27 janeiro 2009

O Caminho de São Paulo


Vem durando o ano em que a Igreja comemora a Conversão de São Paulo, dando-lhe a designação de Ano Paulino, de que eu nunca gostei. Quanto a mim, haveria outras designações menos frias, mais calorosas para nos fazer entrar "a fundo" no Extra-Ordinário que teve ( e que terá ) o fenómeno da conversão de um ser humano com uma estrutura mental completamente arreigada em princípios não só diferentes, mas opostos, contrários. CONVERSÃO, presupõe uma nova versão do que quer que seja e uma nova versão filosófica,intelectual e até dogmática de uma pessoa não é realmente de se encarar sem um enorme espanto e, posteriormente, um enorme respeito, uma enorme admiração. Daí à Estrada de Damasco só mesmo de mão dada com a nossa Fé... E então este Apóstolo do cara -a- cara, avesso às ruidosas exposições mas incisivo nos actos e até na doçura das palavras, surge-nos tão especial que, da sua acção à sua maneira de falar de Deus, o sentimos calorosamente a nosso lado, em muitas situações nossas, miseravelmente quase paganizadas...
...e a levarem-nos quase à revolta na Fé...
Perguntei hoje a Deus « onde está oTeu amor por nós ? a tua Misericórdia ?»
Aquela AMIGA, Senhor, porque o consentes ?
A nossa dor, Senhor, como a merecemos ? Onde o erro dela? E o nosso ?
E a resposta existiu para minha conformação, para minha meditação.
É o nosso percurso de vida . Será a nossa Estrada de Damasco ...

24 janeiro 2009

Recordar apenas

Éramos todos jovens, bonitos ( ! ! ! ) e sonhadores. Havia os "mais velhos", cheios de conhecimentos e de algumas experiências, que os "mais novos" admiravam, ouviam e...invejavam ! Quando estes chegaram às universidades os outros já por lá tinham passado a fazer o que eu hoje chamaria o básico mas ainda andavam por lá ou apareciam quando podiam...
E acrescia que, a alguns, nós conhecíamos cá "de fora" porque até as famílias eram amigas...Parece até que o país era mais pequeno, mais provinciano; quase todos se conheciam e mantinham-se relações de sociedade que hoje não vejo cultivarem-se, pelo menos da mesma maneira. Sempre vi em casa de meus Pais haver uns dias certos em que vinham amigos e se jogava o bridge e o mah-jong...
Pois essas "pessoas grandes" tinham filhos dos quais muitos iam cruzar os meus caminhos de estudante e assim se ia tecendo a teia das relações que, de uma maneira ou de outra, passavam a ser as nossas, as dos jovens do meu tempo.
Assim conheci a Stela. Os Pais amigos lá de casa.Aquela filha, muito bonita,mas muito especial... Naquelas idades a nossa diferença parecia muito maior... Dizia-se, dizia-se... e eu já a admirava .
Ela casa pela segunda vez no ano seguinte ao do meu casamento e tinha um filho afilhado de Álvaro Cunhal. Era filho de António Fiadeiro, seu primeiro marido. E uma filha afilhada de Piteira Santos, com quem casou em segundas núpcias e com quem partilhou toda a vida aventurosa dos políticos profundos com os quais sempre se entrosou... Era o" diz-se, diz-se "da sociedade em que nascera e fora criada. Chegámos a falar-nos em ocasiões muito especiais e eu tive oportunidade de dizer-lhe como já a havia invejado e como depois a estimei, a admirei.
No jornal de há dois dias leio a notícia da sua morte . Tinha agora 91 anos . Ambas velhas, só que eu alguma coisa menos.
E indubitavelmente muito menos Vida vivida, muito menos empenho, muito menos coragem...
Stela Correia Ribeiro... Algumas vezes, lá naqueles incríveis claustros da Faculdade, lembras-te ?

18 janeiro 2009

Agualusa e a Língua Portuguesa

Quando Maomé não vai à montanha, lá vai a montanha a Maomé. E muitas vezes,nos dias de agora, é a televisão que coloca a montanha dentro da casa de Maomé...

Assisti, por simples acaso, a uma entrevista dada por José Eduardo Agualusa, autor que aprecio por tantas razões que até o recomendo a alunos não só para prazer de ler, como para fazerem certos trabalhos cujo ponto de partida os professores das Escolas deixam à sua livre escolha.

