Por mais que puxasse pela memória, não consegui fixar-me nem em qual teria sido a primeira, nem em quantas vezes visitei, estive ou passei pela cidade de Setúbal. Lembro bem a última, em que fui convidada pela Escola Superior de Educação ( creio ser este o seu nome oficial) para falar sobre Bocage em companhia com duas amigas que iam lendo poemas dele, ao a propósito do que eu ia dizendo. É um campus universitário magnífico, inserido na paisagem e pensado para uma população de jovens modernos, à boa maneira de Siza Vieira. Sei que foi uma visita alegre em que inclusivamente a Tuna acabou improvisando uma musiquinha muito bonita para um pequeno poema do poeta celebrado que eu lhe lançara à maneira de mote ...e desafio.
Recordação bem mais antiga, um fim de semana de dois dias passado na Estalagem de São Filipe (será que ainda existe e com este nome?), instalada no Castelo ou Forte com esse nome. Uma situação magnífica, com o rio Sado já a fazer-se estuário ali aos nossos pés...
Mais atrás ainda, muito mais atrás, um passeio por uma avenida arborizada, onde, a certa altura, me mostraram o monumento a outra jóia da cidade, Luiza Todi. E, logo a seguir um almoço em que comi pela primeira vez um peixe delicioso que em casa se não comia porque o meu Pai o detestava:o salmonete.
Era ali uma especialidade, já não me lembro se da terra, se do restaurante.Mas a verdade é que me ficou para toda a vida a associação desse peixe a essa cidade. E também sei que me fizeram crer que as pessoas de Setúbal falam carregando na pronúncia dos R .
Não se pode dizer que seja tudo isto uma grande informação e pode sim dizer-se que é quase imperdoável... Mesmo ali à beira da Arrábida que percorri e frequentei nas suas múltiplas facetas (onde, tanto, a memória do Sebastião Gama,esse amigo !), mais modernamente, num simples cruzamento de estradas ao vir do sul para Lisboa...Bem, é já ali Setóbal !
Mas ,subitamente, comecei a ter essa cidade aos meus ouvidos várias vezes por dia : a violência, as juventudes delinquentes mas incompreendidas, a polícia enxovalhada, a Conunicação Social aos gritos e apitos, nós todos numa inquietação, eu, com um nó na garganta, a lembrar aqueles alunos da Tuna e da Escola,tão felizes, tão alegres, e também os polícias que conheci no meu trabalho, gente sã, meritória...Que é isto ?
Que é isto no meu país ?
E acontece outra vez Setúbal . O Concelho, a Diocese, e o seu povo... E de novo a Comunicação Social uma, duas , n vezes a insistir, a insistir...mas como se explica que o tom já não seja instigador da histeria irritada e irritante e se tenha mudado o registo das referências ao povo, a este mesmíssimo povo de Setúbal , do espaço alargado para fora da cidade, onde provavelmente as juventudes se podem equiparar ? É explicável ?
Agora trata-se de algo que se percebe bem todos respeitam, e não ousam cometer qualquer deslize, talvez nem bem saibam porquê...
São os espectaculares festejos de comemoração do 50º aniversário da existência do monumento a Cristo-Rei, implantado justamente na Diocese de Setúbal...
Há que considerar que o histórico e o político têm aqui um grande peso, mas o que provoca esta mudança de atitudes ?
Acaso não se trata da mesma Comunicação Social, dos mesmos "fazedores" de opinião ?
O convite à meditação perante o imenso espaço aberto à frente daquele monumento é sem dúvida feito pela beleza esmagadora da paisagem, toda material, mas do que ali SENTIMOS sobre nós e o mundo, sobre nós e a vida,
disso e de um certo inexplicável AMOR, de que o Mundo está carente, não encontramos forma de o materializar... Vejo agora nitidamente que o espiritual é mesmo o grande motor deste Mundo dos Homens, quer eles o entendam quer não ...
17 maio 2009
10 maio 2009
As varas
Esta foi a semana em que o tempo, de quente, passou a frio e de brilhante passou a baço...Tenho uma pequena fatia de jardim, coberta de hera, com uma cameleira num dos topos.Quem sabe destes arremedos de jadins que há na cidade sabe que, numa certa época, pululam os jarros alvíssimos de largas folhas verdes que requebram como bailarinas orientais. Mas vem a época em que eles abdicam, secam e só no subsolo quente fica um bolbo que ninguém vê e até esquece, pelo menos pelo espaço de um ano... Os velhos jarros amarelaram,
descaíram e arrastam-se pela terra consentindo que tudo o que for exuberante lhes caia por cima e os abafe. Veio hoje o jardineiro e foi puxando, separando, arrancando...Era um montão de lixo, aquilo que fora tão airoso !
Metáfora ? São João diz no Evangelho de hoje que Jesus terá usado a metáfora da vara seca que é jogada fora e queimada, seca porque não dá fruto, e o fruto é uma nova metáfora...Como eram misteriosas as palavras de Jesus !
É que, mesmo sem eu fazer nada, os meus jarros voltam a rebentar cheios de força, na próxima Primavera...Só mesmo isto é possível porque aos seus escondidos bolbos,até aí !, chegará a Infinita Misericórdia.
Como é que eu não penso nisto quando estou como os velhos jarros do meu minúsculo jardim ?
descaíram e arrastam-se pela terra consentindo que tudo o que for exuberante lhes caia por cima e os abafe. Veio hoje o jardineiro e foi puxando, separando, arrancando...Era um montão de lixo, aquilo que fora tão airoso !
Metáfora ? São João diz no Evangelho de hoje que Jesus terá usado a metáfora da vara seca que é jogada fora e queimada, seca porque não dá fruto, e o fruto é uma nova metáfora...Como eram misteriosas as palavras de Jesus !
É que, mesmo sem eu fazer nada, os meus jarros voltam a rebentar cheios de força, na próxima Primavera...Só mesmo isto é possível porque aos seus escondidos bolbos,até aí !, chegará a Infinita Misericórdia.
Como é que eu não penso nisto quando estou como os velhos jarros do meu minúsculo jardim ?
03 maio 2009
MÃES
Matriz, modelo, MAÇÃ, malefício, medo, mortificação, marca, melancolia, macio, mimo, mácula, memórias.
Alvorada, Amor, ansiedade, aflição, azedume, apelo, apego, auxílio, apoio, acompanhamento, abraço, artes, admiração, ausência.
Eternidade, Eden, envolvimento, exclusão, entendimento, exigência, educação, evolução, elegância, esteio, espanto.
Alvorada, Amor, ansiedade, aflição, azedume, apelo, apego, auxílio, apoio, acompanhamento, abraço, artes, admiração, ausência.
Eternidade, Eden, envolvimento, exclusão, entendimento, exigência, educação, evolução, elegância, esteio, espanto.
Com as três letras de MÃE podemos contar a História de todas as MÃES do mundo, desde que Eva provou a maçã. Esta é a história das mães que eu tive.
01 maio 2009
Trabalhadores
Principia o mês de Maio, dito antigamente o mês das flores. E também se dizia que, se chovesse, a sua chuva fazia as pessoas bonitas... Com o passar do tempo tudo endureceu nas nossas vidas e, se pensamos em Maio, a primeira conotação é a do TRABALHO por causa de o seu primeiro dia ser dedicado aos TRABALHADORES. E nós sabemos a carga de lutas, de sofrimentos, de decepções e de poucas alegrias que esta data traz consigo.Mas também é importante que se pense quanta dignidade, quanto orgulho, quanta felicidade o trabalho pode dar ao ser humano... O Fernando Pessoa é que se lembrou de elogiar o não se ter nada para fazer ou o não se fazer nada mesmo que haja que fazer, e socorre-se de exemplos que só nos fazem sorrir««o melhor do mundo são as crianças»» E, não sei por que associação de ideias, este amor do Pessoa ao primitivo, fez com que me ocorresse que também no dia 1 de Maio foi escrita por PERO VAZ DE CAMINHA a CARTA a dar conta ao Rei D. Manuel do ACHAMENTO DO BRASIL .Não teriam sido também uns esforçadíssimos trabalhadores, estes navegadores cujo esquecimento vamos gradualmente consentindo ?...
26 abril 2009
São Nuno de Santa Maria
«O grande Pereira», «o fero Nuno»,«...Nuno,qual...o fortíssimo leão»,«Nuno,que,como sábio capitão, tudo corria e via e a todos dava com presença e palavras, coração», pois este Nuno assim visto por Camões, foi hoje canonizado por um Papa de nome Bento, tal como fora beatificado por outro Papa de nome Bento também. Sendo notável toda a sua carreira militar em que,de simples "conde das cavalariças/ cavalos,cavalaria"( condestável, etimologicamente e por influência do inglês constable medieval), chegou a chefe supremo de todo o exército e figura maior da hierarquia da corte, é ainda muito mais notável o quanto a sua fé, a sua dedicação a Nossa Senhora o fez, depois de viuvo, procurar "apagar-se" numa humildade que o esconde dentro do hábito carmelita, de onde quase nada volta mais a ouvir-se sobre ele...
Pois agora aí está, mais um dos Santos e Santas da Corte dos Céus, a fazer-nos pensar a nós em como são misteriosos os juizos de Deus e os seus desígnios e em quê e em quanto e em como teremos que dar volta às nossas vidas se quisermos sequer imitar um Santo assim...
Pois agora aí está, mais um dos Santos e Santas da Corte dos Céus, a fazer-nos pensar a nós em como são misteriosos os juizos de Deus e os seus desígnios e em quê e em quanto e em como teremos que dar volta às nossas vidas se quisermos sequer imitar um Santo assim...
25 abril 2009
25 de ABRIL
Eu vi Abril por fora e Abril pordentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.
Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido ( Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer...
Manuel Alegre
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.
Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido ( Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer...
Manuel Alegre
24 abril 2009
24 de ABRIL

Le taparia el tiempo
con rosas, por que no recordara.
Una rosa distinta,
de una imprevista majia,
sobre cada hora solitaria de oro
o sombra,
hueco propício a las memorias trajicas.
Que, como entre divinas y alegres
enredando rosas, granas ,blancas
que no dejarán sítio a lo pasado,
se le enredara,
con el cuerpo,
EL ALMA...
EL ALMA...
de Juan Ramon Gimenez
18 abril 2009
Prendas
As prendinhas que trocámos com os nossos amigos tiveram sempre um qualquer significado, a menos que não fossem de ou para amigos mesmo, dos verdadeiros.
Com o andar da vida, acabámos por ter,a cada passo,na nossa casa uma presença qualquer daquele ou do outro ,várias vezes multiplicadas...A jarrinha do último natal em que... A moldura daquele dia de anos que... A taça, a caixa,a chávena...Isto para não falar dos utilitários como a máquina de café, a torradeira, o jogo de facas, o espremedor de fruta...E também a coquetterie dos lenços de seda, das caixinhas de comprimidos, do alfinete de pedras...
Bem! Isto tornou-nos possuidores de inúmeras coisas carregadas de significados vários mas que nós, no seu conjunto, acabamos por já nem gozar...
Combinámos então,entre amigos, no alvorecer desta avassaladora idade do consumismo, passarmos a só nos presentearmos com bens perecíveis, como produtos para nos lavarmos, para aperfeiçoar a nossa apresentação física, para comer ou beber, para escrever, e também flores, plantas e livros Tivemos algumas dúvidas sobre a classificação dos dois últimos citados.As plantinhas,se as tratarmos bem, far-nos -ão companhia longo tempo, são mesmo uma companhia com a qual até podemos falar( ! ! !). Sobre a durabilidade válida dos livros é que haverá muito a dizer.Pondo de parte o quanto fisicamente se deterioram, é claro que o seu conteúdo é persistente...quando o é! Porém cada vez estou encontrando mais livros perecíveis. Ninguém certamente está a pensar num CEM ANOS DE SOLIDÃO, nuns LUSÍADAS, num GUERRA E PAZ, numa MADAME BOVARY ou mesmo num MEMORIAL DO CONVENTO.
Mas quanto é publicado apenas arrastado pela esteira dos redemoínhos de uma moda, social, política, moral ou religiosa, ou até de certas inovações puramente literárias, uma vez diluida essa actualidade, passa a ser de facto também um perecível. E,por isso, ´poderá também entrar na categoria das prendinhas de desgaste previsível.E oferecemo-las uns aos outros com essa quase certeza.
Não me querendo deixar entrar pelo campo dos livros em que se estudava e são declarados perecíveis pela via governamental , olho para os livros de agora com uma certa desconfiança quanto à sua utilidade prática.Ocuparão um lugar nas minhas estantes tal como as prendinhas de antes da combinação dos perecíveis.
E não é que agora me vêm oferecer um livro como nunca tive, onde eu própria caibo em duas linhas e cuja classificação só pode ser CURIOSIDADE ?
Com uma admiração toda nova ( onde já vai na minha memória o que me vi obrigada a consultar na antiga Torre do Tombo!), vejo-me com um livro todo dedicado ao estudo da árvore genealógica das famílias que se entrecruzaram até chegar ao mundo a geração do meu marido ! Um dos seus dois laboriosos autores entendeu assim agradecer-me algumas conversas que tive com ele sobre tanta memória, tanta história... E, parafraseando alguém, digo eu ««que farei com este livro?»» Quão estranha profissão a deste simpático autor !
Genealogista! Quem conhece ?
Sempre,cada dia, coisas novas...Até nesta tão bem "arrumada"teoria das prendinhas que desalinho agora, a descobrir avôs e avós insuspeitados a viverem as suas vidinhas lá para trás do sol-posto, sem suspeitarem que de longinquos tempos e espaços alguém os andava a espreitar...
Com o andar da vida, acabámos por ter,a cada passo,na nossa casa uma presença qualquer daquele ou do outro ,várias vezes multiplicadas...A jarrinha do último natal em que... A moldura daquele dia de anos que... A taça, a caixa,a chávena...Isto para não falar dos utilitários como a máquina de café, a torradeira, o jogo de facas, o espremedor de fruta...E também a coquetterie dos lenços de seda, das caixinhas de comprimidos, do alfinete de pedras...
Bem! Isto tornou-nos possuidores de inúmeras coisas carregadas de significados vários mas que nós, no seu conjunto, acabamos por já nem gozar...
Combinámos então,entre amigos, no alvorecer desta avassaladora idade do consumismo, passarmos a só nos presentearmos com bens perecíveis, como produtos para nos lavarmos, para aperfeiçoar a nossa apresentação física, para comer ou beber, para escrever, e também flores, plantas e livros Tivemos algumas dúvidas sobre a classificação dos dois últimos citados.As plantinhas,se as tratarmos bem, far-nos -ão companhia longo tempo, são mesmo uma companhia com a qual até podemos falar( ! ! !). Sobre a durabilidade válida dos livros é que haverá muito a dizer.Pondo de parte o quanto fisicamente se deterioram, é claro que o seu conteúdo é persistente...quando o é! Porém cada vez estou encontrando mais livros perecíveis. Ninguém certamente está a pensar num CEM ANOS DE SOLIDÃO, nuns LUSÍADAS, num GUERRA E PAZ, numa MADAME BOVARY ou mesmo num MEMORIAL DO CONVENTO.
Mas quanto é publicado apenas arrastado pela esteira dos redemoínhos de uma moda, social, política, moral ou religiosa, ou até de certas inovações puramente literárias, uma vez diluida essa actualidade, passa a ser de facto também um perecível. E,por isso, ´poderá também entrar na categoria das prendinhas de desgaste previsível.E oferecemo-las uns aos outros com essa quase certeza.
Não me querendo deixar entrar pelo campo dos livros em que se estudava e são declarados perecíveis pela via governamental , olho para os livros de agora com uma certa desconfiança quanto à sua utilidade prática.Ocuparão um lugar nas minhas estantes tal como as prendinhas de antes da combinação dos perecíveis.
E não é que agora me vêm oferecer um livro como nunca tive, onde eu própria caibo em duas linhas e cuja classificação só pode ser CURIOSIDADE ?
Com uma admiração toda nova ( onde já vai na minha memória o que me vi obrigada a consultar na antiga Torre do Tombo!), vejo-me com um livro todo dedicado ao estudo da árvore genealógica das famílias que se entrecruzaram até chegar ao mundo a geração do meu marido ! Um dos seus dois laboriosos autores entendeu assim agradecer-me algumas conversas que tive com ele sobre tanta memória, tanta história... E, parafraseando alguém, digo eu ««que farei com este livro?»» Quão estranha profissão a deste simpático autor !
Genealogista! Quem conhece ?
Sempre,cada dia, coisas novas...Até nesta tão bem "arrumada"teoria das prendinhas que desalinho agora, a descobrir avôs e avós insuspeitados a viverem as suas vidinhas lá para trás do sol-posto, sem suspeitarem que de longinquos tempos e espaços alguém os andava a espreitar...
