Na sequência do que vinha dizendo no meu último post,todo esse amor reconfortante a que aí me referia é a dádiva que acaba por dar gosto à minha vida solitária,quando vem de outros para mim e é o que me leva a questionar-me sobre se eu terei capacidade retributiva, quanto mais não seja para cristãmente amar ao próximo como a mim mesma.
...como a mim mesma...Aí estará a chave da minha incógnita.
De muitas sobrinhas-netas, pela cadeia familiar do meu marido, uma há que há dias me telefona, quando é nosso hábito usarmos a net para contactar«...Tia, há muitos dias que não aparece no blog, passa-se alguma coisa ?» Ela tem uma filhinha de dois anos e está quase a ter uma outra; está a acabar mais um curso, tem trabalho num atelier seu, aos fins de semana vai com o marido ver os sogros que vivem a cento e tal quilómetros de Lisboa...e tem tempo para dar por falta de uns desabafos de uma velha e distante tia,na net... Para mim, isto é AMOR. Já em tempo de férias, entram-me em casa em grupinho uns alunos que nem tiveram exames e puseram-me nos braços um enorme ramo de flores brancas «achámos que para si tinham que ser brancas »...para mim, isto é AMOR. Há um amigo que me dá todo o apoio em tanta coisa da quotidiana prática que nunca foi da minha formação para a Vida há sessenta e mais anos_ papeladas, aparelhos, modos de encarar e resolver coisas sérias e novas para mim ... Ele tem vários trabalhos que lhe enchem os dias, tem mulher, filhos homens,animais de casa e família em Lisboa e longe de Lisboa. Pois ,tendo eu algum problema pendente, daqueles que só com a sua ajuda posso encarar, arranja tempo e espaço, para surpreendentemente me aparecer à porta de casa, de manhã cedíssimo, «podemos ver aquilo agora '» ou agarrar no telefone por todo um serão «vamos tentar resolver aquele caso ?»...e nem jantou, sei depois pela mulher ...Para mim, isto é AMOR.A minha empregada que, verficando ser aquele dia o da ESPIGA, e que ela não m'a trouxe pela manhã como desejava, apareceu.me na hora de jantar com a sua gente,a trazer um ramo de Espiga... Isto para mim é AMOR. Inúmeras acções pequeninas e imensas, bem grandes, vistosas como viagens à ESPANHA ou temporadas mascaradas de lazer, para ajudar-me, sob uma elegante forma plural. A amiga que,por acaso,precisava até de ir no seu carro a um local onde só num carro e acompanhada eu poderia ir ,nesse dia e nessa hora ,tudo, tudo é AMOR DE LETRAS MUITO GRANDES que hoje é o suporte da vida que procuro viver assim,por eles e com eles ,mas sempre na sensação de nunca a nenhum destes amores poder dar a entender o enorme turbilhão que quase explode a cada passo deles... O que se me enrola no peito não é mais do que o pobre, o pobríssimo
AMOR que a eles voto, mesmo sendo sem dúvida cristão...
08 julho 2012
06 julho 2012
SE EU NÃO TIVER AMOR SOU COMO UM SINO OCO E RACHADO... eram mais ou menos estas as palavras. E,de facto, não me parece possível viver sem aquele docinho que se anicha no nosso coração quando nos sentimos tocados pelo amor de alguém. Longe, longe, aquele amor de letra grande, dos arrebatamentos, das mãos trementes, das palavras ciciadas ao ouvido, da paixão da entrega, duma juventude onde tudo isso leva a uma necessidade de resoluções..
Falo agora do AMOR da Vida nossa de cada dia, do amor ao outro, do amor que aquece, do amor que conforta, do amor com que se conta mas, egoísta, se deseja sempre mais, do amor onde se encosta a cabeça cansada, onde se pode afogar uma mágoa, uma simples dor, uma desilusão, um suspiro, um ai... Do amor que corre para nós porque adivinha, do que nos estende a mão quando nem nós mesmos nos apercebemos de que já vamos a cair...
Falo agora do AMOR da Vida nossa de cada dia, do amor ao outro, do amor que aquece, do amor que conforta, do amor com que se conta mas, egoísta, se deseja sempre mais, do amor onde se encosta a cabeça cansada, onde se pode afogar uma mágoa, uma simples dor, uma desilusão, um suspiro, um ai... Do amor que corre para nós porque adivinha, do que nos estende a mão quando nem nós mesmos nos apercebemos de que já vamos a cair...
24 junho 2012
SÃO JOÃO
Uma vez mais, domingo! Dizia-me uma leitora "malgré tout" : mas porque escreve sempre ao domingo, sempre sobre as missas e os evangelhos, e não escolhe a semana, para falar de outras coisas da nossa vida? Pois não lhe soube responder senão com a desculpa da falta de tempo nos dias de semana. Falar-lhe do meu fascínio por aquela forma de literatura que encontro nos evangelhos e livros sagrados parecer-lhe-ia um pretenciosismo. Falar-lhe da minha/devoção/curiosidade/paixão por Jesus-pessoa e Jesus-filho de Deus, falar-lhe de como entendo a Santíssima Trindade pelo que faz em mim o Espírito Santo, a ela que nem sequer aceita a existência de Deus, parecer-lhe-ia pura beatice que a afastaria de mim, o que seria a última coisa que eu queria... Pelo menos, assim, lá me irá lendo... E como é inteligente, eu posso ir cultivando uma pretensiosa esperança de estar a fazer uma certa espécie de evangelização. Feita a introdução...
Vamos pois hoje festejar o dia de anos do nosso São João (dom de Deus), aquele bom gigante que tão perto esteve de Jesus, pelo parentesco, pela admiração (não serei digno nem de apertar-lhe as correias das sandálias), pela apresentação através do baptismo, pela sua luta sempre moralizante que acabaria por levá-lo à morte, pelos seus brados no deserto... Milhares de anos volvidos, quem sabe o eco desses brados não poderá ainda trazer até os nossos dias a ressonância desse anúncio de um JESUS de cuja presença entre nós, estamos precisando cada dia mais ?...
Vamos pois hoje festejar o dia de anos do nosso São João (dom de Deus), aquele bom gigante que tão perto esteve de Jesus, pelo parentesco, pela admiração (não serei digno nem de apertar-lhe as correias das sandálias), pela apresentação através do baptismo, pela sua luta sempre moralizante que acabaria por levá-lo à morte, pelos seus brados no deserto... Milhares de anos volvidos, quem sabe o eco desses brados não poderá ainda trazer até os nossos dias a ressonância desse anúncio de um JESUS de cuja presença entre nós, estamos precisando cada dia mais ?...
17 junho 2012
A SEMENTINHA E O GRANDE CEDRO
...E não lhes falava senão por parábolas mas,em particular, tudo explicava aos discípulos ( S. Marcos, 4, 26-34) .Dizia Jesus ; "- A que havemos de comparar o Reino de Deus ? Em que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda que ao ser semeado é a menor de todas as sementes que há na terra, mas, depois de semeado, começa a crescer e se torna a maior de todas as plantas da horta e deita ramos tão grandes que as aves do céu podem acoitar-se à sua sombra..."
Mas, no Livro do Profeta Ezequiel, é o próprio Senhor Deus que fala e usa quase símbolo do seu poder, essa imagem da planta que deve crescer como o desabrochar e agigantar.se dum majestoso cedro.
Do cimo do grande cedro, dos seus ramos mais altos,eu próprio vou colher um ramo novo e vou plantá-lo num monte muito alto e ele há-de lançar ramos e dar frutos e tornar-se um cedro majestoso onde farão ninho todas as aves .E todas as árvores dos campo hão saber que Eu sou o SENHOR;abato a árvore elevada e elevo a árvore abatida, faço que seque a árvore verde e reverdesça a árvore seca. Eu, o Senhor, o afirmei e o hei-de realizar.
Jesus seria esse cedro majestoso e nós perguntamo-nos hoje se todos e tão produtivos e até viçosos prjectos de Deus não estarão ainda em fase de esboço, porque este tempo do Senhor não é igual ao nosso tempo. E também porque nem a terra ,nem as sementes,nem os cedros de agora são como os dos Evangelhos de então... Será que ainda estarão para ser ? ? ?...
Mas, no Livro do Profeta Ezequiel, é o próprio Senhor Deus que fala e usa quase símbolo do seu poder, essa imagem da planta que deve crescer como o desabrochar e agigantar.se dum majestoso cedro.
Do cimo do grande cedro, dos seus ramos mais altos,eu próprio vou colher um ramo novo e vou plantá-lo num monte muito alto e ele há-de lançar ramos e dar frutos e tornar-se um cedro majestoso onde farão ninho todas as aves .E todas as árvores dos campo hão saber que Eu sou o SENHOR;abato a árvore elevada e elevo a árvore abatida, faço que seque a árvore verde e reverdesça a árvore seca. Eu, o Senhor, o afirmei e o hei-de realizar.
Jesus seria esse cedro majestoso e nós perguntamo-nos hoje se todos e tão produtivos e até viçosos prjectos de Deus não estarão ainda em fase de esboço, porque este tempo do Senhor não é igual ao nosso tempo. E também porque nem a terra ,nem as sementes,nem os cedros de agora são como os dos Evangelhos de então... Será que ainda estarão para ser ? ? ?...
14 junho 2012
PORQUÊ?
No último post que aqui deixei antes, mas a caminho já de uma decisão de desistência, creio que deixei mais ou menos esboçado o retrato da insegurança. Acabo de confirmar certezas sobre dúvidas que tinha. Muito me tem sido dito em termos, olhares, sorrisos e palavras elogiosas acerca da minha actividade como blogger e de um modo geral como utilizadora da net para tratar de coisas práticas da vida quotidiana. E esses ditos e atitudes sempre me foram parecendo semelhantes aos que se dizem a um precoce Joãosinho ou a uma desinibida Joaninha que entre os cinco e os seis anos já dizem "bom dia" em inglês ou sabem cantar o Frère Jacques sem se enganarem... Decididamente uma octogenária não é suposto meter-se nas modernices da electrónica...... e aguentar-se lá ...
Pois tinham razão, sim senhor ! De tanta coisa que ela ultrapassa para "funcionar" na net como quem sabe ! Nem sequer pode comparar-se aos "meninos prodígio", porque esses têm uma vida à frente para aprenderem tudo desde os alicerces, e isso lhes dará a segurança que a velha senhora sente faltar-lhe logo que qualquer pedra ou buraco se lhe atravesse no caminho.
Agora que percebi que a estrada do computador pode estar cheia de surpresas que dificultam as caminhadas, agora que vi "claramente visto" que não tenho conhecimentos para achar soluções e que só numa estrada bem lisa sei caminhar, experimentei que o amargo da insegurança é a causa de mais uma das fraquezas que a idade me traz e resolvi travar uma nova luta, uma vez mais, uma vez mais...
Mas porque terá que ser assim ?
Porque me terá querido pôr à prova o meu velho e querido companheiro blog ?
13 junho 2012
intervalo
Se acaso ainda tenho alguns leitores que me procurem, percebi hoje que seria bom informá-los de que, por motivos de avaria informática, estou em fase de reaprendizagem, tentando adaptar-me a novos modelos de base de sustentação e tentando esquecer os "vícios" que havia adquirido em cerca de seis anos de prática nos mesmos modelos e formatos.
07 junho 2012
Uma data, no meio de outras
Nisto do passar do tempo não encontramos segurança nenhuma que nos permita criar uma linha de normalidade. E falamos de rotinas como se acreditássemos nelas, mas certo, certo e regular é apenas o enrolar e desenrolar de horas, dias, meses, anos, numa arritmia que joga connosco como se não fossemos mais do que pequenas marionnettes.Tão depressa o tempo nos sobeja, na peganhenta fossa da reforma ou das convalescenças ou das esperas, como tudo subitamente se atropela com entre-choques nos fazem perder parcelas de tempos que foram vida e se enovelaram a ponto de lhes deixarmos escapar as suas coordenadas...Não estou a falar de "esquecimentos", mas apenas de "atropelamentos" que impossibilitam por vezes a coabitação e nos obrigam também por vezes a fazer escolhas e a "acelerações" nem sempre desejadas ou desejáveis. Oh! que lá me escapou o aniversário de... Quase um mês sem ter tido com quem conversar... e logo nesse dia se lembraram de mim...
Isto desestabiliza. Mas é a marca de uma época, de uma geração habituada a improvisar e não planificar, a não rotinar.Há que levar a nossa vela a apanhar os ventos "de feição" e ir seguindo like a puppet on the string...
E no dia dois de junho estava tão rodeada de felicidade que só na hora das minhas orações recitei em silêncio aquele poeminha:
Ardeu, como uma dor
o sol
daquele dia...
Quem diria~
que dói~
com tanto ardor,
quando somente foi
parte da nossa Vida
que partira ?...
Isto desestabiliza. Mas é a marca de uma época, de uma geração habituada a improvisar e não planificar, a não rotinar.Há que levar a nossa vela a apanhar os ventos "de feição" e ir seguindo like a puppet on the string...
E no dia dois de junho estava tão rodeada de felicidade que só na hora das minhas orações recitei em silêncio aquele poeminha:
Ardeu, como uma dor
o sol
daquele dia...
Quem diria~
que dói~
com tanto ardor,
quando somente foi
parte da nossa Vida
que partira ?...
05 junho 2012
Na minha manhá, Juan Ramon Gimenez
Depois de um fim de semana reposante,tonificante, amigo, reencontro obstinado com a crueza dos dias... Vale-me, frente à janela do meu quarto, o verdadeiro cortinado espesso de um olmeiro que ali partilha comigo a vida e a cidadania há uma boa meia centena de anos. Ele me oferece, manhã ainda parda, um concerto de melros e pardais e depois, mais tarde, ouve e faz-se eco com a brisa já acordada, das minhas comovidas orações matinais..
.A VIECES, SIENTO
COMO LA ROSA
QUE SERÉ UN DIA COMO EL ALA
QUE SERÉ UN DIA;
Y UN PERFUME ME ENVUELVE, AJENO Y MIO
MÍO Y DE ROSA;
Y UNA ERRANCIA ME COJE, AJENA Y MÍA,
MÍA Y DE PÁJARO...
e então aí está mais um dia que vem trazer-me sempre qualquer coisa de alto, talvez seja mesmo eesperança... Só que as oscilações da realidade se encarregam quase sempre de me enrodilhar os dias, e , cansada, à noite já perdi esse perfume de rosa e essa errancia de pájaro...