A entrevista a que assisti cheia de interesse, como se depreenderá, estava encastrada num programa que a RTP preparara para celebrar, louvar, estimular e dar estatuto de espontaneidade, propensão natural da nossa gente para uma multiculturalidade que prove que somos um povo acolhedor e não racista para o que nos terá preparado e dotado a antiquíssima convivência com todos os povos do mundo que então andámos descobrindo. Era uma sala de teatro repleta de convidados de todas as proveniências e raças e que hoje habitam entre nós. E foram-se contando e mostrando exemplos, uns mais bem sucedidos que outros, como é natural, mas todos mostrando o quanto havia de positivo neste convívio português.
E assim surge AGUALUSA um escritor angolano, formado em universidades portuguesas, com vários prémios literários atribuidos em Portugal( lembro-me que um deles foi mesmo o de REVELAÇÃO) e usuário de um português fluente e correcto, uma das valias daquilo que escreve.
Tendo vindo à tona da conversa a dificuldade que é para a aculturação a língua, o português e o impacte que pode vir a ter o Acordo Luso-Brasileiro, AGUALUSA afirma que nada poderá afectar o português que "serve" a multiculturalidade porque verdadeiramente NUNCA foi uma língua estreme, dado que na sua constituição desde muito cedo teve séculos de influências até de línguas africanas ( falando quase "en passant" da presença árabe que é africana, em bom rigor ) e passando logo a falar do brasileiro que é hoje praticamente o único português conhecido no mundo, ilustrando a sua afirmação com uma históriasinha passada consigo e um menino brasileiro... Bem, eu penso que uma conversa assim,não pode ser feita por ignorância da parte de uma pessoa com a responsabilidade de um premiado literário, tão pouco a entrevistadora estava ali para estabelecer contraditórios com os entrevistados, mas a presença de tantos estrangeiros cheios de boa vontade, simpatia e alguns até gratidão para com tudo o que é português, transformou aquelas afirmações num deslize muito desagradável, se não quisermos pensar que foi uma maldadesinha. Se uma língua aparece já em pleno século IX EM DOCUMENTOS NOTARIAIS e em 1198 aparece a famosa Cantiga da Garvaia, como é que só vale a pena falar das influências norte-africanas quando a maior parte do nosso vocabulário já estava constituido ?

17 janeiro 2009

Miguel Torga

Hoje quero lembrar Miguel Torga. Quereria que ninguém se esquecesse de lembrar Miguel Torga.

Ter um destino é não caber no berço
onde o corpo nasceu.
É transpor as fronteiras uma a uma
e morrer sem nenhuma

Por sintonia de gostos e por simpatia de amigos, foi-me enviada uma completíssima informação sobre TORGA, numa apresentação de PowerPoint a merecer a pesquisa em Google por "Miguel-torga.pps" ou, p. ex., utilizando este link.

15 janeiro 2009

Esperança de Vida

Já nem sei se é a minha disposição demasiado amarga para o que é meu hábito, ou se é a disposição alheia e envolvente, o certo é que ainda não vi à minha volta, nesta primeira quinzena do novo ano, manifestação alguma do prazer de estar vivo, de ter promessas felizes à espera, de alegria, em suma... E vieram os meus jovens alunos, e falaram comigo,se não todos, quase todos os meus amigos e conhecidos, e encontrei antigos conhecimentos com variados percursos já feitos ou ainda a fazê-los, e de nenhum olhar, de nenhuns lábios, eu vi ou ouvi saltar aquela faísca que noutro tempo pegava fogo ao meu próprio entusiasmo...Foi minha a falta ?
Pessoas como eu, são agora chamadas a pensar que já estão vivendo tempo demais... As medidas governamentais vêm lembrar-nos de que não se esperava isto de nós, quando nos permitiram que nos reformássemos... Dizem que nessa altura a chamada esperança de vida era uma e agora é... ...demais ! Que fazer ? Mesmo que não se queira, isto é, no mínimo´desmotivador ! Só há mesmo que olhar à volta e procurar sementes de vida onde encontremos esteios para o que, apesar de tudo, ainda resta em nós de esperança...Diz o velho ditado que a esperança´é a última a morrer. Pois que seja ! Mas como eu preciso da alegria dos outros, meu Deus que me criáste para amar a Vida !...

01 janeiro 2009

Ano Novo; que pobreza?

Lindíssimas, todas nos tons deslizantes entre o amarelo torrado e o vermelho-sangue, as flores em braçadas maciças, como sempre, oferecidas por San Remo, lá estavam a emoldurar tudo o que é emoldurável, a sala repleta de um público tão homogénio na sua forma de vestir como na sua forma de reagir à música que lhe é oferecida, como na sua maneira de aplaudir, que chega a dar-nos a impressão de que ficaram lá sentados todos, desde o ano passado e do anterior e do outro ainda anterior e por aí fora...É do Concerto de Ano Novo em Viena que eu estou a falar, ainda sob a impressão fortíssima que ele me deixou uma vez mais, pois acaba de ser transmitido há apenas minutos.A família Strauss com as suas polcas, galopes, marchas e VALSAS, este ano ainda "permitiu" um ou outro compositor, como Hayden,de que me lembro, mas o que fez deste concerto algo de especial foi o maestro. BARENBOIM é um extraordinário intérprete daquilo que certamente os compositores queriam transmitir nas suas obras. Pelo menos é essa a impressão com que se fica quando ele passa de uma alegria esfusiante para um sentimentalismo sussurrante, ou de um ritmo requebrado para uma correria desenfreada, tudo com um tirar da orquestra efeitos absolutamente originais. Provavelmente a minha admiração por Barenboim também estará um pouco marcada pelo que sei que ele tenta fazer em favor de uma paz que a cada dia que passa parece mais impossível.Se israelitas e palestinianos conseguem conviver harmoniosamente numa orquestra que não é a Filarmónica de Viena, mas que ele criou para ser pelo menos tão boa quanto esta, como é que um homem destes não há-de fazer tudo o que pode para conseguir que aqueles dois povos se respeitem e enterrem de uma vez os seus machados de guerra ?
Creio que não haverá ninguém no mundo da boa vontade que não esteja impressionado com o que tem sido o Natal na Palestina, por mais próximo no tempo, mas de um modo geral no mundo da dor que ,ao fim e ao cabo, resulta da cada vez mais densa e opaca pobreza . Hoje, na homilia da missa no Vaticano, sendo este o Dia Mundial da Paz, o Papa fez uma espécie de sistematização das pobrezas que nunca me tinha ocorrido e, com a cabeça cheia da música de Barenboim, acabei relacionando e lamentando certas exibições patenteadas nas múltiplas formas de passagens de ano que a comunicação social lançou em reportagens ou notícias por esse mundo fora. A qual das diferentes pobrezas terá quem possa (ou saiba )que acudir primeiro ?
E eu ?... Vejo -me a abeirar do ano de 2009 cheia de dúvidas e a tentar furiosamente salvaguardar algumas certezas que não deixo que me tirem.

