Criado que foi o hábito de deixar em post as minhas meditações sobre todas as Leituras próprias de cada Domingo, qual não é a minha perplexidade quando, falhando uma vez, me chegam reclamações pela falha...
Ora no último domingo, que era precisamente devotado ao Bom Pastor, aconteceu que fiquei sem ligação à net e consequentemente não me foi possível cumprir com esta já quase obrigação.
Escusado será dizer que não fiz texto algum nesse dia, mas ,entre muita leitura que fui buscar nesse a-propósito, reli um pequeno poema que ofereci ao meu Prior para, junto com outros textos de outros paroquianos, celebrarmos os seus ciquenta anos de sacerdócio , de Bom Pastor a exemplo de Jesus. De lá retiro uma passagem , esperando que me seja perdoado este pequeno roubo.
...E havia o rebanho. E há as suas ovelhas..
Pastor, como se diz de Jesus, no Evangelho,
dá, por sua vontade, a sua Vida
pela Vida delas, e as salvará.
E o Amor que lhes dá
é o que elas seguem.
Porque o reconhecem
por algo bem maior que a sua Voz !
Bom será recordar-se o Evangelho de São João, 10
29 abril 2010
28 abril 2010
Abril
Depois de ter-me visto privada do acesso`a internet durante todo um fim de semana alargado,é agora com uma certa volúpia (só conhecida pelos que dela se servem) que retomo a minha posição de bloguista (blogueira ? ). Empregando uma figura um tanto desairosa, direi que, à maneira de um pacífico ruminante, degluti uma substancial massa de assuntos que precisam absolutamente de ser regurgitados para adquirirem o real valor nutricional de que carece o equilíbrio das minhas sinestesias.
Este meteorologicamente extraordinário mês de Abril foi, como todos os outros, no capítulo das efemérides:todos os meus amigos fazem anos neste mês, e familiares mais próximos ou mais afastados, já falecidos uns, outros não. Sendo que o falecimento do meu marido foi neste mês, é a sua recordação de cada dia comum, avivada e elevada à máxima potência nesta época, por alguma razão que já desisti de encontrar. Instala-se uma mágoa que não é igual a mais nenhuma, e pronto!, todo o mês de Abril anda pelas margens desta fundura. Assim, é-me preciso fazer um esforço enorme para não me distrair de todo o resto.1, 4,7,8, 10, 12, 17,19, 21, 22, 23,27..., datas com pessoas que não posso, nem quero deixar de celebrar,umas porque estão vivas, outras porque já partiram e delas nos ficaram as saudades.
E pelos interstícios de tanta data surgiram os acontecimentos ocasionais que vão sempre quebrando as rotinas das maneiras mais inesperadas. Apareceu-me, por exemplo um novo membro daquela família artificial que eu tive, por via da minha madrasta que foi minha Mãe, desde os meus cinco anos. Uma jovem artista, desde há muito radicada em Nova York e que vem expondo as suas instalações em muitos mundos, mesmo orientais, preocupados com a Terra e com o que misteriosamente nós, humanos, herdamos dela enquanto nos fragmentamos em mil partes, na procura da sobrevivência talvez demasiado erradicados e urbanos. Foi um enorme prazer este encontro tão simples e descomprometido com alguém que tão bem sabe interpretar a nossa realidade tão complexa e comprometida...
Comprometida sim com as coisas grandes como a vinda do Papa e com as coisas ridículas como a guerra das nossas empregadas domésticas que consegue abalar a nossa estabilidade e exige um esforço suplementar no recurso às habituais doses
de bom senso para cada coisa, cada dia...Da vinda do Papa, por enquanto, este Abril-hall de entrada da nossa preparação receosa, mostrou-nos sobejos motivos de preocupação que ainda não me deixaram sentir o coração grande dentro do peito, como aconteceu aquando da visita de João Paulo II. Veremos depois se algo encaixa nas fragmentações de que se ocupa a minha nova Prima...
E houve a Música ! A Grande e a outra. Dizer que estive ao pé dela, a ver a gente que a ia ouvir e que eu me fiquei pelo estar perto daquilo que me encanta enquanto fui imaginando aquilo que ainda não conhecia...Explica-se mas, por agora, basta-me dizer que foi a Música assim como foi o 25 de Abril.
Estive. Em corpo e espírito. Mais em espírito. E acho que foi como eu queria que fosse.Porque fui EU que estive inteira com todas as forças que ainda vou tendo para amar, por cima de amar, por cima de amar, por cima de amar, assim mesmo,em camadas de Vida sempre nova e agradecendo-A a Deus em cada novo ABRIL.
Este meteorologicamente extraordinário mês de Abril foi, como todos os outros, no capítulo das efemérides:todos os meus amigos fazem anos neste mês, e familiares mais próximos ou mais afastados, já falecidos uns, outros não. Sendo que o falecimento do meu marido foi neste mês, é a sua recordação de cada dia comum, avivada e elevada à máxima potência nesta época, por alguma razão que já desisti de encontrar. Instala-se uma mágoa que não é igual a mais nenhuma, e pronto!, todo o mês de Abril anda pelas margens desta fundura. Assim, é-me preciso fazer um esforço enorme para não me distrair de todo o resto.1, 4,7,8, 10, 12, 17,19, 21, 22, 23,27..., datas com pessoas que não posso, nem quero deixar de celebrar,umas porque estão vivas, outras porque já partiram e delas nos ficaram as saudades.
E pelos interstícios de tanta data surgiram os acontecimentos ocasionais que vão sempre quebrando as rotinas das maneiras mais inesperadas. Apareceu-me, por exemplo um novo membro daquela família artificial que eu tive, por via da minha madrasta que foi minha Mãe, desde os meus cinco anos. Uma jovem artista, desde há muito radicada em Nova York e que vem expondo as suas instalações em muitos mundos, mesmo orientais, preocupados com a Terra e com o que misteriosamente nós, humanos, herdamos dela enquanto nos fragmentamos em mil partes, na procura da sobrevivência talvez demasiado erradicados e urbanos. Foi um enorme prazer este encontro tão simples e descomprometido com alguém que tão bem sabe interpretar a nossa realidade tão complexa e comprometida...
