12 julho 2009

...sacudi o pó dos vossos pés...

Já vai sendo hábito eu vir lançar aqui as ideias que me assaltam durante ou a seguir às leituras de cada missa de Domingo. Às vezes acabam de nascer, outras vezes já as trago comigo há muito tempo,de outros Domingos, pois, como sabemos, há um repetir cíclico destas leituras, de acordo com uma definida sistematização. Ora hoje chegou a altura de, no Evangelho de São Marcos, aparecer um daqueles episódios que me vêm à cabeça muitas e muitas vezes, porque lhe acho graça e como não sei até que ponto aquela acção era um uso simbólico entre o povo ou teria sido criado por Jesus, na hora, para servir de símbolo dali para a frente, apetece-me tomá-lo para meu uso, algumas vezes,sempre com um sorriso, pensando quão espirituoso foi Jesus ao recomendar a sua prática aos Apóstolos que estava a enviar para o meio das gentes :«...e se algum lugar vos não receber, nem aí vos escutarem, ao sairdes de lá, sacudi o pó dos vossos pés, como testemunho contra eles.» Não esqueçamos que os Apóstolos não levavam nem sandálias, nem nada de bens materiais. Talvez, também por isso, até aquela espécie de não devesse maculá-los com o seu peso.Como já tínhamos visto na Profecia de Ezequiel, era perfeitamente expectável que a aceitação às prédicas de profetas e de apóstolos não fosse lá das maiores, mas verdadeiramente importante era que elas fossem feitas e sem choques ou imposições de prença activa...
No linguajar de hoje, dir-se-ia talvez que Jesus gostaria de falar soft e só em casos extremos saíria dessa postura.
E eu não deixo de recordar, água mole em pedra dura...dizemos nós,da sabedoria popular, mas que o povo foi buscar onde ? Ao sacudir de muito pó de muitos pés, de muitos outros apóstolos ?

08 julho 2009

Que progresso?

Li, num dos múltiplos cadernos em que se desdobram os jornais de fim de semana,um curioso artigo cujo título me chamou logo a atenção por um defeito de coerência gramatical o futuro vai ser tão bom, não foi ?.Com alguma graça o seu autor recorda quanto,pela magia do cinema, nós, os mais velhos, talvez ainda na primeira metade do século XX, nos entusiasmávamos a pensar que no século XXI ( o futuro) já poderíamos ter robots a arrumar-nos a casa, engolir pastilhas como refeição, andar na Lua como em nossa casa,etc.,etc. e o que afinal verificamos é que no FUTURO é que já estamos a viver e não temos nada disso que imaginávamos... Temos outras coisas, é certo, mas aquelas ficaram a fazer parte do nosso passado, não foi ?

E uma coisa enorme,quanto a progresso, é de facto a televisão. Janela aberta para o mundo, longe ou perto, dentro das nossas casas.Se a internet nos possibilita a COMUNICAÇÃO com o mundo, a televisão possibilita-nos VÊ-LO

E ver o mundo sentada no meu sofá é uma comodíssima forma de me sentir viva dentro dele.

A verdade é que se nos abrem horizontes, mas também matéria para dúvidas, crenças, alegrias, indignações, divertimentos, descobertas, um sem- fim de propostas com que vamos podendo preencher variadíssimos espaços de carência de companhias ou de interlocutores válidos.

Como veria eu, velha senhora, a festa de apresentação de um rapaz do foot-ball cujo preço de compra foi de tantos milhões que não cabem na minha tabuada ?
Como veria eu,portuguesa antiga, a celebração de espampanantes exéquias de um ídolo do rock-and-roll americano ?
Pois vi tudo isso, até certos limites que o meu bom senso aguenta,e fiquei a pensar se lá atrás, naquele seculo XX dos tais sonhos de progressos, as pessoas alguma vez sonhariam que o FUTURO delas seria esta necessidade de encontrar ídolos para idolatrar sem nenhum avanço de nenhuma grandeza ?

05 julho 2009

Do Profeta EZEQUIEL

Hoje Ezequiel fala-me de uma coisa que vem ao encontro do que tem sucedido algumas vezes comigo ,ao falar de mim para mim, em situações semelhantes. Ele estava prevenido : vais lá, falas, e eles,como são rebeldes, não vão prestar nenhuma atenção ao que lhes disseres, mas tu vais sempre falando...PELO MENOS SABERÃO QUE HÁ UM PROFETA NO MEIO DELES...
Eu sei que,pelo menos,posso ser A presença.Existo. Lá, como Ezequiel. E insisto.

