Aconteceu-me que fui educada numa família onde era pedra basilar o respeito de um por cada um dos outros. Apesar de ainda se estar no início de uma curva ascendente no que dizia respeito à educação das meninas e à sua preparação para seres independentes e autónomos, eu tive a sorte de ter sido apanhada pela total adesão dos meus Pais a essa moderna forma de educar. E assim aprendi muito nova a real, verdadeira e respeitável forma de ser do outro, sabendo também, no formato regras de boa educação ,que não se agrediam verbalmente as pessoas, pois, ofendendo-as, coartaria a sua´própria liberdade de serem como eram.NUNCA se mostrou oportuno aos meus Pais, por exemplo, trocarem comigo comentários sobre a bondade profissional dos meus professores. No entanto eles iam aos meus colégios amiudadas vezes, justamente para falarem com os professores. Nesse tempo ainda nem se sonhava com comissões de Pais...E, no seguimento de uma tal formação, cresci, trabalhei, relacionei-me com todo o tipo de seres humanos e procurei cultivar-me, na consequência lógica das minhas profissões cívicas e de Fé. Examinando com cuidado, (e indo tão fundo quanto a minha auto-crítica permite) ,os meus relacionamentos ao longo da vida, sei com absoluta segurança que nunca invectivei ninguém, nem tão pouco procurei captivar pessoas, sobre e para as minhas convicções,sejam elas políticas ou religiosas.Também é verdade que nunca permiti, até hoje, que alguém o fizesse em frente a frente com a minha pessoa.
Mas estou a dizer "em frente a frente", porque só o acto de vivermos no meio dos Homens e do Mundo nos coloca na posição de alvos mais ou menos fáceis das agressões ideológicas, morais e religiosas daquelas pessoas que não foram educadas como eu fui.Quer pela ironia mais ou menos elegante, quer pela grosseria mascarada de "franquesa", quer pela inveja que em tudo vê hipocrisia, somos atacados quando e como menos esperamos, enquanto pertenças de um determinado grupo social que o "atacante" tenha escolhido. Claro que nem ele sabe de mim e quase sempre eu sei dele, porque estas atitudes que ás vezes são de um certo proselitismo vêm quase sempre até nós, humildes anónimos, da parte de quem, de dentro de uma galeria de nomes tornados públicos, se considera, por isso mesmo , com direito de o fazer.
Aconteceu tudo isto com o velho Saramago. Que pena ! Sofre por muitas vias ,tendo uma delas que ver com a Fé dos outros que ele não tem.
Na nossa literatura,há exemplos de grandes ateus, anti-clericais eagnósticos que se arrependeram tarde, de assim terem sido. e o disseram das formas mais sinceras.. Guerra Junqueiro chegou a pedir, na hora da morte ,que lhe trouxessem o Padre Cruz...
Que virá a acontecer com Saramago ?
22 outubro 2009
18 outubro 2009
Os filhos de Zebedeu
Hoje saí da missa a pensar nos filhos de Zebedeu. Tiago e João entenderam fazer aquilo a que nós hoje chamamos meter uma cunha para conseguirem uma posição de privilégio quando Jesus estivesse enfim aureolado de glória.Este "ataque" directo aparece no entanto no Evangelho de São Mateus ainda mais empenhado, porque ,enquanto São Marcos põe os dois rapazes a fazerem o seu próprio pedido directo e com o peito aberto ,em São Mateus é a mãe deles que vem prostrar-se em frente de Jesus e com isto reforçar a pressão com que pretende interpelá-lo para conseguir a satisfação da sua ambição.Porque de ambição se trata, obviamente, esta ansiedade para conseguir privilégios em desfavor de outros, tanto de pais por filhos, como de cada indivíduo por si próprio. Como mais de mil vezes tenho dito, acho simplesmente admirável que a passagem de todas as vicissitudes de mais de dois mil anos não tenha modificado nada na idiossincrasia do ser humano. A cada passo. na leitura dos vários livros da Bíblia, nos estamos a encontrar ou com nós mesmos ou com os nossos vizinhos, amigos ou conhecidos.E com situações sociais, familiares ou políticas que vivemos ou a que assistimos. E no entanto, quanta luta, quanto esforço...e quanta presunção no nosso devir, desde que perdemos o Paraíso !
Que relação então devemos considerar entre o nosso actual e esse incomensurável déjà vu ?
Que relação então devemos considerar entre o nosso actual e esse incomensurável déjà vu ?
17 outubro 2009
Tanta vida !
Neste mesmo dia, em 1978,saía do fumo branco um novo papa de nome Karol Wojtyla, polaco e sofredor e perseverante, com uma história de vida deveras impressionante, por causa da crueza da 2ª Guerra Mundial e da força estoica com que suportou todos os sofrimentos morais e físicos e ainda conseguiu trazer para nós todos, mensagens de esperança e alegrias possíveis...Se não é desta massa que se fazem os Santos, será só porque alguma coisa se perdeu da receita...
Porém como o nosso mundo está vivendo cada vez de mais celebrações de datas do que de obras que o vinculem a essas datas na actualidade. hoje falou-se mais do que é costume na Erradicação da Pobreza, frisando-se que é hoje o DIA de o fazer. E há festas e palestras e programas a mostrar os desesperadamente pobres àqueles que são ainda só pobres, sem desepero( ainda) Conheço alguém que está preparando uma tese de doutoramento sobre este tema... Contribuo com donativos sempre ridículos para organizações que conseguem dar um casaco ou um pão a alguns pobresinhos que protegem... E que mais? Onde estão Madres Teresas de Calcutá agora ? E os governos dos povos que percebam que esta pode ser a subterrânea ruina do mundo que nós tanto queremos considerar civilizado, onde estão? ASSOBIANDO PARA O LADO,como usa dizer~se, depois deste belo DIA DE...,como é costume.
Mas também hoje foi dia de acontecer uma coisa muito bonita : festejaram-se os 100 ANOS do Liceu Camões. Ainda está escrito lá na fachada LYCEU.
Esta designação daqela escola que daria uma instrução e educação integradas aos alunos juvenis. foi substituida pela simples ESCOLA ,creio que com preocupações de mais democraticidade, mas quando, como eu, se foi criado a achar que passar da escola para o Liceu era como quando os primeiros astronautas disseram ao pisar a LUA « um grande passo para...» sermos mais "crescidos", a ideia de não usarmos hoje o nome Liceu traz-nos uma certa saudade. E assim foi uma alegria deste dia ver festejar o idoso Liceu. Eu nunca o frequentei, porque havia então a separação "meninas" para uns liceus,"rapazes" para outros, mas fiz lá exames, mais tarde, e vários colegas professores, tantos, tantos amigos, lá se formaram para a Faculdade e dali para a vida ! Haverá certamente algumas gerações de portugueses, de bons portugueses ,a caberem dentro destes cem anos e com muitas deliciosas recordações do que ali foi por elas vivido... E transbordou para uma MEMÓRIA nacional de que nos orgulhamos.
Porém como o nosso mundo está vivendo cada vez de mais celebrações de datas do que de obras que o vinculem a essas datas na actualidade. hoje falou-se mais do que é costume na Erradicação da Pobreza, frisando-se que é hoje o DIA de o fazer. E há festas e palestras e programas a mostrar os desesperadamente pobres àqueles que são ainda só pobres, sem desepero( ainda) Conheço alguém que está preparando uma tese de doutoramento sobre este tema... Contribuo com donativos sempre ridículos para organizações que conseguem dar um casaco ou um pão a alguns pobresinhos que protegem... E que mais? Onde estão Madres Teresas de Calcutá agora ? E os governos dos povos que percebam que esta pode ser a subterrânea ruina do mundo que nós tanto queremos considerar civilizado, onde estão? ASSOBIANDO PARA O LADO,como usa dizer~se, depois deste belo DIA DE...,como é costume.
Mas também hoje foi dia de acontecer uma coisa muito bonita : festejaram-se os 100 ANOS do Liceu Camões. Ainda está escrito lá na fachada LYCEU.
Esta designação daqela escola que daria uma instrução e educação integradas aos alunos juvenis. foi substituida pela simples ESCOLA ,creio que com preocupações de mais democraticidade, mas quando, como eu, se foi criado a achar que passar da escola para o Liceu era como quando os primeiros astronautas disseram ao pisar a LUA « um grande passo para...» sermos mais "crescidos", a ideia de não usarmos hoje o nome Liceu traz-nos uma certa saudade. E assim foi uma alegria deste dia ver festejar o idoso Liceu. Eu nunca o frequentei, porque havia então a separação "meninas" para uns liceus,"rapazes" para outros, mas fiz lá exames, mais tarde, e vários colegas professores, tantos, tantos amigos, lá se formaram para a Faculdade e dali para a vida ! Haverá certamente algumas gerações de portugueses, de bons portugueses ,a caberem dentro destes cem anos e com muitas deliciosas recordações do que ali foi por elas vivido... E transbordou para uma MEMÓRIA nacional de que nos orgulhamos.
14 outubro 2009
o outono roubado
Numa altura da escala das Estações em que já todos praguejamos contra este verão que nos está a roubar o outono, em que os imediatistas dão entrevistas na praia a dizer que agora é que é bom, pela quentura das ondas, pelo despovoado das areias, pela ardência do sol ainda, fica-se a pensar se somos nós que somos mal-dispostos e razinzas, ou se alguma coisa ou alguém andou mesmo mexendo no nosso clima, parafraseando aquele cómico brasileiro que, ao sentir-se roubado, desconfiava de que alguém teria mexido no seu bolso. Mas estamos secos,como os campos, trazemos a alma engelhada, o corpo lento. cansado...
E suportámos as tensões de todas as picuinhas de duas campanhas eleitorais quase pegadas que não tiveram alegria nem força para nos alegrarem, quaisquer que tenham sido os prazeres dos resultados... E eu, azeda com tudo isto, sou convidada para ir ver um Pirandello que veio mesmo para a cena lisboeta numa época assim ! Ainda se usa a tragédia (digo eu ) do absurdo. Secos, como já disse, só nos faltava sermos outra vez chamados a sofrer o abandono do nosso autor, a nossa incapacidade de assumirmos os defeitos de fabrico que nos calharam em sorte, a nossa pre-condenação a aguentarmo-nos com eles...
Contudo, sei com toda a certeza que, se àmanhã acordar e estiver a chover, a minha vida ainda tem recursos para me deixar embriagar de novo...
E suportámos as tensões de todas as picuinhas de duas campanhas eleitorais quase pegadas que não tiveram alegria nem força para nos alegrarem, quaisquer que tenham sido os prazeres dos resultados... E eu, azeda com tudo isto, sou convidada para ir ver um Pirandello que veio mesmo para a cena lisboeta numa época assim ! Ainda se usa a tragédia (digo eu ) do absurdo. Secos, como já disse, só nos faltava sermos outra vez chamados a sofrer o abandono do nosso autor, a nossa incapacidade de assumirmos os defeitos de fabrico que nos calharam em sorte, a nossa pre-condenação a aguentarmo-nos com eles...
Contudo, sei com toda a certeza que, se àmanhã acordar e estiver a chover, a minha vida ainda tem recursos para me deixar embriagar de novo...
11 outubro 2009
Reflexões sobre as leituras da liturgia de ontem
Para mim, a leitura mais marcante das três da liturgia deste domingo, foi a extraída do Livro da Sabedoria que, depois do do Génesis, é o que mais me apaixona.Que tenha sido ou não obra do grande Salomão, o que se me torna relevante é que é obra de um enorme bom senso e de alguém que hoje poderia ser Mestre dos Mestres em qualquer Faculdade de Psicologia. É que, verdadeiramente a palavra sabedoria não tem aqui o valor semântico que nos habituámos a atribuir-lhe. Não é uma acumulação de saber, mas antes uma espécie de arte de ser sensato, uma receita para entender aVERDADE da Vida, o que dela vale a pena. Acumulação. só talvez a da EXPERIÊNCIA.E assim, quando São Paulo diz na sua carta aos hebreus que a palavra de Deus é capaz de penetrar "onde se dividem o corpo e o espírito" e de "distinguir as intenções , dos pensamentos do coração" não é de outra coisa que fala, senão da Sabedoria divina de que Salomão terá recebido a inspiração. Mas depois de tanta sabedoria e bom senso, surge-nos no Evangelho de São MARCOS,aquela frase extraordinária de Jesus, que tanto tem dado que pensar a tanta gente, sobre como é difícil passar um camelo pelo buraco de uma agulha. Felizmente para mim, já me foi explicada mais esta metáfora:nem o camelo é o animal que conhecemos, nem o buraco da agulha é aquilo que pensamos. Certo,certo é não se poder forçar a entrada de qualquer coisa desproporcionadamente grande
num espaço desproporcionadamente pequeno, o que seria uma insensatez...E Jesus queria mesmo que todos entendêssemos que, carregados de supérfluidades estaríamos desproporcionadamente grandes para caber no despojamento do reino de Deus...
A propósito de tudo isto, enviei ontem mesmo a alguns amigos o seguinte tema de meditação
Eu pedi forças...
e Deus deu-me dificuldades para me fazer forte.
Eu pedi sabedoria...
e Deus deu-me problemas para resolver.
Eu pedi prosperidade...
E Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar.
Eu pedi coragem...
E Deus deu-me obstáculos para superar.
Eu pedi amor...
e Deus deu-me pessoas com problemas para ajudar.
Eu pedi favores...
E Deus deu-me oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedira ,
Mas recebi tudo de que precisava...
Sem que o tivesse percebido antes...
num espaço desproporcionadamente pequeno, o que seria uma insensatez...E Jesus queria mesmo que todos entendêssemos que, carregados de supérfluidades estaríamos desproporcionadamente grandes para caber no despojamento do reino de Deus...
A propósito de tudo isto, enviei ontem mesmo a alguns amigos o seguinte tema de meditação
Eu pedi forças...
e Deus deu-me dificuldades para me fazer forte.
Eu pedi sabedoria...
e Deus deu-me problemas para resolver.
Eu pedi prosperidade...
E Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar.
Eu pedi coragem...
E Deus deu-me obstáculos para superar.
Eu pedi amor...
e Deus deu-me pessoas com problemas para ajudar.
Eu pedi favores...
E Deus deu-me oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedira ,
Mas recebi tudo de que precisava...
Sem que o tivesse percebido antes...
05 outubro 2009
Comemorar o Dia do Professor no dia da República
Estou sempre a admirar-me com as minhas ignorâncias de factos que, de repente, me surgem como do domínio público e eu, cá enleada nas minhas coisas, nem dei por eles, nunca. Com que então, o dia 5 de Outubro que toda a minha vida conheci votado a celebrar o desaguar de toda aquela torrente política que tumultuou por todo o começo do nosso século XX e se chamou REPÚBLICA precisamente a partir deste dia, aparece-me agora nada mais, nada menos, do que Dia do Professor !?! O MEU dia ! ! !O DIA de todos os meus queridos professores ( não sei ao certo quantos ), dos quais só de muito poucos deixei que se esfumasse a memória, não porque não tivesse gostado deles, mas porque naturalmente as grandes afinidades com uns e as grandes amizades com outros foram gravando-se sempre mais nítidas na minha saudosa recordação,empalidecendo a daqueles outros que aliás nunca esqueci. Ainda O DIA de todos os meus colegas e companheiros que, como eu, se devem ter afeiçoado tanto ao que fizeram por tantas e tantas gerações de miúdos que hoje só devem ter coração no lugar da lembrança deles... O NOSSO DIA, pois. Há por aí agora uma enorme carga política porque se intrometeu na nossa maravilhosa missão de FORMAR a arreliadora necessidade de lutar pela vida, uma luta que os tempos foram tornando tão exigente como a outra, de formar gente grande.O mundo de hoje do professor tornou-se cheio de curvas, esquinas e derivas. Até concebe a palavra perigo. Bem diferente daquele em que tinhamos tempo e matéria para podermos ter sonhos, sem estremecimentos que não incorporassem o ensino ou a aprendizagem.
Por isso quero muito celebrar este dia de. Posso garantir que é, que será sempre uma glória, a nossa galeria de recordações !
Por isso quero muito celebrar este dia de. Posso garantir que é, que será sempre uma glória, a nossa galeria de recordações !
04 outubro 2009
No Génesis, a Família
Sendo óbvio que a leitura e releitura dos textos bíblicos, repetidos um sem número de vezes ao longo das nossas vidas,nos traz coisas novas em cada uma delas, aí residindo o mistério da sua credibilidade como palavra de Deus, é também evidente que o nosso estado de espírito ou as circunstãncias de momento nos levam a sermos mais ou menos sensíveis a um ou outro aspecto que nelas reside e se nos torna, de cada vez, com maior ou menor peso proposto á nossa meditação. O belíssimo LIVRO DO GÉNESIS de que hoje foi retirada uma leitura, ao ser acompanhado com o SALMO127(128) e com a conhecida passagem do Evangelho de São Marcos em que os fariseus, conhecedores da posição tomada por Moisés,quiseram mais uma vez "experimentar" Jesus sobre a possibilidade do divórcio no casal, foi, na missa de hoje, direccionado para a exaltação da FAMÍLIA e recordo de como já olhei neste mesmo livro o aspecto da Solidão- disse o Senhor Deus:não convém que o Homem esteja só...