Comprometida sim com as coisas grandes como a vinda do Papa e com as coisas ridículas como a guerra das nossas empregadas domésticas que consegue abalar a nossa estabilidade e exige um esforço suplementar no recurso às habituais doses
de bom senso para cada coisa, cada dia...Da vinda do Papa, por enquanto, este Abril-hall de entrada da nossa preparação receosa, mostrou-nos sobejos motivos de preocupação que ainda não me deixaram sentir o coração grande dentro do peito, como aconteceu aquando da visita de João Paulo II. Veremos depois se algo encaixa nas fragmentações de que se ocupa a minha nova Prima...
E houve a Música ! A Grande e a outra. Dizer que estive ao pé dela, a ver a gente que a ia ouvir e que eu me fiquei pelo estar perto daquilo que me encanta enquanto fui imaginando aquilo que ainda não conhecia...Explica-se mas, por agora, basta-me dizer que foi a Música assim como foi o 25 de Abril.
Estive. Em corpo e espírito. Mais em espírito. E acho que foi como eu queria que fosse.Porque fui EU que estive inteira com todas as forças que ainda vou tendo para amar, por cima de amar, por cima de amar, por cima de amar, assim mesmo,em camadas de Vida sempre nova e agradecendo-A a Deus em cada novo ABRIL.
17 abril 2010
Pela terceira vez...
Pela terceira vez Jesus está junto daqueles que tanto conviveram e partilharam com Ele e pela terceira vez eles não reconhecem aquela aparência física... Apenas um pequeno gesto, um pequeno tom, um quase nada a que um deles é mais sensível que os outros, lhes vai abrir o caminho da revelação...Homens simples,ainda não pescadores de almas como fora prometido a Pedro, eles já iam sendo temidos por muito falarem publicamente da sua confiança, mais que confiança : crença, admiração, fé, naquele que havia sido crucificado tão cruelmente e já começavam a ser açoitados e escorraçados para não incomodarem tanto... Era o princípio.
Eram pois aqueles encontros que podiam fortalecê-los. O seu Amigo, o seu Irmão, não os deixava sós, como aliás prometera. Apenas era preciso que o reconhecessem, que o soubessem encontrar. Ele sempre estava por perto...
Isto não terá nada a ver comigo ? Conosco ?
Quando aquele Companheiro da refeição comida na praia pergunta por três vezes a Pedro uma confirmação do seu amor, era enorme a sua preocupação sobre se poderia confiar-nos a nós,ovelhas do seu rebanho, a quem fosse capaz de fazer por nós o que Ele tinha feito. Receava a humana fraqueza, até a que vem pelo cansaço do envelhecimento... Humanos, nós, andaremos conscientes de quanto cuidado amoroso nos continua envolvendo ?
Eram pois aqueles encontros que podiam fortalecê-los. O seu Amigo, o seu Irmão, não os deixava sós, como aliás prometera. Apenas era preciso que o reconhecessem, que o soubessem encontrar. Ele sempre estava por perto...
Isto não terá nada a ver comigo ? Conosco ?
Quando aquele Companheiro da refeição comida na praia pergunta por três vezes a Pedro uma confirmação do seu amor, era enorme a sua preocupação sobre se poderia confiar-nos a nós,ovelhas do seu rebanho, a quem fosse capaz de fazer por nós o que Ele tinha feito. Receava a humana fraqueza, até a que vem pelo cansaço do envelhecimento... Humanos, nós, andaremos conscientes de quanto cuidado amoroso nos continua envolvendo ?
14 abril 2010
CAFÉ
É bem verdade que se aprende durante toda a vida.
Acabo de saber que hoje é nem mais nem menos do que o DIA INTERNACIONAL DO CAFÉ.Oh pasmo ! Oh imaginação criadora de todas as globalidades ! Oh divindade protectora de todas as artes de vender !... Então eu, que sou a grande amiga do cafézinho , vivi todos estes anos da minha vida sem saber de tão glorioso dia comemorativo ? Mas como é possível?
E onde e como e porquê teria nascido esta ideia? No Brasil, em Timor, em São Tomé? Numa esplanada de Paris ao aroma do velho café-filtre ? Na Holanda, na Turquia ? Mil e uma possibilidades para uma HISTÓRIA que eu quererei conhecer.
Apenas,pelo há muito que o amo, e pelo conforto e aconchego que ele já me proporcionou tantas vezes, me inspirei, em tempos, fazendo para ele este poeminha que hoje acho que posso, que devo, dedicar-lhe como homenagem em dia próprio :
Da cháven pequena, torneada,
evola-se o perfume...
...um quase nada
a deixar-nos na boca
um travo quente-amargo,
um azedume
um pouco adstringente
que ao culto iniciático
nos prende.
Devagarinho, muito devagar,
vai-se bebericando,
entre a volúpia do saborear
e a sedução do que se está cheirando.
E quer-se companhia.
E apetece falar
tão molemente
como o deixar escoar
co'o tempo a fantasia
e nem se aperceber
que, aos poucos, arrefece...
Mas se acontece
beber-se de um só trago,
em correria,
porque se é distraído
e é pressa que se tem,
pode reconfortar,
pode mesmo aquecer...
O que porém
não vai deixar de ser,
é uma imperdoável
heresia !...
Acabo de saber que hoje é nem mais nem menos do que o DIA INTERNACIONAL DO CAFÉ.Oh pasmo ! Oh imaginação criadora de todas as globalidades ! Oh divindade protectora de todas as artes de vender !... Então eu, que sou a grande amiga do cafézinho , vivi todos estes anos da minha vida sem saber de tão glorioso dia comemorativo ? Mas como é possível?
E onde e como e porquê teria nascido esta ideia? No Brasil, em Timor, em São Tomé? Numa esplanada de Paris ao aroma do velho café-filtre ? Na Holanda, na Turquia ? Mil e uma possibilidades para uma HISTÓRIA que eu quererei conhecer.
Apenas,pelo há muito que o amo, e pelo conforto e aconchego que ele já me proporcionou tantas vezes, me inspirei, em tempos, fazendo para ele este poeminha que hoje acho que posso, que devo, dedicar-lhe como homenagem em dia próprio :
Da cháven pequena, torneada,
evola-se o perfume...
...um quase nada
a deixar-nos na boca
um travo quente-amargo,
um azedume
um pouco adstringente
que ao culto iniciático
nos prende.