.A VIECES, SIENTO
COMO LA ROSA
QUE SERÉ UN DIA COMO EL ALA
QUE SERÉ UN DIA;
Y UN PERFUME ME ENVUELVE, AJENO Y MIO
MÍO Y DE ROSA;
Y UNA ERRANCIA ME COJE, AJENA Y MÍA,
MÍA Y DE PÁJARO...
e então aí está mais um dia que vem trazer-me sempre qualquer coisa de alto, talvez seja mesmo eesperança... Só que as oscilações da realidade se encarregam quase sempre de me enrodilhar os dias, e , cansada, à noite já perdi esse perfume de rosa e essa errancia de pájaro...
27 maio 2012
Pentecostes
O ideal seria que qualquer possível leitor deste post conhecesse e pudesse ouvir agora aquela belíssima balada cantada por Frei Hermano da Câmara que começa docemente......« o espírito de Deus...»
É que, celebrando nós hoje aquela espantosa maneira com que a nossa Fé nos prodigalizou a possibilidade de sentirmos presente e interior a companhia do nosso Deus em todos os momentos de qualquer acto nosso, celebrando nós hoje esse longínquo dia, repito, parece tornar-se a celebração desproporcionada com o celebrado ,se não tiver aquele misto de música e magia que ajuda a arrebatar-nos para cima, sempre mais para cima !...Cinquenta dias passaram sobre tão violenta, mansa,sofrida, didáctica e incisiva progressão para a nossa formação de Cristãos. Faltava-nos este incêndio com que poderíamos pegar este FOGO ao Mundo todo... Uma rajada de vento, umas pequenas chamasinhas...E esse ESPÍRITO DE DEUS pairaria, de novo, como no primeiro dia da CRIAÇÃO, quando então ainda tudo era bom...
Hoje, cantava-se na missa uma sequência no meio da qual implorei especialmente:
ABRANDAI DUREZAS
VINDE,PAI DOS POBRES
NA DOR E AFLIÇÕES
PARA OS CAMINHANTES
HABITANDO EM NÓS
SOIS O NOSSO ALENTO !
ANIMAI OS TRISTES,
GUIAI OS ERRANTES
E trouxe comigo uma estranha sensação da paz que me tem faltado !
É que, celebrando nós hoje aquela espantosa maneira com que a nossa Fé nos prodigalizou a possibilidade de sentirmos presente e interior a companhia do nosso Deus em todos os momentos de qualquer acto nosso, celebrando nós hoje esse longínquo dia, repito, parece tornar-se a celebração desproporcionada com o celebrado ,se não tiver aquele misto de música e magia que ajuda a arrebatar-nos para cima, sempre mais para cima !...Cinquenta dias passaram sobre tão violenta, mansa,sofrida, didáctica e incisiva progressão para a nossa formação de Cristãos. Faltava-nos este incêndio com que poderíamos pegar este FOGO ao Mundo todo... Uma rajada de vento, umas pequenas chamasinhas...E esse ESPÍRITO DE DEUS pairaria, de novo, como no primeiro dia da CRIAÇÃO, quando então ainda tudo era bom...
Hoje, cantava-se na missa uma sequência no meio da qual implorei especialmente:
ABRANDAI DUREZAS
VINDE,PAI DOS POBRES
NA DOR E AFLIÇÕES
PARA OS CAMINHANTES
HABITANDO EM NÓS
SOIS O NOSSO ALENTO !
ANIMAI OS TRISTES,
GUIAI OS ERRANTES
E trouxe comigo uma estranha sensação da paz que me tem faltado !
18 maio 2012
PORTUGUÊS ,língua vivíssima
Todos aqueles que, no mínimo, andaram na escola,ouviram alguma vez um qualquer professor dizer que existem línguas mortas, como o latim, e línguas vivas, como o português. Agora imagine-se quantas coisas em redor disto se podem pesquisar, estudar e aprender se por acaso uma pessoa se lembra de querer ser professor de qualquer língua, morta ou viva, tanto faz... Bem, estuda-se muito, mesmo muito . E logo de princípio é- nos dada a noção de que as línguas vivas são mesmo vivas, isto é, não nasceram de um certo feitio e ficaram assim tal-qual para todo o sempre.Não. As línguas, como qualquer ser vivo, vão.se desenvolvendo ao acompanharem, como é natural, o desenvolvimento dos seus utentes/ criadores/ herdeiros/ falantes/ escreventes, etc. E assim se vai construindo um património, riqueza que é, se nós atentarmos bem, um verdadeiro retrato em corpo inteiro dos países a que estão indissoluvelmente ligadas.Por isso,quando os tais estudiosos entram pelo campo da HISTÓRIA e depois da FILOSOFIA e ainnda pelos das ARTES e da LITERATURA, vão-se encontrando com realidades diferentes e novas às quais foram dados e eles têm que dar nomes, (caracteres,letras e sons). E isso depende muitíssimo da capacidade para uma objectivdade criativa de cada pessoa. Aqui nos aparece a verdadeira cumplicidade do ser humano com o seu património linguístico.Através dos "retratos" que vão sendo transmitidos graças ás Artes, muitíssimo graças à Literatura, conhecemos, reconhecemos, aprendemos quantas"vidas" foram sendo absorvidas, imitadas, adaptadas, repescadas, nos múltiplos caminhos cruzados de umas e outras línguas !Barrocos.Românticos, Medievais, Futuristas,Existencialistas... Quanta inovação, quanto prazer linguístico,quanta vivacidade ! ! ! O dizer tudo isto,em jeito de quase lição, saiu-me um pouco mal, porque eu queria marcar a minha posição de aplauso à inovação(não posso esquecer Mia Couto) que
hoje me foi pedida pela simples leitura de um jornal diário onde tropecei em duas novidades que não quero perder e faço questão de dar a conhecer a todos os que acaso me leiam aqui e mais a todos quantos possa comunicar tamanho engenho contributivo para a rica flexibilidade do nosso português sem acordos, espontâneo...
Apresento-vos: ALTAMENTIVEZ e SECALHARIDADE .
hoje me foi pedida pela simples leitura de um jornal diário onde tropecei em duas novidades que não quero perder e faço questão de dar a conhecer a todos os que acaso me leiam aqui e mais a todos quantos possa comunicar tamanho engenho contributivo para a rica flexibilidade do nosso português sem acordos, espontâneo...
Apresento-vos: ALTAMENTIVEZ e SECALHARIDADE .
17 maio 2012
DIA DA ESPIGA
10 maio 2012
EUROPA
No meu post do dia 9 de maio do ano de 2007 entendi corporizar algumas memórias relativas ao nascimento da então ainda chamada CEE, por ser essa a data em que ela foi dada à luz. Lembrei aí a seca figura do Sr.Schuman, os trabalhos extensos do Sr. Jean Monnet na inspiração da Comunidade do Carvão e do Aço e também o perfume, (seja-me permitido chamar-lhe assim) da Guerra ,que ainda pairava no ar. Nesse post aflorava talvez ainda uma esperança sempre um pouco indecisa e nem me ocorreu falar da atmosfera de grandiosidade que a NONA de Bethoven, escolhida como hino ,vinha oferecer a empresa de tal envergadura.Também não falei aí do que eu pensei quase sempre para além dos sonhos , quase desde a primeira hora, mas principalmente depois de ter conhecido e conversado com o Sr. Jacques Delors... Agora, com tanta EUROPA conhecida e vivida, com o meu país a não conseguir caber em nenhum dos meus sonhos,a não acertar em nenhuma das minhas álgebras, passei o dia de aniversário dessa desilusão a juntar todos os pedacinhos de recordações boas que guardo desses primeiros dias, dessas primeiras euforias( ? ), boulevard Schumann abaixo, manhã cedo,sob um nevoeirinho mensageiro do Alto e cuja mensagem eu então ainda não era capaz de decifrar...
06 maio 2012
Mãe de todas as MÃES
No DIA da MÃE
Mãe de todas as Mães,
Nossa Senhora !
Não que para falar-te
haja um dia, uma hora,
mas hoje apenas vim para acolher-me
nas dobras do teu manto,
na dor de recordar
as Mães que não perdemos
pela via da saudade,
mas as outras também,
as Mães de agora,
deste inquietante mundo
de filhos tão dispersos,
tão diversos,
(tantos cuidados,dor,
inquietações ou lágrimas de glória )
mas Filhos muito amados
teus, também...
Só por laços de amor
vim suplicar-te agora,
MÃE de todas as MÃES,
Nossa Senhora ! ...
do meu livro «Como é que não tendes Fé?»
Mãe de todas as Mães,
Nossa Senhora !
Não que para falar-te
haja um dia, uma hora,
mas hoje apenas vim para acolher-me
nas dobras do teu manto,
na dor de recordar
as Mães que não perdemos
pela via da saudade,
mas as outras também,
as Mães de agora,
deste inquietante mundo
de filhos tão dispersos,
tão diversos,
(tantos cuidados,dor,
inquietações ou lágrimas de glória )
mas Filhos muito amados
teus, também...
Só por laços de amor
vim suplicar-te agora,
MÃE de todas as MÃES,
Nossa Senhora ! ...
do meu livro «Como é que não tendes Fé?»
05 maio 2012
MEC ESCREVE A DEUS
Não julgues se não queres ser julgado, é provérbio, é ensinamento catequético, é medida de precaução social e,como tal, já faz parte de um código de comportamento pessoal que ninguém desconhece, mas, apesar disso, quase ninguém resiste á crítica julgadora e às vezes tão mázinha e cruel... Mas tambem é certo que muitas vezes o rodar da vida acaba por nos trazer evidências que desmontam de forma tão cabal os maus juizos que formulámos sobre alguém ou alguma coisa que chegamos a sentir-nos envergonhados de nós mesmos, mesmo sem encontrarmos maneira de nos perdoarmos... Não é exagero, não , E aconteceu comigo agora esse misto de vergonha e arrependimento que preciso de exorcizar...
Não conheço muita gente, homem ou mulher, jornalista e comentador-crítico da sociedade, de linguagem habitualmente cáustica e vocabulário contundente, grosseiro por vezes, que me tivesse parecido capaz de,numa revira-volta surpreendente, publicar no seu jornal uma CARTA a Deus, pungente de sofrimento íntimo,a transbordar de dor moral e ao mesmo tempo de uma candura dolorida, perfeito retrato daquela dor que dói de mansinho e quase mata...« Faz o que só um Deus pode fazer » É o grito com que acaba a sua conversa com esse Deus que ele por ali nos mostra que sempre conheceu e de cuja presença na sua vida nunca nos deixou suspeitar. Sei que será ouvido, Eu é que não sei se serei perdoada pela injusta forma como o "julguei"durante tanto tempo !
Não conheço muita gente, homem ou mulher, jornalista e comentador-crítico da sociedade, de linguagem habitualmente cáustica e vocabulário contundente, grosseiro por vezes, que me tivesse parecido capaz de,numa revira-volta surpreendente, publicar no seu jornal uma CARTA a Deus, pungente de sofrimento íntimo,a transbordar de dor moral e ao mesmo tempo de uma candura dolorida, perfeito retrato daquela dor que dói de mansinho e quase mata...« Faz o que só um Deus pode fazer » É o grito com que acaba a sua conversa com esse Deus que ele por ali nos mostra que sempre conheceu e de cuja presença na sua vida nunca nos deixou suspeitar. Sei que será ouvido, Eu é que não sei se serei perdoada pela injusta forma como o "julguei"durante tanto tempo !
29 abril 2012
A Pedra Angular
' ...«a pedra desprezada por vós, os construtores, é a .que veio a tornar-se pedra angular»...segundo o relato de uma pregação de S.Pedro, em Actos dos Apóstolos,4.Também foi associado a esta afirmação o Salmo 117/18 que desenvolve o refrão «A pedra que rejeitaram os construtores tornou-se pedra angular ».
Sabendo todos nós sobejamente como era correntio o uso da metáfora na coisa escrita e falada ( pergunto aos estudiosos qual influenciava qual ), desde sempre soubemos quem eram os construtores e quem era a pedra angular. Curioso é que uma ideia tão dura _ a construção em pedra_ tenha sido trazida a constituir o "bloco"de leituras da liturgia de celebração da mais doce e suave imagem de Jesus :O Bom Pastor.
Quisera ser arquitecto para saber de ciência própria qual a importância incontornável da pedra angular em qualquer construção, mas pelo que me é dado adivinhar e pelo que tive oportunidade de ver em Israel do aspecto seguro e sólido das suas construções sempre em pedra, presumo que ser uma das ovelhas deste Bom Pastor é a mais segura de todas as seguranças que o nosso fraco e até periclitante processo de Fé pode encontrar. E do desprezo dos "construtores" sempre encontraremos inefáveis consolações...
Sabendo todos nós sobejamente como era correntio o uso da metáfora na coisa escrita e falada ( pergunto aos estudiosos qual influenciava qual ), desde sempre soubemos quem eram os construtores e quem era a pedra angular. Curioso é que uma ideia tão dura _ a construção em pedra_ tenha sido trazida a constituir o "bloco"de leituras da liturgia de celebração da mais doce e suave imagem de Jesus :O Bom Pastor.
Quisera ser arquitecto para saber de ciência própria qual a importância incontornável da pedra angular em qualquer construção, mas pelo que me é dado adivinhar e pelo que tive oportunidade de ver em Israel do aspecto seguro e sólido das suas construções sempre em pedra, presumo que ser uma das ovelhas deste Bom Pastor é a mais segura de todas as seguranças que o nosso fraco e até periclitante processo de Fé pode encontrar. E do desprezo dos "construtores" sempre encontraremos inefáveis consolações...
25 abril 2012
24 abril 2012
AMOR
Todas las rosas son la misma rosa,
amor ! la misma rosa !
Y todo queda contenido en ella,
breve imajen del mundo,~
AMOR, la unica rosa ! ! ! ...
