Seria já uma obrigação, se não fosse uma coisa tão prazeirosa ( a tentar escrever a palavra brasileira, será assim ? ), isto de nos fornecermos de leitura para férias. Às vezes aproveitamos o lazer para conhecer novos autores, outras vezes pomos "em dia" o que os autores conhecidos foram publicando e pode também acontecer termos vontade de reler algo que há muito ficou lá entalado na estante, a amarelecer, a descolorir-se na lombada e apenas a recordar-nos um prazer que tivéramos há muito... Nestas férias, porém, eu decidi- me por uma qualidade mais do livro que do autor, como critério de escolha. A propósito, quero recordar aquela história que se conta como anedota de novos-ricos pretendendo a ilustrados e que passou de verdade com alguns pormenores bem ridículos, por um marceneiro que fez alguns trabalhos para mim.Alguém precisa de ornamentar o novo escritório ou a nova biblioteca da novíssima casa vai à livraria comprar certinhos n metros de livros, exactamente quanto medem as prateleiras das estantes que acaba de adquirir; o meu marceneiro teve que fazer uns ajustes nas estantes novas daquele seu cliente. Pois bem : a minha escolha da leitura de férias não foi pelos metros, mas pelos gramas. Procurei dos livros que queria reler por motivos muito variados, os mais pequeninos e mais leves, que não sobrecarregassem a minha bagagem. Devo dizer que tenho uma pequena paixão por livros pequenos, pequeninos, mesmo.Seria despropositado contar aqui as edições pequenas de grandes livros que tenho adquirido, quando as encontro.
Curiosamente, não sendo assim por serem edições especiais, encontram-se maravilhosas edições pequenas de traduções francesas de poetas japoneses. Mas deixando mais ou menos clara a razão do meu critério de escolha das leituras de verão, reli : um pequeno PAPALAGUI, que adoro,um obcessivo Desprezo de MORAVIA, um divertido Marmequer de MIA COUTO, as apaixonantes Nourritures Terrestres deANDRÉ GIDE, um colectivo curioso de primeiros autores de e sobre a CIDADE DE BRAGA , e dois encantadores japoneses Primeira Neve de ISSA KOBAYASHI e uma Anthologie de la Poésie Japonaise Classique. Todos juntos, os meus escolhidos,não deveriam ter ultrapassado o peso de um quilo. Não os pesei, claro está. Mas( usando agora um banalíssimo lugar comum) o que deles ficou de ensinamentos, de constatações, de "material" que vai ajudar-me a reencarar o MUNDO, pesa pelo menos tanto quanto a minha imensa necessidade de o fazer talvez de uma nova maneira...
20 agosto 2010
11 agosto 2010
Férias de fogo
Aconteceram pois uns dias de férias. Se chamarmos sempre férias a uma interrupção temporal e local ou geográfica das nossas vivências habituais... Muda-se de terra, de casa, de horas, de comidas,de ocupações, de companhias, e com este mudar dizemos que fizemos férias. Até agora, eu nunca me tinha lembrado de que há efectivamente a possibilidade de surgirem factores intervenientes que podem corromper totalmente a realização das expectativas que nor malmente adicionamos àquelas perspectivas de mudança,tais como respirar ar novo, dormir sonos repousantes, distender os nervos mais ou menos crispados pelas contrariedadesinhas do dia-a-dia comum, sentir a liberdade, soltar-se, enfim... Pois é. Pois foi ! Veio o tórrido calor dos 40 graus, noite e dia, veio o obcecante odor a madeiras queimadas, veio a total e absoluta ausência de brisas matinais ou noturnas, veio o acinzentado dos verdes circundantes e o abaixamento nunca visto da água do lago à nossa frente... E a nossa roupa a mudar mais de uma vez por dia, por encharcada de suor, e a nossa preocupação pela ingestão de água e a não exposição ao que chamáramos antes ar livre ... Bom, só bom, as noites de veludo, convidando a dormir na relva, no chão...
Parece-me que era a informação que me faltava sobre a minha situação de velha senhora e senhora velha : não tendo trazido de nova o hábito de me despir e banhar em mar, rio ou piscina, não me é possível agora atenuar o sofrimento do calor, passando as piores horas, quase despida e a entrar na piscina a cada momento. Isso o faziam os meus amigos com quem estava e para eles eu percebi que toda aquela agressão da Natureza era bastante mais suportável.
Regressada ao conforto do ar condicionado da minha casa, aqui estou resistindo a esta infernal canícula com que este Verão nos tem presenteado. Lisboa está seca e poeirenta, mas mesmo assim pode ajudar-nos melhor do que esse martirizado país interior que tiranizou as minhas férias...
Parece-me que era a informação que me faltava sobre a minha situação de velha senhora e senhora velha : não tendo trazido de nova o hábito de me despir e banhar em mar, rio ou piscina, não me é possível agora atenuar o sofrimento do calor, passando as piores horas, quase despida e a entrar na piscina a cada momento. Isso o faziam os meus amigos com quem estava e para eles eu percebi que toda aquela agressão da Natureza era bastante mais suportável.
Regressada ao conforto do ar condicionado da minha casa, aqui estou resistindo a esta infernal canícula com que este Verão nos tem presenteado. Lisboa está seca e poeirenta, mas mesmo assim pode ajudar-nos melhor do que esse martirizado país interior que tiranizou as minhas férias...
18 julho 2010
Receber a visita do Senhor
«Marta, Marta, andas inquieta e agitada com muitas coisas, quando uma só é necessária»( São Lucas 10,38.42).
Quando se faz uma ferida ou uma queimadura, corre-se a põr-lhe por cima uma pomada, um líquido, um bálsamo, na busca do alívio, da cura rápida, e normalmente obtem-se um bom resultado. Pois, sem correr e apenas no cumprimento da minha natural devoção de ouvir a missa dominical que a televisão nos proporciona às dez da manhã de cada domingo,foi hoje essa missa o bálsamo sobre uma grande ferida de cansaço, talvez, de enervamento doentio, de mal- estar geral, de medo, o grande medo que me invade sem escrúpulos quando sinto inseguranças físicas ou morais, todo um misto negativo que me cercou e envolveu no dia de ontem... Não sabia que a liturgia de hoje era, desde Abraão, todo um relato de como "receber" JESUS em nossa casa. O "RECEBER" social cujas regras nós trazemos como parte do nosso enxoval, quando montamos casa nossa, põe quase sempre as donas de casa no papel da MARTA do nosso Evangelho: inquietas e agitadas. E vemos que Jesus não o condena( lembremos só como ELE entendeu recompensar Abraão) Só que toda a inquietação pelas coisas materiais, sejam elas quais sejam, não pode, não deve, prescindir da espiritualidade que lhe é inerente mas nós esquecemos demais...Acção e contemplação para receber Jesus será a receita para toda a nossa vida com ELE e a partir dos seus ensinamentos... E também bálsamo eficaz se usado na devida proporcionalidade dos seus ingredientes.
Quando se faz uma ferida ou uma queimadura, corre-se a põr-lhe por cima uma pomada, um líquido, um bálsamo, na busca do alívio, da cura rápida, e normalmente obtem-se um bom resultado. Pois, sem correr e apenas no cumprimento da minha natural devoção de ouvir a missa dominical que a televisão nos proporciona às dez da manhã de cada domingo,foi hoje essa missa o bálsamo sobre uma grande ferida de cansaço, talvez, de enervamento doentio, de mal- estar geral, de medo, o grande medo que me invade sem escrúpulos quando sinto inseguranças físicas ou morais, todo um misto negativo que me cercou e envolveu no dia de ontem... Não sabia que a liturgia de hoje era, desde Abraão, todo um relato de como "receber" JESUS em nossa casa. O "RECEBER" social cujas regras nós trazemos como parte do nosso enxoval, quando montamos casa nossa, põe quase sempre as donas de casa no papel da MARTA do nosso Evangelho: inquietas e agitadas. E vemos que Jesus não o condena( lembremos só como ELE entendeu recompensar Abraão) Só que toda a inquietação pelas coisas materiais, sejam elas quais sejam, não pode, não deve, prescindir da espiritualidade que lhe é inerente mas nós esquecemos demais...Acção e contemplação para receber Jesus será a receita para toda a nossa vida com ELE e a partir dos seus ensinamentos... E também bálsamo eficaz se usado na devida proporcionalidade dos seus ingredientes.
14 julho 2010
Espanta-espíritos
Chegada e ultrapassada que foi a época de exames, a minha casa voltou à sua imobilidade natural ao seu persistente ar de casa cheia de espíritos que cohabitam comigo, colados às paredes e`as coisas e se encontram comigo a horas certas. Há os da manhã lusco-fusco, há os das quatro da tarde e há os de l'heure du loup que me mordem a alma e os da hora de deitar que me fazem sentir confortável... É esta a minha realidade a que já me habituei, mas que se agudiza até ferir nos fins de semana. Os sempre receados, temidos, fins de semana ! Vencê-los sucessivamente ( e depois estão sempre a acontecer, a repetir-se iguais, monocórdicamente ) é uma das grandes empresas da minha vida. Espero-os, adivinho-os, pressinto-os, desde a segunda-feira...É já quase uma fixação e por percebê-lo, tento "armar-me" para o novo encontro... Bem ,espero que as minhas férias me libertem. Isto é agora mais nítido para mim, porque, mais velha, estou mais cansada, e não tenho agora a "valentia" dos meus cinquenta anos, e estou por tudo isso mais carente, mas sempre olhando de frente para a vida. Ponho-me a escrever e as horas voam...
Por causa desses "voos" não tenho vindo dizer em posts as minhas alegrias com as boas notas dos meus meninos( houve mesmo 18s !), nem o meu neo-nato gosto pelo foot-ball / campeonato do Mundo, nem alguns almoços sociais em casas e locais frescos e bonitos com gente bonita que gosta de mim... Tudo porque estou a ESCREVER,mesmo. Elogiaram-me tanto o VIVER, que me entusiasmei . É o meu espanta-espíritos...Irei de férias limpinha dessa névoa que a solidão andou enredando à minha volta !
Por causa desses "voos" não tenho vindo dizer em posts as minhas alegrias com as boas notas dos meus meninos( houve mesmo 18s !), nem o meu neo-nato gosto pelo foot-ball / campeonato do Mundo, nem alguns almoços sociais em casas e locais frescos e bonitos com gente bonita que gosta de mim... Tudo porque estou a ESCREVER,mesmo. Elogiaram-me tanto o VIVER, que me entusiasmei . É o meu espanta-espíritos...Irei de férias limpinha dessa névoa que a solidão andou enredando à minha volta !
06 julho 2010
Matilde Rosa Araújo


Matilde: Hoje tem estado a passar tudo pela minha memória, sem dor, só com uma sensação de sem retorno, de vazio maior, sempre maior, na ressaca da notícia da tua partida, pela madrugada. Tudo. Os risos incontroláveis nas aulas onde o riso só cabia para nós, as lágrimas naquele canto do corredor, depois de uma nota imerecida, os teus à-partes sussurrados, os meus bilhetinhos trocistas só para te tirar"do sério"... E depois, os nossos penteados, as tuas golas de rendinhas brancas, o meu casacão de avesso aos quadrados... E os nossos desafios... Até nos zangámos, dois dias, por causa de um trabalho de latim... Lembrou-me a " REVISTA" que levámos à cena no Parque Mayer, no final do curso e cujos textos e poemas e letras a-brincar-com- tudo-nosso, para músicas em voga, foram na maior parte trabalho nosso, Matilde . E tu já só gostavas de escrever históriasinhas para ou de meninos... Foi tabém aquele ritual das FITAS... Tenho aqui a minha pasta, com tudo o que me escreveram já muito desaparecido. Mas o teu voto ainda o lemos bem :A tua simplicidade de menina-boa e a tua inteligência tão humana de Mulher,farão a tua felicidade longe das coisas pequenas mas construida com elas.Sou tua amiga para sempre MATILDE. Não me lembro como retribuí estas palavras na tua fita, mas se acaso não expliquei bem o quanto te estimava e apreciava o local em que me colocavas entre Menina e Mulher, acho que hoje, a esta hora já o saberás, lá onde se sabe realmente o que é «ser amiga para sempre». Até lá, amiga !
04 julho 2010
Sem armas nem bagagens
Jesus envia 72 discípulos-prégadores-missionários- embaixadores- delegados, cordeiros para o meio de lobos, segundo mais uma das suas metáforas... Seriam talvez trinta e tal cidades ou lugares, ou províncias a visitar, porque deviam ir dois a dois, suponho que para se ampararem mutuamente, porque, de resto, nada podiam levar que os amparasse : nem cajados, nem sacas, nem sandálias... A única arma que poderiam usar era uma palavra-chave : PAZ. E muitas recomendações sobre comportamento social, previstas que estavam várias hipóteses das maneiras como poderiam ser recebidos. Reaparece nestas previsões aquela ideia do pó que pode colar-se aos pés ou aos sapatos de quem vem e que deve ser sacudido ostensivamente se foi agreste a recepção feita aos visitantes. Foi com um sorriso mesmo divertido que pela primeira vez ouvi este conselho de Jesus. Pareceu-me uma ironia muito fina e algo até trocista. Mas pensando agora mais fundo...
Enfim,« dou-vos a minha Paz» era uma efectiva vontade de Jesus, mas tão difícil de fazê-la ser aceite ! Porque não compreendida.
Aí deveríamos nós hoje deixar sacos e sandálias e partir armados de PAZ...todos para todos, com ou sem pó nos sapatos... Sabemos que vai havendo cada vez mais entusiasmados jovens voluntários que partem com as suas grandes bagagens de ensino de Deus,mas, na verdade, é impossível de medir o que, de então para cá, a SEARA cresceu !
Enfim,« dou-vos a minha Paz» era uma efectiva vontade de Jesus, mas tão difícil de fazê-la ser aceite ! Porque não compreendida.
Aí deveríamos nós hoje deixar sacos e sandálias e partir armados de PAZ...todos para todos, com ou sem pó nos sapatos... Sabemos que vai havendo cada vez mais entusiasmados jovens voluntários que partem com as suas grandes bagagens de ensino de Deus,mas, na verdade, é impossível de medir o que, de então para cá, a SEARA cresceu !
29 junho 2010
Centésimo décimo aniversário

No mesmo ano em que nasceu o meu Pai, nasceu, um mês depois, o homem a quem não me repugnaria chamar o terceiro Homem da minha vida. Antoine de Saint-Exupéry. Como para mim um e outro se vão da lei da morte libertando, fosse isso possível e eu organizaria uma enorme festa para celebrar o centésimo décimo aniversário do nascimento destes homens aos quais fiquei devendo o núcleo da minha personalidade, da minha capacidade de viver amando, da minha filosofia existir esperando.
27 junho 2010
Exigência
Algumas ausências nas minhas considerações de domingo não significam senão falta de tempo e nunca falta de missa. Agora é tempo de férias. Tenho uma amiga que anda em plena ultimação da sua tese de doutoramento e quase desapareceu do seu blog, mas escreveu nele a frase «outras escritas» o que eu achei uma excelente justificação/explicação. Acontece que também eu ando noutras escritas, não de doutoramento, mas trabalhosas. E só tenho que pedir a Deus que me vá ajudando, permitindo que eu faça um bom uso desta liberdade que me é oferecida pelas férias e de que tanto se ocupa São Paulo hoje, na sua Carta aos Gálatas. Não passa sequer pela minha cabeça entrar no grupo daqueles de que São Paulo diz « se vos mordeis e devorais mutuamente, tomai cuidado em não vos destruirdes uns aos outros». Esta é, está sendo infelizmente, uma realidade dos nossos dias, mas há para nós a escolha de nos deixarmos«conduzir pelo espírito» e é certamente por aí que iremos. Mesmo que nos venha a acontecer como São Lucas nos conta neste Evangelho que aconteceu a Jesus: ser rejeitados. Como aí vemos, não só os Samaritanos o não quiseram receber, como outros a quem Jesus convidava para companheiros, se mostraram tão renitentes a deixar as suas rotinas, os seus hábitos, que Jesus não pôde contar com eles. Pensei aqui muito na sempre latente discussão sobre o celibato dos padres...«Quem tiver deitado as mãos à charrua e olhar para trás não serve para o Reino de Deus» são as palavras atribuidas a Jesus então. E guardei da liturgia de hoje uma tensão de exigência que vai acompanhar-me muito tempo.
22 junho 2010
Cansaço
Entre os feriados, exames e respectivas exigências de alteração de horários, adaptações de boa-vontade, ora para ajudar os alunos no seu último forcing antes das provas, ora para me ajudar a mim própria a aliviar o cansaço que estes abanões na rotina já me vão causando, a minha disponibilidade para vir encarar-me no blog, secou. E até para vir pôr em letra redonda o meu carinho pelo meu Santo António, no dia de festejá-lo, tive que ficar-me por lhe erguer um simulacro dos antigos tronos, o mais ingénuo e kitsch que consegui arranjar, procurando não ser confundida com o folclore de lantejoulas e cetins com que me parece quase o desvirtuam por aí... Foi assim que, de cansaço em alívio e de alívio em cansaço, passaram todos os dias até àquele em que,à hora de almoçar, nos vieram anunciar a morte de José Saramago. Claro que me chocou imenso. Sabia que ele estava debilitadíssimo. E a minha cabeça estava repleta do "como ele pensava" do "onde ele queria chegar " do seu conhecimento dos Mundos, da sua agressividade ainda defensiva... porque o Memorial do Convento estava há semanas mais presente na minha obrigação/devoção de o transmitir incólume aos alunos, do que quase o meu velhinho livro de orações... Quando tive mais espaço mental, fui rever o que duas das suas
"aparições" na TV, em momentos algo contundentes, me tinham levado a registar neste blog.
