25 março 2007
UNIÃO EUROPEIA
22 março 2007
MIGUEL TORGA
Hoje é preciso ler Torga !
INVENTÁRIO
E,apesar de tudo, sou ainda o Homem!
Um bípede com fala e sentimentos,
ao cabo de misérias e tormentos,
continua
a ser a minha imagem que flutua
na podridão dos charcos luarentos.
Sou eu ainda a grande maravilha
que se mostra no mundo.
O negro abismo que tem lá no fundo
um regato a correr,
uma risca de céu e de frescura
que murmura
a ver se alguma boca a quer beber
19 março 2007
DIA DO PAI — DIA de S.JOSÉ

17 março 2007
ANTÓNIO LOBO ANTUNES
08 março 2007
Dia da Mulher / 8 de Março
06 março 2007
É possível"conversar"ou só "falar"?
01 março 2007
KAROL-um homem que se tornou Papa
Trata-se de um conjunto de dois discos realizado por Giacomo Battiano, com banda sonora da autoria de Ennio Morricone, e com o título KAROL_ O homem que se tornou Papa.
Claro que, como a minha amiga previra, gostei.Gostei muito. Mas sofri muito. Posso dizê-lo, mesmo correndo o risco de que quem acaso ler estas notas possa achar o emprego aqui do verbo sofrer,não só um exagero, mas também um lugar-comum.
A verdade é que eu não esperava ser assim subitamente posta em presença viva, real, do drama, da tragédia, que se abateu sobre a Europa da minha juventude e da qual nós, em Portugal , mal tacteámos apenas as franjas, mal nos démos conta de dores remanescentes de cada dor maior que se ia sucedendo a outra, e a outra,e a outra...
Na pátria de KAROL WOJTYLA ,aquele desprezo pelo ser humano, que foi manifestado desde o tirar a vida, até, em gradação regressiva, tirar as casas, as escolas,as igrejas, as cidades, e os alimentos, e os hospitais, e tudo, tudo, foi a manifestação mais repugnante que eu já esquecera de quanto o ser humano é também capaz de descer tão demoníacamente fundo...
Porque eu conheci gente "da guerra". Estudei com alguns que chegaram até à minha Faculdade, então ali a SÃO BENTO.Vi,passadas por baixo das mesas, as primeiras fotografias dos campos de concentração, tão inimagináveis que parecia que nos queimavam as mãos. Fui despedir-me de alguns que partiram para alistar-se nos seus países depois de deixarem aqui a família a salvo.
Logo que foi possível, já casada, fui a PARIS conhecer uma irmã da minha sogra que não arredara pé da sua casa em Montmartre, com ocupação, sem ocupação, agarrada àquele então lendário desamor de franceses por alemães.Levámo-la a jantar fora. Ainda não estavam reabertos muitos restaurantes, mas queriamos mimá-la, passeá-la...E no primeiro jantar surpreendi-a a,surrateiramente, meter na sua carteira os pedaços de pão que restavam na mesa. Como era possível ?...Depois de uma conversa carinhosa percebemos o seu " terror" doentio de ficar sem pão... E já não havia guerra! E havia muito mais terrores de que, como graça de DEUS ,nos fomos esquecendo...Isto é : pensamos que nos fomos esquecendo. O "meu"Saint Exupéry dizia depois de uma passagem por Lisboa, nessa época, que "Lisbonne en fête défiait l'Europe".Fazíamos a Exposição do Mundo Português e era mesmo uma festa. Mas não foi suficiente para apagarmos as nossas memórias dolorosas. Veja-se : basta que nos salte ao caminho um DVD e eis que tudo reaparece a parecer-nos que foi um mau sonho !
Pobre,sofredor, perseverante,não seria mesmo este o caminho da santidade de KAROL WOJTYLA ?
24 fevereiro 2007
JULGAMENTO
21 fevereiro 2007
CINZAS
As cinzas de que eram cobertos simbolizavam a precaridade da vida em pecado__LEMBRA-TE DE QUE ÉS PÓ__ mas, ao mesmo tempo, a expiação oferecia ao penitente a possibilidade de se afirmar na sua confiança na MISERICÓRDIA DE DEUS, pois sabia que, cumprida a penitência com real humildade e arrependimento, voltaria a ser recebido na Casa de Deus.
Como máxima manifestação de humildade e desapego das venalidades, os penitentes substituiam as suas roupas habituais por uns toscos sacos de serapilheira com apenas umas aberturas para a cabeça e braços e com isto vestido passavam toda a quadragesima.
Longe deste rigor, vamos nós hoje receber ,do nosso sacerdote, um sinal de cruz feito pelos seus dedos previamente mergulhados em cinzas, sinal que as nossas testas guardarão exteriormente por alguns segundos, porque o pó é pó .E a precaridade desta duração também nos pode dar muitos tópicos de meditação. Do que fica no interior das nossas cabeças, há outro registo que aqui não vem ao caso. Mas destes sinais exteriores,pergunto-me : há uma outra cinza, vivo sob outra espécie de vento, ou sou eu que perdi demais a minha capacidade de ser PÓ ?...
18 fevereiro 2007
Domingo de CARNAVAL
Mas isso não é aquilo a que vulgarmente se chama CARNAVAL. Esta festividade,como quase todas as que entraram na tradição popular, com mais ou menos legitimidade, vai radicar~se em tão antigas como deturpadas origens.
A degradação social e moral que veio acontecendo progressivamente antes da chegada de CÉSAR ao poder,em ROMA, acrescida da quase total aceitação pelos Romanos dos nomes dos deuses gregos em substituição dos dos seus próprios deuses, tornou como que mais liberal e depois mesmo libertina a relação dos homens com os deuses, visto que os deuses gregos tinham características menos míticas e qualidades mais humanas do que os deuses romanos. E assim as inúmeras festas que eram feitas em suas homenagens foram adquirindo configurações especialíssimas consoante fosse a "esfera de acção" do deus celebrado. Foi assim que, em 186 AC, as Bacanais levaram à prisão e execução inúmeras pessoas que tomavam parte nas festas.Baco era o nome que os Romanos haviam retirado de uns gritos de euforia produzidos pelos gregos nas festas de DIONISOS, deus do vinho e dos prazeres.
A isto e muito mais se deve o CARNEM VALE que apareceu não logo, logo,como a medieval tradução literal do"adeus à carne", mas ainda como aquela festa em que nada parece mal, como ficou registada no adagiário português.
Ignoro como o Mundo girou para que o grande Carnaval das loucuras fosse acontecer noBRASIL,ou como, no séculoXVIII, em Veneza, requintadas damas e viciosos Casanovas criaram a sua lindíssima tradição carnavalesca. Porém intuo que os rebolados nus brasileiros devem ter muito que ver com o clima e quedo-me perplexa ao ver em Portugal, agora , despirem-se com estes frios, ao sabor da imitação mais descabida...
A tradição portuguesa nunca foi de nus. Estou a pensar em como se estragava a roupa, nos anos trinta ( séc.XX), quando grupos de foliões, ao virar de uma esquina, nos esborrachavam ovos e pastéis e outras coisas pastosas, sobre os fatos e os cabelos. O que eu própria sofri sendo atacada à saída do colégio , com bisnagas esguichando líquidos de que eu tinha verdadeiro terror.E as pancadas secas de uns certos saquinhos jogados com mestria para se esvaziarem de areia sobre as nossas cabeças e roupas. Mas, agora mesmo, os executantes da Dança dos Cuzes, em Cabanas de Viriato, estão vestidos da cabeça aos pés...Tudo isto nos fala de um carnaval de rua. Mas as mais lindas versões de Carnavais de Salão, bem portugueses ,de princípios do século XX,são as que me foram contadas _vividas_ pelos meus Pais.No Porto e em Beja.