Poema de Juan Rsmon Gimenez
21 abril 2012
MÚSICA
Não sei se ao longo de todo este meu desfiar de desabafos, memórias, gostos e convicções terei reportado alguma vez o meu gosto pela música. Tão intenso e tão complementar que direi mesmo, sem medo de exagerar, que não teria sabido viver até hoje sem ela e,se me for dado viver muito mais tempo, continuarei adicta a ela, cada vez mais talvez, em razão das minhas solidões e consequentes carências cada vez mais "carentes". Que música ? parece-me já estar a ouvir perguntar por alguém que acaso me leia. Pois TODA a música. Creio que isto me veio por via da minha Mãe que, embora custe a acreditar, me ensinou pequeninas canções ainda antes dos meus cinco (5) anos e as cantava comigo a qualquer pretexto ou mesmo sem pretexto nenhum... Até com letras em francês ! ! ! Era um prazer, uma festa... Fui crescendo e cantando na igreja, nos corais dos colégios, nas brincadeiras com amigos, até que se chegou ao dia em que o meu Pai perguntou porquê não ir estudar "outra" música com uma professora de piano...Teria os meus doze, catorze anos... Já era tarde para esse aprendizado e foi um enorme desaire. Odiava o solfejo, não aprendia a "ler" as músicas e só queria tocá-las de ouvido. Aprendi, devorei toda a História da Música e as vidas dos grandes músicos. Levaram-me a concertos fabulosos e a muitas óperas. E, a certa altura entrou também o Bailado a complementar o meu cultivo musical. Só que eu cresci e fiz-me apenas uma apaixonada , uma estudiosa. Já mulher, já licenciada, já casada, fui membro de uma chamada Juventude Musical onde adquiri ainda mais conhecimentos teóricos complementados com assídua frequência de concertos e óperas. Por outro lado as musiquinhas populares, regionais e outras em sucessivas modas no teatro ou cinema eram a alegria do dia a dia, do trabalho, dos passeios,dos acontecimentos sociais...Tivéramos discos, depois telefonias e por fim as televisões, tudo a envolver a nossa vida de músicas que se foram colando a coisas das nossas vidas.: um exame, uma viagem, um casamento. uma Guerra ,outra guerra...uma Revolução...E é deste desfile de coisas vividas que eu recolho uma enorme emoção ao ouvir certas músicas e...choro ! É assim como um sacudir de sentimentos, às vezes manso, outras vezes em turbilhão...Curioso ...Houve há dias um serão de beneficência em que a televisão foi transmissora para mim de uma situação emocional dessas. Mas, conhecedores todos nós da situação angustiante em que se encontra o país, houve cantores que souberam "brincar" com o que é triste,de uma maneira tal que essa sua música será das tais que ficará par sempre "colada" a esta fase das nossas recordações. Brincavam eles :
quero um emprego bom,bom,bom,JÁ,JÁ,JÁ.. E naquele conjunto de músicas e palavras tão emocionantes quão marcantes de tempos diversos, estes foram os "novos" que me levaram a cantar com eles aqui,no recanto dos meus silêncios, com as lágrimas a quererem saltar-me dos olhos... A Música é isto que faz !
quero um emprego bom,bom,bom,JÁ,JÁ,JÁ.. E naquele conjunto de músicas e palavras tão emocionantes quão marcantes de tempos diversos, estes foram os "novos" que me levaram a cantar com eles aqui,no recanto dos meus silêncios, com as lágrimas a quererem saltar-me dos olhos... A Música é isto que faz !
20 abril 2012
PORQUÊ A MUDANÇA?
Neste mundo sempre em mudança, deparo hoje com uma nova modalidade para a execução e apresentação física destes meus singelos apontamentos cujo todo dá pelo nome de SINESTESIAS.
16 abril 2012
AO DOMINGO DEPOIS DA PÁSCOA
NAQUELES DIAS A MULTIDÃO DOS QUE HAVIAM ABRAÇADO A FÉ TINHA UM SÓ CORAÇÃO E UMA SÓ ALMA E NEM SEQUER ALGUÉM CHAMAVA SEU A QUALQUER DOS SEUS HAVERES ; TINHAM TUDO EM COMUM. ... ... ...
E NÃO HAVIA ENTRE ELES QUALQUER NECESSITADO, POIS TODOS OS QUE ERAM PROPRIETÁRIOS DE FAZENDAS OU DE CASAS VENDIAM-NAS E TRAZIAM O PRODUTO DAS VENDAS QUE DEPUNHAM AOS PÉS DOS APÓSTOLOS. DISTRIBUIA-SE ENTÃO A CADA UM CONFORME A NECESSIDADE QUE TIVESSE.
Do livro dos ACTOS DOS APÓSTOLOS, cap. 4
E NÃO HAVIA ENTRE ELES QUALQUER NECESSITADO, POIS TODOS OS QUE ERAM PROPRIETÁRIOS DE FAZENDAS OU DE CASAS VENDIAM-NAS E TRAZIAM O PRODUTO DAS VENDAS QUE DEPUNHAM AOS PÉS DOS APÓSTOLOS. DISTRIBUIA-SE ENTÃO A CADA UM CONFORME A NECESSIDADE QUE TIVESSE.
Do livro dos ACTOS DOS APÓSTOLOS, cap. 4
09 abril 2012
Passada a Páscoa
Culminou a chamada Semana Santa ou Semana Maior com um lindíssimo dia de sol, sem calor, sem frio, sem vento, sem uma mancha de nuvem, sem uma mácula.Cumpridos todos os preceitos religiosos que ainda vão sendo repescados em todas as aldeias, mesmo as mais recônditas, e em todas as famílias que se orgulham das suas tradições, era certamente inevitável que este dia meteorologicamente glorioso não trouxesse um desanuviamento ao ambiente social que vivemos no nosso agora tão acabrunhado país. Das alegrias que a Fé e as práticas religiosas deram àqueles que Crêem e Esperam ,ficou uma forma de paz tão íntima que não há sol nem céu azul que possam caber nos seus corações ... Transcendentes e tranquilizantes,deixámos os nossos pensamentos aprofundar muitas das razões dos nossos sentimentos e tudo culminou paradoxalmente em Ascensão...Pintura de El Greco
06 abril 2012
6ª feira santa
01 abril 2012
31 março 2012
A sentença
Decididamente estavam a precipitar.se os acontecimentos... Proceder de uma forma que não é igual à das práticas correntes,ultrapassando mesmo em muito o expectável e conseguir com essa originalidade obter resultados espantosos, era naqueles tempos tão difícil de compreender que se tornava impossível de aceitar... O Evangelho de S. João ( 11 - 45-56) conta-nos hoje precisamente como e porquê foi exarada num curto momento a sentença de morte de Jesus, pela parte ainda não oficiosa dos poderes -fariseus e Sumos Sacerdotes -. A ocorrência da ressurreição de Lázaro causou um tal abalo em todas aquelas estruturas que ,uma vez informados dela,« a partir desse dia resolveram dar-lhe a morte » E os discípulos, a partir de então conseguiram que Jesus não mais andasse em público sózinho e retiraram-se todos para Efraim, cidade no deserto.
Não estivessem à porta as festividades da ´PÁSCOA judaica, não houvesse aquele aglomerado de gente a subir a Jerusalém procurando a purificação em festa, não teriam talvez os Sacerdotes receado a reacção punitiva dos colonizadores romanos, e não teria talvez acontecido daquela maneira a derrocada desde a Glória dos RAMOS até á morte na CRUZ, o mais aviltante dos castigos para o mais exaltante dos Homens...
Não estivessem à porta as festividades da ´PÁSCOA judaica, não houvesse aquele aglomerado de gente a subir a Jerusalém procurando a purificação em festa, não teriam talvez os Sacerdotes receado a reacção punitiva dos colonizadores romanos, e não teria talvez acontecido daquela maneira a derrocada desde a Glória dos RAMOS até á morte na CRUZ, o mais aviltante dos castigos para o mais exaltante dos Homens...
30 março 2012
Esta é uma época, uma terra, uma religação
Esta é a época doce do rebentar das mais tenras folhas das árvores, do reflorir das giestas pelos campos fora, do renovo da vida, deixando para trás a morte da semente. Da humildade dos matizes roxos e amarelos que em formas variadas vão atapetando os chãos, eleva-se geralmente um especial vapor perfumado de maceração que inconfundivelmente nos diz que estamos na PÁSCOA.
Às vezes ela vem chuvosa e fria. Porém, límpida.
Experiência incomparável é então penetrar nos espaços meio escondidos entre montanhas e densas matas verdes que as estradas parecem violar ! A um virar de curva, numa subida imprevista, num topo inesperado, estender o nosso olhar sobre uma extensa várzea, descobrindo, a montante e a juzante, o serpentear intermitente dessa estrada que nos leva por dentro das intimidades das roseiras bravas ou nos guinda até aos pedregosos cimos que o musgo aveludado torna cor de chumbo ! De tão belo, este mundo chega a parecer-nos irreal.
Quebra-se o encanto. trespassada a serra, nos encontros fortuitos com as águas que nos surgem a escorrer sobre fragas e a marginar laranjais cujos perfume e colorido nos acordam para uma realidade que ainda poderia ser o jardim do EDEN, se não fosse a presença um pouco´adiante de uma imponente obra de engenharia. E a barragem do caminho pela verdadeira manta ondulante de um rebanho de ovelhas, elas em sua casa, nós os intrusos...
É assim quando a Páscoa não nos colhe nos esplendores habituais da Primavera , mas sim nas inexplicáveis razões de ternura pela nossa Terra,onde ,qualquer que seja a latitude, acolhemos o esperado renascer da sementinha...
Às vezes ela vem chuvosa e fria. Porém, límpida.
Experiência incomparável é então penetrar nos espaços meio escondidos entre montanhas e densas matas verdes que as estradas parecem violar ! A um virar de curva, numa subida imprevista, num topo inesperado, estender o nosso olhar sobre uma extensa várzea, descobrindo, a montante e a juzante, o serpentear intermitente dessa estrada que nos leva por dentro das intimidades das roseiras bravas ou nos guinda até aos pedregosos cimos que o musgo aveludado torna cor de chumbo ! De tão belo, este mundo chega a parecer-nos irreal.
Quebra-se o encanto. trespassada a serra, nos encontros fortuitos com as águas que nos surgem a escorrer sobre fragas e a marginar laranjais cujos perfume e colorido nos acordam para uma realidade que ainda poderia ser o jardim do EDEN, se não fosse a presença um pouco´adiante de uma imponente obra de engenharia. E a barragem do caminho pela verdadeira manta ondulante de um rebanho de ovelhas, elas em sua casa, nós os intrusos...
É assim quando a Páscoa não nos colhe nos esplendores habituais da Primavera , mas sim nas inexplicáveis razões de ternura pela nossa Terra,onde ,qualquer que seja a latitude, acolhemos o esperado renascer da sementinha...
25 março 2012
A Parábola da semente
21 março 2012
Dia da POESIA
... e há poetas que são artistas
e trabalham nos seus versos
como um carpinteiro nas tábuas !
Que triste não saber florir !
Ter que pôr verso sobre verso como quem constrói um muro,
E ver se está bem, e tirar se não está!...
Qúando a única casa artística é a Terra toda
que varia e está sempre bem e é sempre a mesma...
Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade...
...Esse é o destino dos versos....
... ... ...Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão ?
... ... ... Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor, o seu pé dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico...como o UNIVERSO !
PESSOA, EM ALBERTO CAEIRO, IDENTIFICA-SE COM O POETA QUE É, O QUE NEM SEMPRE É VISÍVEL ATRAVÉS DAS SUAS VARIAS ROUPAGENS. E NO DIA DA POESIA , AQUI ESTAMOS A ENTRAR NO SEU "MAR",LEVADOS POR ESTA ÁGUA QUE SEMPRE SERÁ SUA. TAL COMO ELE PENSAVA.
e trabalham nos seus versos
como um carpinteiro nas tábuas !
Que triste não saber florir !
Ter que pôr verso sobre verso como quem constrói um muro,
E ver se está bem, e tirar se não está!...
Qúando a única casa artística é a Terra toda
que varia e está sempre bem e é sempre a mesma...
Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade...
...Esse é o destino dos versos....
... ... ...Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão ?
... ... ... Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor, o seu pé dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico...como o UNIVERSO !
PESSOA, EM ALBERTO CAEIRO, IDENTIFICA-SE COM O POETA QUE É, O QUE NEM SEMPRE É VISÍVEL ATRAVÉS DAS SUAS VARIAS ROUPAGENS. E NO DIA DA POESIA , AQUI ESTAMOS A ENTRAR NO SEU "MAR",LEVADOS POR ESTA ÁGUA QUE SEMPRE SERÁ SUA. TAL COMO ELE PENSAVA.
19 março 2012
17 março 2012
A MORTE NO TÚNEL
Vejo-me agora forçada ( e direi que quando menos o desejaria ) a fazer um apuramento muito sério sobre o peso e o volume que tem e tem tido na minha vida a MORTE.
A MORTE, essa coisa abstracta que nos acompanha sempre, fazendo parte intrínseca da tecitura do pano de fundo do palco onde vamos "representando" a VIDA, a nossa vida. Nascida cristã, acho que soube sempre que a morte era o caminho por onde iria chegar um dia junto de Deus. Menina, ainda muito menina, foi-me explicado que a Morte era APENAS um FIM de uma presença aos nossos olhos. Com os conhecimentos da catequese, soube então MELHOR que a Morte abriria aos que desapareciam o seu lugar na presença de Deus e consequentemente no gozo da VIDA ETERNA. Com o meu desenvolvimento em conhecimentos e curiosidades adquiri muito depressa a noção de que a Morte é algo de que se tem MEDO e algo que se deve evitar a todo o custo, muito embora a minha religião me fosse sempre mostrando que , depois do exemplo de CRISTO, a MORTE só pode ser uma LIBERTAÇÃO. E a Vida vive-se, vai-se vivendo nessa convicção. Quantas presenças foram sendo arrebatadas do meu "palco", deixando lugares vazios sem remédio no meio da "minha representação" ! ! ! Quanto MEDO !Quanta noção de impotência ! Quanto frio das mãos vazias !
