02 agosto 2008

Fait-divers

Pela manhã, cedinho, entre o segundo ou terceiro golo de café e a primeira dentada no pãosinho fresco, a bomba : acabam de assaltar o primeiro andar, aqui por baixo de nós...agora, agora mesmo...entraram por esta janela que estava aberta, levaram uma mochila que estava em cima da mesa e o telemóvel que lá estava perto...
Não é fácil de descrever o que se sente numa situação destas. Mas...agora? Aqui, mesmo por baixo da mesma janela que eu também tinha acabado de abrir...Mas como, se estas salas são viradas para os quintais dos prédios que, aqui são mais fundos do que o nível da rua que passa ao lado, se todo o perímetro de quintais está marcado por vedação de redes novas, sem rupturas?... Então só podia ser um ladrão ágil, jovem, leve, porque,`além de pular de alto teve ainda que trepar pelo gradeamento que protege as janelas do rés-do-chão, o que lhe forneceu a base do salto para cima,com que alcançaria a janela aberta do primeiro andar...Atropelam-se as conjunturas, uns vizinhos vêm à escada, fala-se tudo, mas...e os assaltados ? Um jovem casal. Primeiro chamaram a polícia que veio logo,porque a esquadra é pertíssimo, e foi a presença dos polícias na escada que levantou o burburinho... Depois, muito à pressa,já de saída para declarações na esquadra, falaram com alguns de nós enquanto desciam... E ficou a pairar para mim : mas como saíu o ladrão ? Viram-no ? ... Ninguém soube mais nada. E todos ficámos amedrontados, cada qual a pensar nas suas melhores soluções de defesa.
Durante todo o resto do dia se ficou a congeminar no como e quando e porquê e ...e...e...
Era noite quando o casal regressou e, por respeito, ninguém mais os procurou. Sabia-se que eles não tinham outro telefone senão o móvel que lhes fora roubado, por isso, nem telefonar era possível. Não sei também explicar como é que só no terceiro dia depois do assalto conseguimos falar com os assaltados.Já haviam recuperado os seus cartões que iam na mochila e que foram encontrados pela polícia, já tinham conseguido um novo telemóvel ao qual foi atribuido o número do anterior e com imensa calma, mas revelando muita apreensão, explicaram que haviam deixado as janelas abertas, durante a noite,por causa do calor, que dormiam e só foram acordados pelo bater da porta para a escada, por onde afinal o assaltante saíu sem ninguém dar por isso. E ficámos sabendo que o tal "agora", "agora" de cerca das nove da manhã do burburinho, fora provavelmente aí por entre as seis e meia e as sete horas da manhã...
Todos os vizinhos ficaram com esta realidade bem presente: janelas abertas são uma sedução para quem veja que pode entrar por elas, sair de nossas casas sem ninguém se intrometer é também sempre possível mesmo sendo-se ladrão. Vamos acautelar-nos mais. Foi uma grande lição !

1 comentário:

jj disse...

Alarmante. Também eu deixo as todas as janelas de casa abertas durante a noite agora na época de mais calor. :(

Grande lição, de facto! Acautelar-me-ei eu também. :))))))

Jinhos.