08 julho 2009

Que progresso?

Li, num dos múltiplos cadernos em que se desdobram os jornais de fim de semana,um curioso artigo cujo título me chamou logo a atenção por um defeito de coerência gramatical o futuro vai ser tão bom, não foi ?.Com alguma graça o seu autor recorda quanto,pela magia do cinema, nós, os mais velhos, talvez ainda na primeira metade do século XX, nos entusiasmávamos a pensar que no século XXI ( o futuro) já poderíamos ter robots a arrumar-nos a casa, engolir pastilhas como refeição, andar na Lua como em nossa casa,etc.,etc. e o que afinal verificamos é que no FUTURO é que já estamos a viver e não temos nada disso que imaginávamos... Temos outras coisas, é certo, mas aquelas ficaram a fazer parte do nosso passado, não foi ?

E uma coisa enorme,quanto a progresso, é de facto a televisão. Janela aberta para o mundo, longe ou perto, dentro das nossas casas.Se a internet nos possibilita a COMUNICAÇÃO com o mundo, a televisão possibilita-nos VÊ-LO

E ver o mundo sentada no meu sofá é uma comodíssima forma de me sentir viva dentro dele.

A verdade é que se nos abrem horizontes, mas também matéria para dúvidas, crenças, alegrias, indignações, divertimentos, descobertas, um sem- fim de propostas com que vamos podendo preencher variadíssimos espaços de carência de companhias ou de interlocutores válidos.

Como veria eu, velha senhora, a festa de apresentação de um rapaz do foot-ball cujo preço de compra foi de tantos milhões que não cabem na minha tabuada ?
Como veria eu,portuguesa antiga, a celebração de espampanantes exéquias de um ídolo do rock-and-roll americano ?
Pois vi tudo isso, até certos limites que o meu bom senso aguenta,e fiquei a pensar se lá atrás, naquele seculo XX dos tais sonhos de progressos, as pessoas alguma vez sonhariam que o FUTURO delas seria esta necessidade de encontrar ídolos para idolatrar sem nenhum avanço de nenhuma grandeza ?

05 julho 2009

Do Profeta EZEQUIEL

Hoje Ezequiel fala-me de uma coisa que vem ao encontro do que tem sucedido algumas vezes comigo ,ao falar de mim para mim, em situações semelhantes. Ele estava prevenido : vais lá, falas, e eles,como são rebeldes, não vão prestar nenhuma atenção ao que lhes disseres, mas tu vais sempre falando...PELO MENOS SABERÃO QUE HÁ UM PROFETA NO MEIO DELES...
Eu sei que,pelo menos,posso ser A presença.Existo. Lá, como Ezequiel. E insisto.

04 julho 2009

Sophia de Melo Breyner Andresen

Feliz,feliz, é uma pessoa que tem amigos. Amigos que pensam nela, sem ela se fazer lembrada. Amigos que pensam em proporcionar-lhe alegria sem ela se queixar de tristeza.Amigos que se alegram porque a alegraram.Amigos que param para pensar o que é que lhe daria prazer? Assim só, gratuitamente, sem pensar em trocas nem compensações, mas em simples partilha do BOM que eles têm com o amigo que o não tem.
Tudo isto para dizer que uns amigos desses me levaram ao Miradouro da Graça porque lhes palpitou que me daria prazer ir ver o busto que inauguraram em homenagem à SOPHIA .E foi mesmo uma imensa alegria ! Nesta fase da minha vida, nunca poderia ir lá se me não levassem...Oh! quanto estou grata...!
Mas falemos das manhãs claras, das tardes transparentes, que, daquele lugar, o seu olhar de estátua vai fingir que vê, mas que foram com ela, infinito fora, e andarão para sempre a pairar para nós ,por causa dela, sobre aquele Tejo lá adiante...Não era longe dali a sua casa, onde Lisboa a deixava envolver-se em Mundo e depois oferecer-no-lo envolto sempre em luz, na luz que dela irradiava... Sophia ! Ainda bem que vim ver-te...Quem dera nos encontremos por aí !...Um dia...

Um dia...não a pensar futuro, mas presente, bem presente, e agora já tão passado,( !)escrevi isto por causa do que me vinha de ti:

Era límpida a luz
derramada, sem mancha,
sobre as vagas inquietas
a espumar e a escorrer sobre a areia.

Era princípio ainda.
Do dia impuro nada se sabia.
Havia apenas, amplo, iniciático,
o lugar para os sonhos de partida...

Se chegava a ouvir-se o canto da sereia,
ou se apenas o som
cavo e enigmático
das grutas onde nasce a maresia,
quem podia saber ?quem poderia?

Misteriosamente
abriam-se horizontes
entre reminiscências de passado...

E o ar repercutia
um murmúrio salgado e insistente
a confirmar que afinal existia
o areal, o vento, o Mundo de SOPHIA...

Do meu livro Sinestesias

03 julho 2009

Linguagem gestual

Em nove de Junho houve eleições para o Parlamento Europeu e recordo como me desconsolou verificar quanto está a murchar o interesse das pessoas por aquilo que tanto me empolgou quando eu, jovem, universitária e optimista,sonhava para um meu futuro. Não sei se era por causa do estudo dos Gregos ou se era por causa das tertúlias de corredor com os colegas das Filosofias, nós amávamos a DEMOCRACIA.
Foi preciso que désse tempo ao tempo de crescer para conhecer como era realmente o objecto desse amor.
E agora,que até temos um Parlamento e tudo, que passámos todos por tantas vicissitudes, uma bela manhã acordamos com vontade de ir lá, à matrix da nossa democracia para assistir de perto, (porque temos direito a fazê -lo), àquela coisa tão digna como é gerar as leis para as quais nós todos contribuimos um poucochinho (para isso elegemos deputados) , e acontece estar lá, na bancada ministerial ,um senhor que, estando as leis já todas feitas, se zanga porque o seu ouvido captou um àparte de que não gostou,e, como um miúdo da rua, exterioriza em gestos indecorosos o que não teve fôlego( ou honorabilidade?) para verbalizar.Oh! Um Oh! geral...
Então como é que fica este nosso sonho dos vinte anos?
Só se VÊ o elanguescer desta planta tão delicada quando há eleições?
E até onde é que isso pode levar um país? que até poderá ter ainda mais sonhadores que os da minha geração...e que não usem linguagem gestual de tão baixa categoria...

30 junho 2009

Saint Exupéry

Foi por e para recordar Saint Exupéry que hoje vim marcar mais um dia do meu calendário pessoal...Nasceu, como se dizia antigamente, bem nascido, num vinte e nove de Junho do ano em que nascera o meu Pai, em Maio. Mas morreu matado por bombas alemãs, na segunda Guerra Mundial, ao fazer um voo de reconhecimento sobre o Mediterrâneo, que nunca devolveu o seu corpo. Do Petit Prince todos sabem imensas coisas e pensam assim conhecê-lo. Da sua forma de estar na vida e de como a amou, creio que preferem não saber.É que , como ele disse, aqueles que se aproximam de nós sempre nos deixam alguma coisa de si próprios, mas levam consigo uma boa parte de nós mesmos...

21 junho 2009

O Verão, o Mar e a Fé


Pelo decorrer do calendário, é mesmo hoje que começa o Verão. Temos andado há uma semana a suportar a agressividade dos mais de trinta graus, anúncio vigoroso da canícula a chegar e agora há por aí locais onde se instalaram os quarenta graus.E o Portugal inteiro só pensa numa coisa :a PRAIA. Coitados daqueles que àmanhã pela manhâ se vão sentar nas salas de exame a prestar as sempre temidas provas de matemática do 9º ano e outras provas do 12º ano ! Este ambiente tórrido não é propício a grandes concentrações da atenção e eles precisam muito dessa concentração, tanto nas vésperas que não devem ser excitanies, como na hora da prova em que a tranquilidade ambiente é indispensável. Que Deus os ajude.
E como Deus está no meio de nós, curiosamente, a liturgia de hoje traz-nos lindíssimos trechos mesmo adequados a esta ânsia de MAR que os portugueses estão a viver hoje....« O Senhor disse a Job:Quem foi que fechou o Mar no meio de portas, quando ele irrompeu do seio do abismo, quando eu o vesti de neblina e o envolvi de uma nuvem sombria,quando lhe fixei os limites e coloquei portas e ferrolhos? Fui eu que lhe disse «virás até aqui e não irás mais além, aqui virá quebrar-se a altivez das tuas vagas...» Ficamos maravilhados com a beleza das imagens e a demonstração de sensibilidade que surge a cada passo no Antigo Testamento, mas o próprio Salmo (106/107) é uma tão poética " pintura" das maravilhas do Senhor no mar imenso que pouco falta para que o perfume da maresia chegue até nós. É ainda o Evangelho de São Marcos que nos coloca numa barca com Jesus ressuscitado e os seus discípulos a atravessarmos o Lago Tiberíades como que propositadamente para termos a certeza de que Jesus nos irá defender de quaisquer tempestades de mares alterosos, como a que ali se levantou... E nós a vermos Jesus dormir na popa da barca e já a pensarmos que Ele não nos ia valer...
Como é que não tendes fé? Foi a pergunta que Ele fez, depois de fazer calmar a tempestade.Para todos os da barca, passado o medo, foi assim como um soco no estomago, que Homem é este a quem o MAR obedece e as tempestades?
Como é que não temos fé ? ? ?

20 junho 2009

Santos Populares

« ...Se o Menino Jesus pergunta mais, queixo-me a sua Mãe, Nossa Senhora » e assim se remata uma conversa entre Santo António e o Menino, embaraçosa, segundo parece, por causa da cusquice daquele Menino que queria informar-se sobre um tal par de namorados que descobrira junto à fonte. Isto, segundo conta Augusto Gil, numa época em que se escreviam e se liam doces ingenuidades como esta Hoje gosta-se mais de um Santo António mais maroto, pouco ou nada asceta nas suas convivências populares, de mistura com manjericos, balões, patuscadas a deshoras, fados, marchas e festões coloridos e rebrilhantes. Lisboa faz com ELE a sua festa. E naquela emulação que sempre houve e haverá entre Lisboa e o Porto, esta cidade faz uma festa ainda mais fogosa com o seu São João. Sei muito pouco das razões destes paralelismos festivos e ouvi, no Porto, uma quadra popular que diz:
São João pra ver as moças
ai fez uma fonte de prata.´
As moças não vão a ela.
ai São João todo se mata.
Isto lá vai chegar à mesma marotice de convivência entre o santo e os seus devotos.E, no Norte parece-me que há a considerar a expansão territorial da Festa visto que a cidade de Braga e alguns outros lugares, fazem da homenagem a São João a grande oportunidade de o povo dar largas à sua vontade de brincar e se divertir.
Eis que, ao pensar tudo isto imaginando que a proximidade dos dias votivos de cada um destes santos levou a que, na visão popular, apareçam tão paralelos ,me pergunto : e São Pedro ? Sempre se falou nos três santos populares e eu sei que há na margem sul do Tejo alguns locais onde este santo é festejado, mas não oiço as fanfarras da fama visarem da mesma forma este seriíssimo São Pedro a quem talvez por ter sido crucificado de cabeça para baixo, o povo considere menos bom para companheiro de folguedos...
Certo é que 13, 24 e 29são datas do mesmo mês e tão próximas que até convidam a que, sendo todos Santos, apóstolos ou doutores da Igreja, os recordemos juntos e com igual alegria, porque, embora em situações e ocasiões tão diversas, foram dos nossos, como o povo diz vulgarmente, e como quer que continuem a ser.