Mas hoje, que as tensões e intenções sociais estão cada vez mais desprestigiando esta complementaridade - osso do meu osso e carne da minha carne - vejo mais nitidamente aquele quadro do Salmo que vê a Mulher como "vinha fecunda" no seio da "casa" e "os filhos como rebentos de oliveira em redor da...mesa" e creio que o Senhor Deus não falaria à toa quando afirmou: o Homem deixará pai e mãe para se unir à sua Mulher e os dois passarão a ser um só.
Visões paradisíacas, ser-me-á apontado por alguns que eu sei... Estamos na época do liberal, do individual, e o núcleo família quanto mais desmultiplicado mais interesses ocasiona. E paradoxalmente nunca se falou tanto em solidariedade...
Mas hoje, que as tensões e intenções sociais estão cada vez mais desprestigiando esta complementaridade - osso do meu osso e carne da minha carne - vejo mais nitidamente aquele quadro do Salmo que vê a Mulher como "vinha fecunda" no seio da "casa" e "os filhos como rebentos de oliveira em redor da...mesa" e creio que o Senhor Deus não falaria à toa quando afirmou: o Homem deixará pai e mãe para se unir à sua Mulher e os dois passarão a ser um só.
Visões paradisíacas, ser-me-á apontado por alguns que eu sei... Estamos na época do liberal, do individual, e o núcleo família quanto mais desmultiplicado mais interesses ocasiona. E paradoxalmente nunca se falou tanto em solidariedade...
01 outubro 2009
Outubro e a Música
De la musique avant toute chose ! Chamar a música, música...Um grande poeta simbolista da 2ª metade do século XIX, um poema/letra de canção, da autoria de uma poetisa portuguesa, e eu sem palavras que me cheguem para dizer de quanto alcança o meu amor pela música, de quão fundo ela ecoa na minha sensibilidade, de como ela enche a minha taça, quando aparece a infiltrar-se nos interstícios das maiores amarguras, de com que novas cores ela consegue amenizar as minhas paisagens mais sombrias...a MINHA música...
E é também este mês de Outubro que começa hoje...pelas aveludadas tardes que nos traz ,pelas suas manhãs, como foi a de hoje, baças, quase nevoeirentas, ainda mornas, pelo amarelado das folhas que espalha já pelos chãos, por todas estas coisas mansas, é ele assim , suave e pleno, a música, a sinfonia que eu componho dia a dia, hora a hora, desde que sou gente.Todo ele é o meu DIA da MÚSICA...avant toute chose.
E é também este mês de Outubro que começa hoje...pelas aveludadas tardes que nos traz ,pelas suas manhãs, como foi a de hoje, baças, quase nevoeirentas, ainda mornas, pelo amarelado das folhas que espalha já pelos chãos, por todas estas coisas mansas, é ele assim , suave e pleno, a música, a sinfonia que eu componho dia a dia, hora a hora, desde que sou gente.Todo ele é o meu DIA da MÚSICA...avant toute chose.
27 setembro 2009
...naqueles dias o Senhor desceu numa nuvem...
Creio ter já mostrado de muitas maneiras e feitios omeu encanto pelo Antigo Testamento pela quantidade e qualidade da informação que dele retiro para situar-me no tempo e no modo em que, da pureza dos princípios de tudo, à cáustica caracterização dos caracteres humanos, se fez possível e até necessário o aparecimento dos Profetas cuja voz consegue ecoar através e por cima de tantos séculos chegando até nós com a clarividência e actualidade que sempre me deixam fascinada.Mas é da voz grandíloqua de Moisés que ouvimos na primeira leitura da missa de hoje a transmissão da vontade do Senhor, nosso Deus, de que não há que afastar ou pré-condenar aqueles que, não sendo ou nem mesmo sabendo como se é um cristão confesso, pelas suas acções e pelas suas palavras, se colocam, na prática de vida, ao lado dos mais convictos seguidores da Lei de Deus. O mesmo nos repete São Marcos no Evangelho, completando aliás este seu"recado" com aquelas sugestões de amputações, castigo verdadeiro dos que, na prática de vida, ofendam pessoas nas referidas condições. Há uma particular dureza, também revelada na Carta de São Tiago, nestas noções de castigos ou ausência de complacências que me parecem um tanto por fora da misericórdia divina, e por isso é que eu gosto de conhecer os tempos e os modos, como já disse, porque dessa forma fico-me apenas pela enorme gravidade atribuida então aos desvios emergentes, coisa que,na nossa actualidade está a ser cada dia mais subvertida.
Não queria mesmo pensar nestas subversões que todos os dias estamos a ser convidados a aceitar como boas, porque hoje foi politicamente aquele dia de ter fé cívica e acreditar no melhor de cada homem : tiveram lugar as ELEIÇÕES para um novo Governo e eu votei a acreditar que votava para tudo o que pudesse ser melhor para este povo e este país,agora tão sofridos...
Não queria mesmo pensar nestas subversões que todos os dias estamos a ser convidados a aceitar como boas, porque hoje foi politicamente aquele dia de ter fé cívica e acreditar no melhor de cada homem : tiveram lugar as ELEIÇÕES para um novo Governo e eu votei a acreditar que votava para tudo o que pudesse ser melhor para este povo e este país,agora tão sofridos...
20 setembro 2009
No nosso dia-a-dia, a Fé
Porque estamos a dois dias do começo do Outono, a estação do ano minha preferida, acordei, como sempre ,ao lusco-fusco e também como sempre, pousei os olhos no meu velho, velhíssimo, crucifixo que àquela hora só os meus olhos vêem, porque sabem que está ali e pensei claríssimo, como se tivesse estado toda a noite a meditar : é mesmo necessária a morte que o outono nos traz, para que possa haver o renascer na primavera...a verdadeira Ressurreição !
Parti para a minha manhã a pensar na densidade desta evidência, de repente para mim tão "evidente" e foi neste espírito que ouvi e li o que a liturgia de hoje nos trazia. Além de Jesus a ensinar aqueles homens seus discípulos que ,de tão simples, às vezes procedem como crianças, surge-nos uma leitura um tanto cruel do Livro da Sabedoria e depois uma Carta de São Tiago que, caída nesta época de efervescência política em que estamos, a uma semana de eleições, me deixou completamente fascinada por várias razões, mas principalmente pelo seu carácter premonitório : A justiça é um fruto produzido na paz, para aqueles que praticam a paz. De onde vêm as guerras? De onde procedem os conflitos entre vós? Não é precisamente das vossas paixões? Cobiçais e nada conseguis : então assassinais. Sois invejosos e não conseguis obter nada: então entrais em conflitos ou guerras. Não tendes nada porque ... pedis mal, visto que o que pedis é apenas para satisfazer as vossas paixões. Ora isto vem a ter um eco reconhecível na lição de Jesus aos apóstolos quando lhes diz Quem quiser ser o primeiro será o último e será o que for "servo de todos".Que mais revelações me trará este domingo sobre como a minha fé pode abrir-me os olhos para a minha vida comigo e para a minha vida socio-política?
Parti para a minha manhã a pensar na densidade desta evidência, de repente para mim tão "evidente" e foi neste espírito que ouvi e li o que a liturgia de hoje nos trazia. Além de Jesus a ensinar aqueles homens seus discípulos que ,de tão simples, às vezes procedem como crianças, surge-nos uma leitura um tanto cruel do Livro da Sabedoria e depois uma Carta de São Tiago que, caída nesta época de efervescência política em que estamos, a uma semana de eleições, me deixou completamente fascinada por várias razões, mas principalmente pelo seu carácter premonitório : A justiça é um fruto produzido na paz, para aqueles que praticam a paz. De onde vêm as guerras? De onde procedem os conflitos entre vós? Não é precisamente das vossas paixões? Cobiçais e nada conseguis : então assassinais. Sois invejosos e não conseguis obter nada: então entrais em conflitos ou guerras. Não tendes nada porque ... pedis mal, visto que o que pedis é apenas para satisfazer as vossas paixões. Ora isto vem a ter um eco reconhecível na lição de Jesus aos apóstolos quando lhes diz Quem quiser ser o primeiro será o último e será o que for "servo de todos".Que mais revelações me trará este domingo sobre como a minha fé pode abrir-me os olhos para a minha vida comigo e para a minha vida socio-política?
18 setembro 2009
por causa de GUNTER GRASS
Quando, há alguns anos, tomei conhecimento da existência do Centro Cultural de São Lourenço, em Almansil e o visitei demorada e encantadamente, tomei também conhecimento com um artista alemão de quem nunca tinha ouvido falar e que, residindo então naquele Algarve interior que acolhia a cada prega de terreno cidadãos de todo o mundo que por ali se sentiam em verdadeiros retornos às origens, viera expor naquele sítio acolhedor umas lindíssimas aguarelas, desenhos e esboços preparatórios de uma obra que viria a publicar mais tarde. Era Gunter Grass, um homem indubitavelmente controverso, não só pelas suas opções políticas e sociais, como até pelos seus percursos artísticos, da pintura e escultura para a literatura, sempre nas bermas de um certo humor, a escorregar depois para uma maior convicção surrealista, mas de tal forma inteligente que acabou por vir a merecer um Nobel da literatura, em 1999. Porque me lembro de tudo isto agora? Porque, tendo sido sempre uma leitora-admiradora de Augusto Abelaira, li, nos anos 60, uma tradução de O Tambor de Grass feita por Abelaira, de que gostei tanto que fiquei com aquele autor no meu registo de preferências e acabo de saber que, por se completarem agora cinquenta anos sobre a sua publicação primeira, se achou interessante lançar uma nova tradução. A este livro se seguiram outros dos quais um tem o título bizarro e sugestivo de Descascando a Cebola. Acho-o sugestivo porque, podendo dizer-se que tudo o que escreveu Grass é autobiográfico, é verdadeiramente o descascar de uma cebola o acto de ir contando as sucessivas camadas que vão constituindo as nossas vidas... Hoje e aqui, acabo de descascar uma nova camada da minha vida, não foi?
13 setembro 2009
São Marcos, 8
E vós quem dizeis que eu sou ? Todos sabemos quanto eram transparentes para Jesus aqueles homens que o seguiam. Tinha-os escolhido. No entanto tinha ainda tanto que lhes ensinar ! E era tão extraordinário o que pacientemente lhes explicou que não podia esperar deles que aceitassem com naturalidade o que entrava no âmbito do sobrenatural. Foi preciso dizer-lhes de uma maneira chocante que nada do que podiam ser interresses humanos poderia cimentar o tipo de relação a existir entre eles, o que deixou Pedro muito vexado, não só pela reprimenda de Jesus, como por não ter sido, capaz de compreender sozinho que era toda uma Vida Nova , com valores diferentes, aquela que era no mínimo exigível a quem se dispusesse a seguir o que aquele Homem Novo e diferente vinha ensinando. Vinha exigindo. Não é doce ouvir-se dizer que se perde a vida porque não se percebeu como é que ela devia ser vivida...
Não é mesmo nada fácil. E então realizar que,pelo contrário, ela pode ser ganha
se levada pelo caminho daquele humilde aniquilamento das vaidades, das exibições, das emulações,das pesporrências...Jesus sabia bem que tinha em seu redor ainda muito de tudo isto que tolda até o olhar que olha para os outros e os mede nas suas próprias medidas. Por isso teve que ser exemplarmente duro com Pedro que, na altura, ainda não aprendera o dom salvífico da humildade...
Se eu fizer a algum daqueles com quem vivo dia a dia a mesma pergunta que Jesus fez então, quantas vivências diferentes vou descobrir através da respostas que me derem ? E como irá o meu ego reagir a elas ?s
Não é mesmo nada fácil. E então realizar que,pelo contrário, ela pode ser ganha
se levada pelo caminho daquele humilde aniquilamento das vaidades, das exibições, das emulações,das pesporrências...Jesus sabia bem que tinha em seu redor ainda muito de tudo isto que tolda até o olhar que olha para os outros e os mede nas suas próprias medidas. Por isso teve que ser exemplarmente duro com Pedro que, na altura, ainda não aprendera o dom salvífico da humildade...
Se eu fizer a algum daqueles com quem vivo dia a dia a mesma pergunta que Jesus fez então, quantas vivências diferentes vou descobrir através da respostas que me derem ? E como irá o meu ego reagir a elas ?s
10 setembro 2009
...à defesa
Seriam umas cinco da manhã e os deuses zangaram-se todos de tal maneira que rolavam mobílias nas suas moradas de nuvens,atiravam-se uns de encontro aos outros a rosnar longamente, sucessivamente, progressivamente. E vieram-se chegando, cada vez para mais perto de nós, num crescendo de estilhaços de luz e de urros abafados, a reboar, a reboar, por cima, por baixo, por todos os lados daquela camada negra de nuvens que os sustentava... A briga arrastou-se até um climax estrepitoso, cerca das oito horas, em que todos podiamos pensar que os deuses estavam despejando sobre os pobres de nós , todos os seus carros de lenha, ou tábuas grossas...Só então houve uns que choraram raivosos, umas lágrimas que pareciam chicotes, fustigantes e rápidas. E nós já todos a pensar que as lágrimas acabariam com tamanho desacato... Mas não. Diminuiram os decibéis e o tumulto foi rolando aos poucos para mais longe, como um eco, a escoar-se, a escoar-se até para lá das nove horas !
Isto foi uma daquelas trovoadas que só acontecem a espaços de anos, em Lisboa. Dentro de uma moldura de dias de calor sem pausas, sem alívios nem de noite...Mau mesmo !
Bichos da Terra, percebemos que temos toda esta carga eléctrica a agitar-nos.porque dormimos mal , porque estamos irritadiços, porque sentimos de repente que se nos solta a língua para dizermos coisas que antes não ousávamos, talvez mesmo pensar, quanto mais dizer alto e bom som, porque,ao mesmo tempo, estamos com medos vários... Anda no ar esta revoada da política dos políticos a desinquietar-nos e também rolam as tempestades dos humanos.
Viver todos os dias também cansa é o título de um livro que li há anos. De Pedro Paixão que não conheço. Se ele soubesse quanto tenho pensado nele, pela sua escolha de tal título ! É que é mesmo o que este tempo, esta época, este clima, nos estão fazendo pensar. Cansa, sim , gostarmos de sorrir, de ser amáveis, de ter esperança, de gostar... E tudo ter que ser tão `a defesa...
Isto foi uma daquelas trovoadas que só acontecem a espaços de anos, em Lisboa. Dentro de uma moldura de dias de calor sem pausas, sem alívios nem de noite...Mau mesmo !
Bichos da Terra, percebemos que temos toda esta carga eléctrica a agitar-nos.porque dormimos mal , porque estamos irritadiços, porque sentimos de repente que se nos solta a língua para dizermos coisas que antes não ousávamos, talvez mesmo pensar, quanto mais dizer alto e bom som, porque,ao mesmo tempo, estamos com medos vários... Anda no ar esta revoada da política dos políticos a desinquietar-nos e também rolam as tempestades dos humanos.
Viver todos os dias também cansa é o título de um livro que li há anos. De Pedro Paixão que não conheço. Se ele soubesse quanto tenho pensado nele, pela sua escolha de tal título ! É que é mesmo o que este tempo, esta época, este clima, nos estão fazendo pensar. Cansa, sim , gostarmos de sorrir, de ser amáveis, de ter esperança, de gostar... E tudo ter que ser tão `a defesa...
A foto não é de minha autoria. Apenas me foi oferecida sem identificação de autor.
30 agosto 2009
Lavar as mãos
Agora que, por causa da prevenção da Gripe A , somos constante e insistentemente lembrados de que é preciso lavar as mãos a cada momento, surge-nos, no Evangelho deste domingo, uma pequena altercação entre Jesus e os Fariseus por causa da lavagem das mãos que estes verificaram não ser prática dos discípulos, quando para eles era obrigatória, antes das refeições. Ora, sabendo Jesus que essa prática, como muitas outras, era, da parte dos Fariseus ,uma mera atitude exterior que não correspondia a nada de profundo, a nenhum ritual sequer, respondeu-lhes, na sua forma incisiva como sabia fazer, quando era preciso, que é no interior do Homem que existem todas as formas de impureza que seria bom lavar . Claro que estas impurezas pertencem a todo um outro registo que nada tem a ver com o asseio e a desinfecção que um procedimento cívico exige e nós percebemos que, para sermos puros de coração, não é necessária a exibição farisaica e antes a ela devemos voltar as costas. Lembremos outro local das escrituras que nos recomenda que nos resguardemos para rezar, sem dar nas vistas, e ainda outro que nos diz que uma mão não precisa de saber aquilo que a outra dá..Que não se descuidem os cuidados contra a pandemia que aflige o mundo ! Trata-se de coisas muito outras...