No Porto,uma das noites de Carnaval era de ida a um dos teatros da cidade, todos vestidos rigorosamente de gala,senhoras e senhores. E então,"jogava-se" ,em troca das serpentinas das actrizes, atirando para o palco caixas com joias verdadeiras...Em Beja, havia, no Clube, três bailes de gala ( um por cada noite), onde as ceias eram volantes.Na hora própria, entravam no salão de baile pequenos carrinhos puxados por carneiros de pêlo alvíssimo decorado com laços de fitas de cores,carrinhos esses que vinham "carregados" com as mais variadas iguarias armadas artística e tentadoramente.Os carrinhos iam circulando e todos se iam locupletando a gosto...
A que distância de tudo isto fica a actual passagem de cortejos onde se mostra uma preferência nítida pela perversão na confusão dos sexos ou pelas piadas pesadas sobre política ou sobre factos sociais,tudo muito nu e...ao frio
Aproxima-se então uma outra época em que todos vamos saber porque dizemos CARNEM VALE...
14 fevereiro 2007
Dia dos Namorados
Dia dos Namorados. De São Valentim. Um São Valentim que até pode ser um de dois visto que , do século lll até hoje, não se adquiriu a certeza sobre qual deles era o que, bondoso e apiedado, casava às escondidas os soldados romanos aos quais uma disciplina rigorosa proibia o casamento.
Mas em Portugal sempre tivemos um único querido e popular santo casamenteiro que foi o nosso Santo António. Sabemos bem que nas primeiras idades do Cristianismo houve muita vez um aproveitamento de festividades ainda pagãs, ligadas quase sempre aos ciclos da Natureza, adaptando-as habilmente a celebrações novas que o povo continuaria a memorizar, ainda que fosse por outras causas. Assim estes São Valentins, que viajaram por outras paragens sem se tornarem necessários a Portugal porque os nossos NAMORADOS, sempre que precisaram de ajuda, tiveram o seu SANTO ANTÓNIO. Ligados a ele,quantas trovas populares, mais ou menos citadinas, mais ou menos de ambiente rural, quantos manjericos lisboetas, quantos bailaricos, quantas fogueiras para saltar e quantas lendas ! Não resisto à tentação de deixar aqui registado este "mimoso" poema de AUGUSTO GIL onde a candura da história não deixa de aflorar pontos-chave da vida do Santo.
11 fevereiro 2007
Dia de...NOSSA SENHORA DE LOURDES
Queria, com muita vontade, afastar de mim os pensamentos que, nem só por causa de Gedeão,me assaltam nestes "dias de" que a nossa sociedade global nos prodigaliza agora, a todos os pretextos, com verdadeiros "lembretes" para que aquilo que simbolizam não deixe de interpelar todo o Mundo. Mas, para meu desgosto, uma espécie de grande tsu-nami comercial invadiu todas as praias das nossas mais afectuosas memórias e os "dias de"são muitas vezes um enorme carnaval ou um festival de aparências"que é de bom tom "manter.
Culpas? De quê ? De quem ?
Mas hoje eu só tenho que cantar hossanas,porque tenho o meu "dia de": 11 de Fevereiro.Nossa Senhora de Lourdes. Parafraseando o meu amigo Sebastião da Gama, pela FÉ é que vou. Foi este o nome que me deram e que uso como quem usa um brazão de fidalguia porque ele é o que me resta como herança espiritual de uma Fé talvez ingénua que deu a este meu nome uma categoria de mensagem que eu sempre receio não ter sabido interpretar.
Mas é esta a herança que recebi de alguém de quem mais nada pude guardar...
E não é que, por causa da irradiação espiritual de tudo o que os simples humanos têm experimentado em redor daquela gruta perto dos Pirinéus, pela fervorosa devoção a Nossa Senhora, se decidiu fazer do seu dia o DIA MUNDIAL DO DOENTE ?´
É pois mais um "dia de" no dia de hoje . Mas ,se entre os dois anteriores existe uma forte e séria razão de conexão, eis que nos surge anexo um outro "dia de" que aqui caiu apenas por razões de conveniências várias dos senhores políticos. É dia de votações para um REFERENDO, apanágio democrático de que o povo não deve prescindir, de vez em quando.
É muita coisa grave para um só dia!!!
Vota-se, opinando sobre a Vida ou Morte, tentando desembaraçarmo-nos da teia de sentimentos, conceitos e preconceitos que as nossas formações morais e sociais enredaram à nossa volta. Mas, a par,vamos ter que pensar mais na morte do que na vida, se queremos ajudar outros( ou que nos ajudem a nós) a pacificar a aproximação dessa meta inevitável...
Não é natural que espere que NOSSA SENHORA DE LOURDES me indique o melhor caminho?
04 fevereiro 2007
Um lapso fugidio

30 janeiro 2007
NEVE ?
E então Lisboa resolveu aquecer-se. Ligou tudo o que tinha à mão para dar calor. E agora, que já somos todos muito civilizados, temos tudo eléctrico : é a embriaguês dos electro-domésticos ! É a cozinha, é para o banho, é para as limpezas, é para a barba e cabelo e principalmente para os ares condicionados e os outros quentinhos e não condicionados... Em suma : a grande fornecedora dos nossos confortos, aquela a quem todos pagamos para nos acalentar com todos estes mimos, ao alvorecer do dia seguinte de toda esta orgia de calores ,REBENTOU.
PRONTO! agora,não vai haver mais nada de comodidades !Arranjem-se como puderem! E os lisboetas tiveram uma amarga segunda-feira que se arrastou aos saltos de vem e vai electricidade até perto das onze da noite. Isto no meu bairro...Onde, em cúmulo, mesmo em frente de minha casa, deflagrou um incêndio num último andar habitado por uma senhora que vive só, isto na mesma hora em que tinhamos constatado que a energia eléctrica nos tinha abandonado.Toda a parafernália dos bombeiros e polícia provocou os normais ajuntamentos de grupinhos comentadores e suspeitosos , todos esfregando as mãos e batendo com um pé no outro ou no chão, o que sempre foi a melhor maneira de se sacudir um tal frio e a tal hora...Felizmente. para alegria geral, o incêndio foi rapidamente dominado e a senhora foi levada ao hospital apenas por causa da inalação do fumo. Excesso de frio ou de calor ?
Lisboa não tem vocação para os INVERNOS. Que fazer ?...
23 janeiro 2007
O mundo ficou mais triste
Mas a Vida foi-se encarregando de me confrontar com essas perdas que eu tanto receava.
Foram decaindo primeiro e desaparecendo depois, os mais velhos e também alguns da minha geração, para minha grande dor/surpresa/revolta, sem remédio...
Hoje, para me enganar a mim própria, brinco com a evidência do que me espera para àmanhã(?) ou depois de àmanhã(?)...E vou dizendo que, em cada hora, estou mais um lugar à frente naquela fila que todos conhecemos... Mas vou chegando a essa posição porque vão desaparecendo aqueles a quem Deus já abriu a porta...