12 abril 2009
Pão Ázimo
Logo de manhã,com cuidado por causa da diferença horária,estive em frente da televisão porque procuro sempre não perder a transmissão das cerimónias no Vaticano que sei que vão dirigir-se urbi et orbi.Está sempre lindíssima a decoração daquela enorme esplanada frente à Basílica,com montões de flores e plantas verdes que a Holanda capricha em oferecer.E depois é todo aquele aparato de solenidade...
Não, não estou a falar de luxo.
Mas do cerimonial com que nesses dias os cristãos enfatizam
aquilo que deu o cariz verdadeiramente extraordinário às razões da sua fé. Claro que além de uma imensidão de público do mais heterogénio (quantos só turistas?) a figura central de tudo o que se ali passa é o Papa. E ouve-se, da sua sabedoria, que cremos divina, aquilo que nem sempre sabemos
interpretar ou por vezes aquilo que estava a faltar-nos como estímulo... Quantas vezes sem mesmo nos termos dado conta disso.
Hoje aprendi.Melhor: percebi.
Comi pela primeira vez PÃO ÁZIMO aquando da minha primeira viagem a Israel. Ao procurar saber como se fazia,explicaram-me que a única diferença para o nosso pão era apenas a de não levar fermento. E entendi porque era baixinho e maciço.Vim depois a comê-lo mais vezes sem nunca mais pensar no como era feito. Nunca tinha pensado que haveria uma relação entre ele e a História da minha fé.Quando oiço da boca do Papa «de tal modo a Páscoa é o partir para uma NOVA VIDA completamente nova, que até se deixou de fazer pão com o fermento, porque este tem que ser retirado de uma massa anterior e, por isso,velha». Não foram estas as palavras textuais, que não fixei. Mas foi esta a "novidade" para mim. Alguém me lembrou que há também uma explicação segundo a qual os judeus, ao fugirem precipitadamente do Egipto,não puderam dar tempo para fermentar ao pão que estavam a fazer...
Não teria nunca sabido isto de outra forma, creio bem.
Que mais coisas novas virão ainda acrescentar o que já sei, depois desta Páscoa da qual apenas esperava reforçar a minha solidez interior??? Banirei o fermento?
Não, não estou a falar de luxo.
Mas do cerimonial com que nesses dias os cristãos enfatizam
aquilo que deu o cariz verdadeiramente extraordinário às razões da sua fé. Claro que além de uma imensidão de público do mais heterogénio (quantos só turistas?) a figura central de tudo o que se ali passa é o Papa. E ouve-se, da sua sabedoria, que cremos divina, aquilo que nem sempre sabemos
interpretar ou por vezes aquilo que estava a faltar-nos como estímulo... Quantas vezes sem mesmo nos termos dado conta disso.
Hoje aprendi.Melhor: percebi.
Comi pela primeira vez PÃO ÁZIMO aquando da minha primeira viagem a Israel. Ao procurar saber como se fazia,explicaram-me que a única diferença para o nosso pão era apenas a de não levar fermento. E entendi porque era baixinho e maciço.Vim depois a comê-lo mais vezes sem nunca mais pensar no como era feito. Nunca tinha pensado que haveria uma relação entre ele e a História da minha fé.Quando oiço da boca do Papa «de tal modo a Páscoa é o partir para uma NOVA VIDA completamente nova, que até se deixou de fazer pão com o fermento, porque este tem que ser retirado de uma massa anterior e, por isso,velha». Não foram estas as palavras textuais, que não fixei. Mas foi esta a "novidade" para mim. Alguém me lembrou que há também uma explicação segundo a qual os judeus, ao fugirem precipitadamente do Egipto,não puderam dar tempo para fermentar ao pão que estavam a fazer...
Não teria nunca sabido isto de outra forma, creio bem.
Que mais coisas novas virão ainda acrescentar o que já sei, depois desta Páscoa da qual apenas esperava reforçar a minha solidez interior??? Banirei o fermento?
10 abril 2009
6ª FEIRA DE PAIXÃO

Deixai, deixai passar o homem forte,
o ungido do Senhor.
Se a cruz que arrasta agora é cruz de morte,
também é cruz de Amor !
Morres tu, mas a ideia que deixáste
não morre, como a luz em fim de dia,
nem o fogo do céu que em ti ardia,
o ungido do Senhor.
Se a cruz que arrasta agora é cruz de morte,
também é cruz de Amor !
Morres tu, mas a ideia que deixáste
não morre, como a luz em fim de dia,
nem o fogo do céu que em ti ardia,
nem o exemplo sublime que legáste !
in A senda do Calvário
ANTERO DE QUENTAL
05 abril 2009
Cerimónias de RAMOS
Este deslizar das semanas durante a Quaresma torna-se-nos mais sensível porque é um caminho que se percorre e no qual se vão eliminando etapes. Chegámos hoje ao domingo de Ramos e, sendo aquele em que começa verdadeiramente a tragédia da morte mais injusta e cruel alguma vez executada sobre um ser humano, as cerimónias de igreja, neste dia, tornam-se alegres e festivas, já pelas cores vermelhas dos paramentos, já pela manipulação dos enormes ramos de folhas de palmeira, tão elegantes, tão graciosos, a ondular ao ritmo de todos aqueles cãnticos entoados em procissão. Imaginar a figura daquele JESUS materializado no filme de Mel Gibson, montado num burrito assustado com a gritaria do povo circundante, a procurar romper pelo meio de uma turba enrodilhada em gritos e palmeiras, em correrias para ver melhor o que parecia festa, imaginar a paciente doçura daquele que se sabia condenado sem crime, fez-me sentir subitamente uma tristeza tão dilacerante que só tinha uma vontade: fugir, sair, procurar outras cores da alegria, arrancar de mim toda a imagem da dor,da dor toda, ou antes, de toda a DOR... (e lá, na ponta de um banco, não é que se senta o que resta, em disformidade, daquela que foi a ninha alegre amiga cujo esgar,como sorriso, ainda veio ter comigo?)
02 abril 2009
Livro infantil - ilustração
29 março 2009
Parábola da semente-5º domingo
Tenho sempre usado os muitos poderes da minha imaginação para me ver fazendo parte daqueles grupos que seguiam Jesus, curiosos, compreendendo pouco, mas intuindo muito, perfeitamente rendidos ao suave tom da sua fala, parecendo antes a de quem medita em voz alta, mas sendo na verdade ( e podiam tê-lo percebido por vários Sinais ) a de a quem Deus conduz como seu Filho, mesmo nas situações mais sinuosas e difíceis. Hoje, São João conta-nos da curiosidade de uns gregos, em Jerusalém, que queriam conhecer Jesus o que, de certa maneira, não deixou de preocupar os discípulos que temiam por ELE, naquele ambiente meio festivo que já atraía estrangeiros para a Festa próxima.Porém Jesus, serenamente, como se nada passasse por ELE, ensinou-lhes a parábola da semente que, se cair à terra e não morrer, estiolará numa solidão sem horizontes.Mas que,morrendo enquanto semente, poderá multiplicar-se em réplicas ad aeterno... Todos os que o ouviram sabiam,pela prática, que isto era assim, simples de entender e aceitar. Mas aquilo que ouviram a seguir e não foram capazes de perceber se era um trovão, aceitando com naturalidade que poderia ser a fala de um Anjo, nisso é que surgiu o Mistério : o Mistério de um Deus que estava ali, com eles, prestes a deixá-los até à Eternidade, e ninguém foi capaz nunca de compreender...Que era ELE mesmo a tal SEMENTE !
26 março 2009
Parafraseando Natália
«« a poesia é para comer »» dizia a Natália Correia, no seu modo estrepitoso de escandalizar... E eu, sem nenhuma vontade de escandalizar seja quem for, sempre a entendi perfeitamente e, a partir de certa época da minha vida, comecei a ousar aconchegar junto da ideia da Natália a minha de que a VIDA é para se beber... A grandes tragos ou a pequenos goles.
Aquele acontecimento de um amigo que atinge a classificação magna cum l aude na sua prova de doutoramento, ou o de uma amiga que chega de outra terra para vir ficar connosco, partilhando a nossa casa e a nossa vida temporariamente, ou a tomada de decisões práticas na ocorrência de factos imprevisíveis na orientação do condomínio, ou a envolvência carinhosa de alguém de quem não a esperávamos, ou a bonita camélia que,no nosso minúsculo jardim, a cameleira nos ofereceu, ou a senhora da paróquia que vem pedir para os seus missionários protegidos, ou aquela bonita luz difusa que este sol de primavera deixou coar através das cortinas de linho antigo que hoje lavámos, ou a aluna que nos encheu a semana com uma classificação de 19 valores, depois de termos trabalhado tanto...São, gota a gota, aquela bebida que transforma em pequenos oásis certos dias de secura, tonus indispensável para qualquer gosto de viver.A poesia de que a Natália falava ( e comia ), essa acho que é destas múltiplas gotas que acaba por brotar...
Aquele acontecimento de um amigo que atinge a classificação magna cum l aude na sua prova de doutoramento, ou o de uma amiga que chega de outra terra para vir ficar connosco, partilhando a nossa casa e a nossa vida temporariamente, ou a tomada de decisões práticas na ocorrência de factos imprevisíveis na orientação do condomínio, ou a envolvência carinhosa de alguém de quem não a esperávamos, ou a bonita camélia que,no nosso minúsculo jardim, a cameleira nos ofereceu, ou a senhora da paróquia que vem pedir para os seus missionários protegidos, ou aquela bonita luz difusa que este sol de primavera deixou coar através das cortinas de linho antigo que hoje lavámos, ou a aluna que nos encheu a semana com uma classificação de 19 valores, depois de termos trabalhado tanto...São, gota a gota, aquela bebida que transforma em pequenos oásis certos dias de secura, tonus indispensável para qualquer gosto de viver.A poesia de que a Natália falava ( e comia ), essa acho que é destas múltiplas gotas que acaba por brotar...
22 março 2009
Gaudete ! 4º domingo
««Naqueles dias,todos os chef.es de Judá, os sacerdotes e o povo multiplicaram as suas infidelidades, imitaram as acções abomináveis das nações pagãs e profanaram o Templo que o Senhor tinha consagrado......O Senhor, Deus de seus pais, bem cedo e sem descanso começou a enviar-lhes mensageiros... mas eles escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam-lhes as palavras e troçavam dos seus profetas a tal ponto que deixou de haver remédio para a crescente indignação do Senhor contra o seu povo...
Isto nos diz o texto exrtraído do Livro das Crónicas para a missa de hoje, o chamado Domingo Gaudete. Claro se torna depois, .no restante das Leituras, que a infinita misericórdia e o grande amor de Deus pelas suas Criaturas o levou a perdoar-lhes, não sem que tivessem antes passado pela deportação e sofrimentos em Babilónia e não sem que lhes fizesse compreender a magnanimidade dessa sua mesma misericórdia que,através de Jesus, queria fazê-las trilhar os caminhos da LUZ e das BOAS OBRAS. E é dessa infinita vontade divina de nos perdoar que retiramos todas as nossas razões da alegria deste 4º domingo da Quaresma de este ano.
Fica-me para meditar,toda a semana, a citação do Livro das Crónicas e a interrogação posta ao meu espírito sobre, quanto tempo, quanta cultura, quanta experiência,quanto progresso humano poderemos medir, contar, desde o que aqui nos é narrado até aos dias que estamos vivendo hoje...
Isto nos diz o texto exrtraído do Livro das Crónicas para a missa de hoje, o chamado Domingo Gaudete. Claro se torna depois, .no restante das Leituras, que a infinita misericórdia e o grande amor de Deus pelas suas Criaturas o levou a perdoar-lhes, não sem que tivessem antes passado pela deportação e sofrimentos em Babilónia e não sem que lhes fizesse compreender a magnanimidade dessa sua mesma misericórdia que,através de Jesus, queria fazê-las trilhar os caminhos da LUZ e das BOAS OBRAS. E é dessa infinita vontade divina de nos perdoar que retiramos todas as nossas razões da alegria deste 4º domingo da Quaresma de este ano.
Fica-me para meditar,toda a semana, a citação do Livro das Crónicas e a interrogação posta ao meu espírito sobre, quanto tempo, quanta cultura, quanta experiência,quanto progresso humano poderemos medir, contar, desde o que aqui nos é narrado até aos dias que estamos vivendo hoje...
21 março 2009
Poesia
como meter o mundo
num poema? traduzir-lhe
a áspera realidade, a doçura
intranquila ?
como meter o trabalho
dos homens, os seus dias,
nessas escassas linhas,
seus ócios, seus espelhos,
seus desvarios, suas
catástrofes de amor ?
como meter a morte
nas palavras ?
só que uma coisa bela
é para sempre uma alegria inquieta.
Vasco Graça Moura
num poema? traduzir-lhe
a áspera realidade, a doçura
intranquila ?
como meter o trabalho
dos homens, os seus dias,
nessas escassas linhas,
seus ócios, seus espelhos,
seus desvarios, suas
catástrofes de amor ?
como meter a morte
nas palavras ?
só que uma coisa bela
é para sempre uma alegria inquieta.
Vasco Graça Moura
19 março 2009
PAI
São apenas uns flashes guardados na minha memória, com amor. Por isso duram.
1º- O meu Pai é um homem alto e eu, nos seus braços, quase desapareço. Ele usa uma farda acinzentada e está de pé, muito direito, aperta-me com muita força e...soluça.Algumas das suas lágrimas caem sobre o meu cabelo.Dão-nos uma flor que ele põe na minha mão e inclina-se...É a minha mãosita que vai pousar aquela flor sobre um montão de tule branco sob o qual a minha Mãe parece ter adormecido...
2º-O meu Pai espera-me, cá fora, à porta da Faculdade. Eu não me apercebera de que ele estivera lá. Abraçamo-nos, na minha surpresa do encontro. Alguém diz a "graça" do momento: «Aqui temos a nossa doutora!» O meu Pai põe as suas grandes e tranquilizantes mãos sobre os meus dois ombros, olha-me bem de frente e diz, quase para ser só eu a ouvir : «doutora sim,filha, mas nunca esqueças que, primeiro que tudo, és UMA SENHORA »...
3º-Estamos frente ao altar-mor da Igreja. Eu, noiva dos pés à cabeça, por dentro e por fora, toda feliz.Á minha esquerda o meu Pai ,brilhante, na sua farda azul com lindas medalhas no peito, a seu lado a minha Mãe com uma lindíssima capeline preta enfeitada de plumas verdes. Do meu lado direito, o meu adorado noivo, todo nervoso dentro de um fraque que nunca gostou de vestir, e à direita dele o seu irmão e cunhada.Portanto, tudo nos seus lugares para começar a celebração do meu casamento. Era um dia de Junho,muito ventoso e, para subirmos a escada da Igreja, o vento levantava a passadeira que deviamos pisar e o meu Pai ia aplanando degrau a degrau com a sua espada numa das mãos enquanto com a outra me segurava braço para que não me desiquilibrasse...A cerimónia, as orações, a alocução para os noivos pelo Sr. Padre Augusto, tudo uma beleza. Lembro-me de olhar para o meu Pai...O peito da sua bonita farda azul, por entre as tais medalhas, parecia cheio de nódoas. Pela sua cara deslisavam ,silenciosas e grossas, lágrimas que me destroçaram, fazendo-me chorar também...
A saudade de um Pai é tecida de malhas muito miudinhas que nunca perdem o seu significado ao longo de qualquer vida, mesmo longa...
1º- O meu Pai é um homem alto e eu, nos seus braços, quase desapareço. Ele usa uma farda acinzentada e está de pé, muito direito, aperta-me com muita força e...soluça.Algumas das suas lágrimas caem sobre o meu cabelo.Dão-nos uma flor que ele põe na minha mão e inclina-se...É a minha mãosita que vai pousar aquela flor sobre um montão de tule branco sob o qual a minha Mãe parece ter adormecido...
2º-O meu Pai espera-me, cá fora, à porta da Faculdade. Eu não me apercebera de que ele estivera lá. Abraçamo-nos, na minha surpresa do encontro. Alguém diz a "graça" do momento: «Aqui temos a nossa doutora!» O meu Pai põe as suas grandes e tranquilizantes mãos sobre os meus dois ombros, olha-me bem de frente e diz, quase para ser só eu a ouvir : «doutora sim,filha, mas nunca esqueças que, primeiro que tudo, és UMA SENHORA »...
3º-Estamos frente ao altar-mor da Igreja. Eu, noiva dos pés à cabeça, por dentro e por fora, toda feliz.Á minha esquerda o meu Pai ,brilhante, na sua farda azul com lindas medalhas no peito, a seu lado a minha Mãe com uma lindíssima capeline preta enfeitada de plumas verdes. Do meu lado direito, o meu adorado noivo, todo nervoso dentro de um fraque que nunca gostou de vestir, e à direita dele o seu irmão e cunhada.Portanto, tudo nos seus lugares para começar a celebração do meu casamento. Era um dia de Junho,muito ventoso e, para subirmos a escada da Igreja, o vento levantava a passadeira que deviamos pisar e o meu Pai ia aplanando degrau a degrau com a sua espada numa das mãos enquanto com a outra me segurava braço para que não me desiquilibrasse...A cerimónia, as orações, a alocução para os noivos pelo Sr. Padre Augusto, tudo uma beleza. Lembro-me de olhar para o meu Pai...O peito da sua bonita farda azul, por entre as tais medalhas, parecia cheio de nódoas. Pela sua cara deslisavam ,silenciosas e grossas, lágrimas que me destroçaram, fazendo-me chorar também...