29 dezembro 2008


E pronto ! Estamos a despedir-nos de mais um ano que já festejámos como Novo e agora já é VELHO ! ! !... Como se mais nada houvesse para nos lembrar a precaridade das coisas vivas !

Mas é bom consolarmo-nos, regalarmo-nos mesmo ( os que podemos ), com as doces lembranças do NATAL. Eu fui feliz ! Nâo é muito vulgar poder dizer isto .Mas fui.Estive longe e fora de toda aquela turbulência da Lisboa das notícias, das vaidades, das hipocrisias, das aparências...

Acordava ainda o céu estava violáceo e sobre a água e os seus vales havia espessos blocos de nuvens a esbaterem-se pelas encostas até alcançarem os cimos em transparências variáveis...

Pairava então por cima de tudo e era-me possível sonhar com um paraíso, até que o sol lentamente ia empurrando todas as cores e texturas indefiníveis para deixar tudo azul e límpido. E aí, já a minha alma lavada ia ao encontro da limpidez das amizades...

Quando, na noite de Natal, saímos perto da meia noite e o frio nos chegava aos ossos, era tão límpido o negro do céu, que as estrelas pareciam em relevo, quiçá coladas lá em cima para guarnecer, como os enfeites luminosos com que haviamos debruado e polvilhado a casa e as árvores em redor... Depois a missa, a Fé celebrada em simplicidade. Será lugar-comum mas apetece-me falar de Noite Mágica .Espera-se qualquer coisa...Só no regresso a casa, a deixarmos chegar o sono olhando a dança das labaredas e o crepitar das brasas escarlates da lareira nos foi possível voltar a sentir os pés bem assentes na Terra. Todos aqueles cânticos portugueses ou não que repetimos por esta época se condensaram no tão pacificante noite de paz...que levámos no ouvido ao irmos dormir, nessa e nas outras noites.
Estou pronta agora a deitar fora o Ano Velho. Mas nunca todos os pedaços dele em que um calor de AMIGOS me fez sentir, como agora, feliz e viva ! ! !

14 dezembro 2008

Gaudete! nos cem anos da minha professora...

Sem anos com S, sim,
ó minha amiga !...
Está pensando que esqueci
que me ensinou muito mais
que o lugar da letra S
naquela palavra, ali ?

Pois saiba que o C no Cem
me enche de orgulho também...

Só que o S vem aqui
pra dizer que a vejo agora
como há tanto tempo a vi,
minha querida Professora !

Fresca, bonita e tão jovem
que até nem nos fica bem
falar dos anos que tem...

Por isso é que decidi
passar a escrever com S
o CEM que a gente não esquece,
o SEM retrato de SI ! ! ! ...


Ontem, dia 13 de Dezembro, foi o dia de anos da minha professora dos primeiros anos do ensino secundário, a doutora Maria Luciana. E fez CEM ANOS !
Quando a conheci era tão bonita, tão alegre,tão dinâmica, tão elegante, chic em todas as formas de ser, de se apresentar, que gradualmente se foi transformando para todas as alunas no modelo que todas nós sonhámos vir um dia a copiar... Ela tinha uma pequena sociedade com mais dois ou três ex-colegas do seu curso e outros tantos amigos de outros cursos com a qual puderam criar um Colégio em Lisboa e, na Linha de Cascais, ela criou sozinha uma extensão deste Colégio, que eu frequentei com outras meninas e meninos, durante três anos e não mais porque as obrigações de carreira do meu Pai me levaram para outra terra. A doutora Maria Luciana leccionava todas as disciplinas com um fulgor, um entusiasmo, e um tal "savoir faire" que o que com ela aprendemos nunca viemos a esquecer e onde chegávamos sempre nos consideravam muito bem preparados. Nasceu com Ela e entre nós alunos uma cadeia de amizade que nunca "enferrujou. As nossas vidas seguiram os seus rumos e Ela sempre professora. Cada um de nós a fomos sempre contactando, a espaços, e ´dando notícias suas uns aos outros, quando a víamos ou estávamos com Ela. Festejámos-lhe os noventa anos num grande almoço...
E agora chegaram os 100 ! Ela sempre activa, movimentando-se, documentando-se, a recordar-se, a recordar-nos, sempre elegante, bonita na sua idade.
Nunca deixou de acompanhar o que fui fazendo: veio às apresentações de coisas minhas, comentou, estimulou, como sempre o fizera, ainda eu era menina...
É este o porquê do poeminha que lhe ofereci agora.

