Lembrei-me de ir procurar informação na net, sobre o aparecimento do dia dos vizinhos e fiquei então sabendo que o seu nascimento se deu em Paris em 2004 tendo depois a ONU aproveitado a ideia e marcado a última terça feira de cada mês de maio para essa celebração.
Obtida esta informação,já me senti apetrechada para, ontem, dia 27, invocar de maneira fundanentada, a minha teoria da vicinidade na reunião de condóminos que iriamos ter pela primeira vez com administração nova ( um gabinete de gestão de condomínios conduzido por duas advogadas jovens das quais tivemos referências de bom profissionalismo). Fez-se a dita reunião que decorreu com as características habituais, não se mostrando as novas gestoras minimamente perturbadas com as velhas tricas subjacentes a certas intervenções, póprias de quem já condominiza há muitos anos..
.
Aconteceu,apenas a mim e em conversa lateral, ter que lembrar ao único condómino jovem presente, que, ao contráriodo que eles pensam,todos precisamos uns dos outros, sejamos novos ou velhos, cada um dentro das suas capacidades...Um pormenor, mas de peso, dentro daquele contexto
Porém, este dia 27 de Maio foi um tal cúmulo de datas a celebrar,umas, e outras anterioríssimamente marcadas e desmarcadas por contingências várias, que foi,desde manhã até à noite um cumprir ou faltar a compromissos por impossibilidade de conexão, e por sobreposição até. Foi o aniversário da minha amiga-sobrinha Rita, foi a memória religiosa dos que teriam sido os 109 anos de meu Pai, foi um almoço na cidade preparado para e por velhos amigos do mesmo antigo Trabalho, foi a reunião em minha casa com as Senhoras visitadoras da Paróquia,por fim foi a reunião dos condóminos.Vi-me forçada a prescindir da minha sessão de fisioterapia e,depois, às seis da tarde, a não estar presente na apresentação do livro do meu amigo Padre Lázaro, na Embaixada de Moçambique.
Este foi o livro em que se transformou a sua tese de doutoramento em Teologia e cujo título nos indica a originalidade do tema e nos estimula a curiosidade, por isso que os sete arguentes da sua prova foram unânimes em classificá-lo com 18 valores cum laude... DOENÇA E CURA EM ÁFRICA introduz-nos em toda uma desconhecida filosofia de pensar a doença quando olhada com olhos africanos e participada pelos prcedimentos cristãos.
O nosso novo Doutor vai regressar para junto do seu povo chuabo com todos os conhecimentos e experiências que adquiriu em 6 trabalhosos anos de convívio europeu ocidental. Com muita saudade vamos, vou, ficar orfã da sua amizade e dos seu apoio.
Na oração da noite deste enorme dia, agradeci a DEUS os amigos, lembrei os vizinhos e encomendei~lhe particularmente o futuro do meu amigo Lázaro.
E adormeci em paz ! .
28 maio 2009
26 maio 2009
Saberá a ONU ?
Muito cansada! O que eu tenho feito, o que eu tenho escrito, o que eu tenho feito escrever ! Mas hoje, a telefonia da manhãsinha e, depois, a televisão do almoço apregoaram aos quatro ventos que é o dia europeu dos vizinhos ! ! !
E eu, toda convencida que tinha sido muito original na minha teoria sobre a vicinidade exposta aqui mesmo neste blog em 8 de julho de 2008 !...
Juro que nunca ouvi falar noDIA DO VIZINHO . E não é que os noticiários me dizem que há 3 anos que a ONU se lembrou disto ? e que o dia será muito cheio de festas nas Juntas de Freguesia e mais aqui e ali... Bem, a minha alma rejubila e pasma. E também, como tinha exposto resumidamente a minha teoria numa reunião de condóminos que aconteceu no começo deste ano de 09,
resolvi pôr-me à espera que algum dos meus vizinhos hoje viesse mostrar-me
um pouco da sua aderência às ideias minhas e da ONU...
Está para ser noite e não aconteceu... Será só no meu prédio? Será que a ONU sabe disto ?
Ingenuidade minha. Como se intitulava uma série de documentários que era passada nos cinemas, na época da Guerra, ainsi va le monde...
E eu, toda convencida que tinha sido muito original na minha teoria sobre a vicinidade exposta aqui mesmo neste blog em 8 de julho de 2008 !...
Juro que nunca ouvi falar noDIA DO VIZINHO . E não é que os noticiários me dizem que há 3 anos que a ONU se lembrou disto ? e que o dia será muito cheio de festas nas Juntas de Freguesia e mais aqui e ali... Bem, a minha alma rejubila e pasma. E também, como tinha exposto resumidamente a minha teoria numa reunião de condóminos que aconteceu no começo deste ano de 09,
resolvi pôr-me à espera que algum dos meus vizinhos hoje viesse mostrar-me
um pouco da sua aderência às ideias minhas e da ONU...
Está para ser noite e não aconteceu... Será só no meu prédio? Será que a ONU sabe disto ?
Ingenuidade minha. Como se intitulava uma série de documentários que era passada nos cinemas, na época da Guerra, ainsi va le monde...