27 agosto 2009
As modernizações
No último domigo, veio buscar-me uma amiga para irmos até à beira-rio, aproveitar um não excessivo calor e alegrar a vista, porque o dia estava lindo e pensámos que o Tejo também devia estar, o que se verificou.Fomos mesmo naquele cálculo de horas em que apanhássemos o fim de tarde e o quase início da noite, tão repousante. Percebe-se, quanto se pode conversar com um belo gelado à frente, numa hora e num ambiente assim. O relato do que se passou em férias, não podia faltar. Somos amigas de muitos anos, de muita coisa vivida por uma e sofrida pela outra, a par com ela. Mas vieram mais à tona as minhas pequenas viagens nos pontos do país que ela e eu já conhecemos há anos e no como tudo está mudado agora, para mais, para maior,talvez para melhor... Daí surgiu a sugestão de irmos, a partir de ali mesmo, conhecer a Lisboa nova. Na linha do à beira-Tejo, foi um espanto para mim. Desde Algés a Xabregas, o que eu vi de novo, de mudado, de diferente ! Muitas obras ainda vivas mas a já deixarem perceber o que ali vem... E o que está pronto é bonito.
Voltámos para casa, já escurecia. E eu tive um serão para pôr tudo, tudo a direito na minha cabeça.É que,das férias, eu já viera a pensar até que ponto é realmente bom voltar aos lugares que conheceramos algumas dezenas de anos antes. Fica-nos uma sensação de estranheza muito especial, porque a nossa memória, na qual depositávamos toda a confiança, fica subitamente anulada, soterrada, como se um desmoronamento tivesse lançado um milhão de pedras (!) sobre algo de que ainda tentamos vislumbrar umas pontas, umas orlas emergentes. "Isto" já lá não está, "aquilo" mudou para outras instalações, "o outro" mudou de sítio, "agora já não se passa por aí",ou fechou,abriu , nasceu, diminuiu...enfim ,muito pouco está agora como a minha memória fixara . Então? Ficamos como um baú vazio ou vamos agarrar-nos à "segurança" das recordações ? Quando é que deixamos de ser "antigos" e ficamos apenas "velhos" como aquele album de recordações que alguém um dia deitará fora ?
Voltámos para casa, já escurecia. E eu tive um serão para pôr tudo, tudo a direito na minha cabeça.É que,das férias, eu já viera a pensar até que ponto é realmente bom voltar aos lugares que conheceramos algumas dezenas de anos antes. Fica-nos uma sensação de estranheza muito especial, porque a nossa memória, na qual depositávamos toda a confiança, fica subitamente anulada, soterrada, como se um desmoronamento tivesse lançado um milhão de pedras (!) sobre algo de que ainda tentamos vislumbrar umas pontas, umas orlas emergentes. "Isto" já lá não está, "aquilo" mudou para outras instalações, "o outro" mudou de sítio, "agora já não se passa por aí",ou fechou,abriu , nasceu, diminuiu...enfim ,muito pouco está agora como a minha memória fixara . Então? Ficamos como um baú vazio ou vamos agarrar-nos à "segurança" das recordações ? Quando é que deixamos de ser "antigos" e ficamos apenas "velhos" como aquele album de recordações que alguém um dia deitará fora ?
23 agosto 2009
Vigésimo primeiro domingo
Não há dúvida ! Jesus terá dito que não vinha para curar os sãos, mas para salvar os doentes, por isso, àqueles que não quiseram entender a sua parábola sobre a verdadeira comida e lhe voltaram costas, ele deixou-os ir, não estariam necessitados de esclarecer-se, mas aos que quiseram ficar com ele ( para quem iremos nós? ) explicou que o espírito é que dá a vida, a carne não vale nada sem o espírito. E estes. seguiram-no.
Era uma sociedade em formação. Um grupo de pessoas que conseguira fugir do Egipto e ainda procurava estabilizar emoções, mesmo sem disso se aperceber, criar elos de vários géneros, encontrar-se, constituir núcleos afectivos, provavelmente adorar outros deuses...
É por isso que a carta de São Paulo lida hoje e que trata de aconselhar os Efésios quanto às relações marido-mulher, nos parece a nós, homens e mulheres do seculo XXI, exageradanente preconceituosa, mas talvez não fosse demasiado severa para aqueles que ainda desconheciam a reciprocidade do amor e do respeito . Creio que foi neste espírito que se achou por bem incluir esta carta na liturgia de hoje. Chamar a atenção para a verdadeira união exemplar, base de uma sociedade em que espírito e carne têm os seus lugares que certamente os foragidos do Egipto não saberiam ainda distinguir .
Era uma sociedade em formação. Um grupo de pessoas que conseguira fugir do Egipto e ainda procurava estabilizar emoções, mesmo sem disso se aperceber, criar elos de vários géneros, encontrar-se, constituir núcleos afectivos, provavelmente adorar outros deuses...
É por isso que a carta de São Paulo lida hoje e que trata de aconselhar os Efésios quanto às relações marido-mulher, nos parece a nós, homens e mulheres do seculo XXI, exageradanente preconceituosa, mas talvez não fosse demasiado severa para aqueles que ainda desconheciam a reciprocidade do amor e do respeito . Creio que foi neste espírito que se achou por bem incluir esta carta na liturgia de hoje. Chamar a atenção para a verdadeira união exemplar, base de uma sociedade em que espírito e carne têm os seus lugares que certamente os foragidos do Egipto não saberiam ainda distinguir .
21 agosto 2009
Alexandre O'Neill e Jorge de Sena
Hoje é dia de lembrar ALEXANDRE O'NEILL . Conheci-o, como dizia Bocage, magro, de olhos azuis( ?), carão moreno, um homem inteligentíssimo, de sorriso um pouco enviezado, espirituosamente trocista e às vezes tão cáustico quanto lúcido.Mas,de educação esmeradíssima, era capaz das maiores delicadezas de coração, embora gostasse de arvorar-se em irreverente surrealista ( há mar e mar, há ir e voltar); enquanto produzia se uma gaivota viesse trazer-me os céus de Lisboa...letra de fado inspirada num sentimento muito carinhoso, era duro a dizer por exemplo mais podre que um sentimento que pudesse apodrecer ao sol - o tempo de ficar só...
Ou perfilados de medo...irónicos fantasmas à procura do que não fomos, do que não seremos. O'Neill era "uma pessoa". De corpo inteiro e de quem se gostava.
É espantoso! Quando estava aqui a lembrar alguém cuja memória se liga ,para mim , a uma época, cai-me nas mãos o jornal de hoje a trazer-me notícia de alguém que trago no meu novelo de saudades muito perto de O'Neill. Alguém que escreveu isto: Não hei-de morrer sem saber
qual acor da liberdade
Eu não hei-de senão serdesta Terra onde nasci.
Embora ao mundo pertençae sempre a verdade vença
qual será ser livre aqui.
Não hei-de morrer sem saber.
Trocaram tudo em maldade
É quase um crime viver.
mas embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade...
.
Trata-se de Jorge de Sena. A notícia diz que o seu corpo vem finalmente para Lisboa, depois de incontáveis démarches da sua incansável mulher, mãe dos seus nove filhos, que nunca se conformou com toda a incompreensão de que foi vítima o grande poeta, romancista, historiador e professor que se viu levado a radicar-se nos Estados Unidos onde leccionou e dirigiu departamentos na Universidade da Califórnia, vindo a morrer lá, em 1978 . Desde essa data, estava enterrado no cemitério da cidade onde viveu- Santa Bárbara, e, ao conseguir-se agora que o que pode restar do seu corpo venha encontrar por fim a "terra" da sua raiz, podemos pensar que algures ele poderá enfim saber qual a cor da liberdade.
Não é estranhíssimo, vário e tonificante o despenhar da cascata das recordações ?
18 agosto 2009
A Viagem
Quando ainda se não é Reformado e quando os empenamentos do corpo ainda não têm oitenta anos, viaja-se bastante e quase sempre férias são sinónimo de viagem.E a maior parte das vezes a viagem é pelo estrangeiro. Viagem pelo prazer de conhecer, viagem pelo gosto da aventura, viagem...porque,já agora, não é caro e todos vão, viagem porque "isto aqui" é uma pepineira, viagem porque dá imenso status no regresso,para contar aos outros que ou não vão ou também foram...Há ainda um outro pretexto ao qual a existência da União Europeia veio roubar muito da sua sedução :as compras.Ir algures lá fora para comprar alguma coisa porque cá não se encontra nada de jeito,é ainda uma boa razão porque afinal a União é apenas europeia...
Parando por aqui esta acidez toda do meu pretenso humor crítico, o que eu mais quero é fazer o louvor máximo ao poquê da alegria que me é dada quando amigos me levam a viajar pelo nosso país que está a ficar cada vez mais bonito, graças a obras de restauro e obras novas, graças a mimos de bom gosto em urbanização,graças a novas noções de urbanismo, civismo e cidadania.
Percebe-se que tem havido novas noções da parte das autarquias aplicadas não só à visão turística, mas muito a levar os habitantes a amar a sua terra, sentindo-se bem nela. Visitei e passeei em duas vilas: Vila de Rei e Vila Nova de Ourém. Que mimosas, cheias de avenidas e pracinhas floridas, arborizadas, onde as casas são vivendas rodeadas de jardins e muito bem cuidadas já sem aquele cunho de que, dantes, nos ríamos chamando-lhes maisons, e onde há pequenos cafés com esplanadas coloridas e quiosques a vender jornais. Não sei porquê ,alguns edifícios de andares com alturas proporcionadas às cotas envolventes,ficam bem encaixados ali e não encontramos sobresaltos ambientais, o que me parece extremamente tranquilizante para quem ali vive.
Por outro lado,descobri cidades das quais conhecera há muitos, muitos anos, os locais, posso dizer agora, os embriões. Torres Novas, mas principalmente, o Entroncamento ! Como é que, de um entroncamento de linhas férreas com a sua gare respectiva, mas sem mais nada que se pudesse considerar, em redor, dos anos 40 do século XX, brotou uma grande cidade, de grandes prédios, de muitas ruas, jardins e avenidas e lojas e restaurantes e cafés... e todas as características de uma cidade dormitório de Lisboa, graças à frequência de comboios cada vez maior , com horários úteis e rapidez desejável ?
Entra certamente na quase magia de tudo isto uma realidade dos nossos dias que me não encanta por muitíssimas razões mas com a qual parece termos mesmo que nos habituar : os grandes hipermercados internacionais ou nacionais que vieram instalar-se espampanantemente nestas localidades, antes deles apenas habituadas a escassas lojinhas de família onde o negócio, a conversa e bom entendimento iam mantendo a satisfação da clientela. Pelo que vi, o próprio hipermercado cria instalações para o seu pessoal, por vezes autênticos bairros, e assim se foram espraiando casas e se formaram núcleos urbanos inerentes àquela potente força comercial. E lá estão óptimas cidades com grande vitalidade, jovens, activas, modernas...Mas também pude aperceber-me de que a abertura aos bons e completos novos centros de estudo contribuiu imenso para engrandecer as velhas cidades onde se fixaram. Em Tomar há um enorme complexo de nível universitário como que a fazer frente aos monstros comerciais que lhe são vizinhos. É um Instituto Politécnico de grandes dimensões que me fez recordar o antiquíssimo e muito bom Colégio NunÁlvares de nívelsecundário e para onde iam estudar tantos rapazes que hoje são alguém por este país.Tomar está uma grande cidade e alindou-se com novas pontes, novos acessos junto às calmíssimas curvas do Nabão, e restauros de muito bom gosto. A igreja de Santa Maria dos Olivais tanto tempo quase soterrada e meio desmoronada, está agora desafrontada,elegante e à noite muito bem iluminada. No Convento de Cristo então os arranjos chegaram mesmo até à repintura da Charola! E a saída do hospital militar ali antigamente instalado permitiu a abertura de espaços agora usados unicamente com fins culturais e museológicos . Abriram-se esplanadas e restaurantes nas varandas do convento abertas sobre a mata particularmente perfumada. Houve o cuidado de promover espectáculos a aproveitar tanto cenário. E com tudo isto se aproximou tamanha antiguidade e tradição da modernidade de tanta gente que por ali vai.
Esta foi a minha enorme Viagem de férias. Há ainda um outro viajar que fiz e que cabe noutro contexto. Da ALMA.
Talvez porque lo que pasó no fué, está siendo como diz Octávio Paz.
Parando por aqui esta acidez toda do meu pretenso humor crítico, o que eu mais quero é fazer o louvor máximo ao poquê da alegria que me é dada quando amigos me levam a viajar pelo nosso país que está a ficar cada vez mais bonito, graças a obras de restauro e obras novas, graças a mimos de bom gosto em urbanização,graças a novas noções de urbanismo, civismo e cidadania.
Percebe-se que tem havido novas noções da parte das autarquias aplicadas não só à visão turística, mas muito a levar os habitantes a amar a sua terra, sentindo-se bem nela. Visitei e passeei em duas vilas: Vila de Rei e Vila Nova de Ourém. Que mimosas, cheias de avenidas e pracinhas floridas, arborizadas, onde as casas são vivendas rodeadas de jardins e muito bem cuidadas já sem aquele cunho de que, dantes, nos ríamos chamando-lhes maisons, e onde há pequenos cafés com esplanadas coloridas e quiosques a vender jornais. Não sei porquê ,alguns edifícios de andares com alturas proporcionadas às cotas envolventes,ficam bem encaixados ali e não encontramos sobresaltos ambientais, o que me parece extremamente tranquilizante para quem ali vive.
Por outro lado,descobri cidades das quais conhecera há muitos, muitos anos, os locais, posso dizer agora, os embriões. Torres Novas, mas principalmente, o Entroncamento ! Como é que, de um entroncamento de linhas férreas com a sua gare respectiva, mas sem mais nada que se pudesse considerar, em redor, dos anos 40 do século XX, brotou uma grande cidade, de grandes prédios, de muitas ruas, jardins e avenidas e lojas e restaurantes e cafés... e todas as características de uma cidade dormitório de Lisboa, graças à frequência de comboios cada vez maior , com horários úteis e rapidez desejável ?
Entra certamente na quase magia de tudo isto uma realidade dos nossos dias que me não encanta por muitíssimas razões mas com a qual parece termos mesmo que nos habituar : os grandes hipermercados internacionais ou nacionais que vieram instalar-se espampanantemente nestas localidades, antes deles apenas habituadas a escassas lojinhas de família onde o negócio, a conversa e bom entendimento iam mantendo a satisfação da clientela. Pelo que vi, o próprio hipermercado cria instalações para o seu pessoal, por vezes autênticos bairros, e assim se foram espraiando casas e se formaram núcleos urbanos inerentes àquela potente força comercial. E lá estão óptimas cidades com grande vitalidade, jovens, activas, modernas...Mas também pude aperceber-me de que a abertura aos bons e completos novos centros de estudo contribuiu imenso para engrandecer as velhas cidades onde se fixaram. Em Tomar há um enorme complexo de nível universitário como que a fazer frente aos monstros comerciais que lhe são vizinhos. É um Instituto Politécnico de grandes dimensões que me fez recordar o antiquíssimo e muito bom Colégio NunÁlvares de nívelsecundário e para onde iam estudar tantos rapazes que hoje são alguém por este país.Tomar está uma grande cidade e alindou-se com novas pontes, novos acessos junto às calmíssimas curvas do Nabão, e restauros de muito bom gosto. A igreja de Santa Maria dos Olivais tanto tempo quase soterrada e meio desmoronada, está agora desafrontada,elegante e à noite muito bem iluminada. No Convento de Cristo então os arranjos chegaram mesmo até à repintura da Charola! E a saída do hospital militar ali antigamente instalado permitiu a abertura de espaços agora usados unicamente com fins culturais e museológicos . Abriram-se esplanadas e restaurantes nas varandas do convento abertas sobre a mata particularmente perfumada. Houve o cuidado de promover espectáculos a aproveitar tanto cenário. E com tudo isto se aproximou tamanha antiguidade e tradição da modernidade de tanta gente que por ali vai.
Esta foi a minha enorme Viagem de férias. Há ainda um outro viajar que fiz e que cabe noutro contexto. Da ALMA.
Talvez porque lo que pasó no fué, está siendo como diz Octávio Paz.
