O Amor é paciente
O Amor é amável, não é invejoso.
O Amor não é vaidoso, nem soberbo, nem inconveniente.
Não é interesseiro, nem irritável, nem rancoroso.
Não se alegra com a injustiça, mas sim com o triunfo da verdade.
Tudo desculpa.
Tudo acredita.
Tudo espera.
Tudo suporta.
O Amor nunca desaparece.
São Paulo
Se eu tudo fizer sem AMOR, não serei mais do que um bronze que ressoa ou um metal que tange.
31 janeiro 2010
29 janeiro 2010
Quando a palavra não é de prata
Um dos provérbios que aprendi na Escola foi ... o slêncio é de ouro e a palavra é prata...Creio que me ensinaram isto, porque eu era uma tagarela muito dificilmente controlável, mas esse gosto de comunicar faz parte da minha constituição e só com o advir da maturidade me apercebi do enorme potencial do silêncio e da perigosidade da palavra...
Aconteceu-me há dias um convite encantador de uns amigos para ir com eles fazer um passeio ~por uma região que muito aprecio, de campos amplos, cultivados, aqui e ali irrigados por boas manchas de água, vizinhas ainda do Tejo, zona de boas e antigas propriedades rurais hoje conhecidas ou pela sua produção de vinho ou pela sua criação de cavalos, um país "limpo", genuino, em cujas vilas cheira a pão quente e a adegas frescas de vinhos bem perfumados...
Este convite era também para justamente almoçar , claro está que um almoço a condizer com o ambiente ... E então, com o restaurante já previamente escolhido por informação que o meu amigo procurara, vimo-nos recebidos num ambiente atraente, cavacas a arder na lareira, mesas postas com toalhas de bordadinhos simples, da região, fotos nas paredes de motivos tradicionais
do local, enfim, mesmo apetitoso para satisfazer as fomes e os frios que levávamos. E é-nos apresentada a "lista" das comidas típicas e características da terra de uma forma original pois foi feito oralmente e com explicação minuciosa da composição de cada prato, pelo dono do restaurante.Até aí, engraçado, fora do comum... Só que daí por diante nunca mais parou a catadupa de palavras com que aquele anfitrião achou por bem mimosear-nos, na ânsia de tudo contar, tudo explicar, tudo mostrar do que se fazia na casa, na terra, nos arredores, no país...
Não nos deixou um só instante e estava feliz, rejubilava, nós só podendo ir dando a menor réplica possível, já a medo, porque cada palavra nossa suscitava a tumultuosa continuação de novas explicações, apresentações etc. Aquele homem conhcia literatura, arte, história, política e tudo e tudo, para além da comida ( que aliás era excelente ) que nos punha na mesa ! ! ! Saímos bem almoçados, sim, mas sem vontade de voltar... Que pena ! O restaurante não tinha outros clientes senão nós. Seria já por isso ? Aquele homem está afogado em solidão certamente...
Mas para ele é que o silêncio seria de ouro, se tivessemos tido oportunidade de lho dizer...
Aconteceu-me há dias um convite encantador de uns amigos para ir com eles fazer um passeio ~por uma região que muito aprecio, de campos amplos, cultivados, aqui e ali irrigados por boas manchas de água, vizinhas ainda do Tejo, zona de boas e antigas propriedades rurais hoje conhecidas ou pela sua produção de vinho ou pela sua criação de cavalos, um país "limpo", genuino, em cujas vilas cheira a pão quente e a adegas frescas de vinhos bem perfumados...
Este convite era também para justamente almoçar , claro está que um almoço a condizer com o ambiente ... E então, com o restaurante já previamente escolhido por informação que o meu amigo procurara, vimo-nos recebidos num ambiente atraente, cavacas a arder na lareira, mesas postas com toalhas de bordadinhos simples, da região, fotos nas paredes de motivos tradicionais
do local, enfim, mesmo apetitoso para satisfazer as fomes e os frios que levávamos. E é-nos apresentada a "lista" das comidas típicas e características da terra de uma forma original pois foi feito oralmente e com explicação minuciosa da composição de cada prato, pelo dono do restaurante.Até aí, engraçado, fora do comum... Só que daí por diante nunca mais parou a catadupa de palavras com que aquele anfitrião achou por bem mimosear-nos, na ânsia de tudo contar, tudo explicar, tudo mostrar do que se fazia na casa, na terra, nos arredores, no país...
Não nos deixou um só instante e estava feliz, rejubilava, nós só podendo ir dando a menor réplica possível, já a medo, porque cada palavra nossa suscitava a tumultuosa continuação de novas explicações, apresentações etc. Aquele homem conhcia literatura, arte, história, política e tudo e tudo, para além da comida ( que aliás era excelente ) que nos punha na mesa ! ! ! Saímos bem almoçados, sim, mas sem vontade de voltar... Que pena ! O restaurante não tinha outros clientes senão nós. Seria já por isso ? Aquele homem está afogado em solidão certamente...
Mas para ele é que o silêncio seria de ouro, se tivessemos tido oportunidade de lho dizer...
24 janeiro 2010
As Palavras
São como um cristal
as palavras.
Algumas,um punhal.
um incêndio.
Outras, orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves,
tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as ouve? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
em suas conchas puras ?
EUGÉNIO DE ANDRADE - As Palavras
Hoje é realmente o dia de meditarmos sobre a força, o poder, o alcance das palavras. A LITURGIA trouxe-nos a reconstituição do primeiro dia em que o povo ouve "as palavras da Lei" lidas em grande pompa e ouvidas com lágrimas em Jerusalém reconstruida e é também o dia em que São Lucas narra a primeira apresentação de si mesmo feita por Jesus como emissário comunicador da "palavra" de Deus,na sinagoga de Nazaré.
Há ainda a lembrar que hoje é para os jornalistas em particular e até para os escritores em geral, o dia de parar um pouco a pensar em São Francisco de Sales, um seu patrono tão simpático, tão sabedor, tão amigo de escrever e ensinar cuja memória é guardada nos Colégios Salesianos...
Todas juntas andam pelo dia de hoje AS PALAVRAS, como dizia o poeta, desamparadas, inocentes, leves, mas a lembrar-nos a força suficiente que têm para vencer séculos de mensagens que, como sabemos, tanta vez chegam para abalar todo o Mundo !...
as palavras.
Algumas,um punhal.
um incêndio.
Outras, orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves,
tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as ouve? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
em suas conchas puras ?
EUGÉNIO DE ANDRADE - As Palavras
Hoje é realmente o dia de meditarmos sobre a força, o poder, o alcance das palavras. A LITURGIA trouxe-nos a reconstituição do primeiro dia em que o povo ouve "as palavras da Lei" lidas em grande pompa e ouvidas com lágrimas em Jerusalém reconstruida e é também o dia em que São Lucas narra a primeira apresentação de si mesmo feita por Jesus como emissário comunicador da "palavra" de Deus,na sinagoga de Nazaré.