21 maio 2009
17 maio 2009
O monumento a Cristo Rei
Por mais que puxasse pela memória, não consegui fixar-me nem em qual teria sido a primeira, nem em quantas vezes visitei, estive ou passei pela cidade de Setúbal. Lembro bem a última, em que fui convidada pela Escola Superior de Educação ( creio ser este o seu nome oficial) para falar sobre Bocage em companhia com duas amigas que iam lendo poemas dele, ao a propósito do que eu ia dizendo. É um campus universitário magnífico, inserido na paisagem e pensado para uma população de jovens modernos, à boa maneira de Siza Vieira. Sei que foi uma visita alegre em que inclusivamente a Tuna acabou improvisando uma musiquinha muito bonita para um pequeno poema do poeta celebrado que eu lhe lançara à maneira de mote ...e desafio.
Recordação bem mais antiga, um fim de semana de dois dias passado na Estalagem de São Filipe (será que ainda existe e com este nome?), instalada no Castelo ou Forte com esse nome. Uma situação magnífica, com o rio Sado já a fazer-se estuário ali aos nossos pés...
Mais atrás ainda, muito mais atrás, um passeio por uma avenida arborizada, onde, a certa altura, me mostraram o monumento a outra jóia da cidade, Luiza Todi. E, logo a seguir um almoço em que comi pela primeira vez um peixe delicioso que em casa se não comia porque o meu Pai o detestava:o salmonete.
Era ali uma especialidade, já não me lembro se da terra, se do restaurante.Mas a verdade é que me ficou para toda a vida a associação desse peixe a essa cidade. E também sei que me fizeram crer que as pessoas de Setúbal falam carregando na pronúncia dos R .
Não se pode dizer que seja tudo isto uma grande informação e pode sim dizer-se que é quase imperdoável... Mesmo ali à beira da Arrábida que percorri e frequentei nas suas múltiplas facetas (onde, tanto, a memória do Sebastião Gama,esse amigo !), mais modernamente, num simples cruzamento de estradas ao vir do sul para Lisboa...Bem, é já ali Setóbal !
Mas ,subitamente, comecei a ter essa cidade aos meus ouvidos várias vezes por dia : a violência, as juventudes delinquentes mas incompreendidas, a polícia enxovalhada, a Conunicação Social aos gritos e apitos, nós todos numa inquietação, eu, com um nó na garganta, a lembrar aqueles alunos da Tuna e da Escola,tão felizes, tão alegres, e também os polícias que conheci no meu trabalho, gente sã, meritória...Que é isto ?
Que é isto no meu país ?
E acontece outra vez Setúbal . O Concelho, a Diocese, e o seu povo... E de novo a Comunicação Social uma, duas , n vezes a insistir, a insistir...mas como se explica que o tom já não seja instigador da histeria irritada e irritante e se tenha mudado o registo das referências ao povo, a este mesmíssimo povo de Setúbal , do espaço alargado para fora da cidade, onde provavelmente as juventudes se podem equiparar ? É explicável ?
Agora trata-se de algo que se percebe bem todos respeitam, e não ousam cometer qualquer deslize, talvez nem bem saibam porquê...
São os espectaculares festejos de comemoração do 50º aniversário da existência do monumento a Cristo-Rei, implantado justamente na Diocese de Setúbal...
Há que considerar que o histórico e o político têm aqui um grande peso, mas o que provoca esta mudança de atitudes ?
Acaso não se trata da mesma Comunicação Social, dos mesmos "fazedores" de opinião ?
O convite à meditação perante o imenso espaço aberto à frente daquele monumento é sem dúvida feito pela beleza esmagadora da paisagem, toda material, mas do que ali SENTIMOS sobre nós e o mundo, sobre nós e a vida,
disso e de um certo inexplicável AMOR, de que o Mundo está carente, não encontramos forma de o materializar... Vejo agora nitidamente que o espiritual é mesmo o grande motor deste Mundo dos Homens, quer eles o entendam quer não ...
Recordação bem mais antiga, um fim de semana de dois dias passado na Estalagem de São Filipe (será que ainda existe e com este nome?), instalada no Castelo ou Forte com esse nome. Uma situação magnífica, com o rio Sado já a fazer-se estuário ali aos nossos pés...
Mais atrás ainda, muito mais atrás, um passeio por uma avenida arborizada, onde, a certa altura, me mostraram o monumento a outra jóia da cidade, Luiza Todi. E, logo a seguir um almoço em que comi pela primeira vez um peixe delicioso que em casa se não comia porque o meu Pai o detestava:o salmonete.
Era ali uma especialidade, já não me lembro se da terra, se do restaurante.Mas a verdade é que me ficou para toda a vida a associação desse peixe a essa cidade. E também sei que me fizeram crer que as pessoas de Setúbal falam carregando na pronúncia dos R .
Não se pode dizer que seja tudo isto uma grande informação e pode sim dizer-se que é quase imperdoável... Mesmo ali à beira da Arrábida que percorri e frequentei nas suas múltiplas facetas (onde, tanto, a memória do Sebastião Gama,esse amigo !), mais modernamente, num simples cruzamento de estradas ao vir do sul para Lisboa...Bem, é já ali Setóbal !
Mas ,subitamente, comecei a ter essa cidade aos meus ouvidos várias vezes por dia : a violência, as juventudes delinquentes mas incompreendidas, a polícia enxovalhada, a Conunicação Social aos gritos e apitos, nós todos numa inquietação, eu, com um nó na garganta, a lembrar aqueles alunos da Tuna e da Escola,tão felizes, tão alegres, e também os polícias que conheci no meu trabalho, gente sã, meritória...Que é isto ?
Que é isto no meu país ?