04 julho 2009

Sophia de Melo Breyner Andresen

Feliz,feliz, é uma pessoa que tem amigos. Amigos que pensam nela, sem ela se fazer lembrada. Amigos que pensam em proporcionar-lhe alegria sem ela se queixar de tristeza.Amigos que se alegram porque a alegraram.Amigos que param para pensar o que é que lhe daria prazer? Assim só, gratuitamente, sem pensar em trocas nem compensações, mas em simples partilha do BOM que eles têm com o amigo que o não tem.
Tudo isto para dizer que uns amigos desses me levaram ao Miradouro da Graça porque lhes palpitou que me daria prazer ir ver o busto que inauguraram em homenagem à SOPHIA .E foi mesmo uma imensa alegria ! Nesta fase da minha vida, nunca poderia ir lá se me não levassem...Oh! quanto estou grata...!
Mas falemos das manhãs claras, das tardes transparentes, que, daquele lugar, o seu olhar de estátua vai fingir que vê, mas que foram com ela, infinito fora, e andarão para sempre a pairar para nós ,por causa dela, sobre aquele Tejo lá adiante...Não era longe dali a sua casa, onde Lisboa a deixava envolver-se em Mundo e depois oferecer-no-lo envolto sempre em luz, na luz que dela irradiava... Sophia ! Ainda bem que vim ver-te...Quem dera nos encontremos por aí !...Um dia...

Um dia...não a pensar futuro, mas presente, bem presente, e agora já tão passado,( !)escrevi isto por causa do que me vinha de ti:

Era límpida a luz
derramada, sem mancha,
sobre as vagas inquietas
a espumar e a escorrer sobre a areia.

Era princípio ainda.
Do dia impuro nada se sabia.
Havia apenas, amplo, iniciático,
o lugar para os sonhos de partida...

Se chegava a ouvir-se o canto da sereia,
ou se apenas o som
cavo e enigmático
das grutas onde nasce a maresia,
quem podia saber ?quem poderia?

Misteriosamente
abriam-se horizontes
entre reminiscências de passado...

E o ar repercutia
um murmúrio salgado e insistente
a confirmar que afinal existia
o areal, o vento, o Mundo de SOPHIA...

Do meu livro Sinestesias

03 julho 2009

Linguagem gestual

Em nove de Junho houve eleições para o Parlamento Europeu e recordo como me desconsolou verificar quanto está a murchar o interesse das pessoas por aquilo que tanto me empolgou quando eu, jovem, universitária e optimista,sonhava para um meu futuro. Não sei se era por causa do estudo dos Gregos ou se era por causa das tertúlias de corredor com os colegas das Filosofias, nós amávamos a DEMOCRACIA.
Foi preciso que désse tempo ao tempo de crescer para conhecer como era realmente o objecto desse amor.
E agora,que até temos um Parlamento e tudo, que passámos todos por tantas vicissitudes, uma bela manhã acordamos com vontade de ir lá, à matrix da nossa democracia para assistir de perto, (porque temos direito a fazê -lo), àquela coisa tão digna como é gerar as leis para as quais nós todos contribuimos um poucochinho (para isso elegemos deputados) , e acontece estar lá, na bancada ministerial ,um senhor que, estando as leis já todas feitas, se zanga porque o seu ouvido captou um àparte de que não gostou,e, como um miúdo da rua, exterioriza em gestos indecorosos o que não teve fôlego( ou honorabilidade?) para verbalizar.Oh! Um Oh! geral...
Então como é que fica este nosso sonho dos vinte anos?
Só se o elanguescer desta planta tão delicada quando há eleições?
E até onde é que isso pode levar um país? que até poderá ter ainda mais sonhadores que os da minha geração...e que não usem linguagem gestual de tão baixa categoria...

