22 outubro 2009

Que pena !Saramago.

Aconteceu-me que fui educada numa família onde era pedra basilar o respeito de um por cada um dos outros. Apesar de ainda se estar no início de uma curva ascendente no que dizia respeito à educação das meninas e à sua preparação para seres independentes e autónomos, eu tive a sorte de ter sido apanhada pela total adesão dos meus Pais a essa moderna forma de educar. E assim aprendi muito nova a real, verdadeira e respeitável forma de ser do outro, sabendo também, no formato regras de boa educação ,que não se agrediam verbalmente as pessoas, pois, ofendendo-as, coartaria a sua´própria liberdade de serem como eram.NUNCA se mostrou oportuno aos meus Pais, por exemplo, trocarem comigo comentários sobre a bondade profissional dos meus professores. No entanto eles iam aos meus colégios amiudadas vezes, justamente para falarem com os professores. Nesse tempo ainda nem se sonhava com comissões de Pais...E, no seguimento de uma tal formação, cresci, trabalhei, relacionei-me com todo o tipo de seres humanos e procurei cultivar-me, na consequência lógica das minhas profissões cívicas e de Fé. Examinando com cuidado, (e indo tão fundo quanto a minha auto-crítica permite) ,os meus relacionamentos ao longo da vida, sei com absoluta segurança que nunca invectivei ninguém, nem tão pouco procurei captivar pessoas, sobre e para as minhas convicções,sejam elas políticas ou religiosas.Também é verdade que nunca permiti, até hoje, que alguém o fizesse em frente a frente com a minha pessoa.
Mas estou a dizer "em frente a frente", porque só o acto de vivermos no meio dos Homens e do Mundo nos coloca na posição de alvos mais ou menos fáceis das agressões ideológicas, morais e religiosas daquelas pessoas que não foram educadas como eu fui.Quer pela ironia mais ou menos elegante, quer pela grosseria mascarada de "franquesa", quer pela inveja que em tudo vê hipocrisia, somos atacados quando e como menos esperamos, enquanto pertenças de um determinado grupo social que o "atacante" tenha escolhido. Claro que nem ele sabe de mim e quase sempre eu sei dele, porque estas atitudes que ás vezes são de um certo proselitismo vêm quase sempre até nós, humildes anónimos, da parte de quem, de dentro de uma galeria de nomes tornados públicos, se considera, por isso mesmo , com direito de o fazer.
Aconteceu tudo isto com o velho Saramago. Que pena ! Sofre por muitas vias ,tendo uma delas que ver com a Fé dos outros que ele não tem.
Na nossa literatura,há exemplos de grandes ateus, anti-clericais eagnósticos que se arrependeram tarde, de assim terem sido. e o disseram das formas mais sinceras.. Guerra Junqueiro chegou a pedir, na hora da morte ,que lhe trouxessem o Padre Cruz...
Que virá a acontecer com Saramago ?

18 outubro 2009

Os filhos de Zebedeu

Hoje saí da missa a pensar nos filhos de Zebedeu. Tiago e João entenderam fazer aquilo a que nós hoje chamamos meter uma cunha para conseguirem uma posição de privilégio quando Jesus estivesse enfim aureolado de glória.Este "ataque" directo aparece no entanto no Evangelho de São Mateus ainda mais empenhado, porque ,enquanto São Marcos põe os dois rapazes a fazerem o seu próprio pedido directo e com o peito aberto ,em São Mateus é a mãe deles que vem prostrar-se em frente de Jesus e com isto reforçar a pressão com que pretende interpelá-lo para conseguir a satisfação da sua ambição.Porque de ambição se trata, obviamente, esta ansiedade para conseguir privilégios em desfavor de outros, tanto de pais por filhos, como de cada indivíduo por si próprio. Como mais de mil vezes tenho dito, acho simplesmente admirável que a passagem de todas as vicissitudes de mais de dois mil anos não tenha modificado nada na idiossincrasia do ser humano. A cada passo. na leitura dos vários livros da Bíblia, nos estamos a encontrar ou com nós mesmos ou com os nossos vizinhos, amigos ou conhecidos.E com situações sociais, familiares ou políticas que vivemos ou a que assistimos. E no entanto, quanta luta, quanto esforço...e quanta presunção no nosso devir, desde que perdemos o Paraíso !
Que relação então devemos considerar entre o nosso actual e esse incomensurável déjà vu ?

17 outubro 2009

Tanta vida !

Neste mesmo dia, em 1978,saía do fumo branco um novo papa de nome Karol Wojtyla, polaco e sofredor e perseverante, com uma história de vida deveras impressionante, por causa da crueza da 2ª Guerra Mundial e da força estoica com que suportou todos os sofrimentos morais e físicos e ainda conseguiu trazer para nós todos, mensagens de esperança e alegrias possíveis...Se não é desta massa que se fazem os Santos, será só porque alguma coisa se perdeu da receita...