A saudade de um Pai é tecida de malhas muito miudinhas que nunca perdem o seu significado ao longo de qualquer vida, mesmo longa...
15 março 2009
Depois da tempestade a bonança possível...
Imaginemos que saio desta espécie de túnel negro por onde me têm trazido esta semana as dores nunca antes experimentadas de uma inflamação nas espondilíticas cervicais, que resolveram envolver-me desde os mais recônditos locais da minha cabeça ( nem eu sabia que haveria por ali tanto cantinho para doer ! ) Imaginemos que já estou outra vez de bem com o meu computador e que a minha cabeça já se vai aguentando na posição que ele lhe exige..
Então aqui vou eu pensar ( será que não vai doer? ) neste 3º domingo de quaresma, tão especialmente cheio de interpelações, que chego a crer vir também ele pleno da especial atenção com que o Senhor este ano me atribuiu a minha penitência quaresmal.
Em primeiro lugar, vemo-nos como que acareados com"três" interlocutores diferentes. Muito diferentes mesmoNo Livro do Êxodo, é o Senhor Deus que fala àquela turba humana que acabara de salvar de uma humilhante escravidão e que, vencidos tantos obstáculos só superáveis porque existiu a Sua ajuda,iria agora, eufórica, entregue a si mesma fazer o quê ? Sem "rei nem lei",como se diz, e sem a mínima noção de como se é povo, sem vícios ou fraquezas humanas ( não cobiçarás a casa, nem o boi, nem o criado, nem a mulher do teu vizinho..! ) Bem, o Senhor Deus acaba mesmo criando um código e é com uma certa dureza que tudo faz para que entendam a importância de observá-lo EU SOU UM DEUS CIOSO. castigo a ofensa dos pais nos filhos,netos e bisnetos daqueles que me detestem, mas sou benevolente com os que me amam e guardam os meus mandamentos. E assim aquela massa humana seguiu na procura de um entendimento nada fácil, então. NUNCA, tenho vontade de o dizer agora. Todo este ideal seria realmente uma loucura de Deus ? Surge-nos então o segundo interlocutor, o "apaixonado" São Paulo a lembrar-nos aquela pertinente noção das distâncias que vão de homem para Deus e que estamos constantemente a esquecer.: « o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens e o que é fraqeza de Deus é mais forte...»» Por isso mesmo é que tanto se fala naquela " fúria" de Jesus ( o nosso terceiro interlocutor de hoje ) ,quando,suponho que gritando e esbracejando correu com os vendilhões do Templo. Foi isto uma sua fraqueza ou uma sua força ? Na linha de quanto há dois mil anos era necessário fazer para ser compreendido,terá sido uma força. Para que o"fraco" HOMEM não precisasse, dois mil anos depois ,ainda , de ser lembrado daquilo que todos sabemos lhe falta: a noção de que, cobiçar o boi ou o criado do seu semelhante e ver neles apenas o chorudo possível negócio, fará de si mesmo um " vendilhão" sem alma, sem Amor, que Jesus voltará a expulsar do TEMPLO.E de que a pertença a um povo, e para mais "de Deus",lhe exige discernimento para uma solidariedade / caridade que não se coadunam com qualquer "banca" de vendas no átrio de qualquer templo...
Então aqui vou eu pensar ( será que não vai doer? ) neste 3º domingo de quaresma, tão especialmente cheio de interpelações, que chego a crer vir também ele pleno da especial atenção com que o Senhor este ano me atribuiu a minha penitência quaresmal.
Em primeiro lugar, vemo-nos como que acareados com"três" interlocutores diferentes. Muito diferentes mesmoNo Livro do Êxodo, é o Senhor Deus que fala àquela turba humana que acabara de salvar de uma humilhante escravidão e que, vencidos tantos obstáculos só superáveis porque existiu a Sua ajuda,iria agora, eufórica, entregue a si mesma fazer o quê ? Sem "rei nem lei",como se diz, e sem a mínima noção de como se é povo, sem vícios ou fraquezas humanas ( não cobiçarás a casa, nem o boi, nem o criado, nem a mulher do teu vizinho..! ) Bem, o Senhor Deus acaba mesmo criando um código e é com uma certa dureza que tudo faz para que entendam a importância de observá-lo EU SOU UM DEUS CIOSO. castigo a ofensa dos pais nos filhos,netos e bisnetos daqueles que me detestem, mas sou benevolente com os que me amam e guardam os meus mandamentos. E assim aquela massa humana seguiu na procura de um entendimento nada fácil, então. NUNCA, tenho vontade de o dizer agora. Todo este ideal seria realmente uma loucura de Deus ? Surge-nos então o segundo interlocutor, o "apaixonado" São Paulo a lembrar-nos aquela pertinente noção das distâncias que vão de homem para Deus e que estamos constantemente a esquecer.: « o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens e o que é fraqeza de Deus é mais forte...»» Por isso mesmo é que tanto se fala naquela " fúria" de Jesus ( o nosso terceiro interlocutor de hoje ) ,quando,suponho que gritando e esbracejando correu com os vendilhões do Templo. Foi isto uma sua fraqueza ou uma sua força ? Na linha de quanto há dois mil anos era necessário fazer para ser compreendido,terá sido uma força. Para que o"fraco" HOMEM não precisasse, dois mil anos depois ,ainda , de ser lembrado daquilo que todos sabemos lhe falta: a noção de que, cobiçar o boi ou o criado do seu semelhante e ver neles apenas o chorudo possível negócio, fará de si mesmo um " vendilhão" sem alma, sem Amor, que Jesus voltará a expulsar do TEMPLO.E de que a pertença a um povo, e para mais "de Deus",lhe exige discernimento para uma solidariedade / caridade que não se coadunam com qualquer "banca" de vendas no átrio de qualquer templo...
10 março 2009
SE..
Se...Vou iniciar este meu post por um SE... Foi o2º domingo da quaresma .Quanto me seria grato ter mais uma vez subido ao Monte Tabor e naquela amplidão de vista, naquela leveza de respiração, ter podido ficar à espera de ouvir e ver este é o meu filho muito amado... Mais uma vez não consegui armar a minha tenda. Por isso digo SE. Se Deus quer realmente alguma coisa de mim, estou a ser posta à prova como poucas vezes o tenho sido. No meu físico, muito. No meu espiritual, imenso.
Até aconteceu naquele mais um dia das coisas todas que há, ser o Dia da Mulher.Não tenho muita simpatia por estes dias que separam grupos .Porém este 8 de Março... Fez agora, nesse dia, 32 anos que eu entrei definitivamente na Função Pública voltando costas ás escolas,ao ensino oficial. Comissão Instaladora de algo de onde só viria a sair já reformada... Era de celebrar. Neste dia que me traz um cacho de recordações espantosas, apenas quis o Senhor meu Deus que conseguisse uma lágrima ...ou mais... Se com o Amor as entendeu decerto as aceitou, preito de coisas que só NÓS sabemos...
Até aconteceu naquele mais um dia das coisas todas que há, ser o Dia da Mulher.Não tenho muita simpatia por estes dias que separam grupos .Porém este 8 de Março... Fez agora, nesse dia, 32 anos que eu entrei definitivamente na Função Pública voltando costas ás escolas,ao ensino oficial. Comissão Instaladora de algo de onde só viria a sair já reformada... Era de celebrar. Neste dia que me traz um cacho de recordações espantosas, apenas quis o Senhor meu Deus que conseguisse uma lágrima ...ou mais... Se com o Amor as entendeu decerto as aceitou, preito de coisas que só NÓS sabemos...
01 março 2009
1º Domingo de Quaresma
«Naquele tempo o ESPÍRITO SANTO impeliu Jesus para o deserto » Começamos assim o nosso primeiro Evangelho da Quaresma deste ano. Deste ano tão particularmente comprometido pela mão do Homem, tão desprotegido materialmente, tão desertificado espiritualmente. Creio firmemente que, tal como o fez com o Filho de Deus/ filho do Homem, o Espírito Santo nos está impelindo para o deserto, a nós Homens com quem, até há algum tempo, procurou estabelecer um Arco-Iris, sinal de aliança , como prometeu na hora do Génesis... Resta agora para nós discernir se as tentações a que Jesus esteve sujeito e foi vencendo durante apenas aqueles quarenta dias, tal como o próprio deserto, de que nos conta São Marcos , não serão reduções exponenciais e exemplificativas daquilo para que , vista a quase imperdoabilidade do nosso caso, o Espírito Santo nos esteja a impelir. Será então de pensarmos no que poderemos ainda fazer, nós Homens, para, reaprendida a disciplina moral, penitentes ainda, mas de cara levantada, sairmos por aí a dizer « arrependei-vos e acreditai...» Teremos ainda Coração e Amor bastantes para curar tantas situações de sofrimento ?...
28 fevereiro 2009
Granada e Córdova
Qué hermosa esta granada, Platero! me la ha mandado Aguedilla, escogida de lo mejor de su arroyo de las Monjas. Ninguna fruta me hace passar, como esta, en la frescura del agua que la nutre. Estalla de salud fresca y fuerte. Vamos a comernosla?
Platero, qué grato gusto amargo y seco el de la dificil piel, dura y agarrada como una raiz a la tierra! Ahora el primer dulzor, aurora hecha breve rubí, de los granos que se vienen pegados a la piel. Ahora, Platero, el núcleo apretado, sano, completo, con unos vuelos finos, el esquisito tesoro de amatistas comestibles, jugosas y fuertes, como el corazón de
no sé qué reina joven. Que llena está, Platero! Ten, come. Qué rica! Con qué fruicion se pierden los dientes en la abundante sazón alegre y rija! Espera qué no puedo hablar. Da al gusto una sensación como la del ojo perdido en el laberinto de colores inquietas de un calidoscopio. Se acabó!
Juan Ramon Jimenez — Platero y yo
Platero, qué grato gusto amargo y seco el de la dificil piel, dura y agarrada como una raiz a la tierra! Ahora el primer dulzor, aurora hecha breve rubí, de los granos que se vienen pegados a la piel. Ahora, Platero, el núcleo apretado, sano, completo, con unos vuelos finos, el esquisito tesoro de amatistas comestibles, jugosas y fuertes, como el corazón de
no sé qué reina joven. Que llena está, Platero! Ten, come. Qué rica! Con qué fruicion se pierden los dientes en la abundante sazón alegre y rija! Espera qué no puedo hablar. Da al gusto una sensación como la del ojo perdido en el laberinto de colores inquietas de un calidoscopio. Se acabó![...]
Yo ya no tengo granados, Platero.
[...]
Caía el sol y los granados se incendiaban como ricos tesoros, junto al pozo en sombra que desbarataba la higuera llena de salamanquesas...
[...]
Granada, fruta de Moguer, gala de su escudo! Granadas abiertas al sol grana del ocaso !...
Juan Ramon Jimenez — Platero y yo
A verdade é que não sabia muito bem como começar este meu post. Estive sim quatro dias divididos entre duas belíssimas cidades da Andaluzia, dividida também eu entre o suave estremecimento das recordações avivadas e uma espécie de revolta pelo que o desenvolvimento, o progresso, a modernidade, fizeram ás minhas recordações. Isto é para ser dito e não escrito, e, mesmo dito, deveria ser segredado. Não terei o direito de ser tão egoísta que pretendesse que o mundo parasse para perservar as minhas recordações... Mas se, no local onde, sob as pequenas laranjeiras carregadas de frutos a ponto de perfumarem alguns metros em redor, onde, repito, aí se trocaram ternas promessas de vida a dois e, agora, se lá vai encontrar um novelo de estradas entrecruzadas com um estonteante movimento de carros, fica-se com pena de que o jardim de laranjeiras não possa mais ser uma marca do amor no mundo... Claro que há outros e muitos e mais ainda... As cidades crescem, como as crianças... Estamos um tempo sem vê-las e, quase sem sabermos como, já estão para casar...
Por pensar em crianças, noutra cidade, não na das laranjeiras, lembrei-me de que alguém de quem me enamorei há largos anos tinha nascido quase lá. Esta é a cidade das romãs. E o meu poeta nasceu em Moguer onde, criança mesmo possuia um burrito, seu companheiro e amigo. Daqueles amigos especiais que apenas as crianças têm. Juan Ramon foi muito depois Prémio Nobel de literatura e creio que o seu burrinho prateado, as brisas já mediterrânicas de Moguer e as preciosas romãs terão sido a base sólida do esplendoroso lirismo do seu testemunho de vida. Por isso iniciei com ele este meu post, repassado de Sol andaluz, de perfumes andaluzes, todo ele em clima e alma aquilo que passou por mim como um sopro benfazejo com que, pela mão dos humanos, Deus me quis presentear...
Por pensar em crianças, noutra cidade, não na das laranjeiras, lembrei-me de que alguém de quem me enamorei há largos anos tinha nascido quase lá. Esta é a cidade das romãs. E o meu poeta nasceu em Moguer onde, criança mesmo possuia um burrito, seu companheiro e amigo. Daqueles amigos especiais que apenas as crianças têm. Juan Ramon foi muito depois Prémio Nobel de literatura e creio que o seu burrinho prateado, as brisas já mediterrânicas de Moguer e as preciosas romãs terão sido a base sólida do esplendoroso lirismo do seu testemunho de vida. Por isso iniciei com ele este meu post, repassado de Sol andaluz, de perfumes andaluzes, todo ele em clima e alma aquilo que passou por mim como um sopro benfazejo com que, pela mão dos humanos, Deus me quis presentear... 14 fevereiro 2009
´Camões
...e como duram as velhas paixões!
Parecerá que estou a escrever isto hoje porque a ganância comercial, a certa altura, percebeu que seria proveitoso ir buscar o costume estrangeiro de celebrar um dia dos namorados, na data de hoje. Mas não. Até porque há já alguns dias que ando neste enlevo de reviver uma antiga paixão. Deverei dizer melhor :um velho amor. Porque de paixão a amor vai uma grande diferença, como se sabe. E quem é o eleito, quem será? É CAMÕES.Não sei bem se os LUSÍADAS. Talvez os dois, pois não há um sem o outro. E não é mesmo a LÍRICA que consegue arrebatar-me.
É preciso chegar ao décimo segundo ano do Secundário para que os alunos portugueses retomem o contacto, este já interessado e consciente ,com o maior poeta da sua terra, com o mais belo poema dedicado àqueles que esta terra fizeram SUA. E é preciso, para que isto aconteça, que se veja( o que está entrando pelos olhos ) que a MENSAGEM de Fernando Pessoa é filha de sentimentos paralelos, nunca concorrentes, por estar grávida de intenções intencionalmente e completamente distintas das de Camões ( perdoe-se o "intencional " pleonasmo)Mas os doutos programadores das coisas que os jovens portugueses devem conhecer para cultura futura pensaram ( e bem ) que, nesta étapa dos seus estudos, PESSOA devesse chamar Camões a terreiro... Para amá-lo ? Seria bom, porque quando se ouve pessoas responsáveis reduzirem as suas memórias dos Lusíadas a um "pacote" de enfadonhas "orações", como eu já tenho ouvido, há a obrigação de responder a tal enormidade :«...o coração sujeito e dado ao vício mole se faz e fraco e bem parece que um BAIXO AMOR OS FORTES ENFRAQUECE» sendo que se a «pátria está metida no gosto da cobiça e da RUDEZA» ela não sairá mais de «hua austera, apagada e vil tristeza »
É pois agora a minha oportunidade de tornar conhecido aquele inabalável amor à ditosa pátria, aqui, quase cume da cabeça de Europa toda, e aquele enorme orgulho em pertencer-lhe que faz Camões colocar na boca de outro o seu desejo de voltar de onde estiver, para nela acabar os seus dias. A intensidade de sentimentos, a arte no domínio da língua e, com esta, da frase que estrondeia com a "trombeta castelhana" e estremece de suavidade junto da "formosíssima Maria" ou da "mísera e mesquinha", a abundância da informação científica e de conhecimentos práticos e técnicos, a perspicácia na interpretação das lendas, dos mitos e da História , tudo são
razões para uma admiração tão apaixonada que os portugueses não têm sabido cultivar.
Pudessem os meus alunos veícular este amor até novas gerações e essas a outras e assim por diante !... Porque dura, dura mesmo, esta paixão, quando começa...