Há uma semana foi aquele Prior da minha paróquia que se perdera há dez anos nas espirais da Alzheimer. Num post deste meu blog,em outubro do ano passado, referi que um meu amigo polaco me escreveu quando da morte de João Paulo ll, dizendo que o mundo ficara mais triste por isso ter acontecido. Foi o que imediatamente me ocorreu quando soube do desaparecimento daquele Padre Armindo que, em certa época da minha vida, foi mais do que um esteio, um recobro, para todas as minhas inseguranças, todos os meus desânimos.
Tal como noutras ocasiões, os católicos temos tido ultimamente perdas cujo vazio não estará tão cedo ao nosso alcance preencher. Estou a pensar no Irmão Roger de Taizé e, hoje mesmo, no Abbé Pierre dos Emauz. O Padre Armindo, era, como eles, generoso,despojado, atento aos infelizes e necessitados, com um coração maior que o que é apenas humano...
Não há dúvida de que, sem eles, o mundo está mesmo a ficar mais triste!...
16 janeiro 2007
Os nevoeiros,de SINTRA ao GUINCHO

Era como um regaço que se abria
afofando, envolvendo devagar.
De tão salgado e denso de maresia,
espalhava um gosto de algas pelo ar!
Tão estranho ficou tudo, que parecia
a paisagem dos sonhos, sem lugar,
imaterial,mal definida e fria.
Jardins suspensos na bruma coalhada
ruas, praias cinzentas onde havia
vultos sem voz, com gestos de veludo...
Na paz da hora única,embruxada,
real era-me apenas a poesia
que eu quase via evolar-se de tudo !...
09 janeiro 2007
O Prazer do recomeço
É bom recomeçar !
07 janeiro 2007
Dia de Reis
Os Reis Magos (padroeiros da minha Paróquia),depois de terem visto e adorado aquela tão estranha novidade de um menino ser DEUS, OU FILHO DE DEUS, o que vinha a dar no mesmo,partiram dali por outros caminhos,não só para evitarem encontrar Herodes, mas também porque eles intuiram que dali para a frente havia que enveredar por outros caminhos e não cair na limitação de repetir o já visto e sabido...É por isso que,cansada de repetir mil vezes o déjà vu destas Festas que têm que ser BOAS.eu me sinto hoje particularmente feliz...Recebi de um jovem sacerdote moçambicano um pequeno presépio que cabe na concha das nossas duas mãos e é constituido por um casal negro sentado sobre as suas pernas dobradas,tendo a figura feminina ,embrulhado nos seus panos,tão coloridos como os das roupas dos pais,um minúsculo bébé muito negrinho,tudo numa atitude tão simples e tão cheia de expressão, que me inspira uma enorme ternura...Há sempre caminhos novos a descobrir!
01 janeiro 2007
ANO NOVO
São sempre as mesmas doze badaladas
e é sempre a mesma a minha comoção !
Do Ano Novo espero as alvoradas
de manhãs que até hoje esperei em vão...
Enfeito a alma de flores encarnadas
e ateio fogueiras de São João
onde arremesso as decepções passadas
e onde aqueço de novo o coração...
E a vertigem da esperança recomeça
mais intensa,mais doce e tentadora,
a prometer-me tudo o que eu quiser...
E eu de novo bendigo essa promessa
que torna cada vez mais sedutora
esta vida que tenho p'ra viver !
O que verifico é que,passada tanta coisa que, naturalmente fui queimando na fogueira, ainda me apetece subscrever este soneto,sem lhe fazer nenhuma alteração.
25 dezembro 2006
A época das BOAS FESTAS
24 dezembro 2006
Oração no Presépio
17 dezembro 2006
Domingo "GAUDETE"
Alegrai-vos !O Senhor está próximo.Não tenhais qualquer preocupação! E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos...
16 dezembro 2006
Meditações de Advento

Depois de Isaías nos anunciar que"assim como a terra faz brotar os germes e o jardim faz germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante de todas as nações", lemos também em Samuel que "já David morava em sua casa e o Senhor lhe concedera estar tranquilo diante de todos os seus inimigos", quando foi o próprio David que chamou a atenção para a desigualdade que havia entre a sua "casa de cedro" e a" tenda" onde tinha sido colocada a ARCA DO SENHOR. Por isso mesmo ,DEUS anuncia então ser sua própria atribuição estabelecer um lugar para o seu povo se fixar e, com ele,David na casa que o Senhor fará para ele como para um rei desse povo. É daí que irá brotar o verdadeiro TEMPLO onde o Senhor habitará...
E fica-se a pensar como eram( são) grandiosos os planos de Deus para nós,homens, na medida em que, tendo sido criados como filhos de Deus e irmãos de Jesus,somos aqui e agora esse templo vivo destinado à eternidade. E também à TRANQUILA CONVIVÊNCIA, enquanto portadores das sementes de justiça que o Senhor quer que germinem em nós...
10 dezembro 2006
Iluminações de Natal em LISBOA

Lisboa adormeceu, já se acenderam mil velas... Era assim que começava e começa uma daquelas ondulantes e saltitantes marchas que reproduzem o espírito popular e boémio desta cidade pelos "Santo António's", nas ruas e, em qualquer época, nos palcos do Parque Mayer, quando ele era uma realidade e não um simples "vestígio", como agora é. Tenho a certeza de ter ouvido lá, pela primeira vez, este retrato cantado da noite farrista e poética mas já me não lembro muito bem onde é que se acendiam as mil velas: ou era nos altares das capelinhas ou nos das colinas... Isso agora saltou na minha memória por causa das espampanantes iluminações que contornam, sublinham, recobrem ou simplesmente invadem ruas, praças, largos, escadinhas, recantos, tanto na Baixa como nos bairros mais periféricos... É de facto uma féerie onde há coisas muito bonitas e imaginativas e outras de relativo mau gosto. Jogar com design, alegorias, cores e luzes não deve ser para as capacidades de qualquer um... Por exemplo, na Avenida da Liberdade foi usada uma cor azul que, junta com o prateado, resulta fúnebre... Mas depois há uma enorme, enormíssima árvore no Terreiro do Paço, isto é, um gigante cónico sempre a mudar de efeitos tanto em cor como em motivos da época, e que enche a praça de luz. E de povo! Lisboa gosta de "música e fardamentos novos", como se diz por graça, mas é verdade. Lisboa vem "ver", quando há qualquer coisa diferente e, meu DEUS, agora é festa ! Também eu fui "ver" e gostei de ter ido...