Há ainda a lembrar que hoje é para os jornalistas em particular e até para os escritores em geral, o dia de parar um pouco a pensar em São Francisco de Sales, um seu patrono tão simpático, tão sabedor, tão amigo de escrever e ensinar cuja memória é guardada nos Colégios Salesianos...
Todas juntas andam pelo dia de hoje AS PALAVRAS, como dizia o poeta, desamparadas, inocentes, leves, mas a lembrar-nos a força suficiente que têm para vencer séculos de mensagens que, como sabemos, tanta vez chegam para abalar todo o Mundo !...
20 janeiro 2010
Haiti
Eu até nem queria escrever . Porque me ultrapassa em muito: em grandeza, em crueza, em espanto...O Haiti ! O Mundo. O Ser Humano. A Terra.
Que é tudo isto? Vejo-os, como vermes a rastejarem sobre escombros, a esgueirarem-se entre frinchas, buracos, lixos,valetas...Farejados por cães ou por malandros...Inertes mas ainda vivos... Vivos mas soterrados até nos próprios gritos...E os olhos enormes das crianças, imensos, águas paradas, glaucas, sem entenderem...Uns olhos como nunca vi, a olharem como nunca olharam...
E pairam, sobrevoam, ávidas, todas as camaras de todos os que não são dali, mas querem ver, saber de longe como se estivessem lá... Como se estivessem lá... E o que será estar lá? Com o corpo e tudo a doer, pelo calor, pelo cheiro de náusea, pela ausência de TUDO menos do quase escândalo de se sentir corpo vivo ? É generoso ESTAR ali ? Será ? Será mesmo com o que nos resta de AMOR pelo OUTRO ,neste planeta que nos cospe, nos repele, será mesmo amor ou será apenas CUMPRIR ? Tudo tão estremado agora, com a Terra a tremer mais e ainda, como ver claro entre o que é de fazer fé e o que é esvaír-se tudo para um futuro que,a haver, será estropiado de corpo e alma?
Que é tudo isto? Vejo-os, como vermes a rastejarem sobre escombros, a esgueirarem-se entre frinchas, buracos, lixos,valetas...Farejados por cães ou por malandros...Inertes mas ainda vivos... Vivos mas soterrados até nos próprios gritos...E os olhos enormes das crianças, imensos, águas paradas, glaucas, sem entenderem...Uns olhos como nunca vi, a olharem como nunca olharam...
E pairam, sobrevoam, ávidas, todas as camaras de todos os que não são dali, mas querem ver, saber de longe como se estivessem lá... Como se estivessem lá... E o que será estar lá? Com o corpo e tudo a doer, pelo calor, pelo cheiro de náusea, pela ausência de TUDO menos do quase escândalo de se sentir corpo vivo ? É generoso ESTAR ali ? Será ? Será mesmo com o que nos resta de AMOR pelo OUTRO ,neste planeta que nos cospe, nos repele, será mesmo amor ou será apenas CUMPRIR ? Tudo tão estremado agora, com a Terra a tremer mais e ainda, como ver claro entre o que é de fazer fé e o que é esvaír-se tudo para um futuro que,a haver, será estropiado de corpo e alma?
17 janeiro 2010
...não têm vinho...
Mulher, o que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora...
Sempre foi uma coisa que me chocou, desde os princípios da catequese, ouvir Jesus dirigir-se a sua Mãe dizendo "mulher". Eu nunca me dirigiria assim à minha Mãe, nem tão pouco qualquer outra pessoa que eu conheça ou tenha conhecido.Esta situação surgida no Evangelho de hoje,sobre"As bodas de Caná " veio dar-me pretexto para mais uma vez destacar a razoabilidade de muitas das nossas estranhezas perante determinados sucessos , palavras e frases que, no mínimo, nos espantam, quando não nos chocam ou até nos desnorteiam. Dizia eu, destacar a razoabilidade... Pois !É que estamos constantemente a esquecer a distância de quase 3000 anos que separa a nossa "apurada" civilização e sua civilidade daquela que nós fomos "fabricando" até agora.Como seriam
antipodamente diferentes as relações marido/mulher, pais/filhos, crentes/não crentes, etc., etc.! Mas hoje Jesus fala a sua Mãe daquela maneira como iniciei esta meditação, porque,no cumprimento da sua vida pública, é com ela convidado para uma festa de casamento e nessa festa dá.se a falha de faltar o vinho e é Maria que vem até ele como a pedir-lhe que dê remédio á situação ( Ela lá sabia porque o fazia...) , Vejamos agora os símbolos e deixemos o estilo elocutório. Ensinaram-me uma coisa junto com o enorme respeito por Jesus : é que Jesus não era um prestidigitador. Por isso nunca iria transformar a água das velhas bilhas em vinho nenhum.Simbolizavam as velhas talhas "vazias" a ausência de FÉ, a ausência de DEUS e, depois de alguns escolhidos terem feito como lhes disse Maria fazei o que ELE vos disser,começaram então aqueles que eram convidados a poder saborear "o melhor vinho", o Amor de Deus, o carinho do Espírito Santo, a presença de Jesus real mente a seu lado. Ainda hoje somos "convidados" em muitas Bodas de Caná que há por aí sem VINHO ... Em cada vez mais bodas, cada vez com mais talhas velhas e vazias...
Sempre foi uma coisa que me chocou, desde os princípios da catequese, ouvir Jesus dirigir-se a sua Mãe dizendo "mulher". Eu nunca me dirigiria assim à minha Mãe, nem tão pouco qualquer outra pessoa que eu conheça ou tenha conhecido.Esta situação surgida no Evangelho de hoje,sobre"As bodas de Caná " veio dar-me pretexto para mais uma vez destacar a razoabilidade de muitas das nossas estranhezas perante determinados sucessos , palavras e frases que, no mínimo, nos espantam, quando não nos chocam ou até nos desnorteiam. Dizia eu, destacar a razoabilidade... Pois !É que estamos constantemente a esquecer a distância de quase 3000 anos que separa a nossa "apurada" civilização e sua civilidade daquela que nós fomos "fabricando" até agora.Como seriam
antipodamente diferentes as relações marido/mulher, pais/filhos, crentes/não crentes, etc., etc.! Mas hoje Jesus fala a sua Mãe daquela maneira como iniciei esta meditação, porque,no cumprimento da sua vida pública, é com ela convidado para uma festa de casamento e nessa festa dá.se a falha de faltar o vinho e é Maria que vem até ele como a pedir-lhe que dê remédio á situação ( Ela lá sabia porque o fazia...) , Vejamos agora os símbolos e deixemos o estilo elocutório. Ensinaram-me uma coisa junto com o enorme respeito por Jesus : é que Jesus não era um prestidigitador. Por isso nunca iria transformar a água das velhas bilhas em vinho nenhum.Simbolizavam as velhas talhas "vazias" a ausência de FÉ, a ausência de DEUS e, depois de alguns escolhidos terem feito como lhes disse Maria fazei o que ELE vos disser,começaram então aqueles que eram convidados a poder saborear "o melhor vinho", o Amor de Deus, o carinho do Espírito Santo, a presença de Jesus real mente a seu lado. Ainda hoje somos "convidados" em muitas Bodas de Caná que há por aí sem VINHO ... Em cada vez mais bodas, cada vez com mais talhas velhas e vazias...
