13 outubro 2006

Fátima

Hoje, Fátima.
Nunca fui a Fátima a pé. Nunca tomei parte em peregrinações organizadas.
Mas vivi em Fátima,por minha vontade, em vários períodos da minha vida. Em férias, por um mês, mais de uma vez. Em Natais e Fins de Ano. Em verões. Pela época de Todos ds Santos . Pelo meu aniversário.Sempre que posso...
Em menina,íamos de charrette,ao trote de uns cavalos elegantes que nos levavam com toda a comodidade; e era uma alegria de viagem por entre pinhais muito aromáticos e húmidos. Ás vezes acontecia chover e tudo se tornava mais difícil. Houve mesmo, de uma das vezes, um terrível problema: as elegantes rodas da charrette atolaram-se na lama até metade, o que significa que só se desatolariam puxadas e sem passageiros a fazerem-lhes peso. Lá foi preciso virem "salvar-nos", com grandes ralações para a minha Mãe e com grandes ataques de riso para mim e para as primas que iam connosco. Fátima era então um local lamacento com acessos por estradas poeirentas,se era verão, e cheias de poças de água e pedregulhos, quando a chuva não era tanta que criasse o tal lamaçal...
Quando agora me acolho em estalagens confortáveis ou nas CASAS das Religiosas que nos recebem com todos os saberes da hotelaria moderna, lembro-me das noites enrolada numa manta, com aquele friosinho da madrugada do alto da serra, encolhida contra o muro da Capelinha... Era bom ! Sempre senti, e continua a acontecer-me, que se respira leve em Fátima.
Que se medita com suavidade. Que é outro aquele mundo de perfume de estevas e alvoradas arroxeadas em céus por onde reboam os sinos , como voos de ave...A experiência de ver chegar o dia naquele espaço aberto, quase só nosso, quando não há senão a sugestão de um infinito puro
e o ressoar longinquo de pequenos ruidos a lembrar-nos o mundo, é inigualável, única...
Quero muito acreditar que, por se ter tornado "altar do mundo",não se tenham perdido as marcas dos meus pés que deixei na antiga e humilde lama, hoje tapada com o asfalto, porque esses eram os pés da minha ingénua e incipiente convicção de que a SENHORA me inspiraria para vir a ser uma grande mulher, no meu país ,que era então o meu único mundo.
Hoje, que sei o tamanho do mundo, sei também que sou apenas aquela mulher que continua a ser a dona desses pés...

4 comentários:

amarga disse...

Adorei visitá-la e prometo que vou voltar.E para mim, as promessas são para se cumprir:)

jj disse...

Acho que sei como chegou ca a Amarga...
Como tambem cumpro, venho retribuir a visita e demorar-me um bocadinho nas suas palavras e na sabedoria que delas emana naturalmente... e relebro veroes de outrora, passados tambem em Fatima, numa Casa religiosa tornada minha ate por lacos familiares... Bons tempos! Jinhos.

Maria de Lourdes Beja disse...

Amarga porquê,tão nova para isso...Espero outras visitas suas,sem pensar em promessas.Sabe?As promessas que fazemos a nós mesmos è que são realmente "engajadoras" e às vezes a vida troca-nos as voltas e convence-nos de que até podemos ser heróis...Até quando?

o miúdo disse...

Esta mulher tem a força da montanha que alberga o vulcão que está dentro dela.
É um farol aceso no meio deste mar do triangulo das Bermudas.

Um beijo.
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