Devagarinho, muito devagar,
vai-se bebericando,
entre a volúpia do saborear
e a sedução do que se está cheirando.
E quer-se companhia.
E apetece falar
tão molemente
como o deixar escoar
co'o tempo a fantasia
e nem se aperceber
que, aos poucos, arrefece...
Mas se acontece
beber-se de um só trago,
em correria,
porque se é distraído
e é pressa que se tem,
pode reconfortar,
pode mesmo aquecer...
O que porém
não vai deixar de ser,
é uma imperdoável
heresia !...
11 abril 2010
Ver para crer...ou já não?
E uma curiosa coincidência que, tendo este meu blog o nome de Sinestesias ( que tem tudo a ver com os sentidos humanos ), seja a liturgia do dia de hoje tão marcada pela relevância que a estes mesmos sentidos vem dar o evangelista São João. Em primeiro lugar, há o tão espantoso ouvir e depois ver que ele nos conta na sua Carta e pode ter sido a razão/origem da existência dos seus testemunhos..e OUVI atrás de mim uma voz potente, uma voz semelhante à da trombeta, que dizia : o que estás a VER, escreve-o num livro e manda-o às sete igrejas . Voltei-me então para OLHAR em direcção à VOZ que me falava. ... ... VI... ... e DISSE-ME: não tenhas receio,... ... escreve pois o que VIRES: os factos presentes e os que hão-de acontecer depois deles. Tudo isto claramente amalgamado no caldo de cultura da época em que era normal a VISÃO de grandiosidades e luxos decorativos próprios dessas regiões orientais e que encontramos no Livro do Apocalipse e, em última análise ,têm também tudo a ver com os sentidos. Mas é no Evangelho deste Domingo in Albis que, pela incredulidade de Tomé, vemos quanto nós, pobres, simples seres humanos, temos necessidade dos SENTIDOS, para nos situarmos até na nossa Fé. ... chega aqui o teu dedo e VÊ as minhas mãos, aproxima a tua mão e Mete-a no meu Lado... E só então Tomé acreditou.
Foram precisas a simplicidade de criança, a confiança de fieis seguidores, a aprendizagem da convivência com o Espírito, a não entendida experiência dos êxtases, para que ,como disse então Jesus ressuscitado, fossemos dos que são felizes por acreditarem mesmo sem terem VISTO.
Não posso deixar de pensar em Saint-Exupéry quando diz que o essencial é aquilo que se nãoVÊ. Em toda a liturgia de hoje adivinhei o segredo de ter a vida em nome de Deus,por via exclusivamente da minha Fé, se bem que insuspeitadas SINESTESIAS tivessem preparado o meu caminho.
Foram precisas a simplicidade de criança, a confiança de fieis seguidores, a aprendizagem da convivência com o Espírito, a não entendida experiência dos êxtases, para que ,como disse então Jesus ressuscitado, fossemos dos que são felizes por acreditarem mesmo sem terem VISTO.
Não posso deixar de pensar em Saint-Exupéry quando diz que o essencial é aquilo que se nãoVÊ. Em toda a liturgia de hoje adivinhei o segredo de ter a vida em nome de Deus,por via exclusivamente da minha Fé, se bem que insuspeitadas SINESTESIAS tivessem preparado o meu caminho.
08 abril 2010
Pesadelo e realidade
Alguém sabe o que é viver-se numa grande cidade que até é apelidada de caótica pelos jornalistas da pequena crónica urbana e por aqueles que nela suam "suor e lágrimas" em horas de ponta, e nessa mesma cidade descobrir-se único e só habitante do seu prédio, rodeado de prédios vazios na totalidade, no coração de uma avenida deserta, com um ou outro carro a passar a espaços largos e sem cão, nem gato e principalmente sem pessoas a pisarem passeios ou asfalto ? Alguém viveu alguma vez uma experiência semelhante ? VIVEU, insisto. Não se trata de nenhum pesadelo, daqueles em que sentimos os pés colados a um chão sinistro, numa rua negra... Não : isto de que falo vivi-o eu em pleno Domingo de Páscoa nesta cidade de Lisboa onde pode acontecer esta coisa espantosa de toda a gente do mesmo prédio sair, sair mesmo da cidade, sendo esta migração geral num bairro, num quarteirão, numa freguesia... Assomar a uma janela, de tarde como de noite ,e ver tudo fechado, olhar as bordas dos passeios para os quais, quando dá jeito, até sobem os carros, e não ver lá nem um só estacionado, e ver de vez em quando passar um autocarro dos transportes públicos, a uma velocidade vertiginosa porque não há "clientes" nas paragens, isto adquire foros de pesadelo mesmo.
Não quero, não devo, especular sobre as várias realidades que subjazem neste acontecimento.Afora os medos reais que isto suscita, atropelam-se as conjecturas sociológicas e até políticas.Que se diz, que se explica e como, àquele ÚNICO que ficou, naturalmente só porque não PODIA ir ? Repare-se que este não poder engloba TODAS as circunstâncias impeditivas...
A pensar, quando se fala em solidariedade.
Não quero, não devo, especular sobre as várias realidades que subjazem neste acontecimento.Afora os medos reais que isto suscita, atropelam-se as conjecturas sociológicas e até políticas.Que se diz, que se explica e como, àquele ÚNICO que ficou, naturalmente só porque não PODIA ir ? Repare-se que este não poder engloba TODAS as circunstâncias impeditivas...
A pensar, quando se fala em solidariedade.
04 abril 2010
Domingo de Páscoa
...a terra era informe e vazia, as trevas cobriam o abismo e o ESPÍRITO DE DEUS movia-se sobre a superfície das águas...
Foi a partir daqui que tudo começou para nós, porque sucessivamente Deus foi vendo que tudo era bom.
Até que o Homem entrando na deriva desta sucessão, foi ocupando os seus lugares, ora tentando guiar-se a si próprio, ora deixando-se guiar, nem sempre talvez como Deus havia visto que era bom...
E chegámos à extraordinária, à espantosa, à misteriosa história de Jesus.
Que celebramos há milhares de anos, arranjando conotações com esse Universo criado - ...dois grandes luzeiros, o maior para presidir ao dia e o menor para presidir á noite...e colocou-os no firmamento dos céus. Seguindo o luzeiro menor, e tendo a terra deixado de ser informe e vazia, festejamos a Passagem, a PÁSCOA desse Jesus como nós o entendemos
Vem marcada a lilás
a Primavera !