E já agora, foi o grande tema do meu domingo de hoje.
No período do ADVENTO, este terceiro domingo é aquele que dá pelo nome de Domingo GAUDETE. Por causa da ALEGRIA que principalmente João,no deserto, nos promete para quase já,já...
E não é parte dessa alegria tão nova o festejar-se os Cem Anos de uma pessoa tão especial ?...

11 dezembro 2008

Saramago. Os Direitos do Homem

Todo o Homem nasce livre... Todo o Homem tem direito a... Começa dentro deste espírito a mais extraordinária profissão de Fé publicada pelo Homem e que ontem perfazia 60 anos de idade. É também um belíssimo CREDO que a nossa religião nos ensinou a rezar. E nós, que rezamos e cremos, temos todas as dificuldades do mundo em, uns com os outros, fazermos deste código uma coisa viva e activa. Que fadas madrinhas teríamos tido todos para que as mais das vezes nem saibamos bem ao certo explicar a Liberdade ?
Foi também ontem, e nem tudo é por acaso, que pudemos ver a degradação que pode produzir-se em dez anos de vida de um ser humano. Para celebrar Saramago, no dia em que se perfaziam dez anos sobre aquela honorabilíssima sessão em que lhe foi entregue o prémio NOBEL da Literatura, foi apresentado na TV um programa muito bem estruturado que não teve o cariz da clássica entrevista, mas em que o autor deambulava pela sua obra estabelecendo pontes com a sua vida... Muito interessante, mas tão doloroso ! Alquebrado, hipersensível, carente e com as lágrimas a saltarem-lhe não dos olhos, mas da alma... De que somos feitos, meu Deus ? Não há sequer uma única beliscadura na sua inteligência, nos seus raciocínios, na sua coerência... Mas o corpo mostra bem todo o "uso" que à doença se não conseguiu furtar. Penso ainda que o reconhecimento tão nítido da dor como ele teve( e tem ), vai também corroendo o corpo, por misteriosas vias que ainda não conhecemos...
Quem dera fosse esta uma das Liberdades a que todos tivéssemos também direito !

06 dezembro 2008

Grupos e solistas - músicas novas

É impossível não reportar ao Natal todas as coisas em que nos vamos envolvendo por esta época, de tal maneira ela é marcante na nossa vida de cristãos. Mas infelizmente - principalmente( não, não é escorregadela gramatical, é intencional ) porque é insistentíssima a pressão exercida sobre nós pela propaganda comercial através de todo e qualquer meio de comunicação social, de todo e qualquer meio, diria mesmo. E assim acontece que façamos nós o que fizermos, comer, beber, lavar, vestir, calçar, encontrar amigos, arranjar a casa e por aí fora, sempre nos surge a sugestão de não esquecer a época, trazida pelas maneiras mais inesperadas e tentando arrastar-nos para as mais inesperadas manifestações de uma alegria que não tem nenhuma correspondência afectiva ou emocional.No meu último post deste blog eu estava até demasiado amarga, por causa disto. Mas, a verdade é que estou cá e não posso ou não sei fugir da onda. Como pensei em comprar para oferecer alguma música, lembrei-me de me actualizar ouvindo e vendo um programa na TV que me disseram fazer semanalmente a recensão das últimas novidades, apresentando um pouco do seu aspecto e relativizando o valor que umas e outras têm.
Vi e até foi uma óptima ajuda. O que fiquei foi impressionada com as espantosas formas de se apresentarem de alguns daqueles intérpretes. Pareceu-me que quanto mais célebres, mais horrorosamente trajados e pintados e penteados gostam de se mostrar... Tendo a idade que tenho, assisti ao aparecimento dos BEATLES pelos quais fui logo cativada e lembro-me bem do azedume com que as pessoas mais velhas falavam das suas cabeleiras...Que diriam se vissem agora alguns bandos de esfarrapados ou semi-nus com umas cabeças envoltas numas massas para as quais só acho bom o termo francês tignasse? Felizmente que nem todos iam por esses lados nas suas formas de afirmação ! Por exemplo: uma lindíssima Fátima Guerreiro, usando um belo vestido preto e enfeitada com aqueles famosos ouros das raparigas de Viana do Castelo.Que bonito tudo ! A sua voz, o Fado, tudo... Que nunca fui uma grande apreciadora de fados ! No entanto até verifico que o Fado que cantam agora é mais poesia cantada do que outra coisa.
É bom que a informação sirva mesmo para nos informar.