05 dezembro 2006
Advento

30 novembro 2006
Sophia de Mello Breyner —— 3 momentos

23 novembro 2006
Recordações na cidade pelo nevoeiro
Exemplo de meteorológicas sugestões foi hoje,em Lisboa,dia cinzento de Novembro,finamente embrulhado em nevoeiro, um friosinho fino a entrar-nos pelas narinas... ...E eu,pela rua, a caminho da Place Schumann, descendo até ao Berlémont, manhã cedo...Lá dentro, os elevadores, as alcatifas e as salas cujos quentinhos emanam dos madeiramenos que tudo revestem e parecem apenas feitos para abafar os nossos gestos e vozes. A grande bancada oval ou cicular com os seus apetrechos de som, ouvidos e olhos ávidos das nossas sempre diplomáticas palavras...E o respeito,muito respeito cívico imposto pelas bandeirinhas e tabuletas com nomes e símbolos que nos identificam e representam tantos outros países,como o nosso, em procura e por nosso intermédio, de tantos e tão necessários entendimentos ! Creio que nós, os intervenientes nesta estupenda e grandiosa missão de criar unidade a partir da multiplicidade, de fazer união do que, até então,era só individualismo( uns e outros às vezes utópicos), creio que nós nos sentimos todos mais ou menos intimidados perante aquelas bancadas envolventes de uma "bocarra" central,espaço vazio como uma goela de bicho,símbolo para muitos ,como para mim, do enorme vazio que tanta cabeça pensante dificilmente alguma vez conseguirá preencher satisfatoriamente, pelo menos enquanto actuando de forma tão aséptica e impessoal quanto nós o vamos fazendo, ali quase só números para as estatísticas da Eurostat,também ela asséptica e fria! Para nos sentirmos humanos, vale-nos o que, por detrás de nós,se desenrola de actividades logísticas várias: os tradutores,semi-murmurando nos seus camarotes; os secretários com os seus carrinhos atulhados de actas,notas,comunicados,estatísticas,mapas, memorandos, que metodicamente vão distrsbuindo;as hospedeiras com carrinhos mas estes com cafés,chás,águas e bolachinhas para todos os gostos, espalhando um rasto cheiroso que nos conforta e dá uma nota quase doméstica a toda aquela parafernália de profissionalismo e eficiência... ...
Depois,é o retorno ao cinzento frio nevoento exterior...Bruxelas anoitece introvertida,tal como amanhece.
Vamo-nos sózinhos ou em pequenos grupos,pelos boulevards super-povoados,super-iluminados, ou retomamos as auto-routes de saída para as banlieues que nos permitem ouvir o marulhar ao longe das matas húmidas e aromáticas como,por exemplo, a caminho de Waterloo...
É aqui que regresso à minha Lisboa de NOVEMBRO,hoje meteorologicamente disfarçada de cidade europeia,desligada, por este dia, dos ventos e marés cheirando a Áfricas e Índias...
19 novembro 2006
Amadeo de Sousa Cardoso
Voltando a Lisboa,avenida de Berne, agora. É o que se chama uma exposição "à séria", como os jovens gostam de dizer. Houve o cuidado de deixar em destaque as múltiplas influências que Amadeo recebeu em Paris nesse princípio do século XX em que convergiam para aquela cidade os artistas das mais variadas nacionalidades com os seus apports específicos,mas procurando todos as grandes directivas de uma modernidade que se traduzia por vários -ismos e transbordava para todas as formas de arte. Cubismo,futurismo,uns vislumbres de arte nova,algum exotismo,tudo isso marca uma espécie de secções na exposição, permitindo-nos "arrumar" melhor o nosso conhecimento de Amadeo. Mas,aprendizagens à parte, o que se traz de lá é um extraordinário banho de cor e de alegria.E é bom ter-se um tal património como nosso.Agora que tantas vezes nos vamos sentindo defraudados e entristecidos por isso...
14 novembro 2006
Outono___Miguel Torga
11 novembro 2006
São Martinho
05 novembro 2006
Medo
02 novembro 2006
CHUVA
31 outubro 2006
Memória

Usos e costumes dos Estados Unidos que sempre foram suas tradições, têm sido,aos poucos,adoptados por nós, europeus, sempre fascinados pelo que vem de "alhures" ou então farejando negócios e lucros de que não nos podemos descuidar.É assim que eu vejo o aparecimento do Dia dos Namorados( que não existia quando eu namorei),a Noite das Bruxas ou Halloween e até o que já se vai imiscuindo Thanksgiving Day. Certo é que o Halloween parece ter feito a travessia do Atlântico primeiramente de leste para oeste,pois, pela sua origem céltica,teria acompanhado os emigrantes irlandeses do século XlX. Mas porque falo disto hoje? Hoje,Noite das Bruxas? Pelas máscaras, pelas abóboras recortadas,pelas recolhas de doces pelas crianças? Nada disso.
Porque esta "embruxada" data me fere e dói sempre da mesma maneira em cada um de tantos anos de solidão que se vão sempre repetindo...
Era no tempo da Guerra.Creio que pela presença de tantos americanos na Europa,essa festa apareceu entre nós,trazida por eles.Para mim,antes dessa época,era algo que nem existia.
E,coincidência de datas,nesse dia, nessa noite,festejei com alguém,pela primeirs vez,
o seu dia de anos que nunca mais deixaríamos de festejar durante cerca dos trinta
anos seguintes, os anos de todas as minhas memórias felizes...
Embora a nossa festa nunca tivesse tido nenhuma intromissão estrangeira,eu,anos passados, nunca deixo de"ouvir"aquele "...pero que las hay,hay."
Que não me abandone a FÉ e recuperarei àmanhã a alegria que ela me ensinou a retirar,
mesmo das minhas mais saudosas recordações...
29 outubro 2006
26 de outubro
24 outubro 2006
CATS

Os ingleses trouxeram mais uma vez os seus CATS a Lisboa.A minha paixão pelos gatos não permitiria que agora os perdesse aqui, como já tinha acontecido antes. Vira-os em Londres,haverá aproximadamente uns vinte e tal anos e reencontrei-os agora.
Diferentes como não é de admirar.Menos peles a tornarem os seus corpos roliços e fofos,ausência daqueles telhados velhos e assimétricos,substituidos aqui por enormes pedregulhos constituindo grutas entre si;arrisco-me a dizer que os muitos recursos à modernidade da electrónica não me pareceram trazer muitas melhorias ao trepidante da acção ou ao romântico de certos momentos que os excelentes cantores souberam tão bem transmitir.Na hora do " the time I knew what happiness is " foi realmente uma espécie de magia que se derramou sobre nós todos que éramos muitos naquela enorme plateia do COLISEU...São dois momentos inspiradíssimos que tocam os corações latinos ! E eu, como característico da minha idade,não consegui evitar o assomo da lágrima...Aliás, se virmos bem, toda aquela história vem carregada de coisas que doem aos velhos...Memories...Só mesmo o fofinho dos gatos terá comsigo esta carga ternurenta que nos amima quando já mais ninguém está perto para o fazer.
Não se imagina como se tem saudades daquilo que representa a serenidade do nosso gato enroscado no nosso colo, a dormir...A segurança,a paz...Também magoa, na vida, perder-se o "nosso" gato...Coisas minhas!
18 outubro 2006
Do LIVRO da MINHA SABEDORIA
com ar de quem dá esmola,
dar-me a mão.
Eu não sou a que pede,
a que suplica,
e a minha fome nada significa
no vosso dicionário de ideais.
Por que estranhos caminhos sinuosos
andam essas esmolas que me dais ?
Conheço bem palavras e sorrisos
com que,nas minhas costas, me matais...
( hipocrisia? ou só irreflexão ?)
...Quero enterrar meus dentes noutro pão
que me saiba às certezas que ignorais...
13 outubro 2006
Fátima
Nunca fui a Fátima a pé. Nunca tomei parte em peregrinações organizadas.
Mas vivi em Fátima,por minha vontade, em vários períodos da minha vida. Em férias, por um mês, mais de uma vez. Em Natais e Fins de Ano. Em verões. Pela época de Todos ds Santos . Pelo meu aniversário.Sempre que posso...