Porém como o nosso mundo está vivendo cada vez de mais celebrações de datas do que de obras que o vinculem a essas datas na actualidade. hoje falou-se mais do que é costume na Erradicação da Pobreza, frisando-se que é hoje o DIA de o fazer. E há festas e palestras e programas a mostrar os desesperadamente pobres àqueles que são ainda só pobres, sem desepero( ainda) Conheço alguém que está preparando uma tese de doutoramento sobre este tema... Contribuo com donativos sempre ridículos para organizações que conseguem dar um casaco ou um pão a alguns pobresinhos que protegem... E que mais? Onde estão Madres Teresas de Calcutá agora ? E os governos dos povos que percebam que esta pode ser a subterrânea ruina do mundo que nós tanto queremos considerar civilizado, onde estão? ASSOBIANDO PARA O LADO,como usa dizer~se, depois deste belo DIA DE...,como é costume.

Mas também hoje foi dia de acontecer uma coisa muito bonita : festejaram-se os 100 ANOS do Liceu Camões. Ainda está escrito lá na fachada LYCEU.
Esta designação daqela escola que daria uma instrução e educação integradas aos alunos juvenis. foi substituida pela simples ESCOLA ,creio que com preocupações de mais democraticidade, mas quando, como eu, se foi criado a achar que passar da escola para o Liceu era como quando os primeiros astronautas disseram ao pisar a LUA « um grande passo para...» sermos mais "crescidos", a ideia de não usarmos hoje o nome Liceu traz-nos uma certa saudade. E assim foi uma alegria deste dia ver festejar o idoso Liceu. Eu nunca o frequentei, porque havia então a separação "meninas" para uns liceus,"rapazes" para outros, mas fiz lá exames, mais tarde, e vários colegas professores, tantos, tantos amigos, lá se formaram para a Faculdade e dali para a vida ! Haverá certamente algumas gerações de portugueses, de bons portugueses ,a caberem dentro destes cem anos e com muitas deliciosas recordações do que ali foi por elas vivido... E transbordou para uma MEMÓRIA nacional de que nos orgulhamos.

14 outubro 2009

o outono roubado

Numa altura da escala das Estações em que já todos praguejamos contra este verão que nos está a roubar o outono, em que os imediatistas dão entrevistas na praia a dizer que agora é que é bom, pela quentura das ondas, pelo despovoado das areias, pela ardência do sol ainda, fica-se a pensar se somos nós que somos mal-dispostos e razinzas, ou se alguma coisa ou alguém andou mesmo mexendo no nosso clima, parafraseando aquele cómico brasileiro que, ao sentir-se roubado, desconfiava de que alguém teria mexido no seu bolso. Mas estamos secos,como os campos, trazemos a alma engelhada, o corpo lento. cansado...
E suportámos as tensões de todas as picuinhas de duas campanhas eleitorais quase pegadas que não tiveram alegria nem força para nos alegrarem, quaisquer que tenham sido os prazeres dos resultados... E eu, azeda com tudo isto, sou convidada para ir ver um Pirandello que veio mesmo para a cena lisboeta numa época assim ! Ainda se usa a tragédia (digo eu ) do absurdo. Secos, como já disse, só nos faltava sermos outra vez chamados a sofrer o abandono do nosso autor, a nossa incapacidade de assumirmos os defeitos de fabrico que nos calharam em sorte, a nossa pre-condenação a aguentarmo-nos com eles...
Contudo, sei com toda a certeza que, se àmanhã acordar e estiver a chover, a minha vida ainda tem recursos para me deixar embriagar de novo...

11 outubro 2009

Reflexões sobre as leituras da liturgia de ontem

Para mim, a leitura mais marcante das três da liturgia deste domingo, foi a extraída do Livro da Sabedoria que, depois do do Génesis, é o que mais me apaixona.Que tenha sido ou não obra do grande Salomão, o que se me torna relevante é que é obra de um enorme bom senso e de alguém que hoje poderia ser Mestre dos Mestres em qualquer Faculdade de Psicologia. É que, verdadeiramente a palavra sabedoria não tem aqui o valor semântico que nos habituámos a atribuir-lhe. Não é uma acumulação de saber, mas antes uma espécie de arte de ser sensato, uma receita para entender aVERDADE da Vida, o que dela vale a pena. Acumulação. só talvez a da EXPERIÊNCIA.E assim, quando São Paulo diz na sua carta aos hebreus que a palavra de Deus é capaz de penetrar "onde se dividem o corpo e o espírito" e de "distinguir as intenções , dos pensamentos do coração" não é de outra coisa que fala, senão da Sabedoria divina de que Salomão terá recebido a inspiração. Mas depois de tanta sabedoria e bom senso, surge-nos no Evangelho de São MARCOS,aquela frase extraordinária de Jesus, que tanto tem dado que pensar a tanta gente, sobre como é difícil passar um camelo pelo buraco de uma agulha. Felizmente para mim, já me foi explicada mais esta metáfora:nem o camelo é o animal que conhecemos, nem o buraco da agulha é aquilo que pensamos. Certo,certo é não se poder forçar a entrada de qualquer coisa desproporcionadamente grande

num espaço desproporcionadamente pequeno, o que seria uma insensatez...E Jesus queria mesmo que todos entendêssemos que, carregados de supérfluidades estaríamos desproporcionadamente grandes para caber no despojamento do reino de Deus...

