08 abril 2011
Marta e Maria , as novas vizinhas
Já é conhecida por todos os meus amigos a teoria que defendo sobre o que eu própria classifiquei de vicinidade.Não se pode negar que os vizinhos que habitam sob o mesmo telhado que eu, que entram pela mesma porta principal no acesso a suas casas como eu, que usam as mesmas escadas e patamares que eu, e tudo isto ao longo de algumas dezenas de anos, constituem comigo,dentro da nossa cidade, do nosso bairro, da nossa avenida ou rua, uma célula social bem definida, para começar, sendo depois de entrar em linha de conta com todos os factores sentimentais e de sociabilidade que acabam sempre por uni-los mais ou menos uns aos outros conforme as suas regras educacionais, culturais ou pura e simplesmente convivenciais e de carácter. É assim que vivendo eu num prédio (a alturas tantas transformado em condomínio) há mais de cinquenta anos, não posso, num mínimo de humanidade, alhear-me das pequenas alegrias ou grandes tristezas que têm perpassado ao longo das vidas das famílias cujos corações quase oiço bater ao meu lado... Já morreram alguns. Entretanto vieram outros para os espaços que esses deixaram abertos. Houve obras, modernizações,mas os mais velhos foram ficando sempre iguais a si mesmos, acolhendo os mais novos recém-vindos com prazer e curiosidade pela novidade...Jovens casais a tornarem até o prédio mais alegre, mais vivo... Tão vivo que acaba um deles de dar a este mundo a beleza maior que é uma nova vida. E não uma, mas duas ! Pois é : agora temos duas novas vizinhinhas, uma chamada Marta e outra de nome Maria. Uma alegria ! Um refrescamento ! Um credo na Vida ! Uma Primavera a brotar de facto, muito mais eloquente do que milhares de rodriguinhos literários...Teve Jesus duas amigas, irmãs de Lázaro, que também se chamavam assim. E Ele as acompanhou e deu provas públicas de quanto as estimou sempre, com o seu Amor que náo era como qualquer outro. Oxalá seja também um Amor assim que acompanhe estas duas minhas novas vizinhas que ,para já ,são símbolo das alegrias quase pascais de que todos estávamos a precisar...
02 abril 2011
...da alegria
Há mesmo uma atmosfera de ausência de alegria ou sou apenas eu que a cultivo e a deixo envolver o meu mundo ? Mas sou capaz de jurar que ando à procura do que pode parecer-se com aquilo que me trazia sempre pronta a um "bon mot", um bom sorriso ou mesmo uma boa gargalhada. Nos jornais, nas revistas, nos programas de televisão que anunciam humor... E nada ! Olho-os através das minhas lentes, será por isso ? A notícia, o comentário, o improviso que nos chegam começaram entretanto a ser por mim classificados dentro da respectiva capacidade de ou me ralarem muito, ou me assustarem apenas ou de terem em si mesmos uma certa carga de tristezas antigas que até se transformam em memórias carinhosas ... E mais não posso fazer para aguentar-me à tona desta maré invasiva de desencanto que, qual tsunami, arrasta comsigo TUDO o que era alegre e/ou nos dava a alegria de viver q.b Sei que há alguns que não conseguem sequer o esforço da tentativa... Que nos salve a esperança que nos vem pela Fé! Hoje, lembrei João Paulo II que morreu num 2 de Abril, e o seu exemplo de vida, rememorado ,proporcionou-me um dos tais momentos carinhosos que ajudam dulcificar muito do que nos amargura...
25 março 2011
Romeu e Julieta
Como me foi surpreendente, no meio deste ramerrão diário da minha vida actual, ver-me quase por magia sentada numa plateia, a meio da tarde, em dia nem feriado,nem domingo, a assistir quase de novo comovida como aos dezoito anos, ao dramático desenrolar daquele amor paradigmático de Julieta e Romeu ! Desta vez foi em forma de bailado ( Companhia Nacional de Bailado ), um recital especialmente organizado para fins culturais, sendo a bailarina - Julieta uma perfeita imagem da pureza, da delicadeza, da frescura e ingenuidade exigíveis `a sua representação. Todos os bailarinos, aliás,eram de um nível muito bom, mas ela excedia-os isso é inegável. Também esplêndido, perfeito, era o guarda-roupa de todos os intervenientes (séc.XVI)
Dos meus contactos com as traduções deste drama de Shakespeare em peças musicais, creio que de uma ópera de Gounot a fantásticas sinfonias com corais excelentes, de Tchaikowsky e também, segundo julgo lembrar-me de Berlioz, até este bailado de Prokofief, tenho guardado sempre recordações plenas de encanto, pois às peças associo locais,e pessoas, para além do envolvimento sempre poderoso da história. Tive mesmo oportunidade de ir a Verona e imaginar in loco aquele namoro exaltado... Pois esta minha surpresa de agora agitou memórias e ofereceu-me uma actualidade que me fizeram feliz ! Tudo porque um simples gesto de amizade vem até nós,ás vezes mesmo no momento em que mais precisamos dele...
Dos meus contactos com as traduções deste drama de Shakespeare em peças musicais, creio que de uma ópera de Gounot a fantásticas sinfonias com corais excelentes, de Tchaikowsky e também, segundo julgo lembrar-me de Berlioz, até este bailado de Prokofief, tenho guardado sempre recordações plenas de encanto, pois às peças associo locais,e pessoas, para além do envolvimento sempre poderoso da história. Tive mesmo oportunidade de ir a Verona e imaginar in loco aquele namoro exaltado... Pois esta minha surpresa de agora agitou memórias e ofereceu-me uma actualidade que me fizeram feliz ! Tudo porque um simples gesto de amizade vem até nós,ás vezes mesmo no momento em que mais precisamos dele...
21 março 2011
Poema
silenciosamente aproximo-me do poema
circundo-o duma palavra faço nela
uma incisão deliberada
e exponho a ferida ao ar sem protegê-la
para que infecte e frutifique
de resina ainda com gosto a papel húmido
o poema cresce ramifica-se
comovidamente do cerne para a casca
inteiro liso adstringente sinuoso
mas
todo o poema é perfeitamente impuro
No Dia da Poesia, um POEMA de Vasco Graça Moura
circundo-o duma palavra faço nela
uma incisão deliberada
e exponho a ferida ao ar sem protegê-la
para que infecte e frutifique
de resina ainda com gosto a papel húmido
o poema cresce ramifica-se
comovidamente do cerne para a casca
inteiro liso adstringente sinuoso
mas
todo o poema é perfeitamente impuro
No Dia da Poesia, um POEMA de Vasco Graça Moura
19 março 2011
Em nome do PAI
Em nome do Pai..
E era o horizonte o fim da linha !