Talvez a roxo, dos passos, dos lírios,
dos PASSOS,
dos círios,
dos Compassos
de uma interminável Procissão
de uma densa Paixão
que despenha pelos muros as glicínias
lágrimas grossas a escorrer lilás...
Pietá ainda
pelo drama da SEMENTE
que morreu,
toda a terra se alinda
pela glória dessa flor que RENASCEU !...
Foi a partir daqui que tudo começou para nós, porque sucessivamente Deus foi vendo que tudo era bom.
Até que o Homem entrando na deriva desta sucessão, foi ocupando os seus lugares, ora tentando guiar-se a si próprio, ora deixando-se guiar, nem sempre talvez como Deus havia visto que era bom...
E chegámos à extraordinária, à espantosa, à misteriosa história de Jesus.
Que celebramos há milhares de anos, arranjando conotações com esse Universo criado - ...dois grandes luzeiros, o maior para presidir ao dia e o menor para presidir á noite...e colocou-os no firmamento dos céus. Seguindo o luzeiro menor, e tendo a terra deixado de ser informe e vazia, festejamos a Passagem, a PÁSCOA desse Jesus como nós o entendemos
Vem marcada a lilás
a Primavera !
Talvez a roxo, dos passos, dos lírios,
dos PASSOS,
dos círios,
dos Compassos
de uma interminável Procissão
de uma densa Paixão
que despenha pelos muros as glicínias
lágrimas grossas a escorrer lilás...
Pietá ainda
pelo drama da SEMENTE
que morreu,
toda a terra se alinda
pela glória dessa flor que RENASCEU !...
02 abril 2010
Sexta - feira Santa

Alexandre Herculano
A CRUZ MUTILADA
Amo-te,ó cruz,no vértice firmada
de esplêndidas igrejas;
amo-te quando, à noite,sobre a campa,
junto ao cipreste alvejas;
amo-te sobre o altar, onde, entre incensos,
as preces te rodeiam;
amo-te quando, em préstito festivo,
as multidões te hasteiam;
amo-te erguida no cruzeiro antigo,
no adro do presbitério,
ou quando o morto, impressa no ataúde,
guias ao cemitério;
amo-te, ó cruz, até quando, no vale,
negrejas, triste e só,
núncia do crime a que deveu a terra
do assassinado,o pó.
Porém quando mais te amo
ó cruz do meu Senhor,
é se te encontro à tarde,
antes de o sol se põr,
na clareira da serra,
que o arvoredo assombra
quando à luz que fenece
se estira a tua sombra
e o dia últimos raios
com o luar mistura,
e o seu hino da tarde
o pinheiral murmura...
A CRUZ MUTILADA
Amo-te,ó cruz,no vértice firmada
de esplêndidas igrejas;
amo-te quando, à noite,sobre a campa,
junto ao cipreste alvejas;
amo-te sobre o altar, onde, entre incensos,
as preces te rodeiam;
amo-te quando, em préstito festivo,
as multidões te hasteiam;
amo-te erguida no cruzeiro antigo,
no adro do presbitério,
ou quando o morto, impressa no ataúde,
guias ao cemitério;
amo-te, ó cruz, até quando, no vale,
negrejas, triste e só,
núncia do crime a que deveu a terra
do assassinado,o pó.
Porém quando mais te amo
ó cruz do meu Senhor,
é se te encontro à tarde,
antes de o sol se põr,
na clareira da serra,
que o arvoredo assombra
quando à luz que fenece
se estira a tua sombra
e o dia últimos raios
com o luar mistura,
e o seu hino da tarde
o pinheiral murmura...
28 março 2010
Quaresma 6 - Ramos

Do Evangelho de São Lucas: Jesus,à frente dos discípulos, sobe a Jerusalém... ...
e toda a multidão dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus... ...
Não é difícil de perceber todo o reboliço e movimentação que esta subida provocava pelo caminho, para mais com a guarnição das numerosas grandes folhas de palmeira que cada um agitava, numa glória, enquanto elevava os seus louvores. Foi pois tudo isto um motivo de irritação para os fariseus e para os escribas que tentaram impor a sua indignação exigindo a Jesus que fizesse calar todo aquele aparato. E que lhes responde ELE ? Se eles se calarem, gritarão as pedras.
Quero muito guardar esta resposta de Jesus bem gravada na minha memória, no meu coração, em todo o meu potencial comunicativo, persuasivo mesmo, ser talvez até uma dessas tais pedras em quem Jesus confiava...
A subida é íngreme e vamos subindo, rodeados de fariseus e fariseísmos, não com a mesma voluntariedade de Jesus, mas tentando, tentando sempre... Bom é, por isso, que sejamos pedras e saibamos gritar... Será, como se diz, "meio caminho andado"
e toda a multidão dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus... ...
Não é difícil de perceber todo o reboliço e movimentação que esta subida provocava pelo caminho, para mais com a guarnição das numerosas grandes folhas de palmeira que cada um agitava, numa glória, enquanto elevava os seus louvores. Foi pois tudo isto um motivo de irritação para os fariseus e para os escribas que tentaram impor a sua indignação exigindo a Jesus que fizesse calar todo aquele aparato. E que lhes responde ELE ? Se eles se calarem, gritarão as pedras.
Quero muito guardar esta resposta de Jesus bem gravada na minha memória, no meu coração, em todo o meu potencial comunicativo, persuasivo mesmo, ser talvez até uma dessas tais pedras em quem Jesus confiava...
A subida é íngreme e vamos subindo, rodeados de fariseus e fariseísmos, não com a mesma voluntariedade de Jesus, mas tentando, tentando sempre... Bom é, por isso, que sejamos pedras e saibamos gritar... Será, como se diz, "meio caminho andado"
21 março 2010
Dia da POESIA
Os poemas antigos que fizemos,
sem sabermos porquê são sempre iguais.
Só repetimos coisas que dissemos,
a pensar que são novas e são mais...
Cheiramos outros cheiros mas sabemos
que perfumes assim são sempre iguais.
E sentimo-nos novos com o que temos
como se novos fossemos jamais !