A propósito de tudo isto, enviei ontem mesmo a alguns amigos o seguinte tema de meditação

Eu pedi forças...
e Deus deu-me dificuldades para me fazer forte.
Eu pedi sabedoria...
e Deus deu-me problemas para resolver.

Eu pedi prosperidade...
E Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar.

Eu pedi coragem...
E Deus deu-me obstáculos para superar.
Eu pedi amor...
e Deus deu-me pessoas com problemas para ajudar.

Eu pedi favores...
E Deus deu-me oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedira ,
Mas recebi tudo de que precisava...

Sem que o tivesse percebido antes...

05 outubro 2009

Comemorar o Dia do Professor no dia da República

Estou sempre a admirar-me com as minhas ignorâncias de factos que, de repente, me surgem como do domínio público e eu, cá enleada nas minhas coisas, nem dei por eles, nunca. Com que então, o dia 5 de Outubro que toda a minha vida conheci votado a celebrar o desaguar de toda aquela torrente política que tumultuou por todo o começo do nosso século XX e se chamou REPÚBLICA precisamente a partir deste dia, aparece-me agora nada mais, nada menos, do que Dia do Professor !?! O MEU dia ! ! !O DIA de todos os meus queridos professores ( não sei ao certo quantos ), dos quais só de muito poucos deixei que se esfumasse a memória, não porque não tivesse gostado deles, mas porque naturalmente as grandes afinidades com uns e as grandes amizades com outros foram gravando-se sempre mais nítidas na minha saudosa recordação,empalidecendo a daqueles outros que aliás nunca esqueci. Ainda O DIA de todos os meus colegas e companheiros que, como eu, se devem ter afeiçoado tanto ao que fizeram por tantas e tantas gerações de miúdos que hoje só devem ter coração no lugar da lembrança deles... O NOSSO DIA, pois. Há por aí agora uma enorme carga política porque se intrometeu na nossa maravilhosa missão de FORMAR a arreliadora necessidade de lutar pela vida, uma luta que os tempos foram tornando tão exigente como a outra, de formar gente grande.O mundo de hoje do professor tornou-se cheio de curvas, esquinas e derivas. Até concebe a palavra perigo. Bem diferente daquele em que tinhamos tempo e matéria para podermos ter sonhos, sem estremecimentos que não incorporassem o ensino ou a aprendizagem.
Por isso quero muito celebrar este dia de. Posso garantir que é, que será sempre uma glória, a nossa galeria de recordações !

04 outubro 2009

No Génesis, a Família

Sendo óbvio que a leitura e releitura dos textos bíblicos, repetidos um sem número de vezes ao longo das nossas vidas,nos traz coisas novas em cada uma delas, aí residindo o mistério da sua credibilidade como palavra de Deus, é também evidente que o nosso estado de espírito ou as circunstãncias de momento nos levam a sermos mais ou menos sensíveis a um ou outro aspecto que nelas reside e se nos torna, de cada vez, com maior ou menor peso proposto á nossa meditação. O belíssimo LIVRO DO GÉNESIS de que hoje foi retirada uma leitura, ao ser acompanhado com o SALMO127(128) e com a conhecida passagem do Evangelho de São Marcos em que os fariseus, conhecedores da posição tomada por Moisés,quiseram mais uma vez "experimentar" Jesus sobre a possibilidade do divórcio no casal, foi, na missa de hoje, direccionado para a exaltação da FAMÍLIA e recordo de como já olhei neste mesmo livro o aspecto da Solidão- disse o Senhor Deus:não convém que o Homem esteja só...
Mas hoje, que as tensões e intenções sociais estão cada vez mais desprestigiando esta complementaridade - osso do meu osso e carne da minha carne - vejo mais nitidamente aquele quadro do Salmo que vê a Mulher como "vinha fecunda" no seio da "casa" e "os filhos como rebentos de oliveira em redor da...mesa" e creio que o Senhor Deus não falaria à toa quando afirmou: o Homem deixará pai e mãe para se unir à sua Mulher e os dois passarão a ser um só.
Visões paradisíacas, ser-me-á apontado por alguns que eu sei... Estamos na época do liberal, do individual, e o núcleo família quanto mais desmultiplicado mais interesses ocasiona. E paradoxalmente nunca se falou tanto em solidariedade...

01 outubro 2009

Outubro e a Música

De la musique avant toute chose ! Chamar a música, música...Um grande poeta simbolista da 2ª metade do século XIX, um poema/letra de canção, da autoria de uma poetisa portuguesa, e eu sem palavras que me cheguem para dizer de quanto alcança o meu amor pela música, de quão fundo ela ecoa na minha sensibilidade, de como ela enche a minha taça, quando aparece a infiltrar-se nos interstícios das maiores amarguras, de com que novas cores ela consegue amenizar as minhas paisagens mais sombrias...a MINHA música...
E é também este mês de Outubro que começa hoje...pelas aveludadas tardes que nos traz ,pelas suas manhãs, como foi a de hoje, baças, quase nevoeirentas, ainda mornas, pelo amarelado das folhas que espalha já pelos chãos, por todas estas coisas mansas, é ele assim , suave e pleno, a música, a sinfonia que eu componho dia a dia, hora a hora, desde que sou gente.Todo ele é o meu DIA da MÚSICA...avant toute chose.