Partidas de chegadas,
rotas perdidas por um triz,
subitamente abertas portas antes fechadas
e ainda e sempre longe o fim da linha...
Em nome do Pai,voltar atrás por onde dantes vinha ?
Quisera , mas não sei mais fazer agora
todas as coisas que antes não fiz,,,
E era o horizonte o fim da linha !
Partidas de chegadas,
rotas perdidas por um triz,
subitamente abertas portas antes fechadas
e ainda e sempre longe o fim da linha...
Em nome do Pai,voltar atrás por onde dantes vinha ?
Quisera , mas não sei mais fazer agora
todas as coisas que antes não fiz,,,
13 março 2011
Reconciliação - Alberto Caeiro
Sendo hoje o primeiro domingo da quaresma deste ano, procurando nós durante este período reabilitarmo-nos,já não digo perante o nosso Deus, mas mesmo perante nós próprios, todos os princípios da nossa catequese de uma vida inteira são agora particularmente revisitados, não apenas recordados, mas de tal maneira revistos, que alguns nos aparecem iluminados com uma nova luz nunca percebida antes... Foi assim que me aconteceu agora posicionar-me de outras maneiras, dentro daquele difícil capítulo de " amar os nossos inimigos", que para mim se traduz em amar TODOS, porque,embora haja pessoas de quem não gosto muito, inimigos não tenho. E então, espantosamente sem razão aparente, fui ler pela enésima vez alguns heterónimos de Fernando Pessoa dos quais geralmente não gosto, como pode não se gostar de Paula Rego por exemplo( sendo, no entanto, apaixonada pela Mensagem)- Comecei por aquele a que o Pessoa chama O Mestre :ALBERTO CAEIRO. E li algo que me fez duvidar se não estava a fazê-lo pela primeira vez, encantando-me de tal maneira que li e reli tantas vezes, como que a penitenciar-me do desprezo antigo...Foi uma reconciliação de tal forma que decidi fazer um pequeno excerto do poema motriz da "reconciliação" e trazê-lo aqui ao registo no meu post para que ,se tiver leitores, eles partilhem comigo o prazer do gozo das qualidades da expressão do sentimento do poeta, tanto na sua formatação literária como na da sensibilidade toda humana e humilde que ele aqui assume sem disfarce. Do poema VIII de O Guardador de Rebanhos « Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro. Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava. Ele é o humano que é natural, Ele é o divino que sorri e que brinca. E por isso é que eu sei com toda a certeza Que ele é o Menino Jesus verdadeiro. E a criança tão humana que é divina E esta minha quotidiana vida de poeta, E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre, E que o meu mínimo olhar Me enche de sensação E o mais pequeno som, seja do que for, Parece falar comigo. A Criança Nova que habita onde vivo Dá-me uma mão a mim E a outra a tudo o que existe E assim vamos os três pelo caminho que houver, Saltando e cantando e rindo E gozando o nosso segredo comum Que é o de saber por toda a parte Que não há mistério no mmundo E que tudo vale a pena. A Criança Eterna acompanha-me sempre. Adirecção do meu olhae é o seu dedo apontando. Omeu ouvido alegremente atento a todos os sons São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas. Damo-nos tão bem um com o outro Na companhia de tudo Que nunca pensamos um no outro. Mas vivemos juntos e dois Com um acordo íntimo Como a mão direita e a esquerda. Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas No degrau da porta de casa Graves, como convém a um deus e a um poeta, E como se cada pedra Fosse todo o universo E fosse por isso um grande perigo para ela Deixá-la caír no chão. Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens E ele sorri, porque tudo é incrível. Ri dos reis e dos que não são reis, E tem pena de ouvir falar das guerras, E dos comércios, e dos navios Que ficam,fumo no ar dos altos mares. Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade Que uma flor tem ao florescer E que anda com a luz do sol A variar os montes e os vales E a fazer doer aos olhos os muros caiados. Depois ele adormece e eu deito-o, Levo-o ao colo para dentro de casa E deito-o, despindo-o lentamente E como seguindo um ritual muito limpo E todo materno até ele estar nu. Ele dorme dentro da minha alma E às vezes acorda de noite E brinca com os meus sonhos. Vira uns de pernas para o ar, Põe uns em cima dos outros E bate as palmas sozinho Sorrindo para o meu sono. Quando eu morrer, filhinho, Seja eu a criança, o mais pequeno, Pega-me tu ao colo E leva-me para dentro da tua casa. Despe o meu ser cansado e humano E deita-me na tua cama E conta-me histórias, caso eu acorde, Para eu tornar a adormecer. E dá-me sonhos teus para eu brincar Até que nasça qualquer dia Que tu sabes qual é... Esta é a história so meu Menino Jesus. Por que razão que se perceba Não há-de ser ela mais verdadeira Que tudo quanto os filósofos pensam E tudo quanto as religiões ensinam ?
08 março 2011
Dizer de ser Mulher
Dizer de ser Mulher
será preciso?
Umas das outras nós sabemos tudo.
E a forma como damos a saber
a força imensa
da nossa fraqueza
é sendo mães, amando,
fazendo do trabalho uma alegria,
e dando tanto a todos em ternura
quanto lhes dá o pão de cada dia
por mais que seja dura
a fome sobre a mesa...
Dizer de ser Mulher
é dizer companheira
se ter um companheiro for destino.
Dizer de ser Mulher
é dizer ser presença. ser esteio,
sendo a parte mais frágil do cristal
num mundo já tão pouco cristalino...
Dizer de ser Mulher, será preciso ?
Arriscámos um dia o Paraíso
por uma convicção bem definida :
Ser Mulher afinal
já então era só
ser a fonte da VIDA ! ! !
será preciso?
Umas das outras nós sabemos tudo.
E a forma como damos a saber
a força imensa
da nossa fraqueza
é sendo mães, amando,
fazendo do trabalho uma alegria,
e dando tanto a todos em ternura
quanto lhes dá o pão de cada dia
por mais que seja dura
a fome sobre a mesa...
Dizer de ser Mulher
é dizer companheira
se ter um companheiro for destino.
Dizer de ser Mulher
é dizer ser presença. ser esteio,
sendo a parte mais frágil do cristal
num mundo já tão pouco cristalino...
Dizer de ser Mulher, será preciso ?
Arriscámos um dia o Paraíso
por uma convicção bem definida :
Ser Mulher afinal
já então era só
ser a fonte da VIDA ! ! !