E acontece outra vez Setúbal . O Concelho, a Diocese, e o seu povo... E de novo a Comunicação Social uma, duas , n vezes a insistir, a insistir...mas como se explica que o tom já não seja instigador da histeria irritada e irritante e se tenha mudado o registo das referências ao povo, a este mesmíssimo povo de Setúbal , do espaço alargado para fora da cidade, onde provavelmente as juventudes se podem equiparar ? É explicável ?
Agora trata-se de algo que se percebe bem todos respeitam, e não ousam cometer qualquer deslize, talvez nem bem saibam porquê...
São os espectaculares festejos de comemoração do 50º aniversário da existência do monumento a Cristo-Rei, implantado justamente na Diocese de Setúbal...
Há que considerar que o histórico e o político têm aqui um grande peso, mas o que provoca esta mudança de atitudes ?
Acaso não se trata da mesma Comunicação Social, dos mesmos "fazedores" de opinião ?
O convite à meditação perante o imenso espaço aberto à frente daquele monumento é sem dúvida feito pela beleza esmagadora da paisagem, toda material, mas do que ali SENTIMOS sobre nós e o mundo, sobre nós e a vida,
disso e de um certo inexplicável AMOR, de que o Mundo está carente, não encontramos forma de o materializar... Vejo agora nitidamente que o espiritual é mesmo o grande motor deste Mundo dos Homens, quer eles o entendam quer não ...
10 maio 2009
As varas
Esta foi a semana em que o tempo, de quente, passou a frio e de brilhante passou a baço...Tenho uma pequena fatia de jardim, coberta de hera, com uma cameleira num dos topos.Quem sabe destes arremedos de jadins que há na cidade sabe que, numa certa época, pululam os jarros alvíssimos de largas folhas verdes que requebram como bailarinas orientais. Mas vem a época em que eles abdicam, secam e só no subsolo quente fica um bolbo que ninguém vê e até esquece, pelo menos pelo espaço de um ano... Os velhos jarros amarelaram,
descaíram e arrastam-se pela terra consentindo que tudo o que for exuberante lhes caia por cima e os abafe. Veio hoje o jardineiro e foi puxando, separando, arrancando...Era um montão de lixo, aquilo que fora tão airoso !
Metáfora ? São João diz no Evangelho de hoje que Jesus terá usado a metáfora da vara seca que é jogada fora e queimada, seca porque não dá fruto, e o fruto é uma nova metáfora...Como eram misteriosas as palavras de Jesus !
É que, mesmo sem eu fazer nada, os meus jarros voltam a rebentar cheios de força, na próxima Primavera...Só mesmo isto é possível porque aos seus escondidos bolbos,até aí !, chegará a Infinita Misericórdia.
Como é que eu não penso nisto quando estou como os velhos jarros do meu minúsculo jardim ?
descaíram e arrastam-se pela terra consentindo que tudo o que for exuberante lhes caia por cima e os abafe. Veio hoje o jardineiro e foi puxando, separando, arrancando...Era um montão de lixo, aquilo que fora tão airoso !
Metáfora ? São João diz no Evangelho de hoje que Jesus terá usado a metáfora da vara seca que é jogada fora e queimada, seca porque não dá fruto, e o fruto é uma nova metáfora...Como eram misteriosas as palavras de Jesus !
É que, mesmo sem eu fazer nada, os meus jarros voltam a rebentar cheios de força, na próxima Primavera...Só mesmo isto é possível porque aos seus escondidos bolbos,até aí !, chegará a Infinita Misericórdia.
Como é que eu não penso nisto quando estou como os velhos jarros do meu minúsculo jardim ?
03 maio 2009
MÃES
Matriz, modelo, MAÇÃ, malefício, medo, mortificação, marca, melancolia, macio, mimo, mácula, memórias.
Alvorada, Amor, ansiedade, aflição, azedume, apelo, apego, auxílio, apoio, acompanhamento, abraço, artes, admiração, ausência.
Eternidade, Eden, envolvimento, exclusão, entendimento, exigência, educação, evolução, elegância, esteio, espanto.
Alvorada, Amor, ansiedade, aflição, azedume, apelo, apego, auxílio, apoio, acompanhamento, abraço, artes, admiração, ausência.
Eternidade, Eden, envolvimento, exclusão, entendimento, exigência, educação, evolução, elegância, esteio, espanto.
Com as três letras de MÃE podemos contar a História de todas as MÃES do mundo, desde que Eva provou a maçã. Esta é a história das mães que eu tive.
01 maio 2009
Trabalhadores
Principia o mês de Maio, dito antigamente o mês das flores. E também se dizia que, se chovesse, a sua chuva fazia as pessoas bonitas... Com o passar do tempo tudo endureceu nas nossas vidas e, se pensamos em Maio, a primeira conotação é a do TRABALHO por causa de o seu primeiro dia ser dedicado aos TRABALHADORES. E nós sabemos a carga de lutas, de sofrimentos, de decepções e de poucas alegrias que esta data traz consigo.Mas também é importante que se pense quanta dignidade, quanto orgulho, quanta felicidade o trabalho pode dar ao ser humano... O Fernando Pessoa é que se lembrou de elogiar o não se ter nada para fazer ou o não se fazer nada mesmo que haja que fazer, e socorre-se de exemplos que só nos fazem sorrir««o melhor do mundo são as crianças»» E, não sei por que associação de ideias, este amor do Pessoa ao primitivo, fez com que me ocorresse que também no dia 1 de Maio foi escrita por PERO VAZ DE CAMINHA a CARTA a dar conta ao Rei D. Manuel do ACHAMENTO DO BRASIL .Não teriam sido também uns esforçadíssimos trabalhadores, estes navegadores cujo esquecimento vamos gradualmente consentindo ?...
