23 outubro 2007

Fait-divers

Às vezes o dia a dia da vida numa grande cidade traz- nos os chamados faits-divers que nem sempre são trágicos na sua superfície visível e que até nos podem fazer sorrir, por muito desencantados que tenhamos saído nesse dia. Este, que me foi relatado "na hora", até permite construir uma pequena fábula dos tumultuosos tempos que estamos vivendo na cidade.
Sete e meia da manhã, lusco-fusco, e um autocarro cheio com as pessoas de profissões "menores", que são as que se movimentam de autocarro a horas destas. Num dos bancos perto da porta senta-se uma jovem vistosa de roupas , adornos e penteados .Há agora uma espécie de tranças feitas de lã, fininhas e coloridas, que as raparigas introduzem nos penteados como se fossem extensões e as enfeitam, caindo sobre um ou os dois ombros ,ligeiramente mais longas do que o cabelo. Pois a nossa personagem tinha também dessas trancinhas. O autocarro pára e,correndo como loucos, dos bancos lá de trás, saltam dois rapazes para a porta, um deles atira as mãos aos ouros da rapariguinha, ela leva as mãos ao pescoço e grita ... e eles já correm, voando rápido, rua fora...Tudo cronometrado a fracções de segundo...No meio do borborinho dentro do autocarro, " ai o ouro!" "e para que é que trazem aquilo tudo ao pescoço?" "é p'ra aprenderem..." ,ouve-se meio sumida a voz da jovem beleza assaltada: "levaram-me a minha rica trança !"... MUCH A DO FOR NOTHING!!!

1 comentário:

jj disse...

Veio do Brasil essa moda - as trancinhas chamam-se tererês. :)

Fábulas à parte, a criminalidade em Lisboa é uma coisa que me assusta terrivelmente: sempre que tenho que ir aí é um problema, não consigo dar um passo sem olhar para todo o lado.

Por falar em ir aí, dia 5 ou 6 vou aí dizer-lhe um olá. :) Isso é antes ou depois dos anos? :P

Jinhos.