Curioso que esses posts, ambos revelam que esse grande Nobel, me inspirou piedade...
Acho que Deus sempre soube porquê.
Então agora retomo funções de férias. Estou de novo a tentar escrever. Consegui atender ao telefone uma amiga, sem lhe dizer que tenho pressa. E hoje, sósinha na minha cozinha, como nos tempos de muito antigamente, fiz compota de alperce, a minha preferida...
Do tumulto que nos chega de fora po causa do foot-ball mundial,já duas ou três vezes estive a
deixar-me envolver, sempre naquele intuito de observar como o Homem pode ser generoso e dar-se por causas, todo corpo e também alma...Ponto é que creia...
"aparições" na TV, em momentos algo contundentes, me tinham levado a registar neste blog.
Curioso que esses posts, ambos revelam que esse grande Nobel, me inspirou piedade...
Acho que Deus sempre soube porquê.
Então agora retomo funções de férias. Estou de novo a tentar escrever. Consegui atender ao telefone uma amiga, sem lhe dizer que tenho pressa. E hoje, sósinha na minha cozinha, como nos tempos de muito antigamente, fiz compota de alperce, a minha preferida...
Do tumulto que nos chega de fora po causa do foot-ball mundial,já duas ou três vezes estive a
deixar-me envolver, sempre naquele intuito de observar como o Homem pode ser generoso e dar-se por causas, todo corpo e também alma...Ponto é que creia...
13 junho 2010
10 junho 2010
E CAMÕES?
Meu Deus, como são misteriosos os mundos em que nos encontramos ! Não consigo explicar, nem sei de quem consiga, mas paira no ar, desde os alvores de Junho, um ar de festa, uma espécie de descompressão, que faz as pessoas andarem de levante, expressão muito usada na minha juventude e que significava qualquer coisa parecido com de cabeça no ar... Há imensos feriados e dias santos e toda a gente vai passear, viajar, sair, andar,dançar, cantar,festejar, com múltiplos concertos, feiras, exposições, espectáculos, encontros, congressos, mostras, em suma, tudo o que menos seria de esperar viesse instalar-se debaixo daquele mar de nuvens negras que nos taparam todos os horizontes ainda há menos de quinze dias e do qual nos tinham dito que seria para durar pelo menos um ano ou dois, pois no país não havia mais dinheiro nem mesmo para mandar cantar um cego( outra expressão dos tais tempos em que se dava umas moedas na rua a ceguinhos que lá estavam com uma concertina e tocavam para nós se lhes déssemos a esmola que os ajudava a viver). Pois bem ! Esses ceguinhos, felizmente já têm outras vias de ajuda, mas nós é que os vemos substituidos por caríssimos grupos de rapazes e raparigas de muito originais apresentações que vêm de todas as partes do mundo "cantar" ´como vedetas dos tais encontros, concertos, etc, etc. E tudo isto custa dinheiro do que nós julgávamos que não havia, mas afinal há...Pois então, uma pessoa anima-se e vai com as outras, que bom ! Esquecer aquelas arrelias dos IRS, dos IVA, das portagens, das Escolas...
E assim, de festa em festa, acontecem coisas inesperadas. Por exemplo, hoje,e muito bem, houve uma linda festa por ser o DIA DE PORTUGAL( e DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES). Isto é, com tanta coisa na cabeça, pelo menos EU ainda não ouvi fazer nenhuma referência a Camões. Claro que era muito importante mostrar ao povo coisas bem concretas que, mesmo no meio do grave ,até dão para animar. Mas em detrimento de um memorialsinho de Camões é que eu acho muito triste ! Houve uma linda parada militar, houve belos discursos, houve condecorações... Mas a tal raiz, o tal "amor da PÁTRIA" de quem tanto mereceu e tão pouco recebeu dos seus compatriotas lá se vão ficando por aí diluidos em memórias que não "dão" para festas...Mas quem sou eu para não entrar também no que para aí está para vir ainda e é tão colorido, tão alegre e tão tonificante: o nosso querido, queridíssimo Santo António?! O que por aí vai de alegria já programada nesta Lisboa que o adora! Assim Deus nos ajude e lá cantaremos também pelo menos uma quadra que fale do SANTO, de manjericos e de cravos ao luar...
E assim, de festa em festa, acontecem coisas inesperadas. Por exemplo, hoje,e muito bem, houve uma linda festa por ser o DIA DE PORTUGAL( e DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES). Isto é, com tanta coisa na cabeça, pelo menos EU ainda não ouvi fazer nenhuma referência a Camões. Claro que era muito importante mostrar ao povo coisas bem concretas que, mesmo no meio do grave ,até dão para animar. Mas em detrimento de um memorialsinho de Camões é que eu acho muito triste ! Houve uma linda parada militar, houve belos discursos, houve condecorações... Mas a tal raiz, o tal "amor da PÁTRIA" de quem tanto mereceu e tão pouco recebeu dos seus compatriotas lá se vão ficando por aí diluidos em memórias que não "dão" para festas...Mas quem sou eu para não entrar também no que para aí está para vir ainda e é tão colorido, tão alegre e tão tonificante: o nosso querido, queridíssimo Santo António?! O que por aí vai de alegria já programada nesta Lisboa que o adora! Assim Deus nos ajude e lá cantaremos também pelo menos uma quadra que fale do SANTO, de manjericos e de cravos ao luar...
05 junho 2010
Um homem da Ciência e da Fé
Era uma pessoa extraordinariamente introvertida, prova quase sempre de uma inteligência lúcida, como tenho podido constatar na minha experiência de vida. Essa sua lucidez tomava uma certa forma de pudor com que nos abordava, não sendo mais do que o enorme respeito com que cada ser humano era por si encarado. Tímido, dizia-se. Distante, dizia-se também.Mas quando entre si e o outro se abria qualquer espaço de afinidade, intelectual, sentimental, carinhosa mesmo, premiava-nos com um sorriso tão pleno,tão quase doce,quase ingénuo na sua genuinidade , que ali mesmo nascia toda a nossa vontade de confiar. Era vê-lo com as crianças ...Não havia como não adivinhar toda a sua sensibilidade. E como se enternecia no reconhecimento de fragilidades nossas que não sabíamos vencer...
Foi este o Homem, o Sacerdote, que agora perdemos. Professor, doutor, engenheiro,filósofo, pensador... conselheiro e...humilde.
Padre João Resina.
Foi este o Homem, o Sacerdote, que agora perdemos. Professor, doutor, engenheiro,filósofo, pensador... conselheiro e...humilde.
Padre João Resina.
02 junho 2010
2 de Junho
31 maio 2010
OS VELHOS
Parece ter chegado enfim o tão ambicionado calor com que o português sonha para poder marchar, de armas e bagagens, para os famosos sábados e domingos de PRAIA, ainda que não seja época, ainda que morram alguns afogados e outros de coisas de pele, ainda que se amontoem numa promiscuidade de refegos, barrigas e tops-less e regressem segunda feira ao pé dos que não foram, todos escarlates, ó pá, a água estava óptima !, e com a convicção de que também podiam viver sem praia mas não era a mesma coisa...
Isto para dizer que, como não faço nem nunca fiz parte desta família de praiantes ansiosos, me quedei por casa a adiantar o trabalho de revisão com que ajudo uma amiga na sua Tese de Mestrado. Trata-se de algo que tem que ver com GERONTOLOGIA, PSICOLOGIA e CUIDADOS CONTINUADOS. E de tal maneira o tema me prende há já algum tempo, que nem dou por as horas passarem, quando estou a trabalhar nele. É verdade que ali leio em letra de forma,como usa dizer-se, aquilo de que me reconheço ao mesmo tempo inspiradora, força motriz,e material de pesquisa e observação. Que a pessoa idosa,naturalmente reformada, vê e sente que as suas forças diminuiram, e que, além de ter perdido o trabalho, perdeu com ele o seu status, e parte do seu dinheiro e que, por causa de tudo isso, a sua vida social se vai retraindo também, é um punhado de verdades a que não podemos fugir. Que, se acresce a tudo isto uma situação de doença, é então maior a degradação, e que, se o pano de fundo para o total for a solidão, é sem dúvida urgente que algures na cadeia social,alguém ou alguma coisa estenda a mão a estas pessoas que até querem VIVER e não serem arrumadinhas, muito ordeiramente num sítio onde sejam pouco visíveis e não incomodem os outros...
É disto que trata a minha amiga, quando depois propõe soluções muito humanas,todas na base de ser dada a essas pessoas idosas a dignidade que lhes é devida quanto mais não seja como seres humanos únicos e irrepetíveis até ao fim de suas vidas. E é tão interessante como ela faz entrar o carinho, a esperança, o estímulo, a conversa, a presença e até o afago, no grupo mesmo das medicações( se houver algum caso de doença ) ! O idoso ou o doente são para ela os amigos, tal como tinham sido os seus,de infância.Merecedores de igual tipo de relação.
Dou comigo a pensar, em certos dias, quando suspendo o trabalho «quando eu for velha, quero que me tratem assim...» Que não me empurrem, que não me cataloguem,que não me ignorem,mas que não me vigiem...Apenas que eu caiba na mulher que sempre fui e me tratem como a TESE da minha amiga vai propôr... Só que um pouco mais diminuida então ! ! !E mais, muito mais carente, como estou ficando cada dia mais, agora...
Isto para dizer que, como não faço nem nunca fiz parte desta família de praiantes ansiosos, me quedei por casa a adiantar o trabalho de revisão com que ajudo uma amiga na sua Tese de Mestrado. Trata-se de algo que tem que ver com GERONTOLOGIA, PSICOLOGIA e CUIDADOS CONTINUADOS. E de tal maneira o tema me prende há já algum tempo, que nem dou por as horas passarem, quando estou a trabalhar nele. É verdade que ali leio em letra de forma,como usa dizer-se, aquilo de que me reconheço ao mesmo tempo inspiradora, força motriz,e material de pesquisa e observação. Que a pessoa idosa,naturalmente reformada, vê e sente que as suas forças diminuiram, e que, além de ter perdido o trabalho, perdeu com ele o seu status, e parte do seu dinheiro e que, por causa de tudo isso, a sua vida social se vai retraindo também, é um punhado de verdades a que não podemos fugir. Que, se acresce a tudo isto uma situação de doença, é então maior a degradação, e que, se o pano de fundo para o total for a solidão, é sem dúvida urgente que algures na cadeia social,alguém ou alguma coisa estenda a mão a estas pessoas que até querem VIVER e não serem arrumadinhas, muito ordeiramente num sítio onde sejam pouco visíveis e não incomodem os outros...
É disto que trata a minha amiga, quando depois propõe soluções muito humanas,todas na base de ser dada a essas pessoas idosas a dignidade que lhes é devida quanto mais não seja como seres humanos únicos e irrepetíveis até ao fim de suas vidas. E é tão interessante como ela faz entrar o carinho, a esperança, o estímulo, a conversa, a presença e até o afago, no grupo mesmo das medicações( se houver algum caso de doença ) ! O idoso ou o doente são para ela os amigos, tal como tinham sido os seus,de infância.Merecedores de igual tipo de relação.
Dou comigo a pensar, em certos dias, quando suspendo o trabalho «quando eu for velha, quero que me tratem assim...» Que não me empurrem, que não me cataloguem,que não me ignorem,mas que não me vigiem...Apenas que eu caiba na mulher que sempre fui e me tratem como a TESE da minha amiga vai propôr... Só que um pouco mais diminuida então ! ! !E mais, muito mais carente, como estou ficando cada dia mais, agora...
30 maio 2010
Uma certa SABEDORIA
Do meu fascínio pelo Antigo Testamento:
«Quando eu nasci, ainda os abismos não existiam, nem corriam as nascentes de águas abundantes. Antes de as montanhas terem sido fixadas, antes das colinas, fui eu concebida,e ainda o Senhor não tinha feito a Terra e os campos, nem as poeiras do início do mundo. Quando Ele firmou o Céu e limitou com um círculo a extensão do abismo, no momento em que fixou as nuvens no alto e traçou às fontes do abismo os seus limites, quando Ele pôs diques ao Mar para que as águas não passassem do seu termo e lançou os fundamentos da Terra, eu encontrava-me presente.EU estava a seu lado, como um arquitecto, cheia de júbilo,deleitando-me na Sua presença. Deleitava-me sobre a face da Terra e as minhas delícias eram viver com os filhos dos Homens.» Este extracto do Livro dos Provérbios que fez parte da liturgia de hoje, dia que a Igreja dedica à Santíssima Trindade, tem aquela espantosa carga de sugestões poéticas que eu também encontro no Livro do Génesis e que me transporta, hoje muito intencionalmente, ao mais próximo conhecimento deste nosso Deus do qual tentamos sempre compreender a natureza tripla mas que, também hoje, São João nos diz, no seu Evangelho nós«não podemos comportá-la,por agora», muito embora Jesus prometa que um dia nos serão ditas todas aquelas muitas coisas que Ele teria para nos revelar. E será então O Espírito Santo a fazê-lo. Há que aguardar. Mas o que guardo desde já e, ao longo da vida, o venho conseguindo cada vez com mais clareza para mim, é a incomensurabilidade da SABEDORIA DE DEUS e um imenso prazer e uma enorme paz que não sei explicar ao aproximar-me dELA...
«Quando eu nasci, ainda os abismos não existiam, nem corriam as nascentes de águas abundantes. Antes de as montanhas terem sido fixadas, antes das colinas, fui eu concebida,e ainda o Senhor não tinha feito a Terra e os campos, nem as poeiras do início do mundo. Quando Ele firmou o Céu e limitou com um círculo a extensão do abismo, no momento em que fixou as nuvens no alto e traçou às fontes do abismo os seus limites, quando Ele pôs diques ao Mar para que as águas não passassem do seu termo e lançou os fundamentos da Terra, eu encontrava-me presente.EU estava a seu lado, como um arquitecto, cheia de júbilo,deleitando-me na Sua presença. Deleitava-me sobre a face da Terra e as minhas delícias eram viver com os filhos dos Homens.» Este extracto do Livro dos Provérbios que fez parte da liturgia de hoje, dia que a Igreja dedica à Santíssima Trindade, tem aquela espantosa carga de sugestões poéticas que eu também encontro no Livro do Génesis e que me transporta, hoje muito intencionalmente, ao mais próximo conhecimento deste nosso Deus do qual tentamos sempre compreender a natureza tripla mas que, também hoje, São João nos diz, no seu Evangelho nós«não podemos comportá-la,por agora», muito embora Jesus prometa que um dia nos serão ditas todas aquelas muitas coisas que Ele teria para nos revelar. E será então O Espírito Santo a fazê-lo. Há que aguardar. Mas o que guardo desde já e, ao longo da vida, o venho conseguindo cada vez com mais clareza para mim, é a incomensurabilidade da SABEDORIA DE DEUS e um imenso prazer e uma enorme paz que não sei explicar ao aproximar-me dELA...
28 maio 2010
Aquilo que leio
Há dias, num grupo de amigos, foi-me feito por um deles um reparo curioso : como é que, sendo a minha ocupação quase única ler e escrever, só muito raramente me vêem referir-me a leituras de autores actuais, best-sellers ou não, mas modernos ou, pelo menos, contemporâneos. Fiquei a pensar nisso e até tentei fazer um certo levantamento do que tinha escrito nesse campo . Deve haver uma multiplicidade de razões, tanto mais que a minha casa regurgita de livros. Uns que me oferecem, muitos, muitos, outros que vou adquirindo.E é de tal maneira que eles já se vão apossando de todos os meus espaços, mesmo os não disponíveis, e há aqui em casa livros a espreitarem-me por todos os cantos ou até mesmo do chão ou de cima de armários altos, ou de cadeiras, gavetas entreabertas, tudo como "anexos provisórios "das verdadeiras estantes,a rebentar pelas costuras... Dir-se-á que é uma autêntica balbúrdia, um desmaselo, uma desorganização... Mas não. É este o neu conforto, eu ia mesmo escrever consolo. Porque para além de gostar de ler, eu gosto de LIVROS. Aquele prazer de pegar num livro com ambas as mãos, virá-lo e revirá-lo para oVER bem e até...cheirá-lo, a sério !, seja ele antigo ou acabado de sair do prelo, esse prazer justifica a minha insensatez de ir sempre adquirindo mais um... Já me aconteceu, sim, perder as coordenadas e não encontrar um que me é necessário em certo momento. Até já me aconteceu perder definitivamente alguns. Porque os empresto e nunca me são devolvidos, coisa que me dói e me escandaliza, pela acção, pela perda, pela falta que me faz... Mas, embalada neste aspecto material, deixei fugir a ideia inicial deste post.