12 janeiro 2010
Fair - play
Porque hoje tive tempo livre de outras obrigações, resolvi, dar uma volta pelo meu blog, digamos que em jeito de vamos lá ver se isto vai correspondendo ao que eu quero... E então vi "claramente visto" o nunca premeditado pendor religioso a que sou levada creio que por quase só escrever aos domingos e depois da missa. Já uma amiga me procurou carregada de teorias, teses e premonições, pensando ter descoberto razões para tal facto, mas só conseguiu com isso preocupar-me e encher-me de dúvidas... É certo que não tenho passado uma das melhores possíveis fases de saúde física e psicológica ( qual delas é consequência de qual ?), é certo que as habituais tarefas natalícias este ano me cansaram mais, mostrando a mim própria que já não chego onde chegava, é certo que a intempérie e a cor do céu não ajudaram nada a rasgos de alegria, é certo, parece-me, que perdi um bocadinho o fair-play para este jogo com o envelhecer... Talvez seja tudo isto que acaba por ir tecendo uma certa carência de espiritualidade e uma consequente menor tolerância para as banalidades quotidianas.Somos nós que escolhemos a direcção a seguir ou é uma deriva perfeitamente espontânea e natural ? Foi para recolher melhor informação que hoje vim fazer este reconhecimento . Acabara de sair uma aluna que recebe duas horas seguidas de lição sem uma quebra de alegria ou mostra de cansaço. É tão bem disposta e enche-me a casa de uma tal quantidade de valores positivos que me senti encorajada a vir ao encontro do tal vamos lá a ver...Uma pequena recuperação do fair-play necessário também para isto de escrever ainda que seja um simples blog.
10 janeiro 2010
Tirar da "prisão" os cativos...
Estamos no tal período em que Lisboa bate o dente com frio, se se levanta cedo, se anda na rua depois das cinco e tal da tarde e se em casa não tem fontes de aquecimento.Já até tem acontecido cairem uns farrapinhos de neve ! Quando eu era aluna da Faculdade, caiu mesmo um bom nevão que permitiu a alunos e alguns Mestres irmos "brincar" com a neve para o Parque Eduardo VII !
Hoje, acabada a missa das dez, começou a organizar-se um temporal com chuva gelada, nuvens pesadas e vento de rajadas e assobios, coisa que ninguém esperava depois da grande manhã primaveril do dia de ontem...É esta a despedida do tempo de Natal. Definitiva, para este 2009/2010.
Todos os textos da liturgia são hoje dedicados ao baptismo de Jesus nas águas do Jordão. Quantos de nós não vimos já em filmes óptimos a cena majestosa na sua humildade,daquele quase gigante João Baptista a fazer entrar na água a dócil figura de Jesus perante o olhar meio espantado, meio temeroso de uma pequena multidão de recém ou pré baptisados também ? E aqueles sinais de divindade e Amor de Deus, traduzidos conforme a sensibilidade do cineasta ?
Pois é aí , é nesse justo momento que podemos dizer que se apresenta "oficialmente" Jesus. É o início do que se chama a sua vida pública.
Figura humilde e obscura na sociedade em que estava inserido pela sua pertença familiar, se exceptuarmos uns pequenos episódios como a simbólica visita dos magos ou a convivência do menino com os doutores, no templo, nada, na quotidiana vida simples de Jesus o tornava sobresaliente no meio em que foi vivendo e crescendo, como Homem. Pois é então pelo Baptismo que celebramos hoje que ELE é investido na sua extraordinária Missão de abrir os olhos aos cegos e libertar...os que habitam nas trevas...
Vai começar um período pré- Pascal que corresponderá aos três anos em que se deu o desenvolvimento galopante dessa tarefa única de Alguém que teve de Deus e Homem a bondade e os sonhos...
Hoje, acabada a missa das dez, começou a organizar-se um temporal com chuva gelada, nuvens pesadas e vento de rajadas e assobios, coisa que ninguém esperava depois da grande manhã primaveril do dia de ontem...É esta a despedida do tempo de Natal. Definitiva, para este 2009/2010.
Todos os textos da liturgia são hoje dedicados ao baptismo de Jesus nas águas do Jordão. Quantos de nós não vimos já em filmes óptimos a cena majestosa na sua humildade,daquele quase gigante João Baptista a fazer entrar na água a dócil figura de Jesus perante o olhar meio espantado, meio temeroso de uma pequena multidão de recém ou pré baptisados também ? E aqueles sinais de divindade e Amor de Deus, traduzidos conforme a sensibilidade do cineasta ?
Pois é aí , é nesse justo momento que podemos dizer que se apresenta "oficialmente" Jesus. É o início do que se chama a sua vida pública.
Figura humilde e obscura na sociedade em que estava inserido pela sua pertença familiar, se exceptuarmos uns pequenos episódios como a simbólica visita dos magos ou a convivência do menino com os doutores, no templo, nada, na quotidiana vida simples de Jesus o tornava sobresaliente no meio em que foi vivendo e crescendo, como Homem. Pois é então pelo Baptismo que celebramos hoje que ELE é investido na sua extraordinária Missão de abrir os olhos aos cegos e libertar...os que habitam nas trevas...
Vai começar um período pré- Pascal que corresponderá aos três anos em que se deu o desenvolvimento galopante dessa tarefa única de Alguém que teve de Deus e Homem a bondade e os sonhos...
03 janeiro 2010
Epifania
Passaram as "festas", isto é, pararam ! O que ainda não parou foi a chuva.
Hoje, Domingo da Epifania, as leituras de Isaías, de S.Paulo ou de São Mateus levam-nos para uma atmosfera de júbilo por causa da mundialização daquele Menino,digamos que oficializada pela visita dos representantes do mundo conhecido então. Os três Reis Magos, cada um sua parcela desse mundo, não são hoje particularmente celebrados, mas sim o reconhecimento oficial de que era aquele o alvo das suas homenagens,àquele a quem vinham oferecer,de joelhos, as riquezas simbólicas das suas regiões, porque como Rei o reconheciam e aceitavam. Tão bonito ! Enche-me de admiração esta vertente meia oriental de ser possível, através de símbolos e metáforas riquíssimos, construir uma História quase ingénua de acontecimentos tão extraordinariamente importantes e difíceis de explicar... E assim me encontrei beatificamente em paz, respirando fundo pela libertação das "festas" que, na sua tradução social acabam por tanto nos cansarem e, como Baltazar, Melchior e Gaspar, voltei por um outro caminho para não abrir mão da beleza do MEU Natal...