De onde vem e porquê este sentido
de que após cada noite há outro dia ?
De o que foi ter-se-nos já perdido ?
Viver é crer na secreta magia
de poder-se passar além do permitido.
.Quem nos leva pela mão é a POESIA.
sem sabermos porquê são sempre iguais.
Só repetimos coisas que dissemos,
a pensar que são novas e são mais...
Cheiramos outros cheiros mas sabemos
que perfumes assim são sempre iguais.
E sentimo-nos novos com o que temos
como se novos fossemos jamais !
De onde vem e porquê este sentido
de que após cada noite há outro dia ?
De o que foi ter-se-nos já perdido ?
Viver é crer na secreta magia
de poder-se passar além do permitido.
.Quem nos leva pela mão é a POESIA.
Quaresma 5
Manhã, muito cedinho, ainda enublado o céu de Jerusalém, ainda no ar aquele perfume misto de plantinhas humildes e árvores sequiosas, sai Jesus do Monte das Oliveiras aonde mais uma vez se retirara para orar pelo silêncio da noite de estrelas, e dirige-se ao Templo. Não seria sua intenção ficar cá fora, mas vê-se subitamente cercado de uma tal quantidade de gente que resolve parar por ali e sentar-se mesmo no chão para conversar com tamanho auditório... Vejo-o humilde ali, naquela posição, quase abafado pelo povo, e eu, cá atrás, espreito por entre escribas e fariseus e entrevejo-o calmo, talvez um pouco cansado, sem erguer a voz cadenciada, doce e forte em simultãneo, envolvente, a ensinar... Consigo ouvi-lo pois todos o escutam em silêncio... E,quando menos se esperava, um enorme reboliço ali atrás, uma mulher acossada por um grupo ululante,furando,furando em clamor de ameaças e insultos até tudo estacar frente a Jesus...Naquele código de justiça vigente, a mulher iria ser lapidada por acusação de adultério. E eu a olhá-la, miserável, assustada, ali de pé, frente àquele Jesus de quem certamente já ouvira a fama, suspensos todos com ela do castigo que lhe iria atribuir Aquele que só pregava justiça a todo o tempo... Escribas e fariseus não queriam senão colocar Jesus em situação difícil ali,publicamente, trazendo-lhe um "caso" difícil para se poder verificar da Sua coerência... Temi por ELE, confesso.
E aconteceu que vendo Jesus quase imóvel, e sendo agora a vozearia enorme, não consegui ouvir o que Ele falou, mas vi toda a gente começar a debandar, aos poucos, agora dois, logo um só, depois uns três e sempre assim até que só ficou a Pecadora, sempre de pé, frente a Jesus... Atrás de mim, outro curioso como eu disse-me: - ninguém se sentiu em condições de lhe atirar a primeira pedra, como ELE lhes disse... Ouvi então nitidamente aquela voz serena e doce que não se esquece, quando se tem a graça de a ouvir : ... não te condeno.Vai, e doravante não voltes a pecar !...
Nesta hora, Jerusalém já resplandecia para mim, sob um sol aberto e reconfortante que me iluminava os caminhos, mesmo por aquelas ruazinhas mais estreitas e sombrias por onde viera, antes daquele encontro junto ao Templo.
E aconteceu que vendo Jesus quase imóvel, e sendo agora a vozearia enorme, não consegui ouvir o que Ele falou, mas vi toda a gente começar a debandar, aos poucos, agora dois, logo um só, depois uns três e sempre assim até que só ficou a Pecadora, sempre de pé, frente a Jesus... Atrás de mim, outro curioso como eu disse-me: - ninguém se sentiu em condições de lhe atirar a primeira pedra, como ELE lhes disse... Ouvi então nitidamente aquela voz serena e doce que não se esquece, quando se tem a graça de a ouvir : ... não te condeno.Vai, e doravante não voltes a pecar !...
Nesta hora, Jerusalém já resplandecia para mim, sob um sol aberto e reconfortante que me iluminava os caminhos, mesmo por aquelas ruazinhas mais estreitas e sombrias por onde viera, antes daquele encontro junto ao Templo.
19 março 2010
No Dia do Pai
Primeiro, a mão pequenina
aprende os gestos em cruz
e a boquita já murmura
Em nome do Pai...que era
Pai do Menino Jesus...
Junto à cama, pela manhã
e à noite, à cabeceira,
aprendeu a ajoelhar
pra falar com o Pai do Céu.
Mas ao da Terra, esse Pai
que pousa em sua cabeça
a mão quente a abençoar
e o acolhe nos braços
sempre que o fazem chorar,
também aprendeu a amar
mas de uma outra maneira
com outros,diferentes laços...
Crescer...é viver partindo!
Muitas coisas aprendendo,
mas tantas não entendendo...
Ó Pais da Terra e do Céu
ainda nos estais ouvindo?
14 março 2010
Quaresma 4

GAUDETE ! ! !
Hoje os senhores Padres paramentam-se de cor- de -rosa. É, no meio da contristação da quaresma, um parêntesis de alegria. Porque se fala com muita força e bons exemplos de como nós podemos sempre contar com a infinita misericórdia de Deus. E mais : São Paulo fala-nos em reconciliação depois de nos ter dito que o que era antigo passou; tudo foi renovado, porque Deus, por Cristo, reconciliou o mundo consigo, não levando em conta as faltas dos homens por ter identificado Cristo com elas, Ele que delas nos remiu, como sabemos.
E é assim que São Lucas traz o Filho Pródigo de volta à casa do pai que o recebe em festa ( o perdão, está claro ). Só temos que pensar bem na nossa reconciliação partindo de um antigo que merece ( ou não ? ) ser renovado...Gaudete !
Nota: reprodução do quadro de REMBRANDT, O REGRESSO DO FILHO PRÓDIGO
12 março 2010
Professores e Alunos
Foi há dois dias : a última aula do Professor José Gil. Foi lá tanta gente que se tornou necessário passar o som para os corredores por onde se teve que espalhar o auditório. O meu interesse pelo tema desta aula - A formação da linguagem artística e a Filosofia - e a minha admiração pela contribuição que este filósofo tem dado para se estudar Pessoa, além de muitas outras coisas, não vêm hoje aqui à colação. O que me traz ao desabafo, à meditação, é o facto de verificar que, quase em coincidência de datas, há um professor que se aposenta entre aplausos e há outro que se suicida, por não conseguir fazer-se respeitar pelos alunos que troçavam da sua figura e desrespeitavam de toda a maneira as suas aulas de...MÚSICA !