07 março 2011
Carnaval
Domingo de CARNAVAL
Estamos em pleno período de Carnaval .Lisboa está a disfrutar os seus dias de pacatez e certamente isso acontece por esse país além, em todas as cidades e vilas e lugares que não se sentiram vocacionados para o gozo e divertimento públicos em data e hora marcadas pelos calendários internacionalizados.Se olharmos esta época como uma boa oportunidade de pausa para tarefas que mais ou menos a justifiquem,ela é pura e simplesmente deliciosa...Recordo as minhas fériasinhas em Saint Cergue e no Tirol, aquelas escapadelas de um só dia às concorridíssimas pistas de neve cujos nomes só recordo quando há transmissões de corridas pela TV...Mas isso não é aquilo a que vulgarmente se chama CARNAVAL. Esta festividade,como quase todas as que entraram na tradição popular, com mais ou menos legitimidade, vai radicar~se em tão antigas como deturpadas origens.A degradação social e moral que veio acontecendo progressivamente antes da chegada de CÉSAR ao poder,em ROMA, acrescida da quase total aceitação pelos Romanos dos nomes dos deuses gregos em substituição dos dos seus próprios deuses, tornou como que mais liberal e depois mesmo libertina a relação dos homens com os deuses, visto que os deuses gregos tinham características menos míticas e qualidades mais humanas do que os deuses romanos. E assim as inúmeras festas que eram feitas em suas homenagens foram adquirindo configurações especialíssimas consoante fosse a "esfera de acção" do deus celebrado. Foi assim que, em 186 AC, as Bacanais levaram à prisão e execução inúmeras pessoas que tomavam parte nas festas.Baco era o nome que os Romanos haviam retirado de uns gritos de euforia produzidos pelos gregos nas festas de DIONISOS, deus do vinho e dos prazeres.A isto e muito mais se deve o CARNE(M)( VALE que apareceu não logo, logo,como a medieval tradução literal do"adeus à carne", mas ainda como aquela festa em que nada parece mal, como ficou registada no adagiário português.Ignoro como o Mundo girou para que o grande Carnaval das loucuras fosse acontecer noBRASIL,ou como, no séculoXVIII, em Veneza, requintadas damas e viciosos Casanovas criaram a sua lindíssima tradição carnavalesca. Porém intuo que os rebolados nus brasileiros devem ter muito que ver com o clima e quedo-me perplexa ao ver em Portugal, agora , despirem-se com estes frios, ao sabor da imitação mais descabida...A tradição portuguesa nunca foi de nus. Estou a pensar em como se estragava a roupa, nos anos trinta ( séc.XX), quando grupos de foliões, ao virar de uma esquina, nos esborrachavam ovos e pastéis e outras coisas pastosas, sobre os fatos e os cabelos. O que eu própria sofri sendo atacada à saída do colégio , com bisnagas esguichando líquidos de que eu tinha verdadeiro terror.E as pancadas secas de uns certos saquinhos jogados com mestria para se esvaziarem de areia sobre as nossas cabeças e roupas. Mas, agora mesmo, os executantes da Dança dos Cuzes, em Cabanas de Viriato, estão vestidos da cabeça aos pés e também os coloridos Caretos são uns peludos e totais disfarces...Tudo isto nos fala de um carnaval de rua. Mas as mais lindas versões de Carnavais de Salão, bem portugueses ,de princípios do século XX,são as que me foram contadas _vividas_ pelos meus Pais.No Porto e em Beja.No Porto,uma das noites de Carnaval era de ida a um dos teatros da cidade, todos vestidos rigorosamente de gala,senhoras e senhores. E então,"jogava-se" ,em troca das serpentinas das actrizes, atirando para o palco caixas com joias verdadeiras...Em Beja, havia, no Clube, três bailes de gala ( um por cada noite), onde as ceias eram volantes.Na hora própria, entravam no salão de baile pequenos carrinhos puxados por carneiros de pêlo alvíssimo decorado com laços de fitas de cores,carrinhos esses que vinham "carregados" com as mais variadas iguarias armadas artística e tentadoramente.Os carrinhos iam circulando e todos se iam locupletando a gosto...A que distância de tudo isto fica a actual passagem de cortejos onde se mostra uma preferência nítida pela perversão na confusão dos sexos ou pelas piadas pesadas sobre política ou sobre factos sociais,tudo muito nu e...ao frioAproxima-se então de novo a época em que todos vamos saber porque dizemos CARNE(M) VALE...
Estamos em pleno período de Carnaval .Lisboa está a disfrutar os seus dias de pacatez e certamente isso acontece por esse país além, em todas as cidades e vilas e lugares que não se sentiram vocacionados para o gozo e divertimento públicos em data e hora marcadas pelos calendários internacionalizados.Se olharmos esta época como uma boa oportunidade de pausa para tarefas que mais ou menos a justifiquem,ela é pura e simplesmente deliciosa...Recordo as minhas fériasinhas em Saint Cergue e no Tirol, aquelas escapadelas de um só dia às concorridíssimas pistas de neve cujos nomes só recordo quando há transmissões de corridas pela TV...Mas isso não é aquilo a que vulgarmente se chama CARNAVAL. Esta festividade,como quase todas as que entraram na tradição popular, com mais ou menos legitimidade, vai radicar~se em tão antigas como deturpadas origens.A degradação social e moral que veio acontecendo progressivamente antes da chegada de CÉSAR ao poder,em ROMA, acrescida da quase total aceitação pelos Romanos dos nomes dos deuses gregos em substituição dos dos seus próprios deuses, tornou como que mais liberal e depois mesmo libertina a relação dos homens com os deuses, visto que os deuses gregos tinham características menos míticas e qualidades mais humanas do que os deuses romanos. E assim as inúmeras festas que eram feitas em suas homenagens foram adquirindo configurações especialíssimas consoante fosse a "esfera de acção" do deus celebrado. Foi assim que, em 186 AC, as Bacanais levaram à prisão e execução inúmeras pessoas que tomavam parte nas festas.Baco era o nome que os Romanos haviam retirado de uns gritos de euforia produzidos pelos gregos nas festas de DIONISOS, deus do vinho e dos prazeres.A isto e muito mais se deve o CARNE(M)( VALE que apareceu não logo, logo,como a medieval tradução literal do"adeus à carne", mas ainda como aquela festa em que nada parece mal, como ficou registada no adagiário português.Ignoro como o Mundo girou para que o grande Carnaval das loucuras fosse acontecer noBRASIL,ou como, no séculoXVIII, em Veneza, requintadas damas e viciosos Casanovas criaram a sua lindíssima tradição carnavalesca. Porém intuo que os rebolados nus brasileiros devem ter muito que ver com o clima e quedo-me perplexa ao ver em Portugal, agora , despirem-se com estes frios, ao sabor da imitação mais descabida...A tradição portuguesa nunca foi de nus. Estou a pensar em como se estragava a roupa, nos anos trinta ( séc.XX), quando grupos de foliões, ao virar de uma esquina, nos esborrachavam ovos e pastéis e outras coisas pastosas, sobre os fatos e os cabelos. O que eu própria sofri sendo atacada à saída do colégio , com bisnagas esguichando líquidos de que eu tinha verdadeiro terror.E as pancadas secas de uns certos saquinhos jogados com mestria para se esvaziarem de areia sobre as nossas cabeças e roupas. Mas, agora mesmo, os executantes da Dança dos Cuzes, em Cabanas de Viriato, estão vestidos da cabeça aos pés e também os coloridos Caretos são uns peludos e totais disfarces...Tudo isto nos fala de um carnaval de rua. Mas as mais lindas versões de Carnavais de Salão, bem portugueses ,de princípios do século XX,são as que me foram contadas _vividas_ pelos meus Pais.No Porto e em Beja.No Porto,uma das noites de Carnaval era de ida a um dos teatros da cidade, todos vestidos rigorosamente de gala,senhoras e senhores. E então,"jogava-se" ,em troca das serpentinas das actrizes, atirando para o palco caixas com joias verdadeiras...Em Beja, havia, no Clube, três bailes de gala ( um por cada noite), onde as ceias eram volantes.Na hora própria, entravam no salão de baile pequenos carrinhos puxados por carneiros de pêlo alvíssimo decorado com laços de fitas de cores,carrinhos esses que vinham "carregados" com as mais variadas iguarias armadas artística e tentadoramente.Os carrinhos iam circulando e todos se iam locupletando a gosto...A que distância de tudo isto fica a actual passagem de cortejos onde se mostra uma preferência nítida pela perversão na confusão dos sexos ou pelas piadas pesadas sobre política ou sobre factos sociais,tudo muito nu e...ao frioAproxima-se então de novo a época em que todos vamos saber porque dizemos CARNE(M) VALE...