E a MORTE, essa coisa abstracta, continua a desafiar-nos sempre, ultrapassando as filosofias, as convicções,as crenças ... a fé... No Evangelho de São Mateus diz-se que virá na hora em que menos pensardes...Foi assim com aquelas crianças no tunel da SUIÇA. Como pensar naquele massacre, sem remexer todos os escaninhos mais íntimos do nosso edifício filosófico, religioso...e,já agora, HUMANO ? ! ! !
A MORTE, essa coisa abstracta que nos acompanha sempre, fazendo parte intrínseca da tecitura do pano de fundo do palco onde vamos "representando" a VIDA, a nossa vida. Nascida cristã, acho que soube sempre que a morte era o caminho por onde iria chegar um dia junto de Deus. Menina, ainda muito menina, foi-me explicado que a Morte era APENAS um FIM de uma presença aos nossos olhos. Com os conhecimentos da catequese, soube então MELHOR que a Morte abriria aos que desapareciam o seu lugar na presença de Deus e consequentemente no gozo da VIDA ETERNA. Com o meu desenvolvimento em conhecimentos e curiosidades adquiri muito depressa a noção de que a Morte é algo de que se tem MEDO e algo que se deve evitar a todo o custo, muito embora a minha religião me fosse sempre mostrando que , depois do exemplo de CRISTO, a MORTE só pode ser uma LIBERTAÇÃO. E a Vida vive-se, vai-se vivendo nessa convicção. Quantas presenças foram sendo arrebatadas do meu "palco", deixando lugares vazios sem remédio no meio da "minha representação" ! ! ! Quanto MEDO !Quanta noção de impotência ! Quanto frio das mãos vazias !
E a MORTE, essa coisa abstracta, continua a desafiar-nos sempre, ultrapassando as filosofias, as convicções,as crenças ... a fé... No Evangelho de São Mateus diz-se que virá na hora em que menos pensardes...Foi assim com aquelas crianças no tunel da SUIÇA. Como pensar naquele massacre, sem remexer todos os escaninhos mais íntimos do nosso edifício filosófico, religioso...e,já agora, HUMANO ? ! ! !
11 março 2012
DIÁLOGO SUBSEQUENTE À EXPULSÃO DOS VENDILHÕES DO TEMPLO
... ...mas ele póprio não se fiava neles, porque os conhecia a todos e não precisava que lhe dessem informações sobre ninguém. ELE BEM SABIA O QUE HÁ NOS HOMENS !
DO EVANGELHO DE S. JOÃO 2,3-25
DO EVANGELHO DE S. JOÃO 2,3-25
08 março 2012
No DIA DA MULHER. Memórias
Um relance,
um lapso fugidio
e um PASSADO,todo,
irrompe
como a torrente de um rio
ou bicho desgovernado...
Desses anos anulados
restavam só horas mortas
e a poeira a cair...
Dos castelos que depois iriam vir
ficaram vultos loucos e alados,
nas nuvens que se vêem
ao poente...
Era a esses que, então,
chamávamos Presente...
Tecido terso,
rara tecitura
de estuantes cordões umbilicais !
Farrapos
longos haustos,
simples ais,
cada fase na outra se entertece.
Alguma...cada uma, será pra nunca mais ?...
um lapso fugidio
e um PASSADO,todo,
irrompe
como a torrente de um rio
ou bicho desgovernado...
Desses anos anulados
restavam só horas mortas
e a poeira a cair...
Dos castelos que depois iriam vir
ficaram vultos loucos e alados,
nas nuvens que se vêem
ao poente...
Era a esses que, então,
chamávamos Presente...
Tecido terso,
rara tecitura
de estuantes cordões umbilicais !
Farrapos
longos haustos,
simples ais,
cada fase na outra se entertece.
Alguma...cada uma, será pra nunca mais ?...
04 março 2012
Monte Tabor
ABRAÃO !... aqui estou, Senhor!
ISAAC.
ELIAS
MOISÉS
PEDRO
TIAGO
JOÃO
«ESTE É O MEU FILHO MUITO AMADO !»(no qual pus a minha complacência)
Todos os nomes citados ( não o de Jesus,porque envolto nesta carinhosa e transcendente apresentação de "entre nuvens" ), são os pilares sobre os quais a liturgia de hoje nos propõe a construção de alguns dos mais intensos momentos da nossa preparação quaresmal. Desde o sacrum facere radical de ABRAÃO, ao temor e pasmo dos discípulos no TABOR, à surpreendente solidão da figura agigantada de JESUS depois de tamanha revelação, fica para nós a receosa incerteza de sermos capazes e "suficientes" para mudar tanto nos padrões desta "vidinha" que estamos habituados a viver como boa...
No alto de montanhas embrumadas
sonhei erguer também a minha tenda,
mas de nuvem nenhuma ouvi falar-me
aquela voz que eu queria a consolar-me.
De Tiago, de Pedro ou de João,
o silêncio também que Jesus queria...
Gritei, interpelei, nos meus desertos
e apenas encontrei pra mim abertos
os submissos caminhos de Abraão
e a conturbada estrada que subia...
ISAAC.
ELIAS
MOISÉS
PEDRO
TIAGO
JOÃO
«ESTE É O MEU FILHO MUITO AMADO !»(no qual pus a minha complacência)
Todos os nomes citados ( não o de Jesus,porque envolto nesta carinhosa e transcendente apresentação de "entre nuvens" ), são os pilares sobre os quais a liturgia de hoje nos propõe a construção de alguns dos mais intensos momentos da nossa preparação quaresmal. Desde o sacrum facere radical de ABRAÃO, ao temor e pasmo dos discípulos no TABOR, à surpreendente solidão da figura agigantada de JESUS depois de tamanha revelação, fica para nós a receosa incerteza de sermos capazes e "suficientes" para mudar tanto nos padrões desta "vidinha" que estamos habituados a viver como boa...
No alto de montanhas embrumadas

sonhei erguer também a minha tenda,
mas de nuvem nenhuma ouvi falar-me
aquela voz que eu queria a consolar-me.
De Tiago, de Pedro ou de João,
o silêncio também que Jesus queria...
Gritei, interpelei, nos meus desertos
e apenas encontrei pra mim abertos
os submissos caminhos de Abraão
e a conturbada estrada que subia...
26 fevereiro 2012
1º domingo.O ARCO-IRIS
Não chove há mais de um mês.Sentimos as nossas carnes mais secas, as cidades têm pó latente. os pastos secaram, as albufeiras estão cercadas de barras de terra seca, e andamos todos com alergias, constipações ou gripes. No mesmo dia Lisboa acorda e adormece com o termómetro a marcar 6 graus positivos e durante as soalheiras tardes tem 19 graus primaveris... Isto não é único na história meteorológica, mas é muito raro... E enquanto as matas vão ardendo que fazermos nós ? Será que o Senhor Deus vai aceitar que tomemos todo este mau viver como uma "penitência" quaresmal ? Vejamos com atenção as Leituras do domingo de hoje.
Do LIVRO do GÉNESIS : por todas as gerações que hão-de vir farei aparecer sobre as nuvens o Meu ARCO-IRIS, que será um sinal de Aliança entre Mim e a Terra... ...recordar-me-ei da minha Aliança convosco e nunca mais as águas formarão um dilúvio que possa destruir toda a criatura. Era-nos prometida uma aliança anunciando chuva, embora não diluviana, claro.
Nós sabemos que para resistir às tentações no Deserto. Jesus clamou : nem só de pão vive o homem mas de toda a palavra que vem da boca de Deus. É então altura de fazermos orações a suplicar ao Senhor Deus que se lembre daquela "aliança" e cubra os nossos impiedosos céus com o SEU belíssimo ARCO IRIS.
Do LIVRO do GÉNESIS : por todas as gerações que hão-de vir farei aparecer sobre as nuvens o Meu ARCO-IRIS, que será um sinal de Aliança entre Mim e a Terra... ...recordar-me-ei da minha Aliança convosco e nunca mais as águas formarão um dilúvio que possa destruir toda a criatura. Era-nos prometida uma aliança anunciando chuva, embora não diluviana, claro.
Nós sabemos que para resistir às tentações no Deserto. Jesus clamou : nem só de pão vive o homem mas de toda a palavra que vem da boca de Deus. É então altura de fazermos orações a suplicar ao Senhor Deus que se lembre daquela "aliança" e cubra os nossos impiedosos céus com o SEU belíssimo ARCO IRIS.
19 fevereiro 2012
CARNAVAL
Ora pois cá estamos nós em pleno domingo de Carnaval.Com sol ebom tempo, para não variar e as meninas deste país, de norte a sul, se poderem despir como sob o calor imaginário do modelo brasileiro, também para não variar. Guerrinhas políticas vieram dar alguma novidade a este modelo tão estafado de passar três ou quatro dias do ano ainda a puxar pelas reminiscências mais ou menos viciosas de tempos antiqui..qui..´quíssimos... Mas sim . Também merecemos ter uns dias no ano para rir, isso é verdadade. Só me pergunto se para rirmos uns dos outros... Com o que se passa no país e no mundo, será escolha fácil de quem rir ?..
Então, com muitas ponderações em jogo, preferi recolher- me. Tenho para isso a tranquilizadora porta sempre aberta da minha religião. Curiosamente, numa folha semanal em que a minha paróquia põe os paroquianos a par do pensamento do seu pároco, hoje falva-se assim do Carnaval : Não sei se o estilo das igrejas tem capacidade para ensinar a rir Resta aos cristãos garantir um carnaval diferente: TEMPO PARA ESTAR COM OS AMIGOS sobretudo quando as dificuldades do tempo presente afastam as pessoas e as deixam cada vez mais sós Tempo para restaurar forças quando as inúmeras tensões da sociedade em crise tornam os corações aflitos e os corpos vencidos por inúmeras enfermidades que dificilmente se entendem. TEMPO PARA DIALOGAR COM DEUS.... TEMPO LIVRE PARA NÃO FAZER NADA ,deixar-se conduzir nas asas do vento...para escutar a voz do silêncio... ... Um programa de Carnaval não se impõe a ninguém.Cada um tem obrigação de descobrir a melhor forma de viver em alegria e paz... ...Quanto menos barulho mais esta alegria e paz podem visitar o coração do homem atribulado.E por aqui encontrei o bom coselho que decidi transcrever, na esperança de ainda ir a tempo de sugeri-lo a alguém que acaso me leia.
Então, com muitas ponderações em jogo, preferi recolher- me. Tenho para isso a tranquilizadora porta sempre aberta da minha religião. Curiosamente, numa folha semanal em que a minha paróquia põe os paroquianos a par do pensamento do seu pároco, hoje falva-se assim do Carnaval : Não sei se o estilo das igrejas tem capacidade para ensinar a rir Resta aos cristãos garantir um carnaval diferente: TEMPO PARA ESTAR COM OS AMIGOS sobretudo quando as dificuldades do tempo presente afastam as pessoas e as deixam cada vez mais sós Tempo para restaurar forças quando as inúmeras tensões da sociedade em crise tornam os corações aflitos e os corpos vencidos por inúmeras enfermidades que dificilmente se entendem. TEMPO PARA DIALOGAR COM DEUS.... TEMPO LIVRE PARA NÃO FAZER NADA ,deixar-se conduzir nas asas do vento...para escutar a voz do silêncio... ... Um programa de Carnaval não se impõe a ninguém.Cada um tem obrigação de descobrir a melhor forma de viver em alegria e paz... ...Quanto menos barulho mais esta alegria e paz podem visitar o coração do homem atribulado.E por aqui encontrei o bom coselho que decidi transcrever, na esperança de ainda ir a tempo de sugeri-lo a alguém que acaso me leia.
12 fevereiro 2012
Manifestações
Tanto se espera dos escritores, em termos de boa gramática, temas sugestivos e imagens elegantes, e afinal acaba-se por se ser contagiado pelo contrário de tudo isto e que é abundantemente publicado e até premiado actualmente ( devo esclarecer que não adopto o acordo novo na minha "produção"). Ontem ocorreu-me escrever: uma panela de sopa a entornar o seu puré que fervia ao lume e que pensando que pudesse "apurar" um poco mais, nos esqueceramos de apagar, esparrinhando-se sopa para toda a lisa placa do fogão e esbarrondando, alastrando... Pois foi ! Ontem a Igreja dedicara o seu dia aos doentes . Dar-lhes um amparo moral, um acompanhamento no sofrimento, uma esperança de coragem para o que a doença lhes exigir. Veio ELA ter comigo, a minha casa, por pura generosidade, sem que eu lhe tivesse pedido nada. E eu até estava quase festiva, porque era dia de Nossa Senhora de Lourdes ! E com todo este ambiente que só posso classificar de AMOR ao OUTRO, quando fiquei só, mas com o peito cheio, como acontece nos assomos de ternura ou felicidade, ligo a TV e... ... encontro uma multidão ululante... Ocorreu-me tão de súbito a ideia que escrevi ali acima... Quem (e o quê) se introduzirá nas mais íntimas costuras da alma dos povos, do entendimento das gentes, para conseguir na mesma hora do mesmo dia, pôr a nu a força da raiva e do ódio e a do amor e paciente esperança de todo um povo de si mesmo irmão ?...