30 junho 2009

Saint Exupéry

Foi por e para recordar Saint Exupéry que hoje vim marcar mais um dia do meu calendário pessoal...Nasceu, como se dizia antigamente, bem nascido, num vinte e nove de Junho do ano em que nascera o meu Pai, em Maio. Mas morreu matado por bombas alemãs, na segunda Guerra Mundial, ao fazer um voo de reconhecimento sobre o Mediterrâneo, que nunca devolveu o seu corpo. Do Petit Prince todos sabem imensas coisas e pensam assim conhecê-lo. Da sua forma de estar na vida e de como a amou, creio que preferem não saber.É que , como ele disse, aqueles que se aproximam de nós sempre nos deixam alguma coisa de si próprios, mas levam consigo uma boa parte de nós mesmos...

21 junho 2009

O Verão, o Mar e a Fé


Pelo decorrer do calendário, é mesmo hoje que começa o Verão. Temos andado há uma semana a suportar a agressividade dos mais de trinta graus, anúncio vigoroso da canícula a chegar e agora há por aí locais onde se instalaram os quarenta graus.E o Portugal inteiro só pensa numa coisa :a PRAIA. Coitados daqueles que àmanhã pela manhâ se vão sentar nas salas de exame a prestar as sempre temidas provas de matemática do 9º ano e outras provas do 12º ano ! Este ambiente tórrido não é propício a grandes concentrações da atenção e eles precisam muito dessa concentração, tanto nas vésperas que não devem ser excitanies, como na hora da prova em que a tranquilidade ambiente é indispensável. Que Deus os ajude.
E como Deus está no meio de nós, curiosamente, a liturgia de hoje traz-nos lindíssimos trechos mesmo adequados a esta ânsia de MAR que os portugueses estão a viver hoje....« O Senhor disse a Job:Quem foi que fechou o Mar no meio de portas, quando ele irrompeu do seio do abismo, quando eu o vesti de neblina e o envolvi de uma nuvem sombria,quando lhe fixei os limites e coloquei portas e ferrolhos? Fui eu que lhe disse «virás até aqui e não irás mais além, aqui virá quebrar-se a altivez das tuas vagas...» Ficamos maravilhados com a beleza das imagens e a demonstração de sensibilidade que surge a cada passo no Antigo Testamento, mas o próprio Salmo (106/107) é uma tão poética " pintura" das maravilhas do Senhor no mar imenso que pouco falta para que o perfume da maresia chegue até nós. É ainda o Evangelho de São Marcos que nos coloca numa barca com Jesus ressuscitado e os seus discípulos a atravessarmos o Lago Tiberíades como que propositadamente para termos a certeza de que Jesus nos irá defender de quaisquer tempestades de mares alterosos, como a que ali se levantou... E nós a vermos Jesus dormir na popa da barca e já a pensarmos que Ele não nos ia valer...
Como é que não tendes fé? Foi a pergunta que Ele fez, depois de fazer calmar a tempestade.Para todos os da barca, passado o medo, foi assim como um soco no estomago, que Homem é este a quem o MAR obedece e as tempestades?
Como é que não temos fé ? ? ?

20 junho 2009

Santos Populares

« ...Se o Menino Jesus pergunta mais, queixo-me a sua Mãe, Nossa Senhora » e assim se remata uma conversa entre Santo António e o Menino, embaraçosa, segundo parece, por causa da cusquice daquele Menino que queria informar-se sobre um tal par de namorados que descobrira junto à fonte. Isto, segundo conta Augusto Gil, numa época em que se escreviam e se liam doces ingenuidades como esta Hoje gosta-se mais de um Santo António mais maroto, pouco ou nada asceta nas suas convivências populares, de mistura com manjericos, balões, patuscadas a deshoras, fados, marchas e festões coloridos e rebrilhantes. Lisboa faz com ELE a sua festa. E naquela emulação que sempre houve e haverá entre Lisboa e o Porto, esta cidade faz uma festa ainda mais fogosa com o seu São João. Sei muito pouco das razões destes paralelismos festivos e ouvi, no Porto, uma quadra popular que diz:
São João pra ver as moças
ai fez uma fonte de prata.´
As moças não vão a ela.
ai São João todo se mata.
Isto lá vai chegar à mesma marotice de convivência entre o santo e os seus devotos.E, no Norte parece-me que há a considerar a expansão territorial da Festa visto que a cidade de Braga e alguns outros lugares, fazem da homenagem a São João a grande oportunidade de o povo dar largas à sua vontade de brincar e se divertir.
Eis que, ao pensar tudo isto imaginando que a proximidade dos dias votivos de cada um destes santos levou a que, na visão popular, apareçam tão paralelos ,me pergunto : e São Pedro ? Sempre se falou nos três santos populares e eu sei que há na margem sul do Tejo alguns locais onde este santo é festejado, mas não oiço as fanfarras da fama visarem da mesma forma este seriíssimo São Pedro a quem talvez por ter sido crucificado de cabeça para baixo, o povo considere menos bom para companheiro de folguedos...
Certo é que 13, 24 e 29são datas do mesmo mês e tão próximas que até convidam a que, sendo todos Santos, apóstolos ou doutores da Igreja, os recordemos juntos e com igual alegria, porque, embora em situações e ocasiões tão diversas, foram dos nossos, como o povo diz vulgarmente, e como quer que continuem a ser.

