17 março 2007

ANTÓNIO LOBO ANTUNES

Desde que, em 1979 , me deparei com a MEMÓRIA DE ELEFANTE, nunca mais deixei de estar atenta ao que iria sair da pena daquele "construtor" novo na literatura portuguesa. À medida que foi produzindo, o fui eu apreciando mais e mais, não já tanto pelos temas que desenvolvia, mas pela originalidade formal, pelo gozo que lhe adivinhava na experimentação de certas construções, na novíssima adequação de certas palavras, no "labor" da execução. De tal forma isto era para mim fascinante que adquiri um hábito de o ler à maneira do que dizia Napoleão d'abord je m'engage, puis j'y pense . Não que a forma prejudique o conteudo ! De modo nenhum; antes lhe dá uma certa "efervescência"( como eu receio ser aqui mal interpretada!) que eu acho muito inovadora na textura da prosa portuguesa. E assim foi que me senti premiada quando agora foi atribuido um prémio dos maiores a este meu sempre "escolhido" Lobo Antunes...Li algures que este prémio pretende consagrar quem tenha contribuido para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa. De todos os que até agora receberam o PRÉMIO CAMÕES para a Literatura, haverá algum que mais o tenha merecido ? E não terá ele merecido mesmo outros reconhecimentos oficiais das suas tão específicas qualidades ?

1 comentário:

jj disse...

Sim, sem dúvida. A ver vamos se lhe fazem jus, à escala global...

Jinhos.