11 fevereiro 2012
11de Fevereiro
02 fevereiro 2012
Nossa Senhora da Luz - 2 de Fevereiro
Nossa Senhora da Luz ! Celebra-se hoje o seu dia. 40 dias após um parto, as mulheres deixavam de ser consideradas "impuras", segundo a curiosa lei judaica, e deviam dirigir-se ao templo com ofertas de simbólica pureza :era o dia da "purificação". Isso mesmo fez MARIA ,levando comsigo , além de José, o seu filho Jesus para o "apresentar", tudo conforme a lei que rigorosamente cumpriam. Mas Jesus não era um qualquer bébé... No templo uns devotos anciãos reconheceram-no e vaticinaram coisas e deram largas ao que certamente o Espírito Santo tinha já infundido nas suas almas. Simeão então orou, agradecendo a Deus ter-lhe permitido satisfazer o seu desejo de não morrer sem conhecer esse Filho divino que ali estava em seus braços e cujo poder iria daí em diante ser a LUZ DO MUNDO... E assim ,nesse momento, passa MARIA a ser associada a uma imensa LUZ que há-de iluminar o Mundo. SENHORA DA LUZ, claro . A partir daí, o povo nunca deixou cair esta devoção. Em Espanha, creio que nas Canárias,começaram a dar-lhe o nome de Candelária, que tem tudo a ver com luzes/candelas ;e o culto ,devido a possíveis milagres ou não, entrou de tal forma na religiosidade popular que até nasceu um provérbio em que ,como quase sempre ,se entrelaçam as comemorações religiosas com o empírico conhecimento da meteorologia e suas influências nos trabalhos rurais: No Dia da Senhora das Candeias, se chora, está o inverno fora, se rir, está para vir.Mas de milagres se não podem apartar factos bem palpáveis, como por exemplo a existência do bairro ( ou freguesia ?) da LUZ, em Lisboa, onde durante tantos anos foi o meu local de trabalho e onde,por essa razão, frequentei com assiduidade a bela IGREJA construida no século XVI e reconstruida no século XVIII, após ter ruido quase totalmente com o terramoto de 1755 .´Segundo soube então ,construida porque a alguém terá aparecido Nossa Senhora envolta numa glória de luz, naqueles mesmos locais.
Por tão apaixonantes razões e conotações vim hoje aqui deixar esta "memória"que considero uma marca de extrema simplicidade deixada na História e na Religião pela qualidade humana e feminina de MARIA -MÃE,zelosa e cumpridora, discreta no entrosamento com os seus mais íntimos cuidados...
Por tão apaixonantes razões e conotações vim hoje aqui deixar esta "memória"que considero uma marca de extrema simplicidade deixada na História e na Religião pela qualidade humana e feminina de MARIA -MÃE,zelosa e cumpridora, discreta no entrosamento com os seus mais íntimos cuidados...
28 janeiro 2012
Um livro-- uma surpresa
Dos vários livros que recebi de presente entre o meu aniversário e o Natal, tendo embora feito uma combinação com todos os amigos para que acabássemos com a troca de presentes, em atenção à época em que vivemos, quero assinalar especialmente um : A MENINA É FILHA DE QUEM ? de Rita Ferro. Uma autobiografia da autora, mas também da sua época, como se uma época fosse um "corpo" que se decide despir para ser visto em todas as suas fraquezas e vícios e ridículos e manias...E cumulativamente como se fosse também ,em largos traços, uma parte da minha própria biografia, uma vez que ela é quase, quase, a minha época, com uns ligeiríssimos desfasamentos. Quero particularmente citar aqui ,com o devido respeito pela autora, um rol de"deveres" sociais de que Rita Ferro se faz eco e que foram tão meus como dela e cujo esquecimento nos dias de hoje eu acho que é só de lastimar, porque, naquele tempo, nos tornavam mais leve e doce o viver quotidiano.
Tem três dias para agradecer um jantar, no máximo.
Nunca se recebe,em casa, de tailleur,~
Não se entra em casa de ninguém sem abotoar os botões do casaco,
Quando uma senhora se aproxima... ...saltas como uma mola ( a um rapazinho sentado)
Não se tira a gravata nem o laço nem mesmo no fim da festa,
Se(as meninas) um dia forem convidadas para jantar... as suas mãos nem se aproximam da carteira...
Não se diz ele ou ela se nos referimos a alguém mais velho ou nos mereça c onsideração...
Vão sempre despedir-se da dona da casa( onde estiveram numa festa qualquer)
Não se vai à missa de manga á cava...
Não se trata um tio por"você"
Encantada por ver estes conselhos em letra redonda, tomei a liberdade de vir aqui citá-los porque há certos procedimentos a que assisto hoje que me deixam chocada mas sempre tenho que resistir à tentação de acusar o erro e nada dizer ... Talvez que esse "calar" seja um preceito do tempo de agora ! ! ! Ver por exemplo um membro do governo que NUNCA abotoa o casaco nem nas ocasiões mais solenes, ver entrar na igreja de uma cidade algarvia e assistir à missa duas raparigas em bikini, ouvir e ver um jovem tratar o PAI por você, assistir a um almoço onde aparecem avulsas pessoas de certa idade e os jovens presentes e à mesa nem fazerem ao menos o simulacro de se levantarem das suas cadeiras... Experiências que naquela hora da geração da RITA FERRO e da minha ninguém por certo terá tido!
Por isso o meu prazer ao ler este livro que me caíu nas mãos em boa hora !
Tem três dias para agradecer um jantar, no máximo.
Nunca se recebe,em casa, de tailleur,~
Não se entra em casa de ninguém sem abotoar os botões do casaco,
Quando uma senhora se aproxima... ...saltas como uma mola ( a um rapazinho sentado)
Não se tira a gravata nem o laço nem mesmo no fim da festa,
Se(as meninas) um dia forem convidadas para jantar... as suas mãos nem se aproximam da carteira...
Não se diz ele ou ela se nos referimos a alguém mais velho ou nos mereça c onsideração...
Vão sempre despedir-se da dona da casa( onde estiveram numa festa qualquer)
Não se vai à missa de manga á cava...
Não se trata um tio por"você"
Encantada por ver estes conselhos em letra redonda, tomei a liberdade de vir aqui citá-los porque há certos procedimentos a que assisto hoje que me deixam chocada mas sempre tenho que resistir à tentação de acusar o erro e nada dizer ... Talvez que esse "calar" seja um preceito do tempo de agora ! ! ! Ver por exemplo um membro do governo que NUNCA abotoa o casaco nem nas ocasiões mais solenes, ver entrar na igreja de uma cidade algarvia e assistir à missa duas raparigas em bikini, ouvir e ver um jovem tratar o PAI por você, assistir a um almoço onde aparecem avulsas pessoas de certa idade e os jovens presentes e à mesa nem fazerem ao menos o simulacro de se levantarem das suas cadeiras... Experiências que naquela hora da geração da RITA FERRO e da minha ninguém por certo terá tido!
Por isso o meu prazer ao ler este livro que me caíu nas mãos em boa hora !
22 janeiro 2012
Naufrágios e Naufragos
Como quase sempre, ao domingo, depois da missa, disponho de um razoável espaço de tempo para aqui vir dar forma de letra a algumas ideias que povoam a minha cabeça com maior ou menor preponderância, às vezes por toda uma semana, outras vezes à maneira de "assalto à fortaleza", por uns momentos, e ainda, muitas vezes, como "residentes" por quase toda a vida...como "resistentes"...
Hoje, as motivações mais próximas são tais e tantas, que as ideias regurgitam... Celebrou-se religiosamente a memória de um mártir cristão do século 3 ou 4 - São Vicente - cujo corpo atirado ao Meriterrâneo dentro de qualquer espécie de barca, veio encostar a Sagres com dois corvos negros por companheiros misteriosamente presentes e insistentes tanto ou tão pouco que até Afonso Henriques, ao trazê-los a todos para Lisboa deu azo a que tais aves tivessem lugar nas insígnias da cidade.O corpo de Vicente esteve "fora", por algum tempo e por razões algo cautelares, mas a cidade acabou por os abraçar aos três, com honras e carinhos. E de barcos á deriva, de corpos neles perdidos e achados , imediatamente se agiganta na nossa cabeça o espantoso naufrágio de um verdadeiro monstro marinho, há dias, "entalado" por negligência gritante entre costas rochosas de Itália que, segundo quem sabe, eram mais do que conhecidas por tudo quanto vive e navega por aquelas paragens... Claro que dentro do monstro não havia santos certamente, mas, de um momento para o outro todos foram transformados em mártires... E onde e qual o mistério dos míticos corvos que ali faltaram ?...
Hoje, as motivações mais próximas são tais e tantas, que as ideias regurgitam... Celebrou-se religiosamente a memória de um mártir cristão do século 3 ou 4 - São Vicente - cujo corpo atirado ao Meriterrâneo dentro de qualquer espécie de barca, veio encostar a Sagres com dois corvos negros por companheiros misteriosamente presentes e insistentes tanto ou tão pouco que até Afonso Henriques, ao trazê-los a todos para Lisboa deu azo a que tais aves tivessem lugar nas insígnias da cidade.O corpo de Vicente esteve "fora", por algum tempo e por razões algo cautelares, mas a cidade acabou por os abraçar aos três, com honras e carinhos. E de barcos á deriva, de corpos neles perdidos e achados , imediatamente se agiganta na nossa cabeça o espantoso naufrágio de um verdadeiro monstro marinho, há dias, "entalado" por negligência gritante entre costas rochosas de Itália que, segundo quem sabe, eram mais do que conhecidas por tudo quanto vive e navega por aquelas paragens... Claro que dentro do monstro não havia santos certamente, mas, de um momento para o outro todos foram transformados em mártires... E onde e qual o mistério dos míticos corvos que ali faltaram ?...
15 janeiro 2012
O nosso corpo
«NÃO SABEIS QUE O VOSSO CORPO É TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO ?» da 1ª carta de São Paulo aos Coríntios que fez parte da liturgia deste primeito domingo do Tempo Comum
São Paulo entendeu, no seu apostolado junto dos "pagãos", não só catequisar ,falando da grandeza do amor de Deus como lhe fora revelada na sua conversão, mas também "educar", para erradicar comportamentos que por si só obstruiam ou destruiam a integração dos catequisados na prática da nova doutrina.É pois assim que explica que quem pratica a imoralidade contra o seu ´próprio corpo , procede contra aquilo que o SENHOR criou e "animou "amorosamente com o SEU próprio Espírito.
É este, quanto a mim, um dos vectores mais apaixonantes da minha religião e da minha Fé. E leva-me a meditações de ãmbito alargadíssimo. A saúde e a doença, a vaidade e o desleixo, a sexualidade e o amor. o pudor e a ostentação tudo cabe dentro dos cuidados de tratamento e conservação a que nos obriga esta espantosa realidade de sermos a"residência" escolhida para a divina presença neste mundo que não é apenas um conjunto de valências físicas. E temos disso provas cada dia das nossas vidas...
São Paulo entendeu, no seu apostolado junto dos "pagãos", não só catequisar ,falando da grandeza do amor de Deus como lhe fora revelada na sua conversão, mas também "educar", para erradicar comportamentos que por si só obstruiam ou destruiam a integração dos catequisados na prática da nova doutrina.É pois assim que explica que quem pratica a imoralidade contra o seu ´próprio corpo , procede contra aquilo que o SENHOR criou e "animou "amorosamente com o SEU próprio Espírito.
É este, quanto a mim, um dos vectores mais apaixonantes da minha religião e da minha Fé. E leva-me a meditações de ãmbito alargadíssimo. A saúde e a doença, a vaidade e o desleixo, a sexualidade e o amor. o pudor e a ostentação tudo cabe dentro dos cuidados de tratamento e conservação a que nos obriga esta espantosa realidade de sermos a"residência" escolhida para a divina presença neste mundo que não é apenas um conjunto de valências físicas. E temos disso provas cada dia das nossas vidas...
12 janeiro 2012
O feio e a beleza
Preciso de perguntar às minhas eis-alunas que vão sendo umas senhoras e se transformaram em amigas jovens e também a alguns dos rapazes ("doutores" ou "engenheiros" em formação ) que me mandam e-mails e boas-festas e coisas assim, que coisa é mesmo ,hoje e agora ,ser "moderno".Não estou a pensar em "escolas"que flutuam entre o artístico e o sociológico, entre o ideológico e o político-social, entre o científico e o empírico. Estou muito simplesmente e muito terra-a-terra a PRECISAR de compreender que praga ou que mau agoiro caiu sobre a BELEZA para que todas as escolhas recaiam sobre o feio ou horrível. desde os brinquedos de criança até às produções dos que reconhecemos artistas em diversíssimos ramos, passando pelas roupas, os cabelos, as atitudes e... as palavras ! ?Será realmente preciso escrever com todas as letras os mais indecentes palavrões ao descrever ou contar uma estória como muitas outras, só que a borbulhar como um esgoto entupido graças à baixeza dos vocábulos escolhidos para contá-la ? Será que um grupo de rapazes ou raparigas sãos e escorreitos que resolveram fazer música em conjunto se sentem mais felizes com a produção de uns sons entrechocados sem vislumbres de qualquer melodia, do que se todo aquele "barulho" fosse algo mais do que isso mesmo, ritmado e alegremente são e escorreito como eles próprios não querem sentir que o são ?
Tenho há alguns anos um interessantíssimo "tratado" do UMBERTO ECCO sobre a História do Feio que me levou a compreender porque quase é necessário adaptarmo-nos à existência da fealdade do mundo e como e quais e quantas têm sido ao longo da História as adesões e as reacções do Homem às suas expressões artísticas ou não.«Porém estas e estes meus futuros doutores, músicos, cientistas, economistas, professores, não fazem já parte daquilo que o ECCO investigou.E depois vem alnda a pergunta : é "moderno" ser feio ? Porquê ?
E para grande consolação da minha alma, tenho de MIA COUTO esta afirmaçâo:A Beleza tem qualqer coisa de religioso : é ela que nos religa às coisas.
Nota - O verbo latino religare é que está na origem da palavra religião.
ao
Tenho há alguns anos um interessantíssimo "tratado" do UMBERTO ECCO sobre a História do Feio que me levou a compreender porque quase é necessário adaptarmo-nos à existência da fealdade do mundo e como e quais e quantas têm sido ao longo da História as adesões e as reacções do Homem às suas expressões artísticas ou não.«Porém estas e estes meus futuros doutores, músicos, cientistas, economistas, professores, não fazem já parte daquilo que o ECCO investigou.E depois vem alnda a pergunta : é "moderno" ser feio ? Porquê ?
E para grande consolação da minha alma, tenho de MIA COUTO esta afirmaçâo:A Beleza tem qualqer coisa de religioso : é ela que nos religa às coisas.