Pois, porque não falo deles ? Como comentadora, ou como crítica ou como simples recenseadora ? Principalmente porque, com os anos que já vivi, aprendi que as minhas "circunstãncias"( Gasset ) me levam ás vezes a perceber de uma nova maneira aquilo que tinha percebido numa anterior leitura de certo autor, depois porque verifiquei que tenho uma aptidão natural para "imitar" qualquer estilo pessoal e receio muito que isso depois apareça no que eu mesma produzo. A propósito contarei que tive na Faculdade uma professora francesa para uma "cadeira" de Francês Prático cujas aulas consistiram, na sua maior parte, em ser-nos dado a conhecer um autor francês e em seguida fazermos nós, alunos, um texto nosso de um tema todo outro mas escrito "á la manière de..." do autor que nos tinha sido apresentado. E posso dizer sem vaidade que eu fui a melhor aluna nessa actividade.
Falo das minhas leituras, sim, quando alguma consegue trazer-me para fora do meu mundo já estratificado ( talvez infelizmente ) académica, social ou intelectualmente, e esse trazer-me para fora poderá ser pelas boas ou pelas más razões. Falar delas apenas como recenseadora ou coleccionadora tão pouco é o meu estilo pessoal, mas citá-las ou aos seus autores isso faço muito e creio que até provará de certa maneira o que deles penso.
Curiosamente, e já que "estou com as mãos na massa", tenho hoje e aqui uma enorme vontade de contar de dois livros que me emprestaram e me levaram para um mundo todo novo e desconhecido para mim: OS PICOS DO EVERESTE, dos HIMALAIAS e de tudo quanto é alto, é pico, é cume, nos Andes, no Alaska, no Atlas, por tudo quanto é mundo, no Tibete, no Nepal ou noPakistão. O seu autor é o primeiro português a alcançar o Everest e chama-se João Garcia. Temos hoje e aqui a viver no meio de nós "ainda" um primeiro português a ousar passar um qualquer CABO das TORMENTAS ! E o que lutou para isso, o que suportou fisicamente( até amputações), o que sofreu moralmente (até a morte de um amigo a seu lado ), sem nunca desistir, sem nunca perder a esperança e... sem nunca se queixar ! Com uma simplicidade exemplar, narra as suas mais espantosas aventuras como se fossem os "passeios" mais naturais que nós damos,em férias, pela tardinha... Aqui está pois o exemplo dos tais livros de que eu entendo que merecem uma referência toda especial. Nem de propósito, lidos agora.
Pois, porque não falo deles ? Como comentadora, ou como crítica ou como simples recenseadora ? Principalmente porque, com os anos que já vivi, aprendi que as minhas "circunstãncias"( Gasset ) me levam ás vezes a perceber de uma nova maneira aquilo que tinha percebido numa anterior leitura de certo autor, depois porque verifiquei que tenho uma aptidão natural para "imitar" qualquer estilo pessoal e receio muito que isso depois apareça no que eu mesma produzo. A propósito contarei que tive na Faculdade uma professora francesa para uma "cadeira" de Francês Prático cujas aulas consistiram, na sua maior parte, em ser-nos dado a conhecer um autor francês e em seguida fazermos nós, alunos, um texto nosso de um tema todo outro mas escrito "á la manière de..." do autor que nos tinha sido apresentado. E posso dizer sem vaidade que eu fui a melhor aluna nessa actividade.
Falo das minhas leituras, sim, quando alguma consegue trazer-me para fora do meu mundo já estratificado ( talvez infelizmente ) académica, social ou intelectualmente, e esse trazer-me para fora poderá ser pelas boas ou pelas más razões. Falar delas apenas como recenseadora ou coleccionadora tão pouco é o meu estilo pessoal, mas citá-las ou aos seus autores isso faço muito e creio que até provará de certa maneira o que deles penso.
Curiosamente, e já que "estou com as mãos na massa", tenho hoje e aqui uma enorme vontade de contar de dois livros que me emprestaram e me levaram para um mundo todo novo e desconhecido para mim: OS PICOS DO EVERESTE, dos HIMALAIAS e de tudo quanto é alto, é pico, é cume, nos Andes, no Alaska, no Atlas, por tudo quanto é mundo, no Tibete, no Nepal ou noPakistão. O seu autor é o primeiro português a alcançar o Everest e chama-se João Garcia. Temos hoje e aqui a viver no meio de nós "ainda" um primeiro português a ousar passar um qualquer CABO das TORMENTAS ! E o que lutou para isso, o que suportou fisicamente( até amputações), o que sofreu moralmente (até a morte de um amigo a seu lado ), sem nunca desistir, sem nunca perder a esperança e... sem nunca se queixar ! Com uma simplicidade exemplar, narra as suas mais espantosas aventuras como se fossem os "passeios" mais naturais que nós damos,em férias, pela tardinha... Aqui está pois o exemplo dos tais livros de que eu entendo que merecem uma referência toda especial. Nem de propósito, lidos agora.
23 maio 2010
Pentecostes
Das coisas que mais me foram difíceis de adoptar enquanto menina de catequese foi esta percepção de uma abstracção tão poderosa que consegue, além de ser o elo de união entre o PAI e o FILHO, o é também entre ELES e nós, a presença dELES em nós. E depois acabei por entender chamar-lhe AMOR, não conseguindo agora já lembrar-me se isto foi descoberta minha ou se fui conduzida até aí. Com o amadurecer da Vida e com oconhecimento sempre mais aprofundado das leituras bíblicas e suas correlativas, o Espírito Santo foi ganhando um lugar cada vez mais importante na constituição da minha Fé. E é por isso que a sua celebração no dia de hoje me põe tão feliz.

Cinquenta dias depois da Ressurreição, os Apóstolos recebem o que lhes havia sido prometido, o paráclito, a garantia da união, o respaldo para as suas acções daí por diante.Agora já não encontro aqui aquele inefável e poético espírito de Deus que pairava sobre as águas dos dias da Criação. Fui-me habituando a pensar na pomba branca de um Jesus catecúmeno e eis que o Pentecostes me traz as pequenas línguas de fogo individuais. É um crescendo deliberado de aproximação a uma representação material mais assertiva e actuante... Que nós humanos vamos recebendo e transformando numa mistura a que só sabemos chamar AMOR. Com todos os seus dons, se tivéssemos a Graça de possui-los todos, seríamos as criaturas de Deus mais dignas de ser amadas... Acredito que o ESPÍRITO SANTO zela por isso !
16 maio 2010
Ascensão
...elevou-se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos.( Actos dos Apóstolos).
Tão simples quanto isto ! São Lucas, São Mateus e São Marcos referem unanimemente que Jesus chamou os Apóstolos para reuni-los à sua volta num tão importante momento,para o qual aliás os tinha preparado. Foi junto de Betânia, um local onde tivera amigos ( lembremos Lázaro e a sua família )mas suficientemente fora de olhares curiosos e quem sabe pouco merecedores de uma revelação assim...Diz São Paulo que Deus o sentou à sua direita lá nos Céus e também que tudo submeteu aos pés de Cristo e pô-lo acima de todas as coisas...
E cá ficámos nós a imaginar pela enésima vez a situação, o acontecimento, tentando sem sucesso entender, porque não é alcançável pelo nosso entendimento, pelo menos enquanto estivermos aqui, fora da tal nuvem...
Dos mistérios da minha Religião este é um dos mais belos, o mais artisticamente depurado, o mais suave, o que nos abre caminhos para cima, para uma outra luz...
Talvez o que torna mais autêntico tudo o que quer dizer a palavra ESPERANÇA.
Tão simples quanto isto ! São Lucas, São Mateus e São Marcos referem unanimemente que Jesus chamou os Apóstolos para reuni-los à sua volta num tão importante momento,para o qual aliás os tinha preparado. Foi junto de Betânia, um local onde tivera amigos ( lembremos Lázaro e a sua família )mas suficientemente fora de olhares curiosos e quem sabe pouco merecedores de uma revelação assim...Diz São Paulo que Deus o sentou à sua direita lá nos Céus e também que tudo submeteu aos pés de Cristo e pô-lo acima de todas as coisas...
E cá ficámos nós a imaginar pela enésima vez a situação, o acontecimento, tentando sem sucesso entender, porque não é alcançável pelo nosso entendimento, pelo menos enquanto estivermos aqui, fora da tal nuvem...
Dos mistérios da minha Religião este é um dos mais belos, o mais artisticamente depurado, o mais suave, o que nos abre caminhos para cima, para uma outra luz...
Talvez o que torna mais autêntico tudo o que quer dizer a palavra ESPERANÇA.
15 maio 2010
O PAPA
Com a vivência de três dias praticamente colada à televisão, coisa que nunca pensei ser capaz de fazer, consegui, sem o querer, criar uma espécie de sensação de evasão que me fazia, na noite de cada um desses dias, ter dificuldade em voltar à TERRA dos normalíssimos assuntos correntes. Foi com aquela curiosidade e interesse absolutamente normais que liguei o televisor cerca da anunciada hora da chegada do Papa a Lisboa. E depois, mérito da organização que calendarizou, escalonou todas as étapas do programa a cumprir, ou mérito da TV que se entregou toda inteira ao seu Serviço Público de mostrar tudo, como está acostumada a fazer nos jogos de foot-ball de algum gabarito, ou ainda mérito do personagem surpreendente que prendeu em si todas as atenções sem procurar fazê-lo, fiquei de televisor ligado um pouco mais, um pouco mais, um pouco mais... Até dispersarem os milhares de pessoas que estiveram no Terreiro do Paço, até irem para casa os rapazes e raparigas que foram cantar a serenata junto da Nunciatura... Que loucura ! disse para mim mesma, cansada como se tivesse andado por lá. E antes de adormecer pensei longamente sobre aquela sereníssima figura. RATZINGER,o Papa de quem não esperava muito, de quem gostava pouco, toda eu admiração, devoção e saudade de João Paulo II .
Lembrei o filósofo José Gil nas suas dúvidas sobre o humanismo a que nós, portugueses, nos habituámos a recorrer desde há séculos sem nos apercebermos do âmbito muito mais vasto e menos purificador que ele actualmente pode ter adquirido. Ratzinger veio cá dizer-nos que o HOMEM é muito mais complexo e que dessa complexidade há uma grande fatia que o próprio Homem tem menosprezado... Claro que no segundo dia, logo cedo ,lá fui verificar se a TV estava nas mesmas disposições e se se confirmaria o que eu estava a começar a pensar sobre O HOMEM VESTIDO DE BRANCO...E foi todo aquele estrondo de Fátima... Daquilo a que já sabemos chamar -se inteligência emocional brotaram até lágrimas nestes meus olhos que agora correm muito mais atrás do emocional que da inteligência ... Tal como teria acontecido àqueles pescadores dos barquinhos no Douro e a algumas mulheres que as televisões sublinharam ao perfurarem a compacta massa daquela Avenida do Porto. Mas daí até ver sumir-se no sombrio interior do avião aquela figura afinal frágil mas branca,( sempre), não me foi possível deixar de desejar não esquecer mais, com quanta aprendizagem colmatei o que sempre me falta sobre o Mundo e o Homem ...E sobre Deus, no meio deles.
Lembrei o filósofo José Gil nas suas dúvidas sobre o humanismo a que nós, portugueses, nos habituámos a recorrer desde há séculos sem nos apercebermos do âmbito muito mais vasto e menos purificador que ele actualmente pode ter adquirido. Ratzinger veio cá dizer-nos que o HOMEM é muito mais complexo e que dessa complexidade há uma grande fatia que o próprio Homem tem menosprezado... Claro que no segundo dia, logo cedo ,lá fui verificar se a TV estava nas mesmas disposições e se se confirmaria o que eu estava a começar a pensar sobre O HOMEM VESTIDO DE BRANCO...E foi todo aquele estrondo de Fátima... Daquilo a que já sabemos chamar -se inteligência emocional brotaram até lágrimas nestes meus olhos que agora correm muito mais atrás do emocional que da inteligência ... Tal como teria acontecido àqueles pescadores dos barquinhos no Douro e a algumas mulheres que as televisões sublinharam ao perfurarem a compacta massa daquela Avenida do Porto. Mas daí até ver sumir-se no sombrio interior do avião aquela figura afinal frágil mas branca,( sempre), não me foi possível deixar de desejar não esquecer mais, com quanta aprendizagem colmatei o que sempre me falta sobre o Mundo e o Homem ...E sobre Deus, no meio deles.
09 maio 2010
Paz
Como rapidamente voou esta minha semana começada pelo inefável prazer de ir, de certa maneira, estimular com a minha presença os primeiros passos de um esperançoso grupo coral a estrear-se e acabada em dia negro, chuvoso e frio, com a lareira de novo acesa e eu a saboreá-la, em conversa com uma amiga !
Tanta coisa passou por mim destas em que nós, mesmo sem termos parte activa, nos sentimos envolvidos e, mais do que envolvidos, por elas sacudidos, marcados. No entanto, o verdadeiro remate de tudo foi hoje a palavra de Jesus no Evangelho de São João: deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz.Não é como o mundo a dá que eu vo-la dou.Não deixeis que o vosso coração se perturbe ou tenha medo.Foi curiosamente o senhor bispo das Forças Armadas que, presidindo à tão bonita celebração lisboeta da festa da Senhora da Saúde, escolhida pelas tropas de Artilharia como sua padroeira, que explicou com uma clareza lapidar que diferença tem para nós, cristãos, esta paz de Jesus daquela que o mundo dá.Quem melhor do que um homem que,embora sacerdote, vive no mundo dos homens da guerra, para nos explicar a nossa Paz?E então desdobrou-se perante nós todo o catecismo do Amor que é de facto um tear diferente para tecer um diferente tecido...Na sufocante atmosfera do economicismo em que vivemos agora, como conseguiremos a paz do coração e do espírito enquanto não soubermos olhar
o Outro que sofre o mesmo que nós e não fizermos tudo o que está ao nosso alcance para que seja também sua a nossa Paz ? E, não sendo das Guerras que falámos até agora, foi por acaso um avivar de memórias, nesta semana,a celebração da data do fim da Segunda Guerra Mundial em vários países. Para a minha geração , quanta lembrança ! Mas tudo, tudo emoldurado pelo estremecimento colectivo dos preparativos para receber a visita do Papa,na semana que vai começar.Ninguém como os portugueses para anteciparem gozos e sofrimentos com uma volúpia jornalística que quase nos bloqueia...
Quero a Graça da minha Paz para ser em plenitude uma peça pacificadora dentro deste enorme torvelinho da vida que estamos vivendo...
Tanta coisa passou por mim destas em que nós, mesmo sem termos parte activa, nos sentimos envolvidos e, mais do que envolvidos, por elas sacudidos, marcados. No entanto, o verdadeiro remate de tudo foi hoje a palavra de Jesus no Evangelho de São João: deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz.Não é como o mundo a dá que eu vo-la dou.Não deixeis que o vosso coração se perturbe ou tenha medo.Foi curiosamente o senhor bispo das Forças Armadas que, presidindo à tão bonita celebração lisboeta da festa da Senhora da Saúde, escolhida pelas tropas de Artilharia como sua padroeira, que explicou com uma clareza lapidar que diferença tem para nós, cristãos, esta paz de Jesus daquela que o mundo dá.Quem melhor do que um homem que,embora sacerdote, vive no mundo dos homens da guerra, para nos explicar a nossa Paz?E então desdobrou-se perante nós todo o catecismo do Amor que é de facto um tear diferente para tecer um diferente tecido...Na sufocante atmosfera do economicismo em que vivemos agora, como conseguiremos a paz do coração e do espírito enquanto não soubermos olhar
o Outro que sofre o mesmo que nós e não fizermos tudo o que está ao nosso alcance para que seja também sua a nossa Paz ? E, não sendo das Guerras que falámos até agora, foi por acaso um avivar de memórias, nesta semana,a celebração da data do fim da Segunda Guerra Mundial em vários países. Para a minha geração , quanta lembrança ! Mas tudo, tudo emoldurado pelo estremecimento colectivo dos preparativos para receber a visita do Papa,na semana que vai começar.Ninguém como os portugueses para anteciparem gozos e sofrimentos com uma volúpia jornalística que quase nos bloqueia...
Quero a Graça da minha Paz para ser em plenitude uma peça pacificadora dentro deste enorme torvelinho da vida que estamos vivendo...
04 maio 2010
02 maio 2010
...que vos ameis uns aos outros.
Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros.Sim, como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. O sinal por que todos vos hão-de reconhecer como meus discípulos é terdes amor uns aos outros. Assim falou Jesus aos apóstolos no fim da ceia, já depois de Judas ter saído, segundo conta São João hoje.
E, a propósito, veio-me à memória o que contou o Guia que conduziu a visita que fiz ,com um grupo de professores, às Catacumbas em Roma. Nos fins do Império Romano, quando os Cristãos viviam como clandestinos, eram dadas ordens para as forças do Imperador atacarem violentamente qualquer reconhecido cristão que encontrassem sózinho em qualquer local, porque era certo e sabido que logo surgiriam de todas as sombras, de todos os cantos, vários outros para ajudá-lo, protegê-lo, mesmo com o risco de todos serem presos e torturados e este seria um bom processo para conseguir apanhar muitos cristãos de uma só vez. Porque todos se amavam uns aos outros até darem a vida uns pelos outros como lhes ensinara Jesus.
Já sabemos isto tudo há dois mil anos, mas gestos assim, neste decorrer do tempo, são os que podemos historiar, como gestos de heroicidade, que às vezes acontecem, mas tão extraordinariamente !...