16 agosto 2009
Vigésimo domingo comum
Por coincidência, nos últimos três domingos, não tendo comigo o meu computador e tendo tido oportunidade de assistir a missas diversificadas, não registei, como tanta vez o faço, as considerações que as Leituras de cada liturgia me sugerem. Hoje, retomada a rotina, e justamente vindo "apanhar" o último dos quatro evangelhos de S.João que são introduzidos na sequência dos de S.Marcos próprios deste ano litúrgico, deixei-me maravilhar com a capacidade metafórica do discurso de Jesus, na procura de fazer compreender ao povo inculto e primário coisas que só uma grande elevação espiritual, uma real propensão para a elevação dos pensamentos, poderia fazer perceber.Falar em quem comer a minha carne e beber o meu sangue é algo de perigoso, por susceptível de criar a maior das perplexidades nas pessoas simples.E hoje como há dois mil anos.Mas hoje o pendor para o útil e consumível que é quase regra geral, talvez torne mais difícil a compreensão da metáfora do que no tempo de Jesus, em que a linguagem era mais florida, mesmo entre as tais pessoas simples . A carne e o sangue em que se tornou a palavra de Deus, no corpo de Jesus ( no princípio era o Verbo) estão tão longe dos seus reais significados para nós, homens do século XXI, quanto a irreflexão e a insensatês dos Efésios os poderia levar se não ouvissem a chamada de atenção de São Paulo, ele que melhor que ninguém conhecia a vontade de Deus.
Nós, aqueles que nos habituámos a estudar as palavras, no dito e no escrito, que grande exercício por vezes nos dá a leitura dos textos litúrgicos e como nos apercebemos de quanto é sério o filtro da palavra para a Fé !
Nós, aqueles que nos habituámos a estudar as palavras, no dito e no escrito, que grande exercício por vezes nos dá a leitura dos textos litúrgicos e como nos apercebemos de quanto é sério o filtro da palavra para a Fé !
13 agosto 2009
Regresso de férias
Que prazer ter um livro para ler...e lê-lo ( lá estou eu a desacordar com o Pessoa) !
Que prazer ter um livro para escrever ...e escrevê-lo ! Bem, isto são projecções de férias. Andei por lá, sem computador. Ali, caderno de capa dura e a minha Parker amiga ! E aquilo é que foi escrever ! Dir-se-ia que tinha fome de papel...
Mas não deixarei de dizer que também senti a falta destas embirrações que às vezes tenho que aturar à irritantesinha da minha complementar tecnológica...Tive ocasião de ver quanto se sofre por esse país fora por causa de não coberturas de certas regiões pelos necessários sinais que permitem a comunicação dos humanos que usam a net... E como então me senti feliz pelo meu papel e lápis ! Feliz e filósofa... Porque as férias acabam sempre por me atirar para as etimológicas feiras .E são verdadeiras feiras/mostras de gentes, terras, costumes, faunas, floras, rios e rias, lagos e mares, tudo muito sui generis, para boas confrontações e aprendizagens minhas. Daí a escrita. Muitas notas úteis ou simplesmente a comprovar mais tarde, algumas já por si sós comprovativas. E depois há ainda aquele balão que o coração sopra a encher o nosso peito, em certas manhãs de criação do mundo, e que nos faz acreditar em tudo da felicidade, desde o termo-la, até o sermos ainda capazes de acrescentá-la...Porque vai haver mais manhãs de criação do mundo,certamente.
È assim que se volta diferente do que se foi...
É assim que, por agora, só me apetece que os meus braços ainda saibam o jeito de abraçar um Mundo, o MUNDO...
Que prazer ter um livro para escrever ...e escrevê-lo ! Bem, isto são projecções de férias. Andei por lá, sem computador. Ali, caderno de capa dura e a minha Parker amiga ! E aquilo é que foi escrever ! Dir-se-ia que tinha fome de papel...
Mas não deixarei de dizer que também senti a falta destas embirrações que às vezes tenho que aturar à irritantesinha da minha complementar tecnológica...Tive ocasião de ver quanto se sofre por esse país fora por causa de não coberturas de certas regiões pelos necessários sinais que permitem a comunicação dos humanos que usam a net... E como então me senti feliz pelo meu papel e lápis ! Feliz e filósofa... Porque as férias acabam sempre por me atirar para as etimológicas feiras .E são verdadeiras feiras/mostras de gentes, terras, costumes, faunas, floras, rios e rias, lagos e mares, tudo muito sui generis, para boas confrontações e aprendizagens minhas. Daí a escrita. Muitas notas úteis ou simplesmente a comprovar mais tarde, algumas já por si sós comprovativas. E depois há ainda aquele balão que o coração sopra a encher o nosso peito, em certas manhãs de criação do mundo, e que nos faz acreditar em tudo da felicidade, desde o termo-la, até o sermos ainda capazes de acrescentá-la...Porque vai haver mais manhãs de criação do mundo,certamente.
È assim que se volta diferente do que se foi...
É assim que, por agora, só me apetece que os meus braços ainda saibam o jeito de abraçar um Mundo, o MUNDO...
12 julho 2009
...sacudi o pó dos vossos pés...
Já vai sendo hábito eu vir lançar aqui as ideias que me assaltam durante ou a seguir às leituras de cada missa de Domingo. Às vezes acabam de nascer, outras vezes já as trago comigo há muito tempo,de outros Domingos, pois, como sabemos, há um repetir cíclico destas leituras, de acordo com uma definida sistematização. Ora hoje chegou a altura de, no Evangelho de São Marcos, aparecer um daqueles episódios que me vêm à cabeça muitas e muitas vezes, porque lhe acho graça e como não sei até que ponto aquela acção era um uso simbólico entre o povo ou teria sido criado por Jesus, na hora, para servir de símbolo dali para a frente, apetece-me tomá-lo para meu uso, algumas vezes,sempre com um sorriso, pensando quão espirituoso foi Jesus ao recomendar a sua prática aos Apóstolos que estava a enviar para o meio das gentes :«...e se algum lugar vos não receber, nem aí vos escutarem, ao sairdes de lá, sacudi o pó dos vossos pés, como testemunho contra eles.» Não esqueçamos que os Apóstolos não levavam nem sandálias, nem nada de bens materiais. Talvez, também por isso, até aquela espécie de pó não devesse maculá-los com o seu peso.Como já tínhamos visto na Profecia de Ezequiel, era perfeitamente expectável que a aceitação às prédicas de profetas e de apóstolos não fosse lá das maiores, mas verdadeiramente importante era que elas fossem feitas e sem choques ou imposições de prença activa...
No linguajar de hoje, dir-se-ia talvez que Jesus gostaria de falar soft e só em casos extremos saíria dessa postura.
E eu não deixo de recordar, água mole em pedra dura...dizemos nós,da sabedoria popular, mas que o povo foi buscar onde ? Ao sacudir de muito pó de muitos pés, de muitos outros apóstolos ?
No linguajar de hoje, dir-se-ia talvez que Jesus gostaria de falar soft e só em casos extremos saíria dessa postura.
E eu não deixo de recordar, água mole em pedra dura...dizemos nós,da sabedoria popular, mas que o povo foi buscar onde ? Ao sacudir de muito pó de muitos pés, de muitos outros apóstolos ?
08 julho 2009
Que progresso?
Li, num dos múltiplos cadernos em que se desdobram os jornais de fim de semana,um curioso artigo cujo título me chamou logo a atenção por um defeito de coerência gramatical o futuro vai ser tão bom, não foi ?.Com alguma graça o seu autor recorda quanto,pela magia do cinema, nós, os mais velhos, talvez ainda na primeira metade do século XX, nos entusiasmávamos a pensar que no século XXI ( o futuro) já poderíamos ter robots a arrumar-nos a casa, engolir pastilhas como refeição, andar na Lua como em nossa casa,etc.,etc. e o que afinal verificamos é que no FUTURO é que já estamos a viver e não temos nada disso que imaginávamos... Temos outras coisas, é certo, mas aquelas ficaram a fazer parte do nosso passado, não foi ?
E uma coisa enorme,quanto a progresso, é de facto a televisão. Janela aberta para o mundo, longe ou perto, dentro das nossas casas.Se a internet nos possibilita a COMUNICAÇÃO com o mundo, a televisão possibilita-nos VÊ-LO
E ver o mundo sentada no meu sofá é uma comodíssima forma de me sentir viva dentro dele.
A verdade é que se nos abrem horizontes, mas também matéria para dúvidas, crenças, alegrias, indignações, divertimentos, descobertas, um sem- fim de propostas com que vamos podendo preencher variadíssimos espaços de carência de companhias ou de interlocutores válidos.
Como veria eu, velha senhora, a festa de apresentação de um rapaz do foot-ball cujo preço de compra foi de tantos milhões que não cabem na minha tabuada ?
Como veria eu,portuguesa antiga, a celebração de espampanantes exéquias de um ídolo do rock-and-roll americano ?
Pois vi tudo isso, até certos limites que o meu bom senso aguenta,e fiquei a pensar se lá atrás, naquele seculo XX dos tais sonhos de progressos, as pessoas alguma vez sonhariam que o FUTURO delas seria esta necessidade de encontrar ídolos para idolatrar sem nenhum avanço de nenhuma grandeza ?
E uma coisa enorme,quanto a progresso, é de facto a televisão. Janela aberta para o mundo, longe ou perto, dentro das nossas casas.Se a internet nos possibilita a COMUNICAÇÃO com o mundo, a televisão possibilita-nos VÊ-LO
E ver o mundo sentada no meu sofá é uma comodíssima forma de me sentir viva dentro dele.
A verdade é que se nos abrem horizontes, mas também matéria para dúvidas, crenças, alegrias, indignações, divertimentos, descobertas, um sem- fim de propostas com que vamos podendo preencher variadíssimos espaços de carência de companhias ou de interlocutores válidos.
Como veria eu, velha senhora, a festa de apresentação de um rapaz do foot-ball cujo preço de compra foi de tantos milhões que não cabem na minha tabuada ?
Como veria eu,portuguesa antiga, a celebração de espampanantes exéquias de um ídolo do rock-and-roll americano ?
Pois vi tudo isso, até certos limites que o meu bom senso aguenta,e fiquei a pensar se lá atrás, naquele seculo XX dos tais sonhos de progressos, as pessoas alguma vez sonhariam que o FUTURO delas seria esta necessidade de encontrar ídolos para idolatrar sem nenhum avanço de nenhuma grandeza ?
05 julho 2009
Do Profeta EZEQUIEL
Hoje Ezequiel fala-me de uma coisa que vem ao encontro do que tem sucedido algumas vezes comigo ,ao falar de mim para mim, em situações semelhantes. Ele estava prevenido : vais lá, falas, e eles,como são rebeldes, não vão prestar nenhuma atenção ao que lhes disseres, mas tu vais sempre falando...PELO MENOS SABERÃO QUE HÁ UM PROFETA NO MEIO DELES...
Eu sei que,pelo menos,posso ser A presença.Existo. Lá, como Ezequiel. E insisto.
Eu sei que,pelo menos,posso ser A presença.Existo. Lá, como Ezequiel. E insisto.
04 julho 2009
Sophia de Melo Breyner Andresen
Feliz,feliz, é uma pessoa que tem amigos. Amigos que pensam nela, sem ela se fazer lembrada. Amigos que pensam em proporcionar-lhe alegria sem ela se queixar de tristeza.Amigos que se alegram porque a alegraram.Amigos que param para pensar o que é que lhe daria prazer? Assim só, gratuitamente, sem pensar em trocas nem compensações, mas em simples partilha do BOM que eles têm com o amigo que o não tem.
Tudo isto para dizer que uns amigos desses me levaram ao Miradouro da Graça porque lhes palpitou que me daria prazer ir ver o busto que inauguraram em homenagem à SOPHIA .E foi mesmo uma imensa alegria ! Nesta fase da minha vida, nunca poderia ir lá se me não levassem...Oh! quanto estou grata...!
Mas falemos das manhãs claras, das tardes transparentes, que, daquele lugar, o seu olhar de estátua vai fingir que vê, mas que foram com ela, infinito fora, e andarão para sempre a pairar para nós ,por causa dela, sobre aquele Tejo lá adiante...Não era longe dali a sua casa, onde Lisboa a deixava envolver-se em Mundo e depois oferecer-no-lo envolto sempre em luz, na luz que dela irradiava... Sophia ! Ainda bem que vim ver-te...Quem dera nos encontremos por aí !...Um dia...
Um dia...não a pensar futuro, mas presente, bem presente, e agora já tão passado,( !)escrevi isto por causa do que me vinha de ti:
Era límpida a luz
derramada, sem mancha,
sobre as vagas inquietas
a espumar e a escorrer sobre a areia.
Era princípio ainda.
Do dia impuro nada se sabia.
Havia apenas, amplo, iniciático,
o lugar para os sonhos de partida...
Se chegava a ouvir-se o canto da sereia,
ou se apenas o som
cavo e enigmático
das grutas onde nasce a maresia,
quem podia saber ?quem poderia?
Misteriosamente
abriam-se horizontes
entre reminiscências de passado...
E o ar repercutia
um murmúrio salgado e insistente
a confirmar que afinal existia
o areal, o vento, o Mundo de SOPHIA...
Do meu livro Sinestesias
Tudo isto para dizer que uns amigos desses me levaram ao Miradouro da Graça porque lhes palpitou que me daria prazer ir ver o busto que inauguraram em homenagem à SOPHIA .E foi mesmo uma imensa alegria ! Nesta fase da minha vida, nunca poderia ir lá se me não levassem...Oh! quanto estou grata...!
Mas falemos das manhãs claras, das tardes transparentes, que, daquele lugar, o seu olhar de estátua vai fingir que vê, mas que foram com ela, infinito fora, e andarão para sempre a pairar para nós ,por causa dela, sobre aquele Tejo lá adiante...Não era longe dali a sua casa, onde Lisboa a deixava envolver-se em Mundo e depois oferecer-no-lo envolto sempre em luz, na luz que dela irradiava... Sophia ! Ainda bem que vim ver-te...Quem dera nos encontremos por aí !...Um dia...
Um dia...não a pensar futuro, mas presente, bem presente, e agora já tão passado,( !)escrevi isto por causa do que me vinha de ti:
Era límpida a luz
derramada, sem mancha,
sobre as vagas inquietas
a espumar e a escorrer sobre a areia.
Era princípio ainda.
Do dia impuro nada se sabia.
Havia apenas, amplo, iniciático,
o lugar para os sonhos de partida...
Se chegava a ouvir-se o canto da sereia,
ou se apenas o som
cavo e enigmático
das grutas onde nasce a maresia,
quem podia saber ?quem poderia?
Misteriosamente
abriam-se horizontes
entre reminiscências de passado...
E o ar repercutia
um murmúrio salgado e insistente
a confirmar que afinal existia
o areal, o vento, o Mundo de SOPHIA...
Do meu livro Sinestesias
03 julho 2009
Linguagem gestual
Em nove de Junho houve eleições para o Parlamento Europeu e recordo como me desconsolou verificar quanto está a murchar o interesse das pessoas por aquilo que tanto me empolgou quando eu, jovem, universitária e optimista,sonhava para um meu futuro. Não sei se era por causa do estudo dos Gregos ou se era por causa das tertúlias de corredor com os colegas das Filosofias, nós amávamos a DEMOCRACIA.
Foi preciso que désse tempo ao tempo de crescer para conhecer como era realmente o objecto desse amor.
E agora,que até temos um Parlamento e tudo, que passámos todos por tantas vicissitudes, uma bela manhã acordamos com vontade de ir lá, à matrix da nossa democracia para assistir de perto, (porque temos direito a fazê -lo), àquela coisa tão digna como é gerar as leis para as quais nós todos contribuimos um poucochinho (para isso elegemos deputados) , e acontece estar lá, na bancada ministerial ,um senhor que, estando as leis já todas feitas, se zanga porque o seu ouvido captou um àparte de que não gostou,e, como um miúdo da rua, exterioriza em gestos indecorosos o que não teve fôlego( ou honorabilidade?) para verbalizar.Oh! Um Oh! geral...
Então como é que fica este nosso sonho dos vinte anos?
Só se VÊ o elanguescer desta planta tão delicada quando há eleições?
E até onde é que isso pode levar um país? que até poderá ter ainda mais sonhadores que os da minha geração...e que não usem linguagem gestual de tão baixa categoria...
Foi preciso que désse tempo ao tempo de crescer para conhecer como era realmente o objecto desse amor.
E agora,que até temos um Parlamento e tudo, que passámos todos por tantas vicissitudes, uma bela manhã acordamos com vontade de ir lá, à matrix da nossa democracia para assistir de perto, (porque temos direito a fazê -lo), àquela coisa tão digna como é gerar as leis para as quais nós todos contribuimos um poucochinho (para isso elegemos deputados) , e acontece estar lá, na bancada ministerial ,um senhor que, estando as leis já todas feitas, se zanga porque o seu ouvido captou um àparte de que não gostou,e, como um miúdo da rua, exterioriza em gestos indecorosos o que não teve fôlego( ou honorabilidade?) para verbalizar.Oh! Um Oh! geral...
Então como é que fica este nosso sonho dos vinte anos?
Só se VÊ o elanguescer desta planta tão delicada quando há eleições?