14 junho 2009

11º Domingo Comum

Nesta sistematização dos objectos de cada missa votiva ao longo do ano litúrgico, recomeçaram hoje os chamados Domingos Comuns que tinham sido interrompidos na Quarta Feira de Cinzas. Os textos das nossas leituras vão levar-nos agora a encontrar Jesus a agir no mundo por intermédio da acção da sua Igreja, cuja missão é precisamente garantir a presença entre nós de Jesus ressuscitado. E os evangelistas vão contar-nos aquelas coisas que ouviremos pela enésima vez mas onde sempre descobrimos um novo conselho, estímulo ou aviso que parece mesmo que Jesus disse "para mim", naquele seu modo misterioso e grave de nos falar, naquela sua tão estranha parábola de que sempre se serve, não vá traí-lo o nosso pobre entendimento... Nós, aquele grãosinho de mostarda...

10 junho 2009

Paráfrases de Camões no dez de Junho

Que de uma Pátria antiga
se tratava
foi-me herança
encontrada
quando vim
Que de uma Pátria antiga
eram a língua, os livros
e os poetas
aprendi, decorei
e, apaixonada,
os segui e adorei
como a profetas
Que deuma Pátria antiga
sou pertença,.
terreno, erva daninha,
ortiga ou flor,
é o meu património
fé e crença
Ditosa Pátria minha
e de meus Pais,
das chuvas e das dores,
dos sóis, da primavera,
de todos os que já
não voltam mais,
das glórias dos amores,
das lágrimas caladas...
...à qual se o Céu me der
que um dia entregue
este corpo
cansado de viver
darei feliz
tudo o que soube ser...

09 junho 2009

Eleições

E houve eleições, no domingo.Para eleger deputados para o Parlamento Europeu. Depois de uma campanha turbulenta em que houve desmandos vocabulares, ironias de baixo nível,ditos e desditos assaz desconcertantes, todos esperávamos por uma grande abstenção e ela veio...Pena ? Sim, pena por se perceber o enorme fosso que o povo português tem ainda que vencer para se entrosar no verdadeiro espírito democrático. Estou triste por perceber que é ainda mais longo o caminho a percorrer do que aquilo que eu esperava em 74 e agora começo a pressentir que já não haverá tempo para mim para ver desabrochar essa flor de civilidade,de respeito,de tolerãncia, de convicção sem bravata, de afirmação sem insolência, com que eu sonhei sempre tanto.
Quando, nos meus tempos activos, fiz alguns serviços em Estrasburgo, Luxemburgo e Bruxelas tudo me pareceu tão bem pensado que cheguei a crer em novas utopias. Mas´lá mesmo, nesses areópagos cuja esfera de acção já me parecia dificultosa, comecei a recear que viesse a ressurgir aquele sonho de sempre, de se construir a torre que há-de chegar ao céu...
Por enquanto, vamos olhando o céu cá de baixo. E sabemos onde ele está...

02 junho 2009

2 de Junho






Saudades não venhais juntas
vinde pouquinhas a poucas,
vinde mais compassadinhas,
dai lugar umas às outras !
quadra popular

31 maio 2009

Pentecostes

«Partos, Medos, Elamitas, habitantes da Mesopotâmia,da Judeia e da Capadócia,do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e dos lados da Líbia vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, Cretenses e Árabes», em resumo: todo o mundo conhecido,feito de povos diferentes em usos, estatutos e línguas, subitamente ouve que falam para todos, mas para cada um, porque cada um ouve o que é dito mas na sua própria língua... Isto aconteceu no dia 50º depois da Ressurreição de Jesus e 10º depois da sua ascenção à vista dos discípulos. Lembramo-nos bem de que Jesus havia dito«« não vos deixarei orfãos »» .E também nos lembramos bem de que, no princípio de tudo, quando ainda ««as trevas cobriam o abismo, o ESPÍRITO de Deus movia-se sobre a superfície das águas »» e foi a partir desta inefável presença que Deus iniciou a sua atenta e carinhosa obra de criação. Este Espírito de Deus liga-nos pois a ELE através de tudo o que ELE foi vendo «que era bom» para nós, inclusive através daquele presente sem medida e sem humana qualificação possível que foi o seu Filho Jesus... Quis Deus um Mundo de homens em paz e cabia ao seu ESPÍRITO harmonizá-los, torná-los capazes de se entenderem ,ainda na memória de um Jesus cuja missão aquele Mundo não conseguiu compreender... Se era de sinais visíveis que precisavam, então aí estavam esses pequenos fogos purificantes primeiro, estimulantes depois... Mas, com sinais ou sem eles, aqui estamos nós,dois mil anos depois, Partos ou Capadócios, Egípcios ou Romanos, sem termos aprendido aquela língua que o ESPÍRITO de Deus vem ensinar-nos no dia de hoje e nós sabemos que se chamaria AMOR...

28 maio 2009

Um grande dia de maio

Lembrei-me de ir procurar informação na net, sobre o aparecimento do dia dos vizinhos e fiquei então sabendo que o seu nascimento se deu em Paris em 2004 tendo depois a ONU aproveitado a ideia e marcado a última terça feira de cada mês de maio para essa celebração.
Obtida esta informação,já me senti apetrechada para, ontem, dia 27, invocar de maneira fundanentada, a minha teoria da vicinidade na reunião de condóminos que iriamos ter pela primeira vez com administração nova ( um gabinete de gestão de condomínios conduzido por duas advogadas jovens das quais tivemos referências de bom profissionalismo). Fez-se a dita reunião que decorreu com as características habituais, não se mostrando as novas gestoras minimamente perturbadas com as velhas tricas subjacentes a certas intervenções, póprias de quem já condominiza há muitos anos..
.
Aconteceu,apenas a mim e em conversa lateral, ter que lembrar ao único condómino jovem presente, que, ao contráriodo que eles pensam,todos precisamos uns dos outros, sejamos novos ou velhos, cada um dentro das suas capacidades...Um pormenor, mas de peso, dentro daquele contexto
Porém, este dia 27 de Maio foi um tal cúmulo de datas a celebrar,umas, e outras anterioríssimamente marcadas e desmarcadas por contingências várias, que foi,desde manhã até à noite um cumprir ou faltar a compromissos por impossibilidade de conexão, e por sobreposição até. Foi o aniversário da minha amiga-sobrinha Rita, foi a memória religiosa dos que teriam sido os 109 anos de meu Pai, foi um almoço na cidade preparado para e por velhos amigos do mesmo antigo Trabalho, foi a reunião em minha casa com as Senhoras visitadoras da Paróquia,por fim foi a reunião dos condóminos.Vi-me forçada a prescindir da minha sessão de fisioterapia e,depois, às seis da tarde, a não estar presente na apresentação do livro do meu amigo Padre Lázaro, na Embaixada de Moçambique.
Este foi o livro em que se transformou a sua tese de doutoramento em Teologia e cujo título nos indica a originalidade do tema e nos estimula a curiosidade, por isso que os sete arguentes da sua prova foram unânimes em classificá-lo com 18 valores cum laude... DOENÇA E CURA EM ÁFRICA introduz-nos em toda uma desconhecida filosofia de pensar a doença quando olhada com olhos africanos e participada pelos prcedimentos cristãos.
O nosso novo Doutor vai regressar para junto do seu povo chuabo com todos os conhecimentos e experiências que adquiriu em 6 trabalhosos anos de convívio europeu ocidental. Com muita saudade vamos, vou, ficar orfã da sua amizade e dos seu apoio.
Na oração da noite deste enorme dia, agradeci a DEUS os amigos, lembrei os vizinhos e encomendei~lhe particularmente o futuro do meu amigo Lázaro.
E adormeci em paz ! .

26 maio 2009

Saberá a ONU ?

Muito cansada! O que eu tenho feito, o que eu tenho escrito, o que eu tenho feito escrever ! Mas hoje, a telefonia da manhãsinha e, depois, a televisão do almoço apregoaram aos quatro ventos que é o dia europeu dos vizinhos ! ! !
E eu, toda convencida que tinha sido muito original na minha teoria sobre a vicinidade exposta aqui mesmo neste blog em 8 de julho de 2008 !...
Juro que nunca ouvi falar noDIA DO VIZINHO . E não é que os noticiários me dizem que há 3 anos que a ONU se lembrou disto ? e que o dia será muito cheio de festas nas Juntas de Freguesia e mais aqui e ali... Bem, a minha alma rejubila e pasma. E também, como tinha exposto resumidamente a minha teoria numa reunião de condóminos que aconteceu no começo deste ano de 09,
resolvi pôr-me à espera que algum dos meus vizinhos hoje viesse mostrar-me
um pouco da sua aderência às ideias minhas e da ONU...
Está para ser noite e não aconteceu... Será só no meu prédio? Será que a ONU sabe disto ?
Ingenuidade minha. Como se intitulava uma série de documentários que era passada nos cinemas, na época da Guerra, ainsi va le monde...

17 maio 2009

O monumento a Cristo Rei

Por mais que puxasse pela memória, não consegui fixar-me nem em qual teria sido a primeira, nem em quantas vezes visitei, estive ou passei pela cidade de Setúbal. Lembro bem a última, em que fui convidada pela Escola Superior de Educação ( creio ser este o seu nome oficial) para falar sobre Bocage em companhia com duas amigas que iam lendo poemas dele, ao a propósito do que eu ia dizendo. É um campus universitário magnífico, inserido na paisagem e pensado para uma população de jovens modernos, à boa maneira de Siza Vieira. Sei que foi uma visita alegre em que inclusivamente a Tuna acabou improvisando uma musiquinha muito bonita para um pequeno poema do poeta celebrado que eu lhe lançara à maneira de mote ...e desafio.
Recordação bem mais antiga, um fim de semana de dois dias passado na Estalagem de São Filipe (será que ainda existe e com este nome?), instalada no Castelo ou Forte com esse nome. Uma situação magnífica, com o rio Sado já a fazer-se estuário ali aos nossos pés...
Mais atrás ainda, muito mais atrás, um passeio por uma avenida arborizada, onde, a certa altura, me mostraram o monumento a outra jóia da cidade, Luiza Todi. E, logo a seguir um almoço em que comi pela primeira vez um peixe delicioso que em casa se não comia porque o meu Pai o detestava:o salmonete.
Era ali uma especialidade, já não me lembro se da terra, se do restaurante.Mas a verdade é que me ficou para toda a vida a associação desse peixe a essa cidade. E também sei que me fizeram crer que as pessoas de Setúbal falam carregando na pronúncia dos R .
Não se pode dizer que seja tudo isto uma grande informação e pode sim dizer-se que é quase imperdoável... Mesmo ali à beira da Arrábida que percorri e frequentei nas suas múltiplas facetas (onde, tanto, a memória do Sebastião Gama,esse amigo !), mais modernamente, num simples cruzamento de estradas ao vir do sul para Lisboa...Bem, é já ali Setóbal !
Mas ,subitamente, comecei a ter essa cidade aos meus ouvidos várias vezes por dia : a violência, as juventudes delinquentes mas incompreendidas, a polícia enxovalhada, a Conunicação Social aos gritos e apitos, nós todos numa inquietação, eu, com um nó na garganta, a lembrar aqueles alunos da Tuna e da Escola,tão felizes, tão alegres, e também os polícias que conheci no meu trabalho, gente sã, meritória...Que é isto ?
Que é isto no meu país ?
E acontece outra vez Setúbal . O Concelho, a Diocese, e o seu povo... E de novo a Comunicação Social uma, duas , n vezes a insistir, a insistir...mas como se explica que o tom já não seja instigador da histeria irritada e irritante e se tenha mudado o registo das referências ao povo, a este mesmíssimo povo de Setúbal , do espaço alargado para fora da cidade, onde provavelmente as juventudes se podem equiparar ? É explicável ?
Agora trata-se de algo que se percebe bem todos respeitam, e não ousam cometer qualquer deslize, talvez nem bem saibam porquê...
São os espectaculares festejos de comemoração do 50º aniversário da existência do monumento a Cristo-Rei, implantado justamente na Diocese de Setúbal...
Há que considerar que o histórico e o político têm aqui um grande peso, mas o que provoca esta mudança de atitudes ?
Acaso não se trata da mesma Comunicação Social, dos mesmos "fazedores" de opinião ?


