coisas que me não são agradáveis. E se me falarem na 5ª feira proxima,verão abrir-se na minha face os risonhos sinais do Após AGOSTO que perdurarão Até Agosto do ano que vem. Com gosto receberei todas as maldades meteorológicas que os outros meses me impuserem, mas sempre foi e há-de ser a Contragosto que receberei este mês petulante e impositivo que, além de nos obrigar a deixar a nossa casa, a nossa cama e o bem-bom que nos conforta, nos dá De(s)gosto(s) de ordem estética ( oh! as gorduras e as magrezas!), de ordem gastronómica( os petiscos e as enterites!), e até intelectuais ( as presunções das leituras !)...Desde agostos,EM gosto eEntregostos vários, Paragostos muito meus reservados ePerantagostos que às vezes até tiveram do bom e do melhor, Semagosto dessorado ou mesmo azedo, Sobragostos me tentei tanta vez encontrar Sobagosto, Trásagostos, que outros fizeram para mim...!
...e dizia um meu aluno, há anos, que "isto das preposições" só se "aproveitavam" duas ou três !
Para mim não é um mês A gosto. Quando ele se aproxima, já há na minha alma umANTEgosto de coisas que me não são agradáveis. E se me falarem na 5ª feira proxima,verão abrir-se na minha face os risonhos sinais do Após AGOSTO que perdurarão Até Agosto do ano que vem. Com gosto receberei todas as maldades meteorológicas que os outros meses me impuserem, mas sempre foi e há-de ser a Contragosto que receberei este mês petulante e impositivo que, além de nos obrigar a deixar a nossa casa, a nossa cama e o bem-bom que nos conforta, nos dá De(s)gosto(s) de ordem estética ( oh! as gorduras e as magrezas!), de ordem gastronómica( os petiscos e as enterites!), e até intelectuais ( as presunções das leituras !)...Desde agostos,EM gosto eEntregostos vários, Paragostos muito meus reservados ePerantagostos que às vezes até tiveram do bom e do melhor, Semagosto dessorado ou mesmo azedo, Sobragostos me tentei tanta vez encontrar Sobagosto, Trásagostos, que outros fizeram para mim...!
...e dizia um meu aluno, há anos, que "isto das preposições" só se "aproveitavam" duas ou três !
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