26 abril 2009
São Nuno de Santa Maria
«O grande Pereira», «o fero Nuno»,«...Nuno,qual...o fortíssimo leão»,«Nuno,que,como sábio capitão, tudo corria e via e a todos dava com presença e palavras, coração», pois este Nuno assim visto por Camões, foi hoje canonizado por um Papa de nome Bento, tal como fora beatificado por outro Papa de nome Bento também. Sendo notável toda a sua carreira militar em que,de simples "conde das cavalariças/ cavalos,cavalaria"( condestável, etimologicamente e por influência do inglês constable medieval), chegou a chefe supremo de todo o exército e figura maior da hierarquia da corte, é ainda muito mais notável o quanto a sua fé, a sua dedicação a Nossa Senhora o fez, depois de viuvo, procurar "apagar-se" numa humildade que o esconde dentro do hábito carmelita, de onde quase nada volta mais a ouvir-se sobre ele...
Pois agora aí está, mais um dos Santos e Santas da Corte dos Céus, a fazer-nos pensar a nós em como são misteriosos os juizos de Deus e os seus desígnios e em quê e em quanto e em como teremos que dar volta às nossas vidas se quisermos sequer imitar um Santo assim...
Pois agora aí está, mais um dos Santos e Santas da Corte dos Céus, a fazer-nos pensar a nós em como são misteriosos os juizos de Deus e os seus desígnios e em quê e em quanto e em como teremos que dar volta às nossas vidas se quisermos sequer imitar um Santo assim...
25 abril 2009
25 de ABRIL
Eu vi Abril por fora e Abril pordentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.
Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido ( Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer...
Manuel Alegre
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.
Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido ( Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer...
Manuel Alegre
24 abril 2009
24 de ABRIL

Le taparia el tiempo
con rosas, por que no recordara.
Una rosa distinta,
de una imprevista majia,
sobre cada hora solitaria de oro
o sombra,
hueco propício a las memorias trajicas.
Que, como entre divinas y alegres
enredando rosas, granas ,blancas
que no dejarán sítio a lo pasado,
se le enredara,
con el cuerpo,
EL ALMA...
EL ALMA...
de Juan Ramon Gimenez
18 abril 2009
Prendas
As prendinhas que trocámos com os nossos amigos tiveram sempre um qualquer significado, a menos que não fossem de ou para amigos mesmo, dos verdadeiros.
Com o andar da vida, acabámos por ter,a cada passo,na nossa casa uma presença qualquer daquele ou do outro ,várias vezes multiplicadas...A jarrinha do último natal em que... A moldura daquele dia de anos que... A taça, a caixa,a chávena...Isto para não falar dos utilitários como a máquina de café, a torradeira, o jogo de facas, o espremedor de fruta...E também a coquetterie dos lenços de seda, das caixinhas de comprimidos, do alfinete de pedras...
Bem! Isto tornou-nos possuidores de inúmeras coisas carregadas de significados vários mas que nós, no seu conjunto, acabamos por já nem gozar...
Combinámos então,entre amigos, no alvorecer desta avassaladora idade do consumismo, passarmos a só nos presentearmos com bens perecíveis, como produtos para nos lavarmos, para aperfeiçoar a nossa apresentação física, para comer ou beber, para escrever, e também flores, plantas e livros Tivemos algumas dúvidas sobre a classificação dos dois últimos citados.As plantinhas,se as tratarmos bem, far-nos -ão companhia longo tempo, são mesmo uma companhia com a qual até podemos falar( ! ! !). Sobre a durabilidade válida dos livros é que haverá muito a dizer.Pondo de parte o quanto fisicamente se deterioram, é claro que o seu conteúdo é persistente...quando o é! Porém cada vez estou encontrando mais livros perecíveis. Ninguém certamente está a pensar num CEM ANOS DE SOLIDÃO, nuns LUSÍADAS, num GUERRA E PAZ, numa MADAME BOVARY ou mesmo num MEMORIAL DO CONVENTO.
Mas quanto é publicado apenas arrastado pela esteira dos redemoínhos de uma moda, social, política, moral ou religiosa, ou até de certas inovações puramente literárias, uma vez diluida essa actualidade, passa a ser de facto também um perecível. E,por isso, ´poderá também entrar na categoria das prendinhas de desgaste previsível.E oferecemo-las uns aos outros com essa quase certeza.
Não me querendo deixar entrar pelo campo dos livros em que se estudava e são declarados perecíveis pela via governamental , olho para os livros de agora com uma certa desconfiança quanto à sua utilidade prática.Ocuparão um lugar nas minhas estantes tal como as prendinhas de antes da combinação dos perecíveis.
E não é que agora me vêm oferecer um livro como nunca tive, onde eu própria caibo em duas linhas e cuja classificação só pode ser CURIOSIDADE ?
Com uma admiração toda nova ( onde já vai na minha memória o que me vi obrigada a consultar na antiga Torre do Tombo!), vejo-me com um livro todo dedicado ao estudo da árvore genealógica das famílias que se entrecruzaram até chegar ao mundo a geração do meu marido ! Um dos seus dois laboriosos autores entendeu assim agradecer-me algumas conversas que tive com ele sobre tanta memória, tanta história... E, parafraseando alguém, digo eu ««que farei com este livro?»» Quão estranha profissão a deste simpático autor !