O convite à meditação perante o imenso espaço aberto à frente daquele monumento é sem dúvida feito pela beleza esmagadora da paisagem, toda material, mas do que ali SENTIMOS sobre nós e o mundo, sobre nós e a vida,
disso e de um certo inexplicável AMOR, de que o Mundo está carente, não encontramos forma de o materializar... Vejo agora nitidamente que o espiritual é mesmo o grande motor deste Mundo dos Homens, quer eles o entendam quer não ...

10 maio 2009

As varas

Esta foi a semana em que o tempo, de quente, passou a frio e de brilhante passou a baço...Tenho uma pequena fatia de jardim, coberta de hera, com uma cameleira num dos topos.Quem sabe destes arremedos de jadins que há na cidade sabe que, numa certa época, pululam os jarros alvíssimos de largas folhas verdes que requebram como bailarinas orientais. Mas vem a época em que eles abdicam, secam e só no subsolo quente fica um bolbo que ninguém vê e até esquece, pelo menos pelo espaço de um ano... Os velhos jarros amarelaram,
descaíram e arrastam-se pela terra consentindo que tudo o que for exuberante lhes caia por cima e os abafe. Veio hoje o jardineiro e foi puxando, separando, arrancando...Era um montão de lixo, aquilo que fora tão airoso !
Metáfora ? São João diz no Evangelho de hoje que Jesus terá usado a metáfora da vara seca que é jogada fora e queimada, seca porque não dá fruto, e o fruto é uma nova metáfora...Como eram misteriosas as palavras de Jesus !
É que, mesmo sem eu fazer nada, os meus jarros voltam a rebentar cheios de força, na próxima Primavera...Só mesmo isto é possível porque aos seus escondidos bolbos,até aí !, chegará a Infinita Misericórdia.
Como é que eu não penso nisto quando estou como os velhos jarros do meu minúsculo jardim ?

03 maio 2009

MÃES

Matriz, modelo, MAÇÃ, malefício, medo, mortificação, marca, melancolia, macio, mimo, mácula, memórias.
Alvorada, Amor, ansiedade, aflição, azedume, apelo, apego, auxílio, apoio, acompanhamento, abraço, artes, admiração, ausência.
Eternidade, Eden, envolvimento, exclusão, entendimento, exigência, educação, evolução, elegância, esteio, espanto.

Com as três letras de MÃE podemos contar a História de todas as MÃES do mundo, desde que Eva provou a maçã. Esta é a história das mães que eu tive.

01 maio 2009

Trabalhadores

Principia o mês de Maio, dito antigamente o mês das flores. E também se dizia que, se chovesse, a sua chuva fazia as pessoas bonitas... Com o passar do tempo tudo endureceu nas nossas vidas e, se pensamos em Maio, a primeira conotação é a do TRABALHO por causa de o seu primeiro dia ser dedicado aos TRABALHADORES. E nós sabemos a carga de lutas, de sofrimentos, de decepções e de poucas alegrias que esta data traz consigo.Mas também é importante que se pense quanta dignidade, quanto orgulho, quanta felicidade o trabalho pode dar ao ser humano... O Fernando Pessoa é que se lembrou de elogiar o não se ter nada para fazer ou o não se fazer nada mesmo que haja que fazer, e socorre-se de exemplos que só nos fazem sorrir««o melhor do mundo são as crianças»» E, não sei por que associação de ideias, este amor do Pessoa ao primitivo, fez com que me ocorresse que também no dia 1 de Maio foi escrita por PERO VAZ DE CAMINHA a CARTA a dar conta ao Rei D. Manuel do ACHAMENTO DO BRASIL .Não teriam sido também uns esforçadíssimos trabalhadores, estes navegadores cujo esquecimento vamos gradualmente consentindo ?...

26 abril 2009

São Nuno de Santa Maria

«O grande Pereira», «o fero Nuno»,«...Nuno,qual...o fortíssimo leão»,«Nuno,que,como sábio capitão, tudo corria e via e a todos dava com presença e palavras, coração», pois este Nuno assim visto por Camões, foi hoje canonizado por um Papa de nome Bento, tal como fora beatificado por outro Papa de nome Bento também. Sendo notável toda a sua carreira militar em que,de simples "conde das cavalariças/ cavalos,cavalaria"( condestável, etimologicamente e por influência do inglês constable medieval), chegou a chefe supremo de todo o exército e figura maior da hierarquia da corte, é ainda muito mais notável o quanto a sua fé, a sua dedicação a Nossa Senhora o fez, depois de viuvo, procurar "apagar-se" numa humildade que o esconde dentro do hábito carmelita, de onde quase nada volta mais a ouvir-se sobre ele...
Pois agora aí está, mais um dos Santos e Santas da Corte dos Céus, a fazer-nos pensar a nós em como são misteriosos os juizos de Deus e os seus desígnios e em quê e em quanto e em como teremos que dar volta às nossas vidas se quisermos sequer imitar um Santo assim...

25 abril 2009

25 de ABRIL

Eu vi Abril por fora e Abril pordentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.

Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.

Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.

Abril de Abril vestido ( Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer...

Manuel Alegre

24 abril 2009

24 de ABRIL



Le taparia el tiempo
con rosas, por que no recordara.

Una rosa distinta,
de una imprevista majia,
sobre cada hora solitaria de oro
o sombra,
hueco propício a las memorias trajicas.

Que, como entre divinas y alegres
enredando rosas, granas ,blancas
que no dejarán sítio a lo pasado,
se le enredara,
con el cuerpo,
EL ALMA...


de Juan Ramon Gimenez

18 abril 2009

Prendas

As prendinhas que trocámos com os nossos amigos tiveram sempre um qualquer significado, a menos que não fossem de ou para amigos mesmo, dos verdadeiros.
Com o andar da vida, acabámos por ter,a cada passo,na nossa casa uma presença qualquer daquele ou do outro ,várias vezes multiplicadas...A jarrinha do último natal em que... A moldura daquele dia de anos que... A taça, a caixa,a chávena...Isto para não falar dos utilitários como a máquina de café, a torradeira, o jogo de facas, o espremedor de fruta...E também a coquetterie dos lenços de seda, das caixinhas de comprimidos, do alfinete de pedras...
Bem! Isto tornou-nos possuidores de inúmeras coisas carregadas de significados vários mas que nós, no seu conjunto, acabamos por já nem gozar...
Combinámos então,entre amigos, no alvorecer desta avassaladora idade do consumismo, passarmos a só nos presentearmos com bens perecíveis, como produtos para nos lavarmos, para aperfeiçoar a nossa apresentação física, para comer ou beber, para escrever, e também flores, plantas e livros Tivemos algumas dúvidas sobre a classificação dos dois últimos citados.As plantinhas,se as tratarmos bem, far-nos -ão companhia longo tempo, são mesmo uma companhia com a qual até podemos falar( ! ! !). Sobre a durabilidade válida dos livros é que haverá muito a dizer.Pondo de parte o quanto fisicamente se deterioram, é claro que o seu conteúdo é persistente...quando o é! Porém cada vez estou encontrando mais livros perecíveis. Ninguém certamente está a pensar num CEM ANOS DE SOLIDÃO, nuns LUSÍADAS, num GUERRA E PAZ, numa MADAME BOVARY ou mesmo num MEMORIAL DO CONVENTO.
Mas quanto é publicado apenas arrastado pela esteira dos redemoínhos de uma moda, social, política, moral ou religiosa, ou até de certas inovações puramente literárias, uma vez diluida essa actualidade, passa a ser de facto também um perecível. E,por isso, ´poderá também entrar na categoria das prendinhas de desgaste previsível.E oferecemo-las uns aos outros com essa quase certeza.
Não me querendo deixar entrar pelo campo dos livros em que se estudava e são declarados perecíveis pela via governamental , olho para os livros de agora com uma certa desconfiança quanto à sua utilidade prática.Ocuparão um lugar nas minhas estantes tal como as prendinhas de antes da combinação dos perecíveis.
E não é que agora me vêm oferecer um livro como nunca tive, onde eu própria caibo em duas linhas e cuja classificação só pode ser CURIOSIDADE ?
Com uma admiração toda nova ( onde já vai na minha memória o que me vi obrigada a consultar na antiga Torre do Tombo!), vejo-me com um livro todo dedicado ao estudo da árvore genealógica das famílias que se entrecruzaram até chegar ao mundo a geração do meu marido ! Um dos seus dois laboriosos autores entendeu assim agradecer-me algumas conversas que tive com ele sobre tanta memória, tanta história... E, parafraseando alguém, digo eu ««que farei com este livro?»» Quão estranha profissão a deste simpático autor !
Genealogista! Quem conhece ?
Sempre,cada dia, coisas novas...Até nesta tão bem "arrumada"teoria das prendinhas que desalinho agora, a descobrir avôs e avós insuspeitados a viverem as suas vidinhas lá para trás do sol-posto, sem suspeitarem que de longinquos tempos e espaços alguém os andava a espreitar...