01 março 2011
Tudo o que eu sei, tudo o que eu faço...
Dizia-me há dias alguém que o que deixo escrito neste SINESTESIAS enveredou definitivamente pelo caminho religioso,quase místico, e que estou assim perdendo leitores, uns porque não estão dispostos a ir por aí , outros porque deixaram de achar estimulantes quaisquer observações ou interpretações que eu expusesse por virem sempre iluminadas por uma certa monotonia de conceitos subjacentes. Pelo menos fiquei contente por falarem em "conceitos" e não em "preconceitos", porque na verdade a minha forma de ver o Mundo e os mundos não é mesmo preconceituosa. E não escolhi nenhum trilho para a ele me limitar. Reconheço que houve uma deriva no caminho que aqui encetei há cerca de cinco anos mas isso é apenas uma consequência e não uma escolha. Consequência da progressão do meu "estar na Vida", consequência da natural cada vez maior tendência para a interiorização, por sua vez também consequência da cada vez menor socialização, das cada vez mais extensas horas de solidão. Porque todos sabemos que uma coisa é pensar a VIDA e outra coisa é vivê-la.
Acredito que poucos terão entendimento para, em teoria, reconhecerem como se vive aquela a que se convencionou chamar "a terceira idade", e por isso não entendam os prazeres do silêncio, do sossego, daquilo a que podemos chamar o nosso canto, com alguns inerentes confortos que quase apenas o são para essa idade, ambientes tão propícios a olhar- se de uma maneira que vai mais ao fundo das coisas e nos eleva a nós para mais alto ( atrevo-me a dizer mais espiritual ).
´É então nessa época que entendemos a FÉ, essa mesmo, que sempre professámos e praticámos, mas que , neste novo modo de estar, como que se nos revela com outra nitidez.
Creio bem que foi esta a explicação que dei a quem me interpelou por causa da natureza dos meus posts, e também,( fazendo-se eco de julgamentos mal informados)por causa da carinhosa presença da minha paróquia em minha casa, por intermédio de senhoras voluntárias e até mesmo, menos a miúde, de alguns padres,já amigos, de cujos trabalhos universitários até vou sendo posta ao corrente. É agora e por tudo isto que rezo com profunda convicção uma pequena oração que me foi oferecida por um aluno especial de Português, um sacerdote de SCHOENSTADT, de nacionalidade peruana que fora colocado no nosso país, isto, há cerca de uns já dez anos.
Oração
O meu lar é o teu Santuário
onde Tu actuas para a glória do Pai.
Aí Ele transforma todo o meu ser
em sacrário predilecto da Trindade
onde arde sempre a luz do Santíssimo
e a chama do Amor nunca se extingue.
Tudo o que eu sou, tudo o que eu tenho,
tudo o que eu sei, tudo o que eu faço,
eu o deposito a teus pés
para fonte santa da tua glória!
Amen
Acredito que poucos terão entendimento para, em teoria, reconhecerem como se vive aquela a que se convencionou chamar "a terceira idade", e por isso não entendam os prazeres do silêncio, do sossego, daquilo a que podemos chamar o nosso canto, com alguns inerentes confortos que quase apenas o são para essa idade, ambientes tão propícios a olhar- se de uma maneira que vai mais ao fundo das coisas e nos eleva a nós para mais alto ( atrevo-me a dizer mais espiritual ).
´É então nessa época que entendemos a FÉ, essa mesmo, que sempre professámos e praticámos, mas que , neste novo modo de estar, como que se nos revela com outra nitidez.
Creio bem que foi esta a explicação que dei a quem me interpelou por causa da natureza dos meus posts, e também,( fazendo-se eco de julgamentos mal informados)por causa da carinhosa presença da minha paróquia em minha casa, por intermédio de senhoras voluntárias e até mesmo, menos a miúde, de alguns padres,já amigos, de cujos trabalhos universitários até vou sendo posta ao corrente. É agora e por tudo isto que rezo com profunda convicção uma pequena oração que me foi oferecida por um aluno especial de Português, um sacerdote de SCHOENSTADT, de nacionalidade peruana que fora colocado no nosso país, isto, há cerca de uns já dez anos.
Oração
O meu lar é o teu Santuário
onde Tu actuas para a glória do Pai.
Aí Ele transforma todo o meu ser
em sacrário predilecto da Trindade
onde arde sempre a luz do Santíssimo
e a chama do Amor nunca se extingue.
Tudo o que eu sou, tudo o que eu tenho,
tudo o que eu sei, tudo o que eu faço,
eu o deposito a teus pés
para fonte santa da tua glória!
Amen
20 fevereiro 2011
Ser Perfeito
...Haveis pois de ser perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito __ palavras que Jesus dirige aos discípulos, segundo São Mateus 5 - 38/48.