27 setembro 2009

...naqueles dias o Senhor desceu numa nuvem...

Creio ter já mostrado de muitas maneiras e feitios omeu encanto pelo Antigo Testamento pela quantidade e qualidade da informação que dele retiro para situar-me no tempo e no modo em que, da pureza dos princípios de tudo, à cáustica caracterização dos caracteres humanos, se fez possível e até necessário o aparecimento dos Profetas cuja voz consegue ecoar através e por cima de tantos séculos chegando até nós com a clarividência e actualidade que sempre me deixam fascinada.Mas é da voz grandíloqua de Moisés que ouvimos na primeira leitura da missa de hoje a transmissão da vontade do Senhor, nosso Deus, de que não há que afastar ou pré-condenar aqueles que, não sendo ou nem mesmo sabendo como se é um cristão confesso, pelas suas acções e pelas suas palavras, se colocam, na prática de vida, ao lado dos mais convictos seguidores da Lei de Deus. O mesmo nos repete São Marcos no Evangelho, completando aliás este seu"recado" com aquelas sugestões de amputações, castigo verdadeiro dos que, na prática de vida, ofendam pessoas nas referidas condições. Há uma particular dureza, também revelada na Carta de São Tiago, nestas noções de castigos ou ausência de complacências que me parecem um tanto por fora da misericórdia divina, e por isso é que eu gosto de conhecer os tempos e os modos, como já disse, porque dessa forma fico-me apenas pela enorme gravidade atribuida então aos desvios emergentes, coisa que,na nossa actualidade está a ser cada dia mais subvertida.

Não queria mesmo pensar nestas subversões que todos os dias estamos a ser convidados a aceitar como boas, porque hoje foi politicamente aquele dia de ter fé cívica e acreditar no melhor de cada homem : tiveram lugar as ELEIÇÕES para um novo Governo e eu votei a acreditar que votava para tudo o que pudesse ser melhor para este povo e este país,agora tão sofridos...

20 setembro 2009

No nosso dia-a-dia, a Fé

Porque estamos a dois dias do começo do Outono, a estação do ano minha preferida, acordei, como sempre ,ao lusco-fusco e também como sempre, pousei os olhos no meu velho, velhíssimo, crucifixo que àquela hora só os meus olhos vêem, porque sabem que está ali e pensei claríssimo, como se tivesse estado toda a noite a meditar : é mesmo necessária a morte que o outono nos traz, para que possa haver o renascer na primavera...a verdadeira Ressurreição !
Parti para a minha manhã a pensar na densidade desta evidência, de repente para mim tão "evidente" e foi neste espírito que ouvi e li o que a liturgia de hoje nos trazia. Além de Jesus a ensinar aqueles homens seus discípulos que ,de tão simples, às vezes procedem como crianças, surge-nos uma leitura um tanto cruel do Livro da Sabedoria e depois uma Carta de São Tiago que, caída nesta época de efervescência política em que estamos, a uma semana de eleições, me deixou completamente fascinada por várias razões, mas principalmente pelo seu carácter premonitório : A justiça é um fruto produzido na paz, para aqueles que praticam a paz. De onde vêm as guerras? De onde procedem os conflitos entre vós? Não é precisamente das vossas paixões? Cobiçais e nada conseguis : então assassinais. Sois invejosos e não conseguis obter nada: então entrais em conflitos ou guerras. Não tendes nada porque ... pedis mal, visto que o que pedis é apenas para satisfazer as vossas paixões. Ora isto vem a ter um eco reconhecível na lição de Jesus aos apóstolos quando lhes diz Quem quiser ser o primeiro será o último e será o que for "servo de todos".Que mais revelações me trará este domingo sobre como a minha fé pode abrir-me os olhos para a minha vida comigo e para a minha vida socio-política?