No entanto, da grandiosa visão de São João, no Apocalipse, fica-nos hoje a ecoar:
O que havia anteriormente desapareceu: Vou renovar todas as coisas.
É com esta confiança que adquirimos força para persistir na nossa Fé.
E, a propósito, veio-me à memória o que contou o Guia que conduziu a visita que fiz ,com um grupo de professores, às Catacumbas em Roma. Nos fins do Império Romano, quando os Cristãos viviam como clandestinos, eram dadas ordens para as forças do Imperador atacarem violentamente qualquer reconhecido cristão que encontrassem sózinho em qualquer local, porque era certo e sabido que logo surgiriam de todas as sombras, de todos os cantos, vários outros para ajudá-lo, protegê-lo, mesmo com o risco de todos serem presos e torturados e este seria um bom processo para conseguir apanhar muitos cristãos de uma só vez. Porque todos se amavam uns aos outros até darem a vida uns pelos outros como lhes ensinara Jesus.
Já sabemos isto tudo há dois mil anos, mas gestos assim, neste decorrer do tempo, são os que podemos historiar, como gestos de heroicidade, que às vezes acontecem, mas tão extraordinariamente !...
No entanto, da grandiosa visão de São João, no Apocalipse, fica-nos hoje a ecoar:
O que havia anteriormente desapareceu: Vou renovar todas as coisas.
É com esta confiança que adquirimos força para persistir na nossa Fé.
01 maio 2010
As Maias
Quando eu era menina, era uso da minha Terra, da minha província, da minha gente, sair em grupos pela madrugada deste dia e ir "apanhar" o nascer do sol lá para os campos longe e não cultivados mas povoados de tufos de um arbustinho a que chamávamos maias, de pequenas flores amarelinhas, mas sem perfume. Era a celebração da chegada do mês de Maio : colher delas um bonito ramo e trazê-lo, todo flor, para dentro das nossas casas. E acreditava-se que quem não cumprisse este ritual ficaria amarelinho, pálido, todo o ano.Tudo isto se prestava para toda a espécie de brincadeiras, namoricos incluidos, e o maior divertimento era ir atar um ramo às portas dos que tinham faltado, pressagiando-lhes assim um ano de fealdade..
Era um mundo onde ainda se não tinha perdido a inocência e onde as coisas mais simples, mais modestas, divertiam as pessoas só poque também elas eram mais simples e mais modestas.
Quanta complicação arranjámos depois, a pensar quanto somos ,quanto achamos que devemos ser importantes !
Se eu até fico agora envergonhada por não saber qual o nome e a família botânica
das belas maias que há por esses campos, coisa que, naquela época, nem sequer
molestava de longe a nossa fruição...
29 abril 2010
Sobre o Domingo do Bom Pastor
Criado que foi o hábito de deixar em post as minhas meditações sobre todas as Leituras próprias de cada Domingo, qual não é a minha perplexidade quando, falhando uma vez, me chegam reclamações pela falha...
Ora no último domingo, que era precisamente devotado ao Bom Pastor, aconteceu que fiquei sem ligação à net e consequentemente não me foi possível cumprir com esta já quase obrigação.
Escusado será dizer que não fiz texto algum nesse dia, mas ,entre muita leitura que fui buscar nesse a-propósito, reli um pequeno poema que ofereci ao meu Prior para, junto com outros textos de outros paroquianos, celebrarmos os seus ciquenta anos de sacerdócio , de Bom Pastor a exemplo de Jesus. De lá retiro uma passagem , esperando que me seja perdoado este pequeno roubo.
...E havia o rebanho. E há as suas ovelhas..
Pastor, como se diz de Jesus, no Evangelho,
dá, por sua vontade, a sua Vida
pela Vida delas, e as salvará.
E o Amor que lhes dá
é o que elas seguem.
Porque o reconhecem
por algo bem maior que a sua Voz !
Bom será recordar-se o Evangelho de São João, 10
Ora no último domingo, que era precisamente devotado ao Bom Pastor, aconteceu que fiquei sem ligação à net e consequentemente não me foi possível cumprir com esta já quase obrigação.
Escusado será dizer que não fiz texto algum nesse dia, mas ,entre muita leitura que fui buscar nesse a-propósito, reli um pequeno poema que ofereci ao meu Prior para, junto com outros textos de outros paroquianos, celebrarmos os seus ciquenta anos de sacerdócio , de Bom Pastor a exemplo de Jesus. De lá retiro uma passagem , esperando que me seja perdoado este pequeno roubo.
...E havia o rebanho. E há as suas ovelhas..
Pastor, como se diz de Jesus, no Evangelho,
dá, por sua vontade, a sua Vida
pela Vida delas, e as salvará.
E o Amor que lhes dá
é o que elas seguem.
Porque o reconhecem
por algo bem maior que a sua Voz !
Bom será recordar-se o Evangelho de São João, 10
28 abril 2010
Abril
Depois de ter-me visto privada do acesso`a internet durante todo um fim de semana alargado,é agora com uma certa volúpia (só conhecida pelos que dela se servem) que retomo a minha posição de bloguista (blogueira ? ). Empregando uma figura um tanto desairosa, direi que, à maneira de um pacífico ruminante, degluti uma substancial massa de assuntos que precisam absolutamente de ser regurgitados para adquirirem o real valor nutricional de que carece o equilíbrio das minhas sinestesias.
Este meteorologicamente extraordinário mês de Abril foi, como todos os outros, no capítulo das efemérides:todos os meus amigos fazem anos neste mês, e familiares mais próximos ou mais afastados, já falecidos uns, outros não. Sendo que o falecimento do meu marido foi neste mês, é a sua recordação de cada dia comum, avivada e elevada à máxima potência nesta época, por alguma razão que já desisti de encontrar. Instala-se uma mágoa que não é igual a mais nenhuma, e pronto!, todo o mês de Abril anda pelas margens desta fundura. Assim, é-me preciso fazer um esforço enorme para não me distrair de todo o resto.1, 4,7,8, 10, 12, 17,19, 21, 22, 23,27..., datas com pessoas que não posso, nem quero deixar de celebrar,umas porque estão vivas, outras porque já partiram e delas nos ficaram as saudades.
E pelos interstícios de tanta data surgiram os acontecimentos ocasionais que vão sempre quebrando as rotinas das maneiras mais inesperadas. Apareceu-me, por exemplo um novo membro daquela família artificial que eu tive, por via da minha madrasta que foi minha Mãe, desde os meus cinco anos. Uma jovem artista, desde há muito radicada em Nova York e que vem expondo as suas instalações em muitos mundos, mesmo orientais, preocupados com a Terra e com o que misteriosamente nós, humanos, herdamos dela enquanto nos fragmentamos em mil partes, na procura da sobrevivência talvez demasiado erradicados e urbanos. Foi um enorme prazer este encontro tão simples e descomprometido com alguém que tão bem sabe interpretar a nossa realidade tão complexa e comprometida...
Comprometida sim com as coisas grandes como a vinda do Papa e com as coisas ridículas como a guerra das nossas empregadas domésticas que consegue abalar a nossa estabilidade e exige um esforço suplementar no recurso às habituais doses
de bom senso para cada coisa, cada dia...Da vinda do Papa, por enquanto, este Abril-hall de entrada da nossa preparação receosa, mostrou-nos sobejos motivos de preocupação que ainda não me deixaram sentir o coração grande dentro do peito, como aconteceu aquando da visita de João Paulo II. Veremos depois se algo encaixa nas fragmentações de que se ocupa a minha nova Prima...
E houve a Música ! A Grande e a outra. Dizer que estive ao pé dela, a ver a gente que a ia ouvir e que eu me fiquei pelo estar perto daquilo que me encanta enquanto fui imaginando aquilo que ainda não conhecia...Explica-se mas, por agora, basta-me dizer que foi a Música assim como foi o 25 de Abril.
Estive. Em corpo e espírito. Mais em espírito. E acho que foi como eu queria que fosse.Porque fui EU que estive inteira com todas as forças que ainda vou tendo para amar, por cima de amar, por cima de amar, por cima de amar, assim mesmo,em camadas de Vida sempre nova e agradecendo-A a Deus em cada novo ABRIL.
Este meteorologicamente extraordinário mês de Abril foi, como todos os outros, no capítulo das efemérides:todos os meus amigos fazem anos neste mês, e familiares mais próximos ou mais afastados, já falecidos uns, outros não. Sendo que o falecimento do meu marido foi neste mês, é a sua recordação de cada dia comum, avivada e elevada à máxima potência nesta época, por alguma razão que já desisti de encontrar. Instala-se uma mágoa que não é igual a mais nenhuma, e pronto!, todo o mês de Abril anda pelas margens desta fundura. Assim, é-me preciso fazer um esforço enorme para não me distrair de todo o resto.1, 4,7,8, 10, 12, 17,19, 21, 22, 23,27..., datas com pessoas que não posso, nem quero deixar de celebrar,umas porque estão vivas, outras porque já partiram e delas nos ficaram as saudades.
E pelos interstícios de tanta data surgiram os acontecimentos ocasionais que vão sempre quebrando as rotinas das maneiras mais inesperadas. Apareceu-me, por exemplo um novo membro daquela família artificial que eu tive, por via da minha madrasta que foi minha Mãe, desde os meus cinco anos. Uma jovem artista, desde há muito radicada em Nova York e que vem expondo as suas instalações em muitos mundos, mesmo orientais, preocupados com a Terra e com o que misteriosamente nós, humanos, herdamos dela enquanto nos fragmentamos em mil partes, na procura da sobrevivência talvez demasiado erradicados e urbanos. Foi um enorme prazer este encontro tão simples e descomprometido com alguém que tão bem sabe interpretar a nossa realidade tão complexa e comprometida...
Comprometida sim com as coisas grandes como a vinda do Papa e com as coisas ridículas como a guerra das nossas empregadas domésticas que consegue abalar a nossa estabilidade e exige um esforço suplementar no recurso às habituais doses
de bom senso para cada coisa, cada dia...Da vinda do Papa, por enquanto, este Abril-hall de entrada da nossa preparação receosa, mostrou-nos sobejos motivos de preocupação que ainda não me deixaram sentir o coração grande dentro do peito, como aconteceu aquando da visita de João Paulo II. Veremos depois se algo encaixa nas fragmentações de que se ocupa a minha nova Prima...
E houve a Música ! A Grande e a outra. Dizer que estive ao pé dela, a ver a gente que a ia ouvir e que eu me fiquei pelo estar perto daquilo que me encanta enquanto fui imaginando aquilo que ainda não conhecia...Explica-se mas, por agora, basta-me dizer que foi a Música assim como foi o 25 de Abril.
Estive. Em corpo e espírito. Mais em espírito. E acho que foi como eu queria que fosse.Porque fui EU que estive inteira com todas as forças que ainda vou tendo para amar, por cima de amar, por cima de amar, por cima de amar, assim mesmo,em camadas de Vida sempre nova e agradecendo-A a Deus em cada novo ABRIL.
17 abril 2010
Pela terceira vez...
Pela terceira vez Jesus está junto daqueles que tanto conviveram e partilharam com Ele e pela terceira vez eles não reconhecem aquela aparência física... Apenas um pequeno gesto, um pequeno tom, um quase nada a que um deles é mais sensível que os outros, lhes vai abrir o caminho da revelação...Homens simples,ainda não pescadores de almas como fora prometido a Pedro, eles já iam sendo temidos por muito falarem publicamente da sua confiança, mais que confiança : crença, admiração, fé, naquele que havia sido crucificado tão cruelmente e já começavam a ser açoitados e escorraçados para não incomodarem tanto... Era o princípio.
Eram pois aqueles encontros que podiam fortalecê-los. O seu Amigo, o seu Irmão, não os deixava sós, como aliás prometera. Apenas era preciso que o reconhecessem, que o soubessem encontrar. Ele sempre estava por perto...
Isto não terá nada a ver comigo ? Conosco ?
Quando aquele Companheiro da refeição comida na praia pergunta por três vezes a Pedro uma confirmação do seu amor, era enorme a sua preocupação sobre se poderia confiar-nos a nós,ovelhas do seu rebanho, a quem fosse capaz de fazer por nós o que Ele tinha feito. Receava a humana fraqueza, até a que vem pelo cansaço do envelhecimento... Humanos, nós, andaremos conscientes de quanto cuidado amoroso nos continua envolvendo ?
Eram pois aqueles encontros que podiam fortalecê-los. O seu Amigo, o seu Irmão, não os deixava sós, como aliás prometera. Apenas era preciso que o reconhecessem, que o soubessem encontrar. Ele sempre estava por perto...
Isto não terá nada a ver comigo ? Conosco ?
Quando aquele Companheiro da refeição comida na praia pergunta por três vezes a Pedro uma confirmação do seu amor, era enorme a sua preocupação sobre se poderia confiar-nos a nós,ovelhas do seu rebanho, a quem fosse capaz de fazer por nós o que Ele tinha feito. Receava a humana fraqueza, até a que vem pelo cansaço do envelhecimento... Humanos, nós, andaremos conscientes de quanto cuidado amoroso nos continua envolvendo ?
14 abril 2010
CAFÉ
É bem verdade que se aprende durante toda a vida.
Acabo de saber que hoje é nem mais nem menos do que o DIA INTERNACIONAL DO CAFÉ.Oh pasmo ! Oh imaginação criadora de todas as globalidades ! Oh divindade protectora de todas as artes de vender !... Então eu, que sou a grande amiga do cafézinho , vivi todos estes anos da minha vida sem saber de tão glorioso dia comemorativo ? Mas como é possível?
E onde e como e porquê teria nascido esta ideia? No Brasil, em Timor, em São Tomé? Numa esplanada de Paris ao aroma do velho café-filtre ? Na Holanda, na Turquia ? Mil e uma possibilidades para uma HISTÓRIA que eu quererei conhecer.
Apenas,pelo há muito que o amo, e pelo conforto e aconchego que ele já me proporcionou tantas vezes, me inspirei, em tempos, fazendo para ele este poeminha que hoje acho que posso, que devo, dedicar-lhe como homenagem em dia próprio :
Da cháven pequena, torneada,
evola-se o perfume...
...um quase nada
a deixar-nos na boca
um travo quente-amargo,
um azedume
um pouco adstringente
que ao culto iniciático
nos prende.
Devagarinho, muito devagar,
vai-se bebericando,
entre a volúpia do saborear
e a sedução do que se está cheirando.
E quer-se companhia.
E apetece falar
tão molemente
como o deixar escoar
co'o tempo a fantasia
e nem se aperceber
que, aos poucos, arrefece...
Mas se acontece
beber-se de um só trago,
em correria,
porque se é distraído
e é pressa que se tem,
pode reconfortar,
pode mesmo aquecer...
O que porém
não vai deixar de ser,
é uma imperdoável
heresia !...
Acabo de saber que hoje é nem mais nem menos do que o DIA INTERNACIONAL DO CAFÉ.Oh pasmo ! Oh imaginação criadora de todas as globalidades ! Oh divindade protectora de todas as artes de vender !... Então eu, que sou a grande amiga do cafézinho , vivi todos estes anos da minha vida sem saber de tão glorioso dia comemorativo ? Mas como é possível?
E onde e como e porquê teria nascido esta ideia? No Brasil, em Timor, em São Tomé? Numa esplanada de Paris ao aroma do velho café-filtre ? Na Holanda, na Turquia ? Mil e uma possibilidades para uma HISTÓRIA que eu quererei conhecer.
Apenas,pelo há muito que o amo, e pelo conforto e aconchego que ele já me proporcionou tantas vezes, me inspirei, em tempos, fazendo para ele este poeminha que hoje acho que posso, que devo, dedicar-lhe como homenagem em dia próprio :
Da cháven pequena, torneada,
evola-se o perfume...
...um quase nada
a deixar-nos na boca
um travo quente-amargo,
um azedume
um pouco adstringente
que ao culto iniciático
nos prende.
Devagarinho, muito devagar,
vai-se bebericando,
entre a volúpia do saborear
e a sedução do que se está cheirando.
E quer-se companhia.
E apetece falar
tão molemente
como o deixar escoar
co'o tempo a fantasia
e nem se aperceber
que, aos poucos, arrefece...
Mas se acontece
beber-se de um só trago,
em correria,
porque se é distraído
e é pressa que se tem,
pode reconfortar,
pode mesmo aquecer...
O que porém
não vai deixar de ser,
é uma imperdoável
heresia !...
11 abril 2010
Ver para crer...ou já não?
E uma curiosa coincidência que, tendo este meu blog o nome de Sinestesias ( que tem tudo a ver com os sentidos humanos ), seja a liturgia do dia de hoje tão marcada pela relevância que a estes mesmos sentidos vem dar o evangelista São João. Em primeiro lugar, há o tão espantoso ouvir e depois ver que ele nos conta na sua Carta e pode ter sido a razão/origem da existência dos seus testemunhos..e OUVI atrás de mim uma voz potente, uma voz semelhante à da trombeta, que dizia : o que estás a VER, escreve-o num livro e manda-o às sete igrejas . Voltei-me então para OLHAR em direcção à VOZ que me falava. ... ... VI... ... e DISSE-ME: não tenhas receio,... ... escreve pois o que VIRES: os factos presentes e os que hão-de acontecer depois deles. Tudo isto claramente amalgamado no caldo de cultura da época em que era normal a VISÃO de grandiosidades e luxos decorativos próprios dessas regiões orientais e que encontramos no Livro do Apocalipse e, em última análise ,têm também tudo a ver com os sentidos. Mas é no Evangelho deste Domingo in Albis que, pela incredulidade de Tomé, vemos quanto nós, pobres, simples seres humanos, temos necessidade dos SENTIDOS, para nos situarmos até na nossa Fé. ... chega aqui o teu dedo e VÊ as minhas mãos, aproxima a tua mão e Mete-a no meu Lado... E só então Tomé acreditou.