Hoje, Domingo da Epifania, as leituras de Isaías, de S.Paulo ou de São Mateus levam-nos para uma atmosfera de júbilo por causa da mundialização daquele Menino,digamos que oficializada pela visita dos representantes do mundo conhecido então. Os três Reis Magos, cada um sua parcela desse mundo, não são hoje particularmente celebrados, mas sim o reconhecimento oficial de que era aquele o alvo das suas homenagens,àquele a quem vinham oferecer,de joelhos, as riquezas simbólicas das suas regiões, porque como Rei o reconheciam e aceitavam. Tão bonito ! Enche-me de admiração esta vertente meia oriental de ser possível, através de símbolos e metáforas riquíssimos, construir uma História quase ingénua de acontecimentos tão extraordinariamente importantes e difíceis de explicar... E assim me encontrei beatificamente em paz, respirando fundo pela libertação das "festas" que, na sua tradução social acabam por tanto nos cansarem e, como Baltazar, Melchior e Gaspar, voltei por um outro caminho para não abrir mão da beleza do MEU Natal...
01 janeiro 2010
Primeiro dia de 2010
...do Ano-Novo espero as alvoradas
de manhãs que até hoje esperei em vão...
De um poema que escrevi há mais de cinquenta anos retiro ainda esta realidade que não seria de esperar pudesse revivê-la.A verdade porém é que podem ser outras as manhãs, mas eu continuo a ser a mesma !
de manhãs que até hoje esperei em vão...
De um poema que escrevi há mais de cinquenta anos retiro ainda esta realidade que não seria de esperar pudesse revivê-la.A verdade porém é que podem ser outras as manhãs, mas eu continuo a ser a mesma !
30 dezembro 2009
O dia seguinte
Lembro-me de uma frase muito usada pelo Astérix que era mais ou menos: pourvu que le ciel ne nous tombe pas sur la tête...Cheguei a dizer o mesmo de mim para mim neste dia de Natal e principalmente nos dois dias seguintes. O que tem chovido, meu Deus ! E Lisboa que não gosta de chuva, direi mesmo o País, não nasceram para que neles chovesse. Nem nós, ao que parece !
E eu que,sob os insuportáveis Agostos,costumo andar a "suplicar a minha gota de água" como as árvores alentejanas da Florbela Espanca, agora já estou a dificilmente a suportar,porquetemos as paredes decasa húmidas,porque receamos obras nos telhados,porque irrompem borbotos de água pelos caixilhos das janelas que julgávamos completamente estanques e se molham as cortinas, a pingar aqui e ali, porque os livros e os nossos papéis ficam com uma textura mole, porque o jornal pela manhã me chega a dismiluinguir-se, como dizem os brasileiros, e não permite uma separação normal das folhas, e porque, se eu saio, em Lisboa não há onde pôr os pés fora de uma espessura de água inferior a cerca de centímetro e meio, mesmo em avenidas alcatroadas ou passeios de calçada à portuguesa, o que significa que só de botas ou galochas se pode tentar vencer esta ausência de escoamento de águas, coisa por mim deconhecida quando palmilhava com as minhas companheiras da Faculdade,ou com o meu namorado , o longo e multiforme percurso desde São Bento até ao Campo Pequeno sob qualquer condição atmosférica.
Tenho tido, ao longo da minha vida sempre com vizinhos, complicados problemas de relação,por causa das entradas de água da chuva na casa deles(por cima da minha) e a sequente deriva dessa água na minha casa.É também uma razão que me leva a pensar como o Astérix...
E como, até agora, nada ainda caiu na minha cabeça ( em casa) posso dizer que estou comodamente junto da lareira, a ouvir as bátegas a bater nas vidraças e com aquela sensação de quase bem-aventurança a "digerir" o meu Natal.
Aquele Natal social dos jantares e almoços, das visitas mais de carinho ou mais de circunstância, das prendas e dos presentes, dos trabalhos domésticos, dos cozinhados, e do coração a transbordar de exaltação e o corpo a transbordar de cansaço.Passo então a agradecer a Deus o ter-me realmente criado para ser
feliz porque conseguir a alegria ainda, depois de tanta, tanta amargura, tanta desilusão, tanta inquietação, medo e aflição, acumulados numa vida longa como a minha, só pode mesmo ser marca daquilo para que me destinou algomuito maior que tudo isso, certamente ainda no ventre de minha Mãe...
E eu que,sob os insuportáveis Agostos,costumo andar a "suplicar a minha gota de água" como as árvores alentejanas da Florbela Espanca, agora já estou a dificilmente a suportar,porquetemos as paredes decasa húmidas,porque receamos obras nos telhados,porque irrompem borbotos de água pelos caixilhos das janelas que julgávamos completamente estanques e se molham as cortinas, a pingar aqui e ali, porque os livros e os nossos papéis ficam com uma textura mole, porque o jornal pela manhã me chega a dismiluinguir-se, como dizem os brasileiros, e não permite uma separação normal das folhas, e porque, se eu saio, em Lisboa não há onde pôr os pés fora de uma espessura de água inferior a cerca de centímetro e meio, mesmo em avenidas alcatroadas ou passeios de calçada à portuguesa, o que significa que só de botas ou galochas se pode tentar vencer esta ausência de escoamento de águas, coisa por mim deconhecida quando palmilhava com as minhas companheiras da Faculdade,ou com o meu namorado , o longo e multiforme percurso desde São Bento até ao Campo Pequeno sob qualquer condição atmosférica.
Tenho tido, ao longo da minha vida sempre com vizinhos, complicados problemas de relação,por causa das entradas de água da chuva na casa deles(por cima da minha) e a sequente deriva dessa água na minha casa.É também uma razão que me leva a pensar como o Astérix...
E como, até agora, nada ainda caiu na minha cabeça ( em casa) posso dizer que estou comodamente junto da lareira, a ouvir as bátegas a bater nas vidraças e com aquela sensação de quase bem-aventurança a "digerir" o meu Natal.
Aquele Natal social dos jantares e almoços, das visitas mais de carinho ou mais de circunstância, das prendas e dos presentes, dos trabalhos domésticos, dos cozinhados, e do coração a transbordar de exaltação e o corpo a transbordar de cansaço.Passo então a agradecer a Deus o ter-me realmente criado para ser
feliz porque conseguir a alegria ainda, depois de tanta, tanta amargura, tanta desilusão, tanta inquietação, medo e aflição, acumulados numa vida longa como a minha, só pode mesmo ser marca daquilo para que me destinou algomuito maior que tudo isso, certamente ainda no ventre de minha Mãe...
27 dezembro 2009
Sobre a Família
...acumula um tesouro aquele que honra sua Mãe...quem honra seu Pai terá longa vida...e obterá o perdão dos pecados. Lemos estas coisas do livro de Ben-Sirá, numa das leituras da liturgia deste dia consagrado à Família e, mais do que isto, somos levados a meditar como parece ter-se pensado no sem nùmero de dramas de famílias que, nos dias em que vivemos, se desestruturaram porque se deu lugar a que se estás na força da vida,aconteça cada vez mais que se faça o contrário do que a seguir é aconselhado ainda que ele( teu pai ) perca a razão,sê indulgente e não o desprezes. Creio que não há ninguém que não conheça pelo menos uma história de dramas destes.Por isso na época tão bela que acabamos de viver,em adoração àquele Presépio tão simbólico, ouvimos o ruido ensurdecedor, como nunca ,dos apelos a todas as imagináveis e inimagináveis acções de solidariedade organizadas ou não em grupos, campanhas, missões, correspondendo cada um desses apelos sabe-se lá a quantas faltas de indulgência ou a quantos desprezos...