E torna-se-nos presente toda aquela catequese do perdão, da caridade, do amar quem não nos ama, do dar a outra face, de tudo o que nos é tão difícil, senhor Deus, porque somos SÓ humanos e raríssimas vezes nos compenetramos de que, como recorda São Paulo aos Coríntios ( 1ª-3, 16-23), Somos templo de Deus e que o Espírito Santo HABITA em nós ! ...e de que o templo de Deus é santo, e esse templo somos NÓS ! ! !
SÓ humanos, senhor Deus! às vezes acontece olharmos para trás e descobrirmos que afinal o Espírito Santo tinha estado lá, só que, na altura, não O reconhecemos ... Apenas humanos, Senhor !
E torna-se-nos presente toda aquela catequese do perdão, da caridade, do amar quem não nos ama, do dar a outra face, de tudo o que nos é tão difícil, senhor Deus, porque somos SÓ humanos e raríssimas vezes nos compenetramos de que, como recorda São Paulo aos Coríntios ( 1ª-3, 16-23), Somos templo de Deus e que o Espírito Santo HABITA em nós ! ...e de que o templo de Deus é santo, e esse templo somos NÓS ! ! !
SÓ humanos, senhor Deus! às vezes acontece olharmos para trás e descobrirmos que afinal o Espírito Santo tinha estado lá, só que, na altura, não O reconhecemos ... Apenas humanos, Senhor !
13 fevereiro 2011
O Dia do Doente
Hoje, sexto domingo comum, o Cardeal Patriarca de Lisboa celebrou missa na capela de um hospital ( o de Sta Maria ), na única intenção de enfatizar o Dia do Doente, sendo que a sua homilia foi das mais bonitas e carinhosas que em iguais circunstãncias já me foi dado ouvir. O seu vocabulário foi simples e certeiro e todas as palavras pareciam vir repassadas de uma infinita ternura que era ao mesmo tempo estimulante e apelativa como convinha, tratando-se de chamar a atenção para tudo o que já se faz e o muito que ainda se pode fazer por aqueles a quem a saúde não permite serem iguais a todos os que vivem a seu lado.
Naturalmente, na sequência de uma celebração destas, o Sacramento que agora os doentes podem tomar sem aquela imagem fúnebre que durante tantos anos lhe foi atribuida,foi também concedido a alguns dos presentes que desejaram tomá-lo. E foi repetida a confirmação do que as paróquias podem ( e devem ?) fazer neste sentido de "adoçar"o amargo dos que sofrem, mesmo que seja apenas da doença da solidão.
Desta maneira, quão feliz eu me senti por ouvir como que "oficializado" o quinhão de carinho que a minha paróquia do Campo Grande me está já agora dando e do qual, confesso, nunca me senti convictamente merecedora. As senhoras visitadoras que me procuram sabem bem do embaraço com que recebo o seu "cuidar"... Tive agora mesmo, há três dias, a alegria de receber mais uma vez o Sacramento que hoje foi concedido nesta missa, em minha casa (que enfeitei de flores para o receber). E não sei explicar muito bem o que esta presença sob o meu tecto e todo este acto deixam ficar na minha vida depois...
Cito uma tradução de Lamartine que talvez seja o bom remate do que eu gostaria de dizer e não sei :
De onde me vem, meu Deus, esta paz que me inunda ? De onde me vem esta fé que transborda, em mim que muitas vezes ,indecisa e agitada, nas ondas da dúvida procurava... ...
Naturalmente, na sequência de uma celebração destas, o Sacramento que agora os doentes podem tomar sem aquela imagem fúnebre que durante tantos anos lhe foi atribuida,foi também concedido a alguns dos presentes que desejaram tomá-lo. E foi repetida a confirmação do que as paróquias podem ( e devem ?) fazer neste sentido de "adoçar"o amargo dos que sofrem, mesmo que seja apenas da doença da solidão.
Desta maneira, quão feliz eu me senti por ouvir como que "oficializado" o quinhão de carinho que a minha paróquia do Campo Grande me está já agora dando e do qual, confesso, nunca me senti convictamente merecedora. As senhoras visitadoras que me procuram sabem bem do embaraço com que recebo o seu "cuidar"... Tive agora mesmo, há três dias, a alegria de receber mais uma vez o Sacramento que hoje foi concedido nesta missa, em minha casa (que enfeitei de flores para o receber). E não sei explicar muito bem o que esta presença sob o meu tecto e todo este acto deixam ficar na minha vida depois...
Cito uma tradução de Lamartine que talvez seja o bom remate do que eu gostaria de dizer e não sei :
De onde me vem, meu Deus, esta paz que me inunda ? De onde me vem esta fé que transborda, em mim que muitas vezes ,indecisa e agitada, nas ondas da dúvida procurava... ...
12 fevereiro 2011
Como reconquistar a esperança?
Não posso deixar de reconhecer que, se sempre existiram os chamados "fazedores" de opinião desde os mais remotos tempos da História, actuantes com processos dos mais variados em temas, tempos, áreas de cobertura, públicos-alvo, e alvos propriamente ditos, o que se passa agora com a comunicação social , nas suas múltiplas vertentes, é verdadeiramente prodigioso.
Actuando com uma sincronia e velocidade vertiginosas, somos todos enredados na sua teia em poucos minutos e, depois, pelo espaço de tempo que essa enredadora entender que lhe é conveniente. Consegue-se assim pôr um país inteiro a preocupar-se, incomodar-se ou assustar-se com uma só coisa dominante, mas a verdade é que ,`às vezes também surgem, muito excepcionalmente, obcecações benévolas. E que até conseguem estimular quem pode, ou deve ,
para a correcção de alguma coisa.
Nos últimos tempos tão conturbados por uma decorrência económica geral, somos subitamente lançados sobre os problemas das crianças ( maltratadas, abusadas, mal educadas, mal nascidas, abandonadas e até assassinadas !) e sobre a deshumanidade com que se tratam os velhos que o país deixa morrer sozinhos depois de os ter ostracizado das mais aviltantes maneiras.
E então acontece que só estes dois polos dão para se criar todo um mundo de notícias e informações que nos preenchem páginas e horas que poderiam ser de um pouco de pausa nos nossos medos e nas nossas dores de cada dia, que desejaríamos adoçar de esperanças, mas que vão corroendo sempre mais o que deveria ser o nosso prazer de viver, talvez a nossa capacidade de optimismo, malgré tout...
Todos nós fomos e temos crianças na nossa esfera de conhecimentos as quais nos enternecem e para as quais só queremos pensar coisas boas e alegrias. Todos nós ou já somos ou estamo-nos aproximando de ser velhos , e aquele fim de vida poeticamente sonhado na doçura das nossas recordações e da ternura dos outros, está a esfumar-se nas nossas perspectivas.