Parecerá que estou a escrever isto hoje porque a ganância comercial, a certa altura, percebeu que seria proveitoso ir buscar o costume estrangeiro de celebrar um dia dos namorados, na data de hoje. Mas não. Até porque há já alguns dias que ando neste enlevo de reviver uma antiga paixão. Deverei dizer melhor :um velho amor. Porque de paixão a amor vai uma grande diferença, como se sabe. E quem é o eleito, quem será? É CAMÕES.Não sei bem se os LUSÍADAS. Talvez os dois, pois não há um sem o outro. E não é mesmo a LÍRICA que consegue arrebatar-me.
É preciso chegar ao décimo segundo ano do Secundário para que os alunos portugueses retomem o contacto, este já interessado e consciente ,com o maior poeta da sua terra, com o mais belo poema dedicado àqueles que esta terra fizeram SUA. E é preciso, para que isto aconteça, que se veja( o que está entrando pelos olhos ) que a MENSAGEM de Fernando Pessoa é filha de sentimentos paralelos, nunca concorrentes, por estar grávida de intenções intencionalmente e completamente distintas das de Camões ( perdoe-se o "intencional " pleonasmo)Mas os doutos programadores das coisas que os jovens portugueses devem conhecer para cultura futura pensaram ( e bem ) que, nesta étapa dos seus estudos, PESSOA devesse chamar Camões a terreiro... Para amá-lo ? Seria bom, porque quando se ouve pessoas responsáveis reduzirem as suas memórias dos Lusíadas a um "pacote" de enfadonhas "orações", como eu já tenho ouvido, há a obrigação de responder a tal enormidade :«...o coração sujeito e dado ao vício mole se faz e fraco e bem parece que um BAIXO AMOR OS FORTES ENFRAQUECE» sendo que se a «pátria está metida no gosto da cobiça e da RUDEZA» ela não sairá mais de «hua austera, apagada e vil tristeza »
É pois agora a minha oportunidade de tornar conhecido aquele inabalável amor à ditosa pátria, aqui, quase cume da cabeça de Europa toda, e aquele enorme orgulho em pertencer-lhe que faz Camões colocar na boca de outro o seu desejo de voltar de onde estiver, para nela acabar os seus dias. A intensidade de sentimentos, a arte no domínio da língua e, com esta, da frase que estrondeia com a "trombeta castelhana" e estremece de suavidade junto da "formosíssima Maria" ou da "mísera e mesquinha", a abundância da informação científica e de conhecimentos práticos e técnicos, a perspicácia na interpretação das lendas, dos mitos e da História , tudo são
razões para uma admiração tão apaixonada que os portugueses não têm sabido cultivar.
Pudessem os meus alunos veícular este amor até novas gerações e essas a outras e assim por diante !... Porque dura, dura mesmo, esta paixão, quando começa...
11 fevereiro 2009
Nossa Senhora de Lourdes
Avé Maria pequenina
Salvé Maria menina !
Salvé Maria tão pequenina
que mal ouso aconchegar-me
no teu regaço de luz !
Salvé Maria que Deus chamou
de entre as meninas de Nazaré !
Avé Maria silenciosa,
mesmo naquele SIM da tua fé !
Avé Maria que hás-de guardar-me
agora e sempre
e até naquela hora
em que, contigo, hei-de encontrar JESUS !...
Salvé Maria menina !
Salvé Maria tão pequenina
que mal ouso aconchegar-me
no teu regaço de luz !
Salvé Maria que Deus chamou
de entre as meninas de Nazaré !
Avé Maria silenciosa,
mesmo naquele SIM da tua fé !
Avé Maria que hás-de guardar-me
agora e sempre
e até naquela hora
em que, contigo, hei-de encontrar JESUS !...
07 fevereiro 2009
...também a surpresa.
Ki no Tsurayuki
Poeta japonês, morto em 945- Seculo IX - um dos grandes autores de tanka ( poema de não mais que cinco versos,de uma extrema capacidade de síntese e de uma profunda densidade de expressão dos sentimentos ).
Adaptação de uma tradução francesa de G. Renondeau
On sait bien que du lendemain
Nul d'entre nous n'est sûr,
Mais ce fut avant le soir
Aujourd'hui même qu'une amie
Nous donna tant de chagrin...
Poeta japonês, morto em 945- Seculo IX - um dos grandes autores de tanka ( poema de não mais que cinco versos,de uma extrema capacidade de síntese e de uma profunda densidade de expressão dos sentimentos ).
Adaptação de uma tradução francesa de G. Renondeau
On sait bien que du lendemain
Nul d'entre nous n'est sûr,
Mais ce fut avant le soir
Aujourd'hui même qu'une amie
Nous donna tant de chagrin...
02 fevereiro 2009
Senhora das Candeias
...Se chora, está o Inverno fora; se rir, está para vir.
Esta sabedoria meteorológica de que dependem quase sempre as várias étapas das tarefas rurais, é uma das fontes tradicionais que mais prazer me dá consultar e...usar !
Dia da Senhora das Candeias... Como é que um rasto de luz, tão belo na sua simbologia cristã, chegou até à convicção popular de que a fertilidade da terra se acertaria com as bençãos desta sua presença ou ausência...? « Eu sou a Luz do Mundo »... Somos um povo que o sabe.
Esta sabedoria meteorológica de que dependem quase sempre as várias étapas das tarefas rurais, é uma das fontes tradicionais que mais prazer me dá consultar e...usar !
Dia da Senhora das Candeias... Como é que um rasto de luz, tão belo na sua simbologia cristã, chegou até à convicção popular de que a fertilidade da terra se acertaria com as bençãos desta sua presença ou ausência...? « Eu sou a Luz do Mundo »... Somos um povo que o sabe.
27 janeiro 2009
O Caminho de São Paulo

Vem durando o ano em que a Igreja comemora a Conversão de São Paulo, dando-lhe a designação de Ano Paulino, de que eu nunca gostei. Quanto a mim, haveria outras designações menos frias, mais calorosas para nos fazer entrar "a fundo" no Extra-Ordinário que teve ( e que terá ) o fenómeno da conversão de um ser humano com uma estrutura mental completamente arreigada em princípios não só diferentes, mas opostos, contrários. CONVERSÃO, presupõe uma nova versão do que quer que seja e uma nova versão filosófica,intelectual e até dogmática de uma pessoa não é realmente de se encarar sem um enorme espanto e, posteriormente, um enorme respeito, uma enorme admiração. Daí à Estrada de Damasco só mesmo de mão dada com a nossa Fé... E então este Apóstolo do cara -a- cara, avesso às ruidosas exposições mas incisivo nos actos e até na doçura das palavras, surge-nos tão especial que, da sua acção à sua maneira de falar de Deus, o sentimos calorosamente a nosso lado, em muitas situações nossas, miseravelmente quase paganizadas...
...e a levarem-nos quase à revolta na Fé...
Perguntei hoje a Deus « onde está oTeu amor por nós ? a tua Misericórdia ?»
Aquela AMIGA, Senhor, porque o consentes ?
A nossa dor, Senhor, como a merecemos ? Onde o erro dela? E o nosso ?
E a resposta existiu para minha conformação, para minha meditação.
É o nosso percurso de vida . Será a nossa Estrada de Damasco ...
...e a levarem-nos quase à revolta na Fé...
Perguntei hoje a Deus « onde está oTeu amor por nós ? a tua Misericórdia ?»
Aquela AMIGA, Senhor, porque o consentes ?
A nossa dor, Senhor, como a merecemos ? Onde o erro dela? E o nosso ?
E a resposta existiu para minha conformação, para minha meditação.
É o nosso percurso de vida . Será a nossa Estrada de Damasco ...
24 janeiro 2009
Recordar apenas
Éramos todos jovens, bonitos ( ! ! ! ) e sonhadores. Havia os "mais velhos", cheios de conhecimentos e de algumas experiências, que os "mais novos" admiravam, ouviam e...invejavam ! Quando estes chegaram às universidades os outros já por lá tinham passado a fazer o que eu hoje chamaria o básico mas ainda andavam por lá ou apareciam quando podiam...
E acrescia que, a alguns, nós conhecíamos cá "de fora" porque até as famílias eram amigas...Parece até que o país era mais pequeno, mais provinciano; quase todos se conheciam e mantinham-se relações de sociedade que hoje não vejo cultivarem-se, pelo menos da mesma maneira. Sempre vi em casa de meus Pais haver uns dias certos em que vinham amigos e se jogava o bridge e o mah-jong...
Pois essas "pessoas grandes" tinham filhos dos quais muitos iam cruzar os meus caminhos de estudante e assim se ia tecendo a teia das relações que, de uma maneira ou de outra, passavam a ser as nossas, as dos jovens do meu tempo.
Assim conheci a Stela. Os Pais amigos lá de casa.Aquela filha, muito bonita,mas muito especial... Naquelas idades a nossa diferença parecia muito maior... Dizia-se, dizia-se... e eu já a admirava .
Ela casa pela segunda vez no ano seguinte ao do meu casamento e tinha um filho afilhado de Álvaro Cunhal. Era filho de António Fiadeiro, seu primeiro marido. E uma filha afilhada de Piteira Santos, com quem casou em segundas núpcias e com quem partilhou toda a vida aventurosa dos políticos profundos com os quais sempre se entrosou... Era o" diz-se, diz-se "da sociedade em que nascera e fora criada. Chegámos a falar-nos em ocasiões muito especiais e eu tive oportunidade de dizer-lhe como já a havia invejado e como depois a estimei, a admirei.
No jornal de há dois dias leio a notícia da sua morte . Tinha agora 91 anos . Ambas velhas, só que eu alguma coisa menos.
E indubitavelmente muito menos Vida vivida, muito menos empenho, muito menos coragem...
Stela Correia Ribeiro... Algumas vezes, lá naqueles incríveis claustros da Faculdade, lembras-te ?
E acrescia que, a alguns, nós conhecíamos cá "de fora" porque até as famílias eram amigas...Parece até que o país era mais pequeno, mais provinciano; quase todos se conheciam e mantinham-se relações de sociedade que hoje não vejo cultivarem-se, pelo menos da mesma maneira. Sempre vi em casa de meus Pais haver uns dias certos em que vinham amigos e se jogava o bridge e o mah-jong...
Pois essas "pessoas grandes" tinham filhos dos quais muitos iam cruzar os meus caminhos de estudante e assim se ia tecendo a teia das relações que, de uma maneira ou de outra, passavam a ser as nossas, as dos jovens do meu tempo.
Assim conheci a Stela. Os Pais amigos lá de casa.Aquela filha, muito bonita,mas muito especial... Naquelas idades a nossa diferença parecia muito maior... Dizia-se, dizia-se... e eu já a admirava .
Ela casa pela segunda vez no ano seguinte ao do meu casamento e tinha um filho afilhado de Álvaro Cunhal. Era filho de António Fiadeiro, seu primeiro marido. E uma filha afilhada de Piteira Santos, com quem casou em segundas núpcias e com quem partilhou toda a vida aventurosa dos políticos profundos com os quais sempre se entrosou... Era o" diz-se, diz-se "da sociedade em que nascera e fora criada. Chegámos a falar-nos em ocasiões muito especiais e eu tive oportunidade de dizer-lhe como já a havia invejado e como depois a estimei, a admirei.
No jornal de há dois dias leio a notícia da sua morte . Tinha agora 91 anos . Ambas velhas, só que eu alguma coisa menos.
E indubitavelmente muito menos Vida vivida, muito menos empenho, muito menos coragem...
Stela Correia Ribeiro... Algumas vezes, lá naqueles incríveis claustros da Faculdade, lembras-te ?
18 janeiro 2009
Agualusa e a Língua Portuguesa
Quando Maomé não vai à montanha, lá vai a montanha a Maomé. E muitas vezes,nos dias de agora, é a televisão que coloca a montanha dentro da casa de Maomé...
Assisti, por simples acaso, a uma entrevista dada por José Eduardo Agualusa, autor que aprecio por tantas razões que até o recomendo a alunos não só para prazer de ler, como para fazerem certos trabalhos cujo ponto de partida os professores das Escolas deixam à sua livre escolha.
A entrevista a que assisti cheia de interesse, como se depreenderá, estava encastrada num programa que a RTP preparara para celebrar, louvar, estimular e dar estatuto de espontaneidade, propensão natural da nossa gente para uma multiculturalidade que prove que somos um povo acolhedor e não racista para o que nos terá preparado e dotado a antiquíssima convivência com todos os povos do mundo que então andámos descobrindo. Era uma sala de teatro repleta de convidados de todas as proveniências e raças e que hoje habitam entre nós. E foram-se contando e mostrando exemplos, uns mais bem sucedidos que outros, como é natural, mas todos mostrando o quanto havia de positivo neste convívio português.
E assim surge AGUALUSA um escritor angolano, formado em universidades portuguesas, com vários prémios literários atribuidos em Portugal( lembro-me que um deles foi mesmo o de REVELAÇÃO) e usuário de um português fluente e correcto, uma das valias daquilo que escreve.
Tendo vindo à tona da conversa a dificuldade que é para a aculturação a língua, o português e o impacte que pode vir a ter o Acordo Luso-Brasileiro, AGUALUSA afirma que nada poderá afectar o português que "serve" a multiculturalidade porque verdadeiramente NUNCA foi uma língua estreme, dado que na sua constituição desde muito cedo teve séculos de influências até de línguas africanas ( falando quase "en passant" da presença árabe que é africana, em bom rigor ) e passando logo a falar do brasileiro que é hoje praticamente o único português conhecido no mundo, ilustrando a sua afirmação com uma históriasinha passada consigo e um menino brasileiro... Bem, eu penso que uma conversa assim,não pode ser feita por ignorância da parte de uma pessoa com a responsabilidade de um premiado literário, tão pouco a entrevistadora estava ali para estabelecer contraditórios com os entrevistados, mas a presença de tantos estrangeiros cheios de boa vontade, simpatia e alguns até gratidão para com tudo o que é português, transformou aquelas afirmações num deslize muito desagradável, se não quisermos pensar que foi uma maldadesinha. Se uma língua aparece já em pleno século IX EM DOCUMENTOS NOTARIAIS e em 1198 aparece a famosa Cantiga da Garvaia, como é que só vale a pena falar das influências norte-africanas quando a maior parte do nosso vocabulário já estava constituido ?
Assisti, por simples acaso, a uma entrevista dada por José Eduardo Agualusa, autor que aprecio por tantas razões que até o recomendo a alunos não só para prazer de ler, como para fazerem certos trabalhos cujo ponto de partida os professores das Escolas deixam à sua livre escolha.
A entrevista a que assisti cheia de interesse, como se depreenderá, estava encastrada num programa que a RTP preparara para celebrar, louvar, estimular e dar estatuto de espontaneidade, propensão natural da nossa gente para uma multiculturalidade que prove que somos um povo acolhedor e não racista para o que nos terá preparado e dotado a antiquíssima convivência com todos os povos do mundo que então andámos descobrindo. Era uma sala de teatro repleta de convidados de todas as proveniências e raças e que hoje habitam entre nós. E foram-se contando e mostrando exemplos, uns mais bem sucedidos que outros, como é natural, mas todos mostrando o quanto havia de positivo neste convívio português.
E assim surge AGUALUSA um escritor angolano, formado em universidades portuguesas, com vários prémios literários atribuidos em Portugal( lembro-me que um deles foi mesmo o de REVELAÇÃO) e usuário de um português fluente e correcto, uma das valias daquilo que escreve.
Tendo vindo à tona da conversa a dificuldade que é para a aculturação a língua, o português e o impacte que pode vir a ter o Acordo Luso-Brasileiro, AGUALUSA afirma que nada poderá afectar o português que "serve" a multiculturalidade porque verdadeiramente NUNCA foi uma língua estreme, dado que na sua constituição desde muito cedo teve séculos de influências até de línguas africanas ( falando quase "en passant" da presença árabe que é africana, em bom rigor ) e passando logo a falar do brasileiro que é hoje praticamente o único português conhecido no mundo, ilustrando a sua afirmação com uma históriasinha passada consigo e um menino brasileiro... Bem, eu penso que uma conversa assim,não pode ser feita por ignorância da parte de uma pessoa com a responsabilidade de um premiado literário, tão pouco a entrevistadora estava ali para estabelecer contraditórios com os entrevistados, mas a presença de tantos estrangeiros cheios de boa vontade, simpatia e alguns até gratidão para com tudo o que é português, transformou aquelas afirmações num deslize muito desagradável, se não quisermos pensar que foi uma maldadesinha. Se uma língua aparece já em pleno século IX EM DOCUMENTOS NOTARIAIS e em 1198 aparece a famosa Cantiga da Garvaia, como é que só vale a pena falar das influências norte-africanas quando a maior parte do nosso vocabulário já estava constituido ?
17 janeiro 2009
Miguel Torga
Hoje quero lembrar Miguel Torga. Quereria que ninguém se esquecesse de lembrar Miguel Torga.
Ter um destino é não caber no berço
onde o corpo nasceu.