Em menina,íamos de charrette,ao trote de uns cavalos elegantes que nos levavam com toda a comodidade; e era uma alegria de viagem por entre pinhais muito aromáticos e húmidos. Ás vezes acontecia chover e tudo se tornava mais difícil. Houve mesmo, de uma das vezes, um terrível problema: as elegantes rodas da charrette atolaram-se na lama até metade, o que significa que só se desatolariam puxadas e sem passageiros a fazerem-lhes peso. Lá foi preciso virem "salvar-nos", com grandes ralações para a minha Mãe e com grandes ataques de riso para mim e para as primas que iam connosco. Fátima era então um local lamacento com acessos por estradas poeirentas,se era verão, e cheias de poças de água e pedregulhos, quando a chuva não era tanta que criasse o tal lamaçal...
Quando agora me acolho em estalagens confortáveis ou nas CASAS das Religiosas que nos recebem com todos os saberes da hotelaria moderna, lembro-me das noites enrolada numa manta, com aquele friosinho da madrugada do alto da serra, encolhida contra o muro da Capelinha... Era bom ! Sempre senti, e continua a acontecer-me, que se respira leve em Fátima.
Que se medita com suavidade. Que é outro aquele mundo de perfume de estevas e alvoradas arroxeadas em céus por onde reboam os sinos , como voos de ave...A experiência de ver chegar o dia naquele espaço aberto, quase só nosso, quando não há senão a sugestão de um infinito puro
e o ressoar longinquo de pequenos ruidos a lembrar-nos o mundo, é inigualável, única...
Quero muito acreditar que, por se ter tornado "altar do mundo",não se tenham perdido as marcas dos meus pés que deixei na antiga e humilde lama, hoje tapada com o asfalto, porque esses eram os pés da minha ingénua e incipiente convicção de que a SENHORA me inspiraria para vir a ser uma grande mulher, no meu país ,que era então o meu único mundo.
Hoje, que sei o tamanho do mundo, sei também que sou apenas aquela mulher que continua a ser a dona desses pés...
08 outubro 2006
Do Livro do Génesis
Entra-se assim nas Leituras próprias da missa do dia de hoje,a partir do Livro do Génesis. E depois o Senhor Deus trouxe várias possíveis companhias às quais o Homem foi atribuindo nomes para depois as conhecer,animais de toda a espécie...Só que a nenhum o Senhor Deus deu a capacidade de ser semelhante à sua primeira criatura num total de corpo e espírito que permitisse "entenderem-se" completando-se. E então criou a Mulher, do mesmo "material" de que era feito o Homem.E perceberam que eram de tal forma feitos um para o outro que passariam a ser um só, deixando mesmo Pai e Mãe para se unirem indestrutivelmente.
Já no Evangelho,da autoria de São Marcos, é Jesus quem explica aos fariseus que só a "dureza"dos corações deles os levara a admitir e permitir a separação daqueles que o Senhor Deus fizera "carne da mesma carne".
Sei que não é tempo, agora, de sequer se lançar qualquer discussão sobre a indissolubilidade do casamento cristão.Quanta água correu sob quantas pontes !!!
Mas encanta-me a singeleza, a pureza, a ingenuidade do GÉNESIS...
O Senhor Deus sabia quanto pode ser perniciosa a solidão. E tudo fez para desqualificá-la, considerando, isso sim, que é "conveniente" a companhia.
Mais uma vez me comovo por saber que, por aí, Deus também pensou em mim !...
01 outubro 2006
Por causa da TLEBS
E agora, se continuássemos, daqui a pouco aparecia-nos por aqui Platão ou Aristóteles...
23 setembro 2006
OUTONAL

17 setembro 2006
Abertura do novo ano lectivo
Há , este ano, uma espécie de efervescência borbulhante em redor deste evento como nunca conheci, em tantos e tantos anos lectivos que iniciei ao longo da minha vida. Tantas vezes se ajustaram programas, tantas vezes se seccionaram de formas novas as fases da aprendizagem, tantas vezes se ensaiaram novas pedagogias, mas o núcleo duro dos professores mais experientes e a tímida turma dos que iam começar estiveram sempre lá,prontos a arregaçar as mangas e seguir...Não que não houvesse discordâncias com algumas inovações, mas mesmo com elas, fazíamos força para dar-lhes o nosso jeito...Queríamos ser capazes...
Tudo o que estou aqui a recordar, não é por nenhum daqueles "no meu tempo..." que são mais vezes ridículos do que úteis. É sim porque percebo que talvez agora ,tal como adivinho ou oiço,não vai poder haver tanta alegria como gostaria que houvesse nesta coisa lindíssima que é o encontro de gerações para uma espécie de passagem do facho...
Há projectos novos , mas há tanta perplexidade que tudo fica um bocado inquinado para apetecer... É difícil, está difícil... Materialmente,enleiam-se distâncias com pedagogias, casas com programas, livros com dinheiro, conceitos com práticas... Se ensinarmos agora aquilo que só se pode compreender mais tarde já é por si só uma desmotivação, o que não será juntar a isto, tudo o que não é "juntável" de que falei há pouco ?
Estamos pois no limiar de qualquer coisa que fervilha nas nossa cabeças, sem nos permitir aquela perspectiva que sonhávamos... Ao menos que não nos falte a esperança !...
10 setembro 2006
O PAPA
Curiosamente, só o rapaz é que tem mantido contacto comjgo, escrevendo-me em bom inglês a que eu sempre respondo. Foi assim que, quando perdemos João Paulo ll , o Mariusz me escreveu a dizer que o mundo ficava um pouco mais triste...
A vinda de um papa alemão que quase todos os católicos conheciam como muito rigoroso e até algo duro,foi um sobressalto. E temos andado quase todos, mais ou menos a medo, a tentar conhecê-lo mediante o que ele vai fazendo que nós possamos "ver", sejam ele aparecimentos em público, sejam ele declarações ocasionais, sejam ele documentos de doutrina ou simples afirmações, publicações avulsas ou o que quer que seja...
E não é que ele se vai "deixando amar", cada dia um pouquinho mais ?
Hoje, em Munique,uma esplendorosa missa campal. Algumas pessoas minhas amigas vieram falar-me dos olhos do Papa.___Tu viste como o olhar dele se ria e se tornava tão enternecido com as crianças?___Bem, toda aquela envolvência da multidão que aplaudia, do desempenho fantástico da orquestra, da limpidez dos cânticos daquele imenso coral juvenil juntando-se inesperadamente a uma enorme pureza na simplicidade da celebração, tinham forçosamente que se traduzir na singeleza carinhosa da homilia e, consequentemente, no enternecimento do olhar do Papa. Para com todos, não só para as crianças.
Tudo o que se passou não foi mais do que um abraço que o Papa foi dar à sua Baviera. E esse abraço ajudou decerto a que o olhássemos também nós com um olhar mais terno.
É isto o que eu vou dizer ao Mariusz, quando brevemente lhe escrever.
Um pouquinho mais de amor, sempre, de cada vez...