Genealogista! Quem conhece ?
Sempre,cada dia, coisas novas...Até nesta tão bem "arrumada"teoria das prendinhas que desalinho agora, a descobrir avôs e avós insuspeitados a viverem as suas vidinhas lá para trás do sol-posto, sem suspeitarem que de longinquos tempos e espaços alguém os andava a espreitar...
Com o andar da vida, acabámos por ter,a cada passo,na nossa casa uma presença qualquer daquele ou do outro ,várias vezes multiplicadas...A jarrinha do último natal em que... A moldura daquele dia de anos que... A taça, a caixa,a chávena...Isto para não falar dos utilitários como a máquina de café, a torradeira, o jogo de facas, o espremedor de fruta...E também a coquetterie dos lenços de seda, das caixinhas de comprimidos, do alfinete de pedras...
Bem! Isto tornou-nos possuidores de inúmeras coisas carregadas de significados vários mas que nós, no seu conjunto, acabamos por já nem gozar...
Combinámos então,entre amigos, no alvorecer desta avassaladora idade do consumismo, passarmos a só nos presentearmos com bens perecíveis, como produtos para nos lavarmos, para aperfeiçoar a nossa apresentação física, para comer ou beber, para escrever, e também flores, plantas e livros Tivemos algumas dúvidas sobre a classificação dos dois últimos citados.As plantinhas,se as tratarmos bem, far-nos -ão companhia longo tempo, são mesmo uma companhia com a qual até podemos falar( ! ! !). Sobre a durabilidade válida dos livros é que haverá muito a dizer.Pondo de parte o quanto fisicamente se deterioram, é claro que o seu conteúdo é persistente...quando o é! Porém cada vez estou encontrando mais livros perecíveis. Ninguém certamente está a pensar num CEM ANOS DE SOLIDÃO, nuns LUSÍADAS, num GUERRA E PAZ, numa MADAME BOVARY ou mesmo num MEMORIAL DO CONVENTO.
Mas quanto é publicado apenas arrastado pela esteira dos redemoínhos de uma moda, social, política, moral ou religiosa, ou até de certas inovações puramente literárias, uma vez diluida essa actualidade, passa a ser de facto também um perecível. E,por isso, ´poderá também entrar na categoria das prendinhas de desgaste previsível.E oferecemo-las uns aos outros com essa quase certeza.
Não me querendo deixar entrar pelo campo dos livros em que se estudava e são declarados perecíveis pela via governamental , olho para os livros de agora com uma certa desconfiança quanto à sua utilidade prática.Ocuparão um lugar nas minhas estantes tal como as prendinhas de antes da combinação dos perecíveis.
E não é que agora me vêm oferecer um livro como nunca tive, onde eu própria caibo em duas linhas e cuja classificação só pode ser CURIOSIDADE ?
Com uma admiração toda nova ( onde já vai na minha memória o que me vi obrigada a consultar na antiga Torre do Tombo!), vejo-me com um livro todo dedicado ao estudo da árvore genealógica das famílias que se entrecruzaram até chegar ao mundo a geração do meu marido ! Um dos seus dois laboriosos autores entendeu assim agradecer-me algumas conversas que tive com ele sobre tanta memória, tanta história... E, parafraseando alguém, digo eu ««que farei com este livro?»» Quão estranha profissão a deste simpático autor !
Genealogista! Quem conhece ?
Sempre,cada dia, coisas novas...Até nesta tão bem "arrumada"teoria das prendinhas que desalinho agora, a descobrir avôs e avós insuspeitados a viverem as suas vidinhas lá para trás do sol-posto, sem suspeitarem que de longinquos tempos e espaços alguém os andava a espreitar...
12 abril 2009
Pão Ázimo
Logo de manhã,com cuidado por causa da diferença horária,estive em frente da televisão porque procuro sempre não perder a transmissão das cerimónias no Vaticano que sei que vão dirigir-se urbi et orbi.Está sempre lindíssima a decoração daquela enorme esplanada frente à Basílica,com montões de flores e plantas verdes que a Holanda capricha em oferecer.E depois é todo aquele aparato de solenidade...
Não, não estou a falar de luxo.
Mas do cerimonial com que nesses dias os cristãos enfatizam
aquilo que deu o cariz verdadeiramente extraordinário às razões da sua fé. Claro que além de uma imensidão de público do mais heterogénio (quantos só turistas?) a figura central de tudo o que se ali passa é o Papa. E ouve-se, da sua sabedoria, que cremos divina, aquilo que nem sempre sabemos
interpretar ou por vezes aquilo que estava a faltar-nos como estímulo... Quantas vezes sem mesmo nos termos dado conta disso.
Hoje aprendi.Melhor: percebi.
Comi pela primeira vez PÃO ÁZIMO aquando da minha primeira viagem a Israel. Ao procurar saber como se fazia,explicaram-me que a única diferença para o nosso pão era apenas a de não levar fermento. E entendi porque era baixinho e maciço.Vim depois a comê-lo mais vezes sem nunca mais pensar no como era feito. Nunca tinha pensado que haveria uma relação entre ele e a História da minha fé.Quando oiço da boca do Papa «de tal modo a Páscoa é o partir para uma NOVA VIDA completamente nova, que até se deixou de fazer pão com o fermento, porque este tem que ser retirado de uma massa anterior e, por isso,velha». Não foram estas as palavras textuais, que não fixei. Mas foi esta a "novidade" para mim. Alguém me lembrou que há também uma explicação segundo a qual os judeus, ao fugirem precipitadamente do Egipto,não puderam dar tempo para fermentar ao pão que estavam a fazer...