Entretanto, tomando conhecimento desta notícia, não foi possível deixar de associar a esta tragédia a do pequeno transmontano que primeiro diziam ter-se suicidado e agora já afirmam a sua não intenção de matar-se, naquele desespero de atirar-se à tumultuosa corrente do rio.Também este rapaz terá desistido,( mesmo que não fosse em definitivo) , de encontrar o respeito pela sua humanidade da parte dos outros com quem se via obrigado a conviver diariamente.
Então pergunto-me : que mundo é este das escolas, agora ?
Conheci por dentro, primeiro como aluna, depois como professora, escolas públicas e escolas privadas. Era outro tempo, bem sei. Mas porque há-de haver uma tão grande diferença entre os "tempos" como a que vai do viver para o morrer por causa de uma destroçante sensação de incapacidade de reagir contra, de fazer valer os seus valores, de proporcionar o discernimento em uns e outros ?
Dizem os sociólogos que os naturais instintos têm que ser sujeitos a educação para o social, dizem as religiões que o outro pode até ser uma projecção do divino, dizemos nós que por alguma razoabilidade se criou um código de Direitos do Homem. E não há quem pense e faça o MUNDO pensar em tudo isto ? Os jovens, as crianças que hoje se mandam às Escolas em que é que são diferentes daqueles que já gostaram de as frequentar? E o conceito escola - professor - crescimento - aprendizagem, deixou de ter dignidade ? E PRATICABILIDADE ?
Ou bater, falar grosserias, ignorar patamares é mesmo o que as famílias praticam e os jovens apenas reproduzem ?
Diz o Proessor José Gil :No meio da grande perturbação actual.......agarramo-nos... não já ao familiarismo que explodiu como meio envolvente, mas à família desfeita ainda pertinente como ideal imaginário que se remenda todos os dias com a ajuda de psiquiatras, psicólogos e psicanalistas.
Ideal imaginário !... Que pena !
Entretanto, tomando conhecimento desta notícia, não foi possível deixar de associar a esta tragédia a do pequeno transmontano que primeiro diziam ter-se suicidado e agora já afirmam a sua não intenção de matar-se, naquele desespero de atirar-se à tumultuosa corrente do rio.Também este rapaz terá desistido,( mesmo que não fosse em definitivo) , de encontrar o respeito pela sua humanidade da parte dos outros com quem se via obrigado a conviver diariamente.
Então pergunto-me : que mundo é este das escolas, agora ?
Conheci por dentro, primeiro como aluna, depois como professora, escolas públicas e escolas privadas. Era outro tempo, bem sei. Mas porque há-de haver uma tão grande diferença entre os "tempos" como a que vai do viver para o morrer por causa de uma destroçante sensação de incapacidade de reagir contra, de fazer valer os seus valores, de proporcionar o discernimento em uns e outros ?
Dizem os sociólogos que os naturais instintos têm que ser sujeitos a educação para o social, dizem as religiões que o outro pode até ser uma projecção do divino, dizemos nós que por alguma razoabilidade se criou um código de Direitos do Homem. E não há quem pense e faça o MUNDO pensar em tudo isto ? Os jovens, as crianças que hoje se mandam às Escolas em que é que são diferentes daqueles que já gostaram de as frequentar? E o conceito escola - professor - crescimento - aprendizagem, deixou de ter dignidade ? E PRATICABILIDADE ?
Ou bater, falar grosserias, ignorar patamares é mesmo o que as famílias praticam e os jovens apenas reproduzem ?
Diz o Proessor José Gil :No meio da grande perturbação actual.......agarramo-nos... não já ao familiarismo que explodiu como meio envolvente, mas à família desfeita ainda pertinente como ideal imaginário que se remenda todos os dias com a ajuda de psiquiatras, psicólogos e psicanalistas.
Ideal imaginário !... Que pena !
11 março 2010
Viver -quando,como,onde,porquê
Faz precisamente hoje um mês que tive a alegria de me ter sido comunicada a publicação do meu novo livro VIVER - quando,como,onde, porquê. Parecendo talvez que sou espontânea e extrovertida, há certas emoções ( grandes ou extra - ordinárias ) que me estupidificam( do verbo stupeo latino) e é mesmo preciso tempo, espaço, para eu " entrar na real" como dizem os brasileiros.
E agora que já descongelei, posso falar do que foi escrevê-lo e "fazê-lo" e publicá-lo; depois, do que foi comunicar aos amigos a sua existência e por fim do que foi aguardar os comentários ou pelo menos aquelas mostras de regozijo pela realização de um amigo, que são expectáveis.
Antes de tudo, há que explicar que não fui eu que fiz este livro.Nem nunca o teria talvez publicado se não tivesse tido quem o fizesse, como tive.
Ignorava em absoluto que existisse uma empresa editorial a que se acedia pela Net que editava sob nossa encomenda e em condições financeiras completamente originais e atractivas, e ainda sem mais nenhum incómodo para o autor para além do descarregamento do seu texto no mail da editora. Tudo isso foi uma porta que me foi aberta por aquele que conheci como o "Professor para o uso do computador" e que pouco a pouco se foi tornando amigo, conselheiro, auxiliador, sempre atento e pronto tanto a "adivinhar" o auxilio de que estou precisando no momento, como a não se furtar aos incómodos que o prestar esse auxílio lhe possa trazer. Assim, foi ele que chamou a si todas as tarefas da construção do livro, em diálogo com a Editora, ficando para mim apenas os cuidados com os textos. E eis que nos surge algo em que não pensáramos antes : a CAPA.Sem dotes de designer mas com ideias sobre o que queríamos, lembrei então uma oferta que há anos me fora feita pela minha sobrinha VERA, especialista em ilustração de livros... Na troca de dois ou três e-mails transbordantes de simplicidade e boa - vontade, ficou esboçada a capa para cuja simbologia houve troca de opiniões, tendo vencido a do Professor: a força da Vida que sempre vai vencendo os obstáculos e contratempos.
E assim ficou feito o livro.