12 abril 2009

Pão Ázimo

Logo de manhã,com cuidado por causa da diferença horária,estive em frente da televisão porque procuro sempre não perder a transmissão das cerimónias no Vaticano que sei que vão dirigir-se urbi et orbi.Está sempre lindíssima a decoração daquela enorme esplanada frente à Basílica,com montões de flores e plantas verdes que a Holanda capricha em oferecer.E depois é todo aquele aparato de solenidade...
Não, não estou a falar de luxo.
Mas do cerimonial com que nesses dias os cristãos enfatizam
aquilo que deu o cariz verdadeiramente extraordinário às razões da sua fé. Claro que além de uma imensidão de público do mais heterogénio (quantos só turistas?) a figura central de tudo o que se ali passa é o Papa. E ouve-se, da sua sabedoria, que cremos divina, aquilo que nem sempre sabemos
interpretar ou por vezes aquilo que estava a faltar-nos como estímulo... Quantas vezes sem mesmo nos termos dado conta disso.
Hoje aprendi.Melhor: percebi.
Comi pela primeira vez PÃO ÁZIMO aquando da minha primeira viagem a Israel. Ao procurar saber como se fazia,explicaram-me que a única diferença para o nosso pão era apenas a de não levar fermento. E entendi porque era baixinho e maciço.Vim depois a comê-lo mais vezes sem nunca mais pensar no como era feito. Nunca tinha pensado que haveria uma relação entre ele e a História da minha fé.Quando oiço da boca do Papa «de tal modo a Páscoa é o partir para uma NOVA VIDA completamente nova, que até se deixou de fazer pão com o fermento, porque este tem que ser retirado de uma massa anterior e, por isso,velha». Não foram estas as palavras textuais, que não fixei. Mas foi esta a "novidade" para mim. Alguém me lembrou que há também uma explicação segundo a qual os judeus, ao fugirem precipitadamente do Egipto,não puderam dar tempo para fermentar ao pão que estavam a fazer...
Não teria nunca sabido isto de outra forma, creio bem.
Que mais coisas novas virão ainda acrescentar o que já sei, depois desta Páscoa da qual apenas esperava reforçar a minha solidez interior??? Banirei o fermento?

10 abril 2009

6ª FEIRA DE PAIXÃO


Deixai, deixai passar o homem forte,
o ungido do Senhor.
Se a cruz que arrasta agora é cruz de morte,
também é cruz de Amor !

Morres tu, mas a ideia que deixáste
não morre, como a luz em fim de dia,
nem o fogo do céu que em ti ardia,

nem o exemplo sublime que legáste !


in A senda do Calvário

ANTERO DE QUENTAL

05 abril 2009

Cerimónias de RAMOS

Este deslizar das semanas durante a Quaresma torna-se-nos mais sensível porque é um caminho que se percorre e no qual se vão eliminando etapes. Chegámos hoje ao domingo de Ramos e, sendo aquele em que começa verdadeiramente a tragédia da morte mais injusta e cruel alguma vez executada sobre um ser humano, as cerimónias de igreja, neste dia, tornam-se alegres e festivas, já pelas cores vermelhas dos paramentos, já pela manipulação dos enormes ramos de folhas de palmeira, tão elegantes, tão graciosos, a ondular ao ritmo de todos aqueles cãnticos entoados em procissão. Imaginar a figura daquele JESUS materializado no filme de Mel Gibson, montado num burrito assustado com a gritaria do povo circundante, a procurar romper pelo meio de uma turba enrodilhada em gritos e palmeiras, em correrias para ver melhor o que parecia festa, imaginar a paciente doçura daquele que se sabia condenado sem crime, fez-me sentir subitamente uma tristeza tão dilacerante que só tinha uma vontade: fugir, sair, procurar outras cores da alegria, arrancar de mim toda a imagem da dor,da dor toda, ou antes, de toda a DOR... (e lá, na ponta de um banco, não é que se senta o que resta, em disformidade, daquela que foi a ninha alegre amiga cujo esgar,como sorriso, ainda veio ter comigo?)

02 abril 2009

Livro infantil - ilustração


Tenho uma sobrinha que faz lindas ilustrações e desenhos em livros infantis e não só... Aqui está uma amostra do que ela fez com uma amiga,quando estiveram em São Tomé integradas nos Leigos para o Desenvolvimento...

29 março 2009

Parábola da semente-5º domingo

Tenho sempre usado os muitos poderes da minha imaginação para me ver fazendo parte daqueles grupos que seguiam Jesus, curiosos, compreendendo pouco, mas intuindo muito, perfeitamente rendidos ao suave tom da sua fala, parecendo antes a de quem medita em voz alta, mas sendo na verdade ( e podiam tê-lo percebido por vários Sinais ) a de a quem Deus conduz como seu Filho, mesmo nas situações mais sinuosas e difíceis. Hoje, São João conta-nos da curiosidade de uns gregos, em Jerusalém, que queriam conhecer Jesus o que, de certa maneira, não deixou de preocupar os discípulos que temiam por ELE, naquele ambiente meio festivo que já atraía estrangeiros para a Festa próxima.Porém Jesus, serenamente, como se nada passasse por ELE, ensinou-lhes a parábola da semente que, se cair à terra e não morrer, estiolará numa solidão sem horizontes.Mas que,morrendo enquanto semente, poderá multiplicar-se em réplicas ad aeterno... Todos os que o ouviram sabiam,pela prática, que isto era assim, simples de entender e aceitar. Mas aquilo que ouviram a seguir e não foram capazes de perceber se era um trovão, aceitando com naturalidade que poderia ser a fala de um Anjo, nisso é que surgiu o Mistério : o Mistério de um Deus que estava ali, com eles, prestes a deixá-los até à Eternidade, e ninguém foi capaz nunca de compreender...Que era ELE mesmo a tal SEMENTE !

26 março 2009

Parafraseando Natália

«« a poesia é para comer »» dizia a Natália Correia, no seu modo estrepitoso de escandalizar... E eu, sem nenhuma vontade de escandalizar seja quem for, sempre a entendi perfeitamente e, a partir de certa época da minha vida, comecei a ousar aconchegar junto da ideia da Natália a minha de que a VIDA é para se beber... A grandes tragos ou a pequenos goles.
Aquele acontecimento de um amigo que atinge a classificação magna cum l aude na sua prova de doutoramento, ou o de uma amiga que chega de outra terra para vir ficar connosco, partilhando a nossa casa e a nossa vida temporariamente, ou a tomada de decisões práticas na ocorrência de factos imprevisíveis na orientação do condomínio, ou a envolvência carinhosa de alguém de quem não a esperávamos, ou a bonita camélia que,no nosso minúsculo jardim, a cameleira nos ofereceu, ou a senhora da paróquia que vem pedir para os seus missionários protegidos, ou aquela bonita luz difusa que este sol de primavera deixou coar através das cortinas de linho antigo que hoje lavámos, ou a aluna que nos encheu a semana com uma classificação de 19 valores, depois de termos trabalhado tanto...São, gota a gota, aquela bebida que transforma em pequenos oásis certos dias de secura, tonus indispensável para qualquer gosto de viver.A poesia de que a Natália falava ( e comia ), essa acho que é destas múltiplas gotas que acaba por brotar...

22 março 2009

Gaudete ! 4º domingo

««Naqueles dias,todos os chef.es de Judá, os sacerdotes e o povo multiplicaram as suas infidelidades, imitaram as acções abomináveis das nações pagãs e profanaram o Templo que o Senhor tinha consagrado......O Senhor, Deus de seus pais, bem cedo e sem descanso começou a enviar-lhes mensageiros... mas eles escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam-lhes as palavras e troçavam dos seus profetas a tal ponto que deixou de haver remédio para a crescente indignação do Senhor contra o seu povo...
Isto nos diz o texto exrtraído do Livro das Crónicas para a missa de hoje, o chamado Domingo Gaudete. Claro se torna depois, .no restante das Leituras, que a infinita misericórdia e o grande amor de Deus pelas suas Criaturas o levou a perdoar-lhes, não sem que tivessem antes passado pela deportação e sofrimentos em Babilónia e não sem que lhes fizesse compreender a magnanimidade dessa sua mesma misericórdia que,através de Jesus, queria fazê-las trilhar os caminhos da LUZ e das BOAS OBRAS. E é dessa infinita vontade divina de nos perdoar que retiramos todas as nossas razões da alegria deste 4º domingo da Quaresma de este ano.
Fica-me para meditar,toda a semana, a citação do Livro das Crónicas e a interrogação posta ao meu espírito sobre, quanto tempo, quanta cultura, quanta experiência,quanto progresso humano poderemos medir, contar, desde o que aqui nos é narrado até aos dias que estamos vivendo hoje...

21 março 2009

Poesia

como meter o mundo
num poema? traduzir-lhe
a áspera realidade, a doçura
intranquila ?

como meter o trabalho
dos homens, os seus dias,
nessas escassas linhas,
seus ócios, seus espelhos,

seus desvarios, suas
catástrofes de amor ?
como meter a morte
nas palavras ?

só que uma coisa bela
é para sempre uma alegria inquieta.

Vasco Graça Moura

19 março 2009

PAI

São apenas uns flashes guardados na minha memória, com amor. Por isso duram.
1º- O meu Pai é um homem alto e eu, nos seus braços, quase desapareço. Ele usa uma farda acinzentada e está de pé, muito direito, aperta-me com muita força e...soluça.Algumas das suas lágrimas caem sobre o meu cabelo.Dão-nos uma flor que ele põe na minha mão e inclina-se...É a minha mãosita que vai pousar aquela flor sobre um montão de tule branco sob o qual a minha Mãe parece ter adormecido...
2º-O meu Pai espera-me, cá fora, à porta da Faculdade. Eu não me apercebera de que ele estivera lá. Abraçamo-nos, na minha surpresa do encontro. Alguém diz a "graça" do momento: «Aqui temos a nossa doutora!» O meu Pai põe as suas grandes e tranquilizantes mãos sobre os meus dois ombros, olha-me bem de frente e diz, quase para ser só eu a ouvir : «doutora sim,filha, mas nunca esqueças que, primeiro que tudo, és UMA SENHORA »...
3º-Estamos frente ao altar-mor da Igreja. Eu, noiva dos pés à cabeça, por dentro e por fora, toda feliz.Á minha esquerda o meu Pai ,brilhante, na sua farda azul com lindas medalhas no peito, a seu lado a minha Mãe com uma lindíssima capeline preta enfeitada de plumas verdes. Do meu lado direito, o meu adorado noivo, todo nervoso dentro de um fraque que nunca gostou de vestir, e à direita dele o seu irmão e cunhada.Portanto, tudo nos seus lugares para começar a celebração do meu casamento. Era um dia de Junho,muito ventoso e, para subirmos a escada da Igreja, o vento levantava a passadeira que deviamos pisar e o meu Pai ia aplanando degrau a degrau com a sua espada numa das mãos enquanto com a outra me segurava braço para que não me desiquilibrasse...A cerimónia, as orações, a alocução para os noivos pelo Sr. Padre Augusto, tudo uma beleza. Lembro-me de olhar para o meu Pai...O peito da sua bonita farda azul, por entre as tais medalhas, parecia cheio de nódoas. Pela sua cara deslisavam ,silenciosas e grossas, lágrimas que me destroçaram, fazendo-me chorar também...

A saudade de um Pai é tecida de malhas muito miudinhas que nunca perdem o seu significado ao longo de qualquer vida, mesmo longa...

15 março 2009

Depois da tempestade a bonança possível...