Foi um tema que nos tocou na época própria. Como continuamos sendo aqueles mesmos seres pelos quais nem mesmo o sacrifício de Jesus conseguiu que circulasse só e apenas o Amor ! ! !
Foi um tema que nos tocou na época própria. Como continuamos sendo aqueles mesmos seres pelos quais nem mesmo o sacrifício de Jesus conseguiu que circulasse só e apenas o Amor ! ! !
25 dezembro 2009
Dia de Natal
Dizia Isaías: como são graciosos, nas montanhas, os pés do mensageiro da paz! Anuncia boas-novas...Assim foi neste advento em que adivinhámos,aqui e ali, o aproximar destes pés e, nestes últimos dias, sentimos que caminharam avassaladoramente, por entre montes e vales, estradas francas e veredas sombrias...Chegaram certamente mais perto de uns do que de outros, trazendo consigo tudo o que nos ia pondo à prova, desde a má notícia que dói, até à consoladora alegria da visita carinhosa e já não esperada ou da palavra que era a única eficaz naquela hora! O Mensageiro da paz chegou uma vez mais ás nossas vidas. E nós a querê-lo, a abrirmos-lhe as nossas portas, as nossa almas, como sempre...talvez mais ansiosas, mais sequiosas do que de outras vezes, mas com os mesmos propósitos... De melhorar, de emendar, de O imitar...
Por hoje, estamos como Isaías :ainda só sabemos admirá-LO e esperar...
Por hoje, estamos como Isaías :ainda só sabemos admirá-LO e esperar...
20 dezembro 2009
E afinal que Advento?
E chegámos ao último domingo do Advento... Voaram estas quatro semanas !
E eu, tão empenhada em fazer uma longa e serena meditação, encontro-me hoje bastante insatisfeita com o que consegui. Quisera enterrar-me bem no fundo das minhas dúvidas, das minhas imperfeições, das minhas quebras de Fé, e sentir-me lavada, como nova, por tê-las exorcizado, com o meu firme desejo de parar, de não voltar a pisar os mesmos caminhos e de apenas poder,sem vergonha, ficar ali muito tempo parada a olhar bem nos olhos aquela figurinha deitada nas palhinhas, muito menos ingénua( já !) do que a sua própria MÃE cujo olhar eu até agora sempre evitei... Mas não foi bem assim, como eu queria. É demasiado ruidosa e envolvente a vaga que nos apanha, mesmo já numamaré baixa da vida como é esta minha agora. E o pior é que foi bom e eu gostei ! ! !
Foi bom organizar uma como festinha de família para uns quantos, para celebrar o quanto os amo tal como o Senhor meu Deus os fez e os colocou na minha vida, foi bom reconhecer progressos resultantes do meu trabalho com os mais jovens e também com uma Senhora Irmã da Ordem de São João de Deus( Hospitaleira), e com uma doutoranda polaca, ainda tão jovem ( e bonita ) e tão responsável na sua inteligência, foi bom ver expostos, in memoriam, os trabalhos plásticos realizados por ex-alunos numa época conturbada deste país ,entre revoltas e cravos, foi bom ter aquele inefável prazer de reconhecer a vozinha de afinadíssimo soprano de uma ex-aluna fazendo parte de um importante CORAL DE CÃMARA que do Conservatório partiu para a Música Antiga...Foi bom ver Lisboa acender luzes de festa e o povo na rua a Ver as Luzes... Precisávamos de tudo isto, nós todos,embora seja de evitar o crer que o montar-se um presépio e o entregarmo-nos às Festas possa sequer parecer-se apenas com uma recriação teatral. Na Idade Média faziam-se representações teatrais sobre vidas de santos, nos adros fronteiros ás igrejas, para que o povo se familiarizasse com esses exemplos edificantes, e se sentisse solicitado para as boas práticas... Se o que fazemos hoje conseguir melhorar-nos a todos, como povo, porque não ? As boas tentativas como a que trouxe para este Advento terão talvez que ser menos individualistas... Ou não, apesar de tudo...
E eu, tão empenhada em fazer uma longa e serena meditação, encontro-me hoje bastante insatisfeita com o que consegui. Quisera enterrar-me bem no fundo das minhas dúvidas, das minhas imperfeições, das minhas quebras de Fé, e sentir-me lavada, como nova, por tê-las exorcizado, com o meu firme desejo de parar, de não voltar a pisar os mesmos caminhos e de apenas poder,sem vergonha, ficar ali muito tempo parada a olhar bem nos olhos aquela figurinha deitada nas palhinhas, muito menos ingénua( já !) do que a sua própria MÃE cujo olhar eu até agora sempre evitei... Mas não foi bem assim, como eu queria. É demasiado ruidosa e envolvente a vaga que nos apanha, mesmo já numamaré baixa da vida como é esta minha agora. E o pior é que foi bom e eu gostei ! ! !
Foi bom organizar uma como festinha de família para uns quantos, para celebrar o quanto os amo tal como o Senhor meu Deus os fez e os colocou na minha vida, foi bom reconhecer progressos resultantes do meu trabalho com os mais jovens e também com uma Senhora Irmã da Ordem de São João de Deus( Hospitaleira), e com uma doutoranda polaca, ainda tão jovem ( e bonita ) e tão responsável na sua inteligência, foi bom ver expostos, in memoriam, os trabalhos plásticos realizados por ex-alunos numa época conturbada deste país ,entre revoltas e cravos, foi bom ter aquele inefável prazer de reconhecer a vozinha de afinadíssimo soprano de uma ex-aluna fazendo parte de um importante CORAL DE CÃMARA que do Conservatório partiu para a Música Antiga...Foi bom ver Lisboa acender luzes de festa e o povo na rua a Ver as Luzes... Precisávamos de tudo isto, nós todos,embora seja de evitar o crer que o montar-se um presépio e o entregarmo-nos às Festas possa sequer parecer-se apenas com uma recriação teatral. Na Idade Média faziam-se representações teatrais sobre vidas de santos, nos adros fronteiros ás igrejas, para que o povo se familiarizasse com esses exemplos edificantes, e se sentisse solicitado para as boas práticas... Se o que fazemos hoje conseguir melhorar-nos a todos, como povo, porque não ? As boas tentativas como a que trouxe para este Advento terão talvez que ser menos individualistas... Ou não, apesar de tudo...
13 dezembro 2009
Merecer a Alegria
Hoje os senhores padres vestiram os seus paramentos cor-de-rosa. E as palavras dominantes em todos os textos da liturgia são rejubila, exulta, alegrai-vos, júbilo e tudo o que com alegres manifestações possa estar conectado. É porém num outro tom que, no seu Evangelho, São Lucas nos conta que João Baptista, muito interrogado por muitas pessoas e maneiras, acaba por, com as suas respostas, criar uma espécie de código de regras de como agir para, podendo aceder ao Amor de Deus, ter naturalmente também ânimo para essas alegrias.