É transpor as fronteiras uma a uma
e morrer sem nenhuma
Por sintonia de gostos e por simpatia de amigos, foi-me enviada uma completíssima informação sobre TORGA, numa apresentação de PowerPoint a merecer a pesquisa em Google por "Miguel-torga.pps" ou, p. ex., utilizando este link.
Ter um destino é não caber no berço
onde o corpo nasceu.
É transpor as fronteiras uma a uma
e morrer sem nenhuma
Por sintonia de gostos e por simpatia de amigos, foi-me enviada uma completíssima informação sobre TORGA, numa apresentação de PowerPoint a merecer a pesquisa em Google por "Miguel-torga.pps" ou, p. ex., utilizando este link.
15 janeiro 2009
Esperança de Vida
Já nem sei se é a minha disposição demasiado amarga para o que é meu hábito, ou se é a disposição alheia e envolvente, o certo é que ainda não vi à minha volta, nesta primeira quinzena do novo ano, manifestação alguma do prazer de estar vivo, de ter promessas felizes à espera, de alegria, em suma... E vieram os meus jovens alunos, e falaram comigo,se não todos, quase todos os meus amigos e conhecidos, e encontrei antigos conhecimentos com variados percursos já feitos ou ainda a fazê-los, e de nenhum olhar, de nenhuns lábios, eu vi ou ouvi saltar aquela faísca que noutro tempo pegava fogo ao meu próprio entusiasmo...Foi minha a falta ?
Pessoas como eu, são agora chamadas a pensar que já estão vivendo tempo demais... As medidas governamentais vêm lembrar-nos de que não se esperava isto de nós, quando nos permitiram que nos reformássemos... Dizem que nessa altura a chamada esperança de vida era uma e agora é... ...demais ! Que fazer ? Mesmo que não se queira, isto é, no mínimo´desmotivador ! Só há mesmo que olhar à volta e procurar sementes de vida onde encontremos esteios para o que, apesar de tudo, ainda resta em nós de esperança...Diz o velho ditado que a esperança´é a última a morrer. Pois que seja ! Mas como eu preciso da alegria dos outros, meu Deus que me criáste para amar a Vida !...
Pessoas como eu, são agora chamadas a pensar que já estão vivendo tempo demais... As medidas governamentais vêm lembrar-nos de que não se esperava isto de nós, quando nos permitiram que nos reformássemos... Dizem que nessa altura a chamada esperança de vida era uma e agora é... ...demais ! Que fazer ? Mesmo que não se queira, isto é, no mínimo´desmotivador ! Só há mesmo que olhar à volta e procurar sementes de vida onde encontremos esteios para o que, apesar de tudo, ainda resta em nós de esperança...Diz o velho ditado que a esperança´é a última a morrer. Pois que seja ! Mas como eu preciso da alegria dos outros, meu Deus que me criáste para amar a Vida !...
01 janeiro 2009
Ano Novo; que pobreza?
Lindíssimas, todas nos tons deslizantes entre o amarelo torrado e o vermelho-sangue, as flores em braçadas maciças, como sempre, oferecidas por San Remo, lá estavam a emoldurar tudo o que é emoldurável, a sala repleta de um público tão homogénio na sua forma de vestir como na sua forma de reagir à música que lhe é oferecida, como na sua maneira de aplaudir, que chega a dar-nos a impressão de que ficaram lá sentados todos, desde o ano passado e do anterior e do outro ainda anterior e por aí fora...É do Concerto de Ano Novo em Viena que eu estou a falar, ainda sob a impressão fortíssima que ele me deixou uma vez mais, pois acaba de ser transmitido há apenas minutos.A família Strauss com as suas polcas, galopes, marchas e VALSAS, este ano ainda "permitiu" um ou outro compositor, como Hayden,de que me lembro, mas o que fez deste concerto algo de especial foi o maestro. BARENBOIM é um extraordinário intérprete daquilo que certamente os compositores queriam transmitir nas suas obras. Pelo menos é essa a impressão com que se fica quando ele passa de uma alegria esfusiante para um sentimentalismo sussurrante, ou de um ritmo requebrado para uma correria desenfreada, tudo com um tirar da orquestra efeitos absolutamente originais. Provavelmente a minha admiração por Barenboim também estará um pouco marcada pelo que sei que ele tenta fazer em favor de uma paz que a cada dia que passa parece mais impossível.Se israelitas e palestinianos conseguem conviver harmoniosamente numa orquestra que não é a Filarmónica de Viena, mas que ele criou para ser pelo menos tão boa quanto esta, como é que um homem destes não há-de fazer tudo o que pode para conseguir que aqueles dois povos se respeitem e enterrem de uma vez os seus machados de guerra ?
Creio que não haverá ninguém no mundo da boa vontade que não esteja impressionado com o que tem sido o Natal na Palestina, por mais próximo no tempo, mas de um modo geral no mundo da dor que ,ao fim e ao cabo, resulta da cada vez mais densa e opaca pobreza . Hoje, na homilia da missa no Vaticano, sendo este o Dia Mundial da Paz, o Papa fez uma espécie de sistematização das pobrezas que nunca me tinha ocorrido e, com a cabeça cheia da música de Barenboim, acabei relacionando e lamentando certas exibições patenteadas nas múltiplas formas de passagens de ano que a comunicação social lançou em reportagens ou notícias por esse mundo fora. A qual das diferentes pobrezas terá quem possa (ou saiba )que acudir primeiro ?
E eu ?... Vejo -me a abeirar do ano de 2009 cheia de dúvidas e a tentar furiosamente salvaguardar algumas certezas que não deixo que me tirem.
Creio que não haverá ninguém no mundo da boa vontade que não esteja impressionado com o que tem sido o Natal na Palestina, por mais próximo no tempo, mas de um modo geral no mundo da dor que ,ao fim e ao cabo, resulta da cada vez mais densa e opaca pobreza . Hoje, na homilia da missa no Vaticano, sendo este o Dia Mundial da Paz, o Papa fez uma espécie de sistematização das pobrezas que nunca me tinha ocorrido e, com a cabeça cheia da música de Barenboim, acabei relacionando e lamentando certas exibições patenteadas nas múltiplas formas de passagens de ano que a comunicação social lançou em reportagens ou notícias por esse mundo fora. A qual das diferentes pobrezas terá quem possa (ou saiba )que acudir primeiro ?
E eu ?... Vejo -me a abeirar do ano de 2009 cheia de dúvidas e a tentar furiosamente salvaguardar algumas certezas que não deixo que me tirem.
29 dezembro 2008

E pronto ! Estamos a despedir-nos de mais um ano que já festejámos como Novo e agora já é VELHO ! ! !... Como se mais nada houvesse para nos lembrar a precaridade das coisas vivas !
Mas é bom consolarmo-nos, regalarmo-nos mesmo ( os que podemos ), com as doces lembranças do NATAL. Eu fui feliz ! Nâo é muito vulgar poder dizer isto .Mas fui.Estive longe e fora de toda aquela turbulência da Lisboa das notícias, das vaidades, das hipocrisias, das aparências...
Acordava ainda o céu estava violáceo e sobre a água e os seus vales havia espessos blocos de nuvens a esbaterem-se pelas encostas até alcançarem os cimos em transparências variáveis...
Pairava então por cima de tudo e era-me possível sonhar com um paraíso, até que o sol lentamente ia empurrando todas as cores e texturas indefiníveis para deixar tudo azul e límpido. E aí, já a minha alma lavada ia ao encontro da limpidez das amizades...
Quando, na noite de Natal, saímos perto da meia noite e o frio nos chegava aos ossos, era tão límpido o negro do céu, que as estrelas pareciam em relevo, quiçá coladas lá em cima para guarnecer, como os enfeites luminosos com que haviamos debruado e polvilhado a casa e as árvores em redor... Depois a missa, a Fé celebrada em simplicidade. Será lugar-comum mas apetece-me falar de Noite Mágica .Espera-se qualquer coisa...Só no regresso a casa, a deixarmos chegar o sono olhando a dança das labaredas e o crepitar das brasas escarlates da lareira nos foi possível voltar a sentir os pés bem assentes na Terra. Todos aqueles cânticos portugueses ou não que repetimos por esta época se condensaram no tão pacificante noite de paz...que levámos no ouvido ao irmos dormir, nessa e nas outras noites.
Estou pronta agora a deitar fora o Ano Velho. Mas nunca todos os pedaços dele em que um calor de AMIGOS me fez sentir, como agora, feliz e viva ! ! !
Mas é bom consolarmo-nos, regalarmo-nos mesmo ( os que podemos ), com as doces lembranças do NATAL. Eu fui feliz ! Nâo é muito vulgar poder dizer isto .Mas fui.Estive longe e fora de toda aquela turbulência da Lisboa das notícias, das vaidades, das hipocrisias, das aparências...
Acordava ainda o céu estava violáceo e sobre a água e os seus vales havia espessos blocos de nuvens a esbaterem-se pelas encostas até alcançarem os cimos em transparências variáveis...
Pairava então por cima de tudo e era-me possível sonhar com um paraíso, até que o sol lentamente ia empurrando todas as cores e texturas indefiníveis para deixar tudo azul e límpido. E aí, já a minha alma lavada ia ao encontro da limpidez das amizades...
Quando, na noite de Natal, saímos perto da meia noite e o frio nos chegava aos ossos, era tão límpido o negro do céu, que as estrelas pareciam em relevo, quiçá coladas lá em cima para guarnecer, como os enfeites luminosos com que haviamos debruado e polvilhado a casa e as árvores em redor... Depois a missa, a Fé celebrada em simplicidade. Será lugar-comum mas apetece-me falar de Noite Mágica .Espera-se qualquer coisa...Só no regresso a casa, a deixarmos chegar o sono olhando a dança das labaredas e o crepitar das brasas escarlates da lareira nos foi possível voltar a sentir os pés bem assentes na Terra. Todos aqueles cânticos portugueses ou não que repetimos por esta época se condensaram no tão pacificante noite de paz...que levámos no ouvido ao irmos dormir, nessa e nas outras noites.
Estou pronta agora a deitar fora o Ano Velho. Mas nunca todos os pedaços dele em que um calor de AMIGOS me fez sentir, como agora, feliz e viva ! ! !
14 dezembro 2008
Gaudete! nos cem anos da minha professora...
Sem anos com S, sim,
ó minha amiga !...
Está pensando que esqueci
que me ensinou muito mais
que o lugar da letra S
naquela palavra, ali ?
Pois saiba que o C no Cem
me enche de orgulho também...
Só que o S vem aqui
pra dizer que a vejo agora
como há tanto tempo a vi,
minha querida Professora !
Fresca, bonita e tão jovem
que até nem nos fica bem
falar dos anos que tem...
Por isso é que decidi
passar a escrever com S
o CEM que a gente não esquece,
o SEM retrato de SI ! ! ! ...
Ontem, dia 13 de Dezembro, foi o dia de anos da minha professora dos primeiros anos do ensino secundário, a doutora Maria Luciana. E fez CEM ANOS !
Quando a conheci era tão bonita, tão alegre,tão dinâmica, tão elegante, chic em todas as formas de ser, de se apresentar, que gradualmente se foi transformando para todas as alunas no modelo que todas nós sonhámos vir um dia a copiar... Ela tinha uma pequena sociedade com mais dois ou três ex-colegas do seu curso e outros tantos amigos de outros cursos com a qual puderam criar um Colégio em Lisboa e, na Linha de Cascais, ela criou sozinha uma extensão deste Colégio, que eu frequentei com outras meninas e meninos, durante três anos e não mais porque as obrigações de carreira do meu Pai me levaram para outra terra. A doutora Maria Luciana leccionava todas as disciplinas com um fulgor, um entusiasmo, e um tal "savoir faire" que o que com ela aprendemos nunca viemos a esquecer e onde chegávamos sempre nos consideravam muito bem preparados. Nasceu com Ela e entre nós alunos uma cadeia de amizade que nunca "enferrujou. As nossas vidas seguiram os seus rumos e Ela sempre professora. Cada um de nós a fomos sempre contactando, a espaços, e ´dando notícias suas uns aos outros, quando a víamos ou estávamos com Ela. Festejámos-lhe os noventa anos num grande almoço...
E agora chegaram os 100 ! Ela sempre activa, movimentando-se, documentando-se, a recordar-se, a recordar-nos, sempre elegante, bonita na sua idade.
Nunca deixou de acompanhar o que fui fazendo: veio às apresentações de coisas minhas, comentou, estimulou, como sempre o fizera, ainda eu era menina...
É este o porquê do poeminha que lhe ofereci agora.
E já agora, foi o grande tema do meu domingo de hoje.
No período do ADVENTO, este terceiro domingo é aquele que dá pelo nome de Domingo GAUDETE. Por causa da ALEGRIA que principalmente João,no deserto, nos promete para quase já,já...
E não é parte dessa alegria tão nova o festejar-se os Cem Anos de uma pessoa tão especial ?...
ó minha amiga !...
Está pensando que esqueci
que me ensinou muito mais
que o lugar da letra S
naquela palavra, ali ?
Pois saiba que o C no Cem
me enche de orgulho também...
Só que o S vem aqui
pra dizer que a vejo agora
como há tanto tempo a vi,
minha querida Professora !
Fresca, bonita e tão jovem
que até nem nos fica bem
falar dos anos que tem...
Por isso é que decidi
passar a escrever com S
o CEM que a gente não esquece,
o SEM retrato de SI ! ! ! ...
Ontem, dia 13 de Dezembro, foi o dia de anos da minha professora dos primeiros anos do ensino secundário, a doutora Maria Luciana. E fez CEM ANOS !
Quando a conheci era tão bonita, tão alegre,tão dinâmica, tão elegante, chic em todas as formas de ser, de se apresentar, que gradualmente se foi transformando para todas as alunas no modelo que todas nós sonhámos vir um dia a copiar... Ela tinha uma pequena sociedade com mais dois ou três ex-colegas do seu curso e outros tantos amigos de outros cursos com a qual puderam criar um Colégio em Lisboa e, na Linha de Cascais, ela criou sozinha uma extensão deste Colégio, que eu frequentei com outras meninas e meninos, durante três anos e não mais porque as obrigações de carreira do meu Pai me levaram para outra terra. A doutora Maria Luciana leccionava todas as disciplinas com um fulgor, um entusiasmo, e um tal "savoir faire" que o que com ela aprendemos nunca viemos a esquecer e onde chegávamos sempre nos consideravam muito bem preparados. Nasceu com Ela e entre nós alunos uma cadeia de amizade que nunca "enferrujou. As nossas vidas seguiram os seus rumos e Ela sempre professora. Cada um de nós a fomos sempre contactando, a espaços, e ´dando notícias suas uns aos outros, quando a víamos ou estávamos com Ela. Festejámos-lhe os noventa anos num grande almoço...
E agora chegaram os 100 ! Ela sempre activa, movimentando-se, documentando-se, a recordar-se, a recordar-nos, sempre elegante, bonita na sua idade.
Nunca deixou de acompanhar o que fui fazendo: veio às apresentações de coisas minhas, comentou, estimulou, como sempre o fizera, ainda eu era menina...
É este o porquê do poeminha que lhe ofereci agora.
E já agora, foi o grande tema do meu domingo de hoje.
No período do ADVENTO, este terceiro domingo é aquele que dá pelo nome de Domingo GAUDETE. Por causa da ALEGRIA que principalmente João,no deserto, nos promete para quase já,já...
E não é parte dessa alegria tão nova o festejar-se os Cem Anos de uma pessoa tão especial ?...
11 dezembro 2008
Saramago. Os Direitos do Homem
Todo o Homem nasce livre... Todo o Homem tem direito a... Começa dentro deste espírito a mais extraordinária profissão de Fé publicada pelo Homem e que ontem perfazia 60 anos de idade. É também um belíssimo CREDO que a nossa religião nos ensinou a rezar. E nós, que rezamos e cremos, temos todas as dificuldades do mundo em, uns com os outros, fazermos deste código uma coisa viva e activa. Que fadas madrinhas teríamos tido todos para que as mais das vezes nem saibamos bem ao certo explicar a Liberdade ?
Foi também ontem, e nem tudo é por acaso, que pudemos ver a degradação que pode produzir-se em dez anos de vida de um ser humano. Para celebrar Saramago, no dia em que se perfaziam dez anos sobre aquela honorabilíssima sessão em que lhe foi entregue o prémio NOBEL da Literatura, foi apresentado na TV um programa muito bem estruturado que não teve o cariz da clássica entrevista, mas em que o autor deambulava pela sua obra estabelecendo pontes com a sua vida... Muito interessante, mas tão doloroso ! Alquebrado, hipersensível, carente e com as lágrimas a saltarem-lhe não dos olhos, mas da alma... De que somos feitos, meu Deus ? Não há sequer uma única beliscadura na sua inteligência, nos seus raciocínios, na sua coerência... Mas o corpo mostra bem todo o "uso" que à doença se não conseguiu furtar. Penso ainda que o reconhecimento tão nítido da dor como ele teve( e tem ), vai também corroendo o corpo, por misteriosas vias que ainda não conhecemos...