14 junho 2009

11º Domingo Comum

Nesta sistematização dos objectos de cada missa votiva ao longo do ano litúrgico, recomeçaram hoje os chamados Domingos Comuns que tinham sido interrompidos na Quarta Feira de Cinzas. Os textos das nossas leituras vão levar-nos agora a encontrar Jesus a agir no mundo por intermédio da acção da sua Igreja, cuja missão é precisamente garantir a presença entre nós de Jesus ressuscitado. E os evangelistas vão contar-nos aquelas coisas que ouviremos pela enésima vez mas onde sempre descobrimos um novo conselho, estímulo ou aviso que parece mesmo que Jesus disse "para mim", naquele seu modo misterioso e grave de nos falar, naquela sua tão estranha parábola de que sempre se serve, não vá traí-lo o nosso pobre entendimento... Nós, aquele grãosinho de mostarda...

10 junho 2009

Paráfrases de Camões no dez de Junho

Que de uma Pátria antiga
se tratava
foi-me herança
encontrada
quando vim
Que de uma Pátria antiga
eram a língua, os livros
e os poetas
aprendi, decorei
e, apaixonada,
os segui e adorei
como a profetas
Que deuma Pátria antiga
sou pertença,.
terreno, erva daninha,
ortiga ou flor,
é o meu património
fé e crença
Ditosa Pátria minha
e de meus Pais,
das chuvas e das dores,
dos sóis, da primavera,
de todos os que já
não voltam mais,
das glórias dos amores,
das lágrimas caladas...
...à qual se o Céu me der
que um dia entregue
este corpo
cansado de viver
darei feliz
tudo o que soube ser...

09 junho 2009

Eleições

E houve eleições, no domingo.Para eleger deputados para o Parlamento Europeu. Depois de uma campanha turbulenta em que houve desmandos vocabulares, ironias de baixo nível,ditos e desditos assaz desconcertantes, todos esperávamos por uma grande abstenção e ela veio...Pena ? Sim, pena por se perceber o enorme fosso que o povo português tem ainda que vencer para se entrosar no verdadeiro espírito democrático. Estou triste por perceber que é ainda mais longo o caminho a percorrer do que aquilo que eu esperava em 74 e agora começo a pressentir que já não haverá tempo para mim para ver desabrochar essa flor de civilidade,de respeito,de tolerãncia, de convicção sem bravata, de afirmação sem insolência, com que eu sonhei sempre tanto.
Quando, nos meus tempos activos, fiz alguns serviços em Estrasburgo, Luxemburgo e Bruxelas tudo me pareceu tão bem pensado que cheguei a crer em novas utopias. Mas´lá mesmo, nesses areópagos cuja esfera de acção já me parecia dificultosa, comecei a recear que viesse a ressurgir aquele sonho de sempre, de se construir a torre que há-de chegar ao céu...
Por enquanto, vamos olhando o céu cá de baixo. E sabemos onde ele está...