30 novembro 2008

Natal- preparativos

Paro aqui e agora para descansar um pouquinho da minha outra escrita mais densa e um tanto ou quanto enervante, vá-se lá saber porquê...Há talvez já uma semana que as nossas vidas, de todos, grandes e pequenos, mulheres e homens, entraram em aceleração e isto é uma coisa que me irrita e que me incomoda. Porque todos os anos digo a mim mesma que nunca mais caio nesta e afinal lá me vejo eu arrastada na enxurrada das combinações, das exigências, das datas concorrentes ou coincidentes, das coisas que é preciso fazer... A minha máquina de lavar a roupa, quando está quase a encerrar o programa, põe-se a fazer um enorme barulho surdo e a acelerar as rotações estremecendo toda ela violentamente. Não é problema nenhum, já mo disseram mais do que um técnico: é feitio dela ! ! ! Ora eu comparo- me a ela . Resmungo, canso-me, desorganizo-me tanto que, se paro ... até rio de mim mesma. Porqe me lembro da máquina...
E então é tudo isto porque aí vem a época do ano mais louca em despesismo, não despesismo só de compras, mas de convites, de encontros, de espectáculos, de visitas...Tudo, tudo o que o ser humano é capaz de inventar só para mostrar( e até acreditar) que não está só e que o rumorejar do mundo à sua volta é a melhor desculpa para que se não encontre a sós com ele próprio o que seria afinal a melhor coisa que a época doNATAL poderia proporcionar a todos nós, uma vez que comemora o início de uma cultura judaico-cristã que nos veio dar a noção de que, sendo humanos, temos a maior das dignidades, por também sermos divinos... e que isso nos dá deveres de outra ordem.
Estou já a ouvir daqui os arautos da solidariedade, os amigos dos pobresinhos, sem abrigos, sem roupas, sem brinquedos, sem comida, e estou a pensar neles ,nas suas férias na Tailândia ou em Cancun mesmo que a época seja de trabalho para todos,nos queijos que só comem se forem de certo país ou nos vinhos que só bebem se, se, se... ou nas roupas que só aguentam se, se, se...
Como aguentaria ele, ser humano, perder um oportunidade destas para se mostrar e ser visto?
Não querendo entrar por aí ( que até é por onde vou tendo também amigos) volto `a minha ideia inicial sobre a acumulação de solicitações todas guardadas para esta época, porque ( é sabido desde o antigamente), ISSO tem que ver com a calculada maior abundância financeira ( os subsídios) e a maior predisposição de cada um para fazer gastos extraordinários. Claro que há lindíssimos espectáculos, os do La Feria, o Quebra Nozes,os modernos bonecos da tv transformados em personagens vivos e no gelo, os excelentes concertos das paróquias, e tantos outros de revisão e de saudade! Por exemplo, o do Carlos do Carmo...Este a provocar-me até um tão grande nó na garganta,pela recordação de certos momentos !.Éramos todos tão novos e ainda tão crentes nos poetas e nos sonhos !... É também agora a grande época das colheitas em Literatura. Multiplicam-se as "apresentações"do que foi sendo "cultivado" durante todo um ano, ou mais, qual delas com o apresentador mais "in", no momento, e com os mais originais complementos ,visando um marketing mais insinuante. E faz pena tanto acessório, porque os livros são até bons e actualmente muito bonitos, coisa que até há pouco tempo não preocupava muito autores ou editores.
Mas há, no meio de tudo isto, algumas coisas realmente novas, simples e alegres.Os anúncios televisivos , acabaram por vencer-nos e passámos a aceitá-los como um mal necessário, sendo quase todos de uma insensatês ou de um mau gosto desesperantes. Pois não é que surge agora um anúncio de telemóveis muito bem disfarçado e que, para meu gosto, é um verdadeiro achado de originalidade ? fala de meias,uma rosácea feita de peúgas coloridas, às riscas em todas as cores do arco-iris, agitadas num movimento delirante...Uma alegria para os olhos ! E, é claro, aparece com um pedido às avós para não oferecerem mais meias, neste Natal, em favor do tal telemóvel... Recordo um primo meu, hoje já avô, naturalmente, que, quando lhe perguntavam que prenda ele queria, nos seus cinco anos, ele respondia :_ " Roupinha, não; roupinha não ! " E sorrio com a recordação... Agora, ele teria de certo gostado mais desta "roupinha" do que do cinzentão e indiscreto telemóvel...Quem sabe ?...
Tantas e tão desviantes abordagens a uma época que desde sempre idealizei de simplicidade, amor discreto, esperança e confiança no " outro" como partes estruturantes da nossa dignidade ,daquela que depreendo quando leio no GÉNESIS, creio que no sexto dia da criação, façamos o Homem à nossa imagem e semelhança...E tudo então parecia que iria ser bom... Contudo, sempre, mais do que nunca, agora,temos visto o predomínio do ter e a frustração da minha, da nossa derrota no ser...
Vamos sempre cedendo à fraqueza, ao desânimo, ao cansaço ou à incapacidade... Mas seguimos.
Ainda acreditamos no Pai Natal , brincam connosco.Este senhor nórdico impôs-se e,como a muitas outras coisas, fomos tendo que aceitá-lo. Sabemos quem ele é, ele sabe quem nós somos, nada mais. Assim, à custa de tantas mixagens e de tanta mea culpa lá vamos chegando ao NATAL, ao que é muito nosso, de cada um de nós, e só cada um de nós é que sabe disso !!!