Não teria nunca sabido isto de outra forma, creio bem.
Que mais coisas novas virão ainda acrescentar o que já sei, depois desta Páscoa da qual apenas esperava reforçar a minha solidez interior??? Banirei o fermento?
Não, não estou a falar de luxo.
Mas do cerimonial com que nesses dias os cristãos enfatizam
aquilo que deu o cariz verdadeiramente extraordinário às razões da sua fé. Claro que além de uma imensidão de público do mais heterogénio (quantos só turistas?) a figura central de tudo o que se ali passa é o Papa. E ouve-se, da sua sabedoria, que cremos divina, aquilo que nem sempre sabemos
interpretar ou por vezes aquilo que estava a faltar-nos como estímulo... Quantas vezes sem mesmo nos termos dado conta disso.
Hoje aprendi.Melhor: percebi.
Comi pela primeira vez PÃO ÁZIMO aquando da minha primeira viagem a Israel. Ao procurar saber como se fazia,explicaram-me que a única diferença para o nosso pão era apenas a de não levar fermento. E entendi porque era baixinho e maciço.Vim depois a comê-lo mais vezes sem nunca mais pensar no como era feito. Nunca tinha pensado que haveria uma relação entre ele e a História da minha fé.Quando oiço da boca do Papa «de tal modo a Páscoa é o partir para uma NOVA VIDA completamente nova, que até se deixou de fazer pão com o fermento, porque este tem que ser retirado de uma massa anterior e, por isso,velha». Não foram estas as palavras textuais, que não fixei. Mas foi esta a "novidade" para mim. Alguém me lembrou que há também uma explicação segundo a qual os judeus, ao fugirem precipitadamente do Egipto,não puderam dar tempo para fermentar ao pão que estavam a fazer...
Não teria nunca sabido isto de outra forma, creio bem.
Que mais coisas novas virão ainda acrescentar o que já sei, depois desta Páscoa da qual apenas esperava reforçar a minha solidez interior??? Banirei o fermento?
10 abril 2009
6ª FEIRA DE PAIXÃO

Deixai, deixai passar o homem forte,
o ungido do Senhor.
Se a cruz que arrasta agora é cruz de morte,
também é cruz de Amor !
Morres tu, mas a ideia que deixáste
não morre, como a luz em fim de dia,
nem o fogo do céu que em ti ardia,
o ungido do Senhor.
Se a cruz que arrasta agora é cruz de morte,
também é cruz de Amor !
Morres tu, mas a ideia que deixáste
não morre, como a luz em fim de dia,
nem o fogo do céu que em ti ardia,
nem o exemplo sublime que legáste !
in A senda do Calvário
ANTERO DE QUENTAL
05 abril 2009
Cerimónias de RAMOS
Este deslizar das semanas durante a Quaresma torna-se-nos mais sensível porque é um caminho que se percorre e no qual se vão eliminando etapes. Chegámos hoje ao domingo de Ramos e, sendo aquele em que começa verdadeiramente a tragédia da morte mais injusta e cruel alguma vez executada sobre um ser humano, as cerimónias de igreja, neste dia, tornam-se alegres e festivas, já pelas cores vermelhas dos paramentos, já pela manipulação dos enormes ramos de folhas de palmeira, tão elegantes, tão graciosos, a ondular ao ritmo de todos aqueles cãnticos entoados em procissão. Imaginar a figura daquele JESUS materializado no filme de Mel Gibson, montado num burrito assustado com a gritaria do povo circundante, a procurar romper pelo meio de uma turba enrodilhada em gritos e palmeiras, em correrias para ver melhor o que parecia festa, imaginar a paciente doçura daquele que se sabia condenado sem crime, fez-me sentir subitamente uma tristeza tão dilacerante que só tinha uma vontade: fugir, sair, procurar outras cores da alegria, arrancar de mim toda a imagem da dor,da dor toda, ou antes, de toda a DOR... (e lá, na ponta de um banco, não é que se senta o que resta, em disformidade, daquela que foi a ninha alegre amiga cujo esgar,como sorriso, ainda veio ter comigo?)
02 abril 2009
Livro infantil - ilustração
29 março 2009
Parábola da semente-5º domingo
Tenho sempre usado os muitos poderes da minha imaginação para me ver fazendo parte daqueles grupos que seguiam Jesus, curiosos, compreendendo pouco, mas intuindo muito, perfeitamente rendidos ao suave tom da sua fala, parecendo antes a de quem medita em voz alta, mas sendo na verdade ( e podiam tê-lo percebido por vários Sinais ) a de a quem Deus conduz como seu Filho, mesmo nas situações mais sinuosas e difíceis. Hoje, São João conta-nos da curiosidade de uns gregos, em Jerusalém, que queriam conhecer Jesus o que, de certa maneira, não deixou de preocupar os discípulos que temiam por ELE, naquele ambiente meio festivo que já atraía estrangeiros para a Festa próxima.Porém Jesus, serenamente, como se nada passasse por ELE, ensinou-lhes a parábola da semente que, se cair à terra e não morrer, estiolará numa solidão sem horizontes.Mas que,morrendo enquanto semente, poderá multiplicar-se em réplicas ad aeterno... Todos os que o ouviram sabiam,pela prática, que isto era assim, simples de entender e aceitar. Mas aquilo que ouviram a seguir e não foram capazes de perceber se era um trovão, aceitando com naturalidade que poderia ser a fala de um Anjo, nisso é que surgiu o Mistério : o Mistério de um Deus que estava ali, com eles, prestes a deixá-los até à Eternidade, e ninguém foi capaz nunca de compreender...Que era ELE mesmo a tal SEMENTE !