Como reconquistar a esperança, hoje, esquecendo os crimes e as vilezas que, a cada hora vêm ecoar no nosso conhecimento ?
Actuando com uma sincronia e velocidade vertiginosas, somos todos enredados na sua teia em poucos minutos e, depois, pelo espaço de tempo que essa enredadora entender que lhe é conveniente. Consegue-se assim pôr um país inteiro a preocupar-se, incomodar-se ou assustar-se com uma só coisa dominante, mas a verdade é que ,`às vezes também surgem, muito excepcionalmente, obcecações benévolas. E que até conseguem estimular quem pode, ou deve ,
para a correcção de alguma coisa.
Nos últimos tempos tão conturbados por uma decorrência económica geral, somos subitamente lançados sobre os problemas das crianças ( maltratadas, abusadas, mal educadas, mal nascidas, abandonadas e até assassinadas !) e sobre a deshumanidade com que se tratam os velhos que o país deixa morrer sozinhos depois de os ter ostracizado das mais aviltantes maneiras.
E então acontece que só estes dois polos dão para se criar todo um mundo de notícias e informações que nos preenchem páginas e horas que poderiam ser de um pouco de pausa nos nossos medos e nas nossas dores de cada dia, que desejaríamos adoçar de esperanças, mas que vão corroendo sempre mais o que deveria ser o nosso prazer de viver, talvez a nossa capacidade de optimismo, malgré tout...
Todos nós fomos e temos crianças na nossa esfera de conhecimentos as quais nos enternecem e para as quais só queremos pensar coisas boas e alegrias. Todos nós ou já somos ou estamo-nos aproximando de ser velhos , e aquele fim de vida poeticamente sonhado na doçura das nossas recordações e da ternura dos outros, está a esfumar-se nas nossas perspectivas.
Como reconquistar a esperança, hoje, esquecendo os crimes e as vilezas que, a cada hora vêm ecoar no nosso conhecimento ?
11 fevereiro 2011
A Nossa Senhora de Lourdes
A NOSSA SENHORA
O Cristovam de Pavia
trazia flores e ficava, em silêncio,
a contemplar-te.
Também te trago flores, às braçadas,
rosas bravas, brancas, encarnadas, papoilas,
malmequeres, lírios silvestres e junquilhos;
também prego os olhos no teu rosto
e, posto o meu cuidar em tuas mãos,
abismado o pensamento no teu ser,
entrego-te o coração e abandono-me.
Trago-te, Mãe, flores às braçadas,
e fico em silêncio a contemplar-te.
este poema é um dos muitos que a minha amiga e companheira de estudos MARIA DE LOURDES BELCHIOR dedicou a Nossa Senhora, sempre, enquanto viveu.
02 fevereiro 2011
Dia da Senhora das Candeias
...SE CHORA ESTÁ O INVERNO FORA, SE RIR ESTÁ PARA VIR...
Hoje está um dia glorioso,em Lisboa.
Vamos ver se, como em tantas outras coisas, funciona a sabedoria popular.
Hoje está um dia glorioso,em Lisboa.
Vamos ver se, como em tantas outras coisas, funciona a sabedoria popular.
31 janeiro 2011
29 janeiro 2011
Antes de janeiro acabar
Que sorte ,no decorrer de uma semana em que uma área do meu computador resolveu negar-me a sua colaboração, ter tido quem me possibilitasse fazer bonitos "embrulhos"( para mim foram como presentes de Natal ) com revisitas a Sophia de Melo Breyner, tão minha contemporânea, e a um distante São Tomás de Aquino ( século Xlll), mas qual deles para mim um pilar da cultura e da concepção que tenho dos deveres sociológicos de cada um de nós !
Se tempos houve em que muito mais se cultivava a "casa" ou melhor, o estar nela, o viver nela,isso foi uma das coisas que acabou talvez quando as mulheres começaram a trabalhar profissionalmente. Hoje ninguém pensa em visitar amigos. Só se vai à casa deles por convite para uma qualquer refeição. Se não houver esse convite pode bem acontecer que amigos, conhecidos ou até familiares passem mais de um ano sem se verem (vivendo todos na mesma cidade ). E chega a dar-se a triste circunstância de alguns só se reencontrarem, quando um deles parte do mundo e o outro lá se apresenta no velório por dever social... Bem ;deixemos esta crua realidade e lembremos, nos tempos do Eça ,a visitinha em que se entregava á empregada que abria a porta o cartão de visita ( até este nome era por essa razão) para que o levasse a anunciar quem vinha... Que era surpresa e não convidada para nenhuma refeição. Puro interesse de amizade...
Isto surgiu na sequência do meu pensamento em que verifico que em qualquer "buraquinho" de tempo livre de obrigações de trabalho, todo o mundo começa logo a pensar em...SAIR... e nunca em gozar o conforto de uma casa que hoje em dia muitos desejariam ter sem poderem.
Pois, graças a essa fixação no SAIR, as estações de rádio adquiriram o feliz hábito de, mesmo de manhã muitíssimo cedo, nos lembrarem datas ,exposições e toda a espécie de eventos comemorativos das mesmas e assim podemos nós, os mais distraídos, fazer as nossas escolhas ou planos de participação, conforme os nossos gostos ou interesses e de forma a preencher fora de casa umas horas livres de trabalho. De tal modo isto de se ter que sair se tornou imperativo, que até para as crianças os pais têm como obrigatório desandar com elas para fora de casa, levando-as seja lá para onde seja...E também estão começando a surgir espectáculos e organizações curiosíssimas só para crianças ( concertos para bébés a partir dos dois anos, por exemplo). Creio que, para uma nova forma de se estar na vida, em mobilidade, como agora se usa pensar, estamos de facto em presença de muita e engraçada criatividade. Para uma boa conversa há as tertúlias, os encontros no café ou no bar;para uma boa música há concertos mais ou menos tranquilizantes ou electrizantes e tumultuosos, conforme o tipo de estímulo que se procura, nada disto hoje se faz de portas adentro e pronto. A casa é para pouco mais do que para dormir ! ! ! Ou então vivê-la em solidão... Um eremitério !E haverá( concluo eu) poucos que conheçam então o gosto dos eremitas. Como disse ao começar este post, saborear Sophia em plena abertura para admiração e até com uns salpicos de fugitivas recordações de encontros pessoais e depois entregar em paz o espírito à meditação de um lucidíssimo santo, é, pode ser, a melhor evasão de momentos muito, muito esgotantes e até dolorosos...
Porque não descubro realmente em toda a actual ansiedade para sair senão uma tremenda necessidade de EVASÃO...
Que quase sempre decorre do "não querer" cada um encontrar-se cara a cara comsigo mesmo...