23 novembro 2008

ADVENTO 2007/2008

Tanta coisa acontece nos trezentos e tal dias de um ano e afinal nós não mudamos quase nada por causa disso ! Misterioso é como é que envelhecemos ! Quando se é mais novo, diz-se que crescemos mas, ao reconhecermos que muitas das nossas atitudes durante o ano vivido, até poderiam classificar-se de imaturas porque sempre tão iguais a outras anteriores , essa ideia de mais valia para nós fornecida pelo binómio acontecimentos / consequente aprendizagem de Vida, fica seriamente desacreditada .De Advento a Advento,o que mudou para mim?
Fiz mais um ano, graças a uma terapeuta chamada CATARINA ,tenho menos dores nuns sítios, mas vão-me aparecendo outras noutros sítios, dei as minhas lições a um mesmo número de alunos, tive o mesmo apoio logístico da "minha" Valentina, às vezes assessorada pela Natália que conheço há bem mil anos, privei com os meus amigos com as frequências habituais...Tive uma ou duas revelações surpreendentes, ´pelas quais, também surpreendentemente, ainda tive uma ou duas lágrimas para chorar ( as tais imaturidades ), Li muito, li tudo ( será que isto se pode dizer ?) , escrevi muito mas não escrevi tudo...ainda... Vi muito e sei que não se pode pensar ter visto tudo...
E também rezei muito...E nunca se reza tudo. Tudo...Mas o que será rezar tudo? Alguém o sabe? Tudo isto só para dizer que POSSO e quero repetir hoje aqui tudo, mas absolutamente tudo, o que escrevi precisamente no dia 24 de Novembro de 2007.
Apenas acrescentaria esta forma de oração de ADVENTO

Senhor ! Estás chegando ?
Dizem-me que virás
E alvoraça-me a tua espera...

Quando, quando será ?

Por agora só sei
que virás como um Rei
a transformar as Dores em alegrias
e a colocar a Paz
aonde há Guerra...

Disse-mo um ISAÍAS
que em teu nome nos diz
o que dirias
se o teu Reino de AMOR
fosse na Terra, já...

SENHOR!
Quando, quando será ?...

16 novembro 2008

...nós não somos das trevas !

Na sua carta aos de Tessalónica dizia hoje São Paulo : Nós não somos da noite nem das trevas.
E como depois, São Mateus desenvolvia no seu Evangelho, a tão conhecida parábola dos TALENTOS, parece-me ser de liminar evidência que nós, os cristãos, temos, no mínimo, a obrigação de fazer bem feito e de uma maneira transparente aquilo para que fomos dotados. E o fazer bem feito conterá sempre em si uma enorme percentagem de utilidade, rendibilidade, para ter alguma razão de existir. Se assim não for, então seremos como aquele, dos três, a quem a insegurança e o medo de falhar, levaram à opção de cruzar os braços e esperar.
Mais uma vez sou levada a reconhecer que não é fácil retirar o ensinamento correcto dos conceitos expostos nos Evangelhos. Quantas vezes a argumentação do evangelista me tem levado por caminhos de que mais tarde percebo dever retroceder ! Mas hoje foi mesmo São Paulo que me veio elucidar.
Quanto burburinho, quanta perturbação temos vindo a viver ultimamente sobre o fazer ou não fazer, bem ou mal feito, algumas coisas que só algumas ou mesmo nemhumas pessoas sabem fazer ! Como é que não se percebe que não podemos ser das trevas ?...

08 novembro 2008

Uma bela manhã

Há manhãs e manhãs. Aquela em que a primeira notícia que ouvi no meu pequeno rádio de cabeceira, foi a confirmação e os ruidos da apoteose da eleição do novo presidente da AMÉRICA, foi uma daquelas manhãs positivas em que nos apetece dizer, como aprendemos com ele, yes, we can. Não posso dizer que acompanhei as várias fases da campanha, mas sempre que ouvi e vi aquele homem, tão jovem ainda, tão exposto (sentia sempre uma espécie de arrepio porque me lembrava de Luther King ), a transmitir-nos aquela imagem de força sorridente e feliz, aquela confiança nas possibilidades suas e de todos nós, ficava bem disposta, parecia até sentir-me mais nova, mais capaz...Era assim como uma indução de energia que nos permitia voltar a ter algumas esperanças... Lembrei-me então, e já o disse a alguém, de uma frase que se gravou na minha memória, pelo 11 de Setembro, escrita no Le Monde : aujourd'hui nous sommes tous des américains. Aí unia-nos a dor, o horror, o dó, a indignação e até o medo. Pois agora une-nos, acima de tudo um extremo cansaço de todo o inesperável em que as políticas de alguns políticos transformaram este nosso mundo e esta nossa vida que é única ,sem sequer pensarem que lamentavelmente,nós , os mais velhos, não temos já tempo para "viver" outra melhor... Mas o jovem O'BHAMA , mesmo reconhecendo a realidade, ainda conseguiu fazer renascer a nossa esperança, fazer reavivar todas as forças humanistas, se calhar irmãs daquelas que once upon a time levaram os inexperientes navegadores para os mares desconhecidos...Ele veio fazer o Mundo acreditar de novo em todas as capacidades do Homem, porque mostra que ele é o primeiro a acreditar e desta vez não vai ser para o desconhecido que este novo Humanismo vai atrair os modernos desbravadores... Foi num bonito discurso de assunção da nova função que completou a sua acção de fascínio sobre nós todos. Ouvi-o na televisão já pela hora do almoço... Decididamente esta fora uma bela manhã ! ! !...