18 setembro 2009

por causa de GUNTER GRASS

Quando, há alguns anos, tomei conhecimento da existência do Centro Cultural de São Lourenço, em Almansil e o visitei demorada e encantadamente, tomei também conhecimento com um artista alemão de quem nunca tinha ouvido falar e que, residindo então naquele Algarve interior que acolhia a cada prega de terreno cidadãos de todo o mundo que por ali se sentiam em verdadeiros retornos às origens, viera expor naquele sítio acolhedor umas lindíssimas aguarelas, desenhos e esboços preparatórios de uma obra que viria a publicar mais tarde. Era Gunter Grass, um homem indubitavelmente controverso, não só pelas suas opções políticas e sociais, como até pelos seus percursos artísticos, da pintura e escultura para a literatura, sempre nas bermas de um certo humor, a escorregar depois para uma maior convicção surrealista, mas de tal forma inteligente que acabou por vir a merecer um Nobel da literatura, em 1999. Porque me lembro de tudo isto agora? Porque, tendo sido sempre uma leitora-admiradora de Augusto Abelaira, li, nos anos 60, uma tradução de O Tambor de Grass feita por Abelaira, de que gostei tanto que fiquei com aquele autor no meu registo de preferências e acabo de saber que, por se completarem agora cinquenta anos sobre a sua publicação primeira, se achou interessante lançar uma nova tradução. A este livro se seguiram outros dos quais um tem o título bizarro e sugestivo de Descascando a Cebola. Acho-o sugestivo porque, podendo dizer-se que tudo o que escreveu Grass é autobiográfico, é verdadeiramente o descascar de uma cebola o acto de ir contando as sucessivas camadas que vão constituindo as nossas vidas... Hoje e aqui, acabo de descascar uma nova camada da minha vida, não foi?

13 setembro 2009

São Marcos, 8

E vós quem dizeis que eu sou ? Todos sabemos quanto eram transparentes para Jesus aqueles homens que o seguiam. Tinha-os escolhido. No entanto tinha ainda tanto que lhes ensinar ! E era tão extraordinário o que pacientemente lhes explicou que não podia esperar deles que aceitassem com naturalidade o que entrava no âmbito do sobrenatural. Foi preciso dizer-lhes de uma maneira chocante que nada do que podiam ser interresses humanos poderia cimentar o tipo de relação a existir entre eles, o que deixou Pedro muito vexado, não só pela reprimenda de Jesus, como por não ter sido, capaz de compreender sozinho que era toda uma Vida Nova , com valores diferentes, aquela que era no mínimo exigível a quem se dispusesse a seguir o que aquele Homem Novo e diferente vinha ensinando. Vinha exigindo. Não é doce ouvir-se dizer que se perde a vida porque não se percebeu como é que ela devia ser vivida...
Não é mesmo nada fácil. E então realizar que,pelo contrário, ela pode ser ganha
se levada pelo caminho daquele humilde aniquilamento das vaidades, das exibições, das emulações,das pesporrências...Jesus sabia bem que tinha em seu redor ainda muito de tudo isto que tolda até o olhar que olha para os outros e os mede nas suas próprias medidas. Por isso teve que ser exemplarmente duro com Pedro que, na altura, ainda não aprendera o dom salvífico da humildade...
Se eu fizer a algum daqueles com quem vivo dia a dia a mesma pergunta que Jesus fez então, quantas vivências diferentes vou descobrir através da respostas que me derem ? E como irá o meu ego reagir a elas ?s

10 setembro 2009

...à defesa


Seriam umas cinco da manhã e os deuses zangaram-se todos de tal maneira que rolavam mobílias nas suas moradas de nuvens,atiravam-se uns de encontro aos outros a rosnar longamente, sucessivamente, progressivamente. E vieram-se chegando, cada vez para mais perto de nós, num crescendo de estilhaços de luz e de urros abafados, a reboar, a reboar, por cima, por baixo, por todos os lados daquela camada negra de nuvens que os sustentava... A briga arrastou-se até um climax estrepitoso, cerca das oito horas, em que todos podiamos pensar que os deuses estavam despejando sobre os pobres de nós , todos os seus carros de lenha, ou tábuas grossas...Só então houve uns que choraram raivosos, umas lágrimas que pareciam chicotes, fustigantes e rápidas. E nós já todos a pensar que as lágrimas acabariam com tamanho desacato... Mas não. Diminuiram os decibéis e o tumulto foi rolando aos poucos para mais longe, como um eco, a escoar-se, a escoar-se até para lá das nove horas !
Isto foi uma daquelas trovoadas que só acontecem a espaços de anos, em Lisboa. Dentro de uma moldura de dias de calor sem pausas, sem alívios nem de noite...Mau mesmo !
Bichos da Terra, percebemos que temos toda esta carga eléctrica a agitar-nos.porque dormimos mal , porque estamos irritadiços, porque sentimos de repente que se nos solta a língua para dizermos coisas que antes não ousávamos, talvez mesmo pensar, quanto mais dizer alto e bom som, porque,ao mesmo tempo, estamos com medos vários... Anda no ar esta revoada da política dos políticos a desinquietar-nos e também rolam as tempestades dos humanos.
Viver todos os dias também cansa é o título de um livro que li há anos. De Pedro Paixão que não conheço. Se ele soubesse quanto tenho pensado nele, pela sua escolha de tal título ! É que é mesmo o que este tempo, esta época, este clima, nos estão fazendo pensar. Cansa, sim , gostarmos de sorrir, de ser amáveis, de ter esperança, de gostar... E tudo ter que ser tão `a defesa...
A foto não é de minha autoria. Apenas me foi oferecida sem identificação de autor.