02 junho 2009

2 de Junho






Saudades não venhais juntas
vinde pouquinhas a poucas,
vinde mais compassadinhas,
dai lugar umas às outras !
quadra popular

31 maio 2009

Pentecostes

«Partos, Medos, Elamitas, habitantes da Mesopotâmia,da Judeia e da Capadócia,do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e dos lados da Líbia vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, Cretenses e Árabes», em resumo: todo o mundo conhecido,feito de povos diferentes em usos, estatutos e línguas, subitamente ouve que falam para todos, mas para cada um, porque cada um ouve o que é dito mas na sua própria língua... Isto aconteceu no dia 50º depois da Ressurreição de Jesus e 10º depois da sua ascenção à vista dos discípulos. Lembramo-nos bem de que Jesus havia dito«« não vos deixarei orfãos »» .E também nos lembramos bem de que, no princípio de tudo, quando ainda ««as trevas cobriam o abismo, o ESPÍRITO de Deus movia-se sobre a superfície das águas »» e foi a partir desta inefável presença que Deus iniciou a sua atenta e carinhosa obra de criação. Este Espírito de Deus liga-nos pois a ELE através de tudo o que ELE foi vendo «que era bom» para nós, inclusive através daquele presente sem medida e sem humana qualificação possível que foi o seu Filho Jesus... Quis Deus um Mundo de homens em paz e cabia ao seu ESPÍRITO harmonizá-los, torná-los capazes de se entenderem ,ainda na memória de um Jesus cuja missão aquele Mundo não conseguiu compreender... Se era de sinais visíveis que precisavam, então aí estavam esses pequenos fogos purificantes primeiro, estimulantes depois... Mas, com sinais ou sem eles, aqui estamos nós,dois mil anos depois, Partos ou Capadócios, Egípcios ou Romanos, sem termos aprendido aquela língua que o ESPÍRITO de Deus vem ensinar-nos no dia de hoje e nós sabemos que se chamaria AMOR...

28 maio 2009

Um grande dia de maio

Lembrei-me de ir procurar informação na net, sobre o aparecimento do dia dos vizinhos e fiquei então sabendo que o seu nascimento se deu em Paris em 2004 tendo depois a ONU aproveitado a ideia e marcado a última terça feira de cada mês de maio para essa celebração.
Obtida esta informação,já me senti apetrechada para, ontem, dia 27, invocar de maneira fundanentada, a minha teoria da vicinidade na reunião de condóminos que iriamos ter pela primeira vez com administração nova ( um gabinete de gestão de condomínios conduzido por duas advogadas jovens das quais tivemos referências de bom profissionalismo). Fez-se a dita reunião que decorreu com as características habituais, não se mostrando as novas gestoras minimamente perturbadas com as velhas tricas subjacentes a certas intervenções, póprias de quem já condominiza há muitos anos..
.
Aconteceu,apenas a mim e em conversa lateral, ter que lembrar ao único condómino jovem presente, que, ao contráriodo que eles pensam,todos precisamos uns dos outros, sejamos novos ou velhos, cada um dentro das suas capacidades...Um pormenor, mas de peso, dentro daquele contexto
Porém, este dia 27 de Maio foi um tal cúmulo de datas a celebrar,umas, e outras anterioríssimamente marcadas e desmarcadas por contingências várias, que foi,desde manhã até à noite um cumprir ou faltar a compromissos por impossibilidade de conexão, e por sobreposição até. Foi o aniversário da minha amiga-sobrinha Rita, foi a memória religiosa dos que teriam sido os 109 anos de meu Pai, foi um almoço na cidade preparado para e por velhos amigos do mesmo antigo Trabalho, foi a reunião em minha casa com as Senhoras visitadoras da Paróquia,por fim foi a reunião dos condóminos.Vi-me forçada a prescindir da minha sessão de fisioterapia e,depois, às seis da tarde, a não estar presente na apresentação do livro do meu amigo Padre Lázaro, na Embaixada de Moçambique.
Este foi o livro em que se transformou a sua tese de doutoramento em Teologia e cujo título nos indica a originalidade do tema e nos estimula a curiosidade, por isso que os sete arguentes da sua prova foram unânimes em classificá-lo com 18 valores cum laude... DOENÇA E CURA EM ÁFRICA introduz-nos em toda uma desconhecida filosofia de pensar a doença quando olhada com olhos africanos e participada pelos prcedimentos cristãos.
O nosso novo Doutor vai regressar para junto do seu povo chuabo com todos os conhecimentos e experiências que adquiriu em 6 trabalhosos anos de convívio europeu ocidental. Com muita saudade vamos, vou, ficar orfã da sua amizade e dos seu apoio.
Na oração da noite deste enorme dia, agradeci a DEUS os amigos, lembrei os vizinhos e encomendei~lhe particularmente o futuro do meu amigo Lázaro.
E adormeci em paz ! .