05 setembro 2006
Fernão Capelo Gaivota — Ericeira
Todo este Agosto de Lisboa foi uma insistente provocação à nossa capacidade física de resistir... Cada vez me convenço mais de que nós, portugueses, somos gente do mar, dos nevoeiros do largo, dos ventos a saber a sal, excepção feita, está claro, para as gentes do Alentejo que devem ter guardado genes dos mouros ou para os transmontanos a quem as "TERRAS do DEMO" apetrecharam para os conhecidos "nove meses de inverno,três meses de inferno"...Nós, os outros, vencemos os quilómetros que forem necessários só para fugir, fugir, das securas e ardências mais ou menos violentas que nos sugam a energia (e a alegria), nas cidades.Então, foi por isso que também eu tive a sorte de, uma bela manhã (sempre as manhãs !) abrir aquela janelinha de uma casa empinada sobre a falésia e ver, lá em baixo, o areal molhado pela maré que já recuara...Fugira de Lisboa para a casa de amigos que, ali, convivem com o mar como se fosse um dos "da casa". E então? Pois, não foi só o areal que me deixou colada à janela àquela hora...Fernão Capelo Gaivota estava lá em baixo !"...the gulls that were not night-flying stood together on the sand, thinking" — Certamente RICHARD BACH viu-as assim, como eu nunca as tinha visto. Eram algumas centenas, todas iguais, cobrindo o areal molhado, todas voltadas de frente para o ventinho norte e tão paradas, tão imóveis que se diria tratar-se de algum ritual ou então, como diz BACH estariam "pensando"... Só levantaram voo,todas em simultâneo, e passada uma larga meia hora. Para onde foram, decerto levavam algum daqueles sonhos do Jonathan Livingston Seagull...
30 agosto 2006
Quando o verão era "TODO" verde

Fui menina, rapariga e senhora num tempo em que a Terra não ardia e os verões eram pujantes e prometedores.E agora,procuro fazer recuar a minha memória até ao dia em que houve um primeiro sinal de uma coisa que afinal podia acontecer, mas na qual nós nunca tinhamos pensado...Sei que, como de costume, as minhas coordenadas eram entre pinhais e o mar. E,ao cair da noite,viemos muitos para a rua, todos os que eramos vizinhos, e faláva
mos uns com os outros, porque a televisão ( já havia televisão ) noticiara um enorme fogo num pinhal...Não! Não era ali, mas com tanto calor, quem sabe?...E cada um, seu pormenor, seu medo ...__A partir dessa noite, dese dia, nunca mais houve verões iguais aos de antes ! Calmos,de dias e noites longuíssimos, cheios de vagares e de pequenos prazeres,de pasmaceira...Instalou-se aquele "poder ser"...
E os confrangimentos dos porquês e das culpas...E as dores das dores daqueles que quase ardem com os seus pobres haveres a fundirem-se em cinza...E o pânico dos animais acossados que, a fugir, levam em si o fogo para mais lugares...E o ir para a frente dos que lá vão para salvar e às vezes não conseguem salvar-se a si próprios...E, e, e...Um sem fim torturante que nos marca os verões que, agora, não são mais pujantes e prometedores. Só mesmo quem atravessar as paisagens negras a perder de vista, com um ou outro tronco retorcido como um pedaço de carvão de pé, pode entender a mágoa desta saudade que é afinal aquilo de que falo hoje...
24 agosto 2006
CARDAL

Lembro-me de que abria a janela de par em par e me entrava pelo quarto dentro o perfume das folhas das figueiras. Era um perfume acre e denso, trazido pela humidade do riacho de águas saltitantes e geladas àquela hora e à beira do qual se alinhavam duas ou três enormes figueiras.
Isto, era ainda lusco-fusco, acinzentado, da manhã que lá vinha.
Mais tarde, eu descia e "ia aos figos"...Já eram outros os cheiros e tudo, na manhã que aquecia, me convidava ou desafiava...
Tudo isto me vem invariavelmente à memória agora, quando, pela manhãsinha, abro as portadas para o terraço e, mais do que pela majestade do lago, lá em baixo, ainda pouco verde, meio lilás e embrumado, me sinto enfeitiçada por aquele perfume vegetal, mal definido, com cambiantes que vão das plantas de jardim aos arvoredos e às ervas bravas...Náo deixo de sorrir ao pensar na luta "ingente" em que se empenham agora os meus amigos contra uma nada pacífica invasão de toupeiras.Isto não é de amigo, mas eu entendo tão bem a volúpia dos animaisinhos a saborearem a frescura e os perfumes destas terras tão mimadas pelos donos.tão macias, tão convidativas !...Das gotículas frescas que o sol vai fazendo brilhar sobre cada planta, parece evolar-se uma humidade límpida e cheirosa e longe, lá muito longe dali, há gente que queima a lenha do primeiro forno, do primeiro pão do dia...
Já não tenho há muito aquela idade de"ir aos figos", mas fico-me a "saborear" todos estes desafios do dia que começa e eu tenho a Graça de poder viver...
22 agosto 2006
Revisitar o passado
como um cego
que viu e sabe que era ali...
Eu conheço a cidade !
Vivi cá !...
Contornava-se a Praça
e indo em frente...
...não!...Acho que não era por aqui...
Talvez na outra esquina. mais para lá...
Mas era a casa grande,logo em frente...
...e o Mosteiro...
Não me parece estarem como dantes...
E o Convento?
E o rio? Que eu sabia de cor
nas curvas e corredores de cada um?...
Sou como um cego:
Estendo a minha mão
e não encontro o sítio de apoiar-me
que eu julgava inserido na recordação
e possuia como certo...
Tudo agora está aberto
mas é da multidão...
14 agosto 2006
Férias
Estes são aqueles amigos a quem Jesus nada teria que ensinar, quando lhes lavasse os pés!
Então, após uma correria de preparar os necessários, lá vou partilhar todo aquele conforto de franca convivência, sem ideias preconcebidas, e cheio de mostras de carinho... e a casa, e a paisagem, e os longos serões a contar as estrelas, e o espelho das águas, lá ao fundo...
Quando voltar, falarei das madrugadas enroladas na bruma que sobe da água e do friosinho dessa hora, só dessa hora... E talvez das longas conversas em redor da mesa, depois do jantar, sem pressas...
11 agosto 2006
Alcochete
Aconteceu-me uma vez uma manhã, manhãzinha, quase outonal, mas ainda morna, a permitir sentir todos os cheiros, ouvir todos os sons de vários tons, debruçando-me longamente sobre a margem quase deserta de um Alcochete ainda meio adormecido.
Era um mundo... De pureza, de “ab initio”, de paz !
Ontem, pleno Agosto, sol de fundir metais, a mesma margem, mas abeira-se o meio-dia...O mesmo Tejo ? Não. Está inchado, pela maré... E pela gente ! O povo tem calor, muito calor...e rebenta nas roupas reduzidas, nas dilatadas curvas indecentes que a cerveja gelada ajudou a impar... Rebola-se na areia meia seca e entra pela
Água como se fosse sua, a espadanar...
Não há aves marinhas pelo ar, nem a água murmura como da outra vez...Nem Lisboa tem bruma...E há apenas barulho a vozear ..
Pensei em ORTEGA Y GASSET...
O Homem e a sua circunstância.
06 agosto 2006
SOLIDÃO
Compreendi depois que era demasiado ambicioso o crer-me em total sintonia e sincronia com as misteriosas cidadelas de silêncio de cada um dos "outros" e fui-me apercebendo dos imensos desfasamentos que iam construindo a minha solidão. Por acaso, vi uma vez que OCTÁVIO PAZ fala do"labirinto da solidão" como uma das causas primeiras da ausência de solidariedade.