Quem dera fosse esta uma das Liberdades a que todos tivéssemos também direito !
Foi também ontem, e nem tudo é por acaso, que pudemos ver a degradação que pode produzir-se em dez anos de vida de um ser humano. Para celebrar Saramago, no dia em que se perfaziam dez anos sobre aquela honorabilíssima sessão em que lhe foi entregue o prémio NOBEL da Literatura, foi apresentado na TV um programa muito bem estruturado que não teve o cariz da clássica entrevista, mas em que o autor deambulava pela sua obra estabelecendo pontes com a sua vida... Muito interessante, mas tão doloroso ! Alquebrado, hipersensível, carente e com as lágrimas a saltarem-lhe não dos olhos, mas da alma... De que somos feitos, meu Deus ? Não há sequer uma única beliscadura na sua inteligência, nos seus raciocínios, na sua coerência... Mas o corpo mostra bem todo o "uso" que à doença se não conseguiu furtar. Penso ainda que o reconhecimento tão nítido da dor como ele teve( e tem ), vai também corroendo o corpo, por misteriosas vias que ainda não conhecemos...
Quem dera fosse esta uma das Liberdades a que todos tivéssemos também direito !
06 dezembro 2008
Grupos e solistas - músicas novas
É impossível não reportar ao Natal todas as coisas em que nos vamos envolvendo por esta época, de tal maneira ela é marcante na nossa vida de cristãos. Mas infelizmente - principalmente( não, não é escorregadela gramatical, é intencional ) porque é insistentíssima a pressão exercida sobre nós pela propaganda comercial através de todo e qualquer meio de comunicação social, de todo e qualquer meio, diria mesmo. E assim acontece que façamos nós o que fizermos, comer, beber, lavar, vestir, calçar, encontrar amigos, arranjar a casa e por aí fora, sempre nos surge a sugestão de não esquecer a época, trazida pelas maneiras mais inesperadas e tentando arrastar-nos para as mais inesperadas manifestações de uma alegria que não tem nenhuma correspondência afectiva ou emocional.No meu último post deste blog eu estava até demasiado amarga, por causa disto. Mas, a verdade é que estou cá e não posso ou não sei fugir da onda. Como pensei em comprar para oferecer alguma música, lembrei-me de me actualizar ouvindo e vendo um programa na TV que me disseram fazer semanalmente a recensão das últimas novidades, apresentando um pouco do seu aspecto e relativizando o valor que umas e outras têm.
Vi e até foi uma óptima ajuda. O que fiquei foi impressionada com as espantosas formas de se apresentarem de alguns daqueles intérpretes. Pareceu-me que quanto mais célebres, mais horrorosamente trajados e pintados e penteados gostam de se mostrar... Tendo a idade que tenho, assisti ao aparecimento dos BEATLES pelos quais fui logo cativada e lembro-me bem do azedume com que as pessoas mais velhas falavam das suas cabeleiras...Que diriam se vissem agora alguns bandos de esfarrapados ou semi-nus com umas cabeças envoltas numas massas para as quais só acho bom o termo francês tignasse? Felizmente que nem todos iam por esses lados nas suas formas de afirmação ! Por exemplo: uma lindíssima Fátima Guerreiro, usando um belo vestido preto e enfeitada com aqueles famosos ouros das raparigas de Viana do Castelo.Que bonito tudo ! A sua voz, o Fado, tudo... Que nunca fui uma grande apreciadora de fados ! No entanto até verifico que o Fado que cantam agora é mais poesia cantada do que outra coisa.
É bom que a informação sirva mesmo para nos informar.
Vi e até foi uma óptima ajuda. O que fiquei foi impressionada com as espantosas formas de se apresentarem de alguns daqueles intérpretes. Pareceu-me que quanto mais célebres, mais horrorosamente trajados e pintados e penteados gostam de se mostrar... Tendo a idade que tenho, assisti ao aparecimento dos BEATLES pelos quais fui logo cativada e lembro-me bem do azedume com que as pessoas mais velhas falavam das suas cabeleiras...Que diriam se vissem agora alguns bandos de esfarrapados ou semi-nus com umas cabeças envoltas numas massas para as quais só acho bom o termo francês tignasse? Felizmente que nem todos iam por esses lados nas suas formas de afirmação ! Por exemplo: uma lindíssima Fátima Guerreiro, usando um belo vestido preto e enfeitada com aqueles famosos ouros das raparigas de Viana do Castelo.Que bonito tudo ! A sua voz, o Fado, tudo... Que nunca fui uma grande apreciadora de fados ! No entanto até verifico que o Fado que cantam agora é mais poesia cantada do que outra coisa.
É bom que a informação sirva mesmo para nos informar.
30 novembro 2008
Natal- preparativos
Paro aqui e agora para descansar um pouquinho da minha outra escrita mais densa e um tanto ou quanto enervante, vá-se lá saber porquê...Há talvez já uma semana que as nossas vidas, de todos, grandes e pequenos, mulheres e homens, entraram em aceleração e isto é uma coisa que me irrita e que me incomoda. Porque todos os anos digo a mim mesma que nunca mais caio nesta e afinal lá me vejo eu arrastada na enxurrada das combinações, das exigências, das datas concorrentes ou coincidentes, das coisas que é preciso fazer... A minha máquina de lavar a roupa, quando está quase a encerrar o programa, põe-se a fazer um enorme barulho surdo e a acelerar as rotações estremecendo toda ela violentamente. Não é problema nenhum, já mo disseram mais do que um técnico: é feitio dela ! ! ! Ora eu comparo- me a ela . Resmungo, canso-me, desorganizo-me tanto que, se paro ... até rio de mim mesma. Porqe me lembro da máquina...
E então é tudo isto porque aí vem a época do ano mais louca em despesismo, não despesismo só de compras, mas de convites, de encontros, de espectáculos, de visitas...Tudo, tudo o que o ser humano é capaz de inventar só para mostrar( e até acreditar) que não está só e que o rumorejar do mundo à sua volta é a melhor desculpa para que se não encontre a sós com ele próprio o que seria afinal a melhor coisa que a época doNATAL poderia proporcionar a todos nós, uma vez que comemora o início de uma cultura judaico-cristã que nos veio dar a noção de que, sendo humanos, temos a maior das dignidades, por também sermos divinos... e que isso nos dá deveres de outra ordem.
Estou já a ouvir daqui os arautos da solidariedade, os amigos dos pobresinhos, sem abrigos, sem roupas, sem brinquedos, sem comida, e estou a pensar neles ,nas suas férias na Tailândia ou em Cancun mesmo que a época seja de trabalho para todos,nos queijos que só comem se forem de certo país ou nos vinhos que só bebem se, se, se... ou nas roupas que só aguentam se, se, se...
Como aguentaria ele, ser humano, perder um oportunidade destas para se mostrar e ser visto?
Não querendo entrar por aí ( que até é por onde vou tendo também amigos) volto `a minha ideia inicial sobre a acumulação de solicitações todas guardadas para esta época, porque ( é sabido desde o antigamente), ISSO tem que ver com a calculada maior abundância financeira ( os subsídios) e a maior predisposição de cada um para fazer gastos extraordinários. Claro que há lindíssimos espectáculos, os do La Feria, o Quebra Nozes,os modernos bonecos da tv transformados em personagens vivos e no gelo, os excelentes concertos das paróquias, e tantos outros de revisão e de saudade! Por exemplo, o do Carlos do Carmo...Este a provocar-me até um tão grande nó na garganta,pela recordação de certos momentos !.Éramos todos tão novos e ainda tão crentes nos poetas e nos sonhos !... É também agora a grande época das colheitas em Literatura. Multiplicam-se as "apresentações"do que foi sendo "cultivado" durante todo um ano, ou mais, qual delas com o apresentador mais "in", no momento, e com os mais originais complementos ,visando um marketing mais insinuante. E faz pena tanto acessório, porque os livros são até bons e actualmente muito bonitos, coisa que até há pouco tempo não preocupava muito autores ou editores.
Mas há, no meio de tudo isto, algumas coisas realmente novas, simples e alegres.Os anúncios televisivos , acabaram por vencer-nos e passámos a aceitá-los como um mal necessário, sendo quase todos de uma insensatês ou de um mau gosto desesperantes. Pois não é que surge agora um anúncio de telemóveis muito bem disfarçado e que, para meu gosto, é um verdadeiro achado de originalidade ? fala de meias,uma rosácea feita de peúgas coloridas, às riscas em todas as cores do arco-iris, agitadas num movimento delirante...Uma alegria para os olhos ! E, é claro, aparece com um pedido às avós para não oferecerem mais meias, neste Natal, em favor do tal telemóvel... Recordo um primo meu, hoje já avô, naturalmente, que, quando lhe perguntavam que prenda ele queria, nos seus cinco anos, ele respondia :_ " Roupinha, não; roupinha não ! " E sorrio com a recordação... Agora, ele teria de certo gostado mais desta "roupinha" do que do cinzentão e indiscreto telemóvel...Quem sabe ?...
Tantas e tão desviantes abordagens a uma época que desde sempre idealizei de simplicidade, amor discreto, esperança e confiança no " outro" como partes estruturantes da nossa dignidade ,daquela que depreendo quando leio no GÉNESIS, creio que no sexto dia da criação, façamos o Homem à nossa imagem e semelhança...E tudo então parecia que iria ser bom... Contudo, sempre, mais do que nunca, agora,temos visto o predomínio do ter e a frustração da minha, da nossa derrota no ser...
Vamos sempre cedendo à fraqueza, ao desânimo, ao cansaço ou à incapacidade... Mas seguimos.
Ainda acreditamos no Pai Natal , brincam connosco.Este senhor nórdico impôs-se e,como a muitas outras coisas, fomos tendo que aceitá-lo. Sabemos quem ele é, ele sabe quem nós somos, nada mais. Assim, à custa de tantas mixagens e de tanta mea culpa lá vamos chegando ao NATAL, ao que é muito nosso, de cada um de nós, e só cada um de nós é que sabe disso !!!
E então é tudo isto porque aí vem a época do ano mais louca em despesismo, não despesismo só de compras, mas de convites, de encontros, de espectáculos, de visitas...Tudo, tudo o que o ser humano é capaz de inventar só para mostrar( e até acreditar) que não está só e que o rumorejar do mundo à sua volta é a melhor desculpa para que se não encontre a sós com ele próprio o que seria afinal a melhor coisa que a época doNATAL poderia proporcionar a todos nós, uma vez que comemora o início de uma cultura judaico-cristã que nos veio dar a noção de que, sendo humanos, temos a maior das dignidades, por também sermos divinos... e que isso nos dá deveres de outra ordem.
Estou já a ouvir daqui os arautos da solidariedade, os amigos dos pobresinhos, sem abrigos, sem roupas, sem brinquedos, sem comida, e estou a pensar neles ,nas suas férias na Tailândia ou em Cancun mesmo que a época seja de trabalho para todos,nos queijos que só comem se forem de certo país ou nos vinhos que só bebem se, se, se... ou nas roupas que só aguentam se, se, se...
Como aguentaria ele, ser humano, perder um oportunidade destas para se mostrar e ser visto?
Não querendo entrar por aí ( que até é por onde vou tendo também amigos) volto `a minha ideia inicial sobre a acumulação de solicitações todas guardadas para esta época, porque ( é sabido desde o antigamente), ISSO tem que ver com a calculada maior abundância financeira ( os subsídios) e a maior predisposição de cada um para fazer gastos extraordinários. Claro que há lindíssimos espectáculos, os do La Feria, o Quebra Nozes,os modernos bonecos da tv transformados em personagens vivos e no gelo, os excelentes concertos das paróquias, e tantos outros de revisão e de saudade! Por exemplo, o do Carlos do Carmo...Este a provocar-me até um tão grande nó na garganta,pela recordação de certos momentos !.Éramos todos tão novos e ainda tão crentes nos poetas e nos sonhos !... É também agora a grande época das colheitas em Literatura. Multiplicam-se as "apresentações"do que foi sendo "cultivado" durante todo um ano, ou mais, qual delas com o apresentador mais "in", no momento, e com os mais originais complementos ,visando um marketing mais insinuante. E faz pena tanto acessório, porque os livros são até bons e actualmente muito bonitos, coisa que até há pouco tempo não preocupava muito autores ou editores.
Mas há, no meio de tudo isto, algumas coisas realmente novas, simples e alegres.Os anúncios televisivos , acabaram por vencer-nos e passámos a aceitá-los como um mal necessário, sendo quase todos de uma insensatês ou de um mau gosto desesperantes. Pois não é que surge agora um anúncio de telemóveis muito bem disfarçado e que, para meu gosto, é um verdadeiro achado de originalidade ? fala de meias,uma rosácea feita de peúgas coloridas, às riscas em todas as cores do arco-iris, agitadas num movimento delirante...Uma alegria para os olhos ! E, é claro, aparece com um pedido às avós para não oferecerem mais meias, neste Natal, em favor do tal telemóvel... Recordo um primo meu, hoje já avô, naturalmente, que, quando lhe perguntavam que prenda ele queria, nos seus cinco anos, ele respondia :_ " Roupinha, não; roupinha não ! " E sorrio com a recordação... Agora, ele teria de certo gostado mais desta "roupinha" do que do cinzentão e indiscreto telemóvel...Quem sabe ?...
Tantas e tão desviantes abordagens a uma época que desde sempre idealizei de simplicidade, amor discreto, esperança e confiança no " outro" como partes estruturantes da nossa dignidade ,daquela que depreendo quando leio no GÉNESIS, creio que no sexto dia da criação, façamos o Homem à nossa imagem e semelhança...E tudo então parecia que iria ser bom... Contudo, sempre, mais do que nunca, agora,temos visto o predomínio do ter e a frustração da minha, da nossa derrota no ser...
Vamos sempre cedendo à fraqueza, ao desânimo, ao cansaço ou à incapacidade... Mas seguimos.
Ainda acreditamos no Pai Natal , brincam connosco.Este senhor nórdico impôs-se e,como a muitas outras coisas, fomos tendo que aceitá-lo. Sabemos quem ele é, ele sabe quem nós somos, nada mais. Assim, à custa de tantas mixagens e de tanta mea culpa lá vamos chegando ao NATAL, ao que é muito nosso, de cada um de nós, e só cada um de nós é que sabe disso !!!
23 novembro 2008
ADVENTO 2007/2008
Tanta coisa acontece nos trezentos e tal dias de um ano e afinal nós não mudamos quase nada por causa disso ! Misterioso é como é que envelhecemos ! Quando se é mais novo, diz-se que crescemos mas, ao reconhecermos que muitas das nossas atitudes durante o ano vivido, até poderiam classificar-se de imaturas porque sempre tão iguais a outras anteriores , essa ideia de mais valia para nós fornecida pelo binómio acontecimentos / consequente aprendizagem de Vida, fica seriamente desacreditada .De Advento a Advento,o que mudou para mim?
Fiz mais um ano, graças a uma terapeuta chamada CATARINA ,tenho menos dores nuns sítios, mas vão-me aparecendo outras noutros sítios, dei as minhas lições a um mesmo número de alunos, tive o mesmo apoio logístico da "minha" Valentina, às vezes assessorada pela Natália que conheço há bem mil anos, privei com os meus amigos com as frequências habituais...Tive uma ou duas revelações surpreendentes, ´pelas quais, também surpreendentemente, ainda tive uma ou duas lágrimas para chorar ( as tais imaturidades ), Li muito, li tudo ( será que isto se pode dizer ?) , escrevi muito mas não escrevi tudo...ainda... Vi muito e sei que não se pode pensar ter visto tudo...
E também rezei muito...E nunca se reza tudo. Tudo...Mas o que será rezar tudo? Alguém o sabe? Tudo isto só para dizer que POSSO e quero repetir hoje aqui tudo, mas absolutamente tudo, o que escrevi precisamente no dia 24 de Novembro de 2007.
Apenas acrescentaria esta forma de oração de ADVENTO
Senhor ! Estás chegando ?
Dizem-me que virás
E alvoraça-me a tua espera...
Quando, quando será ?
Por agora só sei
que virás como um Rei
a transformar as Dores em alegrias
e a colocar a Paz
aonde há Guerra...
Disse-mo um ISAÍAS
que em teu nome nos diz
o que dirias
se o teu Reino de AMOR
fosse na Terra, já...
SENHOR!
Quando, quando será ?...
Fiz mais um ano, graças a uma terapeuta chamada CATARINA ,tenho menos dores nuns sítios, mas vão-me aparecendo outras noutros sítios, dei as minhas lições a um mesmo número de alunos, tive o mesmo apoio logístico da "minha" Valentina, às vezes assessorada pela Natália que conheço há bem mil anos, privei com os meus amigos com as frequências habituais...Tive uma ou duas revelações surpreendentes, ´pelas quais, também surpreendentemente, ainda tive uma ou duas lágrimas para chorar ( as tais imaturidades ), Li muito, li tudo ( será que isto se pode dizer ?) , escrevi muito mas não escrevi tudo...ainda... Vi muito e sei que não se pode pensar ter visto tudo...