Foram precisas a simplicidade de criança, a confiança de fieis seguidores, a aprendizagem da convivência com o Espírito, a não entendida experiência dos êxtases, para que ,como disse então Jesus ressuscitado, fossemos dos que são felizes por acreditarem mesmo sem terem VISTO.
Não posso deixar de pensar em Saint-Exupéry quando diz que o essencial é aquilo que se nãoVÊ. Em toda a liturgia de hoje adivinhei o segredo de ter a vida em nome de Deus,por via exclusivamente da minha Fé, se bem que insuspeitadas SINESTESIAS tivessem preparado o meu caminho.
Foram precisas a simplicidade de criança, a confiança de fieis seguidores, a aprendizagem da convivência com o Espírito, a não entendida experiência dos êxtases, para que ,como disse então Jesus ressuscitado, fossemos dos que são felizes por acreditarem mesmo sem terem VISTO.
Não posso deixar de pensar em Saint-Exupéry quando diz que o essencial é aquilo que se nãoVÊ. Em toda a liturgia de hoje adivinhei o segredo de ter a vida em nome de Deus,por via exclusivamente da minha Fé, se bem que insuspeitadas SINESTESIAS tivessem preparado o meu caminho.
08 abril 2010
Pesadelo e realidade
Alguém sabe o que é viver-se numa grande cidade que até é apelidada de caótica pelos jornalistas da pequena crónica urbana e por aqueles que nela suam "suor e lágrimas" em horas de ponta, e nessa mesma cidade descobrir-se único e só habitante do seu prédio, rodeado de prédios vazios na totalidade, no coração de uma avenida deserta, com um ou outro carro a passar a espaços largos e sem cão, nem gato e principalmente sem pessoas a pisarem passeios ou asfalto ? Alguém viveu alguma vez uma experiência semelhante ? VIVEU, insisto. Não se trata de nenhum pesadelo, daqueles em que sentimos os pés colados a um chão sinistro, numa rua negra... Não : isto de que falo vivi-o eu em pleno Domingo de Páscoa nesta cidade de Lisboa onde pode acontecer esta coisa espantosa de toda a gente do mesmo prédio sair, sair mesmo da cidade, sendo esta migração geral num bairro, num quarteirão, numa freguesia... Assomar a uma janela, de tarde como de noite ,e ver tudo fechado, olhar as bordas dos passeios para os quais, quando dá jeito, até sobem os carros, e não ver lá nem um só estacionado, e ver de vez em quando passar um autocarro dos transportes públicos, a uma velocidade vertiginosa porque não há "clientes" nas paragens, isto adquire foros de pesadelo mesmo.
Não quero, não devo, especular sobre as várias realidades que subjazem neste acontecimento.Afora os medos reais que isto suscita, atropelam-se as conjecturas sociológicas e até políticas.Que se diz, que se explica e como, àquele ÚNICO que ficou, naturalmente só porque não PODIA ir ? Repare-se que este não poder engloba TODAS as circunstâncias impeditivas...
A pensar, quando se fala em solidariedade.
Não quero, não devo, especular sobre as várias realidades que subjazem neste acontecimento.Afora os medos reais que isto suscita, atropelam-se as conjecturas sociológicas e até políticas.Que se diz, que se explica e como, àquele ÚNICO que ficou, naturalmente só porque não PODIA ir ? Repare-se que este não poder engloba TODAS as circunstâncias impeditivas...
A pensar, quando se fala em solidariedade.
04 abril 2010
Domingo de Páscoa
...a terra era informe e vazia, as trevas cobriam o abismo e o ESPÍRITO DE DEUS movia-se sobre a superfície das águas...
Foi a partir daqui que tudo começou para nós, porque sucessivamente Deus foi vendo que tudo era bom.
Até que o Homem entrando na deriva desta sucessão, foi ocupando os seus lugares, ora tentando guiar-se a si próprio, ora deixando-se guiar, nem sempre talvez como Deus havia visto que era bom...
E chegámos à extraordinária, à espantosa, à misteriosa história de Jesus.
Que celebramos há milhares de anos, arranjando conotações com esse Universo criado - ...dois grandes luzeiros, o maior para presidir ao dia e o menor para presidir á noite...e colocou-os no firmamento dos céus. Seguindo o luzeiro menor, e tendo a terra deixado de ser informe e vazia, festejamos a Passagem, a PÁSCOA desse Jesus como nós o entendemos
Vem marcada a lilás
a Primavera !
Talvez a roxo, dos passos, dos lírios,
dos PASSOS,
dos círios,
dos Compassos
de uma interminável Procissão
de uma densa Paixão
que despenha pelos muros as glicínias
lágrimas grossas a escorrer lilás...
Pietá ainda
pelo drama da SEMENTE
que morreu,
toda a terra se alinda
pela glória dessa flor que RENASCEU !...
Foi a partir daqui que tudo começou para nós, porque sucessivamente Deus foi vendo que tudo era bom.
Até que o Homem entrando na deriva desta sucessão, foi ocupando os seus lugares, ora tentando guiar-se a si próprio, ora deixando-se guiar, nem sempre talvez como Deus havia visto que era bom...
E chegámos à extraordinária, à espantosa, à misteriosa história de Jesus.
Que celebramos há milhares de anos, arranjando conotações com esse Universo criado - ...dois grandes luzeiros, o maior para presidir ao dia e o menor para presidir á noite...e colocou-os no firmamento dos céus. Seguindo o luzeiro menor, e tendo a terra deixado de ser informe e vazia, festejamos a Passagem, a PÁSCOA desse Jesus como nós o entendemos
Vem marcada a lilás
a Primavera !
Talvez a roxo, dos passos, dos lírios,
dos PASSOS,
dos círios,
dos Compassos
de uma interminável Procissão
de uma densa Paixão
que despenha pelos muros as glicínias
lágrimas grossas a escorrer lilás...
Pietá ainda
pelo drama da SEMENTE
que morreu,
toda a terra se alinda
pela glória dessa flor que RENASCEU !...
02 abril 2010
Sexta - feira Santa

Alexandre Herculano
A CRUZ MUTILADA
Amo-te,ó cruz,no vértice firmada
de esplêndidas igrejas;
amo-te quando, à noite,sobre a campa,
junto ao cipreste alvejas;
amo-te sobre o altar, onde, entre incensos,
as preces te rodeiam;
amo-te quando, em préstito festivo,
as multidões te hasteiam;
amo-te erguida no cruzeiro antigo,
no adro do presbitério,
ou quando o morto, impressa no ataúde,
guias ao cemitério;
amo-te, ó cruz, até quando, no vale,
negrejas, triste e só,
núncia do crime a que deveu a terra
do assassinado,o pó.
Porém quando mais te amo
ó cruz do meu Senhor,
é se te encontro à tarde,
antes de o sol se põr,
na clareira da serra,
que o arvoredo assombra
quando à luz que fenece
se estira a tua sombra
e o dia últimos raios
com o luar mistura,
e o seu hino da tarde
o pinheiral murmura...
A CRUZ MUTILADA
Amo-te,ó cruz,no vértice firmada
de esplêndidas igrejas;
amo-te quando, à noite,sobre a campa,
junto ao cipreste alvejas;
amo-te sobre o altar, onde, entre incensos,
as preces te rodeiam;
amo-te quando, em préstito festivo,
as multidões te hasteiam;
amo-te erguida no cruzeiro antigo,
no adro do presbitério,
ou quando o morto, impressa no ataúde,
guias ao cemitério;
amo-te, ó cruz, até quando, no vale,
negrejas, triste e só,
núncia do crime a que deveu a terra
do assassinado,o pó.
Porém quando mais te amo
ó cruz do meu Senhor,
é se te encontro à tarde,
antes de o sol se põr,
na clareira da serra,
que o arvoredo assombra
quando à luz que fenece
se estira a tua sombra
e o dia últimos raios
com o luar mistura,
e o seu hino da tarde
o pinheiral murmura...
28 março 2010
Quaresma 6 - Ramos

Do Evangelho de São Lucas: Jesus,à frente dos discípulos, sobe a Jerusalém... ...
e toda a multidão dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus... ...
Não é difícil de perceber todo o reboliço e movimentação que esta subida provocava pelo caminho, para mais com a guarnição das numerosas grandes folhas de palmeira que cada um agitava, numa glória, enquanto elevava os seus louvores. Foi pois tudo isto um motivo de irritação para os fariseus e para os escribas que tentaram impor a sua indignação exigindo a Jesus que fizesse calar todo aquele aparato. E que lhes responde ELE ? Se eles se calarem, gritarão as pedras.
Quero muito guardar esta resposta de Jesus bem gravada na minha memória, no meu coração, em todo o meu potencial comunicativo, persuasivo mesmo, ser talvez até uma dessas tais pedras em quem Jesus confiava...
A subida é íngreme e vamos subindo, rodeados de fariseus e fariseísmos, não com a mesma voluntariedade de Jesus, mas tentando, tentando sempre... Bom é, por isso, que sejamos pedras e saibamos gritar... Será, como se diz, "meio caminho andado"
e toda a multidão dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus... ...
Não é difícil de perceber todo o reboliço e movimentação que esta subida provocava pelo caminho, para mais com a guarnição das numerosas grandes folhas de palmeira que cada um agitava, numa glória, enquanto elevava os seus louvores. Foi pois tudo isto um motivo de irritação para os fariseus e para os escribas que tentaram impor a sua indignação exigindo a Jesus que fizesse calar todo aquele aparato. E que lhes responde ELE ? Se eles se calarem, gritarão as pedras.
Quero muito guardar esta resposta de Jesus bem gravada na minha memória, no meu coração, em todo o meu potencial comunicativo, persuasivo mesmo, ser talvez até uma dessas tais pedras em quem Jesus confiava...
A subida é íngreme e vamos subindo, rodeados de fariseus e fariseísmos, não com a mesma voluntariedade de Jesus, mas tentando, tentando sempre... Bom é, por isso, que sejamos pedras e saibamos gritar... Será, como se diz, "meio caminho andado"
21 março 2010
Dia da POESIA
Os poemas antigos que fizemos,
sem sabermos porquê são sempre iguais.
Só repetimos coisas que dissemos,
a pensar que são novas e são mais...
Cheiramos outros cheiros mas sabemos
que perfumes assim são sempre iguais.
E sentimo-nos novos com o que temos
como se novos fossemos jamais !
De onde vem e porquê este sentido
de que após cada noite há outro dia ?
De o que foi ter-se-nos já perdido ?
Viver é crer na secreta magia
de poder-se passar além do permitido.
.Quem nos leva pela mão é a POESIA.
sem sabermos porquê são sempre iguais.
Só repetimos coisas que dissemos,
a pensar que são novas e são mais...
Cheiramos outros cheiros mas sabemos
que perfumes assim são sempre iguais.
E sentimo-nos novos com o que temos
como se novos fossemos jamais !
De onde vem e porquê este sentido
de que após cada noite há outro dia ?
De o que foi ter-se-nos já perdido ?
Viver é crer na secreta magia
de poder-se passar além do permitido.
.Quem nos leva pela mão é a POESIA.
Quaresma 5
Manhã, muito cedinho, ainda enublado o céu de Jerusalém, ainda no ar aquele perfume misto de plantinhas humildes e árvores sequiosas, sai Jesus do Monte das Oliveiras aonde mais uma vez se retirara para orar pelo silêncio da noite de estrelas, e dirige-se ao Templo. Não seria sua intenção ficar cá fora, mas vê-se subitamente cercado de uma tal quantidade de gente que resolve parar por ali e sentar-se mesmo no chão para conversar com tamanho auditório... Vejo-o humilde ali, naquela posição, quase abafado pelo povo, e eu, cá atrás, espreito por entre escribas e fariseus e entrevejo-o calmo, talvez um pouco cansado, sem erguer a voz cadenciada, doce e forte em simultãneo, envolvente, a ensinar... Consigo ouvi-lo pois todos o escutam em silêncio... E,quando menos se esperava, um enorme reboliço ali atrás, uma mulher acossada por um grupo ululante,furando,furando em clamor de ameaças e insultos até tudo estacar frente a Jesus...Naquele código de justiça vigente, a mulher iria ser lapidada por acusação de adultério. E eu a olhá-la, miserável, assustada, ali de pé, frente àquele Jesus de quem certamente já ouvira a fama, suspensos todos com ela do castigo que lhe iria atribuir Aquele que só pregava justiça a todo o tempo... Escribas e fariseus não queriam senão colocar Jesus em situação difícil ali,publicamente, trazendo-lhe um "caso" difícil para se poder verificar da Sua coerência... Temi por ELE, confesso.
E aconteceu que vendo Jesus quase imóvel, e sendo agora a vozearia enorme, não consegui ouvir o que Ele falou, mas vi toda a gente começar a debandar, aos poucos, agora dois, logo um só, depois uns três e sempre assim até que só ficou a Pecadora, sempre de pé, frente a Jesus... Atrás de mim, outro curioso como eu disse-me: - ninguém se sentiu em condições de lhe atirar a primeira pedra, como ELE lhes disse... Ouvi então nitidamente aquela voz serena e doce que não se esquece, quando se tem a graça de a ouvir : ... não te condeno.Vai, e doravante não voltes a pecar !...
Nesta hora, Jerusalém já resplandecia para mim, sob um sol aberto e reconfortante que me iluminava os caminhos, mesmo por aquelas ruazinhas mais estreitas e sombrias por onde viera, antes daquele encontro junto ao Templo.
E aconteceu que vendo Jesus quase imóvel, e sendo agora a vozearia enorme, não consegui ouvir o que Ele falou, mas vi toda a gente começar a debandar, aos poucos, agora dois, logo um só, depois uns três e sempre assim até que só ficou a Pecadora, sempre de pé, frente a Jesus... Atrás de mim, outro curioso como eu disse-me: - ninguém se sentiu em condições de lhe atirar a primeira pedra, como ELE lhes disse... Ouvi então nitidamente aquela voz serena e doce que não se esquece, quando se tem a graça de a ouvir : ... não te condeno.Vai, e doravante não voltes a pecar !...
Nesta hora, Jerusalém já resplandecia para mim, sob um sol aberto e reconfortante que me iluminava os caminhos, mesmo por aquelas ruazinhas mais estreitas e sombrias por onde viera, antes daquele encontro junto ao Templo.
19 março 2010
No Dia do Pai
Primeiro, a mão pequenina
aprende os gestos em cruz
e a boquita já murmura
Em nome do Pai...que era
Pai do Menino Jesus...
Junto à cama, pela manhã
e à noite, à cabeceira,
aprendeu a ajoelhar
pra falar com o Pai do Céu.
Mas ao da Terra, esse Pai
que pousa em sua cabeça
a mão quente a abençoar
e o acolhe nos braços
sempre que o fazem chorar,
também aprendeu a amar
mas de uma outra maneira
com outros,diferentes laços...
Crescer...é viver partindo!
Muitas coisas aprendendo,
mas tantas não entendendo...
Ó Pais da Terra e do Céu
ainda nos estais ouvindo?
14 março 2010
Quaresma 4

GAUDETE ! ! !
Hoje os senhores Padres paramentam-se de cor- de -rosa. É, no meio da contristação da quaresma, um parêntesis de alegria. Porque se fala com muita força e bons exemplos de como nós podemos sempre contar com a infinita misericórdia de Deus. E mais : São Paulo fala-nos em reconciliação depois de nos ter dito que o que era antigo passou; tudo foi renovado, porque Deus, por Cristo, reconciliou o mundo consigo, não levando em conta as faltas dos homens por ter identificado Cristo com elas, Ele que delas nos remiu, como sabemos.
E é assim que São Lucas traz o Filho Pródigo de volta à casa do pai que o recebe em festa ( o perdão, está claro ). Só temos que pensar bem na nossa reconciliação partindo de um antigo que merece ( ou não ? ) ser renovado...Gaudete !
Nota: reprodução do quadro de REMBRANDT, O REGRESSO DO FILHO PRÓDIGO
12 março 2010
Professores e Alunos
Foi há dois dias : a última aula do Professor José Gil. Foi lá tanta gente que se tornou necessário passar o som para os corredores por onde se teve que espalhar o auditório. O meu interesse pelo tema desta aula - A formação da linguagem artística e a Filosofia - e a minha admiração pela contribuição que este filósofo tem dado para se estudar Pessoa, além de muitas outras coisas, não vêm hoje aqui à colação. O que me traz ao desabafo, à meditação, é o facto de verificar que, quase em coincidência de datas, há um professor que se aposenta entre aplausos e há outro que se suicida, por não conseguir fazer-se respeitar pelos alunos que troçavam da sua figura e desrespeitavam de toda a maneira as suas aulas de...MÚSICA !