Nota - O verbo latino religare é que está na origem da palavra religião.
ao
03 janeiro 2012
Alvorada
Há muitos, muitos anos, escrevia eu um poeminha inspirado no iniciar de um novo ano: do Ano Novo espero as alvoradas de manhãs que até hoje esperei em vão...Pois bem. Fico admirada, mas ainda hoje me apetece dizer a mesma coisa, embora as "alvoradas", as "manhãs" e a minha "espera" tenham agora a circunscrevê-las um muito outro caldo de cultura. Mas cá estou, de frente para o que aí vier. Ouvi há dias alguém dizer que, ao percorrermos um caminho, só lhe conheceremos a beleza se olharmos em frente ou para os planos que o ladeiam, porque se pusermos os olhos só onde pomos os pés, nenhum encanto terá a caminhada -só pedras ou buracos... Que bela perspectiva ! Pese embora todo o medo de cair com que a idade das minhas pernas me assedia constantemente, quero mesmo fazer esse exercício de olhar em frente ; só com essa atitude valerá a pena a VIDA ,agora que aqui cheguei.
Muitas coisas fazem parte dessa prática e creio não me enganar se, amando cada dia mais este país onde nasci e me fiz gente, amar cada dia mais a "gente" que se foi também fazendo "gente" noutros compassos, bem sei, mas foi podendo ser tão "bonita"...Falo de jovens e não jovens, falo dos que foram valentes e dos que sofrem e dos que não sofrem, dos que continuam sendo valentes e sorriem, e cantam e escrevem...
Tenho neste momento cinco jovens autores, já premiados,alguns, a fazerem parte da paisagem do meu caminho a percorrer agora. Vieram como prendas de Natal, que bom !
São algumas das alvoradas de manhãs que sempre continuo esperando...Também neste Novo Ano 2012.
Muitas coisas fazem parte dessa prática e creio não me enganar se, amando cada dia mais este país onde nasci e me fiz gente, amar cada dia mais a "gente" que se foi também fazendo "gente" noutros compassos, bem sei, mas foi podendo ser tão "bonita"...Falo de jovens e não jovens, falo dos que foram valentes e dos que sofrem e dos que não sofrem, dos que continuam sendo valentes e sorriem, e cantam e escrevem...
Tenho neste momento cinco jovens autores, já premiados,alguns, a fazerem parte da paisagem do meu caminho a percorrer agora. Vieram como prendas de Natal, que bom !
São algumas das alvoradas de manhãs que sempre continuo esperando...Também neste Novo Ano 2012.
29 dezembro 2011
Também no Natal, Camões
Tanta, tanta coisa se diz, se canta, se reza, se escreve, se lê sobre o Natal e o que a esse acontecimento anda ligado e ainda há possibilidade de alguém dizer « o quê ? ele também ?» e o «ele» é nem mais nem menos que CAMÕES. Ora leiam :
DOS CÉUS À TERRA _ dos céus à terra desce a mor beleza,
une-se à nossa carne e fá-la nobre-
e sendo a humanidade dantes pobre
hoje subida fica à mor alteza.
Busca o Senhor mais rico a mor pobreza
que a no mundo o seu amor descobre
de palhas vis o corpo tenro cobre
e por elas o mesmo Céu despreza.
Como? Deus em pobreza à Terra desce.
O que é mais pobre tanto lhe contenta
que este somente rico lhe parece-
Pobreza este presépio representa.
Mas tanto, por ser pobre, já merece,
que quanto mais o é, mais lhe contenta...
Este nosso "príncipe" sabia do que falava no seu conhecimento da pobreza e como vemos sabia bem o que sentia neste reconhecimento da cristã preferência pelos pobres !
DOS CÉUS À TERRA _ dos céus à terra desce a mor beleza,
une-se à nossa carne e fá-la nobre-
e sendo a humanidade dantes pobre
hoje subida fica à mor alteza.
Busca o Senhor mais rico a mor pobreza
que a no mundo o seu amor descobre
de palhas vis o corpo tenro cobre
e por elas o mesmo Céu despreza.
Como? Deus em pobreza à Terra desce.
O que é mais pobre tanto lhe contenta
que este somente rico lhe parece-
Pobreza este presépio representa.
Mas tanto, por ser pobre, já merece,
que quanto mais o é, mais lhe contenta...
Este nosso "príncipe" sabia do que falava no seu conhecimento da pobreza e como vemos sabia bem o que sentia neste reconhecimento da cristã preferência pelos pobres !
20 dezembro 2011
Uma semana antes do Natal
Assim como nem tudo são alegrias, também nem tudo são tristezas nesta vida que temos para viver. ! ! ! Com notícias arrasadoras a caírem-nos sobre quaisquer réstias de bonomia ou esperança em cada contacto com seja o que for que fale com ou para o POVO, era para estarmos agora encolhidos nos nossos cantos, todos murchos e cinzentos sem vontade de viver, quanto mais de festejar !...Pois não é que invertemos a marcha e cada um abriu sorrisos como janelas para o belo "jardim" que é o gostar da VIDA e de vivê-la agora e já, já que é NATAL ?Então começámos a visitar-nos uns aos outros, a ir ao encontro de coisas bonitas de se ver, a recordar sem lágrimas coisas alegres ( algumas até cómicas ) de passados envelhecidos, a arejar fatiotas bem bonitas que haviam deixado de apetecer... e tudo simples,tudo fácil, sem constrangimentos... Vieram ver-me pessoas que quase tinha esquecido, chamaram-me ao telefone pessoas que me pareceu chegarem de outro planeta, convidaram-me para almoços (terão compreendido enfim que a minha idade já não permite que aceite jantares ), almoços com ementas preparadas para mim, levaram-me a livrarias e a falar com gente de ljvros, a casas de chá e margens do Tejo e, cúmulo dos cúmulos,levaram-me a ouvir música e a revisitar Lisboa ao
sol...Tudo isto dito na primeira pessoa quase não dá para recordar quantas pessoas estavam em todos estes cenários, mas estavam sim senhor, muitas e risonhas e interessadas e interessantes, conforme os a-propósitos. Estaria realmente um gigante a gritar no deserto que a VIDA é um presente com características divinais ? Certo é que, com a alma mais leve, muitos muitos de nós decidimos entregar-nos a uma espécie de volúpia de AMAR e com o peito límpido e aberto estamos a abeirar-nos da celebração da festa milenar da chegada da ESPERANÇA...
sol...Tudo isto dito na primeira pessoa quase não dá para recordar quantas pessoas estavam em todos estes cenários, mas estavam sim senhor, muitas e risonhas e interessadas e interessantes, conforme os a-propósitos. Estaria realmente um gigante a gritar no deserto que a VIDA é um presente com características divinais ? Certo é que, com a alma mais leve, muitos muitos de nós decidimos entregar-nos a uma espécie de volúpia de AMAR e com o peito límpido e aberto estamos a abeirar-nos da celebração da festa milenar da chegada da ESPERANÇA...
14 dezembro 2011
CONCERTO DO CORO DE CÂMARA DE LISBOA
Dia Mundial dos COROS, 11 de Dezembro de LISBOA.Basílica dos Mártires.O Chiado como uma festa. A animação de inúmeras pessoas risonhas, leves, falando alto, encontrando-se e desencontrando-se na entrada e saída de todas as lojas que se iluminaram e abriram portas para receber visitas... Desde o Largo de Camões ao Chiado, ao São Carlos, à rua do Almada e por todas aquelas redondezas pensou-se e armou-se festa , o que me fez alegremente recordar as tardes de compras de Natal da minha juventude, com a minha Mãe e com amigas, e em que por remate nos íamos sentar estafadas em volta de uma mesa na Império ou na Garret a tomar chá ou chocolate com as respectivas torradas. Como a chamada Baixa entristeceu, na mudança de tipo de vender e comprar que se foi instalando durante todos estes anos! Porém neste domingo de agora foi uma linda recordação e um magnífico introito para o principal do dia : o concerto do CORO DE CÂMARA DE LISBOA. A escolha do magnífico palco barroco que é a Basílica dos Mártires foi muito feliz pois quanto a mim esta é uma época barroca por excelência e as peças que na primeira parte foram interpretadas creio que também coincidiam com este conceito. Um coral de "anjos" diria eu, num ambiente próprio. Prelúdio de uma quase bem-aventurança a sensação que trouxemos connosco, no ressoar daquelas vozes que eu não tenho nenhuma reserva para as qualificar de inebriantes...
13 dezembro 2011
APESAR DE... (GAUDETE !)
Dói por dentro,
na alma,
esta certeza
de ir reconhecendo
os meus pontos finais.
Perfila-se-me crua
impiedosa
esta constatação
de se estarem esboroando
os meus Natais.
Não mais presépios com Deus pequenino
e seus focos de luz
direccionais.
Não mais o aroma do pinho
recamado de bolas e festões,
nem mesmo as braçadas do azevinho
agora irrepetíveis...
Tudo ficou por aí,
disperso pelos caminhos invisíveis
do eu deixar
perder-se o gosto e o jeito de enfeitar.
Resta-me apenas,
em forma de cristais indefiníveis,
um polvilho de lágrimas que brilha
se acaso me ponho a recordar...
na alma,
esta certeza
de ir reconhecendo
os meus pontos finais.
Perfila-se-me crua
impiedosa
esta constatação
de se estarem esboroando
os meus Natais.
Não mais presépios com Deus pequenino
e seus focos de luz
direccionais.
Não mais o aroma do pinho
recamado de bolas e festões,
nem mesmo as braçadas do azevinho
agora irrepetíveis...
Tudo ficou por aí,
disperso pelos caminhos invisíveis
do eu deixar
perder-se o gosto e o jeito de enfeitar.
Resta-me apenas,
em forma de cristais indefiníveis,
um polvilho de lágrimas que brilha
se acaso me ponho a recordar...
08 dezembro 2011
MISTÉRIO
Está quase vencida a metade do tempo de meditação especialmente votada ao MISTÉRIO religioso do NATAL. Acendemos vela a vela por semana a semana.E a nossa arte ou capacidade semiológica soube encontrar vários sinais que mais não são senão o extravasar da nossa intrínseca e nunca satisfeita necessidade de encontrarmos quem nos ame, quem nos comprenda, quem nos "mime", quem dê às nossas vidas a substãncia que valerá a pena "salvar". Afinal procuramos sempre esse enigmático MENINO JESUS que acalentamos numa avassaladora onda de ternura e chega, em cada ano, sempre quando parece que mais precisamos do calor de um amor como não há... Lembro uma passagem de GEORGES BERNANOS:O INFERNO É JÁ NÃO SE PODER AMAR.Tenho esta constatação de memória e, embora ela me ocorra muitas vezes, em circunstâncias da vida para mim sempre surpreendentes por imprevisíveis,parece-me que ,agora, ela surge com toda a propriedade, como uma verruma a perfurar todos os meus gestos íntimos de boa vontade e alguma confiança ainda...
Sendo este o dia de celebrar a espantosamente misteriosa CONCEPÇÃO que haveria de nos oferecer a fonte de todas as esperanças, não podemos deixar de reconhecer que uma das sustentações maiores de todo este maravilhoso alvorecer da nossa fé e religião, é a HUMILDADE.
Estamos num mundo e num tempo em que « é demasiado fácil falar de pobreza espiritual e encher a boca de palavras piedosas, e depois não ter falta de nada, ter uma casa segura, despensa bem fornecida e várias contas no banco.»( do Irmão CARRETTO ,com. de Jesus) e perante a dor de assistir a um tal extremar de posições à nossa volta, mais denso se nos mostra este doce mistério do NATAL mais desejamos envolvermo-nos nele, como nestes silenciosos dias de nevoeiro que quase miraculosamente nos têm sido oferecidos...
Sendo este o dia de celebrar a espantosamente misteriosa CONCEPÇÃO que haveria de nos oferecer a fonte de todas as esperanças, não podemos deixar de reconhecer que uma das sustentações maiores de todo este maravilhoso alvorecer da nossa fé e religião, é a HUMILDADE.
Estamos num mundo e num tempo em que « é demasiado fácil falar de pobreza espiritual e encher a boca de palavras piedosas, e depois não ter falta de nada, ter uma casa segura, despensa bem fornecida e várias contas no banco.»( do Irmão CARRETTO ,com. de Jesus) e perante a dor de assistir a um tal extremar de posições à nossa volta, mais denso se nos mostra este doce mistério do NATAL mais desejamos envolvermo-nos nele, como nestes silenciosos dias de nevoeiro que quase miraculosamente nos têm sido oferecidos...
27 novembro 2011
1ºDOMINGO DE ADVENTO - 2011
Porque nos deixais, Senhor, desviar dos vossos caminhos e endurecer os corações...? todos nós caímos como folhas e as nossas faltas nos levavam como o vento... ( ISAÍAS ) Deus do universo olhai... e vede,visitai a vossa vinha, protegei-a, já que a vossa mão a plantou ! ( Salmo 79/80)... fostes enriqecidos em tudo, em toda a palavra e em todo o conhecimento ( São PauloAOS CORÍNTIOS )... Acautelai-vos pois e estai alerta .É o que vos digo a todos:VIGIAI ! ! ! (( de JESUS aos discípulos, segundo São Marcos )
Todas as leituras da liturgia de hoje nos trazem eloquentes conselhos expressos de maneira .que parecem consequentes da nossa vida de agora.
Irão eles ser o leitmotiv deste ADVENTO que começa agora ?
Todas as leituras da liturgia de hoje nos trazem eloquentes conselhos expressos de maneira .que parecem consequentes da nossa vida de agora.
Irão eles ser o leitmotiv deste ADVENTO que começa agora ?
26 novembro 2011
Passeio Outonal
Mata da Margaraça -Arganil Entro dentro do Outono
pela floresta
que se enrola na bruma
e, túmida de vida,
vai macerando musgos e bolores
opaca, densa,
quase adormecida...
Pelo chão, as velhas folhas desmaiadas.
E, ao passo dos meus passos silenciosos,
escuto estalidos breves
e crispados
de coisas que não esperavam ser pisadas-
Bagas vermejhas, cachos entre espinhos
flamejam, capciosas,defensivas,
a proteger nas sebes os espaços...
Mas são os cogumelos insidiosos
quem se esconde pelos cantos mais discretos.
Os tons de verde todos se matizam
sob a abóbada fulva e acobreada
dos plátanos antigos como catedrais !
Adormece a floresta a aquietar-se
pra espessas, longas, noites invernais...
Cumprem-se os ritos, místicos, secretos,
de donzela a guardar-se
para as festivas bodas estivais ! ! !...
pela floresta
que se enrola na bruma
e, túmida de vida,
vai macerando musgos e bolores
opaca, densa,
quase adormecida...