02 novembro 2008

Datas



As datas ! As datas e a sua pressão sobre a nossa memória...sobre as nossas recordações ! E a nossa subserviência... Porquê ainda ?


Afectos, gratidões, afinidades, encontros e desencontros, dias felizes, dias sofridos, perdas, achados ...e o amor, os amores ... saudade sempre ! ! !


E foi o 31 de Outubro , e foi o 1 de Novembro, e é o 2 de Novembro... Cada um, sua borbulhante preia-mar a esparzir-se sobre a secura de tantos, tantos, areais que se julgam desertos...


Reza-se, claro. Que seria de nós sem aquela certeza de que algures... ... Um dia... ou hoje, hoje mesmo , a nossa recordação encontra eco onde talvez «memória desta vida se consente »...


Com uma enorme braçada de crisântemos vamos sem bem saber a quais, aonde, porque as lágrimas que procuramos reter nos não deixam ver bem. preferenciar caminhos...

26 outubro 2008

26 de Outubro


Era preciso que eu fosse
múltipla, imensa
e pudesse
viver mais completamenie
cada hora recebida!

Era preciso que houvesse
mais vida pra ser vivida...

Mais surpresas
mais promessas
mais tentações
e mais luz...

... e que, inteira, eu me perdesse
na magia dos instantes
sempre plenos e diversos...

Era preciso que eu desse
mais de mim mesma
e ficasse
mais sossegada em seguida...

... mais saciada de Vida!...

Do meu livro OFERTA

25 outubro 2008

25deOutubro de 1147

LISBOA TEJO E TUDO...



Lisboa cravo e maresia
Lisboa meu nevoeiro,
crista da onda onde um dia
meu coração foi veleiro ! ...



Lisboa à beira da barra,
Lisboa à beira de mim.
Meu rio, barco e amarra...
Ida e volta, meu sem-fim...





Do meu livro SINESTESIAS

21 outubro 2008

Os grandes eventos

Já passaram dois dias sobre aquele tempestuoso sábado em que dois acontecimentos interessantes solicitavam a minha presença e entre os quais teria forçosamente que fazer escolhas, mas quero registá-los porque, curiosamente, um pouco de mim estava intimamente ligado a eles.

Primeiro : Encerramento da exposição Maria Callas.

Esta exposição abrira, se não me engano, em Junho e comemorava os 50 anos sobre a apresentação, no São Carlos, da Traviata, cantada pela grande Callas.
E aconteceu que, 50 anos atrás, eu ainda não era viúva e o meu marido, por inerência da sua profissão, esteve sempre em contacto com o senhor Meneghini, marido da cantora, nessa época, e com os outros acompanhantes dela, durante os dias da sua estada em Lisboa. Pensando a empresa que devia ser gentil, em termos femininos, com uma tão importante personagem e não tendo nos seus quadros ninguém que o fizesse como queriam, vieram pedir-me que fosse eu a fazer o que se chama as honras da casa à Callas, caso isso não me desagradasse muito... Naquela minha idade de então, como é que poderia desagradar-me tal missão ? Ela era uma ESTRELA mundial e eu ia ter a sorte de privar com tal "monstro" do grande espectáculo que aliás eu frequentava, sendo associada de um clube juvenil de música clássica. Foi portanto no ocorrer desse agradabilíssimo convívio que fomos vistas por muitos jornalistas, não tão "febris" e excitados como os de agora, mas presentes. Passados 50 anos, mostra-se a Lisboa a memória da bela mulher que ela era, dos seus lindos vestidos e adereços, do seu brilho, tão apaixonado e tão apaixonante na Lisboa dessa época. E não é que ali aparece uma jovem senhora junto dela que só eu sei que sou eu mesma ? Para mim, foi, maior que a surpresa, a emoção. Guardo agora com carinho a fotografia que estava à venda na Exposição e de cuja existência eu nem podia suspeitar.

Segundo: Concerto do grupo PEREGRINAÇÃO em São Roque

A minha aluna Margarida cujo amor pela música a não deixa desanimar nunca das suas aulas e ensaios no Conservatório, apesar da carga horária enorme a que isto a obriga junto com o seu 12.º ano, está fazendo uma verdadeira peregrinação de concertos, uns de fim de tarde, outros de noite, concertos que a maestrina criadora deste grupo coral vai programando. Trabalham com afinco as peças corais de música antiga, de música religiosa e de música tradicional e têm feito apresentações no estrangeiro, sendo que, para o presente ano lectivo, existe uma não confirmada e muito desejada deslocação à Rússia. Verifico que, com o seu tão grande brio profissional, para a Margarida, cada novo concerto tem o cariz de mais um teste através do qual ela se avalia a si própria. Por isso mesmo lhe interessa também ouvir opiniões de pessoas em cuja isenção ela confia. E São Roque parece ter sido uma boa prova, apesar da tempestade cá fora poder ter tido um efeito desmotivador, o que não aconteceu.