Imaginemos que saio desta espécie de túnel negro por onde me têm trazido esta semana as dores nunca antes experimentadas de uma inflamação nas espondilíticas cervicais, que resolveram envolver-me desde os mais recônditos locais da minha cabeça ( nem eu sabia que haveria por ali tanto cantinho para doer ! ) Imaginemos que já estou outra vez de bem com o meu computador e que a minha cabeça já se vai aguentando na posição que ele lhe exige..
Então aqui vou eu pensar ( será que não vai doer? ) neste 3º domingo de quaresma, tão especialmente cheio de interpelações, que chego a crer vir também ele pleno da especial atenção com que o Senhor este ano me atribuiu a minha penitência quaresmal.
Em primeiro lugar, vemo-nos como que acareados com"três" interlocutores diferentes. Muito diferentes mesmoNo Livro do Êxodo, é o Senhor Deus que fala àquela turba humana que acabara de salvar de uma humilhante escravidão e que, vencidos tantos obstáculos só superáveis porque existiu a Sua ajuda,iria agora, eufórica, entregue a si mesma fazer o quê ? Sem "rei nem lei",como se diz, e sem a mínima noção de como se é povo, sem vícios ou fraquezas humanas ( não cobiçarás a casa, nem o boi, nem o criado, nem a mulher do teu vizinho..! ) Bem, o Senhor Deus acaba mesmo criando um código e é com uma certa dureza que tudo faz para que entendam a importância de observá-lo EU SOU UM DEUS CIOSO. castigo a ofensa dos pais nos filhos,netos e bisnetos daqueles que me detestem, mas sou benevolente com os que me amam e guardam os meus mandamentos. E assim aquela massa humana seguiu na procura de um entendimento nada fácil, então. NUNCA, tenho vontade de o dizer agora. Todo este ideal seria realmente uma loucura de Deus ? Surge-nos então o segundo interlocutor, o "apaixonado" São Paulo a lembrar-nos aquela pertinente noção das distâncias que vão de homem para Deus e que estamos constantemente a esquecer.: « o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens e o que é fraqeza de Deus é mais forte...»» Por isso mesmo é que tanto se fala naquela " fúria" de Jesus ( o nosso terceiro interlocutor de hoje ) ,quando,suponho que gritando e esbracejando correu com os vendilhões do Templo. Foi isto uma sua fraqueza ou uma sua força ? Na linha de quanto há dois mil anos era necessário fazer para ser compreendido,terá sido uma força. Para que o"fraco" HOMEM não precisasse, dois mil anos depois ,ainda , de ser lembrado daquilo que todos sabemos lhe falta: a noção de que, cobiçar o boi ou o criado do seu semelhante e ver neles apenas o chorudo possível negócio, fará de si mesmo um " vendilhão" sem alma, sem Amor, que Jesus voltará a expulsar do TEMPLO.E de que a pertença a um povo, e para mais "de Deus",lhe exige discernimento para uma solidariedade / caridade que não se coadunam com qualquer "banca" de vendas no átrio de qualquer templo...

10 março 2009

SE..

Se...Vou iniciar este meu post por um SE... Foi o2º domingo da quaresma .Quanto me seria grato ter mais uma vez subido ao Monte Tabor e naquela amplidão de vista, naquela leveza de respiração, ter podido ficar à espera de ouvir e ver este é o meu filho muito amado... Mais uma vez não consegui armar a minha tenda. Por isso digo SE. Se Deus quer realmente alguma coisa de mim, estou a ser posta à prova como poucas vezes o tenho sido. No meu físico, muito. No meu espiritual, imenso.
Até aconteceu naquele mais um dia das coisas todas que há, ser o Dia da Mulher.Não tenho muita simpatia por estes dias que separam grupos .Porém este 8 de Março... Fez agora, nesse dia, 32 anos que eu entrei definitivamente na Função Pública voltando costas ás escolas,ao ensino oficial. Comissão Instaladora de algo de onde só viria a sair já reformada... Era de celebrar. Neste dia que me traz um cacho de recordações espantosas, apenas quis o Senhor meu Deus que conseguisse uma lágrima ...ou mais... Se com o Amor as entendeu decerto as aceitou, preito de coisas que só NÓS sabemos...

01 março 2009

1º Domingo de Quaresma

«Naquele tempo o ESPÍRITO SANTO impeliu Jesus para o deserto » Começamos assim o nosso primeiro Evangelho da Quaresma deste ano. Deste ano tão particularmente comprometido pela mão do Homem, tão desprotegido materialmente, tão desertificado espiritualmente. Creio firmemente que, tal como o fez com o Filho de Deus/ filho do Homem, o Espírito Santo nos está impelindo para o deserto, a nós Homens com quem, até há algum tempo, procurou estabelecer um Arco-Iris, sinal de aliança , como prometeu na hora do Génesis... Resta agora para nós discernir se as tentações a que Jesus esteve sujeito e foi vencendo durante apenas aqueles quarenta dias, tal como o próprio deserto, de que nos conta São Marcos , não serão reduções exponenciais e exemplificativas daquilo para que , vista a quase imperdoabilidade do nosso caso, o Espírito Santo nos esteja a impelir. Será então de pensarmos no que poderemos ainda fazer, nós Homens, para, reaprendida a disciplina moral, penitentes ainda, mas de cara levantada, sairmos por aí a dizer « arrependei-vos e acreditai...» Teremos ainda Coração e Amor bastantes para curar tantas situações de sofrimento ?...

28 fevereiro 2009

Granada e Córdova

Qué hermosa esta granada, Platero! me la ha mandado Aguedilla, escogida de lo mejor de su arroyo de las Monjas. Ninguna fruta me hace passar, como esta, en la frescura del agua que la nutre. Estalla de salud fresca y fuerte. Vamos a comernosla?
Platero, qué grato gusto amargo y seco el de la dificil piel, dura y agarrada como una raiz a la tierra! Ahora el primer dulzor, aurora hecha breve rubí, de los granos que se vienen pegados a la piel. Ahora, Platero, el núcleo apretado, sano, completo, con unos vuelos finos, el esquisito tesoro de amatistas comestibles, jugosas y fuertes, como el corazón de no sé qué reina joven. Que llena está, Platero! Ten, come. Qué rica! Con qué fruicion se pierden los dientes en la abundante sazón alegre y rija! Espera qué no puedo hablar. Da al gusto una sensación como la del ojo perdido en el laberinto de colores inquietas de un calidoscopio. Se acabó!
[...]
Yo ya no tengo granados, Platero.
[...]
Caía el sol y los granados se incendiaban como ricos tesoros, junto al pozo en sombra que desbarataba la higuera llena de salamanquesas...
[...]
Granada, fruta de Moguer, gala de su escudo! Granadas abiertas al sol grana del ocaso !...

Juan Ramon Jimenez — Platero y yo


A verdade é que não sabia muito bem como começar este meu post. Estive sim quatro dias divididos entre duas belíssimas cidades da Andaluzia, dividida também eu entre o suave estremecimento das recordações avivadas e uma espécie de revolta pelo que o desenvolvimento, o progresso, a modernidade, fizeram ás minhas recordações. Isto é para ser dito e não escrito, e, mesmo dito, deveria ser segredado. Não terei o direito de ser tão egoísta que pretendesse que o mundo parasse para perservar as minhas recordações... Mas se, no local onde, sob as pequenas laranjeiras carregadas de frutos a ponto de perfumarem alguns metros em redor, onde, repito, aí se trocaram ternas promessas de vida a dois e, agora, se lá vai encontrar um novelo de estradas entrecruzadas com um estonteante movimento de carros, fica-se com pena de que o jardim de laranjeiras não possa mais ser uma marca do amor no mundo... Claro que há outros e muitos e mais ainda... As cidades crescem, como as crianças... Estamos um tempo sem vê-las e, quase sem sabermos como, já estão para casar...
Por pensar em crianças, noutra cidade, não na das laranjeiras, lembrei-me de que alguém de quem me enamorei há largos anos tinha nascido quase lá. Esta é a cidade das romãs. E o meu poeta nasceu em Moguer onde, criança mesmo possuia um burrito, seu companheiro e amigo. Daqueles amigos especiais que apenas as crianças têm. Juan Ramon foi muito depois Prémio Nobel de literatura e creio que o seu burrinho prateado, as brisas já mediterrânicas de Moguer e as preciosas romãs terão sido a base sólida do esplendoroso lirismo do seu testemunho de vida. Por isso iniciei com ele este meu post, repassado de Sol andaluz, de perfumes andaluzes, todo ele em clima e alma aquilo que passou por mim como um sopro benfazejo com que, pela mão dos humanos, Deus me quis presentear...

14 fevereiro 2009

´Camões




...e como duram as velhas paixões!
Parecerá que estou a escrever isto hoje porque a ganância comercial, a certa altura, percebeu que seria proveitoso ir buscar o costume estrangeiro de celebrar um dia dos namorados, na data de hoje. Mas não. Até porque há já alguns dias que ando neste enlevo de reviver uma antiga paixão. Deverei dizer melhor :um velho amor. Porque de paixão a amor vai uma grande diferença, como se sabe. E quem é o eleito, quem será? É CAMÕES.Não sei bem se os LUSÍADAS. Talvez os dois, pois não há um sem o outro. E não é mesmo a LÍRICA que consegue arrebatar-me.
É preciso chegar ao décimo segundo ano do Secundário para que os alunos portugueses retomem o contacto, este já interessado e consciente ,com o maior poeta da sua terra, com o mais belo poema dedicado àqueles que esta terra fizeram SUA. E é preciso, para que isto aconteça, que se veja( o que está entrando pelos olhos ) que a MENSAGEM de Fernando Pessoa é filha de sentimentos paralelos, nunca concorrentes, por estar grávida de intenções intencionalmente e completamente distintas das de Camões ( perdoe-se o "intencional " pleonasmo)Mas os doutos programadores das coisas que os jovens portugueses devem conhecer para cultura futura pensaram ( e bem ) que, nesta étapa dos seus estudos, PESSOA devesse chamar Camões a terreiro... Para amá-lo ? Seria bom, porque quando se ouve pessoas responsáveis reduzirem as suas memórias dos Lusíadas a um "pacote" de enfadonhas "orações", como eu já tenho ouvido, há a obrigação de responder a tal enormidade :«...o coração sujeito e dado ao vício mole se faz e fraco e bem parece que um BAIXO AMOR OS FORTES ENFRAQUECE» sendo que se a «pátria está metida no gosto da cobiça e da RUDEZA» ela não sairá mais de «hua austera, apagada e vil tristeza »
É pois agora a minha oportunidade de tornar conhecido aquele inabalável amor à ditosa pátria, aqui, quase cume da cabeça de Europa toda, e aquele enorme orgulho em pertencer-lhe que faz Camões colocar na boca de outro o seu desejo de voltar de onde estiver, para nela acabar os seus dias. A intensidade de sentimentos, a arte no domínio da língua e, com esta, da frase que estrondeia com a "trombeta castelhana" e estremece de suavidade junto da "formosíssima Maria" ou da "mísera e mesquinha", a abundância da informação científica e de conhecimentos práticos e técnicos, a perspicácia na interpretação das lendas, dos mitos e da História , tudo são
razões para uma admiração tão apaixonada que os portugueses não têm sabido cultivar.
Pudessem os meus alunos veícular este amor até novas gerações e essas a outras e assim por diante !... Porque dura, dura mesmo, esta paixão, quando começa...