E até onde é que isso pode levar um país? que até poderá ter ainda mais sonhadores que os da minha geração...e que não usem linguagem gestual de tão baixa categoria...
30 junho 2009
Saint Exupéry
Foi por e para recordar Saint Exupéry que hoje vim marcar mais um dia do meu calendário pessoal...Nasceu, como se dizia antigamente, bem nascido, num vinte e nove de Junho do ano em que nascera o meu Pai, em Maio. Mas morreu matado por bombas alemãs, na segunda Guerra Mundial, ao fazer um voo de reconhecimento sobre o Mediterrâneo, que nunca devolveu o seu corpo. Do Petit Prince todos sabem imensas coisas e pensam assim conhecê-lo. Da sua forma de estar na vida e de como a amou, creio que preferem não saber.É que , como ele disse, aqueles que se aproximam de nós sempre nos deixam alguma coisa de si próprios, mas levam consigo uma boa parte de nós mesmos...
21 junho 2009
O Verão, o Mar e a Fé

Pelo decorrer do calendário, é mesmo hoje que começa o Verão. Temos andado há uma semana a suportar a agressividade dos mais de trinta graus, anúncio vigoroso da canícula a chegar e agora há por aí locais onde se instalaram os quarenta graus.E o Portugal inteiro só pensa numa coisa :a PRAIA. Coitados daqueles que àmanhã pela manhâ se vão sentar nas salas de exame a prestar as sempre temidas provas de matemática do 9º ano e outras provas do 12º ano ! Este ambiente tórrido não é propício a grandes concentrações da atenção e eles precisam muito dessa concentração, tanto nas vésperas que não devem ser excitanies, como na hora da prova em que a tranquilidade ambiente é indispensável. Que Deus os ajude.
E como Deus está no meio de nós, curiosamente, a liturgia de hoje traz-nos lindíssimos trechos mesmo adequados a esta ânsia de MAR que os portugueses estão a viver hoje....« O Senhor disse a Job:Quem foi que fechou o Mar no meio de portas, quando ele irrompeu do seio do abismo, quando eu o vesti de neblina e o envolvi de uma nuvem sombria,quando lhe fixei os limites e coloquei portas e ferrolhos? Fui eu que lhe disse «virás até aqui e não irás mais além, aqui virá quebrar-se a altivez das tuas vagas...» Ficamos maravilhados com a beleza das imagens e a demonstração de sensibilidade que surge a cada passo no Antigo Testamento, mas o próprio Salmo (106/107) é uma tão poética " pintura" das maravilhas do Senhor no mar imenso que pouco falta para que o perfume da maresia chegue até nós. É ainda o Evangelho de São Marcos que nos coloca numa barca com Jesus ressuscitado e os seus discípulos a atravessarmos o Lago Tiberíades como que propositadamente para termos a certeza de que Jesus nos irá defender de quaisquer tempestades de mares alterosos, como a que ali se levantou... E nós a vermos Jesus dormir na popa da barca e já a pensarmos que Ele não nos ia valer...
Como é que não tendes fé? Foi a pergunta que Ele fez, depois de fazer calmar a tempestade.Para todos os da barca, passado o medo, foi assim como um soco no estomago, que Homem é este a quem o MAR obedece e as tempestades?
Como é que não temos fé ? ? ?
E como Deus está no meio de nós, curiosamente, a liturgia de hoje traz-nos lindíssimos trechos mesmo adequados a esta ânsia de MAR que os portugueses estão a viver hoje....« O Senhor disse a Job:Quem foi que fechou o Mar no meio de portas, quando ele irrompeu do seio do abismo, quando eu o vesti de neblina e o envolvi de uma nuvem sombria,quando lhe fixei os limites e coloquei portas e ferrolhos? Fui eu que lhe disse «virás até aqui e não irás mais além, aqui virá quebrar-se a altivez das tuas vagas...» Ficamos maravilhados com a beleza das imagens e a demonstração de sensibilidade que surge a cada passo no Antigo Testamento, mas o próprio Salmo (106/107) é uma tão poética " pintura" das maravilhas do Senhor no mar imenso que pouco falta para que o perfume da maresia chegue até nós. É ainda o Evangelho de São Marcos que nos coloca numa barca com Jesus ressuscitado e os seus discípulos a atravessarmos o Lago Tiberíades como que propositadamente para termos a certeza de que Jesus nos irá defender de quaisquer tempestades de mares alterosos, como a que ali se levantou... E nós a vermos Jesus dormir na popa da barca e já a pensarmos que Ele não nos ia valer...
Como é que não tendes fé? Foi a pergunta que Ele fez, depois de fazer calmar a tempestade.Para todos os da barca, passado o medo, foi assim como um soco no estomago, que Homem é este a quem o MAR obedece e as tempestades?
Como é que não temos fé ? ? ?
20 junho 2009
Santos Populares
« ...Se o Menino Jesus pergunta mais, queixo-me a sua Mãe, Nossa Senhora » e assim se remata uma conversa entre Santo António e o Menino, embaraçosa, segundo parece, por causa da cusquice daquele Menino que queria informar-se sobre um tal par de namorados que descobrira junto à fonte. Isto, segundo conta Augusto Gil, numa época em que se escreviam e se liam doces ingenuidades como esta Hoje gosta-se mais de um Santo António mais maroto, pouco ou nada asceta nas suas convivências populares, de mistura com manjericos, balões, patuscadas a deshoras, fados, marchas e festões coloridos e rebrilhantes. Lisboa faz com ELE a sua festa. E naquela emulação que sempre houve e haverá entre Lisboa e o Porto, esta cidade faz uma festa ainda mais fogosa com o seu São João. Sei muito pouco das razões destes paralelismos festivos e ouvi, no Porto, uma quadra popular que diz:
São João pra ver as moças
ai fez uma fonte de prata.´
As moças não vão a ela.
ai São João todo se mata.
Isto lá vai chegar à mesma marotice de convivência entre o santo e os seus devotos.E, no Norte parece-me que há a considerar a expansão territorial da Festa visto que a cidade de Braga e alguns outros lugares, fazem da homenagem a São João a grande oportunidade de o povo dar largas à sua vontade de brincar e se divertir.
Eis que, ao pensar tudo isto imaginando que a proximidade dos dias votivos de cada um destes santos levou a que, na visão popular, apareçam tão paralelos ,me pergunto : e São Pedro ? Sempre se falou nos três santos populares e eu sei que há na margem sul do Tejo alguns locais onde este santo é festejado, mas não oiço as fanfarras da fama visarem da mesma forma este seriíssimo São Pedro a quem talvez por ter sido crucificado de cabeça para baixo, o povo considere menos bom para companheiro de folguedos...
Certo é que 13, 24 e 29são datas do mesmo mês e tão próximas que até convidam a que, sendo todos Santos, apóstolos ou doutores da Igreja, os recordemos juntos e com igual alegria, porque, embora em situações e ocasiões tão diversas, foram dos nossos, como o povo diz vulgarmente, e como quer que continuem a ser.
São João pra ver as moças
ai fez uma fonte de prata.´
As moças não vão a ela.
ai São João todo se mata.
Isto lá vai chegar à mesma marotice de convivência entre o santo e os seus devotos.E, no Norte parece-me que há a considerar a expansão territorial da Festa visto que a cidade de Braga e alguns outros lugares, fazem da homenagem a São João a grande oportunidade de o povo dar largas à sua vontade de brincar e se divertir.
Eis que, ao pensar tudo isto imaginando que a proximidade dos dias votivos de cada um destes santos levou a que, na visão popular, apareçam tão paralelos ,me pergunto : e São Pedro ? Sempre se falou nos três santos populares e eu sei que há na margem sul do Tejo alguns locais onde este santo é festejado, mas não oiço as fanfarras da fama visarem da mesma forma este seriíssimo São Pedro a quem talvez por ter sido crucificado de cabeça para baixo, o povo considere menos bom para companheiro de folguedos...
Certo é que 13, 24 e 29são datas do mesmo mês e tão próximas que até convidam a que, sendo todos Santos, apóstolos ou doutores da Igreja, os recordemos juntos e com igual alegria, porque, embora em situações e ocasiões tão diversas, foram dos nossos, como o povo diz vulgarmente, e como quer que continuem a ser.
14 junho 2009
11º Domingo Comum
Nesta sistematização dos objectos de cada missa votiva ao longo do ano litúrgico, recomeçaram hoje os chamados Domingos Comuns que tinham sido interrompidos na Quarta Feira de Cinzas. Os textos das nossas leituras vão levar-nos agora a encontrar Jesus a agir no mundo por intermédio da acção da sua Igreja, cuja missão é precisamente garantir a presença entre nós de Jesus ressuscitado. E os evangelistas vão contar-nos aquelas coisas que ouviremos pela enésima vez mas onde sempre descobrimos um novo conselho, estímulo ou aviso que parece mesmo que Jesus disse "para mim", naquele seu modo misterioso e grave de nos falar, naquela sua tão estranha parábola de que sempre se serve, não vá traí-lo o nosso pobre entendimento... Nós, aquele grãosinho de mostarda...
10 junho 2009
Paráfrases de Camões no dez de Junho
Que de uma Pátria antiga
se tratava
foi-me herança
encontrada
quando vim
Que de uma Pátria antiga
eram a língua, os livros
e os poetas
aprendi, decorei
e, apaixonada,
os segui e adorei
como a profetas
Que deuma Pátria antiga
sou pertença,.
terreno, erva daninha,
ortiga ou flor,
é o meu património
fé e crença
Ditosa Pátria minha
e de meus Pais,
das chuvas e das dores,
dos sóis, da primavera,
de todos os que já
não voltam mais,
das glórias dos amores,
das lágrimas caladas...
...à qual se o Céu me der
que um dia entregue
este corpo
cansado de viver
darei feliz
tudo o que soube ser...
se tratava
foi-me herança
encontrada
quando vim
Que de uma Pátria antiga
eram a língua, os livros
e os poetas
aprendi, decorei
e, apaixonada,
os segui e adorei
como a profetas
Que deuma Pátria antiga
sou pertença,.
terreno, erva daninha,
ortiga ou flor,
é o meu património
fé e crença
Ditosa Pátria minha
e de meus Pais,
das chuvas e das dores,
dos sóis, da primavera,
de todos os que já
não voltam mais,
das glórias dos amores,
das lágrimas caladas...
...à qual se o Céu me der
que um dia entregue
este corpo
cansado de viver
darei feliz
tudo o que soube ser...
09 junho 2009
Eleições
E houve eleições, no domingo.Para eleger deputados para o Parlamento Europeu. Depois de uma campanha turbulenta em que houve desmandos vocabulares, ironias de baixo nível,ditos e desditos assaz desconcertantes, todos esperávamos por uma grande abstenção e ela veio...Pena ? Sim, pena por se perceber o enorme fosso que o povo português tem ainda que vencer para se entrosar no verdadeiro espírito democrático. Estou triste por perceber que é ainda mais longo o caminho a percorrer do que aquilo que eu esperava em 74 e agora começo a pressentir que já não haverá tempo para mim para ver desabrochar essa flor de civilidade,de respeito,de tolerãncia, de convicção sem bravata, de afirmação sem insolência, com que eu sonhei sempre tanto.
Quando, nos meus tempos activos, fiz alguns serviços em Estrasburgo, Luxemburgo e Bruxelas tudo me pareceu tão bem pensado que cheguei a crer em novas utopias. Mas´lá mesmo, nesses areópagos cuja esfera de acção já me parecia dificultosa, comecei a recear que viesse a ressurgir aquele sonho de sempre, de se construir a torre que há-de chegar ao céu...
Por enquanto, vamos olhando o céu cá de baixo. E sabemos onde ele está...
Quando, nos meus tempos activos, fiz alguns serviços em Estrasburgo, Luxemburgo e Bruxelas tudo me pareceu tão bem pensado que cheguei a crer em novas utopias. Mas´lá mesmo, nesses areópagos cuja esfera de acção já me parecia dificultosa, comecei a recear que viesse a ressurgir aquele sonho de sempre, de se construir a torre que há-de chegar ao céu...
Por enquanto, vamos olhando o céu cá de baixo. E sabemos onde ele está...
02 junho 2009
2 de Junho
31 maio 2009
Pentecostes
«Partos, Medos, Elamitas, habitantes da Mesopotâmia,da Judeia e da Capadócia,do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e dos lados da Líbia vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, Cretenses e Árabes», em resumo: todo o mundo conhecido,feito de povos diferentes em usos, estatutos e línguas, subitamente ouve que falam para todos, mas para cada um, porque cada um ouve o que é dito mas na sua própria língua... Isto aconteceu no dia 50º depois da Ressurreição de Jesus e 10º depois da sua ascenção à vista dos discípulos. Lembramo-nos bem de que Jesus havia dito«« não vos deixarei orfãos »» .E também nos lembramos bem de que, no princípio de tudo, quando ainda ««as trevas cobriam o abismo, o ESPÍRITO de Deus movia-se sobre a superfície das águas »» e foi a partir desta inefável presença que Deus iniciou a sua atenta e carinhosa obra de criação. Este Espírito de Deus liga-nos pois a ELE através de tudo o que ELE foi vendo «que era bom» para nós, inclusive através daquele presente sem medida e sem humana qualificação possível que foi o seu Filho Jesus... Quis Deus um Mundo de homens em paz e cabia ao seu ESPÍRITO harmonizá-los, torná-los capazes de se entenderem ,ainda na memória de um Jesus cuja missão aquele Mundo não conseguiu compreender... Se era de sinais visíveis que precisavam, então aí estavam esses pequenos fogos purificantes primeiro, estimulantes depois... Mas, com sinais ou sem eles, aqui estamos nós,dois mil anos depois, Partos ou Capadócios, Egípcios ou Romanos, sem termos aprendido aquela língua que o ESPÍRITO de Deus vem ensinar-nos no dia de hoje e nós sabemos que se chamaria AMOR...
28 maio 2009
Um grande dia de maio
Lembrei-me de ir procurar informação na net, sobre o aparecimento do dia dos vizinhos e fiquei então sabendo que o seu nascimento se deu em Paris em 2004 tendo depois a ONU aproveitado a ideia e marcado a última terça feira de cada mês de maio para essa celebração.
Obtida esta informação,já me senti apetrechada para, ontem, dia 27, invocar de maneira fundanentada, a minha teoria da vicinidade na reunião de condóminos que iriamos ter pela primeira vez com administração nova ( um gabinete de gestão de condomínios conduzido por duas advogadas jovens das quais tivemos referências de bom profissionalismo). Fez-se a dita reunião que decorreu com as características habituais, não se mostrando as novas gestoras minimamente perturbadas com as velhas tricas subjacentes a certas intervenções, póprias de quem já condominiza há muitos anos..
.
Aconteceu,apenas a mim e em conversa lateral, ter que lembrar ao único condómino jovem presente, que, ao contráriodo que eles pensam,todos precisamos uns dos outros, sejamos novos ou velhos, cada um dentro das suas capacidades...Um pormenor, mas de peso, dentro daquele contexto
Porém, este dia 27 de Maio foi um tal cúmulo de datas a celebrar,umas, e outras anterioríssimamente marcadas e desmarcadas por contingências várias, que foi,desde manhã até à noite um cumprir ou faltar a compromissos por impossibilidade de conexão, e por sobreposição até. Foi o aniversário da minha amiga-sobrinha Rita, foi a memória religiosa dos que teriam sido os 109 anos de meu Pai, foi um almoço na cidade preparado para e por velhos amigos do mesmo antigo Trabalho, foi a reunião em minha casa com as Senhoras visitadoras da Paróquia,por fim foi a reunião dos condóminos.Vi-me forçada a prescindir da minha sessão de fisioterapia e,depois, às seis da tarde, a não estar presente na apresentação do livro do meu amigo Padre Lázaro, na Embaixada de Moçambique.
Este foi o livro em que se transformou a sua tese de doutoramento em Teologia e cujo título nos indica a originalidade do tema e nos estimula a curiosidade, por isso que os sete arguentes da sua prova foram unânimes em classificá-lo com 18 valores cum laude... DOENÇA E CURA EM ÁFRICA introduz-nos em toda uma desconhecida filosofia de pensar a doença quando olhada com olhos africanos e participada pelos prcedimentos cristãos.
O nosso novo Doutor vai regressar para junto do seu povo chuabo com todos os conhecimentos e experiências que adquiriu em 6 trabalhosos anos de convívio europeu ocidental. Com muita saudade vamos, vou, ficar orfã da sua amizade e dos seu apoio.
Na oração da noite deste enorme dia, agradeci a DEUS os amigos, lembrei os vizinhos e encomendei~lhe particularmente o futuro do meu amigo Lázaro.
E adormeci em paz ! .