E são estas as regras:
1ª-Quem tem duas túnicas reparta com aquele que não tem e quem tem mantimentos proceda da mesma forma.
2ª-Não exijais nada além do que vos está fixado
3ª-Não useis violência com ninguém , nem denuncieis injustamente e contentai-vos com o vosso soldo.
Diz-nos o Evangelista que estas eram exortações que João Baptista dirigia àquelas pessoas que o procuravam para que as "introduzisse" na anunciada Graça de serem baptizadas.
Digo eu agora: e nós ? Até somos baptizados. Chegarão sempre até nós estas exortações entusiasticamente clamadas no deserto para ajudar Jesus a limpar a sua eira e a recolher o trigo no seu celeiro ?...
E são estas as regras:
1ª-Quem tem duas túnicas reparta com aquele que não tem e quem tem mantimentos proceda da mesma forma.
2ª-Não exijais nada além do que vos está fixado
3ª-Não useis violência com ninguém , nem denuncieis injustamente e contentai-vos com o vosso soldo.
Diz-nos o Evangelista que estas eram exortações que João Baptista dirigia àquelas pessoas que o procuravam para que as "introduzisse" na anunciada Graça de serem baptizadas.
Digo eu agora: e nós ? Até somos baptizados. Chegarão sempre até nós estas exortações entusiasticamente clamadas no deserto para ajudar Jesus a limpar a sua eira e a recolher o trigo no seu celeiro ?...
08 dezembro 2009
Conceição, concepção

Conceição, concepção, podemos dizer que é o justo início da geração de um ser vivo e assim é com Nossa Senhora "da Conceição" e "imaculada",quando, não sendo possível precisar o momento em que São Joaquim e Santa Ana geraram Maria, a Igreja teve plena consciência de que Maria apareceu antes de Jesus, na história da nossa religião.Consequentemente entendeu dever estar fora de questão que, desde a eternidade, aquela que deveria ser a MÃE do filho de Deus já estaria escolhida desde o início dos tempos. E, como O precedeu, esta sua precedência teria que colocar o seu nascimento dentro do período do ADVENTO.Tudo isto e muito mais sobre Nossa Senhora explicou a dedicadíssima devoção de João Paulo II na Carta Encíclica Redenptoris Mater de 1987. Desta maneira aqui estamos nós então a ter dia santificado e mais um feriado nacional, que era o que mais faltava que não fosse, uma vez que até o nosso rei D.João IV pôs a coroa de Portugal sobre a fronte de Nossa Senhora...
Confesso que estas misturas de Reis com Santos à bela maneira pagã, nunca foram muito do meu agrado e tenho uma enorme saudade daquele gostinho especial que, quando eu era menina, tinha este dia a que chamávamos com toda a propriedade DIA DA MÃE. Eu sempre dava uma prendinha à minha Mãe, comprada com dinheiro que meu Pai me dava antes de sairmos as duas a fazer compras já para o Natal, eu em feriado de colégio, as lojas lindas de brilhos e cores, muitos encontros «...viva! estás mais alta e os estudos?...» e depois o máximo prazer de, numa Casa de Chá confortável ( às vezes fazia frio ou chovia fininho) tomar um chocolate quente, bem à senhora, quando calhava, com uma ou outra amiga dos meus pais por acaso encontrada naquele brouhaha de uma BAIXA de antes dos tempos dos shopings... Isso era o remate em glória daquele Dia da Mãe em que houvera farófias à sobremesa do almoço e passávamos pela Igreja a deixar umas flores( das que o meu Pai dera pela manhã à minha Mãe), antes de irmos para a Baixa,,,Nossa Senhora da Conceição era nesse tempo também mais nossa Mãe ...
Confesso que estas misturas de Reis com Santos à bela maneira pagã, nunca foram muito do meu agrado e tenho uma enorme saudade daquele gostinho especial que, quando eu era menina, tinha este dia a que chamávamos com toda a propriedade DIA DA MÃE. Eu sempre dava uma prendinha à minha Mãe, comprada com dinheiro que meu Pai me dava antes de sairmos as duas a fazer compras já para o Natal, eu em feriado de colégio, as lojas lindas de brilhos e cores, muitos encontros «...viva! estás mais alta e os estudos?...» e depois o máximo prazer de, numa Casa de Chá confortável ( às vezes fazia frio ou chovia fininho) tomar um chocolate quente, bem à senhora, quando calhava, com uma ou outra amiga dos meus pais por acaso encontrada naquele brouhaha de uma BAIXA de antes dos tempos dos shopings... Isso era o remate em glória daquele Dia da Mãe em que houvera farófias à sobremesa do almoço e passávamos pela Igreja a deixar umas flores( das que o meu Pai dera pela manhã à minha Mãe), antes de irmos para a Baixa,,,Nossa Senhora da Conceição era nesse tempo também mais nossa Mãe ...
06 dezembro 2009
«endireitai-lhe as veredas...»
Como o dia hoje está feio, mal disposto ! E nem chove, nem está nevoeiro, nem há um grande vento...Ontem andaram por aí com aqueles estrepitosos aspiradores das ruas e as placas relvadas ficaram um brilho de asseio. Pois o pequeno frou-frou das folhas dos olmeiros atirou-as aos punhados para os chãos e hoje está todo o verde de ontem coberto de amarelo... Não poderá a Câmara de agora fazer muito mais para, preparar o caminho do Senhor e endireitarlhe as veredas como reclamava no deserto em altos gritos, João, filho de Zacarias, ou como conta o profeta Baruc que Deus decidiu abater todo o alto monte e encher os vales,tornando a terra plana para Israel caminhar em segurança...até sob a sombra dos bosques e de toda a árvore de aroma...
Tal foi a emoção de um regresso à pátria após o cativeiro, para Baruc e tal era a indignação pelo que via para João Baptista !
Como somos seres sociais, aos tratos entre nós não podemos deixar de chamar política e assim, mantidas as devidas proporções, vemo-nos por aí, no deserto a gritar como João, com tantas veredas para endireitar e compreendemos Baruc
ainda há poucos dias quando festejámos com um feriado nacional a nossa libertação do nosso cativeiro em nossa própria pátria...
Uma sombra se projecta em tão bonitos e paralelos preparativos que gostaríamos de emparceirar com os bíblicos hoje lidos.Baruc diz Ergue-te Jerusalém,sobe ao alto ! E temos dificuldades em entender este jerusalém. Os nossos desejos não conferem agora com esse estímulo, justamente por razões políticas, um jerusalém que é agora o opressor, quando então era o oprimido.