Se tempos houve em que muito mais se cultivava a "casa" ou melhor, o estar nela, o viver nela,isso foi uma das coisas que acabou talvez quando as mulheres começaram a trabalhar profissionalmente. Hoje ninguém pensa em visitar amigos. Só se vai à casa deles por convite para uma qualquer refeição. Se não houver esse convite pode bem acontecer que amigos, conhecidos ou até familiares passem mais de um ano sem se verem (vivendo todos na mesma cidade ). E chega a dar-se a triste circunstância de alguns só se reencontrarem, quando um deles parte do mundo e o outro lá se apresenta no velório por dever social... Bem ;deixemos esta crua realidade e lembremos, nos tempos do Eça ,a visitinha em que se entregava á empregada que abria a porta o cartão de visita ( até este nome era por essa razão) para que o levasse a anunciar quem vinha... Que era surpresa e não convidada para nenhuma refeição. Puro interesse de amizade...
Isto surgiu na sequência do meu pensamento em que verifico que em qualquer "buraquinho" de tempo livre de obrigações de trabalho, todo o mundo começa logo a pensar em...SAIR... e nunca em gozar o conforto de uma casa que hoje em dia muitos desejariam ter sem poderem.
Pois, graças a essa fixação no SAIR, as estações de rádio adquiriram o feliz hábito de, mesmo de manhã muitíssimo cedo, nos lembrarem datas ,exposições e toda a espécie de eventos comemorativos das mesmas e assim podemos nós, os mais distraídos, fazer as nossas escolhas ou planos de participação, conforme os nossos gostos ou interesses e de forma a preencher fora de casa umas horas livres de trabalho. De tal modo isto de se ter que sair se tornou imperativo, que até para as crianças os pais têm como obrigatório desandar com elas para fora de casa, levando-as seja lá para onde seja...E também estão começando a surgir espectáculos e organizações curiosíssimas só para crianças ( concertos para bébés a partir dos dois anos, por exemplo). Creio que, para uma nova forma de se estar na vida, em mobilidade, como agora se usa pensar, estamos de facto em presença de muita e engraçada criatividade. Para uma boa conversa há as tertúlias, os encontros no café ou no bar;para uma boa música há concertos mais ou menos tranquilizantes ou electrizantes e tumultuosos, conforme o tipo de estímulo que se procura, nada disto hoje se faz de portas adentro e pronto. A casa é para pouco mais do que para dormir ! ! ! Ou então vivê-la em solidão... Um eremitério !E haverá( concluo eu) poucos que conheçam então o gosto dos eremitas. Como disse ao começar este post, saborear Sophia em plena abertura para admiração e até com uns salpicos de fugitivas recordações de encontros pessoais e depois entregar em paz o espírito à meditação de um lucidíssimo santo, é, pode ser, a melhor evasão de momentos muito, muito esgotantes e até dolorosos...
Porque não descubro realmente em toda a actual ansiedade para sair senão uma tremenda necessidade de EVASÃO...
Que quase sempre decorre do "não querer" cada um encontrar-se cara a cara comsigo mesmo...
22 janeiro 2011
Campanha eleitoral
Da minha natural preferência pelas leituras do Antigo Testamento destaco ainda , depois de ISAÍAS, o livro do profeta EZEQUIEL. Encanta-me a simplicidade daqueles homens que imagino grandes e fortes , quase gigantes, e no entanto dóceis ao chamamento de Deus, o Senhor DEUS que escutavam com respeito e cujos preceitos procuravam absorver, adivinhando neles as bases da construção desta hoje já nossa sociedade de homens tão distantes daquele mundo quase rupestre quanto a Terra está do Céu... leio agora muitas vezes na net páginas ou frases que alguém cuidadosamente escolhe para nos dar a nós leitores matéria de meditação sempre adequada ao dia, à época, ao desenrolar das nossas vidas no dia a dia da nossa prática de Fé.
Passada que foi agora mesmo a conturbadíssima preparação para eleições presidenciais, hoje, dia de meditação para esse fim, "encontrei-me" com o profeta EZEQUIEL, através desta frase:Portanto livrarei as minhas ovelhas para que não sirvam mais de rapina e julgarei entre ovelhas e ovelhas.O Senhor Deus tinha constatado que a pastorícia daquelas metafóricas ovelhas vinha a ser conduzida em proveito dos pastores e não no do fortalecimento das mesmas e então clamou :ai dos pastores que se apascentarem a si mesmos !...
Após as extraordinárias queixas, acusações, insinuações e desrespeitos que nos foram presentes no decorrer desta campanha eleitoral, após esta deseducação de uma sociedade que cada vez mais crê que tudo lhe é permitido e desculpado mesmo que seja"apascentar-se a si mesma" só e apenas, pareceu-me ouvir como EZEQUIEL "LIVRAREI AS MINHAS OVELHAS E JULGAREI... ..."
Mas quando, Senhor Deus, quando ?
Passada que foi agora mesmo a conturbadíssima preparação para eleições presidenciais, hoje, dia de meditação para esse fim, "encontrei-me" com o profeta EZEQUIEL, através desta frase:Portanto livrarei as minhas ovelhas para que não sirvam mais de rapina e julgarei entre ovelhas e ovelhas.O Senhor Deus tinha constatado que a pastorícia daquelas metafóricas ovelhas vinha a ser conduzida em proveito dos pastores e não no do fortalecimento das mesmas e então clamou :ai dos pastores que se apascentarem a si mesmos !...
Após as extraordinárias queixas, acusações, insinuações e desrespeitos que nos foram presentes no decorrer desta campanha eleitoral, após esta deseducação de uma sociedade que cada vez mais crê que tudo lhe é permitido e desculpado mesmo que seja"apascentar-se a si mesma" só e apenas, pareceu-me ouvir como EZEQUIEL "LIVRAREI AS MINHAS OVELHAS E JULGAREI... ..."
Mas quando, Senhor Deus, quando ?
11 janeiro 2011
...das notícias, o crime
Aonde ir buscar todas as palavras simples e despretenciosas que fui deixando cair por não sei onde e que me bastavam para eu dizer tudo o que era o meu mundo despretencioso e simples ?
Cresce o Mundo ao mesmo tempo que nós e perdemos juntos a idade da ínocência ? E por aí se vão perdendo coisas...
Na filosofice deste nosso viver assim mais ou menos acomodado, zás !, uma chicotada !!! Agiganta-se à nossa frente a figuração do horror, desta vez não da guerra, não da calamidade meteorológica, não dos brutais estremeções da natureza, mas de tudo isto amalgamado na medonha e repugnante capacidade humana de matar o seu semelhante...
Será um fait divers talvez, daqui a um tempo, e isso é que me dói. Apurámo-nos todos tanto para chegarmos a «isto» ? Quem dera poder pegar numa borracha e apagar esta dolorosa vergonha da página actual da nossa vida !