26 março 2009
Parafraseando Natália
«« a poesia é para comer »» dizia a Natália Correia, no seu modo estrepitoso de escandalizar... E eu, sem nenhuma vontade de escandalizar seja quem for, sempre a entendi perfeitamente e, a partir de certa época da minha vida, comecei a ousar aconchegar junto da ideia da Natália a minha de que a VIDA é para se beber... A grandes tragos ou a pequenos goles.
Aquele acontecimento de um amigo que atinge a classificação magna cum l aude na sua prova de doutoramento, ou o de uma amiga que chega de outra terra para vir ficar connosco, partilhando a nossa casa e a nossa vida temporariamente, ou a tomada de decisões práticas na ocorrência de factos imprevisíveis na orientação do condomínio, ou a envolvência carinhosa de alguém de quem não a esperávamos, ou a bonita camélia que,no nosso minúsculo jardim, a cameleira nos ofereceu, ou a senhora da paróquia que vem pedir para os seus missionários protegidos, ou aquela bonita luz difusa que este sol de primavera deixou coar através das cortinas de linho antigo que hoje lavámos, ou a aluna que nos encheu a semana com uma classificação de 19 valores, depois de termos trabalhado tanto...São, gota a gota, aquela bebida que transforma em pequenos oásis certos dias de secura, tonus indispensável para qualquer gosto de viver.A poesia de que a Natália falava ( e comia ), essa acho que é destas múltiplas gotas que acaba por brotar...
Aquele acontecimento de um amigo que atinge a classificação magna cum l aude na sua prova de doutoramento, ou o de uma amiga que chega de outra terra para vir ficar connosco, partilhando a nossa casa e a nossa vida temporariamente, ou a tomada de decisões práticas na ocorrência de factos imprevisíveis na orientação do condomínio, ou a envolvência carinhosa de alguém de quem não a esperávamos, ou a bonita camélia que,no nosso minúsculo jardim, a cameleira nos ofereceu, ou a senhora da paróquia que vem pedir para os seus missionários protegidos, ou aquela bonita luz difusa que este sol de primavera deixou coar através das cortinas de linho antigo que hoje lavámos, ou a aluna que nos encheu a semana com uma classificação de 19 valores, depois de termos trabalhado tanto...São, gota a gota, aquela bebida que transforma em pequenos oásis certos dias de secura, tonus indispensável para qualquer gosto de viver.A poesia de que a Natália falava ( e comia ), essa acho que é destas múltiplas gotas que acaba por brotar...
22 março 2009
Gaudete ! 4º domingo
««Naqueles dias,todos os chef.es de Judá, os sacerdotes e o povo multiplicaram as suas infidelidades, imitaram as acções abomináveis das nações pagãs e profanaram o Templo que o Senhor tinha consagrado......O Senhor, Deus de seus pais, bem cedo e sem descanso começou a enviar-lhes mensageiros... mas eles escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam-lhes as palavras e troçavam dos seus profetas a tal ponto que deixou de haver remédio para a crescente indignação do Senhor contra o seu povo...
Isto nos diz o texto exrtraído do Livro das Crónicas para a missa de hoje, o chamado Domingo Gaudete. Claro se torna depois, .no restante das Leituras, que a infinita misericórdia e o grande amor de Deus pelas suas Criaturas o levou a perdoar-lhes, não sem que tivessem antes passado pela deportação e sofrimentos em Babilónia e não sem que lhes fizesse compreender a magnanimidade dessa sua mesma misericórdia que,através de Jesus, queria fazê-las trilhar os caminhos da LUZ e das BOAS OBRAS. E é dessa infinita vontade divina de nos perdoar que retiramos todas as nossas razões da alegria deste 4º domingo da Quaresma de este ano.
Fica-me para meditar,toda a semana, a citação do Livro das Crónicas e a interrogação posta ao meu espírito sobre, quanto tempo, quanta cultura, quanta experiência,quanto progresso humano poderemos medir, contar, desde o que aqui nos é narrado até aos dias que estamos vivendo hoje...
Isto nos diz o texto exrtraído do Livro das Crónicas para a missa de hoje, o chamado Domingo Gaudete. Claro se torna depois, .no restante das Leituras, que a infinita misericórdia e o grande amor de Deus pelas suas Criaturas o levou a perdoar-lhes, não sem que tivessem antes passado pela deportação e sofrimentos em Babilónia e não sem que lhes fizesse compreender a magnanimidade dessa sua mesma misericórdia que,através de Jesus, queria fazê-las trilhar os caminhos da LUZ e das BOAS OBRAS. E é dessa infinita vontade divina de nos perdoar que retiramos todas as nossas razões da alegria deste 4º domingo da Quaresma de este ano.
Fica-me para meditar,toda a semana, a citação do Livro das Crónicas e a interrogação posta ao meu espírito sobre, quanto tempo, quanta cultura, quanta experiência,quanto progresso humano poderemos medir, contar, desde o que aqui nos é narrado até aos dias que estamos vivendo hoje...