Mas é verdade também que temos que nos transportar ao tempo de Baruc e também temos que lembrar que existe um ornato de estilo a -sinédoque -que sempre nos permitiu usar uma só palavra com um muito amplo valor semântico, podendo portanto o nome de uma só cidade ou de um só país ser apenas o representante de todo um povo que o habite. E bom será esquecermos hoje uma conotação política que nada tinha nem tem que ver com os CAMINHOS DO SENHOR que o ADVENTO nos convoca a procurar.
Tal foi a emoção de um regresso à pátria após o cativeiro, para Baruc e tal era a indignação pelo que via para João Baptista !
Como somos seres sociais, aos tratos entre nós não podemos deixar de chamar política e assim, mantidas as devidas proporções, vemo-nos por aí, no deserto a gritar como João, com tantas veredas para endireitar e compreendemos Baruc
ainda há poucos dias quando festejámos com um feriado nacional a nossa libertação do nosso cativeiro em nossa própria pátria...
Uma sombra se projecta em tão bonitos e paralelos preparativos que gostaríamos de emparceirar com os bíblicos hoje lidos.Baruc diz Ergue-te Jerusalém,sobe ao alto ! E temos dificuldades em entender este jerusalém. Os nossos desejos não conferem agora com esse estímulo, justamente por razões políticas, um jerusalém que é agora o opressor, quando então era o oprimido.
Mas é verdade também que temos que nos transportar ao tempo de Baruc e também temos que lembrar que existe um ornato de estilo a -sinédoque -que sempre nos permitiu usar uma só palavra com um muito amplo valor semântico, podendo portanto o nome de uma só cidade ou de um só país ser apenas o representante de todo um povo que o habite. E bom será esquecermos hoje uma conotação política que nada tinha nem tem que ver com os CAMINHOS DO SENHOR que o ADVENTO nos convoca a procurar.
05 dezembro 2009
Um filme : O Leitor de Stephen Daldry
Há muito tempo que deixei de ver cinema. Que deixei de ir ao cinema. Como a muitas outras coisas.Tudo aquilo que me ponha num limitado ambiente de alienação me afugenta. Pela dificuldade que tenho depois em entrar de chofre numa outra realidade.Com os livros, às vezes quase acontece o mesmo, se são muito absorventes, mas consigo manter sempre um certo controlo sobre pausas e interrupções, que no cinema não posso fazer.Li ultimamente alguns romances, do Dan Brown e Mia Couto a José Rodrigues dos Santos e António Lobo Antunes, um pouco em sessões contínuas porque os tinha recebido ao mesmo tempo e todos me mereciam a mesma curiosidade, cada um por suas razões especiais, mas sempre consegui, depois de cada momento de leitura, centrar-me rapidamente nos meus onde, como, quando, porquê e para quê que me haviam levado a lê-los dessa forma.
Agora, porém, uma amiga trouxe-me, em vez de um livro, um filme.Como um ingrediente de peso a juntar ao que se leria, há que contar com a interpretação, o tratamento que o actor dá ao personagem e que pode ajudar ou desajudar completamente a mensagem que o autor quis passar ao criar o seu "pinóquio"... Neste filme a actriz principal é já uma ganhadora de um Óscar pelo seu talento e o seu partenaire é quanto a mim perfeito, especialmente nos seus silêncios regorgitantes de intencionalidades. O autor do livro - Bernhard Schlink - recebeu inclusivamente o prémio de Literatura do Die Welt em 1999.E assim se juntaram uns tantos ingredientes para que o filme fosse bom e premiado.
Quando eu julgo que já nada mais se poderá contar ( e me poderá ainda amarfanhar ) sobre os horrores dos campos de concentração alemães, lá aparece sempre mais uma outra perspectiva,( até o analfabetismo numa Alemanha dos anos 40! ), mais uma chaga que ainda não fechou no coração de alguém. Juntar a tanta dor, a tanta baixeza, a amostragem do erotismo que nem sob a chuva de bombas na mais desesperada miséria humana deixou de existir e fazer disso o polo comercial da história a contar ( e a vender...) isso é que serviu para que a minha alienação não fosse tão longe, mesmo ao fim de uma hora e quarenta a conviver com tudo isso.
É salutar deixar que as feridas sarem mesmo que as cicatrizes fiquem sempre a
arrepanhar um bocadinho. Fazê-las render, porquê, para quê ?...
Agora, porém, uma amiga trouxe-me, em vez de um livro, um filme.Como um ingrediente de peso a juntar ao que se leria, há que contar com a interpretação, o tratamento que o actor dá ao personagem e que pode ajudar ou desajudar completamente a mensagem que o autor quis passar ao criar o seu "pinóquio"... Neste filme a actriz principal é já uma ganhadora de um Óscar pelo seu talento e o seu partenaire é quanto a mim perfeito, especialmente nos seus silêncios regorgitantes de intencionalidades. O autor do livro - Bernhard Schlink - recebeu inclusivamente o prémio de Literatura do Die Welt em 1999.E assim se juntaram uns tantos ingredientes para que o filme fosse bom e premiado.
Quando eu julgo que já nada mais se poderá contar ( e me poderá ainda amarfanhar ) sobre os horrores dos campos de concentração alemães, lá aparece sempre mais uma outra perspectiva,( até o analfabetismo numa Alemanha dos anos 40! ), mais uma chaga que ainda não fechou no coração de alguém. Juntar a tanta dor, a tanta baixeza, a amostragem do erotismo que nem sob a chuva de bombas na mais desesperada miséria humana deixou de existir e fazer disso o polo comercial da história a contar ( e a vender...) isso é que serviu para que a minha alienação não fosse tão longe, mesmo ao fim de uma hora e quarenta a conviver com tudo isso.
É salutar deixar que as feridas sarem mesmo que as cicatrizes fiquem sempre a
arrepanhar um bocadinho. Fazê-las render, porquê, para quê ?...
29 novembro 2009
1ºDOMINGO DE ADVENTO
Creio que quem acaso usar vir por estas bandas, ler o que vou escrevendo, já tem como certo que eu só me dedico a esta ocupação ao domingo e quase exclusivamente para meditar por escrito sobre os textos litúrgicos desse mesmo domingo.Mas esta é apenas uma meia verdade,que hoje, primeiro domingo do ADVENTO deste ano, me pareceu ser tempo de explicar. Na verdade, o meu grande gosto é mesmo escrever sobre as leituras bíblicas por me parecer que é sempre necessário e pertinente, trazê-las para os dias de hoje e pensá-las à luz que ilumina a nossa vida de todos os dias, porque evangelhos, cartas, salmos, profecias e actos me aparecem com pessoas como nós a vivenciá-los, apenas com a diferença de que nós temos connosco a carga de 2000 a 3000 anos de mudanças civilizacionais, muita HISTÓRIA,muito mais MUNDO, muita ocidentalização, tudo em muito maiores números, sendo nós sempre a mesma matéria de quando Deus viu que tudo era BOM..Tão longe esse Génesis e como nós ficámos, por dentro, sempre tão frágeis perante todas as serpentes que cercam a ÃRVORE DA VIDA ! É pois sempre nesse espírito que me parece quase obrigatório escrever aos domingos, o que escrevo.