Entretanto, tomando conhecimento desta notícia, não foi possível deixar de associar a esta tragédia a do pequeno transmontano que primeiro diziam ter-se suicidado e agora já afirmam a sua não intenção de matar-se, naquele desespero de atirar-se à tumultuosa corrente do rio.Também este rapaz terá desistido,( mesmo que não fosse em definitivo) , de encontrar o respeito pela sua humanidade da parte dos outros com quem se via obrigado a conviver diariamente.
Então pergunto-me : que mundo é este das escolas, agora ?
Conheci por dentro, primeiro como aluna, depois como professora, escolas públicas e escolas privadas. Era outro tempo, bem sei. Mas porque há-de haver uma tão grande diferença entre os "tempos" como a que vai do viver para o morrer por causa de uma destroçante sensação de incapacidade de reagir contra, de fazer valer os seus valores, de proporcionar o discernimento em uns e outros ?
Dizem os sociólogos que os naturais instintos têm que ser sujeitos a educação para o social, dizem as religiões que o outro pode até ser uma projecção do divino, dizemos nós que por alguma razoabilidade se criou um código de Direitos do Homem. E não há quem pense e faça o MUNDO pensar em tudo isto ? Os jovens, as crianças que hoje se mandam às Escolas em que é que são diferentes daqueles que já gostaram de as frequentar? E o conceito escola - professor - crescimento - aprendizagem, deixou de ter dignidade ? E PRATICABILIDADE ?
Ou bater, falar grosserias, ignorar patamares é mesmo o que as famílias praticam e os jovens apenas reproduzem ?
Diz o Proessor José Gil :No meio da grande perturbação actual.......agarramo-nos... não já ao familiarismo que explodiu como meio envolvente, mas à família desfeita ainda pertinente como ideal imaginário que se remenda todos os dias com a ajuda de psiquiatras, psicólogos e psicanalistas.
Ideal imaginário !... Que pena !
Entretanto, tomando conhecimento desta notícia, não foi possível deixar de associar a esta tragédia a do pequeno transmontano que primeiro diziam ter-se suicidado e agora já afirmam a sua não intenção de matar-se, naquele desespero de atirar-se à tumultuosa corrente do rio.Também este rapaz terá desistido,( mesmo que não fosse em definitivo) , de encontrar o respeito pela sua humanidade da parte dos outros com quem se via obrigado a conviver diariamente.
Então pergunto-me : que mundo é este das escolas, agora ?
Conheci por dentro, primeiro como aluna, depois como professora, escolas públicas e escolas privadas. Era outro tempo, bem sei. Mas porque há-de haver uma tão grande diferença entre os "tempos" como a que vai do viver para o morrer por causa de uma destroçante sensação de incapacidade de reagir contra, de fazer valer os seus valores, de proporcionar o discernimento em uns e outros ?
Dizem os sociólogos que os naturais instintos têm que ser sujeitos a educação para o social, dizem as religiões que o outro pode até ser uma projecção do divino, dizemos nós que por alguma razoabilidade se criou um código de Direitos do Homem. E não há quem pense e faça o MUNDO pensar em tudo isto ? Os jovens, as crianças que hoje se mandam às Escolas em que é que são diferentes daqueles que já gostaram de as frequentar? E o conceito escola - professor - crescimento - aprendizagem, deixou de ter dignidade ? E PRATICABILIDADE ?
Ou bater, falar grosserias, ignorar patamares é mesmo o que as famílias praticam e os jovens apenas reproduzem ?
Diz o Proessor José Gil :No meio da grande perturbação actual.......agarramo-nos... não já ao familiarismo que explodiu como meio envolvente, mas à família desfeita ainda pertinente como ideal imaginário que se remenda todos os dias com a ajuda de psiquiatras, psicólogos e psicanalistas.
Ideal imaginário !... Que pena !
11 março 2010
Viver -quando,como,onde,porquê
Faz precisamente hoje um mês que tive a alegria de me ter sido comunicada a publicação do meu novo livro VIVER - quando,como,onde, porquê. Parecendo talvez que sou espontânea e extrovertida, há certas emoções ( grandes ou extra - ordinárias ) que me estupidificam( do verbo stupeo latino) e é mesmo preciso tempo, espaço, para eu " entrar na real" como dizem os brasileiros.
E agora que já descongelei, posso falar do que foi escrevê-lo e "fazê-lo" e publicá-lo; depois, do que foi comunicar aos amigos a sua existência e por fim do que foi aguardar os comentários ou pelo menos aquelas mostras de regozijo pela realização de um amigo, que são expectáveis.
Antes de tudo, há que explicar que não fui eu que fiz este livro.Nem nunca o teria talvez publicado se não tivesse tido quem o fizesse, como tive.
Ignorava em absoluto que existisse uma empresa editorial a que se acedia pela Net que editava sob nossa encomenda e em condições financeiras completamente originais e atractivas, e ainda sem mais nenhum incómodo para o autor para além do descarregamento do seu texto no mail da editora. Tudo isso foi uma porta que me foi aberta por aquele que conheci como o "Professor para o uso do computador" e que pouco a pouco se foi tornando amigo, conselheiro, auxiliador, sempre atento e pronto tanto a "adivinhar" o auxilio de que estou precisando no momento, como a não se furtar aos incómodos que o prestar esse auxílio lhe possa trazer. Assim, foi ele que chamou a si todas as tarefas da construção do livro, em diálogo com a Editora, ficando para mim apenas os cuidados com os textos. E eis que nos surge algo em que não pensáramos antes : a CAPA.Sem dotes de designer mas com ideias sobre o que queríamos, lembrei então uma oferta que há anos me fora feita pela minha sobrinha VERA, especialista em ilustração de livros... Na troca de dois ou três e-mails transbordantes de simplicidade e boa - vontade, ficou esboçada a capa para cuja simbologia houve troca de opiniões, tendo vencido a do Professor: a força da Vida que sempre vai vencendo os obstáculos e contratempos.
E assim ficou feito o livro.
E assim nasceu a enorme carga de gratidão que eu quero que transpareça ,antes de todo o resto, daquele objecto-livro, quando qualquer pessoa lhe pegar para o ler. Qualquer pessoa... Daqui virão, e já vieram, algumas revelações...
É a tal situação em que o símbolo da capa é afinal válido, como insistiu o Carlos, o Professor. .
E agora que já descongelei, posso falar do que foi escrevê-lo e "fazê-lo" e publicá-lo; depois, do que foi comunicar aos amigos a sua existência e por fim do que foi aguardar os comentários ou pelo menos aquelas mostras de regozijo pela realização de um amigo, que são expectáveis.
Antes de tudo, há que explicar que não fui eu que fiz este livro.Nem nunca o teria talvez publicado se não tivesse tido quem o fizesse, como tive.
Ignorava em absoluto que existisse uma empresa editorial a que se acedia pela Net que editava sob nossa encomenda e em condições financeiras completamente originais e atractivas, e ainda sem mais nenhum incómodo para o autor para além do descarregamento do seu texto no mail da editora. Tudo isso foi uma porta que me foi aberta por aquele que conheci como o "Professor para o uso do computador" e que pouco a pouco se foi tornando amigo, conselheiro, auxiliador, sempre atento e pronto tanto a "adivinhar" o auxilio de que estou precisando no momento, como a não se furtar aos incómodos que o prestar esse auxílio lhe possa trazer. Assim, foi ele que chamou a si todas as tarefas da construção do livro, em diálogo com a Editora, ficando para mim apenas os cuidados com os textos. E eis que nos surge algo em que não pensáramos antes : a CAPA.Sem dotes de designer mas com ideias sobre o que queríamos, lembrei então uma oferta que há anos me fora feita pela minha sobrinha VERA, especialista em ilustração de livros... Na troca de dois ou três e-mails transbordantes de simplicidade e boa - vontade, ficou esboçada a capa para cuja simbologia houve troca de opiniões, tendo vencido a do Professor: a força da Vida que sempre vai vencendo os obstáculos e contratempos.
E assim ficou feito o livro.
E assim nasceu a enorme carga de gratidão que eu quero que transpareça ,antes de todo o resto, daquele objecto-livro, quando qualquer pessoa lhe pegar para o ler. Qualquer pessoa... Daqui virão, e já vieram, algumas revelações...
É a tal situação em que o símbolo da capa é afinal válido, como insistiu o Carlos, o Professor. .
09 março 2010
Dia da Mulher
...e eu que não gosto lá muito dos dias de, não é que ontem me vi comovidamente a entrar nesse dia pelas mãos de quem certamente imaginou uma Maria de Lourdes que eu não pessoalizo ?!
Podia ter-se-me enchido o peito de vaidade. Mas ao que me levaram aqueles queridos tão queridos, foi a fazer uma minuciosa revisão de vida, lenta, `a lupa, e a ficar cheia de interrogações e muito mais preocupada com aquilo de que serei capaz na progressão do meu envelhecer...
Podia ter-se-me enchido o peito de vaidade. Mas ao que me levaram aqueles queridos tão queridos, foi a fazer uma minuciosa revisão de vida, lenta, `a lupa, e a ficar cheia de interrogações e muito mais preocupada com aquilo de que serei capaz na progressão do meu envelhecer...
06 março 2010
Quaresma 3
Hoje, quando menos esperávamos, no meio do frio da nossa invernia persistente, sai-nos ao caminho o reconfortante calor daquela sarça ardente que encheu Moisés de espanto e de responsabilidade... EU SOU !...Tinha agora sobre os seus ombros o peso daquelas palavras saídas do fogo, com a força do fogo !Protectoras, condutoras, mas tão estranhamente misteriosas !...
Do que depois foi,nem Moisés o podia prever naquela hora, naquele espanto...Tanta coisa aconteceu ! Se aquele povo tivesse procedido como o projecto de Deus concebera para o situar na vasta terra onde corria leite e mel, nada teria sido como foi.Nem Jesus teria convivido com a injustiça, a prepotência e as suas vítimas;não teriamcertamente morrido pessoas sob o desabamento da Torre de Siloé, nem tão pouco haveria figueiras estéreis na beira dos caminhos .
O que comprendi hoje foi que me é necessária uma serena mas férrea vontade de não cair,porque, como diz São Paulo, "os desejos perversos" de todos nos arrastam uns com os outros, mesmo os que pensamos que vamos estar sempre de pé, quando o Senhor Deus nos avisa com exemplos dolorosos de quão errado é o caminho que o seu povo está a seguir...
Em presença das trágicas calamidades que esta enorme invernia tem provocado
quantos soterrariam mesmo estas Torres de Siloé ?...
Do que depois foi,nem Moisés o podia prever naquela hora, naquele espanto...Tanta coisa aconteceu ! Se aquele povo tivesse procedido como o projecto de Deus concebera para o situar na vasta terra onde corria leite e mel, nada teria sido como foi.Nem Jesus teria convivido com a injustiça, a prepotência e as suas vítimas;não teriamcertamente morrido pessoas sob o desabamento da Torre de Siloé, nem tão pouco haveria figueiras estéreis na beira dos caminhos .
O que comprendi hoje foi que me é necessária uma serena mas férrea vontade de não cair,porque, como diz São Paulo, "os desejos perversos" de todos nos arrastam uns com os outros, mesmo os que pensamos que vamos estar sempre de pé, quando o Senhor Deus nos avisa com exemplos dolorosos de quão errado é o caminho que o seu povo está a seguir...
Em presença das trágicas calamidades que esta enorme invernia tem provocado
quantos soterrariam mesmo estas Torres de Siloé ?...
28 fevereiro 2010
Quaresma 2

No alto de montanhas embrumadas
sonhei erguer também a minha tenda,
mas de nuvem nenhuma ouvi falar-me
aquela voz que eu queria a consolar-me.
De Tiago, de Pedro ou de João
o silêncio também que Jesus queria...
Gritei, interpelei, nos meus desertos
e apenas encontrei pra mim abertos
os submissos caminhos de Abraão,
e a conturbada estrada que subia...
sonhei erguer também a minha tenda,
mas de nuvem nenhuma ouvi falar-me
aquela voz que eu queria a consolar-me.
De Tiago, de Pedro ou de João
o silêncio também que Jesus queria...
Gritei, interpelei, nos meus desertos
e apenas encontrei pra mim abertos
os submissos caminhos de Abraão,
e a conturbada estrada que subia...
24 fevereiro 2010
As flores que merecemos...

Completar-se-ão em Abril ciquenta e nove anos que vivo como condómina num prédio integrante de um bairro construido na época do Estado Novo com finalidades sociais. E, como tal, penso eu, foi atribuida a cada habitação uma minúscula fatia de terreno, nas trazeiras do prédio, chamando-se-lhe civicamente logradouro. Pouco mais ou menos três palmos por quatro de terreno, não é que permitem que demos asas a algumas fantasias botânicas e até bucólicas ? Logradouro é também para alguns a miniatura de uma lavoura de batatas, alfaces, favas e ainda por cima de árvores de fruto... Em suma uma pequena via de evasão muito bem pensada por quem concebeu o projecto que de certo tinha tanto de psicólogo quanto de arquitecto...
Pois bem. Agora que o Fevereiro se aproxima do fim com um curriculum de invernias desmesuradas e trágicas ( estou a falar do meu Funchal ), quando era costume estarmos já a pressentir a Primavera, olhei cá de cima o meu logradouro hoje de manhã, aproveitando uma pequena "aberta" na ventania e na chuva e_ ninguém me vai acreditar, paciência_ vieram lágrimas aos meus olhos e uma palavra de louvado seja Deus ! aos meus lábios : todos os alvíssimos jarros estão em flor, a cameleira, alvo de todos os meus orgulhos botânicos, coberta de rubras camélias e múltiplos botões, a alfazema transformada num tufo enorme e o abacateiro já criando a sua larga copa, meio verde, meio rosada, com porte já de arvoresinha que está começando a ser !... Quer dizer que a natureza cumpre. Apesar das granizadas, das geadas, das ventanias, do nosso abandono, porque durante estas intempéries nem nos aproximámos delas, as plantinhas cá estão, presentes, todas catitas, coloridas, garbosas, agora algumas a enfeitarem as minhas jarras e darem um ar de festa à minha casa, cumprindo rigorosamente o calendário.
Que lição tirar de tudo isto ? Quando eu tenho andado a pensar, desde o tsunami, passando pelos nevões mortíferos, pelas praias tragadas pelo mar, pelo terramoto do Haiti e por esta avassaladora derrocada da Madeira, tenho andado a pensar,repito, que a Natureza nos está a enviar algum recado, algum aviso, brotam-me "em casa" as flores,`a hora certa, nos dias certos, e mesmo quando eu mais preciso delas... e,talvez, quando menos as mereço ...
Pois bem. Agora que o Fevereiro se aproxima do fim com um curriculum de invernias desmesuradas e trágicas ( estou a falar do meu Funchal ), quando era costume estarmos já a pressentir a Primavera, olhei cá de cima o meu logradouro hoje de manhã, aproveitando uma pequena "aberta" na ventania e na chuva e_ ninguém me vai acreditar, paciência_ vieram lágrimas aos meus olhos e uma palavra de louvado seja Deus ! aos meus lábios : todos os alvíssimos jarros estão em flor, a cameleira, alvo de todos os meus orgulhos botânicos, coberta de rubras camélias e múltiplos botões, a alfazema transformada num tufo enorme e o abacateiro já criando a sua larga copa, meio verde, meio rosada, com porte já de arvoresinha que está começando a ser !... Quer dizer que a natureza cumpre. Apesar das granizadas, das geadas, das ventanias, do nosso abandono, porque durante estas intempéries nem nos aproximámos delas, as plantinhas cá estão, presentes, todas catitas, coloridas, garbosas, agora algumas a enfeitarem as minhas jarras e darem um ar de festa à minha casa, cumprindo rigorosamente o calendário.
Que lição tirar de tudo isto ? Quando eu tenho andado a pensar, desde o tsunami, passando pelos nevões mortíferos, pelas praias tragadas pelo mar, pelo terramoto do Haiti e por esta avassaladora derrocada da Madeira, tenho andado a pensar,repito, que a Natureza nos está a enviar algum recado, algum aviso, brotam-me "em casa" as flores,`a hora certa, nos dias certos, e mesmo quando eu mais preciso delas... e,talvez, quando menos as mereço ...
20 fevereiro 2010
Quaresma 1
Diz São Paulo hoje que está perto de nós a palavra, nos nossos lábios e nos nossos corações, veículo da Fé que nós "passamos" a quem está comnosco. Assim ficou comigo a palavra que li de Nicolas Malebranche :
Senhor, não te esqueças de mim!
Senhor, não te esqueças dos meus problemas, quando eu trato dos teus.
Não te esqueças mesmo quando eu não atendia nem os meus, nem os teus, mesmo quando eu arruinava os meus interesses e adiava os teus.
Quantas vezes derrubei o que tinhas edificado !
Quantas vezes profanei o que tinhas santificado !
Muitas vezes adiei a conclusão da tua obra !
Eis-me perante Ti consciente dos males que causei.
Ponho-me na tua presença como um instrumento pronto a seguir todos os teus movimentos.Ensina-me a reparar as desordens e dá-me a honra de me empregares nos teus serviços. Anima-me com o teu espírito, ilumina-me, fortalece-me.
É com palavras como estas que eu quero colmatar o que me falta para viver em plenitude a presente quaresma. Assim Deus me ajude !
Senhor, não te esqueças de mim!
Senhor, não te esqueças dos meus problemas, quando eu trato dos teus.