30 agosto 2009

Lavar as mãos

Agora que, por causa da prevenção da Gripe A , somos constante e insistentemente lembrados de que é preciso lavar as mãos a cada momento, surge-nos, no Evangelho deste domingo, uma pequena altercação entre Jesus e os Fariseus por causa da lavagem das mãos que estes verificaram não ser prática dos discípulos, quando para eles era obrigatória, antes das refeições. Ora, sabendo Jesus que essa prática, como muitas outras, era, da parte dos Fariseus ,uma mera atitude exterior que não correspondia a nada de profundo, a nenhum ritual sequer, respondeu-lhes, na sua forma incisiva como sabia fazer, quando era preciso, que é no interior do Homem que existem todas as formas de impureza que seria bom lavar . Claro que estas impurezas pertencem a todo um outro registo que nada tem a ver com o asseio e a desinfecção que um procedimento cívico exige e nós percebemos que, para sermos puros de coração, não é necessária a exibição farisaica e antes a ela devemos voltar as costas. Lembremos outro local das escrituras que nos recomenda que nos resguardemos para rezar, sem dar nas vistas, e ainda outro que nos diz que uma mão não precisa de saber aquilo que a outra dá..Que não se descuidem os cuidados contra a pandemia que aflige o mundo ! Trata-se de coisas muito outras...

27 agosto 2009

As modernizações

No último domigo, veio buscar-me uma amiga para irmos até à beira-rio, aproveitar um não excessivo calor e alegrar a vista, porque o dia estava lindo e pensámos que o Tejo também devia estar, o que se verificou.Fomos mesmo naquele cálculo de horas em que apanhássemos o fim de tarde e o quase início da noite, tão repousante. Percebe-se, quanto se pode conversar com um belo gelado à frente, numa hora e num ambiente assim. O relato do que se passou em férias, não podia faltar. Somos amigas de muitos anos, de muita coisa vivida por uma e sofrida pela outra, a par com ela. Mas vieram mais à tona as minhas pequenas viagens nos pontos do país que ela e eu já conhecemos há anos e no como tudo está mudado agora, para mais, para maior,talvez para melhor... Daí surgiu a sugestão de irmos, a partir de ali mesmo, conhecer a Lisboa nova. Na linha do à beira-Tejo, foi um espanto para mim. Desde Algés a Xabregas, o que eu vi de novo, de mudado, de diferente ! Muitas obras ainda vivas mas a já deixarem perceber o que ali vem... E o que está pronto é bonito.
Voltámos para casa, já escurecia. E eu tive um serão para pôr tudo, tudo a direito na minha cabeça.É que,das férias, eu já viera a pensar até que ponto é realmente bom voltar aos lugares que conheceramos algumas dezenas de anos antes. Fica-nos uma sensação de estranheza muito especial, porque a nossa memória, na qual depositávamos toda a confiança, fica subitamente anulada, soterrada, como se um desmoronamento tivesse lançado um milhão de pedras (!) sobre algo de que ainda tentamos vislumbrar umas pontas, umas orlas emergentes. "Isto" já lá não está, "aquilo" mudou para outras instalações, "o outro" mudou de sítio, "agora já não se passa por aí",ou fechou,abriu , nasceu, diminuiu...enfim ,muito pouco está agora como a minha memória fixara . Então? Ficamos como um baú vazio ou vamos agarrar-nos à "segurança" das recordações ? Quando é que deixamos de ser "antigos" e ficamos apenas "velhos" como aquele album de recordações que alguém um dia deitará fora ?

23 agosto 2009

Vigésimo primeiro domingo

Não há dúvida ! Jesus terá dito que não vinha para curar os sãos, mas para salvar os doentes, por isso, àqueles que não quiseram entender a sua parábola sobre a verdadeira comida e lhe voltaram costas, ele deixou-os ir, não estariam necessitados de esclarecer-se, mas aos que quiseram ficar com ele ( para quem iremos nós? ) explicou que o espírito é que dá a vida, a carne não vale nada sem o espírito. E estes. seguiram-no.

Era uma sociedade em formação. Um grupo de pessoas que conseguira fugir do Egipto e ainda procurava estabilizar emoções, mesmo sem disso se aperceber, criar elos de vários géneros, encontrar-se, constituir núcleos afectivos, provavelmente adorar outros deuses...
É por isso que a carta de São Paulo lida hoje e que trata de aconselhar os Efésios quanto às relações marido-mulher, nos parece a nós, homens e mulheres do seculo XXI, exageradanente preconceituosa, mas talvez não fosse demasiado severa para aqueles que ainda desconheciam a reciprocidade do amor e do respeito . Creio que foi neste espírito que se achou por bem incluir esta carta na liturgia de hoje. Chamar a atenção para a verdadeira união exemplar, base de uma sociedade em que espírito e carne têm os seus lugares que certamente os foragidos do Egipto não saberiam ainda distinguir .