Obtida esta informação,já me senti apetrechada para, ontem, dia 27, invocar de maneira fundanentada, a minha teoria da vicinidade na reunião de condóminos que iriamos ter pela primeira vez com administração nova ( um gabinete de gestão de condomínios conduzido por duas advogadas jovens das quais tivemos referências de bom profissionalismo). Fez-se a dita reunião que decorreu com as características habituais, não se mostrando as novas gestoras minimamente perturbadas com as velhas tricas subjacentes a certas intervenções, póprias de quem já condominiza há muitos anos..
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Aconteceu,apenas a mim e em conversa lateral, ter que lembrar ao único condómino jovem presente, que, ao contráriodo que eles pensam,todos precisamos uns dos outros, sejamos novos ou velhos, cada um dentro das suas capacidades...Um pormenor, mas de peso, dentro daquele contexto
Porém, este dia 27 de Maio foi um tal cúmulo de datas a celebrar,umas, e outras anterioríssimamente marcadas e desmarcadas por contingências várias, que foi,desde manhã até à noite um cumprir ou faltar a compromissos por impossibilidade de conexão, e por sobreposição até. Foi o aniversário da minha amiga-sobrinha Rita, foi a memória religiosa dos que teriam sido os 109 anos de meu Pai, foi um almoço na cidade preparado para e por velhos amigos do mesmo antigo Trabalho, foi a reunião em minha casa com as Senhoras visitadoras da Paróquia,por fim foi a reunião dos condóminos.Vi-me forçada a prescindir da minha sessão de fisioterapia e,depois, às seis da tarde, a não estar presente na apresentação do livro do meu amigo Padre Lázaro, na Embaixada de Moçambique.
Este foi o livro em que se transformou a sua tese de doutoramento em Teologia e cujo título nos indica a originalidade do tema e nos estimula a curiosidade, por isso que os sete arguentes da sua prova foram unânimes em classificá-lo com 18 valores cum laude... DOENÇA E CURA EM ÁFRICA introduz-nos em toda uma desconhecida filosofia de pensar a doença quando olhada com olhos africanos e participada pelos prcedimentos cristãos.
O nosso novo Doutor vai regressar para junto do seu povo chuabo com todos os conhecimentos e experiências que adquiriu em 6 trabalhosos anos de convívio europeu ocidental. Com muita saudade vamos, vou, ficar orfã da sua amizade e dos seu apoio.
Na oração da noite deste enorme dia, agradeci a DEUS os amigos, lembrei os vizinhos e encomendei~lhe particularmente o futuro do meu amigo Lázaro.
E adormeci em paz ! .
26 maio 2009
Saberá a ONU ?
Muito cansada! O que eu tenho feito, o que eu tenho escrito, o que eu tenho feito escrever ! Mas hoje, a telefonia da manhãsinha e, depois, a televisão do almoço apregoaram aos quatro ventos que é o dia europeu dos vizinhos ! ! !
E eu, toda convencida que tinha sido muito original na minha teoria sobre a vicinidade exposta aqui mesmo neste blog em 8 de julho de 2008 !...
Juro que nunca ouvi falar noDIA DO VIZINHO . E não é que os noticiários me dizem que há 3 anos que a ONU se lembrou disto ? e que o dia será muito cheio de festas nas Juntas de Freguesia e mais aqui e ali... Bem, a minha alma rejubila e pasma. E também, como tinha exposto resumidamente a minha teoria numa reunião de condóminos que aconteceu no começo deste ano de 09,
resolvi pôr-me à espera que algum dos meus vizinhos hoje viesse mostrar-me
um pouco da sua aderência às ideias minhas e da ONU...
Está para ser noite e não aconteceu... Será só no meu prédio? Será que a ONU sabe disto ?
Ingenuidade minha. Como se intitulava uma série de documentários que era passada nos cinemas, na época da Guerra, ainsi va le monde...
E eu, toda convencida que tinha sido muito original na minha teoria sobre a vicinidade exposta aqui mesmo neste blog em 8 de julho de 2008 !...
Juro que nunca ouvi falar noDIA DO VIZINHO . E não é que os noticiários me dizem que há 3 anos que a ONU se lembrou disto ? e que o dia será muito cheio de festas nas Juntas de Freguesia e mais aqui e ali... Bem, a minha alma rejubila e pasma. E também, como tinha exposto resumidamente a minha teoria numa reunião de condóminos que aconteceu no começo deste ano de 09,
resolvi pôr-me à espera que algum dos meus vizinhos hoje viesse mostrar-me
um pouco da sua aderência às ideias minhas e da ONU...
Está para ser noite e não aconteceu... Será só no meu prédio? Será que a ONU sabe disto ?
Ingenuidade minha. Como se intitulava uma série de documentários que era passada nos cinemas, na época da Guerra, ainsi va le monde...
21 maio 2009
17 maio 2009
O monumento a Cristo Rei
Por mais que puxasse pela memória, não consegui fixar-me nem em qual teria sido a primeira, nem em quantas vezes visitei, estive ou passei pela cidade de Setúbal. Lembro bem a última, em que fui convidada pela Escola Superior de Educação ( creio ser este o seu nome oficial) para falar sobre Bocage em companhia com duas amigas que iam lendo poemas dele, ao a propósito do que eu ia dizendo. É um campus universitário magnífico, inserido na paisagem e pensado para uma população de jovens modernos, à boa maneira de Siza Vieira. Sei que foi uma visita alegre em que inclusivamente a Tuna acabou improvisando uma musiquinha muito bonita para um pequeno poema do poeta celebrado que eu lhe lançara à maneira de mote ...e desafio.
Recordação bem mais antiga, um fim de semana de dois dias passado na Estalagem de São Filipe (será que ainda existe e com este nome?), instalada no Castelo ou Forte com esse nome. Uma situação magnífica, com o rio Sado já a fazer-se estuário ali aos nossos pés...
Mais atrás ainda, muito mais atrás, um passeio por uma avenida arborizada, onde, a certa altura, me mostraram o monumento a outra jóia da cidade, Luiza Todi. E, logo a seguir um almoço em que comi pela primeira vez um peixe delicioso que em casa se não comia porque o meu Pai o detestava:o salmonete.
Era ali uma especialidade, já não me lembro se da terra, se do restaurante.Mas a verdade é que me ficou para toda a vida a associação desse peixe a essa cidade. E também sei que me fizeram crer que as pessoas de Setúbal falam carregando na pronúncia dos R .
Não se pode dizer que seja tudo isto uma grande informação e pode sim dizer-se que é quase imperdoável... Mesmo ali à beira da Arrábida que percorri e frequentei nas suas múltiplas facetas (onde, tanto, a memória do Sebastião Gama,esse amigo !), mais modernamente, num simples cruzamento de estradas ao vir do sul para Lisboa...Bem, é já ali Setóbal !
Mas ,subitamente, comecei a ter essa cidade aos meus ouvidos várias vezes por dia : a violência, as juventudes delinquentes mas incompreendidas, a polícia enxovalhada, a Conunicação Social aos gritos e apitos, nós todos numa inquietação, eu, com um nó na garganta, a lembrar aqueles alunos da Tuna e da Escola,tão felizes, tão alegres, e também os polícias que conheci no meu trabalho, gente sã, meritória...Que é isto ?
Que é isto no meu país ?
E acontece outra vez Setúbal . O Concelho, a Diocese, e o seu povo... E de novo a Comunicação Social uma, duas , n vezes a insistir, a insistir...mas como se explica que o tom já não seja instigador da histeria irritada e irritante e se tenha mudado o registo das referências ao povo, a este mesmíssimo povo de Setúbal , do espaço alargado para fora da cidade, onde provavelmente as juventudes se podem equiparar ? É explicável ?
Agora trata-se de algo que se percebe bem todos respeitam, e não ousam cometer qualquer deslize, talvez nem bem saibam porquê...
São os espectaculares festejos de comemoração do 50º aniversário da existência do monumento a Cristo-Rei, implantado justamente na Diocese de Setúbal...
Há que considerar que o histórico e o político têm aqui um grande peso, mas o que provoca esta mudança de atitudes ?
Acaso não se trata da mesma Comunicação Social, dos mesmos "fazedores" de opinião ?
O convite à meditação perante o imenso espaço aberto à frente daquele monumento é sem dúvida feito pela beleza esmagadora da paisagem, toda material, mas do que ali SENTIMOS sobre nós e o mundo, sobre nós e a vida,
disso e de um certo inexplicável AMOR, de que o Mundo está carente, não encontramos forma de o materializar... Vejo agora nitidamente que o espiritual é mesmo o grande motor deste Mundo dos Homens, quer eles o entendam quer não ...
Recordação bem mais antiga, um fim de semana de dois dias passado na Estalagem de São Filipe (será que ainda existe e com este nome?), instalada no Castelo ou Forte com esse nome. Uma situação magnífica, com o rio Sado já a fazer-se estuário ali aos nossos pés...
Mais atrás ainda, muito mais atrás, um passeio por uma avenida arborizada, onde, a certa altura, me mostraram o monumento a outra jóia da cidade, Luiza Todi. E, logo a seguir um almoço em que comi pela primeira vez um peixe delicioso que em casa se não comia porque o meu Pai o detestava:o salmonete.
Era ali uma especialidade, já não me lembro se da terra, se do restaurante.Mas a verdade é que me ficou para toda a vida a associação desse peixe a essa cidade. E também sei que me fizeram crer que as pessoas de Setúbal falam carregando na pronúncia dos R .
Não se pode dizer que seja tudo isto uma grande informação e pode sim dizer-se que é quase imperdoável... Mesmo ali à beira da Arrábida que percorri e frequentei nas suas múltiplas facetas (onde, tanto, a memória do Sebastião Gama,esse amigo !), mais modernamente, num simples cruzamento de estradas ao vir do sul para Lisboa...Bem, é já ali Setóbal !
Mas ,subitamente, comecei a ter essa cidade aos meus ouvidos várias vezes por dia : a violência, as juventudes delinquentes mas incompreendidas, a polícia enxovalhada, a Conunicação Social aos gritos e apitos, nós todos numa inquietação, eu, com um nó na garganta, a lembrar aqueles alunos da Tuna e da Escola,tão felizes, tão alegres, e também os polícias que conheci no meu trabalho, gente sã, meritória...Que é isto ?
Que é isto no meu país ?
E acontece outra vez Setúbal . O Concelho, a Diocese, e o seu povo... E de novo a Comunicação Social uma, duas , n vezes a insistir, a insistir...mas como se explica que o tom já não seja instigador da histeria irritada e irritante e se tenha mudado o registo das referências ao povo, a este mesmíssimo povo de Setúbal , do espaço alargado para fora da cidade, onde provavelmente as juventudes se podem equiparar ? É explicável ?
Agora trata-se de algo que se percebe bem todos respeitam, e não ousam cometer qualquer deslize, talvez nem bem saibam porquê...
São os espectaculares festejos de comemoração do 50º aniversário da existência do monumento a Cristo-Rei, implantado justamente na Diocese de Setúbal...
Há que considerar que o histórico e o político têm aqui um grande peso, mas o que provoca esta mudança de atitudes ?
Acaso não se trata da mesma Comunicação Social, dos mesmos "fazedores" de opinião ?
O convite à meditação perante o imenso espaço aberto à frente daquele monumento é sem dúvida feito pela beleza esmagadora da paisagem, toda material, mas do que ali SENTIMOS sobre nós e o mundo, sobre nós e a vida,
disso e de um certo inexplicável AMOR, de que o Mundo está carente, não encontramos forma de o materializar... Vejo agora nitidamente que o espiritual é mesmo o grande motor deste Mundo dos Homens, quer eles o entendam quer não ...
10 maio 2009
As varas
Esta foi a semana em que o tempo, de quente, passou a frio e de brilhante passou a baço...Tenho uma pequena fatia de jardim, coberta de hera, com uma cameleira num dos topos.Quem sabe destes arremedos de jadins que há na cidade sabe que, numa certa época, pululam os jarros alvíssimos de largas folhas verdes que requebram como bailarinas orientais. Mas vem a época em que eles abdicam, secam e só no subsolo quente fica um bolbo que ninguém vê e até esquece, pelo menos pelo espaço de um ano... Os velhos jarros amarelaram,
descaíram e arrastam-se pela terra consentindo que tudo o que for exuberante lhes caia por cima e os abafe. Veio hoje o jardineiro e foi puxando, separando, arrancando...Era um montão de lixo, aquilo que fora tão airoso !
Metáfora ? São João diz no Evangelho de hoje que Jesus terá usado a metáfora da vara seca que é jogada fora e queimada, seca porque não dá fruto, e o fruto é uma nova metáfora...Como eram misteriosas as palavras de Jesus !
É que, mesmo sem eu fazer nada, os meus jarros voltam a rebentar cheios de força, na próxima Primavera...Só mesmo isto é possível porque aos seus escondidos bolbos,até aí !, chegará a Infinita Misericórdia.
Como é que eu não penso nisto quando estou como os velhos jarros do meu minúsculo jardim ?
descaíram e arrastam-se pela terra consentindo que tudo o que for exuberante lhes caia por cima e os abafe. Veio hoje o jardineiro e foi puxando, separando, arrancando...Era um montão de lixo, aquilo que fora tão airoso !
Metáfora ? São João diz no Evangelho de hoje que Jesus terá usado a metáfora da vara seca que é jogada fora e queimada, seca porque não dá fruto, e o fruto é uma nova metáfora...Como eram misteriosas as palavras de Jesus !
É que, mesmo sem eu fazer nada, os meus jarros voltam a rebentar cheios de força, na próxima Primavera...Só mesmo isto é possível porque aos seus escondidos bolbos,até aí !, chegará a Infinita Misericórdia.
Como é que eu não penso nisto quando estou como os velhos jarros do meu minúsculo jardim ?
03 maio 2009
MÃES
Matriz, modelo, MAÇÃ, malefício, medo, mortificação, marca, melancolia, macio, mimo, mácula, memórias.
Alvorada, Amor, ansiedade, aflição, azedume, apelo, apego, auxílio, apoio, acompanhamento, abraço, artes, admiração, ausência.
Eternidade, Eden, envolvimento, exclusão, entendimento, exigência, educação, evolução, elegância, esteio, espanto.
Alvorada, Amor, ansiedade, aflição, azedume, apelo, apego, auxílio, apoio, acompanhamento, abraço, artes, admiração, ausência.
Eternidade, Eden, envolvimento, exclusão, entendimento, exigência, educação, evolução, elegância, esteio, espanto.
Com as três letras de MÃE podemos contar a História de todas as MÃES do mundo, desde que Eva provou a maçã. Esta é a história das mães que eu tive.
01 maio 2009
Trabalhadores
Principia o mês de Maio, dito antigamente o mês das flores. E também se dizia que, se chovesse, a sua chuva fazia as pessoas bonitas... Com o passar do tempo tudo endureceu nas nossas vidas e, se pensamos em Maio, a primeira conotação é a do TRABALHO por causa de o seu primeiro dia ser dedicado aos TRABALHADORES. E nós sabemos a carga de lutas, de sofrimentos, de decepções e de poucas alegrias que esta data traz consigo.Mas também é importante que se pense quanta dignidade, quanto orgulho, quanta felicidade o trabalho pode dar ao ser humano... O Fernando Pessoa é que se lembrou de elogiar o não se ter nada para fazer ou o não se fazer nada mesmo que haja que fazer, e socorre-se de exemplos que só nos fazem sorrir««o melhor do mundo são as crianças»» E, não sei por que associação de ideias, este amor do Pessoa ao primitivo, fez com que me ocorresse que também no dia 1 de Maio foi escrita por PERO VAZ DE CAMINHA a CARTA a dar conta ao Rei D. Manuel do ACHAMENTO DO BRASIL .Não teriam sido também uns esforçadíssimos trabalhadores, estes navegadores cujo esquecimento vamos gradualmente consentindo ?...
26 abril 2009
São Nuno de Santa Maria
«O grande Pereira», «o fero Nuno»,«...Nuno,qual...o fortíssimo leão»,«Nuno,que,como sábio capitão, tudo corria e via e a todos dava com presença e palavras, coração», pois este Nuno assim visto por Camões, foi hoje canonizado por um Papa de nome Bento, tal como fora beatificado por outro Papa de nome Bento também. Sendo notável toda a sua carreira militar em que,de simples "conde das cavalariças/ cavalos,cavalaria"( condestável, etimologicamente e por influência do inglês constable medieval), chegou a chefe supremo de todo o exército e figura maior da hierarquia da corte, é ainda muito mais notável o quanto a sua fé, a sua dedicação a Nossa Senhora o fez, depois de viuvo, procurar "apagar-se" numa humildade que o esconde dentro do hábito carmelita, de onde quase nada volta mais a ouvir-se sobre ele...
Pois agora aí está, mais um dos Santos e Santas da Corte dos Céus, a fazer-nos pensar a nós em como são misteriosos os juizos de Deus e os seus desígnios e em quê e em quanto e em como teremos que dar volta às nossas vidas se quisermos sequer imitar um Santo assim...