21 março 2009
Poesia
como meter o mundo
num poema? traduzir-lhe
a áspera realidade, a doçura
intranquila ?
como meter o trabalho
dos homens, os seus dias,
nessas escassas linhas,
seus ócios, seus espelhos,
seus desvarios, suas
catástrofes de amor ?
como meter a morte
nas palavras ?
só que uma coisa bela
é para sempre uma alegria inquieta.
Vasco Graça Moura
num poema? traduzir-lhe
a áspera realidade, a doçura
intranquila ?
como meter o trabalho
dos homens, os seus dias,
nessas escassas linhas,
seus ócios, seus espelhos,
seus desvarios, suas
catástrofes de amor ?
como meter a morte
nas palavras ?
só que uma coisa bela
é para sempre uma alegria inquieta.
Vasco Graça Moura
19 março 2009
PAI
São apenas uns flashes guardados na minha memória, com amor. Por isso duram.
1º- O meu Pai é um homem alto e eu, nos seus braços, quase desapareço. Ele usa uma farda acinzentada e está de pé, muito direito, aperta-me com muita força e...soluça.Algumas das suas lágrimas caem sobre o meu cabelo.Dão-nos uma flor que ele põe na minha mão e inclina-se...É a minha mãosita que vai pousar aquela flor sobre um montão de tule branco sob o qual a minha Mãe parece ter adormecido...
2º-O meu Pai espera-me, cá fora, à porta da Faculdade. Eu não me apercebera de que ele estivera lá. Abraçamo-nos, na minha surpresa do encontro. Alguém diz a "graça" do momento: «Aqui temos a nossa doutora!» O meu Pai põe as suas grandes e tranquilizantes mãos sobre os meus dois ombros, olha-me bem de frente e diz, quase para ser só eu a ouvir : «doutora sim,filha, mas nunca esqueças que, primeiro que tudo, és UMA SENHORA »...
3º-Estamos frente ao altar-mor da Igreja. Eu, noiva dos pés à cabeça, por dentro e por fora, toda feliz.Á minha esquerda o meu Pai ,brilhante, na sua farda azul com lindas medalhas no peito, a seu lado a minha Mãe com uma lindíssima capeline preta enfeitada de plumas verdes. Do meu lado direito, o meu adorado noivo, todo nervoso dentro de um fraque que nunca gostou de vestir, e à direita dele o seu irmão e cunhada.Portanto, tudo nos seus lugares para começar a celebração do meu casamento. Era um dia de Junho,muito ventoso e, para subirmos a escada da Igreja, o vento levantava a passadeira que deviamos pisar e o meu Pai ia aplanando degrau a degrau com a sua espada numa das mãos enquanto com a outra me segurava braço para que não me desiquilibrasse...A cerimónia, as orações, a alocução para os noivos pelo Sr. Padre Augusto, tudo uma beleza. Lembro-me de olhar para o meu Pai...O peito da sua bonita farda azul, por entre as tais medalhas, parecia cheio de nódoas. Pela sua cara deslisavam ,silenciosas e grossas, lágrimas que me destroçaram, fazendo-me chorar também...
A saudade de um Pai é tecida de malhas muito miudinhas que nunca perdem o seu significado ao longo de qualquer vida, mesmo longa...
1º- O meu Pai é um homem alto e eu, nos seus braços, quase desapareço. Ele usa uma farda acinzentada e está de pé, muito direito, aperta-me com muita força e...soluça.Algumas das suas lágrimas caem sobre o meu cabelo.Dão-nos uma flor que ele põe na minha mão e inclina-se...É a minha mãosita que vai pousar aquela flor sobre um montão de tule branco sob o qual a minha Mãe parece ter adormecido...
2º-O meu Pai espera-me, cá fora, à porta da Faculdade. Eu não me apercebera de que ele estivera lá. Abraçamo-nos, na minha surpresa do encontro. Alguém diz a "graça" do momento: «Aqui temos a nossa doutora!» O meu Pai põe as suas grandes e tranquilizantes mãos sobre os meus dois ombros, olha-me bem de frente e diz, quase para ser só eu a ouvir : «doutora sim,filha, mas nunca esqueças que, primeiro que tudo, és UMA SENHORA »...
3º-Estamos frente ao altar-mor da Igreja. Eu, noiva dos pés à cabeça, por dentro e por fora, toda feliz.Á minha esquerda o meu Pai ,brilhante, na sua farda azul com lindas medalhas no peito, a seu lado a minha Mãe com uma lindíssima capeline preta enfeitada de plumas verdes. Do meu lado direito, o meu adorado noivo, todo nervoso dentro de um fraque que nunca gostou de vestir, e à direita dele o seu irmão e cunhada.Portanto, tudo nos seus lugares para começar a celebração do meu casamento. Era um dia de Junho,muito ventoso e, para subirmos a escada da Igreja, o vento levantava a passadeira que deviamos pisar e o meu Pai ia aplanando degrau a degrau com a sua espada numa das mãos enquanto com a outra me segurava braço para que não me desiquilibrasse...A cerimónia, as orações, a alocução para os noivos pelo Sr. Padre Augusto, tudo uma beleza. Lembro-me de olhar para o meu Pai...O peito da sua bonita farda azul, por entre as tais medalhas, parecia cheio de nódoas. Pela sua cara deslisavam ,silenciosas e grossas, lágrimas que me destroçaram, fazendo-me chorar também...
A saudade de um Pai é tecida de malhas muito miudinhas que nunca perdem o seu significado ao longo de qualquer vida, mesmo longa...
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