11 fevereiro 2009

Nossa Senhora de Lourdes

Avé Maria pequenina

Salvé Maria menina !
Salvé Maria tão pequenina
que mal ouso aconchegar-me
no teu regaço de luz !
Salvé Maria que Deus chamou
de entre as meninas de Nazaré !
Avé Maria silenciosa,
mesmo naquele SIM da tua fé !
Avé Maria que hás-de guardar-me
agora e sempre
e até naquela hora
em que, contigo, hei-de encontrar JESUS !...

07 fevereiro 2009

...também a surpresa.

Ki no Tsurayuki

Poeta japonês, morto em 945- Seculo IX - um dos grandes autores de tanka ( poema de não mais que cinco versos,de uma extrema capacidade de síntese e de uma profunda densidade de expressão dos sentimentos ).
Adaptação de uma tradução francesa de G. Renondeau

On sait bien que du lendemain
Nul d'entre nous n'est sûr,
Mais ce fut avant le soir
Aujourd'hui même qu'une amie
Nous donna tant de chagrin...

02 fevereiro 2009

Senhora das Candeias

...Se chora, está o Inverno fora; se rir, está para vir.
Esta sabedoria meteorológica de que dependem quase sempre as várias étapas das tarefas rurais, é uma das fontes tradicionais que mais prazer me dá consultar e...usar !
Dia da Senhora das Candeias... Como é que um rasto de luz, tão belo na sua simbologia cristã, chegou até à convicção popular de que a fertilidade da terra se acertaria com as bençãos desta sua presença ou ausência...? « Eu sou a Luz do Mundo »... Somos um povo que o sabe.

27 janeiro 2009

O Caminho de São Paulo


Vem durando o ano em que a Igreja comemora a Conversão de São Paulo, dando-lhe a designação de Ano Paulino, de que eu nunca gostei. Quanto a mim, haveria outras designações menos frias, mais calorosas para nos fazer entrar "a fundo" no Extra-Ordinário que teve ( e que terá ) o fenómeno da conversão de um ser humano com uma estrutura mental completamente arreigada em princípios não só diferentes, mas opostos, contrários. CONVERSÃO, presupõe uma nova versão do que quer que seja e uma nova versão filosófica,intelectual e até dogmática de uma pessoa não é realmente de se encarar sem um enorme espanto e, posteriormente, um enorme respeito, uma enorme admiração. Daí à Estrada de Damasco só mesmo de mão dada com a nossa Fé... E então este Apóstolo do cara -a- cara, avesso às ruidosas exposições mas incisivo nos actos e até na doçura das palavras, surge-nos tão especial que, da sua acção à sua maneira de falar de Deus, o sentimos calorosamente a nosso lado, em muitas situações nossas, miseravelmente quase paganizadas...
...e a levarem-nos quase à revolta na Fé...
Perguntei hoje a Deus « onde está oTeu amor por nós ? a tua Misericórdia ?»
Aquela AMIGA, Senhor, porque o consentes ?
A nossa dor, Senhor, como a merecemos ? Onde o erro dela? E o nosso ?
E a resposta existiu para minha conformação, para minha meditação.
É o nosso percurso de vida . Será a nossa Estrada de Damasco ...

24 janeiro 2009

Recordar apenas

Éramos todos jovens, bonitos ( ! ! ! ) e sonhadores. Havia os "mais velhos", cheios de conhecimentos e de algumas experiências, que os "mais novos" admiravam, ouviam e...invejavam ! Quando estes chegaram às universidades os outros já por lá tinham passado a fazer o que eu hoje chamaria o básico mas ainda andavam por lá ou apareciam quando podiam...
E acrescia que, a alguns, nós conhecíamos cá "de fora" porque até as famílias eram amigas...Parece até que o país era mais pequeno, mais provinciano; quase todos se conheciam e mantinham-se relações de sociedade que hoje não vejo cultivarem-se, pelo menos da mesma maneira. Sempre vi em casa de meus Pais haver uns dias certos em que vinham amigos e se jogava o bridge e o mah-jong...
Pois essas "pessoas grandes" tinham filhos dos quais muitos iam cruzar os meus caminhos de estudante e assim se ia tecendo a teia das relações que, de uma maneira ou de outra, passavam a ser as nossas, as dos jovens do meu tempo.
Assim conheci a Stela. Os Pais amigos lá de casa.Aquela filha, muito bonita,mas muito especial... Naquelas idades a nossa diferença parecia muito maior... Dizia-se, dizia-se... e eu já a admirava .
Ela casa pela segunda vez no ano seguinte ao do meu casamento e tinha um filho afilhado de Álvaro Cunhal. Era filho de António Fiadeiro, seu primeiro marido. E uma filha afilhada de Piteira Santos, com quem casou em segundas núpcias e com quem partilhou toda a vida aventurosa dos políticos profundos com os quais sempre se entrosou... Era o" diz-se, diz-se "da sociedade em que nascera e fora criada. Chegámos a falar-nos em ocasiões muito especiais e eu tive oportunidade de dizer-lhe como já a havia invejado e como depois a estimei, a admirei.
No jornal de há dois dias leio a notícia da sua morte . Tinha agora 91 anos . Ambas velhas, só que eu alguma coisa menos.
E indubitavelmente muito menos Vida vivida, muito menos empenho, muito menos coragem...
Stela Correia Ribeiro... Algumas vezes, lá naqueles incríveis claustros da Faculdade, lembras-te ?

18 janeiro 2009

Agualusa e a Língua Portuguesa

Quando Maomé não vai à montanha, lá vai a montanha a Maomé. E muitas vezes,nos dias de agora, é a televisão que coloca a montanha dentro da casa de Maomé...

Assisti, por simples acaso, a uma entrevista dada por José Eduardo Agualusa, autor que aprecio por tantas razões que até o recomendo a alunos não só para prazer de ler, como para fazerem certos trabalhos cujo ponto de partida os professores das Escolas deixam à sua livre escolha.

A entrevista a que assisti cheia de interesse, como se depreenderá, estava encastrada num programa que a RTP preparara para celebrar, louvar, estimular e dar estatuto de espontaneidade, propensão natural da nossa gente para uma multiculturalidade que prove que somos um povo acolhedor e não racista para o que nos terá preparado e dotado a antiquíssima convivência com todos os povos do mundo que então andámos descobrindo. Era uma sala de teatro repleta de convidados de todas as proveniências e raças e que hoje habitam entre nós. E foram-se contando e mostrando exemplos, uns mais bem sucedidos que outros, como é natural, mas todos mostrando o quanto havia de positivo neste convívio português.
E assim surge AGUALUSA um escritor angolano, formado em universidades portuguesas, com vários prémios literários atribuidos em Portugal( lembro-me que um deles foi mesmo o de REVELAÇÃO) e usuário de um português fluente e correcto, uma das valias daquilo que escreve.
Tendo vindo à tona da conversa a dificuldade que é para a aculturação a língua, o português e o impacte que pode vir a ter o Acordo Luso-Brasileiro, AGUALUSA afirma que nada poderá afectar o português que "serve" a multiculturalidade porque verdadeiramente NUNCA foi uma língua estreme, dado que na sua constituição desde muito cedo teve séculos de influências até de línguas africanas ( falando quase "en passant" da presença árabe que é africana, em bom rigor ) e passando logo a falar do brasileiro que é hoje praticamente o único português conhecido no mundo, ilustrando a sua afirmação com uma históriasinha passada consigo e um menino brasileiro... Bem, eu penso que uma conversa assim,não pode ser feita por ignorância da parte de uma pessoa com a responsabilidade de um premiado literário, tão pouco a entrevistadora estava ali para estabelecer contraditórios com os entrevistados, mas a presença de tantos estrangeiros cheios de boa vontade, simpatia e alguns até gratidão para com tudo o que é português, transformou aquelas afirmações num deslize muito desagradável, se não quisermos pensar que foi uma maldadesinha. Se uma língua aparece já em pleno século IX EM DOCUMENTOS NOTARIAIS e em 1198 aparece a famosa Cantiga da Garvaia, como é que só vale a pena falar das influências norte-africanas quando a maior parte do nosso vocabulário já estava constituido ?

17 janeiro 2009

Miguel Torga

Hoje quero lembrar Miguel Torga. Quereria que ninguém se esquecesse de lembrar Miguel Torga.

Ter um destino é não caber no berço
onde o corpo nasceu.
É transpor as fronteiras uma a uma
e morrer sem nenhuma

Por sintonia de gostos e por simpatia de amigos, foi-me enviada uma completíssima informação sobre TORGA, numa apresentação de PowerPoint a merecer a pesquisa em Google por "Miguel-torga.pps" ou, p. ex., utilizando este link.

15 janeiro 2009

Esperança de Vida

Já nem sei se é a minha disposição demasiado amarga para o que é meu hábito, ou se é a disposição alheia e envolvente, o certo é que ainda não vi à minha volta, nesta primeira quinzena do novo ano, manifestação alguma do prazer de estar vivo, de ter promessas felizes à espera, de alegria, em suma... E vieram os meus jovens alunos, e falaram comigo,se não todos, quase todos os meus amigos e conhecidos, e encontrei antigos conhecimentos com variados percursos já feitos ou ainda a fazê-los, e de nenhum olhar, de nenhuns lábios, eu vi ou ouvi saltar aquela faísca que noutro tempo pegava fogo ao meu próprio entusiasmo...Foi minha a falta ?
Pessoas como eu, são agora chamadas a pensar que já estão vivendo tempo demais... As medidas governamentais vêm lembrar-nos de que não se esperava isto de nós, quando nos permitiram que nos reformássemos... Dizem que nessa altura a chamada esperança de vida era uma e agora é... ...demais ! Que fazer ? Mesmo que não se queira, isto é, no mínimo´desmotivador ! Só há mesmo que olhar à volta e procurar sementes de vida onde encontremos esteios para o que, apesar de tudo, ainda resta em nós de esperança...Diz o velho ditado que a esperança´é a última a morrer. Pois que seja ! Mas como eu preciso da alegria dos outros, meu Deus que me criáste para amar a Vida !...

01 janeiro 2009

Ano Novo; que pobreza?