Pois agora aí está, mais um dos Santos e Santas da Corte dos Céus, a fazer-nos pensar a nós em como são misteriosos os juizos de Deus e os seus desígnios e em quê e em quanto e em como teremos que dar volta às nossas vidas se quisermos sequer imitar um Santo assim...
25 abril 2009
25 de ABRIL
Eu vi Abril por fora e Abril pordentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.
Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido ( Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer...
Manuel Alegre
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.
Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido ( Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer...
Manuel Alegre
24 abril 2009
24 de ABRIL

Le taparia el tiempo
con rosas, por que no recordara.
Una rosa distinta,
de una imprevista majia,
sobre cada hora solitaria de oro
o sombra,
hueco propício a las memorias trajicas.
Que, como entre divinas y alegres
enredando rosas, granas ,blancas
que no dejarán sítio a lo pasado,
se le enredara,
con el cuerpo,
EL ALMA...
EL ALMA...
de Juan Ramon Gimenez
18 abril 2009
Prendas
As prendinhas que trocámos com os nossos amigos tiveram sempre um qualquer significado, a menos que não fossem de ou para amigos mesmo, dos verdadeiros.
Com o andar da vida, acabámos por ter,a cada passo,na nossa casa uma presença qualquer daquele ou do outro ,várias vezes multiplicadas...A jarrinha do último natal em que... A moldura daquele dia de anos que... A taça, a caixa,a chávena...Isto para não falar dos utilitários como a máquina de café, a torradeira, o jogo de facas, o espremedor de fruta...E também a coquetterie dos lenços de seda, das caixinhas de comprimidos, do alfinete de pedras...
Bem! Isto tornou-nos possuidores de inúmeras coisas carregadas de significados vários mas que nós, no seu conjunto, acabamos por já nem gozar...
Combinámos então,entre amigos, no alvorecer desta avassaladora idade do consumismo, passarmos a só nos presentearmos com bens perecíveis, como produtos para nos lavarmos, para aperfeiçoar a nossa apresentação física, para comer ou beber, para escrever, e também flores, plantas e livros Tivemos algumas dúvidas sobre a classificação dos dois últimos citados.As plantinhas,se as tratarmos bem, far-nos -ão companhia longo tempo, são mesmo uma companhia com a qual até podemos falar( ! ! !). Sobre a durabilidade válida dos livros é que haverá muito a dizer.Pondo de parte o quanto fisicamente se deterioram, é claro que o seu conteúdo é persistente...quando o é! Porém cada vez estou encontrando mais livros perecíveis. Ninguém certamente está a pensar num CEM ANOS DE SOLIDÃO, nuns LUSÍADAS, num GUERRA E PAZ, numa MADAME BOVARY ou mesmo num MEMORIAL DO CONVENTO.
Mas quanto é publicado apenas arrastado pela esteira dos redemoínhos de uma moda, social, política, moral ou religiosa, ou até de certas inovações puramente literárias, uma vez diluida essa actualidade, passa a ser de facto também um perecível. E,por isso, ´poderá também entrar na categoria das prendinhas de desgaste previsível.E oferecemo-las uns aos outros com essa quase certeza.
Não me querendo deixar entrar pelo campo dos livros em que se estudava e são declarados perecíveis pela via governamental , olho para os livros de agora com uma certa desconfiança quanto à sua utilidade prática.Ocuparão um lugar nas minhas estantes tal como as prendinhas de antes da combinação dos perecíveis.
E não é que agora me vêm oferecer um livro como nunca tive, onde eu própria caibo em duas linhas e cuja classificação só pode ser CURIOSIDADE ?
Com uma admiração toda nova ( onde já vai na minha memória o que me vi obrigada a consultar na antiga Torre do Tombo!), vejo-me com um livro todo dedicado ao estudo da árvore genealógica das famílias que se entrecruzaram até chegar ao mundo a geração do meu marido ! Um dos seus dois laboriosos autores entendeu assim agradecer-me algumas conversas que tive com ele sobre tanta memória, tanta história... E, parafraseando alguém, digo eu ««que farei com este livro?»» Quão estranha profissão a deste simpático autor !
Genealogista! Quem conhece ?
Sempre,cada dia, coisas novas...Até nesta tão bem "arrumada"teoria das prendinhas que desalinho agora, a descobrir avôs e avós insuspeitados a viverem as suas vidinhas lá para trás do sol-posto, sem suspeitarem que de longinquos tempos e espaços alguém os andava a espreitar...
Com o andar da vida, acabámos por ter,a cada passo,na nossa casa uma presença qualquer daquele ou do outro ,várias vezes multiplicadas...A jarrinha do último natal em que... A moldura daquele dia de anos que... A taça, a caixa,a chávena...Isto para não falar dos utilitários como a máquina de café, a torradeira, o jogo de facas, o espremedor de fruta...E também a coquetterie dos lenços de seda, das caixinhas de comprimidos, do alfinete de pedras...
Bem! Isto tornou-nos possuidores de inúmeras coisas carregadas de significados vários mas que nós, no seu conjunto, acabamos por já nem gozar...
Combinámos então,entre amigos, no alvorecer desta avassaladora idade do consumismo, passarmos a só nos presentearmos com bens perecíveis, como produtos para nos lavarmos, para aperfeiçoar a nossa apresentação física, para comer ou beber, para escrever, e também flores, plantas e livros Tivemos algumas dúvidas sobre a classificação dos dois últimos citados.As plantinhas,se as tratarmos bem, far-nos -ão companhia longo tempo, são mesmo uma companhia com a qual até podemos falar( ! ! !). Sobre a durabilidade válida dos livros é que haverá muito a dizer.Pondo de parte o quanto fisicamente se deterioram, é claro que o seu conteúdo é persistente...quando o é! Porém cada vez estou encontrando mais livros perecíveis. Ninguém certamente está a pensar num CEM ANOS DE SOLIDÃO, nuns LUSÍADAS, num GUERRA E PAZ, numa MADAME BOVARY ou mesmo num MEMORIAL DO CONVENTO.
Mas quanto é publicado apenas arrastado pela esteira dos redemoínhos de uma moda, social, política, moral ou religiosa, ou até de certas inovações puramente literárias, uma vez diluida essa actualidade, passa a ser de facto também um perecível. E,por isso, ´poderá também entrar na categoria das prendinhas de desgaste previsível.E oferecemo-las uns aos outros com essa quase certeza.
Não me querendo deixar entrar pelo campo dos livros em que se estudava e são declarados perecíveis pela via governamental , olho para os livros de agora com uma certa desconfiança quanto à sua utilidade prática.Ocuparão um lugar nas minhas estantes tal como as prendinhas de antes da combinação dos perecíveis.
E não é que agora me vêm oferecer um livro como nunca tive, onde eu própria caibo em duas linhas e cuja classificação só pode ser CURIOSIDADE ?
Com uma admiração toda nova ( onde já vai na minha memória o que me vi obrigada a consultar na antiga Torre do Tombo!), vejo-me com um livro todo dedicado ao estudo da árvore genealógica das famílias que se entrecruzaram até chegar ao mundo a geração do meu marido ! Um dos seus dois laboriosos autores entendeu assim agradecer-me algumas conversas que tive com ele sobre tanta memória, tanta história... E, parafraseando alguém, digo eu ««que farei com este livro?»» Quão estranha profissão a deste simpático autor !
Genealogista! Quem conhece ?
Sempre,cada dia, coisas novas...Até nesta tão bem "arrumada"teoria das prendinhas que desalinho agora, a descobrir avôs e avós insuspeitados a viverem as suas vidinhas lá para trás do sol-posto, sem suspeitarem que de longinquos tempos e espaços alguém os andava a espreitar...
12 abril 2009
Pão Ázimo
Logo de manhã,com cuidado por causa da diferença horária,estive em frente da televisão porque procuro sempre não perder a transmissão das cerimónias no Vaticano que sei que vão dirigir-se urbi et orbi.Está sempre lindíssima a decoração daquela enorme esplanada frente à Basílica,com montões de flores e plantas verdes que a Holanda capricha em oferecer.E depois é todo aquele aparato de solenidade...
Não, não estou a falar de luxo.
Mas do cerimonial com que nesses dias os cristãos enfatizam
aquilo que deu o cariz verdadeiramente extraordinário às razões da sua fé. Claro que além de uma imensidão de público do mais heterogénio (quantos só turistas?) a figura central de tudo o que se ali passa é o Papa. E ouve-se, da sua sabedoria, que cremos divina, aquilo que nem sempre sabemos
interpretar ou por vezes aquilo que estava a faltar-nos como estímulo... Quantas vezes sem mesmo nos termos dado conta disso.
Hoje aprendi.Melhor: percebi.
Comi pela primeira vez PÃO ÁZIMO aquando da minha primeira viagem a Israel. Ao procurar saber como se fazia,explicaram-me que a única diferença para o nosso pão era apenas a de não levar fermento. E entendi porque era baixinho e maciço.Vim depois a comê-lo mais vezes sem nunca mais pensar no como era feito. Nunca tinha pensado que haveria uma relação entre ele e a História da minha fé.Quando oiço da boca do Papa «de tal modo a Páscoa é o partir para uma NOVA VIDA completamente nova, que até se deixou de fazer pão com o fermento, porque este tem que ser retirado de uma massa anterior e, por isso,velha». Não foram estas as palavras textuais, que não fixei. Mas foi esta a "novidade" para mim. Alguém me lembrou que há também uma explicação segundo a qual os judeus, ao fugirem precipitadamente do Egipto,não puderam dar tempo para fermentar ao pão que estavam a fazer...
Não teria nunca sabido isto de outra forma, creio bem.
Que mais coisas novas virão ainda acrescentar o que já sei, depois desta Páscoa da qual apenas esperava reforçar a minha solidez interior??? Banirei o fermento?
Não, não estou a falar de luxo.
Mas do cerimonial com que nesses dias os cristãos enfatizam
aquilo que deu o cariz verdadeiramente extraordinário às razões da sua fé. Claro que além de uma imensidão de público do mais heterogénio (quantos só turistas?) a figura central de tudo o que se ali passa é o Papa. E ouve-se, da sua sabedoria, que cremos divina, aquilo que nem sempre sabemos
interpretar ou por vezes aquilo que estava a faltar-nos como estímulo... Quantas vezes sem mesmo nos termos dado conta disso.
Hoje aprendi.Melhor: percebi.
Comi pela primeira vez PÃO ÁZIMO aquando da minha primeira viagem a Israel. Ao procurar saber como se fazia,explicaram-me que a única diferença para o nosso pão era apenas a de não levar fermento. E entendi porque era baixinho e maciço.Vim depois a comê-lo mais vezes sem nunca mais pensar no como era feito. Nunca tinha pensado que haveria uma relação entre ele e a História da minha fé.Quando oiço da boca do Papa «de tal modo a Páscoa é o partir para uma NOVA VIDA completamente nova, que até se deixou de fazer pão com o fermento, porque este tem que ser retirado de uma massa anterior e, por isso,velha». Não foram estas as palavras textuais, que não fixei. Mas foi esta a "novidade" para mim. Alguém me lembrou que há também uma explicação segundo a qual os judeus, ao fugirem precipitadamente do Egipto,não puderam dar tempo para fermentar ao pão que estavam a fazer...
Não teria nunca sabido isto de outra forma, creio bem.
Que mais coisas novas virão ainda acrescentar o que já sei, depois desta Páscoa da qual apenas esperava reforçar a minha solidez interior??? Banirei o fermento?
10 abril 2009
6ª FEIRA DE PAIXÃO

Deixai, deixai passar o homem forte,
o ungido do Senhor.
Se a cruz que arrasta agora é cruz de morte,
também é cruz de Amor !
Morres tu, mas a ideia que deixáste
não morre, como a luz em fim de dia,
nem o fogo do céu que em ti ardia,
o ungido do Senhor.
Se a cruz que arrasta agora é cruz de morte,
também é cruz de Amor !
Morres tu, mas a ideia que deixáste
não morre, como a luz em fim de dia,
nem o fogo do céu que em ti ardia,
nem o exemplo sublime que legáste !
in A senda do Calvário
ANTERO DE QUENTAL
05 abril 2009
Cerimónias de RAMOS
Este deslizar das semanas durante a Quaresma torna-se-nos mais sensível porque é um caminho que se percorre e no qual se vão eliminando etapes. Chegámos hoje ao domingo de Ramos e, sendo aquele em que começa verdadeiramente a tragédia da morte mais injusta e cruel alguma vez executada sobre um ser humano, as cerimónias de igreja, neste dia, tornam-se alegres e festivas, já pelas cores vermelhas dos paramentos, já pela manipulação dos enormes ramos de folhas de palmeira, tão elegantes, tão graciosos, a ondular ao ritmo de todos aqueles cãnticos entoados em procissão. Imaginar a figura daquele JESUS materializado no filme de Mel Gibson, montado num burrito assustado com a gritaria do povo circundante, a procurar romper pelo meio de uma turba enrodilhada em gritos e palmeiras, em correrias para ver melhor o que parecia festa, imaginar a paciente doçura daquele que se sabia condenado sem crime, fez-me sentir subitamente uma tristeza tão dilacerante que só tinha uma vontade: fugir, sair, procurar outras cores da alegria, arrancar de mim toda a imagem da dor,da dor toda, ou antes, de toda a DOR... (e lá, na ponta de um banco, não é que se senta o que resta, em disformidade, daquela que foi a ninha alegre amiga cujo esgar,como sorriso, ainda veio ter comigo?)
02 abril 2009
Livro infantil - ilustração
29 março 2009
Parábola da semente-5º domingo
Tenho sempre usado os muitos poderes da minha imaginação para me ver fazendo parte daqueles grupos que seguiam Jesus, curiosos, compreendendo pouco, mas intuindo muito, perfeitamente rendidos ao suave tom da sua fala, parecendo antes a de quem medita em voz alta, mas sendo na verdade ( e podiam tê-lo percebido por vários Sinais ) a de a quem Deus conduz como seu Filho, mesmo nas situações mais sinuosas e difíceis. Hoje, São João conta-nos da curiosidade de uns gregos, em Jerusalém, que queriam conhecer Jesus o que, de certa maneira, não deixou de preocupar os discípulos que temiam por ELE, naquele ambiente meio festivo que já atraía estrangeiros para a Festa próxima.Porém Jesus, serenamente, como se nada passasse por ELE, ensinou-lhes a parábola da semente que, se cair à terra e não morrer, estiolará numa solidão sem horizontes.Mas que,morrendo enquanto semente, poderá multiplicar-se em réplicas ad aeterno... Todos os que o ouviram sabiam,pela prática, que isto era assim, simples de entender e aceitar. Mas aquilo que ouviram a seguir e não foram capazes de perceber se era um trovão, aceitando com naturalidade que poderia ser a fala de um Anjo, nisso é que surgiu o Mistério : o Mistério de um Deus que estava ali, com eles, prestes a deixá-los até à Eternidade, e ninguém foi capaz nunca de compreender...Que era ELE mesmo a tal SEMENTE !
26 março 2009
Parafraseando Natália
«« a poesia é para comer »» dizia a Natália Correia, no seu modo estrepitoso de escandalizar... E eu, sem nenhuma vontade de escandalizar seja quem for, sempre a entendi perfeitamente e, a partir de certa época da minha vida, comecei a ousar aconchegar junto da ideia da Natália a minha de que a VIDA é para se beber... A grandes tragos ou a pequenos goles.
Aquele acontecimento de um amigo que atinge a classificação magna cum l aude na sua prova de doutoramento, ou o de uma amiga que chega de outra terra para vir ficar connosco, partilhando a nossa casa e a nossa vida temporariamente, ou a tomada de decisões práticas na ocorrência de factos imprevisíveis na orientação do condomínio, ou a envolvência carinhosa de alguém de quem não a esperávamos, ou a bonita camélia que,no nosso minúsculo jardim, a cameleira nos ofereceu, ou a senhora da paróquia que vem pedir para os seus missionários protegidos, ou aquela bonita luz difusa que este sol de primavera deixou coar através das cortinas de linho antigo que hoje lavámos, ou a aluna que nos encheu a semana com uma classificação de 19 valores, depois de termos trabalhado tanto...São, gota a gota, aquela bebida que transforma em pequenos oásis certos dias de secura, tonus indispensável para qualquer gosto de viver.A poesia de que a Natália falava ( e comia ), essa acho que é destas múltiplas gotas que acaba por brotar...
Aquele acontecimento de um amigo que atinge a classificação magna cum l aude na sua prova de doutoramento, ou o de uma amiga que chega de outra terra para vir ficar connosco, partilhando a nossa casa e a nossa vida temporariamente, ou a tomada de decisões práticas na ocorrência de factos imprevisíveis na orientação do condomínio, ou a envolvência carinhosa de alguém de quem não a esperávamos, ou a bonita camélia que,no nosso minúsculo jardim, a cameleira nos ofereceu, ou a senhora da paróquia que vem pedir para os seus missionários protegidos, ou aquela bonita luz difusa que este sol de primavera deixou coar através das cortinas de linho antigo que hoje lavámos, ou a aluna que nos encheu a semana com uma classificação de 19 valores, depois de termos trabalhado tanto...São, gota a gota, aquela bebida que transforma em pequenos oásis certos dias de secura, tonus indispensável para qualquer gosto de viver.A poesia de que a Natália falava ( e comia ), essa acho que é destas múltiplas gotas que acaba por brotar...