26 maio 2009

Saberá a ONU ?

Muito cansada! O que eu tenho feito, o que eu tenho escrito, o que eu tenho feito escrever ! Mas hoje, a telefonia da manhãsinha e, depois, a televisão do almoço apregoaram aos quatro ventos que é o dia europeu dos vizinhos ! ! !
E eu, toda convencida que tinha sido muito original na minha teoria sobre a vicinidade exposta aqui mesmo neste blog em 8 de julho de 2008 !...
Juro que nunca ouvi falar noDIA DO VIZINHO . E não é que os noticiários me dizem que há 3 anos que a ONU se lembrou disto ? e que o dia será muito cheio de festas nas Juntas de Freguesia e mais aqui e ali... Bem, a minha alma rejubila e pasma. E também, como tinha exposto resumidamente a minha teoria numa reunião de condóminos que aconteceu no começo deste ano de 09,
resolvi pôr-me à espera que algum dos meus vizinhos hoje viesse mostrar-me
um pouco da sua aderência às ideias minhas e da ONU...
Está para ser noite e não aconteceu... Será só no meu prédio? Será que a ONU sabe disto ?
Ingenuidade minha. Como se intitulava uma série de documentários que era passada nos cinemas, na época da Guerra, ainsi va le monde...

17 maio 2009

O monumento a Cristo Rei

Por mais que puxasse pela memória, não consegui fixar-me nem em qual teria sido a primeira, nem em quantas vezes visitei, estive ou passei pela cidade de Setúbal. Lembro bem a última, em que fui convidada pela Escola Superior de Educação ( creio ser este o seu nome oficial) para falar sobre Bocage em companhia com duas amigas que iam lendo poemas dele, ao a propósito do que eu ia dizendo. É um campus universitário magnífico, inserido na paisagem e pensado para uma população de jovens modernos, à boa maneira de Siza Vieira. Sei que foi uma visita alegre em que inclusivamente a Tuna acabou improvisando uma musiquinha muito bonita para um pequeno poema do poeta celebrado que eu lhe lançara à maneira de mote ...e desafio.
Recordação bem mais antiga, um fim de semana de dois dias passado na Estalagem de São Filipe (será que ainda existe e com este nome?), instalada no Castelo ou Forte com esse nome. Uma situação magnífica, com o rio Sado já a fazer-se estuário ali aos nossos pés...
Mais atrás ainda, muito mais atrás, um passeio por uma avenida arborizada, onde, a certa altura, me mostraram o monumento a outra jóia da cidade, Luiza Todi. E, logo a seguir um almoço em que comi pela primeira vez um peixe delicioso que em casa se não comia porque o meu Pai o detestava:o salmonete.
Era ali uma especialidade, já não me lembro se da terra, se do restaurante.Mas a verdade é que me ficou para toda a vida a associação desse peixe a essa cidade. E também sei que me fizeram crer que as pessoas de Setúbal falam carregando na pronúncia dos R .
Não se pode dizer que seja tudo isto uma grande informação e pode sim dizer-se que é quase imperdoável... Mesmo ali à beira da Arrábida que percorri e frequentei nas suas múltiplas facetas (onde, tanto, a memória do Sebastião Gama,esse amigo !), mais modernamente, num simples cruzamento de estradas ao vir do sul para Lisboa...Bem, é já ali Setóbal !
Mas ,subitamente, comecei a ter essa cidade aos meus ouvidos várias vezes por dia : a violência, as juventudes delinquentes mas incompreendidas, a polícia enxovalhada, a Conunicação Social aos gritos e apitos, nós todos numa inquietação, eu, com um nó na garganta, a lembrar aqueles alunos da Tuna e da Escola,tão felizes, tão alegres, e também os polícias que conheci no meu trabalho, gente sã, meritória...Que é isto ?
Que é isto no meu país ?
E acontece outra vez Setúbal . O Concelho, a Diocese, e o seu povo... E de novo a Comunicação Social uma, duas , n vezes a insistir, a insistir...mas como se explica que o tom já não seja instigador da histeria irritada e irritante e se tenha mudado o registo das referências ao povo, a este mesmíssimo povo de Setúbal , do espaço alargado para fora da cidade, onde provavelmente as juventudes se podem equiparar ? É explicável ?
Agora trata-se de algo que se percebe bem todos respeitam, e não ousam cometer qualquer deslize, talvez nem bem saibam porquê...
São os espectaculares festejos de comemoração do 50º aniversário da existência do monumento a Cristo-Rei, implantado justamente na Diocese de Setúbal...
Há que considerar que o histórico e o político têm aqui um grande peso, mas o que provoca esta mudança de atitudes ?
Acaso não se trata da mesma Comunicação Social, dos mesmos "fazedores" de opinião ?


