21 outubro 2008

Os grandes eventos

Já passaram dois dias sobre aquele tempestuoso sábado em que dois acontecimentos interessantes solicitavam a minha presença e entre os quais teria forçosamente que fazer escolhas, mas quero registá-los porque, curiosamente, um pouco de mim estava intimamente ligado a eles.

Primeiro : Encerramento da exposição Maria Callas.

Esta exposição abrira, se não me engano, em Junho e comemorava os 50 anos sobre a apresentação, no São Carlos, da Traviata, cantada pela grande Callas.
E aconteceu que, 50 anos atrás, eu ainda não era viúva e o meu marido, por inerência da sua profissão, esteve sempre em contacto com o senhor Meneghini, marido da cantora, nessa época, e com os outros acompanhantes dela, durante os dias da sua estada em Lisboa. Pensando a empresa que devia ser gentil, em termos femininos, com uma tão importante personagem e não tendo nos seus quadros ninguém que o fizesse como queriam, vieram pedir-me que fosse eu a fazer o que se chama as honras da casa à Callas, caso isso não me desagradasse muito... Naquela minha idade de então, como é que poderia desagradar-me tal missão ? Ela era uma ESTRELA mundial e eu ia ter a sorte de privar com tal "monstro" do grande espectáculo que aliás eu frequentava, sendo associada de um clube juvenil de música clássica. Foi portanto no ocorrer desse agradabilíssimo convívio que fomos vistas por muitos jornalistas, não tão "febris" e excitados como os de agora, mas presentes. Passados 50 anos, mostra-se a Lisboa a memória da bela mulher que ela era, dos seus lindos vestidos e adereços, do seu brilho, tão apaixonado e tão apaixonante na Lisboa dessa época. E não é que ali aparece uma jovem senhora junto dela que só eu sei que sou eu mesma ? Para mim, foi, maior que a surpresa, a emoção. Guardo agora com carinho a fotografia que estava à venda na Exposição e de cuja existência eu nem podia suspeitar.

Segundo: Concerto do grupo PEREGRINAÇÃO em São Roque

A minha aluna Margarida cujo amor pela música a não deixa desanimar nunca das suas aulas e ensaios no Conservatório, apesar da carga horária enorme a que isto a obriga junto com o seu 12.º ano, está fazendo uma verdadeira peregrinação de concertos, uns de fim de tarde, outros de noite, concertos que a maestrina criadora deste grupo coral vai programando. Trabalham com afinco as peças corais de música antiga, de música religiosa e de música tradicional e têm feito apresentações no estrangeiro, sendo que, para o presente ano lectivo, existe uma não confirmada e muito desejada deslocação à Rússia. Verifico que, com o seu tão grande brio profissional, para a Margarida, cada novo concerto tem o cariz de mais um teste através do qual ela se avalia a si própria. Por isso mesmo lhe interessa também ouvir opiniões de pessoas em cuja isenção ela confia. E São Roque parece ter sido uma boa prova, apesar da tempestade cá fora poder ter tido um efeito desmotivador, o que não aconteceu.

Quero ainda registar aqui um acontecimento ocorrido, não nesse tempestuoso sábado, mas no lindíssimo dia de domingo com que a natureza entendeu presentear-nos para compensar os estragos do dia anterior. E, sem muito ter que ver com a Natureza, mas sim com a disposição alegre que ela nos deu, foi o lançamento do primeiro livro do meu amigo Padre Lázaro Messias – Para uma Teologia Africana. A apresentação foi feita pelo ilustre professor da Universidade Católica e da Faculdade de Letras de Lisboa, Dr. José Eduardo Franco e creio que podemos dizer que terá tido as bençãos do Prior da nossa Paróquia, Monsenhor Victor Feytor Pinto, dado que foi ele quem falou sobre o Padre Lázaro da maneira como só ele o sabe fazer. Esta apresentação deixa-me feliz porque a considero mais um degrau vencido na trabalhosa caminhada do Padre Lázaro, a qual tenho acompanhado com muito interesse e admiração. E como é bom ver os amigos compensados da sua enorme entrega aos seus trabalhos !

1 comentário:

jj disse...

E como é bom ter amigos assim! :)


Jinhos.