Não te esqueças mesmo quando eu não atendia nem os meus, nem os teus, mesmo quando eu arruinava os meus interesses e adiava os teus.
Quantas vezes derrubei o que tinhas edificado !
Quantas vezes profanei o que tinhas santificado !
Muitas vezes adiei a conclusão da tua obra !
Eis-me perante Ti consciente dos males que causei.
Ponho-me na tua presença como um instrumento pronto a seguir todos os teus movimentos.Ensina-me a reparar as desordens e dá-me a honra de me empregares nos teus serviços. Anima-me com o teu espírito, ilumina-me, fortalece-me.
É com palavras como estas que eu quero colmatar o que me falta para viver em plenitude a presente quaresma. Assim Deus me ajude !
18 fevereiro 2010

Férias ! Aquela primeira sílaba muito aberta, aquele F muito esguio, fazem daquela palavra uma espécie de explosão, rebentamento e ascenção,e lá vamos nós ,todos empolgados naquela direcção do que ascende, do que nos leva para cima,do que, ainda por cima, estraleja, brilha, sugere festa, alegria...
E como pode ser tudo isso em tradução baça ?
O céu carregou e adquiriu em definitivo aquela cor cinza sem manchas nem rasgões que, noutras latitudes, é prenúncio de nevão. Só que, por onde andei, o nevão não aconteceu. Veio sim um frio perto do zero e do negativo da escala ,naquele local , mas muito abaixo no negativo lá para Trás-os-Montes , Beiras e Alentejo Perdeu-se então a vontade de andar ao tempo e voltámo-nos para dentro dos quentinhos das casas com as suas labaredas de boa lenha de azinho a crepitar nas lareiras. O estralejar festivo da palavra FÉRIAS, passou a residir no estalar das grossas cavacas.
E todos os prazeres , desde a leitura partilhada e discutida, até à escolha da música mais apetecida, com as problemáticas situações a resolver em jogos de sala ingleses, e excelentes petiscos a intervalar, foram sendo adicionados ao mágico deixar correr o tempo a ver chover, através das portadas de vidro.
Perguntar-se-á se a esta espécie de pacífico torpor se poderá associar a ideia de que estas são, foram, as férias dos bailes até de manhã, dos corsos e batalhas de flores, dos concursos de trajes de mascarados, das partidas com bolos feitos de algodão,
inocentíssimos gozos e marotices de que depois ainda nos penitenciávamos na Quaresma a chegar. Poderá ser que estejamos a falar apenas de recordações que aqui e ali neste nosso país ainda muito esporadicamente se fazem lembrar?
Pois pode ser, pode! Prova disso mesmo estas pequenas férias de quatro dias apanhando esse tãoestafado Carnaval que nos tempos que passam já pouca gente atura. Os portugueses estamos menos amigos de brincar daquela maneira meio infantil que antigamente recebia o nome de entrudo e que era atrevida, galhofeira, um tanto grosseira às vezes, um tanto lasciva mas com alegria sã. Os carnavais eróticos e teatrais importáveis de outros países vieram alterar aquilo que antes poderia ter sido uma forma de purga de alguns desgostos sofridos em silêncio.
Por isso então o Carnaval passou a ser uma época para pequenas viagens, para a NEVE quase sempre... E, em matéria de neve , este Carnaval foi excelente na nossa terra! Em frio, como já
O céu carregou e adquiriu em definitivo aquela cor cinza sem manchas nem rasgões que, noutras latitudes, é prenúncio de nevão. Só que, por onde andei, o nevão não aconteceu. Veio sim um frio perto do zero e do negativo da escala ,naquele local , mas muito abaixo no negativo lá para Trás-os-Montes , Beiras e Alentejo Perdeu-se então a vontade de andar ao tempo e voltámo-nos para dentro dos quentinhos das casas com as suas labaredas de boa lenha de azinho a crepitar nas lareiras. O estralejar festivo da palavra FÉRIAS, passou a residir no estalar das grossas cavacas.
E todos os prazeres , desde a leitura partilhada e discutida, até à escolha da música mais apetecida, com as problemáticas situações a resolver em jogos de sala ingleses, e excelentes petiscos a intervalar, foram sendo adicionados ao mágico deixar correr o tempo a ver chover, através das portadas de vidro.
Perguntar-se-á se a esta espécie de pacífico torpor se poderá associar a ideia de que estas são, foram, as férias dos bailes até de manhã, dos corsos e batalhas de flores, dos concursos de trajes de mascarados, das partidas com bolos feitos de algodão,
inocentíssimos gozos e marotices de que depois ainda nos penitenciávamos na Quaresma a chegar. Poderá ser que estejamos a falar apenas de recordações que aqui e ali neste nosso país ainda muito esporadicamente se fazem lembrar?
Pois pode ser, pode! Prova disso mesmo estas pequenas férias de quatro dias apanhando esse tãoestafado Carnaval que nos tempos que passam já pouca gente atura. Os portugueses estamos menos amigos de brincar daquela maneira meio infantil que antigamente recebia o nome de entrudo e que era atrevida, galhofeira, um tanto grosseira às vezes, um tanto lasciva mas com alegria sã. Os carnavais eróticos e teatrais importáveis de outros países vieram alterar aquilo que antes poderia ter sido uma forma de purga de alguns desgostos sofridos em silêncio.
Por isso então o Carnaval passou a ser uma época para pequenas viagens, para a NEVE quase sempre... E, em matéria de neve , este Carnaval foi excelente na nossa terra! Em frio, como já
disse, excederam-se as previsões. Por detrás das grandes portadas de vidro recordáva-se a luminosa paisagem de verão e isso era já parte dos doces calorsinhos que nos envolveram estes dias... Como dizia Santa Teresa só isso basta ( bastou, digo eu...)
11 fevereiro 2010

Um dia pleno ! Isto é tão raro que até apetece registar : haver um dia em que só acontecem coisas boas, positivas,que dão alegria . A notícia da saída do meu LIVRO, tão esperada, logo à hora do pequeno almoço. Um alvoroço daqueles que se não podem suportar a´sós e vá de telefonar, comunicar, ouvir... E, dia da minha Nossa Senhora padroeira, Nossa Senhora de Lourdes ! Logo hoje ! Tive a estranha sensação de SER ! ÚNICA. ISOLADA. EU. Pronto, é vaidade.Começa-se logo a ficar IMENSA! E, subitamente,felizmente, rasga-se esta nuvem, porque alguém vem falar-nos de qualquer coisa real e comesinha, como por exemplo está na sala a administradora do condomínio...E lá retomo eu o meu tamanho real. Recebo a senhora ainda um pouco alvoroçada mas só eu o sei. Os assuntos a tratar eram simpáticos e a Senhora é-o também.A seguir, a Paróquia, na pessoa da senhora Voluntária que me assiste :" vou buscá-la espere-me às duas.Está um dia lindo.! " E esteve. Na minha Igreja, tanta gente a mimar-me e depois os cãnticos, lindos, suaves, propícios ao recolhimento, á tomada de consciência de quanto vale mesmo este tesouro que é VIVER, apesar de termos ainda no peito aquele amargo de termos perdido mais aquela amiga que partiu no domingo... Ontem, por causa disso, uma aluna trazia-me uns bolinhos feitos por ela , com o seu carinho jovem, generoso, que torna só por si a Vida bela É mesmo misterioso tudo isto que se passa em redor de estarmos vivos e gostarmos, sempre e apesar de tanta coisa que dói... A nossa Fé com os seus ritos adoça tanto as desesperanças que julgamos não poder vencer !
Foi realmente um dia feliz ,este de hoje.
Foi realmente um dia feliz ,este de hoje.
07 fevereiro 2010
....ao Largo !
FAZ-TE AO LARGO ! - em São Lucas, hoje.
Devemos ler : Ultrapassa os teus limites , na nossa vida, especialmente AGORA !
Devemos ler : Ultrapassa os teus limites , na nossa vida, especialmente AGORA !
05 fevereiro 2010
Ensinar Português hoje
É um fim de dia, acabadas as aulas, e posso dizer que preciso de um descanso, como um guerreiro depois da batalha. Porque é uma verdadeira luta prender o interesse e o gosto pela literatura em geral e particularmente pela poesia a rapazes de dezasseis e dezoito anos, praticantes de todos os desportos, alguns até federados, e entusiastas de toda a espécie de youtubes e ipods e ipads que há. Toda a capacidade criativa de qualquer professor de Português de hoje, tenho a certeza que esbarra com as modernas barreiras de transmissão de conhecimentos, a começar até pela própria Língua, visto que é o inglês que predomina e acontece por vezes que, para" entrarem" melhor no sentido de algumas palavras ou frases eles me perguntam mas quer dizer isto?, sendo o isto dito em inglês !
Mas a verdade é que, quanto mais avançam no cumprimento dos Programas dos respectivos anos, mais as coisas se complicam porque os autores a estudar se lhes vão revelando cada vez mais hereméticos, quase inacessíveis. O primeiro embate vem com o Fernando Pessoa e a questão dos heterónimos. Não acredito que o imenso número de estudantes dos últimos três ou cinco anos que "passou" nos exames em que os textos fossem de Pessoa seja hoje e agora conhecedor de alguma coisa que reste do que meteu na cabeça à força, para o exame apenas, não para SABER. Claro que estou a não contar com as excepçõrs que, quando aparecem são as delícias da alma de qualquer professor. Posso gabar-me de já ter tido essa experiência algumas vezes. Amarem o autor, perceberem a elegância, a ironia, a metáfora, o non-sense, a desconstrução, e o sabor das palavras...Quando isso acontece, é certo que gostam, perguntam, querem saber mais...
Todo este meu desabafo é apenas e só porque creio que o estudo do Português tem que ser conduzido noutro sentido,ou noutros sentidos, porque há demasiada variedade de interesses nos alunos de hoje e não se lhes pode exigir que amem o que nada,fora da aula, os prepara para entenderem. E acresce que os novíssimos autores se deliciam cada vez mais numa forma heremética e cabalística de se exprimirem e que a Língua portuguesa está a ser cada vez mais sacudida por enormes abanões que a diminuem em todo o terreno.
A Língua Portuguesa será ainda a nossa Pátria?
Mas a verdade é que, quanto mais avançam no cumprimento dos Programas dos respectivos anos, mais as coisas se complicam porque os autores a estudar se lhes vão revelando cada vez mais hereméticos, quase inacessíveis. O primeiro embate vem com o Fernando Pessoa e a questão dos heterónimos. Não acredito que o imenso número de estudantes dos últimos três ou cinco anos que "passou" nos exames em que os textos fossem de Pessoa seja hoje e agora conhecedor de alguma coisa que reste do que meteu na cabeça à força, para o exame apenas, não para SABER. Claro que estou a não contar com as excepçõrs que, quando aparecem são as delícias da alma de qualquer professor. Posso gabar-me de já ter tido essa experiência algumas vezes. Amarem o autor, perceberem a elegância, a ironia, a metáfora, o non-sense, a desconstrução, e o sabor das palavras...Quando isso acontece, é certo que gostam, perguntam, querem saber mais...
Todo este meu desabafo é apenas e só porque creio que o estudo do Português tem que ser conduzido noutro sentido,ou noutros sentidos, porque há demasiada variedade de interesses nos alunos de hoje e não se lhes pode exigir que amem o que nada,fora da aula, os prepara para entenderem. E acresce que os novíssimos autores se deliciam cada vez mais numa forma heremética e cabalística de se exprimirem e que a Língua portuguesa está a ser cada vez mais sacudida por enormes abanões que a diminuem em todo o terreno.
A Língua Portuguesa será ainda a nossa Pátria?
03 fevereiro 2010
...estará "o inverno fora" ?
...E não é que se confirma? Desde que sou gente que oiço " se chora, está o inverno fora, se rir está para vir" Isto quanto ao cariz meteorológico do dia. Pois ontem esteve um dia lindo ! Só um pouquinho de frio, mas até já apetecia abrir as janelas e deixar entrar a Primavera. Era o dia da Senhora das Candeias.
Hoje, que é do sol ? Chove miudinho e o céu é outra vez uma pasta de chumbo...
Grande é a sabedoria do povo !
Hoje, que é do sol ? Chove miudinho e o céu é outra vez uma pasta de chumbo...
Grande é a sabedoria do povo !
31 janeiro 2010
AMOR
O Amor é paciente
O Amor é amável, não é invejoso.
O Amor não é vaidoso, nem soberbo, nem inconveniente.
Não é interesseiro, nem irritável, nem rancoroso.
Não se alegra com a injustiça, mas sim com o triunfo da verdade.
Tudo desculpa.
Tudo acredita.
Tudo espera.
Tudo suporta.
O Amor nunca desaparece.
São Paulo
Se eu tudo fizer sem AMOR, não serei mais do que um bronze que ressoa ou um metal que tange.
O Amor é amável, não é invejoso.
O Amor não é vaidoso, nem soberbo, nem inconveniente.
Não é interesseiro, nem irritável, nem rancoroso.
Não se alegra com a injustiça, mas sim com o triunfo da verdade.
Tudo desculpa.
Tudo acredita.
Tudo espera.
Tudo suporta.
O Amor nunca desaparece.
São Paulo
Se eu tudo fizer sem AMOR, não serei mais do que um bronze que ressoa ou um metal que tange.
29 janeiro 2010
Quando a palavra não é de prata
Um dos provérbios que aprendi na Escola foi ... o slêncio é de ouro e a palavra é prata...Creio que me ensinaram isto, porque eu era uma tagarela muito dificilmente controlável, mas esse gosto de comunicar faz parte da minha constituição e só com o advir da maturidade me apercebi do enorme potencial do silêncio e da perigosidade da palavra...
Aconteceu-me há dias um convite encantador de uns amigos para ir com eles fazer um passeio ~por uma região que muito aprecio, de campos amplos, cultivados, aqui e ali irrigados por boas manchas de água, vizinhas ainda do Tejo, zona de boas e antigas propriedades rurais hoje conhecidas ou pela sua produção de vinho ou pela sua criação de cavalos, um país "limpo", genuino, em cujas vilas cheira a pão quente e a adegas frescas de vinhos bem perfumados...
Este convite era também para justamente almoçar , claro está que um almoço a condizer com o ambiente ... E então, com o restaurante já previamente escolhido por informação que o meu amigo procurara, vimo-nos recebidos num ambiente atraente, cavacas a arder na lareira, mesas postas com toalhas de bordadinhos simples, da região, fotos nas paredes de motivos tradicionais
do local, enfim, mesmo apetitoso para satisfazer as fomes e os frios que levávamos. E é-nos apresentada a "lista" das comidas típicas e características da terra de uma forma original pois foi feito oralmente e com explicação minuciosa da composição de cada prato, pelo dono do restaurante.Até aí, engraçado, fora do comum... Só que daí por diante nunca mais parou a catadupa de palavras com que aquele anfitrião achou por bem mimosear-nos, na ânsia de tudo contar, tudo explicar, tudo mostrar do que se fazia na casa, na terra, nos arredores, no país...
Não nos deixou um só instante e estava feliz, rejubilava, nós só podendo ir dando a menor réplica possível, já a medo, porque cada palavra nossa suscitava a tumultuosa continuação de novas explicações, apresentações etc. Aquele homem conhcia literatura, arte, história, política e tudo e tudo, para além da comida ( que aliás era excelente ) que nos punha na mesa ! ! ! Saímos bem almoçados, sim, mas sem vontade de voltar... Que pena ! O restaurante não tinha outros clientes senão nós. Seria já por isso ? Aquele homem está afogado em solidão certamente...
Mas para ele é que o silêncio seria de ouro, se tivessemos tido oportunidade de lho dizer...
Aconteceu-me há dias um convite encantador de uns amigos para ir com eles fazer um passeio ~por uma região que muito aprecio, de campos amplos, cultivados, aqui e ali irrigados por boas manchas de água, vizinhas ainda do Tejo, zona de boas e antigas propriedades rurais hoje conhecidas ou pela sua produção de vinho ou pela sua criação de cavalos, um país "limpo", genuino, em cujas vilas cheira a pão quente e a adegas frescas de vinhos bem perfumados...
Este convite era também para justamente almoçar , claro está que um almoço a condizer com o ambiente ... E então, com o restaurante já previamente escolhido por informação que o meu amigo procurara, vimo-nos recebidos num ambiente atraente, cavacas a arder na lareira, mesas postas com toalhas de bordadinhos simples, da região, fotos nas paredes de motivos tradicionais
do local, enfim, mesmo apetitoso para satisfazer as fomes e os frios que levávamos. E é-nos apresentada a "lista" das comidas típicas e características da terra de uma forma original pois foi feito oralmente e com explicação minuciosa da composição de cada prato, pelo dono do restaurante.Até aí, engraçado, fora do comum... Só que daí por diante nunca mais parou a catadupa de palavras com que aquele anfitrião achou por bem mimosear-nos, na ânsia de tudo contar, tudo explicar, tudo mostrar do que se fazia na casa, na terra, nos arredores, no país...
Não nos deixou um só instante e estava feliz, rejubilava, nós só podendo ir dando a menor réplica possível, já a medo, porque cada palavra nossa suscitava a tumultuosa continuação de novas explicações, apresentações etc. Aquele homem conhcia literatura, arte, história, política e tudo e tudo, para além da comida ( que aliás era excelente ) que nos punha na mesa ! ! ! Saímos bem almoçados, sim, mas sem vontade de voltar... Que pena ! O restaurante não tinha outros clientes senão nós. Seria já por isso ? Aquele homem está afogado em solidão certamente...