Quero ainda registar aqui um acontecimento ocorrido, não nesse tempestuoso sábado, mas no lindíssimo dia de domingo com que a natureza entendeu presentear-nos para compensar os estragos do dia anterior. E, sem muito ter que ver com a Natureza, mas sim com a disposição alegre que ela nos deu, foi o lançamento do primeiro livro do meu amigo Padre Lázaro Messias – Para uma Teologia Africana. A apresentação foi feita pelo ilustre professor da Universidade Católica e da Faculdade de Letras de Lisboa, Dr. José Eduardo Franco e creio que podemos dizer que terá tido as bençãos do Prior da nossa Paróquia, Monsenhor Victor Feytor Pinto, dado que foi ele quem falou sobre o Padre Lázaro da maneira como só ele o sabe fazer. Esta apresentação deixa-me feliz porque a considero mais um degrau vencido na trabalhosa caminhada do Padre Lázaro, a qual tenho acompanhado com muito interesse e admiração. E como é bom ver os amigos compensados da sua enorme entrega aos seus trabalhos !

18 outubro 2008

Tempestade

É uma perfeitíssima onomatopeia a palavra ribombar !
Pouco depois de termos almoçado, um acastelado de nuvens de vários tons de cinzento atirou-se a outros mais que andavam um pouco desnorteados por estes céus e, oh deuses das tempestades !, ribombou estrondosamente sobre as nossas cabeças, desfazendo-se imediatamente e sem aviso numa chuva de granizo, a maior que já me foi dado ver... Eram pequenos ovinhos de codorniz a despenhar-se furiosamente contra as nossas vidraças e a cobrir, num abrir e fechar de olhos, o asfalto da avenida, os capots dos automóveis, os toldos e carreiros dos jardins, os vasos das varandas... Tudo rápido e violentíssimo. Quando finalmente só ficou a chuva, havia um rio a correr nas bermas da avenida, depósitos de neve, muito alvos e impolutos, por todas as superfícies mais côncavas e milhares de folhas, folhinhas e raminhos a juncarem tudo quanto era chão. Pobres plantinhas mais frágeis parecem agora feridos de guerra !
Admirável Natureza que em momentos apenas pode destruir... talvez o Universo ! ! !
Sem que o Homem tenha tempo nem para dizer ai...
Perceberemos quanta inutilidade em toda a nossa vaidade ?

12 outubro 2008

A Crise

Passei, passámos todos uma semana de graves preocupações com o torrencial desabar de notícias em que todos os agentes noticiosos pareciam desafiar-se uns aos outros sobre a maneira mais dura de nos transmitirem que estamos, nós,pessoas, e país, a chegar à beira da penúria, porque uma complicada engrenagem bancária, envolvente de todo este nosso Mundo tinha de repente deixado que se soubesse que não havia mais dinheiro em parte alguma. Viver sem dinheiro foi coisa que ninguém nos ensinou e por isso ficámos todos a pensar que seria urgente desenvolvermos o primitivo sistema de trocas , coisa que também não se pode montar sem haver QUE trocar e o Mundo já está quase exaurido em dádivas generosas de produtos seus com os quais nós,homens, iamos fazendo dinheiro... Então, prometem-nos os apavorados governos, vamos ter que nos safar, que se me desculpe a expressão, mas é o que na realidade nos é dito . E é cada um por si, não há cá solidariedades para ninguém, porque, se isso foi o que resolveram para si mesmos os Governantes que já conversaram uns com os outros, isso é o que os governos vão ter que dizer aos governados.Suponho que ningém estava à espera de que houvesse governos-fadas, mas o de que ninguém estava à espera certamente era de que, por uso e abuso de políticas mal conduzidas e mal aplicadas, por uso e abuso da permissividade nos consumos das diferentes classes sociais, se atingisse um fundo tão fundo que agora ninguém sabe se se pode emergir ou como se pode emergir...
Espantosamente àqueles que temos a Graça de ter FÉ, as Escrituras vêm tanta vez lembrar-nos que somos povo de Deus e que dessa realidade emana sempre uma razão de Esperança !...
Neste ano dedicado a meditar S.Paulo, são lidas em cada missa passagens das suas cartas cheias daquele fervor que é apanágio dos convertidos. Pois na missa de hoje, na sua Carta aos Filipenses, dizia SÃO PAULO:
Sei viver modestamente e sei viver na abundância.Em todo o tempo e em todas as estações.Estou preparado para comer com fartura e para passar fome, para viver na abundância ou viver na penúria. Tudo posso por Cristo, que me dá força. ...o meu Deus há-de plenamente prover a todas as vossas necessidades, segundo a Sua riqueza, de maneira maravilhosa, em Cristo Jesus...
É assim com o respaldo das minhas convicções, com o conforto de coincidências como a desta Carta, (logo hoje) que eu consigo encontrar razões de esperança e sou capaz de tentar entrar nesse jogo político do cada um por si... Infelizmente não apenas político !