Lindíssimas, todas nos tons deslizantes entre o amarelo torrado e o vermelho-sangue, as flores em braçadas maciças, como sempre, oferecidas por San Remo, lá estavam a emoldurar tudo o que é emoldurável, a sala repleta de um público tão homogénio na sua forma de vestir como na sua forma de reagir à música que lhe é oferecida, como na sua maneira de aplaudir, que chega a dar-nos a impressão de que ficaram lá sentados todos, desde o ano passado e do anterior e do outro ainda anterior e por aí fora...É do Concerto de Ano Novo em Viena que eu estou a falar, ainda sob a impressão fortíssima que ele me deixou uma vez mais, pois acaba de ser transmitido há apenas minutos.A família Strauss com as suas polcas, galopes, marchas e VALSAS, este ano ainda "permitiu" um ou outro compositor, como Hayden,de que me lembro, mas o que fez deste concerto algo de especial foi o maestro. BARENBOIM é um extraordinário intérprete daquilo que certamente os compositores queriam transmitir nas suas obras. Pelo menos é essa a impressão com que se fica quando ele passa de uma alegria esfusiante para um sentimentalismo sussurrante, ou de um ritmo requebrado para uma correria desenfreada, tudo com um tirar da orquestra efeitos absolutamente originais. Provavelmente a minha admiração por Barenboim também estará um pouco marcada pelo que sei que ele tenta fazer em favor de uma paz que a cada dia que passa parece mais impossível.Se israelitas e palestinianos conseguem conviver harmoniosamente numa orquestra que não é a Filarmónica de Viena, mas que ele criou para ser pelo menos tão boa quanto esta, como é que um homem destes não há-de fazer tudo o que pode para conseguir que aqueles dois povos se respeitem e enterrem de uma vez os seus machados de guerra ?
Creio que não haverá ninguém no mundo da boa vontade que não esteja impressionado com o que tem sido o Natal na Palestina, por mais próximo no tempo, mas de um modo geral no mundo da dor que ,ao fim e ao cabo, resulta da cada vez mais densa e opaca pobreza . Hoje, na homilia da missa no Vaticano, sendo este o Dia Mundial da Paz, o Papa fez uma espécie de sistematização das pobrezas que nunca me tinha ocorrido e, com a cabeça cheia da música de Barenboim, acabei relacionando e lamentando certas exibições patenteadas nas múltiplas formas de passagens de ano que a comunicação social lançou em reportagens ou notícias por esse mundo fora. A qual das diferentes pobrezas terá quem possa (ou saiba )que acudir primeiro ?
E eu ?... Vejo -me a abeirar do ano de 2009 cheia de dúvidas e a tentar furiosamente salvaguardar algumas certezas que não deixo que me tirem.

29 dezembro 2008


E pronto ! Estamos a despedir-nos de mais um ano que já festejámos como Novo e agora já é VELHO ! ! !... Como se mais nada houvesse para nos lembrar a precaridade das coisas vivas !

Mas é bom consolarmo-nos, regalarmo-nos mesmo ( os que podemos ), com as doces lembranças do NATAL. Eu fui feliz ! Nâo é muito vulgar poder dizer isto .Mas fui.Estive longe e fora de toda aquela turbulência da Lisboa das notícias, das vaidades, das hipocrisias, das aparências...

Acordava ainda o céu estava violáceo e sobre a água e os seus vales havia espessos blocos de nuvens a esbaterem-se pelas encostas até alcançarem os cimos em transparências variáveis...

Pairava então por cima de tudo e era-me possível sonhar com um paraíso, até que o sol lentamente ia empurrando todas as cores e texturas indefiníveis para deixar tudo azul e límpido. E aí, já a minha alma lavada ia ao encontro da limpidez das amizades...

Quando, na noite de Natal, saímos perto da meia noite e o frio nos chegava aos ossos, era tão límpido o negro do céu, que as estrelas pareciam em relevo, quiçá coladas lá em cima para guarnecer, como os enfeites luminosos com que haviamos debruado e polvilhado a casa e as árvores em redor... Depois a missa, a Fé celebrada em simplicidade. Será lugar-comum mas apetece-me falar de Noite Mágica .Espera-se qualquer coisa...Só no regresso a casa, a deixarmos chegar o sono olhando a dança das labaredas e o crepitar das brasas escarlates da lareira nos foi possível voltar a sentir os pés bem assentes na Terra. Todos aqueles cânticos portugueses ou não que repetimos por esta época se condensaram no tão pacificante noite de paz...que levámos no ouvido ao irmos dormir, nessa e nas outras noites.
Estou pronta agora a deitar fora o Ano Velho. Mas nunca todos os pedaços dele em que um calor de AMIGOS me fez sentir, como agora, feliz e viva ! ! !

14 dezembro 2008

Gaudete! nos cem anos da minha professora...

Sem anos com S, sim,
ó minha amiga !...
Está pensando que esqueci
que me ensinou muito mais
que o lugar da letra S
naquela palavra, ali ?

Pois saiba que o C no Cem
me enche de orgulho também...

Só que o S vem aqui
pra dizer que a vejo agora
como há tanto tempo a vi,
minha querida Professora !

Fresca, bonita e tão jovem
que até nem nos fica bem
falar dos anos que tem...

Por isso é que decidi
passar a escrever com S
o CEM que a gente não esquece,
o SEM retrato de SI ! ! ! ...


Ontem, dia 13 de Dezembro, foi o dia de anos da minha professora dos primeiros anos do ensino secundário, a doutora Maria Luciana. E fez CEM ANOS !
Quando a conheci era tão bonita, tão alegre,tão dinâmica, tão elegante, chic em todas as formas de ser, de se apresentar, que gradualmente se foi transformando para todas as alunas no modelo que todas nós sonhámos vir um dia a copiar... Ela tinha uma pequena sociedade com mais dois ou três ex-colegas do seu curso e outros tantos amigos de outros cursos com a qual puderam criar um Colégio em Lisboa e, na Linha de Cascais, ela criou sozinha uma extensão deste Colégio, que eu frequentei com outras meninas e meninos, durante três anos e não mais porque as obrigações de carreira do meu Pai me levaram para outra terra. A doutora Maria Luciana leccionava todas as disciplinas com um fulgor, um entusiasmo, e um tal "savoir faire" que o que com ela aprendemos nunca viemos a esquecer e onde chegávamos sempre nos consideravam muito bem preparados. Nasceu com Ela e entre nós alunos uma cadeia de amizade que nunca "enferrujou. As nossas vidas seguiram os seus rumos e Ela sempre professora. Cada um de nós a fomos sempre contactando, a espaços, e ´dando notícias suas uns aos outros, quando a víamos ou estávamos com Ela. Festejámos-lhe os noventa anos num grande almoço...
E agora chegaram os 100 ! Ela sempre activa, movimentando-se, documentando-se, a recordar-se, a recordar-nos, sempre elegante, bonita na sua idade.
Nunca deixou de acompanhar o que fui fazendo: veio às apresentações de coisas minhas, comentou, estimulou, como sempre o fizera, ainda eu era menina...
É este o porquê do poeminha que lhe ofereci agora.

E já agora, foi o grande tema do meu domingo de hoje.
No período do ADVENTO, este terceiro domingo é aquele que dá pelo nome de Domingo GAUDETE. Por causa da ALEGRIA que principalmente João,no deserto, nos promete para quase já,já...
E não é parte dessa alegria tão nova o festejar-se os Cem Anos de uma pessoa tão especial ?...

11 dezembro 2008

Saramago. Os Direitos do Homem

Todo o Homem nasce livre... Todo o Homem tem direito a... Começa dentro deste espírito a mais extraordinária profissão de Fé publicada pelo Homem e que ontem perfazia 60 anos de idade. É também um belíssimo CREDO que a nossa religião nos ensinou a rezar. E nós, que rezamos e cremos, temos todas as dificuldades do mundo em, uns com os outros, fazermos deste código uma coisa viva e activa. Que fadas madrinhas teríamos tido todos para que as mais das vezes nem saibamos bem ao certo explicar a Liberdade ?
Foi também ontem, e nem tudo é por acaso, que pudemos ver a degradação que pode produzir-se em dez anos de vida de um ser humano. Para celebrar Saramago, no dia em que se perfaziam dez anos sobre aquela honorabilíssima sessão em que lhe foi entregue o prémio NOBEL da Literatura, foi apresentado na TV um programa muito bem estruturado que não teve o cariz da clássica entrevista, mas em que o autor deambulava pela sua obra estabelecendo pontes com a sua vida... Muito interessante, mas tão doloroso ! Alquebrado, hipersensível, carente e com as lágrimas a saltarem-lhe não dos olhos, mas da alma... De que somos feitos, meu Deus ? Não há sequer uma única beliscadura na sua inteligência, nos seus raciocínios, na sua coerência... Mas o corpo mostra bem todo o "uso" que à doença se não conseguiu furtar. Penso ainda que o reconhecimento tão nítido da dor como ele teve( e tem ), vai também corroendo o corpo, por misteriosas vias que ainda não conhecemos...
Quem dera fosse esta uma das Liberdades a que todos tivéssemos também direito !

06 dezembro 2008

Grupos e solistas - músicas novas

É impossível não reportar ao Natal todas as coisas em que nos vamos envolvendo por esta época, de tal maneira ela é marcante na nossa vida de cristãos. Mas infelizmente - principalmente( não, não é escorregadela gramatical, é intencional ) porque é insistentíssima a pressão exercida sobre nós pela propaganda comercial através de todo e qualquer meio de comunicação social, de todo e qualquer meio, diria mesmo. E assim acontece que façamos nós o que fizermos, comer, beber, lavar, vestir, calçar, encontrar amigos, arranjar a casa e por aí fora, sempre nos surge a sugestão de não esquecer a época, trazida pelas maneiras mais inesperadas e tentando arrastar-nos para as mais inesperadas manifestações de uma alegria que não tem nenhuma correspondência afectiva ou emocional.No meu último post deste blog eu estava até demasiado amarga, por causa disto. Mas, a verdade é que estou cá e não posso ou não sei fugir da onda. Como pensei em comprar para oferecer alguma música, lembrei-me de me actualizar ouvindo e vendo um programa na TV que me disseram fazer semanalmente a recensão das últimas novidades, apresentando um pouco do seu aspecto e relativizando o valor que umas e outras têm.
Vi e até foi uma óptima ajuda. O que fiquei foi impressionada com as espantosas formas de se apresentarem de alguns daqueles intérpretes. Pareceu-me que quanto mais célebres, mais horrorosamente trajados e pintados e penteados gostam de se mostrar... Tendo a idade que tenho, assisti ao aparecimento dos BEATLES pelos quais fui logo cativada e lembro-me bem do azedume com que as pessoas mais velhas falavam das suas cabeleiras...Que diriam se vissem agora alguns bandos de esfarrapados ou semi-nus com umas cabeças envoltas numas massas para as quais só acho bom o termo francês tignasse? Felizmente que nem todos iam por esses lados nas suas formas de afirmação ! Por exemplo: uma lindíssima Fátima Guerreiro, usando um belo vestido preto e enfeitada com aqueles famosos ouros das raparigas de Viana do Castelo.Que bonito tudo ! A sua voz, o Fado, tudo... Que nunca fui uma grande apreciadora de fados ! No entanto até verifico que o Fado que cantam agora é mais poesia cantada do que outra coisa.
É bom que a informação sirva mesmo para nos informar.