Mas para ele é que o silêncio seria de ouro, se tivessemos tido oportunidade de lho dizer...
24 janeiro 2010
As Palavras
São como um cristal
as palavras.
Algumas,um punhal.
um incêndio.
Outras, orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves,
tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as ouve? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
em suas conchas puras ?
EUGÉNIO DE ANDRADE - As Palavras
Hoje é realmente o dia de meditarmos sobre a força, o poder, o alcance das palavras. A LITURGIA trouxe-nos a reconstituição do primeiro dia em que o povo ouve "as palavras da Lei" lidas em grande pompa e ouvidas com lágrimas em Jerusalém reconstruida e é também o dia em que São Lucas narra a primeira apresentação de si mesmo feita por Jesus como emissário comunicador da "palavra" de Deus,na sinagoga de Nazaré.
Há ainda a lembrar que hoje é para os jornalistas em particular e até para os escritores em geral, o dia de parar um pouco a pensar em São Francisco de Sales, um seu patrono tão simpático, tão sabedor, tão amigo de escrever e ensinar cuja memória é guardada nos Colégios Salesianos...
Todas juntas andam pelo dia de hoje AS PALAVRAS, como dizia o poeta, desamparadas, inocentes, leves, mas a lembrar-nos a força suficiente que têm para vencer séculos de mensagens que, como sabemos, tanta vez chegam para abalar todo o Mundo !...
as palavras.
Algumas,um punhal.
um incêndio.
Outras, orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves,
tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as ouve? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
em suas conchas puras ?
EUGÉNIO DE ANDRADE - As Palavras
Hoje é realmente o dia de meditarmos sobre a força, o poder, o alcance das palavras. A LITURGIA trouxe-nos a reconstituição do primeiro dia em que o povo ouve "as palavras da Lei" lidas em grande pompa e ouvidas com lágrimas em Jerusalém reconstruida e é também o dia em que São Lucas narra a primeira apresentação de si mesmo feita por Jesus como emissário comunicador da "palavra" de Deus,na sinagoga de Nazaré.
Há ainda a lembrar que hoje é para os jornalistas em particular e até para os escritores em geral, o dia de parar um pouco a pensar em São Francisco de Sales, um seu patrono tão simpático, tão sabedor, tão amigo de escrever e ensinar cuja memória é guardada nos Colégios Salesianos...
Todas juntas andam pelo dia de hoje AS PALAVRAS, como dizia o poeta, desamparadas, inocentes, leves, mas a lembrar-nos a força suficiente que têm para vencer séculos de mensagens que, como sabemos, tanta vez chegam para abalar todo o Mundo !...
20 janeiro 2010
Haiti
Eu até nem queria escrever . Porque me ultrapassa em muito: em grandeza, em crueza, em espanto...O Haiti ! O Mundo. O Ser Humano. A Terra.
Que é tudo isto? Vejo-os, como vermes a rastejarem sobre escombros, a esgueirarem-se entre frinchas, buracos, lixos,valetas...Farejados por cães ou por malandros...Inertes mas ainda vivos... Vivos mas soterrados até nos próprios gritos...E os olhos enormes das crianças, imensos, águas paradas, glaucas, sem entenderem...Uns olhos como nunca vi, a olharem como nunca olharam...
E pairam, sobrevoam, ávidas, todas as camaras de todos os que não são dali, mas querem ver, saber de longe como se estivessem lá... Como se estivessem lá... E o que será estar lá? Com o corpo e tudo a doer, pelo calor, pelo cheiro de náusea, pela ausência de TUDO menos do quase escândalo de se sentir corpo vivo ? É generoso ESTAR ali ? Será ? Será mesmo com o que nos resta de AMOR pelo OUTRO ,neste planeta que nos cospe, nos repele, será mesmo amor ou será apenas CUMPRIR ? Tudo tão estremado agora, com a Terra a tremer mais e ainda, como ver claro entre o que é de fazer fé e o que é esvaír-se tudo para um futuro que,a haver, será estropiado de corpo e alma?
Que é tudo isto? Vejo-os, como vermes a rastejarem sobre escombros, a esgueirarem-se entre frinchas, buracos, lixos,valetas...Farejados por cães ou por malandros...Inertes mas ainda vivos... Vivos mas soterrados até nos próprios gritos...E os olhos enormes das crianças, imensos, águas paradas, glaucas, sem entenderem...Uns olhos como nunca vi, a olharem como nunca olharam...
E pairam, sobrevoam, ávidas, todas as camaras de todos os que não são dali, mas querem ver, saber de longe como se estivessem lá... Como se estivessem lá... E o que será estar lá? Com o corpo e tudo a doer, pelo calor, pelo cheiro de náusea, pela ausência de TUDO menos do quase escândalo de se sentir corpo vivo ? É generoso ESTAR ali ? Será ? Será mesmo com o que nos resta de AMOR pelo OUTRO ,neste planeta que nos cospe, nos repele, será mesmo amor ou será apenas CUMPRIR ? Tudo tão estremado agora, com a Terra a tremer mais e ainda, como ver claro entre o que é de fazer fé e o que é esvaír-se tudo para um futuro que,a haver, será estropiado de corpo e alma?
17 janeiro 2010
...não têm vinho...
Mulher, o que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora...
Sempre foi uma coisa que me chocou, desde os princípios da catequese, ouvir Jesus dirigir-se a sua Mãe dizendo "mulher". Eu nunca me dirigiria assim à minha Mãe, nem tão pouco qualquer outra pessoa que eu conheça ou tenha conhecido.Esta situação surgida no Evangelho de hoje,sobre"As bodas de Caná " veio dar-me pretexto para mais uma vez destacar a razoabilidade de muitas das nossas estranhezas perante determinados sucessos , palavras e frases que, no mínimo, nos espantam, quando não nos chocam ou até nos desnorteiam. Dizia eu, destacar a razoabilidade... Pois !É que estamos constantemente a esquecer a distância de quase 3000 anos que separa a nossa "apurada" civilização e sua civilidade daquela que nós fomos "fabricando" até agora.Como seriam
antipodamente diferentes as relações marido/mulher, pais/filhos, crentes/não crentes, etc., etc.! Mas hoje Jesus fala a sua Mãe daquela maneira como iniciei esta meditação, porque,no cumprimento da sua vida pública, é com ela convidado para uma festa de casamento e nessa festa dá.se a falha de faltar o vinho e é Maria que vem até ele como a pedir-lhe que dê remédio á situação ( Ela lá sabia porque o fazia...) , Vejamos agora os símbolos e deixemos o estilo elocutório. Ensinaram-me uma coisa junto com o enorme respeito por Jesus : é que Jesus não era um prestidigitador. Por isso nunca iria transformar a água das velhas bilhas em vinho nenhum.Simbolizavam as velhas talhas "vazias" a ausência de FÉ, a ausência de DEUS e, depois de alguns escolhidos terem feito como lhes disse Maria fazei o que ELE vos disser,começaram então aqueles que eram convidados a poder saborear "o melhor vinho", o Amor de Deus, o carinho do Espírito Santo, a presença de Jesus real mente a seu lado. Ainda hoje somos "convidados" em muitas Bodas de Caná que há por aí sem VINHO ... Em cada vez mais bodas, cada vez com mais talhas velhas e vazias...
Sempre foi uma coisa que me chocou, desde os princípios da catequese, ouvir Jesus dirigir-se a sua Mãe dizendo "mulher". Eu nunca me dirigiria assim à minha Mãe, nem tão pouco qualquer outra pessoa que eu conheça ou tenha conhecido.Esta situação surgida no Evangelho de hoje,sobre"As bodas de Caná " veio dar-me pretexto para mais uma vez destacar a razoabilidade de muitas das nossas estranhezas perante determinados sucessos , palavras e frases que, no mínimo, nos espantam, quando não nos chocam ou até nos desnorteiam. Dizia eu, destacar a razoabilidade... Pois !É que estamos constantemente a esquecer a distância de quase 3000 anos que separa a nossa "apurada" civilização e sua civilidade daquela que nós fomos "fabricando" até agora.Como seriam
antipodamente diferentes as relações marido/mulher, pais/filhos, crentes/não crentes, etc., etc.! Mas hoje Jesus fala a sua Mãe daquela maneira como iniciei esta meditação, porque,no cumprimento da sua vida pública, é com ela convidado para uma festa de casamento e nessa festa dá.se a falha de faltar o vinho e é Maria que vem até ele como a pedir-lhe que dê remédio á situação ( Ela lá sabia porque o fazia...) , Vejamos agora os símbolos e deixemos o estilo elocutório. Ensinaram-me uma coisa junto com o enorme respeito por Jesus : é que Jesus não era um prestidigitador. Por isso nunca iria transformar a água das velhas bilhas em vinho nenhum.Simbolizavam as velhas talhas "vazias" a ausência de FÉ, a ausência de DEUS e, depois de alguns escolhidos terem feito como lhes disse Maria fazei o que ELE vos disser,começaram então aqueles que eram convidados a poder saborear "o melhor vinho", o Amor de Deus, o carinho do Espírito Santo, a presença de Jesus real mente a seu lado. Ainda hoje somos "convidados" em muitas Bodas de Caná que há por aí sem VINHO ... Em cada vez mais bodas, cada vez com mais talhas velhas e vazias...
12 janeiro 2010
Fair - play
Porque hoje tive tempo livre de outras obrigações, resolvi, dar uma volta pelo meu blog, digamos que em jeito de vamos lá ver se isto vai correspondendo ao que eu quero... E então vi "claramente visto" o nunca premeditado pendor religioso a que sou levada creio que por quase só escrever aos domingos e depois da missa. Já uma amiga me procurou carregada de teorias, teses e premonições, pensando ter descoberto razões para tal facto, mas só conseguiu com isso preocupar-me e encher-me de dúvidas... É certo que não tenho passado uma das melhores possíveis fases de saúde física e psicológica ( qual delas é consequência de qual ?), é certo que as habituais tarefas natalícias este ano me cansaram mais, mostrando a mim própria que já não chego onde chegava, é certo que a intempérie e a cor do céu não ajudaram nada a rasgos de alegria, é certo, parece-me, que perdi um bocadinho o fair-play para este jogo com o envelhecer... Talvez seja tudo isto que acaba por ir tecendo uma certa carência de espiritualidade e uma consequente menor tolerância para as banalidades quotidianas.Somos nós que escolhemos a direcção a seguir ou é uma deriva perfeitamente espontânea e natural ? Foi para recolher melhor informação que hoje vim fazer este reconhecimento . Acabara de sair uma aluna que recebe duas horas seguidas de lição sem uma quebra de alegria ou mostra de cansaço. É tão bem disposta e enche-me a casa de uma tal quantidade de valores positivos que me senti encorajada a vir ao encontro do tal vamos lá a ver...Uma pequena recuperação do fair-play necessário também para isto de escrever ainda que seja um simples blog.
10 janeiro 2010
Tirar da "prisão" os cativos...
Estamos no tal período em que Lisboa bate o dente com frio, se se levanta cedo, se anda na rua depois das cinco e tal da tarde e se em casa não tem fontes de aquecimento.Já até tem acontecido cairem uns farrapinhos de neve ! Quando eu era aluna da Faculdade, caiu mesmo um bom nevão que permitiu a alunos e alguns Mestres irmos "brincar" com a neve para o Parque Eduardo VII !
Hoje, acabada a missa das dez, começou a organizar-se um temporal com chuva gelada, nuvens pesadas e vento de rajadas e assobios, coisa que ninguém esperava depois da grande manhã primaveril do dia de ontem...É esta a despedida do tempo de Natal. Definitiva, para este 2009/2010.
Todos os textos da liturgia são hoje dedicados ao baptismo de Jesus nas águas do Jordão. Quantos de nós não vimos já em filmes óptimos a cena majestosa na sua humildade,daquele quase gigante João Baptista a fazer entrar na água a dócil figura de Jesus perante o olhar meio espantado, meio temeroso de uma pequena multidão de recém ou pré baptisados também ? E aqueles sinais de divindade e Amor de Deus, traduzidos conforme a sensibilidade do cineasta ?
Pois é aí , é nesse justo momento que podemos dizer que se apresenta "oficialmente" Jesus. É o início do que se chama a sua vida pública.
Figura humilde e obscura na sociedade em que estava inserido pela sua pertença familiar, se exceptuarmos uns pequenos episódios como a simbólica visita dos magos ou a convivência do menino com os doutores, no templo, nada, na quotidiana vida simples de Jesus o tornava sobresaliente no meio em que foi vivendo e crescendo, como Homem. Pois é então pelo Baptismo que celebramos hoje que ELE é investido na sua extraordinária Missão de abrir os olhos aos cegos e libertar...os que habitam nas trevas...
Vai começar um período pré- Pascal que corresponderá aos três anos em que se deu o desenvolvimento galopante dessa tarefa única de Alguém que teve de Deus e Homem a bondade e os sonhos...
Hoje, acabada a missa das dez, começou a organizar-se um temporal com chuva gelada, nuvens pesadas e vento de rajadas e assobios, coisa que ninguém esperava depois da grande manhã primaveril do dia de ontem...É esta a despedida do tempo de Natal. Definitiva, para este 2009/2010.
Todos os textos da liturgia são hoje dedicados ao baptismo de Jesus nas águas do Jordão. Quantos de nós não vimos já em filmes óptimos a cena majestosa na sua humildade,daquele quase gigante João Baptista a fazer entrar na água a dócil figura de Jesus perante o olhar meio espantado, meio temeroso de uma pequena multidão de recém ou pré baptisados também ? E aqueles sinais de divindade e Amor de Deus, traduzidos conforme a sensibilidade do cineasta ?
Pois é aí , é nesse justo momento que podemos dizer que se apresenta "oficialmente" Jesus. É o início do que se chama a sua vida pública.
Figura humilde e obscura na sociedade em que estava inserido pela sua pertença familiar, se exceptuarmos uns pequenos episódios como a simbólica visita dos magos ou a convivência do menino com os doutores, no templo, nada, na quotidiana vida simples de Jesus o tornava sobresaliente no meio em que foi vivendo e crescendo, como Homem. Pois é então pelo Baptismo que celebramos hoje que ELE é investido na sua extraordinária Missão de abrir os olhos aos cegos e libertar...os que habitam nas trevas...
Vai começar um período pré- Pascal que corresponderá aos três anos em que se deu o desenvolvimento galopante dessa tarefa única de Alguém que teve de Deus e Homem a bondade e os sonhos...
03 janeiro 2010
Epifania
Passaram as "festas", isto é, pararam ! O que ainda não parou foi a chuva.
Hoje, Domingo da Epifania, as leituras de Isaías, de S.Paulo ou de São Mateus levam-nos para uma atmosfera de júbilo por causa da mundialização daquele Menino,digamos que oficializada pela visita dos representantes do mundo conhecido então. Os três Reis Magos, cada um sua parcela desse mundo, não são hoje particularmente celebrados, mas sim o reconhecimento oficial de que era aquele o alvo das suas homenagens,àquele a quem vinham oferecer,de joelhos, as riquezas simbólicas das suas regiões, porque como Rei o reconheciam e aceitavam. Tão bonito ! Enche-me de admiração esta vertente meia oriental de ser possível, através de símbolos e metáforas riquíssimos, construir uma História quase ingénua de acontecimentos tão extraordinariamente importantes e difíceis de explicar... E assim me encontrei beatificamente em paz, respirando fundo pela libertação das "festas" que, na sua tradução social acabam por tanto nos cansarem e, como Baltazar, Melchior e Gaspar, voltei por um outro caminho para não abrir mão da beleza do MEU Natal...
Hoje, Domingo da Epifania, as leituras de Isaías, de S.Paulo ou de São Mateus levam-nos para uma atmosfera de júbilo por causa da mundialização daquele Menino,digamos que oficializada pela visita dos representantes do mundo conhecido então. Os três Reis Magos, cada um sua parcela desse mundo, não são hoje particularmente celebrados, mas sim o reconhecimento oficial de que era aquele o alvo das suas homenagens,àquele a quem vinham oferecer,de joelhos, as riquezas simbólicas das suas regiões, porque como Rei o reconheciam e aceitavam. Tão bonito ! Enche-me de admiração esta vertente meia oriental de ser possível, através de símbolos e metáforas riquíssimos, construir uma História quase ingénua de acontecimentos tão extraordinariamente importantes e difíceis de explicar... E assim me encontrei beatificamente em paz, respirando fundo pela libertação das "festas" que, na sua tradução social acabam por tanto nos cansarem e, como Baltazar, Melchior e Gaspar, voltei por um outro caminho para não abrir mão da beleza do MEU Natal...
01 janeiro 2010
Primeiro dia de 2010
...do Ano-Novo espero as alvoradas
de manhãs que até hoje esperei em vão...
De um poema que escrevi há mais de cinquenta anos retiro ainda esta realidade que não seria de esperar pudesse revivê-la.A verdade porém é que podem ser outras as manhãs, mas eu continuo a ser a mesma !
de manhãs que até hoje esperei em vão...
De um poema que escrevi há mais de cinquenta anos retiro ainda esta realidade que não seria de esperar pudesse revivê-la.A verdade porém é que podem ser outras as manhãs, mas eu continuo a ser a mesma !
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