Cresce o Mundo ao mesmo tempo que nós e perdemos juntos a idade da ínocência ? E por aí se vão perdendo coisas...
Na filosofice deste nosso viver assim mais ou menos acomodado, zás !, uma chicotada !!! Agiganta-se à nossa frente a figuração do horror, desta vez não da guerra, não da calamidade meteorológica, não dos brutais estremeções da natureza, mas de tudo isto amalgamado na medonha e repugnante capacidade humana de matar o seu semelhante...
Será um fait divers talvez, daqui a um tempo, e isso é que me dói. Apurámo-nos todos tanto para chegarmos a «isto» ? Quem dera poder pegar numa borracha e apagar esta dolorosa vergonha da página actual da nossa vida !
Ocorre-me limpar os meus pensamentos com um soneto de RUY BELO
Na minha juventude antes de ter saído
da casa dos meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebenter do mar
das páginas dos livros que já tinha lido
Chegava o mês de maio e era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela tivesse acontecido
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não sei dizer
Só sei que tinha o poder de uma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só Querer
07 janeiro 2011
Começar 2011
...e uma vez aqui chegados, vemo-nos de novo inelutavelmente arrastados pela onda do habitual, do quotidiano ( mais ou menos rotineiro ), do conformismo social, do antes assim que pior.Claro que esta generalização já está a ser verdade para apenas um grupo dos chamados sortudos aos quais ainda é possível retomar qualquer coisa interrompida, nem que seja o não fazer nada voluntário, porque é desoladoramente presente aos nossos olhos a mole imensa que cresce todos os dias daqueles que se vêem sem nada para retomar, repetir ou continuar.
Que pena constatar tudo isto no dealbar de um Ano Novo, época que fui formatada a relacionar com a Esperança de só "coisas boas" e "novas" !
É ainda por isso e em consequência do que disse a começar, que de novo me vejo sentada "no meu canto",sem a inquietação dos actos sociais para os quais nos empurra a solenidade das celebrações e, ao mesmo tempo, o apelo do reencontro com amigos ou parentes que só nestas datas se torna possível. Que datas ? Pois o Natal e as suas envolvências.
Como me lembro do tempo em que não havia esta forma de pressão porque é tradicional e "deve ser agora ou então não é mais, em todo o ano" ! Havia às terças-feiras o chásinho em casa da Tia X, às quintas jantava-se com os Avós, aos domingos, depois da missa ia-se almoçar com os XY, amigos desde a escola dos Pais, e por aí fora, iamo-nos vendo, acompanhávamo-nos e sabíamos coisas uns dos outros... Arranjar-se-ão já umas quantas desculpas para passarmos um ano inteiro sem nos vermos e consequentemente sem sabermos do fundo da alma dos outros...Tudo se remedeia com meia dúzia de telefonemas, e-mails ou sms's, porque se trabalha todo o dia, porque se mora longe, porque os transportes... ... E não se vêem os olhos pisados, os ombros descaídos, o tornozelo inchado ou um clarão no olhar de uma alegria que se não diz ,às vezes só porque se transformou o arrumo dum quarto, se adquiriu uma planta nova...Não se sabe da nossa casa, como não se sabe de nós, porque não nos frequentamos.
Mas, retomando o meu fio inicial, não foi mais uma vez sem emoção que fechei a última gaveta com a última caixa dos ouropéis que deram tanto brilho à árvore, ao presépio, aos recantos e às mesas com que festejei os meus amigos que vieram. Nada disto parece ter muito que ver com
aquele recomeçar, no meu canto, mas faltou aí o regresso da alegria nas presenças dos alunos.Faltava aí falar nessa onda que me arrebata para um renovo que já não espero, mas lá desponta tímido e feliz...
Faltaria sempre falar daquela Esperança que ultrapassa costumes, usos e desusos,e até a insofrida política desgastante. Faltaria sempre falar daquela Esperança que começámos a ter com ISAÍAS...
Que pena constatar tudo isto no dealbar de um Ano Novo, época que fui formatada a relacionar com a Esperança de só "coisas boas" e "novas" !
É ainda por isso e em consequência do que disse a começar, que de novo me vejo sentada "no meu canto",sem a inquietação dos actos sociais para os quais nos empurra a solenidade das celebrações e, ao mesmo tempo, o apelo do reencontro com amigos ou parentes que só nestas datas se torna possível. Que datas ? Pois o Natal e as suas envolvências.
Como me lembro do tempo em que não havia esta forma de pressão porque é tradicional e "deve ser agora ou então não é mais, em todo o ano" ! Havia às terças-feiras o chásinho em casa da Tia X, às quintas jantava-se com os Avós, aos domingos, depois da missa ia-se almoçar com os XY, amigos desde a escola dos Pais, e por aí fora, iamo-nos vendo, acompanhávamo-nos e sabíamos coisas uns dos outros... Arranjar-se-ão já umas quantas desculpas para passarmos um ano inteiro sem nos vermos e consequentemente sem sabermos do fundo da alma dos outros...Tudo se remedeia com meia dúzia de telefonemas, e-mails ou sms's, porque se trabalha todo o dia, porque se mora longe, porque os transportes... ... E não se vêem os olhos pisados, os ombros descaídos, o tornozelo inchado ou um clarão no olhar de uma alegria que se não diz ,às vezes só porque se transformou o arrumo dum quarto, se adquiriu uma planta nova...Não se sabe da nossa casa, como não se sabe de nós, porque não nos frequentamos.
Mas, retomando o meu fio inicial, não foi mais uma vez sem emoção que fechei a última gaveta com a última caixa dos ouropéis que deram tanto brilho à árvore, ao presépio, aos recantos e às mesas com que festejei os meus amigos que vieram. Nada disto parece ter muito que ver com
aquele recomeçar, no meu canto, mas faltou aí o regresso da alegria nas presenças dos alunos.Faltava aí falar nessa onda que me arrebata para um renovo que já não espero, mas lá desponta tímido e feliz...
Faltaria sempre falar daquela Esperança que ultrapassa costumes, usos e desusos,e até a insofrida política desgastante. Faltaria sempre falar daquela Esperança que começámos a ter com ISAÍAS...
01 janeiro 2011
Ano novo 2011
Ao ano que se despeça
vem um Novo suceder...
Assim lhe usamos chamar...
Mas porque novo há-de ser ?
Por tudo recomeçar ?
Há anos que eu recomeço
e sempre é a envelhecer...
vem um Novo suceder...
Assim lhe usamos chamar...
Mas porque novo há-de ser ?
Por tudo recomeçar ?
Há anos que eu recomeço
e sempre é a envelhecer...
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