Pelo chão, as velhas folhas desmaiadas.
E, ao passo dos meus passos silenciosos,
escuto estalidos breves
e crispados
de coisas que não esperavam ser pisadas-
Bagas vermejhas, cachos entre espinhos
flamejam, capciosas,defensivas,
a proteger nas sebes os espaços...
Mas são os cogumelos insidiosos
quem se esconde pelos cantos mais discretos.
Os tons de verde todos se matizam
sob a abóbada fulva e acobreada
dos plátanos antigos como catedrais !
Adormece a floresta a aquietar-se
pra espessas, longas, noites invernais...
Cumprem-se os ritos, místicos, secretos,
de donzela a guardar-se
para as festivas bodas estivais ! ! !...
do meu livro SINESTESIAS
20 novembro 2011
Fim do Ano Comum
Digamos que o ano litúrgico também tem as suas estações que se vão sobrepondo às estações meteorológicas, existindo aliás entre umas e outras umas relações e interdependências bastante curiosas.Hoje, este domingo, celebra-se o fim deste ano litúrgico com a costumada homenagem a Cristo-Rei, e, no domingo próximo iniciamos um novo ano com acelebração do Advento.Esta será uma fase de quatro semanas em que os católicos nos prepararemos para festejar o nascimento de Jesus com todas as inerências que lhe são próprias, seguindo-se as épocas do Natal e Epifânia . E, quando o inverno já ameaça deixar-nos, começa a Quaresma que longamente nos vai aproximando da Páscoa. Já muitas vezes cheira a verão quando celebramos o Pentecostes e logo depois começa a numerosa série de Domingos Comuns cujo termo,por este ano, foi hoje.
E em boa hora .porque o "comum" destes últimos tempos foi uma tal dureza de relações no seio do comum dos homens que os fez quase descrer da misericórdia divina...
Dizia o salmo 22 cantado hoje :O Senhor é meu pastor... ... fez-me descansar nos prados verdejantes, conduziu-me às fontes mais puras e lá restaurou as minhas forças... ... Apenas quero recolher-me na crença de que todas as orações que por mim possam ter chegado aonde me guarda o meu pastor me tivessem mesmo assim "restaurado" porque nem quero imaginar o que me estaria destinado, sem essa refrescante condução. Que poderemos todos nós neste mundo de agora mesmo, se só contarmos com a nossa tão desencorajada humana condição ?
É pois ainda com esperança que partimos para o Novo Ano que para nós começa agora.
E em boa hora .porque o "comum" destes últimos tempos foi uma tal dureza de relações no seio do comum dos homens que os fez quase descrer da misericórdia divina...
Dizia o salmo 22 cantado hoje :O Senhor é meu pastor... ... fez-me descansar nos prados verdejantes, conduziu-me às fontes mais puras e lá restaurou as minhas forças... ... Apenas quero recolher-me na crença de que todas as orações que por mim possam ter chegado aonde me guarda o meu pastor me tivessem mesmo assim "restaurado" porque nem quero imaginar o que me estaria destinado, sem essa refrescante condução. Que poderemos todos nós neste mundo de agora mesmo, se só contarmos com a nossa tão desencorajada humana condição ?
É pois ainda com esperança que partimos para o Novo Ano que para nós começa agora.
13 novembro 2011
Os talentos e a preguiça
Logo agora que não deve haver nenhum português consciente que não esteja a pôr a si próprio a vontade de resolver o problema"" o capital versus o social, ""todos com a cabeça a latejar pelo extenuante ruido das respectiva demonstrações valorizadoras que nos assediam e pretendem assustar, logo agora, dizia eu, traz-nos a liturgia uma parábola contada por São Mateus cuja "moralidade" é, nem mais, nem menos : a todo aquele que tem dar-se-á de sobejo e àquele que não tem até o que tem lhe será tirado. Ao servo inútil lançai-o às trevas...... aí haverá pranto e ranger de dentes .Uma vez mais me choca a dureza que os evangelistas colocam nas atitudes e nas falas de Jesus . Como diria alguém noutros a-propósitos, este não é o meu Jesus.Contudo foi-me feito entender que o que na verdade é aqui posto em destaque é o quanto somos obrigados a não "adormecer" sobre os talentos que nos foram atribuidos pelo Senhor nosso Deus, como qualidades inatas, capacidades úteis, não as enterrando para não se perderem, como fez o desgraçado da parábola. Entendo, mas fico-me numa atitude de discordãncia quanto ao não se cuidar zelosamente em explicar muito, em profundidade e em extensão, o que a nossa amorosa compreensão de Jesus nos permite colher desta "moralidade", pois com tanto ressentimento à flor da pele como agora a época política está estimulando, torna-se perigosíssima a não compreensão do« pranto e ranger de dentes» daqueles que não souberem fazer render as excelsas qualidades que Deus lhes deu...Será bom que todos os cristãos COMPREENDAM que não é próprio da sua fé ser preguiçoso...
07 novembro 2011
Revisão
01 novembro 2011
1 de Novembro
30 outubro 2011
...nem vos deixeis tratar como doutores...
Estamos habituados a dizer «...como São Tomás, ouve o que ele diz e não faças o que ele faz»
Ora hoje ,São Mateus vem dizer-nos mais ou menos isso a alturas do capítulo 23 do seu Evangelho :«...não procedais segundo as suas obras,pois eles dizem e não fazem.Ligam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles próprios nem com um dedo os querem deslocar... ... ...gostam do primeiro lugar nos banqu etes e dos primeiros assentos nas sinagogas, das saudações nas praças públicas e que os homens os tratem por Mestres...» relatando palavras de Jesus referidas aos fariseus e aos escribas e proferidas num incisivo apelo e conselho de humildade à multidão que o seguia. Ecoam estas palavras pelos infindos espaços de tempo e de lugar! Parecia-me ouvi~las sair da sua boca,hoje mesmo a invectivar todos esses descendentes dos fariseus de então e ,com vergonha ,teci uma oração só a pedir uma antiquíssima luz que ainda possa iluminar toda a opacidade de todos os nossos densos pecados de presunção...
Ora hoje ,São Mateus vem dizer-nos mais ou menos isso a alturas do capítulo 23 do seu Evangelho :«...não procedais segundo as suas obras,pois eles dizem e não fazem.Ligam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles próprios nem com um dedo os querem deslocar... ... ...gostam do primeiro lugar nos banqu etes e dos primeiros assentos nas sinagogas, das saudações nas praças públicas e que os homens os tratem por Mestres...» relatando palavras de Jesus referidas aos fariseus e aos escribas e proferidas num incisivo apelo e conselho de humildade à multidão que o seguia. Ecoam estas palavras pelos infindos espaços de tempo e de lugar! Parecia-me ouvi~las sair da sua boca,hoje mesmo a invectivar todos esses descendentes dos fariseus de então e ,com vergonha ,teci uma oração só a pedir uma antiquíssima luz que ainda possa iluminar toda a opacidade de todos os nossos densos pecados de presunção...
28 outubro 2011
outubro
Foi-se escoando este OUTUBRO, como não me lembro de nenhum outro assim na minha vida. Enganador, disfarçado, surpreendente, traiçoeiro mesmo, ouso dizê-lo... Na minha sede da frescura que o violento verão sempre nos rouba, abri a minha janela matinal do primeiro dia deste outubro e deparei com a minha árvore, a minha rua, envolvidas naquele nevoeiro com que sonho o ano todo!... Oh como Deus é bom, como Ele é meu amigo que logo,logo assim que pôde me mandou o "meu" outubro na forma em que eu nele me delicio e me revejo ! ! ! Mas como me iludi ! Nessa mesma tarde levantou-se o véu... E, a partir daí, houve sol de novo ardente, houve calor destroçante, secura e fogos nas matas, praias onde incautos se deixaram levar sem vigilantes, um arremedo de dureza sobre homens e animais como nunca se esperaria... E os dias a passarem neste tom até que, quase no MEU dia, desabaram chuvadas súbitas a porem o povo agredido, sem telhados, sem mobílias,tudo levado por ventanias uivantes, sem ninguém entender o como e o porquê do que se estava a passar... Oh meu Deus como há-de o Homem pôr-se de acordo com um Mundo sem as doçuras do meu velho OUTUBRO ? Foi então que se abriu uma cortina a tapar toda a meteorológica confusão e decepção e ,oh meu Deus,toda a ternura de que é capaz o coração dos Homens teceu para mim um carinhoso casulo rodeando-me, envolvendo-me e fazendo pelas suas acções para comigo com que eu já não soubesse mais sequer pensar no meu fofo manto de nevoeiros ideais ! ! ! Que grande Graça ,que decerto nunca mereci, é ter AMIGOS!!!Oh meu Deus, que belo OUTUBRO!
25 outubro 2011
25 de outubro de 1147
Porque será que os bairristas fanáticos do Porto teimam em chamar MOUROS á gente de LISBOA, se os lembrados ( ou não?) mouros foram corridos da Lisboa que queriam para si, precisamente nesta data que ficou na História e até em lendas... Quem não sabe a do MARTIM MONIZ ?
22 outubro 2011
Leitura da imprensa
Está a ser cada dia mais difícil, mais dura, direi mesmo mais dolorosa, a leitura da imprensa diária de que ainda não desisti ´malgré aquele fascínio pelos noticiários televisivos ou mesmo de rádio. Culpa da minha queridíssima professora que está prestes a festejar os seus 93 anos límpidos nos seus raciocínios, memórias e projectos( ! ! !)... Culpa dela, dizia eu, porque ,professora de português, história e geografia em simultãneo no colégio de meninos e meninas que frequentei logo que saí da 4ª classe da chamada Instrução Primária,ela exigia que nos habtuássemos a ler os jornais dos nossos pais, pelo menos uma vez por semana e depois soubéssemos "contar" o que tínhamos lido... Isto, por cerca da época da Guerra de Espanha.
Adquirem- se hábitos, assim . Mas com o que se cresce, o que se vive, com o que tudo se vai formando e desformando , ler os jornais hoje é muito diferente de então. Acontece que agora me está ficando em cada dia uma sensação de boca seca, de garganta apertada e aquela insegurança de não ter a certeza de coisa nenhuma, pelo diz e contradiz quanta vez em duas páginas seguidas... Como poderia eu fazer agora um relato do que li à minha antiga professora para ela fazer dali uma aula ? ... É mesmo aí que está o mérito do "nosso tempo" dir-me -ão :a liberdade da imprensa. E lembro-me de Fernão Lopes e o seu escrúpulo...
Mas todo este "discorrer", porque hoje no meu jornal surgiu algo que adoçou a minha boca (às vezes há horas felizes, como na lotaria). Páginas ou separatas culturais todos eles acham que têm e ao lê-las as sensações não se descrevem facil ou desapaixonadamente. É uma outra história... O meu jornal , ao sábado, insere e assim lança alguns novos poetas, sem barulhos, sem alardes, sem pretensões, e eu gosto deste jeito simples de se nos oferecer...E precisamente estou aqui a chamar a nova poetisa ao convívio dos meus leitores, porque me caíu tão bem lê-la no meio de tanta"desgraceira" que me sufoca. Ora leiam :
LAPINHA -PARA LORENA
Às 21h25a ilha fecha~
o último pássaro metálico
deixando para trás os portões
encerrados das lagoas.
É um tempo de aranhas
esquecidas das teias, aves
suspensas no voo,amigos
que invocam em silêncio as estações
e recrdam ainda a Criação,
camada por camada.
Sobre os homens desce então
uma redoma de nuvens,que a estrela
única vem selar.Cada um risca
as fronteiras do sonho com as sebes
de hortênsias ou muros de basalto,
esperando depois que as três
voltas do milhafre não o surpreendam
entre as espigas altas do mundo.
E o medo torna-se subitamente
navegável, mar de minúsculas
e carnudas conchas estendido
a nossos pés, para que possamos
sempre caminhar sobre
as águas.
INÊS DIAS DO JORNAL PÚBLICO
Adquirem- se hábitos, assim . Mas com o que se cresce, o que se vive, com o que tudo se vai formando e desformando , ler os jornais hoje é muito diferente de então. Acontece que agora me está ficando em cada dia uma sensação de boca seca, de garganta apertada e aquela insegurança de não ter a certeza de coisa nenhuma, pelo diz e contradiz quanta vez em duas páginas seguidas... Como poderia eu fazer agora um relato do que li à minha antiga professora para ela fazer dali uma aula ? ... É mesmo aí que está o mérito do "nosso tempo" dir-me -ão :a liberdade da imprensa. E lembro-me de Fernão Lopes e o seu escrúpulo...
Mas todo este "discorrer", porque hoje no meu jornal surgiu algo que adoçou a minha boca (às vezes há horas felizes, como na lotaria). Páginas ou separatas culturais todos eles acham que têm e ao lê-las as sensações não se descrevem facil ou desapaixonadamente. É uma outra história... O meu jornal , ao sábado, insere e assim lança alguns novos poetas, sem barulhos, sem alardes, sem pretensões, e eu gosto deste jeito simples de se nos oferecer...E precisamente estou aqui a chamar a nova poetisa ao convívio dos meus leitores, porque me caíu tão bem lê-la no meio de tanta"desgraceira" que me sufoca. Ora leiam :
LAPINHA -PARA LORENA
Às 21h25a ilha fecha~
o último pássaro metálico
deixando para trás os portões
encerrados das lagoas.
É um tempo de aranhas
esquecidas das teias, aves
suspensas no voo,amigos
que invocam em silêncio as estações
e recrdam ainda a Criação,
camada por camada.
Sobre os homens desce então
uma redoma de nuvens,que a estrela
única vem selar.Cada um risca
as fronteiras do sonho com as sebes
de hortênsias ou muros de basalto,
esperando depois que as três
voltas do milhafre não o surpreendam
entre as espigas altas do mundo.
E o medo torna-se subitamente
navegável, mar de minúsculas
e carnudas conchas estendido
a nossos pés, para que possamos
sempre caminhar sobre
as águas.