E também rezei muito...E nunca se reza tudo. Tudo...Mas o que será rezar tudo? Alguém o sabe? Tudo isto só para dizer que POSSO e quero repetir hoje aqui tudo, mas absolutamente tudo, o que escrevi precisamente no dia 24 de Novembro de 2007.
Apenas acrescentaria esta forma de oração de ADVENTO
Senhor ! Estás chegando ?
Dizem-me que virás
E alvoraça-me a tua espera...
Quando, quando será ?
Por agora só sei
que virás como um Rei
a transformar as Dores em alegrias
e a colocar a Paz
aonde há Guerra...
Disse-mo um ISAÍAS
que em teu nome nos diz
o que dirias
se o teu Reino de AMOR
fosse na Terra, já...
SENHOR!
Quando, quando será ?...
16 novembro 2008
...nós não somos das trevas !
Na sua carta aos de Tessalónica dizia hoje São Paulo : Nós não somos da noite nem das trevas.
E como depois, São Mateus desenvolvia no seu Evangelho, a tão conhecida parábola dos TALENTOS, parece-me ser de liminar evidência que nós, os cristãos, temos, no mínimo, a obrigação de fazer bem feito e de uma maneira transparente aquilo para que fomos dotados. E o fazer bem feito conterá sempre em si uma enorme percentagem de utilidade, rendibilidade, para ter alguma razão de existir. Se assim não for, então seremos como aquele, dos três, a quem a insegurança e o medo de falhar, levaram à opção de cruzar os braços e esperar.
Mais uma vez sou levada a reconhecer que não é fácil retirar o ensinamento correcto dos conceitos expostos nos Evangelhos. Quantas vezes a argumentação do evangelista me tem levado por caminhos de que mais tarde percebo dever retroceder ! Mas hoje foi mesmo São Paulo que me veio elucidar.
Quanto burburinho, quanta perturbação temos vindo a viver ultimamente sobre o fazer ou não fazer, bem ou mal feito, algumas coisas que só algumas ou mesmo nemhumas pessoas sabem fazer ! Como é que não se percebe que não podemos ser das trevas ?...
E como depois, São Mateus desenvolvia no seu Evangelho, a tão conhecida parábola dos TALENTOS, parece-me ser de liminar evidência que nós, os cristãos, temos, no mínimo, a obrigação de fazer bem feito e de uma maneira transparente aquilo para que fomos dotados. E o fazer bem feito conterá sempre em si uma enorme percentagem de utilidade, rendibilidade, para ter alguma razão de existir. Se assim não for, então seremos como aquele, dos três, a quem a insegurança e o medo de falhar, levaram à opção de cruzar os braços e esperar.
Mais uma vez sou levada a reconhecer que não é fácil retirar o ensinamento correcto dos conceitos expostos nos Evangelhos. Quantas vezes a argumentação do evangelista me tem levado por caminhos de que mais tarde percebo dever retroceder ! Mas hoje foi mesmo São Paulo que me veio elucidar.
Quanto burburinho, quanta perturbação temos vindo a viver ultimamente sobre o fazer ou não fazer, bem ou mal feito, algumas coisas que só algumas ou mesmo nemhumas pessoas sabem fazer ! Como é que não se percebe que não podemos ser das trevas ?...
08 novembro 2008
Uma bela manhã
Há manhãs e manhãs. Aquela em que a primeira notícia que ouvi no meu pequeno rádio de cabeceira, foi a confirmação e os ruidos da apoteose da eleição do novo presidente da AMÉRICA, foi uma daquelas manhãs positivas em que nos apetece dizer, como aprendemos com ele, yes, we can. Não posso dizer que acompanhei as várias fases da campanha, mas sempre que ouvi e vi aquele homem, tão jovem ainda, tão exposto (sentia sempre uma espécie de arrepio porque me lembrava de Luther King ), a transmitir-nos aquela imagem de força sorridente e feliz, aquela confiança nas possibilidades suas e de todos nós, ficava bem disposta, parecia até sentir-me mais nova, mais capaz...Era assim como uma indução de energia que nos permitia voltar a ter algumas esperanças... Lembrei-me então, e já o disse a alguém, de uma frase que se gravou na minha memória, pelo 11 de Setembro, escrita no Le Monde : aujourd'hui nous sommes tous des américains. Aí unia-nos a dor, o horror, o dó, a indignação e até o medo. Pois agora une-nos, acima de tudo um extremo cansaço de todo o inesperável em que as políticas de alguns políticos transformaram este nosso mundo e esta nossa vida que é única ,sem sequer pensarem que lamentavelmente,nós , os mais velhos, não temos já tempo para "viver" outra melhor... Mas o jovem O'BHAMA , mesmo reconhecendo a realidade, ainda conseguiu fazer renascer a nossa esperança, fazer reavivar todas as forças humanistas, se calhar irmãs daquelas que once upon a time levaram os inexperientes navegadores para os mares desconhecidos...Ele veio fazer o Mundo acreditar de novo em todas as capacidades do Homem, porque mostra que ele é o primeiro a acreditar e desta vez não vai ser para o desconhecido que este novo Humanismo vai atrair os modernos desbravadores... Foi num bonito discurso de assunção da nova função que completou a sua acção de fascínio sobre nós todos. Ouvi-o na televisão já pela hora do almoço... Decididamente esta fora uma bela manhã ! ! !...
02 novembro 2008
Datas

As datas ! As datas e a sua pressão sobre a nossa memória...sobre as nossas recordações ! E a nossa subserviência... Porquê ainda ?
Afectos, gratidões, afinidades, encontros e desencontros, dias felizes, dias sofridos, perdas, achados ...e o amor, os amores ... saudade sempre ! ! !
E foi o 31 de Outubro , e foi o 1 de Novembro, e é o 2 de Novembro... Cada um, sua borbulhante preia-mar a esparzir-se sobre a secura de tantos, tantos, areais que se julgam desertos...
Reza-se, claro. Que seria de nós sem aquela certeza de que algures... ... Um dia... ou hoje, hoje mesmo , a nossa recordação encontra eco onde talvez «memória desta vida se consente »...
Com uma enorme braçada de crisântemos vamos sem bem saber a quais, aonde, porque as lágrimas que procuramos reter nos não deixam ver bem. preferenciar caminhos...
26 outubro 2008
26 de Outubro

Era preciso que eu fosse
múltipla, imensa
e pudesse
viver mais completamenie
cada hora recebida!
Era preciso que houvesse
mais vida pra ser vivida...
Mais surpresas
mais promessas
mais tentações
e mais luz...
... e que, inteira, eu me perdesse
na magia dos instantes
sempre plenos e diversos...
Era preciso que eu desse
mais de mim mesma
e ficasse
mais sossegada em seguida...
... mais saciada de Vida!...
Do meu livro OFERTA
múltipla, imensa
e pudesse
viver mais completamenie
cada hora recebida!
Era preciso que houvesse
mais vida pra ser vivida...
Mais surpresas
mais promessas
mais tentações
e mais luz...
... e que, inteira, eu me perdesse
na magia dos instantes
sempre plenos e diversos...
Era preciso que eu desse
mais de mim mesma
e ficasse
mais sossegada em seguida...
... mais saciada de Vida!...
Do meu livro OFERTA
25 outubro 2008
25deOutubro de 1147
LISBOA TEJO E TUDO...
Lisboa cravo e maresia
Lisboa meu nevoeiro,
crista da onda onde um dia
meu coração foi veleiro ! ...
Lisboa à beira da barra,
Lisboa à beira de mim.
Meu rio, barco e amarra...
Ida e volta, meu sem-fim...
Do meu livro SINESTESIAS
Lisboa cravo e maresia
Lisboa meu nevoeiro,
crista da onda onde um dia
meu coração foi veleiro ! ...
Lisboa à beira da barra,
Lisboa à beira de mim.
Meu rio, barco e amarra...
Ida e volta, meu sem-fim...
Do meu livro SINESTESIAS
21 outubro 2008
Os grandes eventos

Já passaram dois dias sobre aquele tempestuoso sábado em que dois acontecimentos interessantes solicitavam a minha presença e entre os quais teria forçosamente que fazer escolhas, mas quero registá-los porque, curiosamente, um pouco de mim estava intimamente ligado a eles.
Primeiro : Encerramento da exposição Maria Callas.
Esta exposição abrira, se não me engano, em Junho e comemorava os 50 anos sobre a apresentação, no São Carlos, da Traviata, cantada pela grande Callas.
E aconteceu que, 50 anos atrás, eu ainda não era viúva e o meu marido, por inerência da sua profissão, esteve sempre em contacto com o senhor Meneghini, marido da cantora, nessa época, e com os outros acompanhantes dela, durante os dias da sua estada em Lisboa. Pensando a empresa que devia ser gentil, em termos femininos, com uma tão importante personagem e não tendo nos seus quadros ninguém que o fizesse como queriam, vieram pedir-me que fosse eu a fazer o que se chama as honras da casa à Callas, caso isso não me desagradasse muito... Naquela minha idade de então, como é que poderia desagradar-me tal missão ? Ela era uma ESTRELA mundial e eu ia ter a sorte de privar com tal "monstro" do grande espectáculo que aliás eu frequentava, sendo associada de um clube juvenil de música clássica. Foi portanto no ocorrer desse agradabilíssimo convívio que fomos vistas por muitos jornalistas, não tão "febris" e excitados como os de agora, mas presentes. Passados 50 anos, mostra-se a Lisboa a memória da bela mulher que ela era, dos seus lindos vestidos e adereços, do seu brilho, tão apaixonado e tão apaixonante na Lisboa dessa época. E não é que ali aparece uma jovem senhora junto dela que só eu sei que sou eu mesma ? Para mim, foi, maior que a surpresa, a emoção. Guardo agora com carinho a fotografia que estava à venda na Exposição e de cuja existência eu nem podia suspeitar.
Segundo: Concerto do grupo PEREGRINAÇÃO em São Roque
E aconteceu que, 50 anos atrás, eu ainda não era viúva e o meu marido, por inerência da sua profissão, esteve sempre em contacto com o senhor Meneghini, marido da cantora, nessa época, e com os outros acompanhantes dela, durante os dias da sua estada em Lisboa. Pensando a empresa que devia ser gentil, em termos femininos, com uma tão importante personagem e não tendo nos seus quadros ninguém que o fizesse como queriam, vieram pedir-me que fosse eu a fazer o que se chama as honras da casa à Callas, caso isso não me desagradasse muito... Naquela minha idade de então, como é que poderia desagradar-me tal missão ? Ela era uma ESTRELA mundial e eu ia ter a sorte de privar com tal "monstro" do grande espectáculo que aliás eu frequentava, sendo associada de um clube juvenil de música clássica. Foi portanto no ocorrer desse agradabilíssimo convívio que fomos vistas por muitos jornalistas, não tão "febris" e excitados como os de agora, mas presentes. Passados 50 anos, mostra-se a Lisboa a memória da bela mulher que ela era, dos seus lindos vestidos e adereços, do seu brilho, tão apaixonado e tão apaixonante na Lisboa dessa época. E não é que ali aparece uma jovem senhora junto dela que só eu sei que sou eu mesma ? Para mim, foi, maior que a surpresa, a emoção. Guardo agora com carinho a fotografia que estava à venda na Exposição e de cuja existência eu nem podia suspeitar.
Segundo: Concerto do grupo PEREGRINAÇÃO em São Roque
A minha aluna Margarida cujo amor pela música a não deixa desanimar nunca das suas aulas e ensaios no Conservatório, apesar da carga horária enorme a que isto a obriga junto com o seu 12.º ano, está fazendo uma verdadeira peregrinação de concertos, uns de fim de tarde, outros de noite, concertos que a maestrina criadora deste grupo coral vai programando. Trabalham com afinco as peças corais de música antiga, de música religiosa e de música tradicional e têm feito apresentações no estrangeiro, sendo que, para o presente ano lectivo, existe uma não confirmada e muito desejada deslocação à Rússia. Verifico que, com o seu tão grande brio profissional, para a Margarida, cada novo concerto tem o cariz de mais um teste através do qual ela se avalia a si própria. Por isso mesmo lhe interessa também ouvir opiniões de pessoas em cuja isenção ela confia. E São Roque parece ter sido uma boa prova, apesar da tempestade cá fora poder ter tido um efeito desmotivador, o que não aconteceu.
Quero ainda registar aqui um acontecimento ocorrido, não nesse tempestuoso sábado, mas no lindíssimo dia de domingo com que a natureza entendeu presentear-nos para compensar os estragos do dia anterior. E, sem muito ter que ver com a Natureza, mas sim com a disposição alegre que ela nos deu, foi o lançamento do primeiro livro do meu amigo Padre Lázaro Messias – Para uma Teologia Africana. A apresentação foi feita pelo ilustre professor da Universidade Católica e da Faculdade de Letras de Lisboa, Dr. José Eduardo Franco e creio que podemos dizer que terá tido as bençãos do Prior da nossa Paróquia, Monsenhor Victor Feytor Pinto, dado que foi ele quem falou sobre o Padre Lázaro da maneira como só ele o sabe fazer. Esta apresentação deixa-me feliz porque a considero mais um degrau vencido na trabalhosa caminhada do Padre Lázaro, a qual tenho acompanhado com muito interesse e admiração. E como é bom ver os amigos compensados da sua enorme entrega aos seus trabalhos !
18 outubro 2008
Tempestade
É uma perfeitíssima onomatopeia a palavra ribombar !
Pouco depois de termos almoçado, um acastelado de nuvens de vários tons de cinzento atirou-se a outros mais que andavam um pouco desnorteados por estes céus e, oh deuses das tempestades !, ribombou estrondosamente sobre as nossas cabeças, desfazendo-se imediatamente e sem aviso numa chuva de granizo, a maior que já me foi dado ver... Eram pequenos ovinhos de codorniz a despenhar-se furiosamente contra as nossas vidraças e a cobrir, num abrir e fechar de olhos, o asfalto da avenida, os capots dos automóveis, os toldos e carreiros dos jardins, os vasos das varandas... Tudo rápido e violentíssimo. Quando finalmente só ficou a chuva, havia um rio a correr nas bermas da avenida, depósitos de neve, muito alvos e impolutos, por todas as superfícies mais côncavas e milhares de folhas, folhinhas e raminhos a juncarem tudo quanto era chão. Pobres plantinhas mais frágeis parecem agora feridos de guerra !
Admirável Natureza que em momentos apenas pode destruir... talvez o Universo ! ! !
Sem que o Homem tenha tempo nem para dizer ai...
Perceberemos quanta inutilidade em toda a nossa vaidade ?
Pouco depois de termos almoçado, um acastelado de nuvens de vários tons de cinzento atirou-se a outros mais que andavam um pouco desnorteados por estes céus e, oh deuses das tempestades !, ribombou estrondosamente sobre as nossas cabeças, desfazendo-se imediatamente e sem aviso numa chuva de granizo, a maior que já me foi dado ver... Eram pequenos ovinhos de codorniz a despenhar-se furiosamente contra as nossas vidraças e a cobrir, num abrir e fechar de olhos, o asfalto da avenida, os capots dos automóveis, os toldos e carreiros dos jardins, os vasos das varandas... Tudo rápido e violentíssimo. Quando finalmente só ficou a chuva, havia um rio a correr nas bermas da avenida, depósitos de neve, muito alvos e impolutos, por todas as superfícies mais côncavas e milhares de folhas, folhinhas e raminhos a juncarem tudo quanto era chão. Pobres plantinhas mais frágeis parecem agora feridos de guerra !
Admirável Natureza que em momentos apenas pode destruir... talvez o Universo ! ! !
Sem que o Homem tenha tempo nem para dizer ai...
Perceberemos quanta inutilidade em toda a nossa vaidade ?
12 outubro 2008
A Crise
Passei, passámos todos uma semana de graves preocupações com o torrencial desabar de notícias em que todos os agentes noticiosos pareciam desafiar-se uns aos outros sobre a maneira mais dura de nos transmitirem que estamos, nós,pessoas, e país, a chegar à beira da penúria, porque uma complicada engrenagem bancária, envolvente de todo este nosso Mundo tinha de repente deixado que se soubesse que não havia mais dinheiro em parte alguma. Viver sem dinheiro foi coisa que ninguém nos ensinou e por isso ficámos todos a pensar que seria urgente desenvolvermos o primitivo sistema de trocas , coisa que também não se pode montar sem haver QUE trocar e o Mundo já está quase exaurido em dádivas generosas de produtos seus com os quais nós,homens, iamos fazendo dinheiro... Então, prometem-nos os apavorados governos, vamos ter que nos safar, que se me desculpe a expressão, mas é o que na realidade nos é dito . E é cada um por si, não há cá solidariedades para ninguém, porque, se isso foi o que resolveram para si mesmos os Governantes que já conversaram uns com os outros, isso é o que os governos vão ter que dizer aos governados.Suponho que ningém estava à espera de que houvesse governos-fadas, mas o de que ninguém estava à espera certamente era de que, por uso e abuso de políticas mal conduzidas e mal aplicadas, por uso e abuso da permissividade nos consumos das diferentes classes sociais, se atingisse um fundo tão fundo que agora ninguém sabe se se pode emergir ou como se pode emergir...