30 novembro 2008

Natal- preparativos

Paro aqui e agora para descansar um pouquinho da minha outra escrita mais densa e um tanto ou quanto enervante, vá-se lá saber porquê...Há talvez já uma semana que as nossas vidas, de todos, grandes e pequenos, mulheres e homens, entraram em aceleração e isto é uma coisa que me irrita e que me incomoda. Porque todos os anos digo a mim mesma que nunca mais caio nesta e afinal lá me vejo eu arrastada na enxurrada das combinações, das exigências, das datas concorrentes ou coincidentes, das coisas que é preciso fazer... A minha máquina de lavar a roupa, quando está quase a encerrar o programa, põe-se a fazer um enorme barulho surdo e a acelerar as rotações estremecendo toda ela violentamente. Não é problema nenhum, já mo disseram mais do que um técnico: é feitio dela ! ! ! Ora eu comparo- me a ela . Resmungo, canso-me, desorganizo-me tanto que, se paro ... até rio de mim mesma. Porqe me lembro da máquina...
E então é tudo isto porque aí vem a época do ano mais louca em despesismo, não despesismo só de compras, mas de convites, de encontros, de espectáculos, de visitas...Tudo, tudo o que o ser humano é capaz de inventar só para mostrar( e até acreditar) que não está só e que o rumorejar do mundo à sua volta é a melhor desculpa para que se não encontre a sós com ele próprio o que seria afinal a melhor coisa que a época doNATAL poderia proporcionar a todos nós, uma vez que comemora o início de uma cultura judaico-cristã que nos veio dar a noção de que, sendo humanos, temos a maior das dignidades, por também sermos divinos... e que isso nos dá deveres de outra ordem.
Estou já a ouvir daqui os arautos da solidariedade, os amigos dos pobresinhos, sem abrigos, sem roupas, sem brinquedos, sem comida, e estou a pensar neles ,nas suas férias na Tailândia ou em Cancun mesmo que a época seja de trabalho para todos,nos queijos que só comem se forem de certo país ou nos vinhos que só bebem se, se, se... ou nas roupas que só aguentam se, se, se...
Como aguentaria ele, ser humano, perder um oportunidade destas para se mostrar e ser visto?
Não querendo entrar por aí ( que até é por onde vou tendo também amigos) volto `a minha ideia inicial sobre a acumulação de solicitações todas guardadas para esta época, porque ( é sabido desde o antigamente), ISSO tem que ver com a calculada maior abundância financeira ( os subsídios) e a maior predisposição de cada um para fazer gastos extraordinários. Claro que há lindíssimos espectáculos, os do La Feria, o Quebra Nozes,os modernos bonecos da tv transformados em personagens vivos e no gelo, os excelentes concertos das paróquias, e tantos outros de revisão e de saudade! Por exemplo, o do Carlos do Carmo...Este a provocar-me até um tão grande nó na garganta,pela recordação de certos momentos !.Éramos todos tão novos e ainda tão crentes nos poetas e nos sonhos !... É também agora a grande época das colheitas em Literatura. Multiplicam-se as "apresentações"do que foi sendo "cultivado" durante todo um ano, ou mais, qual delas com o apresentador mais "in", no momento, e com os mais originais complementos ,visando um marketing mais insinuante. E faz pena tanto acessório, porque os livros são até bons e actualmente muito bonitos, coisa que até há pouco tempo não preocupava muito autores ou editores.
Mas há, no meio de tudo isto, algumas coisas realmente novas, simples e alegres.Os anúncios televisivos , acabaram por vencer-nos e passámos a aceitá-los como um mal necessário, sendo quase todos de uma insensatês ou de um mau gosto desesperantes. Pois não é que surge agora um anúncio de telemóveis muito bem disfarçado e que, para meu gosto, é um verdadeiro achado de originalidade ? fala de meias,uma rosácea feita de peúgas coloridas, às riscas em todas as cores do arco-iris, agitadas num movimento delirante...Uma alegria para os olhos ! E, é claro, aparece com um pedido às avós para não oferecerem mais meias, neste Natal, em favor do tal telemóvel... Recordo um primo meu, hoje já avô, naturalmente, que, quando lhe perguntavam que prenda ele queria, nos seus cinco anos, ele respondia :_ " Roupinha, não; roupinha não ! " E sorrio com a recordação... Agora, ele teria de certo gostado mais desta "roupinha" do que do cinzentão e indiscreto telemóvel...Quem sabe ?...
Tantas e tão desviantes abordagens a uma época que desde sempre idealizei de simplicidade, amor discreto, esperança e confiança no " outro" como partes estruturantes da nossa dignidade ,daquela que depreendo quando leio no GÉNESIS, creio que no sexto dia da criação, façamos o Homem à nossa imagem e semelhança...E tudo então parecia que iria ser bom... Contudo, sempre, mais do que nunca, agora,temos visto o predomínio do ter e a frustração da minha, da nossa derrota no ser...
Vamos sempre cedendo à fraqueza, ao desânimo, ao cansaço ou à incapacidade... Mas seguimos.
Ainda acreditamos no Pai Natal , brincam connosco.Este senhor nórdico impôs-se e,como a muitas outras coisas, fomos tendo que aceitá-lo. Sabemos quem ele é, ele sabe quem nós somos, nada mais. Assim, à custa de tantas mixagens e de tanta mea culpa lá vamos chegando ao NATAL, ao que é muito nosso, de cada um de nós, e só cada um de nós é que sabe disso !!!

23 novembro 2008

ADVENTO 2007/2008

Tanta coisa acontece nos trezentos e tal dias de um ano e afinal nós não mudamos quase nada por causa disso ! Misterioso é como é que envelhecemos ! Quando se é mais novo, diz-se que crescemos mas, ao reconhecermos que muitas das nossas atitudes durante o ano vivido, até poderiam classificar-se de imaturas porque sempre tão iguais a outras anteriores , essa ideia de mais valia para nós fornecida pelo binómio acontecimentos / consequente aprendizagem de Vida, fica seriamente desacreditada .De Advento a Advento,o que mudou para mim?
Fiz mais um ano, graças a uma terapeuta chamada CATARINA ,tenho menos dores nuns sítios, mas vão-me aparecendo outras noutros sítios, dei as minhas lições a um mesmo número de alunos, tive o mesmo apoio logístico da "minha" Valentina, às vezes assessorada pela Natália que conheço há bem mil anos, privei com os meus amigos com as frequências habituais...Tive uma ou duas revelações surpreendentes, ´pelas quais, também surpreendentemente, ainda tive uma ou duas lágrimas para chorar ( as tais imaturidades ), Li muito, li tudo ( será que isto se pode dizer ?) , escrevi muito mas não escrevi tudo...ainda... Vi muito e sei que não se pode pensar ter visto tudo...
E também rezei muito...E nunca se reza tudo. Tudo...Mas o que será rezar tudo? Alguém o sabe? Tudo isto só para dizer que POSSO e quero repetir hoje aqui tudo, mas absolutamente tudo, o que escrevi precisamente no dia 24 de Novembro de 2007.
Apenas acrescentaria esta forma de oração de ADVENTO

Senhor ! Estás chegando ?
Dizem-me que virás
E alvoraça-me a tua espera...

Quando, quando será ?

Por agora só sei
que virás como um Rei
a transformar as Dores em alegrias
e a colocar a Paz
aonde há Guerra...

Disse-mo um ISAÍAS
que em teu nome nos diz
o que dirias
se o teu Reino de AMOR
fosse na Terra, já...

SENHOR!
Quando, quando será ?...

16 novembro 2008

...nós não somos das trevas !

Na sua carta aos de Tessalónica dizia hoje São Paulo : Nós não somos da noite nem das trevas.
E como depois, São Mateus desenvolvia no seu Evangelho, a tão conhecida parábola dos TALENTOS, parece-me ser de liminar evidência que nós, os cristãos, temos, no mínimo, a obrigação de fazer bem feito e de uma maneira transparente aquilo para que fomos dotados. E o fazer bem feito conterá sempre em si uma enorme percentagem de utilidade, rendibilidade, para ter alguma razão de existir. Se assim não for, então seremos como aquele, dos três, a quem a insegurança e o medo de falhar, levaram à opção de cruzar os braços e esperar.
Mais uma vez sou levada a reconhecer que não é fácil retirar o ensinamento correcto dos conceitos expostos nos Evangelhos. Quantas vezes a argumentação do evangelista me tem levado por caminhos de que mais tarde percebo dever retroceder ! Mas hoje foi mesmo São Paulo que me veio elucidar.
Quanto burburinho, quanta perturbação temos vindo a viver ultimamente sobre o fazer ou não fazer, bem ou mal feito, algumas coisas que só algumas ou mesmo nemhumas pessoas sabem fazer ! Como é que não se percebe que não podemos ser das trevas ?...

08 novembro 2008

Uma bela manhã

Há manhãs e manhãs. Aquela em que a primeira notícia que ouvi no meu pequeno rádio de cabeceira, foi a confirmação e os ruidos da apoteose da eleição do novo presidente da AMÉRICA, foi uma daquelas manhãs positivas em que nos apetece dizer, como aprendemos com ele, yes, we can. Não posso dizer que acompanhei as várias fases da campanha, mas sempre que ouvi e vi aquele homem, tão jovem ainda, tão exposto (sentia sempre uma espécie de arrepio porque me lembrava de Luther King ), a transmitir-nos aquela imagem de força sorridente e feliz, aquela confiança nas possibilidades suas e de todos nós, ficava bem disposta, parecia até sentir-me mais nova, mais capaz...Era assim como uma indução de energia que nos permitia voltar a ter algumas esperanças... Lembrei-me então, e já o disse a alguém, de uma frase que se gravou na minha memória, pelo 11 de Setembro, escrita no Le Monde : aujourd'hui nous sommes tous des américains. Aí unia-nos a dor, o horror, o dó, a indignação e até o medo. Pois agora une-nos, acima de tudo um extremo cansaço de todo o inesperável em que as políticas de alguns políticos transformaram este nosso mundo e esta nossa vida que é única ,sem sequer pensarem que lamentavelmente,nós , os mais velhos, não temos já tempo para "viver" outra melhor... Mas o jovem O'BHAMA , mesmo reconhecendo a realidade, ainda conseguiu fazer renascer a nossa esperança, fazer reavivar todas as forças humanistas, se calhar irmãs daquelas que once upon a time levaram os inexperientes navegadores para os mares desconhecidos...Ele veio fazer o Mundo acreditar de novo em todas as capacidades do Homem, porque mostra que ele é o primeiro a acreditar e desta vez não vai ser para o desconhecido que este novo Humanismo vai atrair os modernos desbravadores... Foi num bonito discurso de assunção da nova função que completou a sua acção de fascínio sobre nós todos. Ouvi-o na televisão já pela hora do almoço... Decididamente esta fora uma bela manhã ! ! !...

02 novembro 2008

Datas



As datas ! As datas e a sua pressão sobre a nossa memória...sobre as nossas recordações ! E a nossa subserviência... Porquê ainda ?


Afectos, gratidões, afinidades, encontros e desencontros, dias felizes, dias sofridos, perdas, achados ...e o amor, os amores ... saudade sempre ! ! !


E foi o 31 de Outubro , e foi o 1 de Novembro, e é o 2 de Novembro... Cada um, sua borbulhante preia-mar a esparzir-se sobre a secura de tantos, tantos, areais que se julgam desertos...


Reza-se, claro. Que seria de nós sem aquela certeza de que algures... ... Um dia... ou hoje, hoje mesmo , a nossa recordação encontra eco onde talvez «memória desta vida se consente »...


Com uma enorme braçada de crisântemos vamos sem bem saber a quais, aonde, porque as lágrimas que procuramos reter nos não deixam ver bem. preferenciar caminhos...