Labirinto é de facto a palavra certa para traduzir esta espiral, com ilusórias possibilidades de saídas, em que nos vamos enrolando de tal maneira que já nem sabemos muito bem se sim ou não temos vontade de sair dela.
É que,às tantas, o estar-se ou o ser-se só passa a ser um pouco viciante... e cómodo !...
01 agosto 2006
AGOSTO E MIGUEL TORGA
Aqui,neste país e nesta hora,
Aqui, junto dos meus
Mortos ou vivos,
Aqui, de pés atados,
Mas livre, como os balões cativos
que pairam...ancorados.
30 julho 2006
Momento Zidane
Mas LOURENÇO chama-lhe um momento ZIDANE. Compreensível, pois. E mais, diz ele que todos, todos nós temos os nossos momentos Zidane !...
27 julho 2006
Da AMIZADE
Desde sempre entendi que aquela expressão _ter parte com_se referia a algo que os uniria a todos, para além de tanto que tinham vivido juntos, para além daquilo a que hoje chamaríamos talvez camaradagem. Era mais união, intimidade. E parto sempre daqui para a AMIZADE.
Toda a rudeza daqueles homens que seguiram Jesus, talvez lhes não permitisse a sensibilidade para quanto os unira o viverem lado a lado o bom e o mau, as horas de cansaço e as horas de fraqueza, os fracassos e as alegrias, a fome e as sedes, os medos, os pés feridos, as surpresas...
Punham tudo em comum, sabiam os cuidados e os pequenos segredos de uns e outros...
E com todos os grandes e os pequenos momentos haviam construido algo a que só JESUS sabia dar um nome que lhes ensinou naquele gesto simbólico .
Claro que nós ,dois mil anos de sensibilidades apuradas, não pensamos assim a amizade.
Não " temos parte" com ninguém, porque somos amigos,sem partilha real e efectiva. Queremos amigos garantidos pela tecnologia, mas a distância entre nós todos é cada vez maior. Que sei eu do hora a hora, do silêncio ou do esgar com que reage ou chora o meu amigo, nos seus momentos a que nunca assisto ?
Para termos parte com alguém não deveriamos escolher outra palavra?
Percebemos quanto a palavra AMIGO vai estando gasta ?
25 julho 2006
Habitar sempre a sua própria casa__Que guerra?
Todos nós necessitamos, incessantemente, de apropriarmo-nos dos acontecimentos, de fazè-los nossos, senão a nossa presença no mundo seria uma desadequação insustentável.
Mas, em tudo isto,quem crê em Deus pode ir bastante mais longe, porque, ao descobrir o sentido dos acontecimentos, reconhece um novo tipo de relação com esse mesmo Deus. Nunca mais será aquele fatalismo__"...é a vontade de Deus, submeto-me..."__ mas será antes __"...graças,meu Deus, porque me ensináste esta outra forma de vida..."
E sabemos todos que somos de novo capazes de revigorar velhas forças para uma nova partida, para ,sempre, a nossa própria "casa"...
É com isto que contamos, nesta, mil vezes repetida, impiedosa guerra que não queremos...
23 julho 2006
VELEIROS
qui glisses sur l'eau bleue
comme un cygne rêveur,
petit oiseau marin,
couleur des roses blanches,
va loin, très loin,
chez les nuages ou les dieux,
chez les contes de fées...
Va chez les doux miracles
et glisse sur l'eau verte...
Je me laisse emporter
vers les gouffres ou les cieux
vers les cimes rêvées...
Este pequeno poema é extraído de um conjunto a que chamei "POEMAS COR DE ROSA" ,tão datados que devia ter algum pudor ao dar-lhes alguma visibilidade agora, que já até esqueci porque é que alguma coisa pode ser cor de rosa !
Porém, foi um tal agitar de recordações aquilo que vivi hoje, que até me permiti dar-me a este "luxo" de ir revisitar o que tão intensamente foi para mim cor de rosa noutras vidas...
Os grandes , majestáticos veleiros deslizavam num Tejo de dias de festa: azul como poucas vezes, aqui e ali manchado do verde que só se vê no fundo das esmeraldas verdadeiras, e liso e bem comportado, como costumo dizer, passado a ferro. E eram às dezenas, como pássaros poisados, os pequenos veleiros que, à volta dos grandes , pareciam brincar ( apetecia-me dizer retoiçar, como se usa para os petizes ). Parecia até que não haveria ninguém que tivesse uma qualquer casca de noz , com um mastro e um pano de vela, que tivesse ficado em terra!
Era um hino à alegria ! Os grandes senhores de toda a festa , velas de várias cores, do verde ao preto (!!!), de várias geometrias e impulsos, embandeiraram-se de mil maneiras, uns finos e longuissimos, outros mais encorpados, proas altas, e fendiam aquelas águas oferecidas, sedutoras, com uma espécie de amor, carinhoso e suave... Será que aos respectivos países eles vão levar esta maresia tão só nossa? Esta recordação que a nós nos fica ?...
21 julho 2006
Que guerra é esta ?
E se não houvesse armas?...
19 julho 2006
METEOROLOGIA
E acordámos sob um calor embaciado mais sufocante do que o soalheiro.
Foi depois que se soltaram os ventos...Alucinados, desarrumados,medonhos, ameaçadores. Duraram talvez um quarto de hora a enrolar e desenrolar ramos de árvores, plantas amadas das donas de casa, em suas varandas, janelas timidamente entreabertas, saias de muita roda de raparigas vistosas...enfim, um tumultuar tão louco quanto absolutamente fora de qualquer expectativa. E como o calor continuou durante e depois, o bicho-homem teve medo. Mas de quê? O certo é que este "bicho da terra tão pequeno" já nem sabe muito bem de que é que tem medo.
Tem medo. E é assim mesmo!
São tantas as tragédias meteorológicas do mundo com que nos vemos envolvidos, afligidos, sacudidos, presenciais, graças a todos os meios globalizantes que são o benefício deste progresso que, por várias vias ,nos vai matando aos poucos, que em vez de sermos mais sábios e precavidos, vamos tendo mais medos e cada vez nos valemos mais da esperança...
Mas quem pode resistir à volúpia do perfume quente da terra molhada, humedecida de fresco, quando acontecem coisas assim em pleno verão?
16 julho 2006
Aleixo e ...Agostinho
Do Aleixo
Há tanto burro a mandar
em gente com competência
que às vezes chego a pensar
que a burrice é uma ciência...
De Agostinho da Silva
...e posto que viver me é excelente,
cada vez gosto mais de menos gente...
13 julho 2006
Quem "faz" um escritor?
Dos milhares de livros lidos até esta minha idade, faço agora um levantamento. Desde já, deixo à parte todos aqueles que usei para a minha formação,por onde estudei e que foram o alicerce de tudo o que hoje sei.Começaram por entrar na minha vida, ou citados ou aconselhados pelos vários tipos de mestres que fui tendo.A partir de certa altura, eu própria fui sabendo encontrar outros que ou lhes eram relativos, ou consequentes , ou complementares.
Mas os livros de lazer,de prosa ou poesia, como os tive? Como soube deles?
Todos os clássicos que respaldaram a minha formação cultural e literária, podem ser incluidos no grupo dos que atrás referi.
Porém, bem novinha, comecei a ler a Condessa de Ségur e o Júlio Verne que me foram apresentados numa espécie de tradição familiar.A par desses vieram também contos tradicionais e traduções de La Fontaine.