Espantosamente àqueles que temos a Graça de ter FÉ, as Escrituras vêm tanta vez lembrar-nos que somos povo de Deus e que dessa realidade emana sempre uma razão de Esperança !...
Neste ano dedicado a meditar S.Paulo, são lidas em cada missa passagens das suas cartas cheias daquele fervor que é apanágio dos convertidos. Pois na missa de hoje, na sua Carta aos Filipenses, dizia SÃO PAULO:
Sei viver modestamente e sei viver na abundância.Em todo o tempo e em todas as estações.Estou preparado para comer com fartura e para passar fome, para viver na abundância ou viver na penúria. Tudo posso por Cristo, que me dá força. ...o meu Deus há-de plenamente prover a todas as vossas necessidades, segundo a Sua riqueza, de maneira maravilhosa, em Cristo Jesus...
É assim com o respaldo das minhas convicções, com o conforto de coincidências como a desta Carta, (logo hoje) que eu consigo encontrar razões de esperança e sou capaz de tentar entrar nesse jogo político do cada um por si... Infelizmente não apenas político !
Espantosamente àqueles que temos a Graça de ter FÉ, as Escrituras vêm tanta vez lembrar-nos que somos povo de Deus e que dessa realidade emana sempre uma razão de Esperança !...
Neste ano dedicado a meditar S.Paulo, são lidas em cada missa passagens das suas cartas cheias daquele fervor que é apanágio dos convertidos. Pois na missa de hoje, na sua Carta aos Filipenses, dizia SÃO PAULO:
Sei viver modestamente e sei viver na abundância.Em todo o tempo e em todas as estações.Estou preparado para comer com fartura e para passar fome, para viver na abundância ou viver na penúria. Tudo posso por Cristo, que me dá força. ...o meu Deus há-de plenamente prover a todas as vossas necessidades, segundo a Sua riqueza, de maneira maravilhosa, em Cristo Jesus...
É assim com o respaldo das minhas convicções, com o conforto de coincidências como a desta Carta, (logo hoje) que eu consigo encontrar razões de esperança e sou capaz de tentar entrar nesse jogo político do cada um por si... Infelizmente não apenas político !
01 outubro 2008
1 de Outubro- Dia Mundial da Música
Deixo entrar pela casa
a grande música !
Bach, Orff, Vivaldi,
Beethoven e Rodrigo...
Dvorak ou Falla...
E Tchaikowsky !
E Grieg !...
Entram em catadupas,
Em cascatas,
e despenham-se
e enrolam-se em espirais
como tornados.
E envolvem
e revolvem,
como um alagamento
ou uma convulsão...
Quando subitamente
se desdobram e espraiam,
e toda a cachoeira se desfaz,
são, borbulhando em espuma,
um mar manso e aberto,
um remanso de rias
ou represas,
ou lagos... ...
E o que fica no ar
é parecido com a paz
dos prazeres
saciados ! ! ! ...
Do meu livro Sinestesias
a grande música !
Bach, Orff, Vivaldi,
Beethoven e Rodrigo...
Dvorak ou Falla...
E Tchaikowsky !
E Grieg !...
Entram em catadupas,
Em cascatas,
e despenham-se
e enrolam-se em espirais
como tornados.
E envolvem
e revolvem,
como um alagamento
ou uma convulsão...
Quando subitamente
se desdobram e espraiam,
e toda a cachoeira se desfaz,
são, borbulhando em espuma,
um mar manso e aberto,
um remanso de rias
ou represas,
ou lagos... ...
E o que fica no ar
é parecido com a paz
dos prazeres
saciados ! ! ! ...
Do meu livro Sinestesias
28 setembro 2008
Brutalidade
Isto aconteceu e a notícia voou por sobre mares e terras e veio embater no nosso conhecimento e na nossa emotividade tal qual como aqueles insectos grandes que em Cabo Verde vinham de encontro às lâmpadas acesas e se esmagavam no embate, com um estalido especial enquanto a sua massa corporal se espalhava, causando repugnância a todas as pessoas presentes... Assim a notìcia.Foi um ruido, uma repugnância... Uma tragédia, se usarmos agora outro tipo de registo.À morte que não nos aparece pela doença chamamo-la sempre de brutal... Brutalidade é isto de ser possível um amigo matar outro no logro de um desprevenido manuseio de uma arma.
Em presença de tanta calamidade, de tão irremediáveis desgraças, resultantes de tanto desentendimento humano por esse mundo, quantas vezes eu tenho gritado no mais fundo da minha estupefacção "mas porque há armas ? que só estimulam vinganças, desafios,soluções de morte ?"... Agora, depois do que aconteceu, entre amigos, e em paz, creio que perdi as forças para gritar mais e mais alto, como era preciso "porquê armas, para quê ? "Haverá quem o faça alguma vez, no mundo?
O que temos por certo é que nunca vai deixar de haver o desespero com lágrimas ou com olhos enxutos, secos de tanto chorar, daqueles que ficam,depois de tudo passado, com tudo à sua volta agressivamente igual a sempre,
apenas com uma falta. à qual, com o tempo, se irão habituar, como lhes é dito até à exaustão pela massa mais ou menos informe que aparece para a celebração dos cerimoniais de despedida.
Duríssima prova que o viver-se em sociedade exige,são os cerimoniais , em que cada um ,de forma antiquissimamente pré-estabelecida , tem o seu papel a cumprir sob o olhar condoído mas nunca acrítico de cada acompanhante.Claro que são,que eram amigos...Esses todos são, serão reconhecíveis. Mas, na dor dos que ficam, como entendo a ansiosa necessidade de reorganizar as mínimas memórias em solidão ! ! !
É um pouco isso que eu própria estou fazendo aqui e agora. Afinal este foi também, haverá duas dezenas de anos, um daqueles que me habituei a chamar e a sentir como "os meus meninos "...
Em presença de tanta calamidade, de tão irremediáveis desgraças, resultantes de tanto desentendimento humano por esse mundo, quantas vezes eu tenho gritado no mais fundo da minha estupefacção "mas porque há armas ? que só estimulam vinganças, desafios,soluções de morte ?"... Agora, depois do que aconteceu, entre amigos, e em paz, creio que perdi as forças para gritar mais e mais alto, como era preciso "porquê armas, para quê ? "Haverá quem o faça alguma vez, no mundo?
O que temos por certo é que nunca vai deixar de haver o desespero com lágrimas ou com olhos enxutos, secos de tanto chorar, daqueles que ficam,depois de tudo passado, com tudo à sua volta agressivamente igual a sempre,
apenas com uma falta. à qual, com o tempo, se irão habituar, como lhes é dito até à exaustão pela massa mais ou menos informe que aparece para a celebração dos cerimoniais de despedida.
Duríssima prova que o viver-se em sociedade exige,são os cerimoniais , em que cada um ,de forma antiquissimamente pré-estabelecida , tem o seu papel a cumprir sob o olhar condoído mas nunca acrítico de cada acompanhante.Claro que são,que eram amigos...Esses todos são, serão reconhecíveis. Mas, na dor dos que ficam, como entendo a ansiosa necessidade de reorganizar as mínimas memórias em solidão ! ! !
É um pouco isso que eu própria estou fazendo aqui e agora. Afinal este foi também, haverá duas dezenas de anos, um daqueles que me habituei a chamar e a sentir como "os meus meninos "...
22 setembro 2008
22 de Setembro - outono
.......o sol,vindo, desdobraas sombras e já pinta de amarelo
as folhas junto à sebe.
................................................................
hoje ficou mais frio, acendo o lume,
ao fim da tarde, escura, a biblioteca,
aqui o meu rebanhose algumas reses tenho,
tem fechada a janela,cheira a estrume
e a adubos orgânicos lá fora.
nas lombadas andei por ceca e meca
em devaneio e à hora
de trabalhar um pouco, me adormeço.
só depois é que escrevo
e assim é que me atrevo
a lembrar inventando quanto esqueço,
e do que mal recordo pago preço.

de aves que migram vejo inda os vaivéns.
passam rasantes junto do telheiro
e escuto o seu gorgeio
que me traz pelo meio
alguma agitação : ladram os cães...
Excertos de uma canção de outono de VASCO GRAÇA MOURA
Fotografias feitas por mim na Quinta das Torres em Azeitão
21 setembro 2008
Isaías, hoje
Quantas mais vezes precisamos nós de que isto nos seja repetido, para deixarmos de ser presunçosos e julgadores avaliando tudo e todos com as medidas dos sistemas avaliadores que nós mesmos criámos ?E que teimamos em acreditar que são os únicos válidos...
Tanto quanto os Céus estão acima da Terra, assim os meus caminhos estão acima dos vossos, e acima dos vossos estão os Meus pensamentos.
Tanto quanto os Céus estão acima da Terra, assim os meus caminhos estão acima dos vossos, e acima dos vossos estão os Meus pensamentos.
20 setembro 2008
Intraduzível

Apenas quero não deixar confundir-se com outras memórias esta que não tem nada a ver com mais coisa alguma : a Maria João Pires, muito pequenina, sentada ao piano, quase não-corpo, só ALMA ! ! ! e Beethoven íntimo sussurrado,romântico soluçado, dolorido, revoltado... Ela, só lmaterialidade, poderei dizer corpo da essência ? Parece realmente que não há mesmo palavras ..
Estou a lembrar-me da Natália Correia quando resolveu dizer que a poesia é para se comer...
Que dizer então desta música ? Nunca para se comer, mas para se entranhar no mais intraduzível da nossa capacidade de sentir ? ! ! !
18 setembro 2008
O recobro...
Tem sido, ao longo desta semana, na minha casa, assim como um arremedo da chegada da Primavera. Como as andorinhas, eles vão chegando: primeiro, só um, muito mais cedo que os outros, depois vêm dois de uma vez, depois um outro...Até que se me enchem as tardes com as sua idas e vindas, muito irregulares, na procura dos acertos nos horários... É realmente uma alegria ! Porque todos vêm contentes, com imensas histórias a saltarem daquelas cabeças ainda borbulhantes das férias, ansiosos por contar... Só os que vêm de novo e quase não me conhecem é que, com um certo embaraço, se apresentam contidos, talvez até um pouco receosos... Todos eles são o que eu chamo "os meus meninos" e, nesta fase da minha vida, uma das minhas razões de viver. É bom vê-los chegar, mais altos, mais magros ou mais gordos, bronzeados, a irradiar liberdade, ares novos, frescura ! ... E muitas vezes trazem ideias novas. Porque há alguns que
"amadurecem" neste espaço sem aulas e com outras motivações,nascidas em consequência de contactos mais prolongados e até mais íntimos com os pais e com pessoas diferentes daquelas que compactam todas as horas dos seus dias na parte maior de cada ano que eles vivem, nesta época da sua formação. É pois, para mim, um recobro, este recomeço das aulas...
Além de que já voltaram a encher a minha mesa de trabalho os Saramagos, Eças, Vieiras, Cesários, todos os Pessoas e por aí fora, cujo convívio nunca me farta e até ainda consegue trazer-me coisas novas de cada vez que os vou libertar do remanso das estantes,,,
Repetindo-me nesta citação de Madre Teresa de Calcutá , o ontem é passado, o amanhã é incerto.Resta-nos o hoje : vamos começar !...
"amadurecem" neste espaço sem aulas e com outras motivações,nascidas em consequência de contactos mais prolongados e até mais íntimos com os pais e com pessoas diferentes daquelas que compactam todas as horas dos seus dias na parte maior de cada ano que eles vivem, nesta época da sua formação. É pois, para mim, um recobro, este recomeço das aulas...
Além de que já voltaram a encher a minha mesa de trabalho os Saramagos, Eças, Vieiras, Cesários, todos os Pessoas e por aí fora, cujo convívio nunca me farta e até ainda consegue trazer-me coisas novas de cada vez que os vou libertar do remanso das estantes,,,
Repetindo-me nesta citação de Madre Teresa de Calcutá , o ontem é passado, o amanhã é incerto.Resta-nos o hoje : vamos começar !...
13 setembro 2008
...como se pode, como se quer ou como se deve....
As múltiplas situações para as quais algumas vezes me atiraram as funções que desempenhei, permitiram-me, além de muitas outras coisas, conviver temporariamente com pessoas interessantes que vim a perder de vista para sempre, com as quais perdi todos os contactos, mas das quais me não esqueci, justamente porque eram interessantes. E até mesmo guardei delas memórias muito concretas, por um qualquer gesto, ou por uma qualquer expressão de ideias que, na altura, me cativaram. Foi o caso de alguém que, há cerca de trinta anos, numa reunião de várias pessoas interessadas em resolver certos problemas de ordem social, afirmou que só conhecia três formas de se viver : ou como se pode, ou como se quer, ou como se deve. E recordo ainda a longa discussão que esta afirmação suscitou em seguida... Porque a todos os presentes se mostrou desde logo urgente definir qual o alcance do como se pode e o do como se quer, porque do como se deve, todos pareciam saber...
Ora hoje, fazendo uma curta leitura no Evangelho de São Mateus fixei-me numa pequena passagem em que Jesus pergunta"porventura podem-se colher uvas dos espinhos ou figos dos abrolhos ? Toda a árvore boa dá bons frutos e toda a árvore má dá maus frutos".Creio que por esta mesma convicção Jesus amaldiçoa uma triste figueira numa beira de estrada, quando a vê desprovida de frutos... Esta não vivia como se deve e os espinhos e os abrolhos limitavam-se a viver como se pode ... Portanto a noção do dever é algo que trazemos connosco ligada precisamente à ideia de fazer bem feito aquilo para que somos( ou nos tornámos) dotados. Será sair da "norma", viver como se quer ou viver como se pode ,sempre que isso colida com o que a sociedade espera de nós-pessoas-com-as-nossas-cicunstâncias. Em São Mateus, Jesus explicava linearmente ao seu auditório uma coisa tão simples quanto isto : se tens todas as condições para dar bons frutos, é isso que de ti se espera. Não seria porventura ali oportuno reportar-se à infinita misericórdia de Deus que nos dá a margem suficiente para tentarmos fazer coincidir o querer, o poder e o dever , nisto das nossas vidas...
Mas, tal como se estão a apresentar hoje os conceitos de vida, onde reconhecemos cada vez mais espinhos e abrolhos e já vamos desesperando de encontrar os tais bons frutos e,pior que tudo ainda, chegamos a recear pela nossa própria "contaminação", parece compreensível que a atitude de Jesus fosse ríspida, como só ele as sabia tomar, por vezes...
Ora hoje, fazendo uma curta leitura no Evangelho de São Mateus fixei-me numa pequena passagem em que Jesus pergunta"porventura podem-se colher uvas dos espinhos ou figos dos abrolhos ? Toda a árvore boa dá bons frutos e toda a árvore má dá maus frutos".Creio que por esta mesma convicção Jesus amaldiçoa uma triste figueira numa beira de estrada, quando a vê desprovida de frutos... Esta não vivia como se deve e os espinhos e os abrolhos limitavam-se a viver como se pode ... Portanto a noção do dever é algo que trazemos connosco ligada precisamente à ideia de fazer bem feito aquilo para que somos( ou nos tornámos) dotados. Será sair da "norma", viver como se quer ou viver como se pode ,sempre que isso colida com o que a sociedade espera de nós-pessoas-com-as-nossas-cicunstâncias. Em São Mateus, Jesus explicava linearmente ao seu auditório uma coisa tão simples quanto isto : se tens todas as condições para dar bons frutos, é isso que de ti se espera. Não seria porventura ali oportuno reportar-se à infinita misericórdia de Deus que nos dá a margem suficiente para tentarmos fazer coincidir o querer, o poder e o dever , nisto das nossas vidas...
Mas, tal como se estão a apresentar hoje os conceitos de vida, onde reconhecemos cada vez mais espinhos e abrolhos e já vamos desesperando de encontrar os tais bons frutos e,pior que tudo ainda, chegamos a recear pela nossa própria "contaminação", parece compreensível que a atitude de Jesus fosse ríspida, como só ele as sabia tomar, por vezes...
07 setembro 2008
Da Profecia de Ezequiel, hoje
...Quando ouvires uma palavra da minha boca, hás-de avisá-los da minha parte...Se não lhes falares para os afastares dos seus (maus)caminhos...EU pedir-te-ei contas...
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