22 março 2009
Gaudete ! 4º domingo
««Naqueles dias,todos os chef.es de Judá, os sacerdotes e o povo multiplicaram as suas infidelidades, imitaram as acções abomináveis das nações pagãs e profanaram o Templo que o Senhor tinha consagrado......O Senhor, Deus de seus pais, bem cedo e sem descanso começou a enviar-lhes mensageiros... mas eles escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam-lhes as palavras e troçavam dos seus profetas a tal ponto que deixou de haver remédio para a crescente indignação do Senhor contra o seu povo...
Isto nos diz o texto exrtraído do Livro das Crónicas para a missa de hoje, o chamado Domingo Gaudete. Claro se torna depois, .no restante das Leituras, que a infinita misericórdia e o grande amor de Deus pelas suas Criaturas o levou a perdoar-lhes, não sem que tivessem antes passado pela deportação e sofrimentos em Babilónia e não sem que lhes fizesse compreender a magnanimidade dessa sua mesma misericórdia que,através de Jesus, queria fazê-las trilhar os caminhos da LUZ e das BOAS OBRAS. E é dessa infinita vontade divina de nos perdoar que retiramos todas as nossas razões da alegria deste 4º domingo da Quaresma de este ano.
Fica-me para meditar,toda a semana, a citação do Livro das Crónicas e a interrogação posta ao meu espírito sobre, quanto tempo, quanta cultura, quanta experiência,quanto progresso humano poderemos medir, contar, desde o que aqui nos é narrado até aos dias que estamos vivendo hoje...
Isto nos diz o texto exrtraído do Livro das Crónicas para a missa de hoje, o chamado Domingo Gaudete. Claro se torna depois, .no restante das Leituras, que a infinita misericórdia e o grande amor de Deus pelas suas Criaturas o levou a perdoar-lhes, não sem que tivessem antes passado pela deportação e sofrimentos em Babilónia e não sem que lhes fizesse compreender a magnanimidade dessa sua mesma misericórdia que,através de Jesus, queria fazê-las trilhar os caminhos da LUZ e das BOAS OBRAS. E é dessa infinita vontade divina de nos perdoar que retiramos todas as nossas razões da alegria deste 4º domingo da Quaresma de este ano.
Fica-me para meditar,toda a semana, a citação do Livro das Crónicas e a interrogação posta ao meu espírito sobre, quanto tempo, quanta cultura, quanta experiência,quanto progresso humano poderemos medir, contar, desde o que aqui nos é narrado até aos dias que estamos vivendo hoje...
21 março 2009
Poesia
como meter o mundo
num poema? traduzir-lhe
a áspera realidade, a doçura
intranquila ?
como meter o trabalho
dos homens, os seus dias,
nessas escassas linhas,
seus ócios, seus espelhos,
seus desvarios, suas
catástrofes de amor ?
como meter a morte
nas palavras ?
só que uma coisa bela
é para sempre uma alegria inquieta.
Vasco Graça Moura
num poema? traduzir-lhe
a áspera realidade, a doçura
intranquila ?
como meter o trabalho
dos homens, os seus dias,
nessas escassas linhas,
seus ócios, seus espelhos,
seus desvarios, suas
catástrofes de amor ?
como meter a morte
nas palavras ?
só que uma coisa bela
é para sempre uma alegria inquieta.
Vasco Graça Moura
19 março 2009
PAI
São apenas uns flashes guardados na minha memória, com amor. Por isso duram.
1º- O meu Pai é um homem alto e eu, nos seus braços, quase desapareço. Ele usa uma farda acinzentada e está de pé, muito direito, aperta-me com muita força e...soluça.Algumas das suas lágrimas caem sobre o meu cabelo.Dão-nos uma flor que ele põe na minha mão e inclina-se...É a minha mãosita que vai pousar aquela flor sobre um montão de tule branco sob o qual a minha Mãe parece ter adormecido...
2º-O meu Pai espera-me, cá fora, à porta da Faculdade. Eu não me apercebera de que ele estivera lá. Abraçamo-nos, na minha surpresa do encontro. Alguém diz a "graça" do momento: «Aqui temos a nossa doutora!» O meu Pai põe as suas grandes e tranquilizantes mãos sobre os meus dois ombros, olha-me bem de frente e diz, quase para ser só eu a ouvir : «doutora sim,filha, mas nunca esqueças que, primeiro que tudo, és UMA SENHORA »...
3º-Estamos frente ao altar-mor da Igreja. Eu, noiva dos pés à cabeça, por dentro e por fora, toda feliz.Á minha esquerda o meu Pai ,brilhante, na sua farda azul com lindas medalhas no peito, a seu lado a minha Mãe com uma lindíssima capeline preta enfeitada de plumas verdes. Do meu lado direito, o meu adorado noivo, todo nervoso dentro de um fraque que nunca gostou de vestir, e à direita dele o seu irmão e cunhada.Portanto, tudo nos seus lugares para começar a celebração do meu casamento. Era um dia de Junho,muito ventoso e, para subirmos a escada da Igreja, o vento levantava a passadeira que deviamos pisar e o meu Pai ia aplanando degrau a degrau com a sua espada numa das mãos enquanto com a outra me segurava braço para que não me desiquilibrasse...A cerimónia, as orações, a alocução para os noivos pelo Sr. Padre Augusto, tudo uma beleza. Lembro-me de olhar para o meu Pai...O peito da sua bonita farda azul, por entre as tais medalhas, parecia cheio de nódoas. Pela sua cara deslisavam ,silenciosas e grossas, lágrimas que me destroçaram, fazendo-me chorar também...
A saudade de um Pai é tecida de malhas muito miudinhas que nunca perdem o seu significado ao longo de qualquer vida, mesmo longa...
1º- O meu Pai é um homem alto e eu, nos seus braços, quase desapareço. Ele usa uma farda acinzentada e está de pé, muito direito, aperta-me com muita força e...soluça.Algumas das suas lágrimas caem sobre o meu cabelo.Dão-nos uma flor que ele põe na minha mão e inclina-se...É a minha mãosita que vai pousar aquela flor sobre um montão de tule branco sob o qual a minha Mãe parece ter adormecido...
2º-O meu Pai espera-me, cá fora, à porta da Faculdade. Eu não me apercebera de que ele estivera lá. Abraçamo-nos, na minha surpresa do encontro. Alguém diz a "graça" do momento: «Aqui temos a nossa doutora!» O meu Pai põe as suas grandes e tranquilizantes mãos sobre os meus dois ombros, olha-me bem de frente e diz, quase para ser só eu a ouvir : «doutora sim,filha, mas nunca esqueças que, primeiro que tudo, és UMA SENHORA »...
3º-Estamos frente ao altar-mor da Igreja. Eu, noiva dos pés à cabeça, por dentro e por fora, toda feliz.Á minha esquerda o meu Pai ,brilhante, na sua farda azul com lindas medalhas no peito, a seu lado a minha Mãe com uma lindíssima capeline preta enfeitada de plumas verdes. Do meu lado direito, o meu adorado noivo, todo nervoso dentro de um fraque que nunca gostou de vestir, e à direita dele o seu irmão e cunhada.Portanto, tudo nos seus lugares para começar a celebração do meu casamento. Era um dia de Junho,muito ventoso e, para subirmos a escada da Igreja, o vento levantava a passadeira que deviamos pisar e o meu Pai ia aplanando degrau a degrau com a sua espada numa das mãos enquanto com a outra me segurava braço para que não me desiquilibrasse...A cerimónia, as orações, a alocução para os noivos pelo Sr. Padre Augusto, tudo uma beleza. Lembro-me de olhar para o meu Pai...O peito da sua bonita farda azul, por entre as tais medalhas, parecia cheio de nódoas. Pela sua cara deslisavam ,silenciosas e grossas, lágrimas que me destroçaram, fazendo-me chorar também...
A saudade de um Pai é tecida de malhas muito miudinhas que nunca perdem o seu significado ao longo de qualquer vida, mesmo longa...
15 março 2009
Depois da tempestade a bonança possível...
Imaginemos que saio desta espécie de túnel negro por onde me têm trazido esta semana as dores nunca antes experimentadas de uma inflamação nas espondilíticas cervicais, que resolveram envolver-me desde os mais recônditos locais da minha cabeça ( nem eu sabia que haveria por ali tanto cantinho para doer ! ) Imaginemos que já estou outra vez de bem com o meu computador e que a minha cabeça já se vai aguentando na posição que ele lhe exige..
Então aqui vou eu pensar ( será que não vai doer? ) neste 3º domingo de quaresma, tão especialmente cheio de interpelações, que chego a crer vir também ele pleno da especial atenção com que o Senhor este ano me atribuiu a minha penitência quaresmal.
Em primeiro lugar, vemo-nos como que acareados com"três" interlocutores diferentes. Muito diferentes mesmoNo Livro do Êxodo, é o Senhor Deus que fala àquela turba humana que acabara de salvar de uma humilhante escravidão e que, vencidos tantos obstáculos só superáveis porque existiu a Sua ajuda,iria agora, eufórica, entregue a si mesma fazer o quê ? Sem "rei nem lei",como se diz, e sem a mínima noção de como se é povo, sem vícios ou fraquezas humanas ( não cobiçarás a casa, nem o boi, nem o criado, nem a mulher do teu vizinho..! ) Bem, o Senhor Deus acaba mesmo criando um código e é com uma certa dureza que tudo faz para que entendam a importância de observá-lo EU SOU UM DEUS CIOSO. castigo a ofensa dos pais nos filhos,netos e bisnetos daqueles que me detestem, mas sou benevolente com os que me amam e guardam os meus mandamentos. E assim aquela massa humana seguiu na procura de um entendimento nada fácil, então. NUNCA, tenho vontade de o dizer agora. Todo este ideal seria realmente uma loucura de Deus ? Surge-nos então o segundo interlocutor, o "apaixonado" São Paulo a lembrar-nos aquela pertinente noção das distâncias que vão de homem para Deus e que estamos constantemente a esquecer.: « o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens e o que é fraqeza de Deus é mais forte...»» Por isso mesmo é que tanto se fala naquela " fúria" de Jesus ( o nosso terceiro interlocutor de hoje ) ,quando,suponho que gritando e esbracejando correu com os vendilhões do Templo. Foi isto uma sua fraqueza ou uma sua força ? Na linha de quanto há dois mil anos era necessário fazer para ser compreendido,terá sido uma força. Para que o"fraco" HOMEM não precisasse, dois mil anos depois ,ainda , de ser lembrado daquilo que todos sabemos lhe falta: a noção de que, cobiçar o boi ou o criado do seu semelhante e ver neles apenas o chorudo possível negócio, fará de si mesmo um " vendilhão" sem alma, sem Amor, que Jesus voltará a expulsar do TEMPLO.E de que a pertença a um povo, e para mais "de Deus",lhe exige discernimento para uma solidariedade / caridade que não se coadunam com qualquer "banca" de vendas no átrio de qualquer templo...
Então aqui vou eu pensar ( será que não vai doer? ) neste 3º domingo de quaresma, tão especialmente cheio de interpelações, que chego a crer vir também ele pleno da especial atenção com que o Senhor este ano me atribuiu a minha penitência quaresmal.
Em primeiro lugar, vemo-nos como que acareados com"três" interlocutores diferentes. Muito diferentes mesmoNo Livro do Êxodo, é o Senhor Deus que fala àquela turba humana que acabara de salvar de uma humilhante escravidão e que, vencidos tantos obstáculos só superáveis porque existiu a Sua ajuda,iria agora, eufórica, entregue a si mesma fazer o quê ? Sem "rei nem lei",como se diz, e sem a mínima noção de como se é povo, sem vícios ou fraquezas humanas ( não cobiçarás a casa, nem o boi, nem o criado, nem a mulher do teu vizinho..! ) Bem, o Senhor Deus acaba mesmo criando um código e é com uma certa dureza que tudo faz para que entendam a importância de observá-lo EU SOU UM DEUS CIOSO. castigo a ofensa dos pais nos filhos,netos e bisnetos daqueles que me detestem, mas sou benevolente com os que me amam e guardam os meus mandamentos. E assim aquela massa humana seguiu na procura de um entendimento nada fácil, então. NUNCA, tenho vontade de o dizer agora. Todo este ideal seria realmente uma loucura de Deus ? Surge-nos então o segundo interlocutor, o "apaixonado" São Paulo a lembrar-nos aquela pertinente noção das distâncias que vão de homem para Deus e que estamos constantemente a esquecer.: « o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens e o que é fraqeza de Deus é mais forte...»» Por isso mesmo é que tanto se fala naquela " fúria" de Jesus ( o nosso terceiro interlocutor de hoje ) ,quando,suponho que gritando e esbracejando correu com os vendilhões do Templo. Foi isto uma sua fraqueza ou uma sua força ? Na linha de quanto há dois mil anos era necessário fazer para ser compreendido,terá sido uma força. Para que o"fraco" HOMEM não precisasse, dois mil anos depois ,ainda , de ser lembrado daquilo que todos sabemos lhe falta: a noção de que, cobiçar o boi ou o criado do seu semelhante e ver neles apenas o chorudo possível negócio, fará de si mesmo um " vendilhão" sem alma, sem Amor, que Jesus voltará a expulsar do TEMPLO.E de que a pertença a um povo, e para mais "de Deus",lhe exige discernimento para uma solidariedade / caridade que não se coadunam com qualquer "banca" de vendas no átrio de qualquer templo...
10 março 2009
SE..
Se...Vou iniciar este meu post por um SE... Foi o2º domingo da quaresma .Quanto me seria grato ter mais uma vez subido ao Monte Tabor e naquela amplidão de vista, naquela leveza de respiração, ter podido ficar à espera de ouvir e ver este é o meu filho muito amado... Mais uma vez não consegui armar a minha tenda. Por isso digo SE. Se Deus quer realmente alguma coisa de mim, estou a ser posta à prova como poucas vezes o tenho sido. No meu físico, muito. No meu espiritual, imenso.
Até aconteceu naquele mais um dia das coisas todas que há, ser o Dia da Mulher.Não tenho muita simpatia por estes dias que separam grupos .Porém este 8 de Março... Fez agora, nesse dia, 32 anos que eu entrei definitivamente na Função Pública voltando costas ás escolas,ao ensino oficial. Comissão Instaladora de algo de onde só viria a sair já reformada... Era de celebrar. Neste dia que me traz um cacho de recordações espantosas, apenas quis o Senhor meu Deus que conseguisse uma lágrima ...ou mais... Se com o Amor as entendeu decerto as aceitou, preito de coisas que só NÓS sabemos...
Até aconteceu naquele mais um dia das coisas todas que há, ser o Dia da Mulher.Não tenho muita simpatia por estes dias que separam grupos .Porém este 8 de Março... Fez agora, nesse dia, 32 anos que eu entrei definitivamente na Função Pública voltando costas ás escolas,ao ensino oficial. Comissão Instaladora de algo de onde só viria a sair já reformada... Era de celebrar. Neste dia que me traz um cacho de recordações espantosas, apenas quis o Senhor meu Deus que conseguisse uma lágrima ...ou mais... Se com o Amor as entendeu decerto as aceitou, preito de coisas que só NÓS sabemos...
01 março 2009
1º Domingo de Quaresma
«Naquele tempo o ESPÍRITO SANTO impeliu Jesus para o deserto » Começamos assim o nosso primeiro Evangelho da Quaresma deste ano. Deste ano tão particularmente comprometido pela mão do Homem, tão desprotegido materialmente, tão desertificado espiritualmente. Creio firmemente que, tal como o fez com o Filho de Deus/ filho do Homem, o Espírito Santo nos está impelindo para o deserto, a nós Homens com quem, até há algum tempo, procurou estabelecer um Arco-Iris, sinal de aliança , como prometeu na hora do Génesis... Resta agora para nós discernir se as tentações a que Jesus esteve sujeito e foi vencendo durante apenas aqueles quarenta dias, tal como o próprio deserto, de que nos conta São Marcos , não serão reduções exponenciais e exemplificativas daquilo para que , vista a quase imperdoabilidade do nosso caso, o Espírito Santo nos esteja a impelir. Será então de pensarmos no que poderemos ainda fazer, nós Homens, para, reaprendida a disciplina moral, penitentes ainda, mas de cara levantada, sairmos por aí a dizer « arrependei-vos e acreditai...» Teremos ainda Coração e Amor bastantes para curar tantas situações de sofrimento ?...
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