Já mais mulherzinha,eram as amigas do colégio que passavam palavra e, por étapas sucessivas, apareceram várias fontes de encantamento.Lembro um tal Max du Veuzit,capas azuis com letras de azul mais escuro,que hoje reconheço que seria o que agora chamamos literatura light, e que nós todas liamos ás escondidas.Felizmente fui descobrindo coisas melhores. Lá vieram as irmãs Brontë, a Florence Barcklay, a Pearl Buck , o Pierre Lôti, o Stephen Zweig, e muitos depois e de outras maneiras,traduções ou não ,que o meu aprendizado já ia permitndo o prazer que nunca perdi de preferir os originais.
Tudo isto para dizer que só na Faculdade comecei a ouvir falar de EDITORES e de EDIÇÕES.
Por causa dos nossos estudos comparados, por causa das nossas pesquisas. O valor relativo do editor ou da edição reportava-se à maior ou menor fidelidade ao texto original do autor ou à sua verdadeira situação na época ou no espaço.O editor era para nós,talvez,uma espécie de prova testemunhal...
E como tanta coisa mudou ,que nem já Camões saberia como cantar essas mudanças, a minha perplexidade cresce todos os dias, porque todos os dias constato,na leitura de jornais e revistas da especialidade, o aparecimento de novas e múltiplas editoras, sem que isso corresponda a uma mais ampla divulgação de ljvros novos.O editor não é raro , como naqueles tempos,claro...
Mas o editor anuncia-se,em fortíssimas pressões publicitárias, apresenta as suas performances e muita gente,toda a gente, conhece as coordenadas políticas em que se situa.
É assim que estou quase a chegar à razão da minha pergunta inicial.
Como actualmente é enorme toda a espécie de concorrência, como poderá o editor competir com os seus pares se não for pelos melhores trunfos que possa apresentar ? Escolherá os "seus" escritores, segundo critérios comerciais, como é óbvio.E então tratá-los-á como vedetas...
Infelizmente, há muito mais escritores do que estes "escolhidos" que se sentem excluidos, injustiçados . Mas ,como em todos os negócios, às vezes, por um acordo negocial, também outros são aceites para publicação .Mas ...não serão nunca vedetas.
É assim que me acontece às vezes encontrar um livro muito bom,por mero acaso, recentemente publicado mas de um autor de que nunca ouvi falar...
Tenho um desses na minha mão agora.
12 julho 2006
10 julho 2006
Esta espécie de rotulagem foi-me dada por pessoas muito diferentes entre si e que eu sei que me lêem com "olhos" também muito diferentes.
Se isto é então verdade, é algo que me ultrapassa, porque eu não escrevo senão com a intenção de me libertar.Era o Freud que dizia que o peso de uma" culpa" não desaparece enquanto a não verbalizarmos...
E pergunto-me se, para além do que julgamos conhecer de nós, ainda existe um "mais fundo" um "mais íntimo", nunca confessado, que se nos escapa quando não estamos de sobreaviso...?
É pois preciso estar muito mais atenta !
Temo realmente que essas observações que me fizeram os meus amigos tenham vindo roubar a naturalidade da sensação de evasão que o escrever me proporciona.
Sinto-me agora enleada no medo da revelação de coisas que afinal nem eu ainda sei de mim...
Mas sei , isso sei, que não há que confundir fé com misticismo.
06 julho 2006
O porque acreditamos pode sempre diluir-se, desvanecer-se, ou, pelo contrário, pode consolidar-se, transformar-nos em crentes ou, o que será muito mau, fazer de nós uns fanáticos...
Por isso, é preciso não prescindir da dúvida, a bem da nossa liberdade...
05 julho 2006
gostava de falar em línguas novas
com palavras que fossem desenhadas
pelo fogo de um olhar e, ao mesmo tempo,
ribombassem surdo,
como o longínquo estrondo do trovão...
... Bolhas a ser sinais
de uma qualquer fermentação...
O por dentro das feridas materiais
traz ao corpo que as tem a dor pior,
tortura mansa da humilhação
de assistir-se a si mesmo,
causa e efeito,
progresso esconso da degradação...
Despudorada e nua, vem a dor...
E aprofundam-se os espaços abissais
entre aquilo que morre e o que é infinito.
Desmorona-se o que era tão bonito
na história da humana condição...
Estigma que a ferro em brasa foi marcado
— jogo de luz e sombras, perda e esperança —
porque é também de carne este ser limitado
que nasceu também Deus,
só porque foi criado
à sua semelhança ?...
02 julho 2006
Contagiada por tudo o que o vinha envolvendo, eu "estive" na TV,a vê-lo.
E vi esta coisa lindíssima : aquele jogador que me parece ser o mais novo de todos eles, consegue, com a sua jogada, garantir o triunfo da sua equipa e, logo, logo, levanta os olhos, a cabeça,a mão,para o alto e ...murmura !!!Todo o seu corpo é uma ascenção para um ALTO onde ele sabe que é ouvido, que é visto...
Podia esperar tudo menos esta imagem assim,no meio de toda aquela parafernália de forças, manhas,desafios,violências. E não consegui conter uma lágrima de emoção perante aquela explosão de FÉ, tão genuina quanto imprevisível.
E um pouco mais tarde, já com a poeira da refrega mais assente, surge-me um outro "herói",o responsável por toda a glória dos outros, aquele que aparou com as suas mãos possantes todas as investidas dos seus atacantes , o que tinha razões bem fortes para uma bem humana vaidade,
ao ser perguntado sobre a quem dedica esta vitória , responde com os olhos húmidos,que ao
seu filho,à sua mulher e...aDEUS ! Assim, na mais natural das simplicidades.
Afinal o foot-ball é bonito!
Eu é que não sabia...
01 julho 2006
A minha formação e a informação na área desportiva sempre foram quase nulas. Por isso sei muito pouco acompanhar, como talvez deveria, aquele grupo de rapazes que a TV nos mostra juntos com a bandeira e o hino deste meu país que eu tanto amo.E agora amo-os a eles todos.Não quero que lhes aconteça nenhum mal :são fortes, saudáveis, bonitos...e parecem-me um tanto ingénuos, se acaso os oiço falar.Têm de muito bom uma enorme crença na defesa de certos valores, e isso tem muito a ver com a preservação da nossa consciência de povo , de nação.
E então vejo-os, oiço-os, sinto-os, a viver toda esta ansiedade porque aí vem um SENHOR JOGO,e fico-me a pensar :como terá sido para eles este escoar de tempo, até hoje?
Para depois daquilo a que os obriga a sua função de jogadores, o que lhes fica nas horas de expectativa? Será que nas suas cabeças ou nos seus corações há a noção de um relógio como este
meu?
O RELÓGIO DE SALVADOR DALI
Como do tempo estou andando atrás,
hoje porque me falta e já se esvai,
àmanhã porque, em esperas, me parece demais,
entendo que é a VIDA que se escoa
entre dois ponteiritos deslizantes
sobre um surrealista mostrador
que,indiferente e flácido ,entretece
os segundos e as horas e as deshoras
da nossa vida toda, até um dia...
Dia da soma de tantas demoras,
das chegadas falhadas,
das partidas tardias...
Eu é que então não estarei mais aí.
Ter-se-ão já escorrido todas as minhas horas...
Estarão já derretidos os meus dias...