O convite à meditação perante o imenso espaço aberto à frente daquele monumento é sem dúvida feito pela beleza esmagadora da paisagem, toda material, mas do que ali SENTIMOS sobre nós e o mundo, sobre nós e a vida,
disso e de um certo inexplicável AMOR, de que o Mundo está carente, não encontramos forma de o materializar... Vejo agora nitidamente que o espiritual é mesmo o grande motor deste Mundo dos Homens, quer eles o entendam quer não ...

10 maio 2009

As varas

Esta foi a semana em que o tempo, de quente, passou a frio e de brilhante passou a baço...Tenho uma pequena fatia de jardim, coberta de hera, com uma cameleira num dos topos.Quem sabe destes arremedos de jadins que há na cidade sabe que, numa certa época, pululam os jarros alvíssimos de largas folhas verdes que requebram como bailarinas orientais. Mas vem a época em que eles abdicam, secam e só no subsolo quente fica um bolbo que ninguém vê e até esquece, pelo menos pelo espaço de um ano... Os velhos jarros amarelaram,
descaíram e arrastam-se pela terra consentindo que tudo o que for exuberante lhes caia por cima e os abafe. Veio hoje o jardineiro e foi puxando, separando, arrancando...Era um montão de lixo, aquilo que fora tão airoso !
Metáfora ? São João diz no Evangelho de hoje que Jesus terá usado a metáfora da vara seca que é jogada fora e queimada, seca porque não dá fruto, e o fruto é uma nova metáfora...Como eram misteriosas as palavras de Jesus !
É que, mesmo sem eu fazer nada, os meus jarros voltam a rebentar cheios de força, na próxima Primavera...Só mesmo isto é possível porque aos seus escondidos bolbos,até aí !, chegará a Infinita Misericórdia.
Como é que eu não penso nisto quando estou como os velhos jarros do meu minúsculo jardim ?

03 maio 2009

MÃES

Matriz, modelo, MAÇÃ, malefício, medo, mortificação, marca, melancolia, macio, mimo, mácula, memórias.
Alvorada, Amor, ansiedade, aflição, azedume, apelo, apego, auxílio, apoio, acompanhamento, abraço, artes, admiração, ausência.
Eternidade, Eden, envolvimento, exclusão, entendimento, exigência, educação, evolução, elegância, esteio, espanto.

Com as três letras de MÃE podemos contar a História de todas as MÃES do mundo, desde que Eva provou a maçã. Esta é a história das mães que eu tive.

01 maio 2009

Trabalhadores

Principia o mês de Maio, dito antigamente o mês das flores. E também se dizia que, se chovesse, a sua chuva fazia as pessoas bonitas... Com o passar do tempo tudo endureceu nas nossas vidas e, se pensamos em Maio, a primeira conotação é a do TRABALHO por causa de o seu primeiro dia ser dedicado aos TRABALHADORES. E nós sabemos a carga de lutas, de sofrimentos, de decepções e de poucas alegrias que esta data traz consigo.Mas também é importante que se pense quanta dignidade, quanto orgulho, quanta felicidade o trabalho pode dar ao ser humano... O Fernando Pessoa é que se lembrou de elogiar o não se ter nada para fazer ou o não se fazer nada mesmo que haja que fazer, e socorre-se de exemplos que só nos fazem sorrir««o melhor do mundo são as crianças»» E, não sei por que associação de ideias, este amor do Pessoa ao primitivo, fez com que me ocorresse que também no dia 1 de Maio foi escrita por PERO VAZ DE CAMINHA a CARTA a dar conta ao Rei D. Manuel do ACHAMENTO DO BRASIL .Não teriam sido também uns esforçadíssimos trabalhadores, estes navegadores cujo esquecimento vamos gradualmente consentindo ?...