Porém, o meu "diário" é múltiplo, como o de todas as pessoas, só que nem sempre o meu tempo livre de obrigações me permite este luxo de sentar-me a contar o que aconteceu no meu em redor mais próximo.
Até estive doente e me tratei graças à assistência que veio dar-me uma médica da AMI a que recorro sempre que preciso, e a uma amiga que chamei para me sentir acompanhada nos meus medos, e à minha Valentina que reza rezas que só ela sabe, enquanto me serve a canja e os seus estimulantes "já vai ficar boa ".
Passado esse "cabo Bojador", como o Pessoa diz que se passa "além da dor", eu lá passei... E senti que merecia mais mimos, exactamente como quando ,em menina, convalescia de um qualquer sarampo ou bronquite...E porquê? Porque,
se partira a perna da antiquíssima mesinha baixa que eu sobrecarregava com pilhas de livros, todos "em actividade de serviço", e a minha amiga saíu, sem me dizer ao que ia , e foi pelas lojas a encontrar-me algo que era sonho antigo nunca concretizado: achar-me um fogão eléctrico à justa medida da boca da minha lareira, daqueles que simulam labaredas, lenha e tudo, para, funcionando ali, além de me aquecer, fazer esquecer a ausência da velha mesinha que ocupava o espaço demasiado próximo à lareira. Se isto não é mimo é o quê ? Mas aconteceu também que o meu professor de computador me "mimou" trazendo-me prontos uns pequnos desdobráveis com passagens de vários posts sobre o ADVENTO que tinha espalhados pelo blog e que preparara para agora partilhar com os meus amigos.E foi óptimo poder fazê-lo.
E agora aqui estou eu, após ter acendido a primeira das quatro velas que hão de alumiar-me nestas quatro semanas até ao Natal, declamando como o SALMO, fazei-me, Senhor, caminhar os vossos caminhos, ensinai-me o vosso rumo, econduzi ao caminho os pecadores, orientai os humildes na justiça e aos pobres guiai os seus passos. Dias virão...dizia hoje Jeremias.
Porém, o meu "diário" é múltiplo, como o de todas as pessoas, só que nem sempre o meu tempo livre de obrigações me permite este luxo de sentar-me a contar o que aconteceu no meu em redor mais próximo.
Até estive doente e me tratei graças à assistência que veio dar-me uma médica da AMI a que recorro sempre que preciso, e a uma amiga que chamei para me sentir acompanhada nos meus medos, e à minha Valentina que reza rezas que só ela sabe, enquanto me serve a canja e os seus estimulantes "já vai ficar boa ".
Passado esse "cabo Bojador", como o Pessoa diz que se passa "além da dor", eu lá passei... E senti que merecia mais mimos, exactamente como quando ,em menina, convalescia de um qualquer sarampo ou bronquite...E porquê? Porque,
se partira a perna da antiquíssima mesinha baixa que eu sobrecarregava com pilhas de livros, todos "em actividade de serviço", e a minha amiga saíu, sem me dizer ao que ia , e foi pelas lojas a encontrar-me algo que era sonho antigo nunca concretizado: achar-me um fogão eléctrico à justa medida da boca da minha lareira, daqueles que simulam labaredas, lenha e tudo, para, funcionando ali, além de me aquecer, fazer esquecer a ausência da velha mesinha que ocupava o espaço demasiado próximo à lareira. Se isto não é mimo é o quê ? Mas aconteceu também que o meu professor de computador me "mimou" trazendo-me prontos uns pequnos desdobráveis com passagens de vários posts sobre o ADVENTO que tinha espalhados pelo blog e que preparara para agora partilhar com os meus amigos.E foi óptimo poder fazê-lo.
22 novembro 2009
...o Vosso Reino
É verdadeiramente fascinante como nos envolve uma atmosfera rescendendo á grandiosidade com que Sâo João visionava as suas apoteóticas cenas do Apocalipse, através de todas as leituras deste dia que encerra um ano litúrgico a render preito à realeza de Jesus, enquanto Filho de Deus nosso Pai!
Imaginamos Daniel nas suas visões da noite a presenciar, entre as nuvens do céu, aquela entroni- zação da figura de Homem ,mal definida, junto do divino Ancião. Ecoam aos nossos ouvidos, do Apocalipse, a ELE a glória e o poder pelos tempos sem fim, enquanto todos os olhos, mesmo os que o trespassaram, O vêem caminhar entre nuvens, clamando com a sua voz poderosa Eu sou o Alfa e o Ómega, aquele que é, que era e que há-de vir...A melodia do Salmo ofusca-nos o olhar perante O Senhor vestido de majestade, REI num trono de luz.. E,por fim, com que dignidade se passa aquela conversa entre Jesus e Pilatos, sabendo bem como seriam interpretadas as palavras que dissesse É como dizes, sou Rei! Dói-nos pensar que Pilatos sabia muito bem que aquele rei não era deste Mundo, mas mesmo assim foi preciso Jesus lembrar-lhe que só o ouviriam aqueles que fossem amigos da Verdade...
É razão para termos orgulho na nossa pertença a uma religião com uma FÉ nascida nas mais luminosas e espirituais crenças e nas mais puras convicções feitas certezas...
Imaginamos Daniel nas suas visões da noite a presenciar, entre as nuvens do céu, aquela entroni- zação da figura de Homem ,mal definida, junto do divino Ancião. Ecoam aos nossos ouvidos, do Apocalipse, a ELE a glória e o poder pelos tempos sem fim, enquanto todos os olhos, mesmo os que o trespassaram, O vêem caminhar entre nuvens, clamando com a sua voz poderosa Eu sou o Alfa e o Ómega, aquele que é, que era e que há-de vir...A melodia do Salmo ofusca-nos o olhar perante O Senhor vestido de majestade, REI num trono de luz.. E,por fim, com que dignidade se passa aquela conversa entre Jesus e Pilatos, sabendo bem como seriam interpretadas as palavras que dissesse É como dizes, sou Rei! Dói-nos pensar que Pilatos sabia muito bem que aquele rei não era deste Mundo, mas mesmo assim foi preciso Jesus lembrar-lhe que só o ouviriam aqueles que fossem amigos da Verdade...É razão para termos orgulho na nossa pertença a uma religião com uma FÉ nascida nas mais luminosas e espirituais crenças e nas mais puras convicções feitas certezas...
15 novembro 2009
...às nossas portas...
A grande notícia do Evangelho de hoje vai integrar-se naquela frase que recordamos sempre de João Paulo II não tenhais medo ! Jesus afirma aos discípulos : ficai sabendo que o Filho do Homem está perto, mesmo às vossas portas, quando acontecerem todas as calamidades que associamos a um fim de mundo e de que Ele falou como tão inevitáveis quanto de data imprevisível. Portanto, temos a sua promessa de que estará a velar por nós, mesmo às nossas portas. E, ao longo das nossas vidas, não temos nós todos tido já provas de que Ele estava lá, mesmo não se tratando de nenhum fim de mundo?...
Subscrever:
Mensagens (Atom)