13 junho 2007

Santo ANTÓNIO

Aqueles santos e santas cujos historiais nos são presentes e onde tão edificantes exemplos poderiamos recolher para procurar imitar, sempre representaram para mim qualquer coisa de profundamente misterioso por me ser impossível imaginar em alguém, alguma vez, um estado de perfeita pureza. Mas, admirando-os e considerando-os sem nenhuma espécie de reserva, fico sempre aquém e por fora, mais espectadora do que discípula, tomando-os como referência em tantas circunstâncias da minha vida, embora incapaz de me ver na pele deles a tomar as iniciativas que eles tomaram de despojamento, de humildade, de coragem, de abnegação... E tem-me sido dito por quem sabe que nenhum santo decidiu que o iria ser e que, de nós, entre nós, podemos alguns estar já a percorrer o caminho da santidade porque a génese dessas vrtudes radica tão somente na nossa real capacidade de amar o outro e que só nessa especialíssima forma de amar pode estar a origem de todas as virtudes que algum dia poderão ser reconhecidas.
Seja-me pois permitido confessar que me sinto especialmente enternecida perante este SANTO ANTÓNIO que Lisboa festeja com uma exuberância perfeitamente pagã,pensando nele como um rapazinho da Lisboa do século XII que, esquecido de si, fugindo ao fácil, ao confortável, ao bom para si , amou sem medida, aproximando-se dos simples, sem nunca se furtar ao cumprimento das exigências mais duras. Foi certamente por tudo isso que ele foiadoptado pelo povo que o foi sentindo sempre mais um dos seus , aqui em Portugal ou em Itália, para lhe valer em situações difíceis, fossem elas males de amor ou perdas de qualquer espécie... Até o rei D. João V mandou erigir em sua honra o espantoso Convento de Mafra, porque a ele recorrera, pedindo um filho que tardava em vir ! E não é que o alistaram no exército agradecendo a sua intercessão nas vitórias alcançadas aquando da Restauração da Independência, sendo-lhe até atribuido salário e progresso na carreira militar , o que o levou até ao posto de tenente-coronel, por ordem de mais do que um dos nossos reis ?!
E é a esse inefável místico de cujo quarto irradiou uma noite, já perto da sua morte, uma luminosidade deslumbrante( dito por quem espreitou e viu) porque ele tinha nos braços , vivo, o pequenino Menino Jesus, é a ele que o povo reza o RESPONSO quando perde e quer achar um objecto qualquer e escreve quadras brejeiras por causa dos namorados, e ergue tronos de papelão com manjericos...Quão misteriosa, a santidade ! Se até os peixes alinharam à beirinha da praia para ouvir da sua boca aquilo que os homens não queriam ouvir, como será possível não amá-lo de uma forma diferente e não dizê-lo bem alto, cantando ou mesmo dançando, se nos ultrapassa o mistério que tudo isto encerra ?...

1 comentário:

jj disse...

Na Saint Paul s Cathedral, bem no centro de NY, em frente ao Rockeffeller Center, uma lindissima imagem de Santo Antonio, com percurso bibliografico correcto, fez-me chorar.

Curiosamente no dia dele, ha dias, nem me lembrei, se nao fosse a minha mae a dizer-me ao telefone...

Jinhos.