21 agosto 2009

Alexandre O'Neill e Jorge de Sena

Hoje é dia de lembrar ALEXANDRE O'NEILL . Conheci-o, como dizia Bocage, magro, de olhos azuis( ?), carão moreno, um homem inteligentíssimo, de sorriso um pouco enviezado, espirituosamente trocista e às vezes tão cáustico quanto lúcido.Mas,de educação esmeradíssima, era capaz das maiores delicadezas de coração, embora gostasse de arvorar-se em irreverente surrealista ( há mar e mar, há ir e voltar); enquanto produzia se uma gaivota viesse trazer-me os céus de Lisboa...letra de fado inspirada num sentimento muito carinhoso, era duro a dizer por exemplo mais podre que um sentimento que pudesse apodrecer ao sol - o tempo de ficar só...
Ou perfilados de medo...irónicos fantasmas à procura do que não fomos, do que não seremos. O'Neill era "uma pessoa". De corpo inteiro e de quem se gostava.

É espantoso! Quando estava aqui a lembrar alguém cuja memória se liga ,para mim , a uma época, cai-me nas mãos o jornal de hoje a trazer-me notícia de alguém que trago no meu novelo de saudades muito perto de O'Neill. Alguém que escreveu isto: Não hei-de morrer sem saber
qual acor da liberdade
Eu não hei-de senão ser
desta Terra onde nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença
qual será ser livre aqui.
Não hei-de morrer sem saber.
Trocaram tudo em maldade
É quase um crime viver.
mas embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade...

.


Trata-se de Jorge de Sena. A notícia diz que o seu corpo vem finalmente para Lisboa, depois de incontáveis démarches da sua incansável mulher, mãe dos seus nove filhos, que nunca se conformou com toda a incompreensão de que foi vítima o grande poeta, romancista, historiador e professor que se viu levado a radicar-se nos Estados Unidos onde leccionou e dirigiu departamentos na Universidade da Califórnia, vindo a morrer lá, em 1978 . Desde essa data, estava enterrado no cemitério da cidade onde viveu- Santa Bárbara, e, ao conseguir-se agora que o que pode restar do seu corpo venha encontrar por fim a "terra" da sua raiz, podemos pensar que algures ele poderá enfim saber qual a cor da liberdade.
Não é estranhíssimo, vário e tonificante o despenhar da cascata das recordações ?


18 agosto 2009

A Viagem

Quando ainda se não é Reformado e quando os empenamentos do corpo ainda não têm oitenta anos, viaja-se bastante e quase sempre férias são sinónimo de viagem.E a maior parte das vezes a viagem é pelo estrangeiro. Viagem pelo prazer de conhecer, viagem pelo gosto da aventura, viagem...porque,já agora, não é caro e todos vão, viagem porque "isto aqui" é uma pepineira, viagem porque dá imenso status no regresso,para contar aos outros que ou não vão ou também foram...Há ainda um outro pretexto ao qual a existência da União Europeia veio roubar muito da sua sedução :as compras.Ir algures lá fora para comprar alguma coisa porque cá não se encontra nada de jeito,é ainda uma boa razão porque afinal a União é apenas europeia...


Parando por aqui esta acidez toda do meu pretenso humor crítico, o que eu mais quero é fazer o louvor máximo ao poquê da alegria que me é dada quando amigos me levam a viajar pelo nosso país que está a ficar cada vez mais bonito, graças a obras de restauro e obras novas, graças a mimos de bom gosto em urbanização,graças a novas noções de urbanismo, civismo e cidadania.


Percebe-se que tem havido novas noções da parte das autarquias aplicadas não só à visão turística, mas muito a levar os habitantes a amar a sua terra, sentindo-se bem nela. Visitei e passeei em duas vilas: Vila de Rei e Vila Nova de Ourém. Que mimosas, cheias de avenidas e pracinhas floridas, arborizadas, onde as casas são vivendas rodeadas de jardins e muito bem cuidadas já sem aquele cunho de que, dantes, nos ríamos chamando-lhes maisons, e onde há pequenos cafés com esplanadas coloridas e quiosques a vender jornais. Não sei porquê ,alguns edifícios de andares com alturas proporcionadas às cotas envolventes,ficam bem encaixados ali e não encontramos sobresaltos ambientais, o que me parece extremamente tranquilizante para quem ali vive.


Por outro lado,descobri cidades das quais conhecera há muitos, muitos anos, os locais, posso dizer agora, os embriões. Torres Novas, mas principalmente, o Entroncamento ! Como é que, de um entroncamento de linhas férreas com a sua gare respectiva, mas sem mais nada que se pudesse considerar, em redor, dos anos 40 do século XX, brotou uma grande cidade, de grandes prédios, de muitas ruas, jardins e avenidas e lojas e restaurantes e cafés... e todas as características de uma cidade dormitório de Lisboa, graças à frequência de comboios cada vez maior , com horários úteis e rapidez desejável ?