E assim nasceu a enorme carga de gratidão que eu quero que transpareça ,antes de todo o resto, daquele objecto-livro, quando qualquer pessoa lhe pegar para o ler. Qualquer pessoa... Daqui virão, e já vieram, algumas revelações...
É a tal situação em que o símbolo da capa é afinal válido, como insistiu o Carlos, o Professor. .
E agora que já descongelei, posso falar do que foi escrevê-lo e "fazê-lo" e publicá-lo; depois, do que foi comunicar aos amigos a sua existência e por fim do que foi aguardar os comentários ou pelo menos aquelas mostras de regozijo pela realização de um amigo, que são expectáveis.
Antes de tudo, há que explicar que não fui eu que fiz este livro.Nem nunca o teria talvez publicado se não tivesse tido quem o fizesse, como tive.
Ignorava em absoluto que existisse uma empresa editorial a que se acedia pela Net que editava sob nossa encomenda e em condições financeiras completamente originais e atractivas, e ainda sem mais nenhum incómodo para o autor para além do descarregamento do seu texto no mail da editora. Tudo isso foi uma porta que me foi aberta por aquele que conheci como o "Professor para o uso do computador" e que pouco a pouco se foi tornando amigo, conselheiro, auxiliador, sempre atento e pronto tanto a "adivinhar" o auxilio de que estou precisando no momento, como a não se furtar aos incómodos que o prestar esse auxílio lhe possa trazer. Assim, foi ele que chamou a si todas as tarefas da construção do livro, em diálogo com a Editora, ficando para mim apenas os cuidados com os textos. E eis que nos surge algo em que não pensáramos antes : a CAPA.Sem dotes de designer mas com ideias sobre o que queríamos, lembrei então uma oferta que há anos me fora feita pela minha sobrinha VERA, especialista em ilustração de livros... Na troca de dois ou três e-mails transbordantes de simplicidade e boa - vontade, ficou esboçada a capa para cuja simbologia houve troca de opiniões, tendo vencido a do Professor: a força da Vida que sempre vai vencendo os obstáculos e contratempos.
E assim ficou feito o livro.
E assim nasceu a enorme carga de gratidão que eu quero que transpareça ,antes de todo o resto, daquele objecto-livro, quando qualquer pessoa lhe pegar para o ler. Qualquer pessoa... Daqui virão, e já vieram, algumas revelações...
É a tal situação em que o símbolo da capa é afinal válido, como insistiu o Carlos, o Professor. .
09 março 2010
Dia da Mulher
...e eu que não gosto lá muito dos dias de, não é que ontem me vi comovidamente a entrar nesse dia pelas mãos de quem certamente imaginou uma Maria de Lourdes que eu não pessoalizo ?!
Podia ter-se-me enchido o peito de vaidade. Mas ao que me levaram aqueles queridos tão queridos, foi a fazer uma minuciosa revisão de vida, lenta, `a lupa, e a ficar cheia de interrogações e muito mais preocupada com aquilo de que serei capaz na progressão do meu envelhecer...
Podia ter-se-me enchido o peito de vaidade. Mas ao que me levaram aqueles queridos tão queridos, foi a fazer uma minuciosa revisão de vida, lenta, `a lupa, e a ficar cheia de interrogações e muito mais preocupada com aquilo de que serei capaz na progressão do meu envelhecer...
06 março 2010
Quaresma 3
Hoje, quando menos esperávamos, no meio do frio da nossa invernia persistente, sai-nos ao caminho o reconfortante calor daquela sarça ardente que encheu Moisés de espanto e de responsabilidade... EU SOU !...Tinha agora sobre os seus ombros o peso daquelas palavras saídas do fogo, com a força do fogo !Protectoras, condutoras, mas tão estranhamente misteriosas !...
Do que depois foi,nem Moisés o podia prever naquela hora, naquele espanto...Tanta coisa aconteceu ! Se aquele povo tivesse procedido como o projecto de Deus concebera para o situar na vasta terra onde corria leite e mel, nada teria sido como foi.Nem Jesus teria convivido com a injustiça, a prepotência e as suas vítimas;não teriamcertamente morrido pessoas sob o desabamento da Torre de Siloé, nem tão pouco haveria figueiras estéreis na beira dos caminhos .
O que comprendi hoje foi que me é necessária uma serena mas férrea vontade de não cair,porque, como diz São Paulo, "os desejos perversos" de todos nos arrastam uns com os outros, mesmo os que pensamos que vamos estar sempre de pé, quando o Senhor Deus nos avisa com exemplos dolorosos de quão errado é o caminho que o seu povo está a seguir...
Em presença das trágicas calamidades que esta enorme invernia tem provocado
quantos soterrariam mesmo estas Torres de Siloé ?...
Do que depois foi,nem Moisés o podia prever naquela hora, naquele espanto...Tanta coisa aconteceu ! Se aquele povo tivesse procedido como o projecto de Deus concebera para o situar na vasta terra onde corria leite e mel, nada teria sido como foi.Nem Jesus teria convivido com a injustiça, a prepotência e as suas vítimas;não teriamcertamente morrido pessoas sob o desabamento da Torre de Siloé, nem tão pouco haveria figueiras estéreis na beira dos caminhos .
O que comprendi hoje foi que me é necessária uma serena mas férrea vontade de não cair,porque, como diz São Paulo, "os desejos perversos" de todos nos arrastam uns com os outros, mesmo os que pensamos que vamos estar sempre de pé, quando o Senhor Deus nos avisa com exemplos dolorosos de quão errado é o caminho que o seu povo está a seguir...
Em presença das trágicas calamidades que esta enorme invernia tem provocado
quantos soterrariam mesmo estas Torres de Siloé ?...
28 fevereiro 2010
Quaresma 2

No alto de montanhas embrumadas
sonhei erguer também a minha tenda,
mas de nuvem nenhuma ouvi falar-me
aquela voz que eu queria a consolar-me.
De Tiago, de Pedro ou de João
o silêncio também que Jesus queria...
Gritei, interpelei, nos meus desertos
e apenas encontrei pra mim abertos
os submissos caminhos de Abraão,
e a conturbada estrada que subia...
sonhei erguer também a minha tenda,
mas de nuvem nenhuma ouvi falar-me
aquela voz que eu queria a consolar-me.
