17 janeiro 2010

...não têm vinho...

Mulher, o que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora...
Sempre foi uma coisa que me chocou, desde os princípios da catequese, ouvir Jesus dirigir-se a sua Mãe dizendo "mulher". Eu nunca me dirigiria assim à minha Mãe, nem tão pouco qualquer outra pessoa que eu conheça ou tenha conhecido.Esta situação surgida no Evangelho de hoje,sobre"As bodas de Caná " veio dar-me pretexto para mais uma vez destacar a razoabilidade de muitas das nossas estranhezas perante determinados sucessos , palavras e frases que, no mínimo, nos espantam, quando não nos chocam ou até nos desnorteiam. Dizia eu, destacar a razoabilidade... Pois !É que estamos constantemente a esquecer a distância de quase 3000 anos que separa a nossa "apurada" civilização e sua civilidade daquela que nós fomos "fabricando" até agora.Como seriam
antipodamente diferentes as relações marido/mulher, pais/filhos, crentes/não crentes, etc., etc.! Mas hoje Jesus fala a sua Mãe daquela maneira como iniciei esta meditação, porque,no cumprimento da sua vida pública, é com ela convidado para uma festa de casamento e nessa festa dá.se a falha de faltar o vinho e é Maria que vem até ele como a pedir-lhe que dê remédio á situação ( Ela lá sabia porque o fazia...) , Vejamos agora os símbolos e deixemos o estilo elocutório. Ensinaram-me uma coisa junto com o enorme respeito por Jesus : é que Jesus não era um prestidigitador. Por isso nunca iria transformar a água das velhas bilhas em vinho nenhum.Simbolizavam as velhas talhas "vazias" a ausência de FÉ, a ausência de DEUS e, depois de alguns escolhidos terem feito como lhes disse Maria fazei o que ELE vos disser,começaram então aqueles que eram convidados a poder saborear "o melhor vinho", o Amor de Deus, o carinho do Espírito Santo, a presença de Jesus real mente a seu lado. Ainda hoje somos "convidados" em muitas Bodas de Caná que há por aí sem VINHO ... Em cada vez mais bodas, cada vez com mais talhas velhas e vazias...

1 comentário:

jj disse...

Sempre muito interessantes, estas suas reflexões.

Na realidade, em todo o tempo, a língua/linguagem reflectiu/reflecte a civilização. São indissociáveis.

Quanto ao resto, ainda estou a amadurecê-lo na minha cabeça... :))))

Jinhos.