Entra certamente na quase magia de tudo isto uma realidade dos nossos dias que me não encanta por muitíssimas razões mas com a qual parece termos mesmo que nos habituar : os grandes hipermercados internacionais ou nacionais que vieram instalar-se espampanantemente nestas localidades, antes deles apenas habituadas a escassas lojinhas de família onde o negócio, a conversa e bom entendimento iam mantendo a satisfação da clientela. Pelo que vi, o próprio hipermercado cria instalações para o seu pessoal, por vezes autênticos bairros, e assim se foram espraiando casas e se formaram núcleos urbanos inerentes àquela potente força comercial. E lá estão óptimas cidades com grande vitalidade, jovens, activas, modernas...Mas também pude aperceber-me de que a abertura aos bons e completos novos centros de estudo contribuiu imenso para engrandecer as velhas cidades onde se fixaram. Em Tomar há um enorme complexo de nível universitário como que a fazer frente aos monstros comerciais que lhe são vizinhos. É um Instituto Politécnico de grandes dimensões que me fez recordar o antiquíssimo e muito bom Colégio NunÁlvares de nívelsecundário e para onde iam estudar tantos rapazes que hoje são alguém por este país.Tomar está uma grande cidade e alindou-se com novas pontes, novos acessos junto às calmíssimas curvas do Nabão, e restauros de muito bom gosto. A igreja de Santa Maria dos Olivais tanto tempo quase soterrada e meio desmoronada, está agora desafrontada,elegante e à noite muito bem iluminada. No Convento de Cristo então os arranjos chegaram mesmo até à repintura da Charola! E a saída do hospital militar ali antigamente instalado permitiu a abertura de espaços agora usados unicamente com fins culturais e museológicos . Abriram-se esplanadas e restaurantes nas varandas do convento abertas sobre a mata particularmente perfumada. Houve o cuidado de promover espectáculos a aproveitar tanto cenário. E com tudo isto se aproximou tamanha antiguidade e tradição da modernidade de tanta gente que por ali vai.
Esta foi a minha enorme Viagem de férias. Há ainda um outro viajar que fiz e que cabe noutro contexto. Da ALMA.
Talvez porque lo que pasó no fué, está siendo como diz Octávio Paz.

16 agosto 2009

Vigésimo domingo comum

Por coincidência, nos últimos três domingos, não tendo comigo o meu computador e tendo tido oportunidade de assistir a missas diversificadas, não registei, como tanta vez o faço, as considerações que as Leituras de cada liturgia me sugerem. Hoje, retomada a rotina, e justamente vindo "apanhar" o último dos quatro evangelhos de S.João que são introduzidos na sequência dos de S.Marcos próprios deste ano litúrgico, deixei-me maravilhar com a capacidade metafórica do discurso de Jesus, na procura de fazer compreender ao povo inculto e primário coisas que só uma grande elevação espiritual, uma real propensão para a elevação dos pensamentos, poderia fazer perceber.Falar em quem comer a minha carne e beber o meu sangue é algo de perigoso, por susceptível de criar a maior das perplexidades nas pessoas simples.E hoje como há dois mil anos.Mas hoje o pendor para o útil e consumível que é quase regra geral, talvez torne mais difícil a compreensão da metáfora do que no tempo de Jesus, em que a linguagem era mais florida, mesmo entre as tais pessoas simples . A carne e o sangue em que se tornou a palavra de Deus, no corpo de Jesus ( no princípio era o Verbo) estão tão longe dos seus reais significados para nós, homens do século XXI, quanto a irreflexão e a insensatês dos Efésios os poderia levar se não ouvissem a chamada de atenção de São Paulo, ele que melhor que ninguém conhecia a vontade de Deus.
Nós, aqueles que nos habituámos a estudar as palavras, no dito e no escrito, que grande exercício por vezes nos dá a leitura dos textos litúrgicos e como nos apercebemos de quanto é sério o filtro da palavra para a Fé !

13 agosto 2009

Regresso de férias

Que prazer ter um livro para ler...e lê-lo ( lá estou eu a desacordar com o Pessoa) !
Que prazer ter um livro para escrever ...e escrevê-lo ! Bem, isto são projecções de férias. Andei por lá, sem computador. Ali, caderno de capa dura e a minha Parker amiga ! E aquilo é que foi escrever ! Dir-se-ia que tinha fome de papel...
Mas não deixarei de dizer que também senti a falta destas embirrações que às vezes tenho que aturar à irritantesinha da minha complementar tecnológica...Tive ocasião de ver quanto se sofre por esse país fora por causa de não coberturas de certas regiões pelos necessários sinais que permitem a comunicação dos humanos que usam a net... E como então me senti feliz pelo meu papel e lápis ! Feliz e filósofa... Porque as férias acabam sempre por me atirar para as etimológicas feiras .E são verdadeiras feiras/mostras de gentes, terras, costumes, faunas, floras, rios e rias, lagos e mares, tudo muito sui generis, para boas confrontações e aprendizagens minhas. Daí a escrita. Muitas notas úteis ou simplesmente a comprovar mais tarde, algumas já por si sós comprovativas. E depois há ainda aquele balão que o coração sopra a encher o nosso peito, em certas manhãs de criação do mundo, e que nos faz acreditar em tudo da felicidade, desde o termo-la, até o sermos ainda capazes de acrescentá-la...Porque vai haver mais manhãs de criação do mundo,certamente.
È assim que se volta diferente do que se foi...
É assim que, por agora, só me apetece que os meus braços ainda saibam o jeito de abraçar um Mundo, o MUNDO...