De Tiago, de Pedro ou de João
o silêncio também que Jesus queria...
Gritei, interpelei, nos meus desertos
e apenas encontrei pra mim abertos
os submissos caminhos de Abraão,
e a conturbada estrada que subia...
24 fevereiro 2010
As flores que merecemos...

Completar-se-ão em Abril ciquenta e nove anos que vivo como condómina num prédio integrante de um bairro construido na época do Estado Novo com finalidades sociais. E, como tal, penso eu, foi atribuida a cada habitação uma minúscula fatia de terreno, nas trazeiras do prédio, chamando-se-lhe civicamente logradouro. Pouco mais ou menos três palmos por quatro de terreno, não é que permitem que demos asas a algumas fantasias botânicas e até bucólicas ? Logradouro é também para alguns a miniatura de uma lavoura de batatas, alfaces, favas e ainda por cima de árvores de fruto... Em suma uma pequena via de evasão muito bem pensada por quem concebeu o projecto que de certo tinha tanto de psicólogo quanto de arquitecto...
Pois bem. Agora que o Fevereiro se aproxima do fim com um curriculum de invernias desmesuradas e trágicas ( estou a falar do meu Funchal ), quando era costume estarmos já a pressentir a Primavera, olhei cá de cima o meu logradouro hoje de manhã, aproveitando uma pequena "aberta" na ventania e na chuva e_ ninguém me vai acreditar, paciência_ vieram lágrimas aos meus olhos e uma palavra de louvado seja Deus ! aos meus lábios : todos os alvíssimos jarros estão em flor, a cameleira, alvo de todos os meus orgulhos botânicos, coberta de rubras camélias e múltiplos botões, a alfazema transformada num tufo enorme e o abacateiro já criando a sua larga copa, meio verde, meio rosada, com porte já de arvoresinha que está começando a ser !... Quer dizer que a natureza cumpre. Apesar das granizadas, das geadas, das ventanias, do nosso abandono, porque durante estas intempéries nem nos aproximámos delas, as plantinhas cá estão, presentes, todas catitas, coloridas, garbosas, agora algumas a enfeitarem as minhas jarras e darem um ar de festa à minha casa, cumprindo rigorosamente o calendário.
Que lição tirar de tudo isto ? Quando eu tenho andado a pensar, desde o tsunami, passando pelos nevões mortíferos, pelas praias tragadas pelo mar, pelo terramoto do Haiti e por esta avassaladora derrocada da Madeira, tenho andado a pensar,repito, que a Natureza nos está a enviar algum recado, algum aviso, brotam-me "em casa" as flores,`a hora certa, nos dias certos, e mesmo quando eu mais preciso delas... e,talvez, quando menos as mereço ...
Pois bem. Agora que o Fevereiro se aproxima do fim com um curriculum de invernias desmesuradas e trágicas ( estou a falar do meu Funchal ), quando era costume estarmos já a pressentir a Primavera, olhei cá de cima o meu logradouro hoje de manhã, aproveitando uma pequena "aberta" na ventania e na chuva e_ ninguém me vai acreditar, paciência_ vieram lágrimas aos meus olhos e uma palavra de louvado seja Deus ! aos meus lábios : todos os alvíssimos jarros estão em flor, a cameleira, alvo de todos os meus orgulhos botânicos, coberta de rubras camélias e múltiplos botões, a alfazema transformada num tufo enorme e o abacateiro já criando a sua larga copa, meio verde, meio rosada, com porte já de arvoresinha que está começando a ser !... Quer dizer que a natureza cumpre. Apesar das granizadas, das geadas, das ventanias, do nosso abandono, porque durante estas intempéries nem nos aproximámos delas, as plantinhas cá estão, presentes, todas catitas, coloridas, garbosas, agora algumas a enfeitarem as minhas jarras e darem um ar de festa à minha casa, cumprindo rigorosamente o calendário.
Que lição tirar de tudo isto ? Quando eu tenho andado a pensar, desde o tsunami, passando pelos nevões mortíferos, pelas praias tragadas pelo mar, pelo terramoto do Haiti e por esta avassaladora derrocada da Madeira, tenho andado a pensar,repito, que a Natureza nos está a enviar algum recado, algum aviso, brotam-me "em casa" as flores,`a hora certa, nos dias certos, e mesmo quando eu mais preciso delas... e,talvez, quando menos as mereço ...
20 fevereiro 2010
Quaresma 1
Diz São Paulo hoje que está perto de nós a palavra, nos nossos lábios e nos nossos corações, veículo da Fé que nós "passamos" a quem está comnosco. Assim ficou comigo a palavra que li de Nicolas Malebranche :
Senhor, não te esqueças de mim!
Senhor, não te esqueças dos meus problemas, quando eu trato dos teus.
Não te esqueças mesmo quando eu não atendia nem os meus, nem os teus, mesmo quando eu arruinava os meus interesses e adiava os teus.
Quantas vezes derrubei o que tinhas edificado !
Quantas vezes profanei o que tinhas santificado !
Muitas vezes adiei a conclusão da tua obra !
Eis-me perante Ti consciente dos males que causei.
Ponho-me na tua presença como um instrumento pronto a seguir todos os teus movimentos.Ensina-me a reparar as desordens e dá-me a honra de me empregares nos teus serviços. Anima-me com o teu espírito, ilumina-me, fortalece-me.
É com palavras como estas que eu quero colmatar o que me falta para viver em plenitude a presente quaresma. Assim Deus me ajude !
Senhor, não te esqueças de mim!
Senhor, não te esqueças dos meus problemas, quando eu trato dos teus.
Não te esqueças mesmo quando eu não atendia nem os meus, nem os teus, mesmo quando eu arruinava os meus interesses e adiava os teus.
Quantas vezes derrubei o que tinhas edificado !
Quantas vezes profanei o que tinhas santificado !
Muitas vezes adiei a conclusão da tua obra !
Eis-me perante Ti consciente dos males que causei.
Ponho-me na tua presença como um instrumento pronto a seguir todos os teus movimentos.Ensina-me a reparar as desordens e dá-me a honra de me empregares nos teus serviços. Anima-me com o teu espírito, ilumina-me, fortalece-me.
É com palavras como estas que eu quero colmatar o que me falta para viver em plenitude a presente quaresma. Assim Deus me ajude !
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