INÊS DIAS DO JORNAL PÚBLICO
15 outubro 2011
António Lobo Antunes
Em 1980 conheci António Lobo Antunes. Não sei se foi coincidente com a sua estreia, mas dele dizia João de Melo em 1979 « emerge num repente... ... a firme crença nos valores sensíveis da amizade, a paredes meias com outros seres sem destino certo à sua volta. ... dá-nos de estreia um dos romances mais importantes desta escrita entre nós ainda escassa do após-abril e da liberdade criadora que daí para cá se perspectivou »Era isto a propósito do Memória de elefante.Ponto de partida para a minha admiração pelo autor, de tal forma confirmada com posteriores leituras que muito me ouviram os amigos protestar pela nunca atribuição do Nobel a ele no lugar de outros...
E fomos vivendo.Tanta, tanta coisa foi acontecendo e nos surpreendendo !... Quanta vez fui à minha estante tirar o Memória de elefante só para reler, a propósito de coisas acontecidas, aquela frase com que Lobo Antunes "apadrinha" o livro e que é da sabedoria do DÉDÉ quando foge da cadeia «Há sempre uma abébia para dar o frosque, por isso aguentem-se à bronca »...A nossa forma de sermos os seres sociais dos anos 80 levou impulsos que nos arrastaram por onde nunca pensáramos ir. Mas provavelmente não nos "educámos" para uma outra era.. Todos temos algo de DÉDÉ..E algumas décadas de vida ajudam muito a arranjarmos a nossa pópria maneira de nos "aguentarmos à bronca". Lobo Antunes foi ontem entrevistado pela TV nos a-propósitos que a estação arranja e consegue.E o que vimos e ouvimos foi talvez um dos melhores e mais trabalhados personagens que o autor alguma vez construiu. Do homem polido pela vida, desapareceu a essência pura e ficou uma elaboradíssima construção, entre o "blasé" e o humilde- superior ou superior-humilde que fiquei a pensar talvez sejam a abébia para ele dar o frosque...Aquela sua cabeça é bem capaz de imaginar isto...
E fomos vivendo.Tanta, tanta coisa foi acontecendo e nos surpreendendo !... Quanta vez fui à minha estante tirar o Memória de elefante só para reler, a propósito de coisas acontecidas, aquela frase com que Lobo Antunes "apadrinha" o livro e que é da sabedoria do DÉDÉ quando foge da cadeia «Há sempre uma abébia para dar o frosque, por isso aguentem-se à bronca »...A nossa forma de sermos os seres sociais dos anos 80 levou impulsos que nos arrastaram por onde nunca pensáramos ir. Mas provavelmente não nos "educámos" para uma outra era.. Todos temos algo de DÉDÉ..E algumas décadas de vida ajudam muito a arranjarmos a nossa pópria maneira de nos "aguentarmos à bronca". Lobo Antunes foi ontem entrevistado pela TV nos a-propósitos que a estação arranja e consegue.E o que vimos e ouvimos foi talvez um dos melhores e mais trabalhados personagens que o autor alguma vez construiu. Do homem polido pela vida, desapareceu a essência pura e ficou uma elaboradíssima construção, entre o "blasé" e o humilde- superior ou superior-humilde que fiquei a pensar talvez sejam a abébia para ele dar o frosque...Aquela sua cabeça é bem capaz de imaginar isto...
09 outubro 2011
Metáforas
As metáforas desconcertantes da liturgia de hoje : Deus põe à nossa disposição um maravilhoso banquete do tipo banquete nupcial para tomar parte no qual apenas nos é exigido um traje adequado à festa, e nós, criaturas ocas e inconscientes inventamos razões e pretextos para não aceitar o convite... E então ?...
Os meus alunos de Português, já no 8º ano se entendem bastante bem com a desconstrução de metáforas...
Os meus alunos de Português, já no 8º ano se entendem bastante bem com a desconstrução de metáforas...
05 outubro 2011
Toda a doçura de um amor que ama..

De como me sinto roubada, enganada, agredida, com este ,único em minha vida ,início do MEU mês de Outubro com todas as fogueiras do universo a vomitarem labaredas para cima de nós, é a única conversa que actualmente consigo desenvolver... Todas as doçuras calmantes de todos os desesperos do Verão que o Outubro me costuma oferecer me foram este ano violentamente arrebatadas e suspeito de que em jeito de penitência prévia... Por isso rebusquei até agora em todos os "dias de..." na febre de encontrar premonições suaves ou consolaçõees tranquilizantes. E não é que encontrei na net em dia de São Francisco e dos seus "irmãos lobos, pássaros e todos mais" esta espantosa expressão de doçura e encantamento que aqui quero deixar...? E que eu invejo não poder também arvorar...
01 outubro 2011
Dia da Música
Deixo entrar pela casa
a grande música.
Bach, Orff, Vivaldi ,
Beethoven e Rodrigo
Dvorak ou Falla...
E Tchaikovsky !...
E Grieg !...
Entram em catadupas,
são cascatas
e despenham-se
e enrolam-se em espirais
como tornados !
Envolvem
e revolvem,
como um alagamento
ou uma convulsão...
Quando,subitamente,
se desdobram e espraiam,
e toda a cachoeira se desfaz,
são, borbulhando em espuma,
um mar manso e aberto
um remanso de rias
ou represas
ou lagos...
E o que fica no ar
é parecido co'a paz
que vem depois
dos prazeres saciados...
Do meu livro Sinestesias
a grande música.
Bach, Orff, Vivaldi ,
Beethoven e Rodrigo
Dvorak ou Falla...
E Tchaikovsky !...
E Grieg !...
Entram em catadupas,
são cascatas
e despenham-se
e enrolam-se em espirais
como tornados !
Envolvem
e revolvem,
como um alagamento
ou uma convulsão...
Quando,subitamente,
se desdobram e espraiam,
e toda a cachoeira se desfaz,
são, borbulhando em espuma,
um mar manso e aberto
um remanso de rias
ou represas
ou lagos...
E o que fica no ar
é parecido co'a paz
que vem depois
dos prazeres saciados...
Do meu livro Sinestesias
25 setembro 2011
...às vezes, só orando !
SALMO 24
Fazei- me, Senhor conhecer os vossos mandamentos´
ensinai-me os vossos caminhos
dirigi-me na vossa verdade.
Vós sois o meu Deus e salvador,
eu vos espero.
Recordai, Senhor, a vossa ternura
e a vossa bondade que são eternas.
Não vos lembreis dos meus pecados,
do mal da minha juventude.
Recordai-vos de mim com misericórdia
porque vós sois bom.
Sois bom, Senhor, e justo,
reconduzi ao caminho os pecadores,
orientai os humildes na justiça
e ensinai aos pobres o caminho a seguir...
ensinai-me os vossos caminhos
dirigi-me na vossa verdade.
Vós sois o meu Deus e salvador,
eu vos espero.
Recordai, Senhor, a vossa ternura
e a vossa bondade que são eternas.
Não vos lembreis dos meus pecados,
do mal da minha juventude.
Recordai-vos de mim com misericórdia
porque vós sois bom.
Sois bom, Senhor, e justo,
reconduzi ao caminho os pecadores,
orientai os humildes na justiça
e ensinai aos pobres o caminho a seguir...
Palavras da liturgia de hoje, as mesmas que andaram nos meus cuidados e nas minhas orações de toda esta semana tão densa de cuidados...
17 setembro 2011
Fonte de vida
Éramos todos jovens, a começar vidas de gente crescida. O meu marido e o meu cunhado tinham nos genes os sonhos de voar e com eles modularam as suas vidas. A minha cunhada e eu éramos meninas cultas, eu pela Universidade, ela por algumas "mademoiselles" e "frauleins" que lhe deram para completar o que aprendera nas "freiras". Vestíamos bem, "recebíamos" bem, fizeramos cursos de culinária especiais e também de Decoração Floral. Tinhamos casas bonitas e, cada uma, suas amizades e as dos nossos maridos. A minha cunhada foi mãe e foi sendo uma alegria para a qual eu não estava destinada. Quando nasceram os gémeos, eram uns bébés grandes, loiros e carequinhas e já vieram encontrar duas manas. Nunca vi uma barriga de grávida tão grande como a que gerara os gémeos! Pois se eles eram enormes e perfeitos... E mais tarde ainda veio outra mana... E cresceram e a Vida foi vida... Houve casamentos, houve diferentes acontecimentos e os rapazes lá foram chamados para a Guerra que era daquele tempo, em África. Um deles nunca chegou a ir.Teve um brutal acidente de moto nas vésperas da partida e seguiram-se três meses em coma profundo com a Mãe à cabeceira. Com a Mãe à cabeceira, houve viagens, houve peregrinações (Lourdes e a sua piscina !), houve toda a espécie
de tratamentos possíveis na época. Um dia a Mãe deu conta de que havia um dedo de um dos pés que mexia... Pronto ! Veio o renascer... E uma fé inabalável deu forças a toda a família para acreditar. Foi possível, sim, uma nova vida. Com tantos cuidados, medos, paciências, desculpas e perdões, mas houve de novo um par de gémeos ,que a vida tornara agora tão diferentes, mas em que sempre o mais forte procurou proteger o outro... Meio século de vida. De novo o transporte veloz que pode matar... Uma ravina, umsalto para a morte ! ! ! A MÃE... Dolorosa fonte de Vida... E a Vida que nós vivemos, como começou radiosa, promissora, fútil... Como imaginar, então, que "isto" ia ter que ser assim ?...
de tratamentos possíveis na época. Um dia a Mãe deu conta de que havia um dedo de um dos pés que mexia... Pronto ! Veio o renascer... E uma fé inabalável deu forças a toda a família para acreditar. Foi possível, sim, uma nova vida. Com tantos cuidados, medos, paciências, desculpas e perdões, mas houve de novo um par de gémeos ,que a vida tornara agora tão diferentes, mas em que sempre o mais forte procurou proteger o outro... Meio século de vida. De novo o transporte veloz que pode matar... Uma ravina, umsalto para a morte ! ! ! A MÃE... Dolorosa fonte de Vida... E a Vida que nós vivemos, como começou radiosa, promissora, fútil... Como imaginar, então, que "isto" ia ter que ser assim ?...
11 setembro 2011
11de Setembro
Pois é ! Fui ver.
Faz hoje um ano, neste meu modestíssimo repositório de pensamentos que se chama blog, havia umas lindíssimas fotos que obtive a tentar guardar para mim, como é costume, uma paisagem adorável da Quinta dasTorres em Azeitão,tomadas numa tarde setembrina como este ano, por enquanto, ainda não houve nenhuma. E,quase colado a esse post, lá está aquele que foi escrito já noutro mundo, num mundo virado do avesso, ali mesmo, juntinho àquele em que eu gostava de poder sempre viver... Dera-se há tanto ano aquele inacreditável 11 de Setembro e ainda nos fazia tanta dor !!! E ainda nos vai doendo este ano e eu creio que vai ficar assim esta chaga sem cura, para um sempre que não somos capazes de tirar das nossas vidas... Estranho,não é ? Nem tenho americanos como amigos especiais, nem deles conheço mais que o que me tem mostrado o cinema e a literatura, regozijei-me com o advento do Obama e com o regresso a Portugal de uma pseudo-prima que pelas Américas se fez gente e gira mesmo...Mas o que me dói vai mais fundo e não tem nacionalidade... Como somos realmente nós HOMENS ? capazes de quê, de quanto ? É tudo ódio cá dentro de nós ? E este MUNDO lindo que por aí está á nossa disposição, que faremos com ele de degrau em degrau até um último que poderemos encontrar sem esperar, sem nunca podermos acreditar se será ou não possível parar ? ...
Faz hoje um ano, neste meu modestíssimo repositório de pensamentos que se chama blog, havia umas lindíssimas fotos que obtive a tentar guardar para mim, como é costume, uma paisagem adorável da Quinta dasTorres em Azeitão,tomadas numa tarde setembrina como este ano, por enquanto, ainda não houve nenhuma. E,quase colado a esse post, lá está aquele que foi escrito já noutro mundo, num mundo virado do avesso, ali mesmo, juntinho àquele em que eu gostava de poder sempre viver... Dera-se há tanto ano aquele inacreditável 11 de Setembro e ainda nos fazia tanta dor !!! E ainda nos vai doendo este ano e eu creio que vai ficar assim esta chaga sem cura, para um sempre que não somos capazes de tirar das nossas vidas... Estranho,não é ? Nem tenho americanos como amigos especiais, nem deles conheço mais que o que me tem mostrado o cinema e a literatura, regozijei-me com o advento do Obama e com o regresso a Portugal de uma pseudo-prima que pelas Américas se fez gente e gira mesmo...Mas o que me dói vai mais fundo e não tem nacionalidade... Como somos realmente nós HOMENS ? capazes de quê, de quanto ? É tudo ódio cá dentro de nós ? E este MUNDO lindo que por aí está á nossa disposição, que faremos com ele de degrau em degrau até um último que poderemos encontrar sem esperar, sem nunca podermos acreditar se será ou não possível parar ? ...
02 setembro 2011
ma "chanson" de Septembre
VERS UN SEPTEMBRE
GRIS
QUE PERSONNE N'ATTENDAIT
OUVRE GRAND LES VOLETS.
LAISSE, LAISSE
GLISSER
TON REGARD FATIGUÉ
DES EXCÈS
DE LUMIÈRE
ET DE TOUS LES EXCÈS-
SI TON REGARD SE BRISE
CONTRE UN NUAGE ÉPAIS,
LA DOUCEUR DE LA PLUIE
DONT TON ÂME AVAIT SOIF
LAISSE-LA T'EMBRASSER.
QUE TON ÂME
ET TON CORPS
TOUS LES DEUX ILS SE GRISENT...
GRIS
QUE PERSONNE N'ATTENDAIT
OUVRE GRAND LES VOLETS.
LAISSE, LAISSE
GLISSER
TON REGARD FATIGUÉ
DES EXCÈS
DE LUMIÈRE
ET DE TOUS LES EXCÈS-
SI TON REGARD SE BRISE
CONTRE UN NUAGE ÉPAIS,
LA DOUCEUR DE LA PLUIE
DONT TON ÂME AVAIT SOIF
LAISSE-LA T'EMBRASSER.
QUE TON ÂME
ET TON CORPS
TOUS LES DEUX ILS SE GRISENT...
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